terça-feira, 29 de maio de 2012

Teve isso também...


Dentre as pistas antigas, Mônaco é umas que não há muitas mortes em seu currículo, onde, pensando de cabeça, só me lembro do Lorenzo Bandini. A baixa velocidade ajuda, mas quando jovens pilotos entram numa pista apertada, o resultado pode não dar muito certo. Conor Daly que o diga...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Figura(MON): Felipe Massa

Webber finalmente conseguiu sua primeira vitória em 2012, mas o australiano não estava tão pressionado como Felipe Massa em Monte Carlo. O piloto da Ferrari recebeu um ultimato em carta por Luca di Montezemolo antes da corrida, cobrando-o resultados imediatos e Felipe conseguiu dar a resposta num circuito onde historicamente não se dá tão bem assim. Porém, Monte Carlo se mostrou agradável ao problemático F2012 e Massa aproveitou para ter o primeiro final de semana decente do ano, conseguindo andar na frente de Alonso nos treinos livres e superado por muito pouco pelo espanhol na Classificação. Durante a corrida, Massa chegou a andar mais rápido do que Alonso no começo, mas logo a maior categoria do espanhol fez com que Massa não o ameaçasse mais, porém o brasileiro permaneceu na mesma balada dos líderes, fechando o emocionante trenzinho dos seis primeiros colocados no final, chegando apenas 6s atrás do vencedor Webber. A saída de Massa da Ferrari em 2013 é quase certa, até pelo conjunto da obra, mas Felipe necessita mostrar aos outros chefes de equipe que tem condições de ser o mesmo piloto que quase foi campeão em 2008 e de antes do acidente em 2009, talvez o grande marco de sua carreira. E com uma temporada incrivelmente equilibrada, se tudo der certo, uma vitória não estaria fora de cogitação que, talvez não garanta Massa na Ferrari no que vem, mas ao menos carimbe o passaporte do paulistano na F1 em 2013. 

Figurão(MON): Jenson Button

O que passa com Jenson? Vencedor da primeira corrida da temporada e apontado como favorito pelo fato dos novos pneus Pirelli serem nervosos a qualquer movimento em falso, 2012 parecia ter a cara de Button, piloto muito cuidadoso com os pneus por causa de sua tocada suave e sua inteligência tática. Porém, o inglês entrou num declínio técnico absurdo, culminando com o final de semana medonho em Monte Carlo, pista onde venceu quando se tornou campeão mundial em 2009. Button até andou bem na quinta-feira e foi o único a utilizar os pneus supermacios antes da chuva aparecer, mas isso parece não ter ajudado muito o piloto da McLaren, que teve uma classificação pífia, ficando no Q2 pela segunda corrida seguida, muito longe de Lewis Hamilton. Na corrida, o mico foi ainda maior, pois Button perdeu muito tempo na confusa primeira curva e acabou se vendo atrás da Caterham de Heikki Kovalainen, uma presa fácil na teoria. Na teoria. O que se viu foi a repetição da edição de Mônaco em 2001 quando David Coulthard passou boa parte da prova atrás da Arrows de Enrique Bernoldi, mas nesse ano teve outros agravantes. Coulthard tinha sido o pole e ficara parado no grid por problemas em seu McLaren. Estava bem até o momento. E a Arrows não era um carro tão ruim como o Caterham que tinha Kovalainen em mãos, mas o finlandês foi capaz de segurar Button por quase 50 voltas e o pior foi que Button não conseguiu a ultrapassagem, acabando por rodar enquanto tentava deixar o finlandês para trás. Porém, o fato de ultrapassar Kova não diminuiria a péssima corrida de Button, que em nenhum momento esteve próximo de marcar pontos e desde sua vitória em Melbourne, não se destacou mais e mesmo a McLaren, hoje, não tendo o melhor carro do pelotão, pelo menos é possível andar no mesmo ritmo dos líderes, como fez Hamilton. Tendo problemas na Classificação, Button foi na corrida o que os ingleses gostam de dizer: Absolutamente patético.

domingo, 27 de maio de 2012

Agressivo na hora certa


Recentemente Dario Franchitti reclamou que a Indy estava desequilibrada, com muitos circuitos mistos e poucos ovais, ainda em decorrência do trauma pela morte de Dan Wheldon. Hoje, o escocês e sua equipe mostraram o porquê dessa reclamação. Dario Frachitti e a Chip Ganassi foram formidáveis nas 500 Milhas de Indianápolis de hoje e o escocês vai cavando seu nome na história do automobilismo americano e mundial ao vencer pela terceira vez a principal corrida da Indy.

