terça-feira, 8 de maio de 2012

Salut Gilles!

Falar sobre Gilles Villeneuve sempre foi especial para mim, pois ele morreu exatamente vinte dias depois deu nascer, ficando claro que nunca o vi correr ao vivo. Porém, cresci ouvindo suas histórias, como ele era maluco e o via destruindo Ferraris a torto e a direito, até finalmente encontrar seu destino em uma. Essa manhã estava lendo uma reportagem da revista Placar se era possível comparar Messi a Pelé. Disseram que Messi tem toda a mídia a seu dispor e que isso poderia desequilibrar sua comparação com Pelé, cujas imagens não são tão vastas quanto Messi. Porém, imagino que na década de 60 havia uma aura tão grande em cima de Pelé, que mesmo pessoas que nunca o viram jogar, acham-no excepcional e fantástico como se estivessem no Estádio Asteca em junho de 1970.

Acho que isso ocorre um pouco com Gilles Villeneuve. Se quiser, podemos assistir todas as suas 67 corridas na F1, baixando corridas ou vasculhando no youtube, mas a magia de Gilles é tão grande, que talvez seja melhor ouvir apenas suas belas histórias, de quanto ele era corajoso à bordo de sua Ferrari, como ele conseguia vencer outros grandes pilotos melhor equipados e como ele nos maravilhava com suas manobras sensacionais dentro de uma corrida.

Olhar números ou assistir seus vídeos não são suficientes para entender a magia Gilles Villeneuve, mesmo trinta anos após sua morte.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

História: 45 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1967

O calendário da temporada de 1967 tinha a peculiaridade da primeira corrida ser no início de janeiro e a segunda etapa ser apenas cinco meses depois. Monte Carlo era um circuito já tradicional e bastante cansativo, tanto que era conhecido como a corrida das 'mil curvas', pois a prova tinha cem voltas ao longo do circuito de dez curvas. Vencer no principado era um enorme prêmio para todos os pilotos, não apenas pelo dinheiro, mas também em prestígio. 

Jack Brabham ficou com a pole, mostrando que o seu carro ainda era um dos melhores do grid, enquanto a Ferrari colocava Lorenzo Bandini na primeira fila. O italiano perseguia sua segunda vitória desde 1964, quando venceu na Áustria e se tornou um segundo piloto da scuderia, na sombra de John Surtees. Agora tendo o jovem Chris Amon como companheiro de equipe, Bandini tinha a chance de se sobressair dentro da Ferrari. Denny Hulme era outro piloto buscando afirmação e largando em quarto, o neo-zelandês buscava não apenas sua primeira vitória, como se solidificar como piloto de ponta, saindo da sombra do seu companheiro de equipe e chefe, Jack Brabham.

Grid:
1) Brabham(Brabham) - 1:27.6
2) Bandini(Ferrari) - 1:28.3
3) Surtees(Honda) - 1:28.4
4) Hulme(Brabham) - 1:28.8
5) Clark(Lotus) - 1:28.8
6) Stewart(BRM) - 1:29.0
7) Gurney(Eagle) - 1:29.3
8) Hill(Lotus) - 1:29.9
9) Siffert(Cooper) - 1:30.0
10) McLaren(McLaren) - 1:30.0

O sol marcou presença em Mônaco no dia 7 de maio de 1967 e junto ao Mar do Mediterrâneo, a largada foi dada com Jack Brabham mantendo a ponta, mas o australiano não demorando a ter problemas de motor, levando Brabham até mesmo a provocar um pequeno acidente com Jo Siffert. Com isso, Bandini assumia a primeira colocação da corrida, mas tendo Stewart e Hulme no seu encalço. O italiano meio que mostra por que sempre foi preterido dentro da Ferrari e foi facilmente ultrapassado por Stewart e Hulme, caindo para o terceiro lugar.

