quarta-feira, 23 de maio de 2012

História: 30 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1982


Uma quinzena havia se passado, mas as feridas abertas pela morte de Gilles Villeneuve ainda não haviam cicatrizado quando a F1 chegou ao seu mais charmoso Grande Prêmio, em Mônaco. Gilles era um piloto querido por todos dentro da F1, bem ao contrário de Didier Pironi, que todos acusavam de querer ser o primeiro piloto francês a ser campeão na F1 de qualquer jeito, não importando muitos os meios. A Ferrari já havia acertado com Patrick Tambay para substituir Villeneuve, mas a equipe preferiu manter apenas um carro em Monte Carlo em respeito ao canadense, mas Pironi se tornara uma pessona non-grata dentro do paddock.

A Renault tinha uma enorme dificuldade em circuitos de rua ou apertados por causa do turbo, que só funcionava a contento após certa rotação, mas o time francês, querendo fazer bonito na frente do seu público, preparou um novo turbo para que a potência pudesse surgir com rotações um pouco mais baixas, ideais para Mônaco.  René Arnoux, um verdadeiro ás em ritmo de classificação, ficou com a pole com meio segundo de vantagem sobre Patrese, que utilizava o Brabham com motor Ford Cosworth, enquanto Piquet ainda tentava desenvolver o motor BMW turbo e não repetia a exibição de 1981, onde fora pole, e em 1982 largaria apenas em 13º. Como em Mônaco só se largavam vinte carros na época, Raul Boesel e Chico Serra ficariam de foram e Piquet seria o único brasileiro a largar no domingo. 

Grid:
1) Arnoux(Renault) - 1:23.281
2) Patrese(Brabham) - 1:23.791
3) Giacomelli(Alfa Romeo) - 1:23.939
4) Prost(Renault) - 1:24.439
5) Pironi(Ferrari) - 1:24.585
6) Rosberg(Williams) - 1:24.649
7) De Cesaris(Alfa Romeo) - 1:24.928
8) Daly(Williams) - 1:25.390
9) Alboreto(Tyrrell) - 1:25.449
10) Watson(McLaren) - 1:25.583

O dia 23 de maio de 1982 estava ensolarado em Monte Carlo, mas havia previsão de chuva. Assim como acontece hoje, uma boa largada seria essencial para uma boa corrida em Mônaco e Arnoux sabia disso, conseguindo uma ótima saída no apagar da luz verde, deixando a confusão para o segundo colocado em diante. Ainda com a famosa largada de 1980 em mente, todos os pilotos se comportaram bem nas primeiras curvas, mas não deixaram de haver trocas de posição, notadamente com Bruno Giacomelli ultrapassando o compatriota Riccardo Patrese para ficar em segundo. A Alfa Romeo se comportaria otimamente durante toda a prova.

Porém, o melhor carro nas primeiras voltas era a Renault. René Arnoux abriu uma boa diferença para Giacomelli ainda na primeira volta e sumia na frente. Prost deixou Patrese para trás ainda durante a volta de abertura e passou a pressionar Giacomelli para lhe tomar a segunda posição. Querendo manter o posto, Giacomelli acabaria batendo com força numa zebra alta e isso lhe custaria caro mais tarde, quando teve que abandonar na quarta volta com a transmissão danificada pelo toque. Com isso, a Renault liderava em Mônaco com direito a dobradinha, para delírio do público presente e até mesmo dos comissários de pista, que comemoravam a cada passagem dos carros amarelos. Mesmo tendo Prost na liderança do campeonato, Arnoux não queria saber de ordens de equipe e tinha 7s de vantagem na 14º volta quando entrou no Esse da Piscina. De forma até bisonha, Arnoux perdeu o controle do seu Renault e ficou atravessado, sem bater em nada. O francês deixou o motor morrer e morria ali também sua corrida. Arnoux saiu do carro claramente decepcionado com a besteira feita. Ainda mais com o seu desafeto Prost assumindo a ponta e se consolidando como primeiro piloto da Renault.