Franchitti teve que enfrentar um motor Honda inferior aos Chevrolet durante todo o ano, uma mês inteiro discreta de sua equipe em maio e até mesmo um toque nos boxes durante a primeira rodada de paradas que o mandou para o final do pelotão. Porém, a Ganassi escondeu o jogo durante os treinos e rapidamente Scott Dixon saiu de uma posição intermediária no grid para as primeiras posições, ameaçando o domínio dos pilotos da Andretti, particularmente de Marco Andretti. Quando Dixon assumiu a ponta e Franchitti veio logo depois numa recuperação empolgante, a corrida foi amplamente dominada pela Ganassi e seus dois pilotos fizeram um verdadeiro jogo de equipe, com Dixon e Franchitti trocando de posição a cada volta, economizando combustível e seus carros para a hora decisiva da prova, que é sempre nas 50 milhas finais.

E nesse momento os dois carros vermelhos continuaram dominando, contando com a sorte de várias bandeiras amarelas terem aparecido nas voltas finais e truncado a prova, ajudando não apenas Franchitti e Dixon, mas os demais pilotos a economizar combustível suficiente para não terem que se preocupar no final. Na penúltima relargada, Tony Kanaan deu um show de dribles e tomou a ponta dos carros da Ganassi, mas Franchitti e Dixon retomaram a ponta na última relargada, mas muito pior do que ter o experiente Kanaan ameaçando, era ver o afoito Takuma Sato se aproximando. Sato foi outro que largou muito atrás, mas assim como o duo da Ganassi, aproveitou bem o ótimo desempenho do motor Honda em corrida e sempre andou entre os primeiros. Na penúltima volta, Franchitti deu o bote em cima de Dixon, mas o neozelandês não contava com Sato que o ultrapassou por dentro, acabando momentaneamente com a dobradinha da Ganassi. Os pilotos japoneses são conhecidos pela agressividade extrema, que algumas vezes o levam a cometer verdadeiros destroços na pista. E Sato, desde a F1, foi assim e ainda é considerado o melhor japonês na categoria, mesmo com o surgimento de Kobayashi. Porém, não dá para culpar Sato pela sua manobra extrema na abertura da última volta, assim como Franchitti não deu o mínimo espaço ao japonês, que perdeu o controle do seu carro na curva 1 e bateu, acabando sua corrida e definindo a prova.

Franchitti agora se junta a Helio Castroneves com três vitórias em Indianápolis e se recupera no campeonato, pois até o pódio em São Paulo, o escocês estava fazendo um campeonato sofrível. A Ganassi volta a vencer em Indianápolis e aos poucos encosta nas grandes equipes tradicionais da categoria, mesmo que ainda muito longe da Penske, extremamente discreta hoje, particularmente com Castroneves, talvez a maior esperança de vitória da equipe, mas que decepcionou e penou para ficar entre os dez. Porém, com o perigoso acidente de Will Power, onde teve Mike Conway também envolvido, o brasileiro encostou no australiano no campeonato, contudo, a posição intermediária de Helio na corrida onde ele se da melhor não deixa de ser uma derrota para o paulista. Bem ao contrário de Rubens Barrichello, que em sua primeira experiência em ovais, conseguiu ficar no top-10 com uma corrida madura e sólida, onde não cometeu erros e jamais andou nas últimas posições, podendo curtir com o amigo, quase irmão, Tony Kanaan o terceiro lugar do soteropolitano, seu melhor resultado no ano. Bia Figueiredo entra cada vez mais na turma da Danica Patrick, onde só anda por que é mulher e somente este fato chama a atenção de patrocinadores, não seus resultados. Enquanto seus três companheiros de equipe da Andretti andavam entre os primeiros colocados, Bia ficava abaixo do 20º lugar até rodar e bater, de leve, sozinha. Muito fraca essa garota. Assim como é fraco Marco Andretti, que liderou boa parte da prova, mas errou sozinho no final, continuando a ‘Maldição Andretti’ em Indianápolis, sendo que isso continua pelo fato de Marco ser desastrado demais.