Hulme apenas perseguia Stewart, enquanto Bandini já era pressionado pelo Eagle de Dan Gurney. Contudo, o americano abandonaria ainda no começo da prova, da mesma forma de Stewart. Com isso, Denny Hulme assumia a ponta, seguido por Bandini. Os dois pilotos necessitavam da vitória por motivos diferentes, mas aquela era uma grande chance. Inicialmente Hulme tinha uma vantagem confortável na frente, enquanto Bandini ficava para trás. Porém, o italiano, motivado, aumentou seu ritmo e começava a tirar a diferença para Hulme. O carro da Brabham tinha um carro mais contornável e fácil de guiar, ao contrário da Ferrari, pesada e com muita potência, fazendo com que o piloto que o guiasse tivesse que trabalhar muito durante as corridas. Isso acabaria sendo fatal.

A prova chegava ao seu final e o calor, as curvas fechadas e a tensão fazia com que os pilotos se cansassem cada vez mais. No final da década de 60 não se falava em preparação física, ainda mais para Lorenzo Bandini, um típico piloto das antigas. Mesmo exausto, Bandini continuava forçando o ritmo na sua perseguição a Hulme, mas seu cansaço logo lhe cobraria um preço alto demais. Na volta 82, ainda com 18 para o fim, Bandini perdeu o controle de sua Ferrari na chicane do porto e bateu de frente nas barreiras de feno e no guard-rail. Mesmo no final da corrida e com o carro com pouco combustível, o fogo irrompeu da Ferrari e o caos se fez presente. Os esforços dos presentes em socorrer o desfalecido Lorenzo Bandini de dentro da Ferrari foram em vão. O italiano demorou demais para ser retirado da sua Ferrari em chamas e quando o fez, foi de forma atabalhoada, com seu corpo sendo arrastado pela pista de Mônaco. Mesmo com tudo isso, a prova continuou até o final e Denny Hulme venceria pela primeira vez na F1, abrindo as portas para o seu único título mundial. Graham Hill, o Mister Mônaco, ficou em segundo, já uma volta atrás, provando o quão bom estava o duo Hulme-Brabham(carro) naquele dia trágico em Monte Carlo. Lorenzo Bandini foi levado às pressas para o hospital com graves queimaduras, mas isso é outra história.

Chegada:
1) Hulme
2) Hill
3) Amon
4) McLaren
5) Rodríguez
6) Spencer

A quase morte de Nelson Piquet

Exatamente hoje está completando vinte anos do pior acidente da longa carreira de Nelson Piquet. O brasileiro, prestes a completar 40 anos, resolveu se 'aposentar', como ele dizia em referência a quem corria na F-Indy. Correndo pela equipe Menard e utilizando o motor Buick, Nelson era um dos mais rápidos do mês de maio em Indianápolis e o brasileiro chegou a afirmar que 'era rápido demais para a F-Indy'. Na época, falaram que Piquet comprovava que a F1 era bem superior a Indy, porém não se podia faltar com respeito ao Indianapolis Motor Speedway. E no dia 7 de maio de 1992 Nelson Piquet quase encontrou com a morte praticamente cinco anos após seu acidente na Tamburello. Só que os resultados em Indianápolis foram muito piores. Seus membros inferiores foram destruídos e por muita sorte Nelson não teve nada amputado. Foi um momento de privação do tricampeão, mas mostrando sua grandeza, ele voltaria à Indianápolis um ano depois para correr as 500 Milhas. Mesmo sendo um dos primeiros a abandonar naquela edição, Nelson Piquet completou seu ciclo na Indy e desafiou a morte e Indianápolis.

domingo, 6 de maio de 2012

Já pensou se fosse homem...

Eu tenho uma teoria para Danica Patrick. Se ela se chamasse 'Danico' ou qualquer versão do seu nome no masculino, ou seja, se ela fosse homem, ela teria sido esquecida pela mediocridade de sua pilotagem. Como além de mulher, é bonita, ela acaba chamando atenção do público e, principalmente, dos patrocinadores e ela vai ficando nas melhores equipes americanas. Uma parte danosa disso é que Danica acaba se achando intocável e que pode fazer o que quer na pista. Neste sábado, após levar uma espremida de Sam Hornish Jr na última volta das sempre conturbadas corridas em Talladega, Danica Patrick não pensou duas antes de bater no carro do americano e joga-lo no muro. Hornish ficou na dele, por que não iria brigar com uma mulher, mas se fosse homem, provavelmente ele iria tomar satisfações. Mas como era Danica...

