sábado, 24 de setembro de 2011

Precisa perguntar?



Assisti ao treino de hoje num bar, cercado de amigos. Como não bebo, estava prestando mais atenção na TV, enquanto a galera se esbaldava na cerva. Quando o treino acabou, todos perguntaram quem tinha sido o pole, no qual respondi: Precisa perguntar?


E me juntei à conversa!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

História: 20 anos do Grande Prêmio de Portugal de 1991

A F1 chegava ao circuito do Estoril com a disputa cada vez mais polarizada entre Ayrton Senna e Nigel Mansell. Alain Prost se arrastava em uma Ferrari em crise, enquanto Nelson Piquet cumpria suas últimas corridas na F1 e os dois segundos pilotos de McLaren e Williams, Gerhard Berger e Ricardo Patrese, apenas comboiavam seus ilustres companheiros de equipe na luta pelo título mundial de 1991. A grande realidade é que desde a descoberta das irregularidades no carro da McLaren no início da temporada e o ganho de confiabilidade no carro da Williams, o campeonato se tornou mais emocionante, com Senna tendo que se virar em como segurar o ímpeto de Mansell, que algumas vezes atrapalhava o próprio inglês, que perdia corridas ganhas por erros próprios.

Porém, a Classificação em Portugal foi emocionante e protagonizada pelos pilotos ‘errados’. Enquanto todos esperavam assistir ao embate entre o talento de Senna em tirar o coelho da cartola e conseguir uma volta excepcional contra a força da Williams de um agressivo Mansell, eis que os coadjuvantes de McLaren e Williams se sobressaem e ficam com a primeira fila, com Ricardo Patrese conseguindo a sétima pole na sua longeva carreira. O fato surpreendeu ainda mais por que o italiano teve o motor fundido na sexta-feira e sem carro reserva, Patrese teve que usar o carro que estava acertado para Mansell, que tinha um set-up todo particular que somente o inglês conseguia guiar. Mais atrás, o novato Michael Schumacher novamente superava Nelson Piquet, mostrando as suas credenciais logo de cara...

Grid:
1) Patrese(Williams) – 1:13.001
2) Berger(McLaren) – 1:13.221
3) Senna(McLaren) – 1:13.444
4) Mansell(Williams) – 1:13.667
5) Prost(Ferrari) – 1:14.352
6) Alesi(Ferrari) – 1:14.852
7) Gugelmin(Leyton House) – 1:15.266
8) Martini(Minardi) – 1:15.394
9) Capelli(March) – 1:15.481
10) Schumacher(Benetton) – 1:15.578

O dia 22 de setembro de 1991 estava quente e ensolarado no Estoril e o dia estava perfeito para uma corrida de F1, ainda mais decisiva. A reta muito estreita do autódromo Fernanda Pires da Silva algumas vezes trouxe problemas na largada, mas se não houve acidentes, não deixou de haver confusões. Usando sua conhecida agressividade, Mansell forçou para cima de Senna e tomou a posição do brasileiro, deixando o piloto da McLaren. Senna ainda tentou uma revanche, mas Mansell não apenas fechou a porta, como ainda na mesma manobra conseguiu tomar o segundo lugar de Berger. Depois da corrida, Senna demonstrou a irritação com a manobra de Mansell e de forma ameaçadora, dizia que não tiraria o pé na próxima vez. O mundo pensou em ver novamente os lamentáveis incidentes de Suzuka nas duas últimas temporadas...

O que importava era que a Williams liderava o Grande Prêmio de Portugal em dobradinha e não demoraria muito para Patrese e Mansell trocarem de posições e o inglês, não apenas primeiro piloto como também lutando pelo título, subisse uma posição e ganhasse pontos preciosos. Sem chances frente aos carros da Williams, Senna e Berger apenas viam os carros azuis e brancos dispararem à sua frente, para completa impotência de Senna, que via a possibilidade do tricampeonato ir abaixo. E as coisas pioraram bastante quando a esperada troca de posições entre Mansell e Patrese aconteceu na volta 18, com o inglês abrindo uma boa diferença logo que seu nome apareceu na primeira posição. A corrida era sem graça, com dois Williams, dois McLarens e duas Ferraris, com bastante espaço entre eles, na ponta da corrida. Isso, até as paradas.