Não poderia deixar de falar na transmissão da Band. O pessoal gosta muito de criticar a Globo, que hoje aumentou seu espaço para a F1, mas Luciano do Valle inventando Michael Jordan (Michel Jourdain Jr.) foi muito engraçado. Fora o Jester (Justin) Wilson e o acidentado Mike Conaway (Conway). Gostava muito do Luciano no auge da Indy, mas está na cara que o veterano narrador cai totalmente de pára-quedas na transmissão e seus erros chegam a ser constrangedores, assim como a torcida da Band pelos brasileiros. Quando Marco bateu faltando doze voltas para o fim, a torcida de Luciano para que a corrida acabasse com bandeira amarela somente por que Tony Kanaan liderava foi ridícula. Teo José é a melhor opção para os comentários certeiros de Felipe Giaffone. É nessa hora que sinto falta da Globo.

Foi uma boa 500 Milhas de Indianápolis, que hoje bateu o recorde de calor (34°C), teve um final emocionante e Franchitti mostrou que quando precisa ser agressivo, pode colocar alguém na grama e vencer na marra. Nem que isso lhe garanta seu terceiro anel de vencedor das 500 Milhas de Indianápolis.

O sexto homem


Hoje não foi a corrida com mais ultrapassagens do ano e das mais emocionantes no seu todo, mas Monte Carlo foi palco de marcas históricas para a F1 e nos lembrar chegadas marcantes. Mark Webber venceu praticamente de ponta a ponta, se tornando o sexto piloto diferente a vencer nessa temporada em seis corridas, marcando um recorde nos 62 anos de história da F1. Porém, o australiano não teve vida fácil ao longo das 78 voltas da longa corrida de Mônaco e sempre teve Nico Rosberg fungando no seu cangote, que sempre teve alguém mordendo seus calcanhares. Os puristas podem reclamar a vontade da F1 atual, mas os seis primeiros colocados separados por 6s nos fez lembrar, mesmo que sem a mesma emoção, a famosa chegada do Grande Prêmio da Espanha de 1981, onde Gilles Villeneuve, recentemente homenageado pelos 30 anos do seu passamento, segurou quatro carros nas voltas finais em Jarama. Webber segurou cinco e ainda havia uma garoa para tornar as coisas mais emocionantes e dramáticas. Foi um final eletrizante!

Fazia tempo que a largada não protagonizava batidas e hoje quem fez o strike, mesmo involuntário, foi Romain Grosjean. O francês da Lotus largou muito mal e Alonso foi para cima dele e tocou nele. Espremido, Grosjean foi para a esquerda e acabou espremendo Schumacher no guard-rail e o francês acabou quebrando a suspensão traseira esquerda e rodando no meio do pelotão, atingindo a Sauber de Kobayashi, enquanto Maldonado atingia De La Rosa. O safety-car veio a pista e essa foi a única emoção da corrida em seus momentos iniciais. Mark Webber manteve a ponta, seguido por Rosberg, Hamilton, Alonso, Massa e Vettel. E assim andaram por várias voltas, com esses pilotos ganhando e perdendo rendimento na medida em que seus pneus ganhavam ou perdiam rendimento. Porém, Webber se manteve intocável na frente e só não liderou de ponta a ponta por causa da estratégia diferente do seu companheiro de equipe Vettel. Havia uma previsão de chuva para o meio da corrida e Vettel resolveu iniciar a prova com os pneus macios e postergar ao máximo sua parada, mas a chuva, anunciada a todo o momento pelo rádio aos pilotos nunca veio de verdade. Pelo menos, não no meio da prova. Com Vettel parando, Webber reassumiu a ponta e parecia que venceria com a mesma tranqüilidade de 2010, quando dois anos atrás tinha Kubica próximo, mas por causa de um safety-car nas últimas voltas. Então, a chuva veio no final da prova em forma de garoa e Rosberg encostou em Webber, mas o alemão da Mercedes trouxe uma fila de pilotos atrás dele, tornando as últimas voltas da corrida eletrizante, pois qualquer erro poderia causar mudanças de posições e a chuva, afinal, poderia aumentar a qualquer momento. Foram momentos de tirar o fôlego, mesmo sem troca de posições ou disputas mais acirradas por posição. No final Webber recebeu a bandeirada em primeiro e empatava em pontos com Vettel em pontos no segundo lugar do campeonato, apenas três atrás de Alonso, o líder do campeonato. Mark Webber havia até reclamado da grande divisão de pontos e vitórias da atual temporada, mas o australiano acabou se beneficiando por uma F1 sem domínio e imprevisível e escreveu a temporada de 2012 nos livros como uma das mais emocionantes da história da F1.