Nesse momento, a corrida fica chata e monótona. Prost liderava com conforto à frente de Patrese, Pironi e De Cesaris. Nada acontecia na pista, mas acima dela, havia um grande movimento. O tímido sol que havia nas primeiras voltas dava lugar as nuvens escuras que se aproximavam do principado. Faltando cinco voltas para o fim de uma corrida que não tinha acontecido nada demais, o clima fica escuro, sombrio até. Na volta 74, uma garoa fina chegou para tornar a pista um pouco escorregadia. Os comissários imediatamente mostraram a bandeira bicolor em amarelo e vermelho, mostrando que a pista tinha uma aderência menor do que o normal. Quando Prost cruzava a Portier, um comissário não apenas lhe mostrava a bendita bandeira, como ainda apontava para o céu, como que lhe indicando o óbvio: a chuva deixou a pista ligeiramente molhada. Se Prost viu ou não a bandeira e os avisos do comissário, a verdade foi que o francês destruiu sua corrida alguns metros adiante, quando bateu forte no guard-rail e até machucou sua perna, mas tirando o orgulho, Prost nada havia sofrido. Isso fazia com que Patrese assumisse a primeira posição. Quando passou pelos destroços do carro de Prost e viu a garoa aumentar de intensidade, o italiano da Brabham tirou o pé completamente. Patrese completou a 74º volta tão lentamente, que o retardatário Marc Surer, várias voltas atrás e acenando para Patrese passar, se tornava um adversário do italiano em termos de velocidade. Patrese parecia nervoso, mesmo com toda a torcida vibrando com ele, mas isso não foi o suficiente para acalmar o italiano, que rodou ridiculamente no hairpin Loews. Com isso, Pironi assumia a ponta. Porém, havia problemas.

O francês da Ferrari também se arrastava na pista, sem bico, arrancado quando ia colocar uma volta no retardatário Elio de Angelis, e com problemas em sua Ferrari. Quando iniciou a última volta, Pironi acenava loucamente para o diretor de corrida encerrar a prova ali. Não sendo atendido, Pironi parecia conhecer o seu destino. Quando o piloto da Ferrari passava pelo túnel, seu carro morreu. Pane Seca. Era o terceiro líder a abandonar a corrida em seu final! Então todos os olhos se voltaram a Andrea de Cesaris, quarto colocado poucas voltas antes, mas que seria o líder naquele momento. Seria. Quando a câmera achou o italiano, seu carro estava estacionado na subida do Cassino, também sem gasolina. Parecia que os deuses das corridas queriam nos desculpar pela monotonia do começo da corrida e simplificar toda a emoção apenas no final. O quinto colocado era Derek Daly, piloto que havia sido contratado para o lugar de Carlos Reutemann na Williams e tinha sido uma das vítimas da garoa no final da prova e tinha batido de traseira no guard-rail, deixando a asa traseira no local e parte do câmbio dependurada. O irlandês poderia estar a caminho da glória, mas o câmbio acabou quebrando na última volta. James Hunt, comentando a prova pela BBC, se irritava com a falta de piloto querendo ganhar a corrida em sua última volta. E aliás, quem poderia ser o vencedor?

A resposta aparece no carro branco e azul de... Patrese! Sem muita gente perceber, o italiano fizera seu carro pegar no tranco e partiu para as voltas finais sem muita esperança e até mesmo bravo consigo mesmo, pela chance perdida de conseguir a sua primeira vitória na F1. Quando recebeu a bandeirada, Patrese nem comemorou muito. Ele não sabia em que posição estava, mas quando chegou no túnel e viu Pironi lhe congratulando, ele percebeu que tinha sido o vencedor! Era sua primeira vitória na F1. A confusão continuou no pódio. Nigel Mansell e Elio de Angelis haviam levado suas Lotus até o fim, mas muitas voltas atrasados e como houvera tantos abandonos no final, eles pensavam que eram segundo e terceiro colocados respectivamente e foram ao pódio pegar seus troféus, mas a organização fez a contagem de voltas e percebeu que na verdade fora Pironi e De Cesaris, que iniciaram a última volta, que eram segundo e terceiro, respectivamente, mesmo abandonando. De Cesaris, que poderia ter dado a primeira vitória para a Alfa Romeo em mais de trinta anos, estava com cara de poucos amigos no pódio, enquanto Patrese vibrava como se não acreditasse no que estava acontecendo. Sua primeira vitória num final dos mais caóticos da história. Na verdade, ninguém na F1 acreditava no que tinha visto nas três últimas voltas daquele Grande Prêmio de Mônaco. 