Naquela época era conhecida a pouca eficiência da Williams em matéria de pit-stops. Quando a corrida era decidida na rapidez dos mecânicos, o piloto da Williams sempre acabava perdendo e isso era até mesmo folclórico na F1. Como também era folclórica a falta de sorte de Mansell em pit-stops, não raras vezes ficando pelo caminho ainda no pit-lane. Dois anos antes, no mesmo circuito de Portugal, Mansell tinha aprontado uma das suas besteiras mais famosas quando errou o pit da Ferrari, meteu uma ré, acabou desclassificado, mas levando Senna consigo. Na volta 30, o inglês da Williams entra nos boxes no que seria sua única parada. A tensão estava no ar. O pit-stop tinha que ser rápido para não dar chance a McLaren. Tudo parecia normal, quando os mecânicos se atrapalham na roda traseira direita. Quando o carro foi ao chão, um mecânico acena desesperado para não liberarem Mansell, mas aí era tarde demais. Nigel engata a primeira e sai com a roda em questão solta. Não demorou mais do que alguns metros para a roda sair em direção a uma equipe que esperava um dos seus carros. A cena era até cômica, enquanto Mansell parecia chorar dentro do seu carro e os mecânicos faziam um pit-stop irregular bem no meio do pit-lane.

Após quase um minuto parado, Mansell retornou a pista em 17º e com uma ferocidade típica de um Leão, saiu devorando seus adversários com seu Williams, mas após onze ultrapassagens em dezesseis voltas, a esperada bandeira preta veio a cena e ao contrário de 1989, Mansell rapidamente foi aos boxes para abandonar a corrida e o campeonato. Após esse incidente, nada demais aconteceu durante a corrida e mesmo com a Williams vencendo, Senna estava praticamente com o tricampeonato garantido. Até o vencedor Patrese parecia sem graça no pódio, tamanho era a decepção da Williams, mas quem não tinha nada a reclamar era Senna, com boas chances de ser campeão já na corrida seguinte em Barcelona.

Chegada:
1) Patrese
2) Senna
3) Alesi
4) Martini
5) Piquet
6) Schumacher

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Imagem de uma era



Se há uma época da F1 que foi retratada em apenas uma foto, é esta. O quarteto fantástico ainda no auge de sua forma, no auge da Era Turbo e numa temporada inesquecível. Vinte e cinco anos atrás, essa foto representou tudo de bom na F1 naqueles tempos memoráveis.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sem graça



A grande verdade da temporada 2011 da MotoGP é que o campeonato e as corridas estão sem graça, com domínio de Casey Stoner, que começa a fazer as contas para se tornar bicampeão. Se Stoner não tem o domínio de Vettel na F1, o australiano também já vê o campeonato indo para suas mãos lentamente, já que a concorrência não parece ter condições de alcançá-lo.

Isso foi exemplificado na corrida de hoje em Aragón. Com a melhor moto do pelotão, Stoner esperou o pós-largada para recuperar a liderança e ignorar os demais pilotos, administrando a corrida a seu bel-prazer. Foi uma das vitórias mais tranqüilas do ano, com Stoner chegando a colocar uma média de meio segundo por volta em cima de Pedrosa, num solitário segundo lugar. Com a mesma moto de Stoner, Pedrosa poderia lutar com o companheiro de equipe, mas as contusões que sempre atrapalharam o espanhol fizeram-no perder quatro corridas, além de que Stoner parece ter um algo a mais que falta em Pedrosa, tanto que a Honda investiu para trazer o australiano para a HRC neste ano. Doviziozo, coitado, corre o sério risco de ser ultrapassado por Pedrosa no campeonato mesmo tendo quatro corridas a mais que o companheiro de equipe.

Com seu espírito de luta, Jorge Lorenzo permanece em segundo lugar no campeonato com sua Yamaha, mas o espanhol ficou muito longe das Hondas hoje e quase foi alcançado por Marco Simoncelli, na quarta Honda de fábrica. Valentino Rossi sofre com sua Ducati e as constante mudanças de acerto da moto italiana mostram o quão os engenheiros da Ducati estão perdidos, enquanto Rossi passa vexames como o de hoje, onde foi apenas 10º após largar dos pits.