E também de altíssimo nível, ao contrário do que dizem os saudosistas dos anos 70 e 80. Vettel foi o quarto colocado, mas recebeu a bandeirada apenas 1.3s atrás do companheiro de equipe, talvez até o diretor de prova tenha dado a bandeirada no mesmo movimento entre os quarto primeiros. Vettel fez uma corrida inteligente e largando em décimo, postergou sua parada ao máximo sem perder tanto desempenho e quando voltou à pista, estava logo à frente de Hamilton, em quarto, sendo que antes das paradas, era sexto. Havia a expectativa de o alemão pressionar os primeiros colocados, pois era o único ali com pneus supermacios, mas o ambiente inóspito em ultrapassagens de Mônaco não o ajudou e Seb ficou fora do pódio. Rosberg fez uma prova sólida, onde sua diferença para Webber nunca foi muito superior a 2s e andou no mesmo ritmo de Webber, o atacando quando a garoa apareceu nas últimas voltas, mas Nico preferiu não fazer nenhum ato de heroísmo e ficou ali mesmo, segurando os ataques de Alonso. Schumacher se envolveu no acidente de Grosjean e ficou atrás de um estranhamente lento Kimi Raikkonen, só se livrando do finlandês quando parou nos boxes, mas o toque com Grosjean pode ter causado seu abandono no final da prova, acabando outra prova de forma frustrante ao heptacampeão, pois Schummy tinha tudo para estar na briga pela vitória se tivesse largado realmente na pole. A Ferrari esteve muito bem em Monte Carlo e Alonso assumiu a liderança do campeonato com um pódio no lugar mais baixo, porém, quem poderia imaginar o espanhol na liderança na sexta prova do campeonato após um início de campeonato tão desapontador? A Ferrari cresceu muito, sem dúvida, mas as características de Monte Carlo ajudaram bastante o time de Maranello e como sempre faz nessas situações, Fernando Alonso aproveitou bem. A novidade foi o quanto Felipe Massa andou no mesmo ritmo de Alonso e no começo da prova, até mais do que o espanhol. Esperar que a Ferrari pedisse a Alonso, líder do campeonato, deixar Felipe passar era exagero global, mas Massa fez sua melhor corrida desde 2010 e não há nada do que reclamar de sua atuação de hoje, pois mesmo fechando os seis primeiros que lideraram a corrida inteira, ele recebeu a bandeirada 6s atrás de Webber, mostrando que estava no mesmo ritmo dos líderes.

A McLaren não deixou de decepcionar na corrida de hoje e mesmo Hamilton pontuando mais uma vez, a bolsa de apostas indicavam Lewis como o sexto vencedor diferente de 2012, mas o piloto da McLaren não estava em condições de brigar mais do que fez e o quinto lugar foi o máximo do inglês, se mantendo na briga pelo campeonato. Porém, o que foi assustador foi o terrível desempenho de Jenson Button em Monte Carlo. Nem se pode acusar Button de não se dar bem em Mônaco, pois ele venceu lá em 2009, mas a curva descendente de Jenson foi tão acentuada, que o inglês passou boa parte da prova atrás da Caterham de Kovalainen (!), não conseguindo ultrapassar o finlandês, algo que Sérgio Pérez conseguiu em uma única volta! Foi patético, como dizem os ingleses. A Force India marcou pontos com seus dois carros num esforço muito bom dos seus dois pilotos, que fizeram uma prova sem erros e isso, em Mônaco, normalmente garante frutos na bandeirada. A Lotus foi a grande desilusão do final de semana, com um ritmo de corrida absolutamente terrível de Kimi Raikkonen. O finlandês não foi a pálida sombra do que fora nas duas últimas corridas, sendo superado de longe por Grosjean e na corrida, onde seu ritmo poderia ser melhor, se tornou uma chicane ambulante, causando a diminuição do ritmo de vários pilotos que tiveram o azar de tê-lo à sua frente. Grosjean, coitado, não dá nem para avaliar se estava ou não na briga pela vitória, apesar das indicações dizerem que sim. Bruno Senna marcou um pontinho, mas passou a prova inteira atrás (ou atrapalhado) por Raikkonen e teve que se conformar com sua posição, mas foi um final de semana paradoxal para a Williams e principalmente para Maldonado. Após sua vitória duas semanas atrás, Maldonado largou em último em Monte Carlo, onde sempre se deu bem em outras categorias, e se envolveu num acidente ainda na primeira curva, ao atingir a traseira de Pedro de La Rosa.