Chegada:
1) Patrese
2) Pironi
3) De Cesaris
4) Mansell
5) De Angelis
6) Daly

terça-feira, 22 de maio de 2012

História: 35 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1977


Após a vitória de Mario Andretti em Jarama, começou uma contagem regressiva para quem teria a honra de conceder a Cosworth sua centésima vitória na F1. Os ingleses se animaram a tal ponto de prepararem um motor especial, com peças novas construídas em titânio, magnésio e alumínio, para a prova em Mônaco, mas apenas três pilotos teriam a honra de usar o novo propulsor, escolhidos a dedo pela Cosworth: Mario Andretti, James Hunt e Ronnie Peterson. Niki Lauda estaria de volta à Ferrari após seus problemas na costela em Jarama, ainda resquício do acidente em Nürburgring. Na Shadow, ainda traumatizada pela trágica morte de Tom Pryce, o italiano Renzo Zorzi, involuntário envolvido no acidente do galês, perdia a confiança do seu patrocínio e seu lugar na equipe e para substituí-lo, estrearia o promissor italiano Riccardo Patrese. Ninguém sabia no momento, mas Patrese, então com 23 anos, iniciaria uma longa carreira de dezesseis anos na F1.

Os treinos para o Grande Prêmio de Mônaco foram atrapalhados pela chuva e o mais rápido na quinta-feira foi Hans-Joachim Stuck, que substituía muito bem José Carlos Pace. No sábado, a chuva se fez presente novamente, mas antes que o alemão pudesse comemorar o que seria sua única pole, a pista secou na meia hora final e seu companheiro de equipe, John Watson, ficou com a pole, com Jody Scheckter ficando em segundo, mas tendo que recuperar seu carro para corrida, pois no afã de conseguir superar Watson, o sul-africano acabou batendo seu Wolf no guard-rail. A Brabham fez vários testes antes da corrida e o time de Bernie Ecclestone sonhava em adiar o sonho da centésima vitória da Cosworth com seus motores Alfa Romeo. O piloto melhor colocado com os novos motores Cosworth era Peterson, em quinto lugar, separando as duas Ferraris, mas com Reutemann à frente. Lauda ainda mostrava cautela após o seu acidente.

Grid:
1) Watson(Brabham) - 1:29.86
2) Scheckter(Wolf) - 1:30.27
3) Reutemann(Ferrari) - 1:30.44
4) Peterson(Tyrrell) - 1:30.72
5) Stuck(Brabham) - 1:30.73
6) Lauda(Ferrari) -  1:30.76
7) Hunt(McLaren) - 1:30.85
8) Depailler(Tyrrell) - 1:31.16
9) Mass(McLaren) - 1:31.36
10) Andretti(Lotus) - 1:31.50

O dia 22 de maio de 1977 estava nublado no principado de Mônaco, mas não havia a chuva que tanto atrapalhou os pilotos nos dias anteriores. John Watson escolheu largar à esquerda no grid, o que acabaria sendo um grande erro. Naquele local, havia faixas de pedestres e mesmo sem estar chovendo, as faixas ainda estavam úmidas pelas chuvas dos últimos dias. Quando os carros se aproximavam do grid, fizeram um ziguezague estranho na época, mas que depois ficaria conhecido como ‘balé da F1’, com os pilotos tentando aquecer seus pneus para a largada. Como esperado, Watson patinou bastante no seu lugar do grid e Scheckter passou voando pelo piloto da Brabham, mas os demais pilotos na ponta mantiveram suas posições para iniciarem sua longa jornada na pista de Monte Carlo.

Querendo reaver seu lugar, Watson grudou na traseira de Scheckter e andou colado na traseira do sul-africano nas primeiras cinco voltas, tentando pressionar o piloto da Wolf a cometer um erro. Que nunca viria. Com o motor Alfa Romeo superaquecendo, Watson aliviou um pouco, mas jamais esteve mais de 1s longe de Scheckter. Um dos primeiros abandonos importante foi de Peterson, quando o sueco da Tyrrell parou seu carro nos boxes na décima volta com o câmbio quebrado. Reutemann fazia uma corrida solitária na terceira posição, enquanto Stuck se mostrava duro de ceder sua quarta posição a Lauda, que ainda tinha as duas McLarens de Hunt e Mass logo atrás. Porém, na vigésima volta Stuck estacionou seu Brabham com um princípio de incêndio e para melhorar ainda mais a vida de Lauda, Hunt, que vinha imediatamente atrás do austríaco, abandonou cinco voltas depois com o motor quebrado.