Sem emoção


No futuro, quando olharmos apenas para os resultados deste Grande Prêmio de Portugal, veremos que os três primeiros receberam a bandeirada com uma parca diferença de 2s, sugerindo uma briga acirrada pela liderança entre Casey Stoner, Jorge Lorenzo e Daniel Pedrosa. Contudo, a corrida foi decidida na segunda curva da primeira volta e esses três pilotos permaneceram nessas posições até o fim, sem mudanças ou uma briga mais acirrada. Claro que é sempre bom ver três pilotos de alto nível andar no limite por 28 voltas no seletivo circuito do Estoril, mas a corrida de hoje foi nada emocionante.

Stoner venceu pela segunda vez consecutiva e completou o ‘circuito’ do mundial, pois o circuito do Estoril era o único circuito onde ainda não havia vencido no atual calendário da MotoGP, mas o australiano quebrou esse pequeno tabu com sua pilotagem habitual, segurando a vibração na traseira da Honda no braço e controlando à pequena distância Jorge Lorenzo, que foi recheio do sanduíche da Honda, já que Daniel Pedrosa, que novamente largou melhor, ficou num discreto terceiro lugar. A chapa de Pedrosa, queridinho da Honda desde os 15 anos, começa a esquentar, pois as constantes boas atuações de Marc Márquez na Moto2 o credenciam a subir para a equipe da Honda em 2013 e como Stoner está fazendo a diferença, a vaga do espanhol pode estar correndo perigo. O resto dos 17 pilotos que largaram hoje é realmente o resto, com Andrea Doviziozo sendo o melhor deles, mas com alguns destaques positivos, como Valentino Rossi levando sua problemática Ducati ao sétimo lugar, e negativos, com outra péssima atuação de Ben Spies, que é outro que está com a batata assando, vide os bons resultados dos pilotos da Yamaha Tech 3.

Foi uma prova bem chatinha, mas colocou Casey Stoner novamente na liderança do campeonato, mas com Jorge Lorenzo, em sua luta solitária com a Yamaha, ficando apenas um ponto atrás do australiano e mostrando a bi-polarização deste campeonato da MotoGP.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

História: 25 anos do Grande Prêmio de San Marino de 1987


O Grande Prêmio do Brasil de 1987 foi marcado por imensas dificuldades com os pneus e Alain Prost se aproveitou de sua inteligência tática para vencer em Jacarepaguá conservando a borracha da Goodyear, mas ficou claro que a Williams-Honda ainda tinha o melhor carro e que dificilmente Prost conquistaria o tricampeonato consecutivo, feito só realizado até então por Juan Manuel Fangio na década de 50. Com a chegada na Europa, equipes com dificuldades poderiam tentar corrigir seus problemas e uma delas era justamente a Ligier, que finalmente poderia utilizar o motor Megatron, depois do encerramento tardio do contrato com a Alfa Romeo.

Na sexta-feira Nelson Piquet era o mais rápido do dia, seguido por Mansell e Senna, este mais de 1.3s atrás das duas Williams. Já no final do treino, o brasileiro da Williams contornava a Tamburello quando seu carro deu uma guinada estranha, fazendo com que Piquet batesse de lado no muro e destruísse a lateral esquerda da Williams. Piquet foi levado de helicóptero para Bolonha, onde ficou em observação por uma noite. Um pneu traseiro havia furado, mas em entrevista a Playboy feita quase um ano depois, Piquet negou o óbvio. Esse acidente seria decisivo na carreira de Nelson Piquet. Mesmo tendo voltado ao circuito no sábado querendo correr, apesar da concussão cerebral e um tornozelo torcido, Piquet reconheceu que nunca mais foi o mesmo piloto após a pancada na Tamburello e a rápida curva do circuito de Ímola iniciava sua fama como uma das mais traiçoeiras e perigosas da F1.