Jean-Eric Vergne perdeu a chance de ter o seu melhor resultado na F1 quando resolveu inventar e colocar pneus intermediários nas voltas finais, mas a garoa era tão fina que o francês nem se aproveitou das condições variáveis da pista e caiu de sétimo a décimo segundo, bem mais lento todos os outros. É a velha história de ser melhor tem alguns pontinhos na mão, do que vários voando... Daniel Ricciardo abandonou quando vinha logo atrás de Senna e Kobayashi se envolveu nos toques da primeira curva, enquanto Sérgio Pérez foi o homem que conseguiu ultrapassar hoje, mesmo que seja nas últimas posições e os carros fossem das nanicas, porém, Jenson Button com uma McLaren não conseguiu isso, então palmas para Pérez, que ainda sofreu uma punição por ir aos boxes na hora em que Raikkonen ia lhe ultrapassar e ainda ficou em 11º. Seu ritmo era tão bom, que após ser ultrapassado pelos líderes, ficou colado na traseira de Massa, provando que se não fossem os problemas durante o final de semana, Pérez poderia ter chegado nos pontos e, quiçá, na acirrada briga pela vitória, onde poderia ter dito: Não contavam com minha astúcia! Heikki Kovalainen teve a melhor atuação das nanicas em sua história ao largar bem e segurar a McLaren de Jenson Button a corrida toda, só perdendo posições quando teve que encarar a astúcia de Sérgio Pérez e quebrou a asa dianteira, mas Kova já tinha feito uma belíssima prova, enquanto Petrov abandonava quando estava em último, os dois pilotos da Marussia foram bons retardatários e Karthikeyan atrapalhou alguns pilotos com seu ritmo lento em demasia.

Foi uma corrida em que os pneus não foram fatores determinantes, mas o equilíbrio se manteve intacto, pois seis pilotos de quatro equipes diferentes se digladiaram nas últimas voltas de forma sensacional, fazendo uma F1 eletrizante e que valha a pena acordar cedo para ver Alonso, Vettel, Webber, Hamilton e outros fazer história à nossa frente.

sábado, 26 de maio de 2012

Ganhou, mas não levou

Michael Schumacher é depois de Felipe Massa o alvo preferencial para críticas e especulações de quem ocupará seu lugar em 2013, devido ao mau desempenho nesta temporada. Sinceramente, nunca fui muito simpático a essa volta de Schummy a F1 pois ele se aposentara por cima no final de 2006 e três anos fora da F1, com mais de 40 anos não era um bom cartão de visita para equipe qualquer, mesmo a Mercedes tendo sido campeã em 2009 com outro nome (e menos dinheiro). O tempo mostrou um Schumacher com lampejos raríssimos de sua genialidade e um piloto até mesmo trapalhão, o que acabou estragando seu lampejo dessa manhã.

Schumacher necessitava de uma exibição dos bons e velhos tempos e o heptacampeão o conseguiu de forma exuberante em Monte Carlo, um dos seus palcos favoritos. O piloto da Mercedes foi o mais rápido de uma classificação muito acirrada, onde os cinco primeiros ficaram separados por apenas 0.25s, mas como Schumacher fez besteira em Barcelona quinze dias atrás, ao bater na traseira de Bruno Senna, o alemão já sabia que largaria com cinco posições e justo quando foi o mais rápido, terá que amargar a sexta posição no grid, fazendo com que Mark Webber ficasse com a pole e se tornar automaticamente o favorito para a corrida de amanhã. O australiano chegou a reclamar da competitividade desta temporada, talvez por estar mal acostumado com o domínio de sua equipe, mas Webber ficou bem à frente de Vettel neste sábado, com o alemão tendo que emular seu compatriota e voltar a fazer uma boa exibição.