Agora correndo sozinho, Lauda ganhou a confiança necessária para aumentar seu ritmo e partiu para cima do seu companheiro de equipe Reutemann. O argentino estava tendo problemas de desgaste no pneu traseiro esquerdo e para não piorar o problema, não brigou muito com Lauda e cedeu facilmente a terceira posição ao vizinho de box. Porém, Scheckter e Watson tinham uma boa diferença para Lauda, quando o irlandês começou a diminuir seu ritmo. Watson estava tendo sérios problemas de câmbio e na 49º volta abandonou após ter sua caixa de marcha travada e rodar em plena pista de Mônaco.

Com 15s de vantagem sobre Lauda, a corrida estava nas mãos de Scheckter, mas o sul-africano passaria por um momento de verdadeiro drama nas últimas voltas. Quando vinha na pequena reta entre a curva do Cassino e da Mirabeau, o motor Cosworth de Scheckter apagou e o piloto da Wolf pensou rápido em utilizar a bomba de gasolina elétrica para fazer o motor ressuscitar. Scheckter diminuiu seu ritmo, pois pensava que o seu problema era na bomba de gasolina e passou a perder mais de 1s por volta para Lauda nas últimas dez voltas. Quando abriu a última volta, Scheckter já tinha Lauda enchendo seus retrovisores, mas o sul-africano segurou a pressão e recebeu a bandeirada com o austríaco já colado atrás dele. Após a corrida descobriu-se que o problema era na verdade de ignição do motor Cosworth ‘convencional’ de Scheckter, que teve a honra de ser o piloto a vencer pela centésima vez com o motor anglo-americano. Mais atrás, Mass chegava em quarto após ter que segurar a pressão de Andretti, a quem ultrapassou no meio da prova, mas não foi capaz de abrir diferença. No último lugar pontuável, Alan Jones conseguia seu primeiro de muitos pontos na carreira. O sul-africano não ficou contente em não receber o novo motor da Cosworth, mesmo estando na luta pelo título, mas Jody Scheckter não teve do que reclamar e ainda ganhou como prêmio pela vitória a promessa do chefe de polícia de Mônaco que iria estacionar de graça em Monte Carlo durante um ano. Um troféu secundário que era a honra de entrar a história gloriosa da Cosworth. 

Chegada:
1) Scheckter
2) Lauda
3) Reutemann
4) Mass
5) Andretti
6) Jones

domingo, 20 de maio de 2012

Igual a F1 2010

Dois anos atrás, as corridas da F1 estavam tão chatas e sem graça, que antes mesmo dos carros irem para os primeiros treinos livres, umas das atrações era pesquisar como seria a condição climática no domingo, pois somente a chuva poderia animar as insossas corridas daquela temporada. A MotoGP ainda não entrou nessa rotina, mas pelo o que vimos hoje e nas três provas anteriores de 2012, a chuva sempre será bem vinda para animar um pouco as corridas da principal categoria do Mundial de Motovelocidade, mesmo que o vencedor não mude muito.

Quem não aproveitou muito a animação da prova de hoje foi Jorge Lorenzo. O espanhol da Yamaha largava apenas em quarto, pela primeira vez em muito tempo longe da primeira fila, mas Lorenzo largou muito bem, partiu para cima das duas Hondas oficiais e no final da primeira volta já estava em primeiro. E desapareceu. As condições de pista traiçoeiras não favoreceram a melhor moto que é a Honda e tanto Stoner como principalmente Pedrosa, sucumbiram diante do talento de Lorenzo e de Valentino Rossi, magistral na corrida de hoje. Vale pulou do nono lugar no grid para quinto na largada e brigou intensamente com as duas Yamahas de Doviziozo e Carl Cruthlow, os deixando para trás após longa briga, onde os dois acabaram caindo, mas sozinhos. Depois Rossi partiu em perseguição a Stoner nas últimas voltas e contando com a ajuda do retardatário Yonny Hernandez, o piloto da Ducati deixou o australiano para trás na abertura da última volta para conseguir um segundo lugar com cheiro de vitória para uma claudicante Ducati.