Com a saída de Piquet, proibido de correr por Sid Watkins e o médico-chefe da F1 sendo acusado no Brasil de ter feito isso para deixar o compatriota Mansell sozinho para vencer, o inglês da Williams se tornou favorito à vitória e a pole, mas Ayrton Senna fez uma volta sensacional já no final da sessão do sábado e conquistou sua 16º pole na F1 e a terceira consecutiva em Ímola. Mansell, que nessa altura tinha quatro décimos de segundo de vantagem sobre o brasileiro e fazia testes de consumo de combustível, algo crítico em Ímola na época, ficou desesperado para recuperar seu lugar, mas um problema mecânico no Williams fez Mansell se conformar com o segundo posto. Depois de uma sexta-feira problemática, Alain Prost pulou do nono para o terceiro lugar, enquanto Teo Fabi surpreendia ao colocar seu Benetton em quarto, à frente das duas Ferraris, os queridinhos dos tifosi.

Grid:
     1)      Senna(Lotus) – 1:25.826
     2)       Mansell(Williams) – 1:25.946
     3)      Prost(McLaren) – 1:26.135
     4)      Fabi(Benetton) – 1:27.270
     5)      Berger(Ferrari) – 1:27.280
     6)      Alboreto(Ferrari) – 1:28.074
     7)      Patrese(Brabham) – 1:28.421
     8)      Johansson(McLaren) – 1:28.708
     9)      Cheever(Arrows) – 1:28.848
   10)   Warwick(Arrows) – 1:28.887

 O dia 3 de maio de 1987 estava nublado em Ímola, mas a principal preocupação era o consumo de combustível. Nos anos anteriores, era comum ver carros parando nos últimos metros com pane seca e isso era a maior preocupação dos pilotos quando a luz verde apareceu e Senna largou bem e manteve a ponta, mas tendo Mansell colado. Quem largou mal no pelotão da frente foi Fabi, ultrapassado pelas Ferraris na largada e durante a primeira volta, ainda foi deixado para trás por Patrese e Johansson. 

Mansell completou a primeira volta colado na traseira de Senna e na saída da Tamburello, o inglês efetuou a ultrapassagem que lhe deu a liderança da corrida e imediatamente começou a construir uma boa vantagem sobre os demais. Não demorou três voltas e Prost emulou a manobra de Mansell para assumir a segunda posição, mas o francês parecia não ter condições de atacar a Williams de Mansell, enquanto Senna era acossado pelas duas Ferraris de Alboreto e Berger. A torcida italiana foi a loucura quando Senna perdeu rendimento na saída da Tosa e Alboreto lhe tomou a terceira posição. E ficaria mais feliz ainda na 14º volta. Prost marcou a volta mais rápida da corrida e tentava manter o ritmo de Mansell, mas o piloto da McLaren teve que encostar seu carro logo após a Tamburello com problemas elétricos. Só que a Ferrari de Berger teria problemas semelhantes ao de Prost e o austríaco abandonaria duas voltas depois, diminuindo a alegria dos tifosi, que viam Senna ameaçar o segundo lugar de Alboreto.

Nigel Mansell fez sua parada na volta 21 e Alboreto assumiu a ponta da corrida, mas sobre muita pressão de Senna. Quando foi a vez do italiano fazer sua parada, a Ferrari não foi tão rápida quanto a Lotus e quando todos fizeram suas paradas, Senna estava em terceiro lugar, pois Patrese postergava ao máximo sua parada. Nesse instante, Mansell tinha 5s de vantagem sobre Patrese, com Senna 17s atrás, seguido de perto por Alboreto. O italiano da Brabham só fez sua parada na volta 36 e estava bem colocado, ficando em quarto, não muito longe da briga pelo segundo lugar protagonizada por Senna e Alboreto. A Itália inteira quis esganar Eddie Cheever quando o americano segurou Alboreto por duas curvas, fazendo o ferrarista perder precioso tempo para Senna. Porém, o consumo de combustível era um problema e Senna abrandou seu ritmo e seria ultrapassado não apenas por Alboreto, como também por Patrese, que vinha forçando o ritmo. Patrese ultrapassaria Alboreto na freada da Tosa e conseguiria o melhor momento da Brabham em muitos anos. Porém, ele se arrependeria disso mais tarde.