A Mercedes se provou muito bem em Mônaco e Nico Rosberg pode fazer as vezes do time e ficar com a vitória, basta uma largada melhor do que a de Webber, seu companheiro na primeira fila e que várias vezes não saiu bem no apagar das cinco luzes vermelhas. A McLaren vive um paradoxo de uma boa classificação de Hamilton e ver Button, mais uma vez, falhar em passar ao Q3. E pela segunda vez consecutiva! Button é outro que precisa de uma reviravolta. A Lotus não foi tão bem quanto o esperado, mas ainda colocou seus dois carros no Q3, algo que a Ferrari fez pela primeira vez este ano, na melhor exibição de Felipe Massa esse ano, com o brasileiro ficando próximo de Alonso no Q3, mas em outras oportunidades ficando à frente do espanhol. A Williams esteve longe de repetir o ótimo desempenho de Barcelona e Maldonado ainda sofreu com uma punição de dez posições, fazendo com que este final de semana não seja muito bom para o time inglês.

Assisti boa parte do treino no mute, pois estava em aula, mas no finalzinho deu para pegar a transmissão desesperada de Galvão Bueno com a pole de Schumacher. Para quem não sabe, o alemão da Mercedes está apenas uma vitória atrás de Ayrton Senna no quesito de triunfos em Monte Carlo e com a possibilidade de Schummy igualar Senna, Galvão quase teve um piripaque. Seria até bem feito se Schumacher vencesse. Tanto para ele, como para seus críticos. Afinal, rei nunca perde a majestade!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

História: 15 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1997


Se havia uma pista em que todos os pilotos e equipes conhecem há tempos é o de Barcelona. Com um circuito repleto de variáveis, como uma reta longa, curvas enormes de alta e baixa velocidade, Montmeló costuma definir quem tem o melhor carro da temporada ou quem sofrerá pelo resto do ano, já que desde 1992 a etapa espanhola é realizada praticamente na abertura da temporada européia. Isso aconteceu em 1997, com a Williams dominando os testes na semana anterior à corrida na Espanha, mas tendo problemas nos treinos livres de sexta-feira. Os pilotos reclamaram bastante do desgaste dos pneus, principalmente os usuários da Goodyear, com a Bridgestone se mostrando com menos desempenho, mas com mais durabilidade. Na corrida, isso definiria muitos rumos.

A Benetton havia sido a mais rápida na sexta-feira, mas a Williams, notadamente o melhor carro do pelotão, voltou a dominar no sábado e Jacques Villeneuve ficou novamente com a pole, quase 1s na frente do terceiro colocado. Porém, Frentzen deu trabalho ao canadense ao ficar 0.26s atrás do companheiro de equipe de Williams. A McLaren tinha um novo motor de classificação e por isso seus carros apareceram muito bem, seguindo os ótimos carros da Williams. Adryan Newey ainda assinava os carros da Williams em 1997, mas o inglês já trabalhava na McLaren naquele ano e provavelmente deu dicas como melhor aproveitar o circuito espanhol. A Ferrari teve uma péssima classificação, enquanto o bom resultado da Stewart em Monte Carlo se provava fortuito com seus dois pilotos ficando no fim do grid em Barcelona. O primeiro piloto Bridgestone era Olivier Panis, apenas em 12º.

Grid:
1) Villeneuve(Williams) - 1:16.525
2) Frentzen(Williams) - 1:16.791
3) Coulthard(McLaren) - 1:17.521
4) Alesi(Benetton) - 1:17.717
5) Hakkinen(McLaren) - 1:17.737
6) Berger(Benetton) - 1:18.041
7) M.Schumacher(Ferrari) - 1:18.313
8) Fisichella(Jordan) - 1:18.385
9) R.Schumacher(Jordan) - 1:18.423
10) Herbert(Sauber) - 1:18.494

O dia 25 de maio de 1997 estava nublado e frio quando os carros se dirigiam ao grid de largada com uma previsão de corrida mais apertada, pois se Villeneuve dominou na Classificação, o canadense teve uma vida mais dura no velho warm-up, com os oito primeiros carros separados por 1s, provavelmente pela condição mais fria de pista. Apenas na segunda tentativa a largada foi dada e Villeneuve largou de forma esplêndida, ao contrário de Frentzen, que foi engolido pelo pelotão. Quem também fez uma largada sensacional foi Michael Schumacher, pulando de sétimo para segundo ainda na primeira curva.