Com sua aposentadoria anunciada, Stoner perdeu muitos pontos com relação a Lorenzo na briga pela liderança do campeonato, mas com certeza gostou da boa briga que teve com Rossi, apesar de ter saído perdedor. O australiano chegou a esboçar uma aproximação a Lorenzo, mas Stoner continua a sofrer com a queda de rendimento que sempre lhe atinge nas voltas finais das corridas. Apesar da péssima narração no SporTV (volta Sérgio Maurício!), duas participações do telespectador foram precisas hoje. Daniel Pedrosa é um piloto totalmente sem sal, um 'arroz de festa', 'picolé de chuchu', e mesmo tendo sua vaga praticamente garantida na Honda no ano que vem com a aposentadoria de Stoner, Marc Márquez deverá ser o novo queridinho da Honda a partir do próximo ano quando subir da Moto2 e dificilmente Pedrosa, mesmo com seu talento, será campeão. Seu problema é na cabeça. Outra intervenção via mídia interessante foi que Ben Spies está para Jorge Lorenzo na Yamaha oficial como Felipe Massa está para Fernando Alonso na Ferrari. A diferença entre Spies e Lorenzo é abissal e a quase-queda do americano na largada (!) mostra bem o quão mal está Spies, principalmente com seu companheiro de equipe liderando o campeonato e ele amargando as últimas posições.

A MotoGP ainda não produziu corridas como na Moto2 ou Moto3, mas a chuva deu a apimentada que faltava a categoria, que até a corrida em Le Mans tinha nos proporcionado corridas monótonas, com motos espaçadas e o pódio sendo dominado pelo trinômio Stoner-Lorenzo-Pedrosa. Com a chuva, Lorenzo venceu de forma categórica, mas houve briga e emoção nas demais posições. Como sempre deveria ser!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Aposentadoria precoce

No Brasil, para se aposentar precisam anos de serviços prestados na carteira ou atingir a marca dos 65 anos de idade. Casey Stoner, aos 26, surpreendeu o mundo do esporte ao anunciar hoje que está se aposentando no final de 2012 por estar descontente com os rumos seguidos da MotoGP. De personalidade forte e muito habilidoso, Stoner não estava gostando das novos motos CRT e como seu contrato com a Honda terminará no final de 2012, resolveu não renová-lo para 2013 e curtir sua filhinha, que nasceu no começo deste ano. Isso será uma motivação extra ao australiano para perseguir seu terceiro título mundial da MotoGP, mas também servirá de reflexão a todos os esportistas. Como um bicampeão mundial querer sair do esporte tendo apenas 27 anos (ele completará em outubro)? As feras estão chegando cedo demais? A pressão está grande demais? Difícil dizer...

O dia em que Nigel Mansell endoidou

Hoje fazem 25 anos de uma das cenas que eu mais queria ver na história na F1, mas que particularmente não vi nem foto ou imagem do acontecido. Se alguém a tiver, por favor, me avisa. Mansell tinha um ar de pateta inglês com sua cara de choro eterno e jeitão de andar desengonçado, com sua altura, alta para os padrões da F1, aumentando essa sensação. Desde que começou a vencer na F1, no final de 1985, Mansell se tornou uma estrela da categoria e começou a ter encrencas com as demais estrelas do circo, em particular seu então companheiro de equipe Nelson Piquet e Ayrton Senna. Ambos pilotos muito agressivos e perseguindo seu primeiro título no momento, Mansell teve várias brigas homéricas com Senna e no Grande Prêmio da Bélgica em 1987, a briga atingiu seu ápice.

Mesmo sem chuva, a corrida em Spa começou complicada, quando um acidente envolvendo os dois pilotos da Tyrrell, Jonathan Palmer e Philippe Streiff, paralisou a corrida na segunda volta. Mansell havia largado melhor na primeira tentativa, mas quando a luz verde apareceu pela segunda vez em Spa, Senna atacou o inglês e assumiu a ponta. Mansell imediatamente partiu para cima do brasileiro, mas Senna já havia mostrado algumas vezes que não se intimidava muito com o inglês e ambos acabaram se tocando e a rodada dupla foi inevitável. Senna abandonou ali mesmo, enquanto Mansell tentou retornar à pista, mas abandonaria voltas mais tarde.