Com tudo isso, Stoner vai se preparando para o seu segundo título da MotoGP na carreira, mas se na F1 pelo menos as corridas estão boas, a MotoGP vem mostrando ultimamente provas sem sal, principalmente vindo na sequencia da Moto2, onde as corridas, como a de hoje, são espetaculares.

O último dos moicanos franceses

Ele foi um dos últimos pilotos a se destacarem pelas mãos da Elf em seu apoio em descobrir pilotos franceses. Por sinal, ele foi também uma das últimas esperanças francesas para se destacar na F1. Olivier Panis foi um piloto que chegou relativamente tarde na F1, mas vindo de uma carreira vitoriosa nas categorias de base, tinha chances de substituir Alain Prost no coração dos franceses, já que o tetracampeão havia se aposentado no ano anterior. Porém, ao contrário de Prost, por quem chegou a correr em sua melhor fase, Panis foi um piloto marcado pela inconstância durante sua passagem pela F1, que incluiu um sério acidente bem no auge da carreira e também uma vitória das mais improváveis. Completando 45 anos, vamos conhecer um pouco deste francês que competiu na F1 por dez anos.

Olivier Denis Panis nasceu no dia dois de setembro de 1966 na cidade de Oullins, na França. Como todo jovem piloto, Panis começou no kart, onde foi escolhido pela Elf para integrar seu programa de jovens pilotos franceses, onde atuou por muitos anos como uma séria promessa gaulesa, bem no auge da fama de Alain Prost na F1. Panis subiu para a F-Renault francesa em 1988, já com 22 anos de idade e foi campeão francês na temporada seguinte. Em 1990 Olivier subiu de degrau e foi para a F3 francesa, conquistando um bom quarto lugar em sua primeira temporada, lhe garantindo o favoritismo em seu segundo ano na F3. Mesmo vencendo cinco vezes, Panis teve que se contentar com o vice-campeonato, mas suas boas exibições lhe garantiram a subida para a F3000 Internacional em 1992, pela equipe francesa Apomotox. Logo em sua primeira corrida na categoria anterior a F1, Panis conseguiu largar na primeira fila e terminaria a corrida em terceiro, logo atrás de Rubens Barrichello, outra promessa que surgia naqueles tempos. Mesmo estando numa equipe muito boa, a inexperiência de Panis nos potentes carros da F3000 foi decisiva e o francês só marcaria pontos novamente na última corrida do ano, onde foi segundo colocado em Magny-Cours, pista que Panis conhecia muito bem. O décimo lugar em sua primeira temporada na F3000 foi uma boa impressão deixada por Olivier e o francês ficou mais um ano na categoria, em outro time francês, a DAMS. A temporada de 1993 seria uma das mais fortes da F3000, com a presença de pilotos do naipe de Gil de Ferran, David Coulthard e Pedro Lamy. Após um início de temporada discreto, Panis começa sua recuperação no meio da temporada, onde vence três corridas consecutivas (Hockenheim, Nürburgring e Spa) e entra na briga pelo campeonato. As duas últimas etapas seriam na França, mas Panis não se aproveita do fator casa e chega em Nogaro, local da última corrida do campeonato, apenas um ponto à frente de Pedro Lamy. Largando na primeira fila, enquanto Lamy era 12º, Panis nem precisa receber a bandeirada para se tornar campeão da F3000 Internacional e se credenciar a um lugar na F1.