Com uma liderança de 20s, Mansell poupava seu carro e o combustível, enquanto Patrese, Alboreto e Senna travavam uma luta de perder o fôlego. Faltando dez voltas para o final, Senna ultrapassou Alboreto na saída da Tamburello e imediatamente atacou Patrese, conseguindo a posição do italiano na volta seguinte. Senna passou várias voltas apenas perseguindo a dupla de italianos, claramente poupando combustível, mas quando recebeu sinal verde dos engenheiros da Honda, ele facilmente assumiu a segunda posição. Patrese, ao contrário, via sua boa corrida ir pelo ralo quando percebeu que tinha consumido mais gasolina do que o esperado e tirou o pé completamente, mas o italiano acabaria ficando sem combustível na volta final. Depois de uma hora e trinta e um minutos, Nigel Mansell recebeu a bandeirada com folgados 27s de vantagem sobre Senna, enquanto poupando combustível, Alboreto teve que se conformar com o lugar mais baixo do pódio, mas ainda haveria uma Ferrari entre os três primeiros para fazer a alegria dos tifosi. Com um sexto lugar, Satoru Nakajima conquistava seu primeiro ponto na F1 e também de um piloto japonês, mas quem comemorava muito era Mansell, pois sua vitória o deixava líder do campeonato e com Nelson Piquet ainda se recuperando do seu sério acidente, o inglês era sério candidato ao título de 1987.

Chegada:
     1)      Mansell
     2)      Senna
     3)      Alboreto
     4)      Johansson
     5)      Brundle
     6)      Nakajima

terça-feira, 1 de maio de 2012

História: 40 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1972


A seca entre os Grandes Prêmios da África do Sul e da Espanha havia mostrado que a Lotus estava numa ótima fase e Emerson Fittipaldi havia vencido duas corridas extra-oficiais na Inglaterra, dando muita confiança ao jovem brasileiro, mesmo que nessas provas a Ferrari e, principalmente, a Tyrrell estivessem ausentes.  O favorito da temporada Jackie Stewart apenas descansou, enquanto a Tyrrell preparava o novo carro que só ficaria pronto no verão europeu. Com o sucesso de Emerson, o Brasil teve o estímulo a levar seus melhores pilotos à F1 e depois de José Carlos Pace, era a vez de Wilsinho Fittipaldi fazer sua estréia na F1 em Jarama, pista próxima a Madri, e tornando os irmãos Fittipaldi os primeiros a correrem juntos na F1. Porém, Wilson seria o único piloto da Brabham na Espanha, já que Carlos Reutemann não havia se recuperado do seu forte acidente numa prova de F2 e não correria em Jarama.

Jarama era um circuito muito duro para os freios e o clima na Espanha naquele início de maio não estava muito firme. Aproveitando o feriado de primeiro de maio, a corrida seria realizada na segunda-feira e Emerson Fittipaldi mostrou sua ótima fase ao ficar com o melhor tempo do primeiro dia de treinos no sábado. Porém, no domingo, Jacky Ickx fez um tempo sensacional e Emerson, com problemas no motor Cosworth, não conseguiu melhorar o tempo do piloto da Ferrari, tendo que se conformar com o terceiro lugar, ainda superado pela McLaren de Denny Hulme. Os demais brasileiros tiveram problemas porque suas equipes se atrasaram na hora de liberarem seus carros da alfândega espanhola e tiveram pouco tempo de pista, significando Wilsinho em 14º e Pace em 16º.

Grid:
     1)      Ickx(Ferrari) – 1:18.43
     2)      Hulme(McLaren) – 1:19.18
     3)      E.Fittipaldi(Lotus) – 1:19.26
     4)      Stewart(Tyrrell) – 1:19.33
     5)      Andretti(Ferrari) – 1:19.39
     6)      Amon(Matra) – 1:19.52
     7)      Beltoise(BRM) – 1:19.57
     8)      Regazzoni(Ferrari) – 1:19.71
     9)      Peterson(March) – 1:19.86
   10)   Wisell(BRM) – 1:19.89
   