Como normalmente acontece em Barcelona e naquela temporada em questão, os primeiros colocados andavam próximos, com 4s separando os seis primeiros na terceira volta, mas não havia tentativas de ultrapassagem, com todos os pilotos se estudando. Com um carro desequilibrado, Schumacher foi o primeiro usuário da Goodyear a sofrer com os pneus e o alemão perdeu rendimento de forma abrupta frente a Villeneuve, com a diferença entre os dois pilotos chegando a 20s na volta 14. Isso causou um verdadeiro congestionamento atrás da Ferrari de Schumacher, mas com os pilotos não podendo efetuar a ultrapassagem sobre o alemão, que fechava a porta sem o menor pudor. Desesperados e sem ter muito que fazer, pilotos como Ralf Schumacher antecipavam suas paradas, até Coulthard finalmente deixar Schummy mais velho para trás. Algumas voltas depois, começou a primeira rodada de paradas e de forma surpreendente, Coulthard havia encostado em Villeneuve, enquanto Olivier Panis permanecia em terceiro e sem paradas, mas havia um dado a ser colocado nesse caldeirão estratégico: o francês da Prost usava pneus Bridgestone. Isso faria toda a diferença!

Alesi e Schumacher ultrapassam Mika Hakkinen numa bonita briga pelo terceiro lugar, já que Panis havia parado nos boxes e estava agora em sexto. Frentzen fazia uma corrida medíocre, desgastando seus pneus de forma absurda e seu desempenho não fazia jus ao carro que tinha, igual ao do líder inconteste até então, Jacques Villeneuve, que apenas administrava a vantagem sobre Coulthard. Com a segunda rodada de paradas para troca de pneus e reabastecimento, Panis voltou a crescer e o francês ultrapassou Coulthard na volta 39 pela terceira posição, já que o piloto da McLaren não teve um pit-stop muito feliz. Estava claro que os pilotos com Goodyear iriam parar três vezes, enquanto os usuários de Bridgestone parariam apenas duas vezes. Panis fazia uma ótima corrida e enquanto os pilotos à sua frente faziam uma terceira parada, ele estava numa estratégia de duas paradas e era definitivamente o mais rápido na pista. Após a terceira rodada de paradas para quem estava numa estratégia de três pit-stops, Panis liderava a corrida, mas com uma parada a fazer. O piloto da Prost andou forte o suficiente para retornar de sua segunda visita ao Box em 2º, apenas 11s atrás de Villeneuve. E ele era o mais rápido da pista!

A idéia da Bridgestone de fazer um pneu mais resistente parecia que daria frutos e Panis se aproximava lentamente da Williams de Villeneuve, até um dos momentos mais vergonhosos dos anos 90 aconteceu. Panis vinha logo à frente de Alesi e Schumacher, mas os dois veteranos viam impotente o francês ir para cima do líder Villeneuve. Contudo, a Ferrari queria que Schumacher atacasse Alesi e, quem sabe, Panis na briga pelo segundo lugar. Numa manobra triste, a equipe mandou Eddie Irvine, retardatário, segurar Panis e, por conseguinte Alesi para que Schumacher se aproximasse dos dois. Até mesmo Alesi se irritou e gesticulou para o diretor de prova para tomar uma providência. O irlandês ficou várias voltas à frente de Panis numa cena triste e de pouca repercussão hoje em dia, mas que cinco anos depois não surpreenderia ninguém. Irvine foi penalizado com um stop-and-go de 10s e só assim desobstruiu a passagem dos líderes. Como castigo, Schumacher manteve seu quarto lugar e essa manobra praticamente garantiu a vitória de Jacques Villeneuve, o que acabaria lhe ajudando bastante no final do ano, na contagem final do campeonato. Foi o último pódio em que todos os pilotos falavam francês, mas a dúvida ficava se Panis poderia ou não alcançar Villeneuve e garantir a primeira e merecida vitória da Bridgestone. Ninguém saberá, mas a manobra da Ferrari com Irvine seria penalizada, como seria visto mais tarde, com a vitória de Villeneuve, soberano a corrida inteira.

Chegada:
1) Villeneuve
2) Panis
3) Alesi
4) M.Schumacher
5) Herbert
6) Coulthard