A Ligier era conhecida por ser um time amplamente francês e com um piloto gaulês tão vencedor nas categorias de base, não foi surpresa Olivier Panis estrear na F1 pelo tradicional time francês em 1994. Aos 27 anos de idade, Panis não era exatamente um garoto quando chegou a F1 e o Ligier JS39B não era exatamente um bom carro, mesmo a equipe tendo os motores Renault, os melhores da F1 de então, graças a amizade de Guy Ligier e François Mitterand. As primeiras corridas de Panis são discretas, não marcando pontos até o campeonato chegar a Hockenheim. A pista alemã tinha dado sorte a Panis no ano anterior, quando ele venceu na rapidíssima pista alemã e engrenando rumo ao título na F3000. Contudo, Panis teve a sorte ao seu lado naquele dia. Uma carambola na primeira volta eliminou dez carros de uma vez só e com a potência do motor Renault ao seu alcance nas longas retas de Hockenheim, Panis pôde se desviar dos acidentes e dos problemas e com muita calma conseguiu um excelente segundo lugar, marcando seus primeiros pontos logo com um pódio, à frente do seu mais experiente companheiro de equipe Erik Bernard. Isso foi o impulso no qual Panis necessitava e com um 6º e um 5º lugares, o francês conseguiu uma boa temporada de estréia. Porém, a Ligier perde os motores Renault para a Benetton e a equipe é comprada por Flavio Briatore, que praticamente cede os chassis do carro campeão a Ligier, que se torna como uma filial da Benetton. Ao contrário do seu ano de estréia, Panis agora tinha um ótimo chassi, mas um motor pouco potente. Agora tendo mais experiência, o francês passa a conseguir resultados mais consistentes, marcando pontos com mais freqüência, culminando com um improvável segundo lugar na última prova do ano, na Austrália, onde vários carros abandonaram e o próprio Panis chegou com o carro (duas voltas atrás do vencedor Damon Hill) com o motor soltando muita fumaça.

Os pontos conquistados na Austrália fizeram Olivier Panis subir ao oitavo lugar do campeonato, o que seria seu melhor resultado na F1, mas o francês conseguiria seus momentos marcantes na F1 nas duas temporadas seguintes. Em 1996 a Ligier tinha sérios problemas financeiros e nem a chegada de Jacques Laffite, um personagem intimamente ligado a Ligier, fez os resultados de o time melhorarem. Mesmo tendo o mesmo pacote de 1995, Panis sempre largava no pelotão intermediário até a F1 chegar ao principado de Mônaco. Olivier consegue um bom acerto do seu carro no apertado circuito de rua, mas problemas em seu motor fizeram-no largar apenas em 14º, mas no domingo a chuva se fez presente e Panis surpreendeu ao ficar com o melhor tempo no warm-up com a pista molhada. Mas como ultrapassar em Mônaco? No começo daquela corrida, Damon Hill tinha a faca e o queijo na mão e parecia não ter adversários, enquanto Panis lutava para subir pelo pelotão intermediário. O francês era um que era segurado por Eddie Irvine, que estava mais lento, mas não deixava ninguém passá-lo. Com as paradas nos boxes, os abandonos começaram a acontecer. Primeiro foi Hill, que tinha uma enorme liderança nas mãos e foi traído pelo motor Renault bem no túnel. À essa altura, Panis já tinha subido para terceiro, atrás de Eddie Irvine, piloto com quem já tinha quase brigado à tapas anos antes. Numa manobra impossível, Panis colocou por dentro no hairpin e praticamente jogou Irvine no muro, forçando a ultrapassagem sobre o irlandês. Contudo, o líder Jean Alesi estava muito à frente, mesmo com Panis sendo mais rápido naquele momento. Quando a corrida se aproximava do final, Alesi entra nos boxes lentamente com a suspensão quebrada e o que parecia inacreditável acontecia: Olivier Panis liderava a prova. Porém, David Coulthard se aproximava perigosamente do francês, mas com o fim da prova se aproximando, Panis segurou a ponta e consegue aquela que seria sua única vitória na F1 e a última da Ligier. Apenas quatro carros receberam a bandeirada naquele dia, mostrando bem o quão confusa foi aquela prova, mas isso não tirava o mérito de Olivier Panis, que sempre tinha se mostrado muito rápido. Porém, isso foi apenas o último suspiro da Ligier. Com problemas financeiros graves, o time francês não foi capaz de dar um bom carro para Panis no resto da temporada e o francês só pontuaria outra vez no ano.