Vendo seu odiado companheiro de equipe Nelson Piquet na ponta, após este ter sofrido um sério acidente em Ímola, e podendo ter sua liderança dentro da equipe Williams perdida, Mansell ficou possesso. Era a terceira vez em menos de dois anos que Mansell se dava mal em uma disputa com Senna. Juntando tanta frustração junta, Nigel partiu feito um touro furioso rumo ao box de sua antiga equipe atrás de Senna. Tendo abandonado algumas voltas atrás, Senna foi pego de surpresa, enquanto Mansell partiu para cima do brasileiro lhe dando um empurrão e errando um soco na cara por pouco antes de ser contido pelos seus antigos mecânicos e engenheiros da Lotus. Infelizmente, não há um único registro da cena, que certamente seria sucesso do youtube. Dias mais tarde, Mansell diria que Senna 'era a peste da F1'. Quando ambos conquistaram seus títulos, a tensão entre eles diminuiu e houve até certa camaradagem entre eles no final.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cuidado: cenas fortes


Meio que já me acostumei a ver acidentes feios e trágicos, mas este de Gordon Smiley é impressionante na forma como o carro se desfaz por completo durante os treinos para as 500 Milhas de Indianápolis. Smiley teve morte instantânea e muito se falou que ele teve TODOS os ossos quebrados, tamanha a força do impacto que o matou exatamente 30 anos atrás. Essa informação nunca foi confirmada, mas não me admiraria se isso fosse verdade.

História: 40 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1972


Após a dominante vitória de Emerson Fittipaldi em Jarama, a F1 iria para outro circuito apertado, mas muito charmoso: o seu mais famoso Grande Prêmio, em Mônaco. A Lotus vinha em ótima fase e Emerson, mesmo ainda não liderando o campeonato sozinho, pois estava empatado com Denny Hulme, se tornava aos poucos um desafiante real ao título mundial de 1972. O final de semana monegasco normalmente é simultâneo ao de Indianápolis e isso causou algumas baixas entre os pilotos, principalmente os americanos. Mario Andretti e Peter Revson desfalcariam Ferrari e McLaren, respectivamente, o mesmo acontecendo com Carlos Reutemann, este ainda se recuperando do seu acidente de F2 em Brands Hatch mais cedo.

A quinta-feira, primeiro dia de treinos, começou com um bonito dia de sol e os treinos foram polarizados entre a Lotus de Emerson Fittipaldi e a Ferrari de Jacky Ickx. Os dois brigaram o dia inteiro pelo melhor lugar no grid e no afã de conseguir o que seria sua primeira pole numa corrida válida pelo campeonato, Emerson acabaria rodando no final da sessão, fazendo-o voltar aos boxes pensando que havia perdido a pole provisória para o belga. Porém, Ickx não voltou mais a pista, pois pensava em retomar a briga com o piloto da Lotus no sábado. Contudo, Ickx errou totalmente na hora de prever o tempo e a chuva veio forte o dia inteiro no sábado, impedindo-o de brigar pela pole e Emerson Fittipaldi comemorava sua primeira pole na F1.

Grid:
1) E.Fittipaldi(Lotus) - 1:21.4
2) Ickx(Ferrari) - 1:21.6
3) Regazzoni(Ferrari) 1:21.9
4) Beltoise(BRM) - 1:22.5
5) Gethin(BRM) - 1:22.6
6) Amon(Matra) - 1:22.6
7) Hulme(McLaren) - 1:22.7
8) Stewart(Tyrrell) - 1:22.9
9) Pescarolo(March) - 1:22.9
10) Redman(McLaren) - 1:23.1

O dia 14 de maio de 1972 amanheceu escuro e a previsão era de tempestade a qualquer momento. Um mini-treino de dez minutos foi realizado antes da largada e quando faltavam quarenta minutos para a hora marcada da largada, às 15h, a chuva veio com tudo. Ao contrário da Espanha, estava na cara que os pneus a serem utilizados seriam os de chuva. Na segunda fila do grid, Jean-Pierre Beltoise se regozijava por estar largando na frente da Matra, sua antiga equipe que havia o substituído por Chris Amon em 1971, que largava duas posições atrás dele. A BRM estava surpreendentemente bem em Mônaco e Peter Gethin largava em quinto lugar, mas quem largaria melhor quando a bandeirada foi dada foi Beltoise. Fittipaldi dava sua tradicional má largada e foi ultrapassado por dentro por Beltoise e por fora por Ickx. Fittipaldi tirou o pé para não bater em Ickx na St Devote e acabou ultrapassado pela outra Ferrari de Regazzoni, caindo para quarto.