O dia primeiro de maio de 1972 estava nublado e com perspectiva de chuva em Jarama, o que tornava a escolha de pneus crucial para a corrida. Duas horas antes da largada, que seria dada ao meio dia, a chuva havia parado e garoava de instante em instante. Havia três alternativas: pneus para pista molhada, pista seca e os intermediários. A maioria dos pilotos escolheu os pneus para pista seca, enquanto o pole Ickx escolheu os intermediários.  Como naquela época se largava na formação 3-2-3, foi o piloto do meio da primeira fila, Hulme, que largou melhor e ficou na frente, enquanto Ickx sofria com a pista totalmente seca na largada e caía algumas posições. Stewart e, principalmente, Regazzoni largaram muito bem e o escocês subiu para segundo, seguido por Rega, Ickx e Emerson.

Denny Hulme mantinha a ponta, mas não abriu uma grande diferença, enquanto Regazzoni, apenas oitavo no grid, não segurou muito tempo sua posição e foi caindo de rendimento, sendo ultrapassado quase que imediatamente por Ickx e Fittipaldi. Na segunda volta Emerson sofreu um enorme susto quando, do nada, o extintor de incêndio que fica dentro do cockpit da Lotus estourou e o brasileiro ficou todo coberto de pó químico, mas sem perder o bom ritmo de prova que vinha imprimindo. A liderança de Hulme durou muito pouco tempo, pois o neozelandês passou a sofrer com problemas com o câmbio do seu McLaren e foi ultrapassado por Stewart na quarta volta e por Emerson duas voltas depois. O brasileiro da Lotus tinha claramente o melhor carro daquela tarde fria na Espanha e vinha de ótimos resultados nos últimos dois meses, mas ele ainda não havia enfrentado o mito Jackie Stewart na pista naquela temporada. Aquela seria sua chance. O travado circuito de Jarama só tinha um ponto claro de ultrapassagem, no final da reta dos boxes e foi nesse local que Emerson pegou o vácuo de Stewart e colocou por dentro, efetuando a ultrapassagem ainda na nona volta. Aquela manobra foi uma espécie de divisor de águas na temporada de Emerson Fittipaldi, pois agora ele liderava uma prova válida do campeonato de 1972 e num ritmo muito forte, deixou Stewart para trás. O escocês ainda seria ultrapassado por Ickx bem no momento mais tenso da corrida. Na volta 30, com 7s de vantagem sobre Ickx, Emerson viu uma garoa voltar a molhar o circuito de Jarama. Era tudo que o belga queria!

Além de ser um excepcional piloto da chuva, Ickx tinha escolhido os pneus intermediários, que funcionaria de forma perfeita naquele tipo de asfalto. Em duas voltas a Ferrari colou na Lotus de Emerson, que se defendia como podia no final da reta dos boxes. Para sorte de Emerson, a garoa durou exatas seis voltas e quando cessou, Fittipaldi voltou a aumentar a diferença para Ickx. Quando faltavam quinze voltas para o fim, Emerson tinha 22s de vantagem sobre Ickx e iniciava outro drama para o brasileiro. Ainda quando levava seu Lotus ao grid, Emerson Fittipaldi sofreu com um vazamento em um tanque complementar de combustível, que teve que ser esvaziado de forma rápida para que Fittipaldi pudesse correr. A Lotus calculou que o brasileiro poderia cobrir as 90 voltas sem o tanque complementar, mas teria que economizar combustível nas voltas finais. E assim Emerson Fittipaldi fez para vencer pela primeira vez em 1972, depois de muito sufoco com o suspense de sofrer ou não uma pane seca. Foi a confirmação de que a Lotus era a grande favorita ao título e que Emerson, mesmo aos 25 anos de idade, considerado muito jovem na época, tinha condições de suportar a pressão e levar o carro negro e dourado rumo a glória. O bom dia para o Brasil ainda reservou o primeiro ponto para José Carlos Pace na F1, que fez uma baita corrida de recuperação, mas quando ele chegou no hotel, o paulista sofreu com a triste notícia da morte do pai.

      Chegada:
      1)     E.Fittipaldi
      2)     Ickx
      3)     Regazzonii
      4)     De Adamich
      5)     Revson
      6)     Pace