Contudo, havia uma esperança. O time é posto à venda e no final de 1996 Alain Prost compra a Ligier e o tradicional time francês é extinto, entrando em seu lugar a Prost Grand Prix. Porém, a maior aquisição da equipe para 1997 seriam os pneus Bridgestone, que iniciava com a Goodyear uma nova guerra de pneus. Isso seria um fator preponderante para várias surpresas naquela temporada e para Panis ter uma pilotagem inesquecível naquele ano. Os japoneses investem em pneus que andavam muito bem em ritmo de corrida e Panis se adapta rapidamente à nova borracha da Bridgestone. Após pontuar na primeira corrida em Melbourne, Panis retornava ao pódio no Brasil e abandona na Argentina quando tinha totais condições para brigar pela vitória com Jacques Villeneuve. Depois de fazer uma bela corrida em Mônaco, quando o francês chegou a cair vários lugares após sair da pista e conquistar várias posições até chegar em quarto, Panis vai à Barcelona, pista onde os melhores chassis se destacam. O Prost JS45 era um carro tão bom, que Panis faz uma das suas melhores exibições. Mesmo largando apenas em 12º, Olivier imprimi um ritmo de corrida fortíssimo, ultrapassando pilotos de equipes como Ferrari e Benetton. Quando Panis ultrapassa seu compatriota Jean Alesi e sobe para segundo, o piloto da Prost estava mais rápido do que o líder Jacques Villeneuve e se aproximava rapidamente, mas de uma forma inacreditável, Panis é atrapalhado por vários retardatários, inclusive Irvine, que o segurou de propósito para tentar ajudar Schumacher a grudar no pelotão intermediário. Apesar do irlandês ter sido punido, isso fez com que Panis tivesse que se conformar com a 2º colocação quando era o mais rápido, mas juntando os ótimos resultados anteriores, Panis estava numa inacreditável terceira posição no campeonato quando a F1 foi a Montreal. No Canadá, Panis tem problema em seu carro e o tempo perdido durante a corrida havia impedido o francês de repetir o resultado na Espanha, mesmo Panis tendo um carro muito rápido a ponto de ultrapassar Villeneuve e Alesi, que lideravam a corrida, mas estavam uma volta à frente. Então, já próximo do fim da corrida, Panis perde o controle do seu carro e bate muito forte no muro de concreto. Fora uma batida frontal e a bandeira vermelha é mostrada. Era a primeira vez que isso acontecia desde San Marino em 1994, com a morte de Senna. Se a situação de Panis não era tão séria, infelizmente ele não estava ileso. Com as duas pernas fraturadas, o francês fica de fora de sete corridas e seu melhor momento na carreira é subitamente interrompido.

A verdade foi que isso foi uma espécie de divisor de águas na carreira de Panis. O francês nunca mais seria o mesmo piloto vistoso daquela primeira metade de 1997. Olivier retornaria a F1 ainda no final de 1997, onde teve tempo de marcar pontos em Nürburgring, mas o que Panis não sabia era que ele só voltaria a se colocar entre os seis primeiros numa corrida quase dois anos depois. Após uma temporada muito boa, a Prost se atrapalha com a mudança radical de regulamento em 1998 e a equipe produz um carro terrível, onde nem Panis e seu companheiro Trulli puderam marcar pontos. Panis ainda sofria de seqüelas do seu acidente e tem que fazer uma nova cirurgia durante o ano para retirar pinos de suas pernas. Apesar dos resultados, Panis permanece mais um ano na Prost em 1999 e nem mesmo o investimento da Peugeot faz a equipe repetir os bons resultados de 1997. Não faltaram oportunidades em que Panis fora mais rápido apenas que a Minardi, mas o francês consegue resultados impressionantes quando a pista estava molhada, como o 3º lugar no grid em Magny-Cours. Nesse momento, começava os desentendimentos entre Alain Prost e a Peugeot, o que acabaria ocasionando o fim da equipe no final de 2001. Com a chegada de Jean Alesi, o time já tinha seu piloto experiente e Panis fica sem lugar no time para o ano 2000. Mesmo com uma proposta da Williams, Panis surpreende ao aceitar o lugar de piloto de testes da McLaren. Ao contrário do que acontece hoje, naqueles tempos se testava bastante e o piloto de testes era uma pessoa muito ocupada. Panis testava intensamente com a McLaren, dando um bom feedback para a equipe, que brigava com a Ferrari pelo título, além de melhorar sua pilotagem. Isso chamou a atenção da BAR, que havia demitido Ricardo Zonta, e contratou Panis em 2001.