Durante a primeira volta Jacky Ickx, considerado por muitos como um dos melhores pilotos de todos os tempos debaixo de chuva, errou na freada da Rascasse e permitiu a Regazzoni e Fittipaldi ganharem sua posição. Isso deu um grande refresco a Beltoise, que estava sendo perseguido de forma incessante por Ickx e agora tinha mais de 2s de vantagem sobre Regazzoni, com Emerson colado. O problema era que as condições naquele dia de maio em Monte Carlo eram terríveis. A pista estava extremamente escorregadia e a visão era quase nula. Emerson guiava apenas seguindo a sombra da Ferrari de Regazzoni e a luz vermelha do carro vermelho do suíço, enquanto Beltoise aumentava a diferença lá na frente com uma pilotagem soberba. As condições de pista eram tão ruins em Mônaco, que uma cena pastelão desenrolou na quinta volta. Regazzoni errou na freada da chicane do porto e passou reto. Apenas acompanhando o suíço, Emerson passou reto também, numa das histórias mais conhecidas da história da F1.

Isso deu ainda mais tempo para Beltoise, pois se Rega e Fittipaldi não perderam tanto tempo voltando a pista em terceiro e quarto respectivamente, Ickx estava longe em segundo, mas o ferrarista representava um risco, pois todos conheciam as habilidades do belga em pista molhada. Porém, Beltoise estava iluminado naquele dia e aumentava sua vantagem sobre a Ferrari. Mais atrás, Emerson Fittipaldi continuava se metendo em encrencas. Na volta 17 o brasileiro ainda perseguia Regazzoni quando ambos foram ultrapassar o retardatário Mike Beutler na curva da Estação. Rega passou sem problemas, mas Fittipaldi freou forte, travou seus pneus e saiu rapidamente da pista, permitindo a Peter Gethin e Jackie Stewart ganharem sua posição. Para piorar as coisas, Reine Wisell quebrou o motor do seu BRM, espalhando óleo em boa parte da pista, fazendo com que a condução dos carros de 400 cavalos se tornasse ainda mais difícil. Gethin rodou no óleo de Wissel e acabaria saindo da corrida, permitindo a Stewart assumir o quarto lugar e partir para cima de Regazzoni. O escocês era outro especialista no molhado e todos ainda tinham em mente sua épica corrida em Nürburgring em 1968, quando venceu numa condição ainda pior do que essa.

Mesmo assim, os pilotos sofriam com a falta de visibilidade, a ponto de José Carlos Pace ir aos boxes uma vez para trocar a viseira do seu capacete, imunda com a combinação de óleo, água e borracha. Continuando sua boa recuperação, Stewart ultrapassou Regazzoni na 32º volta e partiu para cima de Ickx para brigar pelo segundo lugar. Porém, o escocês escapou com seu Tyrrell onze voltas mais tarde no óleo de Wisell e Rega recuperaria sua posição. Para perdê-la apenas dez voltas mais tarde ao perder o controle de sua Ferrari e bater no guard-rail. Nem mesmo o líder inconteste da corrida, Beltoise, escapava de incidentes e em certo momento, teve que bater no eterno retardatário Beutler para conseguir manter seu magnífico avanço rumo a uma vitória que ninguém esperava. As posições se mantiveram até que Stewart tem problemas com o motor Cosworth do seu Tyrrell e tirar o pé completamente. Tanto que quase provoca um sério acidente. Stewart estava tão lento, que estava a ponto de tomar uma volta de Ickx, nas voltas finais. O belga vinha muito mais rápido do que Stewart e acabou surpreendido pela parca velocidade do rival e teve que frear forte, mas Ronnie Peterson, também retardatário, não viu e acabou acertando com força a traseira de Ickx. Peterson abandonou na hora, mas Ickx conseguiu levar sua Ferrari rumo a bandeirada. Emerson Fittipaldi ultrapassou Stewart faltando três voltas para o fim e garantiu um lugar no pódio, mesmo com tantas atribulações e assumia a liderança isolada do campeonato. Porém, o brasileiro já estava uma volta atrás de Beltoise. O já veterano francês fez a corrida de sua vida em Mônaco e marcava seus primeiros pontos em 1972 justo com uma vitória histórica, onde mostrou um talento que nunca havia desabrochado antes. E nunca mais o faria. Beltoise não marcaria mais pontos em 1972 e sairia da F1 no final de 1974 sem nunca mais repetir a atuação naquele dia no chuvoso GP em Monte Carlo, mas aquela exibição entrou para a história e Beltoise entrou como um dos grandes, mesmo que por apenas uma corrida.

Chegada:
1) Beltoise
2) Ickx
3) E.Fittipaldi
4) Stewart
5) Redman
6) Amon