As primeiras corridas de Panis na sua nova equipe são muito boas, chegando a superar o até então intocável Villeneuve. Na primeira corrida, Panis só não pontuou porque foi punido por causa de uma ultrapassagem em bandeira amarela. Duas corridas depois, o francês chega em 4º lugar no Brasil numa prova marcada por muitas ultrapassagens de Olivier. Um quinto lugar na Áustria e a temporada de Panis praticamente termina, com o francês passando a ser superado por Villeneuve e parecendo se conformar com isso. Quando a BAR erra na mão em 2002, a temporada de Panis é ainda pior, apenas recebendo a bandeirada na oitava corrida do ano e só marcando pontos em outras duas oportunidades. Após duas temporadas irregulares na BAR, Panis ainda tinha fôlego e cartaz para se transferir para a Toyota em 2003. O time nipônico havia estreado na F1 em 2002 com um investimento monstruoso e mostrava crescimento na base do passo a passo. O time havia trazido Cristiano da Matta dos Estados Unidos e para dar apoio ao novato, confiou na experiência de Panis. Aquela temporada tinha sido muito confusa, com várias mudanças nos regulamentos esportivos e Panis chegou a largar em 3º em Indianápolis, mas o francês só marca pontos uma única vez e fora superado por Da Matta. Porém, a Toyota, que só havia evoluído até então, erra feio em 2004 e o TF104 era um chassi terrível para tanto investimento. Panis se desmotiva cada vez mais. Aos 37 anos de idade, Olivier era o piloto mais velho do grid e durante a volta de apresentação do Grande Prêmio da França, em Magny-Cours, Panis ficou acenando para a torcida o tempo todo, como se estivesse se despedindo da sua torcida. Finalmente nas vésperas do Grande Prêmio do Japão, Panis anuncia que estava se aposentando da F1 e que Suzuka seria sua última corrida. Foram 158 Grandes Prêmios, uma única vitória, cinco pódios e 76 pontos.

Olivier Panis ainda fica um ano como piloto de testes da Toyota em 2005, até sair definitivamente da equipe no final de 2006, andando em carro de F1 pela última vez em 14 de dezembro de 2006, em Jerez. Aquela data marca também o definitivo fim dos frutos do programa da Elf, que havia se iniciado no início dos anos 70 e projetou nomes como François Cevert, Didier Pironi e Alain Prost. A saída de Panis foi um duro golpe para o automobilismo francês, que passou vários anos sem nenhum piloto na F1 e em 2008 perderia seu Grande Prêmio. Olivier Panis passou a correr em corridas de Endurance pela equipe Oreca, onde participa anualmente das 24 Horas de Le Mans, sempre como favorito. Piloto simpático e querido por todos no paddock, Panis nunca teve verdadeiramente uma chance numa equipe grande na F1 e por isso fica difícil avaliar sua passagem na categoria, onde passou dez anos militando em equipes médias, tendo tanto exibições de encher os olhos, como outras corridas para esquecer. Mesmo assim, Panis será sempre lembrado pelas corridas excepcionais pela Prost em 1997 e, claro, sua surpreendente vitória em Mônaco em 1996.

Parabéns!
Olivier Panis

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um dia sombrio

Nunca a F1 ficou tão tensa devido a algo extra-pista como naquele 16 de setembro de 2001. Na terça-feira anterior, os Estados Unidos era atacado ao vivo e a cores para todo mundo, chocando o planeta e a previsão para o futuro próximo era sombrio. Haveria uma nova guerra de dimensões mundiais? Haveriam mais ataques?

Ninguém sabia e uma corrida de F1 era a menor das prioridades para a população mundial naqueles dias. Com várias limitações quanto à circulação de aviões em todo o mundo, o cancelamento do Grande Prêmio da Itália chegou a ser cogitado durante a semana, mas Bernie Ecclestone não apenas confirmou a tradicional corrida em Monza, como também garantiu a corrida seguinte, no traumatizado Estados Unidos, dali a quinze dias. Quando a F1 chegou à Monza, não faltaram homenagens, bandeiras americanas e pedidos de paz. A Ferrari foi ainda mais longe e tirou todos os patrocinadores do seu carro e pintou o bico do seu bólido de preto, em sinal de luto.

Havia uma tristeza no ar e um minuto de silencio foi respeitado na sexta-feira em respeito as vítimas do atentado e um acidente de Mika Hakkinen na curva de Lesmo durante um treino livre causou um susto maior do que a notícia da aposentadoria do finlandês, que seria substituído pelo compatriota Kimi Raikkonen. Após o treino classificatório que mostrou a superioridade da Williams-BMW em circuito de altas velocidades, a F1 sofreria um abalo ainda mais forte. Alessandro Zanardi tinha corrido na F1 dois anos antes e mesmo sem ter conseguido bons resultados, o italiano era muito querido no paddock.

Alguns quilômetros ao norte, Zanardi sofria um dos acidentes mais assustadores já acontecidos no automobilismo e com as duas pernas arrancadas pelo impacto, lutava pela sua vida naquele momento. A notícia do acidente de Zanardi caiu como uma bomba no paddock da F1, particularmente na cabeça de Michael Schumacher. O alemão já tinha deixado bem claro que estava chocado com os acontecimentos no outro lado do Atlântico e com o acidente de Zanardi, amigo pessoal de Schumacher, o piloto da Ferrari estava disposto a não correr em Monza, mesmo sendo a casa da Ferrari.

Os boatos corriam soltos e diziam que Schumacher só daria duas voltas em respeito aos torcedores e depois recolheria seu carro. Durante o briefing, Schumacher chegou a colocar um tratado de não-agressão aos demais pilotos durante a primeira volta, onde ninguém atacaria ninguém e completariam a primeira volta praticamente em fila indiana. Jacques Villeneuve foi o primeiro a discordar, dizendo que estava ali para correr. Corria a lenda que havia um documento com a assinatura de todos os pilotos (menos Villeneuve), mas logo Fisichella e Button, correndo pela Benetton, retiraram o apoio ao documento, ameaçados por Flavio Briatore, dizendo que eles não assinariam nada. Sem o pacto de não-agressão, Schumacher foi a todos os pilotos, ainda no grid, pedir que tivessem cuidado na primeira curva. “Que todos os adversários fossem como um companheiro de equipe,” era o que dizia o alemão.

A largada se deu sem grandes incidentes, apenas (quanta ironia...) as Benettons se enroscando na primeira curva. Passaram-se duas voltas e Schumacher não recolheu o carro aos boxes, mas o alemão continuava num obscuro quarto lugar. Schumacher diria mais tarde que não subiria ao pódio naquela corrida de jeito nenhum e por isso correu apenas para ser quarto. Lá na frente, Barrichello tentava enfrentar a potências das duas Williams na estratégia, mas um erro da Ferrari durante um pit-stop fez com que o brasileiro fosse apenas segundo colocado, atrás apenas de Juan Pablo Montoya, que conquistava sua primeira vitória na F1. No pódio, Montoya sorria amarelo. Ralf Schumacher, que fora companheiro de equipe de Zanardi, estava com cara de choro, enquanto Barrichello diria mais tarde que não se importou muito em perder aquela corrida. Naquele dia em Monza, ninguém estava muito animado para muita coisa mesmo...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Recomeço de um campeão



Não minto que matei aula dez anos atrás. Tinha treino da F1 e corrida da Indy e no lugar de assistir aulas de Teoria da Relatividade na cadeira de Física 4, preferi ficar em casa para assistir essas corridas. Mal sabia eu que assistiria o acidente mais feio que já havia visto (e ainda não superado...) ao vivo e a cores. Já era final de manhã quando Alexandre Tagliani entrou na lateral do carro rodado de Alessandro Zanardi. Dei um pinote e senti um frio na espinha. Desde Senna não havia asssistido ao vivo na TV um piloto morrer. E parecia ser o caso. Não conseguia me sentar, simplesmente. Ainda com Zanardi, um dos pilotos que mais admirei na vida. Comentaristas na TV Record naquele dia, Emerson Fittipaldi e André Ribeiro apenas balbuciavam algumas palavras, tão chocados como qualquer um que estivesse assistindo aquela corrida. Dez anos atrás, não havia a conectividade de hoje e apenas no fim da tarde, depois de muito F5, soube que Zanardi havia perdido as duas pernas e seu estado era grave. Mas esse italiano que me encantava nas pistas quando pilotou de forma emocionante em 1997 e 1998, mostrou que não apenas um campeão nas pistas. É um campeão na vida e de uma situação de morte certa, voltou a correr e vive sua vida da melhor forma possível.


Mas as horríveis imagens do seu acidente mostram bem o quanto Zanardi teve sorte para estar vivo hoje...