sexta-feira, 29 de junho de 2012

História: 15 anos do Grande Prêmio da França de 1997

A conturbada corrida em Montreal havia deixado marcas para a prova seguinte em Magny-Cours, na França. Aliando os ótimos resultados de Olivier Panis e o comando do ídolo Alain Prost na equipe que passava a levar o nome do tetracampeão, os franceses tinham muito com que vibrar em seu GP local depois de anos até o forte acidente de Panis no Canadá acabar com as chances dos gauleses verem um compatriota seu vencer, literalmente, no quinta de casa, até por que a fábrica da antiga Ligier ficava próximo a curva 1 de Magny-Cours e Panis, em ótima fase, seria um dos favoritos a vitória na França se não fosse o acidente. Sem nenhum piloto francês à disposição, Prost tirou Jarno Trulli da Minardi, que o substituiu pelo brasileiro Tarso Marques, enquanto a Sauber trazia o mediado Norberto Fontana para o lugar de Gianni Morbidelli, machucado em um teste privado. Fontana tinha bom apoio de patrocinadores do seu país e só por isso ele alinharia com a Sauber, pois seu desempenho como piloto de testes deixava muito a desejar.

O norte europeu estava chuvoso naqueles primeiros dias de verão e a sexta-feira foi debaixo de chuva, onde os usuários da Bridgestone mostraram muita força, com Rubens Barrichello, da Stewart, ficando em primeiro. Porém, o sábado estava quente e claro, fazendo com que a ordem voltasse ao normal e os usuários da Goodyear - das equipes principais - voltassem ao primeiro plano. Schumacher dominou a classificação, algo que ainda não havia feito desde que estreara pela Ferrari em 1996, e ficou com a pole, deixando para trás a Williams, que esteve cambaleante o final de semana inteiro, principalmente Villeneuve, que sofreu um acidente no sábado pela manhã e teve muito trabalho para se classificar em quarto.

Grid:
1) M.Schumacher(Ferrari) - 1:14.548
2) Frentzen(Williams) - 1:14.749
3) R.Schumacher(Jordan) - 1:14.755
4) Villeneuve(Williams) - 1:14.800
5) Irvine(Ferrari) - 1:14.860
6) Trulli(Prost) - 1:14.957
7) Wurz(Benetton) - 1:14.986
8) Alesi(Benetton) - 1:15.228
9) Coulthard(McLaren) - 1:15.270
10) Hakkinen(McLaren) - 1:15.339

O dia 29 de junho de 1997 havia amanhecido chuvoso em Magny-Cours, mas o warm-up havia acontecido com pista praticamente seca no seu final, com a Ferrari continuando com seu domínio, porém, nuvens ameaçadoras pairavam sobre o circuito francês quando a hora da largada se aproximou. Por isso, houve quem apostasse em estratégias diferentes, como foi o caso de Villeneuve, apostando em um set-up para pista molhada. Ele se arrependeria amargamente durante a corrida, com um carro desequilibrado o tempo inteiro. Quando as luzes vermelhas apareceram, a dupla da primeira fila largou bem e Schumacher se manteve na ponta à frente de Frentzen. Já o pessoal da segunda fila não fez o mesmo e foram ultrapassados por Irvine, em seu melhor final de semana em muito tempo pela Ferrari.

Schumacher fazia uma corrida magistral com sua Ferrari, abrindo vantagem sobre Frentzen, que por sua vez não era ameaçado pela segunda Ferrari de Irvine. O alemão da Ferrari abria 1s por volta sobre o compatriota da Williams, enquanto Villeneuve pressionava Irvine, que fazia o irlandês encostar em Frentzen, mas como Magny-Cours não era muito favorável a ultrapassagens, os três pilotos andavam em trenzinho, mas sem ameaçar o rival à frente, enquanto Ralf Schumacher não repetia a ótima exibição do sábado e claramente segurava as duas McLarens. As primeiras paradas ocorreram sem nenhum problema e os quatro primeiros colocados, ambos com Ferrari e Williams, permaneceram nas mesmas posições, o que denotava uma corrida chata. Porém, a esperança de momentos melhores viam do céu. Nuvens escuras circundavam o circuito de Magny-Cours na medida em que o segundo round de paradas se aproximava. Schumacher já tinha 22s de vantagem sobre Frentzen quando as primeiras gotas começaram a cair em Magny-Cours, deixando a corrida, monótona até o momento, emocionante para saber quem pararia e quais pneus utilizaria.

Irvine fez sua parada e colocou pneus slicks, mas para azar do irlandês, logo depois a chuva aumentou de intensidade, porém, quando foi a vez de Schumacher, o alemão resolveu escolher também os pneus slicks! Além de um piloto excepcional, Schummy percebeu que a chuva seria pouca e mesmo com a pista escorregadia, preferiu arriscar os pneus para piso seco, o que fizeram o restante dos pilotos fazerem o mesmo, menos Trulli, que botou intermediários. E se arrependeria por isso! A chuva não veio da intensidade esperada do italiano da Prost e seus pneus se desgastaram rapidamente. Contudo, quando faltavam exatamente dez voltas, uma pancada de chuva se abateu em Magny-Cours e vários pilotos foram aos boxes, menos Schumacher e Frentzen, que permaneceram na pista com pneus slicks, mesmo com a pista claramente molhada. Foi um show de pilotagem de ambos, que lhe garantiram uma incrível dobradinha alemã. Mais atrás, uma confusão generalizada de pilotos entrando e saindo dos boxes bagunçou a ordem da corrida, fazendo dessas dez voltas muito mais emocionantes do que as demais sessenta! Villeneuve foi aos boxes e caiu para sexto, pressionando Ralf Schumacher e Coulthard, que resolveram arriscar com pneus slicks. O canadense da Williams ultrapassou ambos de forma agressiva e ainda teve tempo de atacar Irvine nas últimas curvas, mas Villeneuve acabaria rodando e quase perdendo o quarto lugar para Alesi, que uma volta antes tinha colocado Coulthard para fora da pista numa manobra polêmica. Porém, o grande personagem do dia foi Michael Schumacher, que venceu de forma espetacular em Magny-Cours, fazendo um hat-trick empolgante e aumentava sua vantagem no campeonato.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Frentzen
3) Irvine
4) Villeneuve
5) Alesi
6) R.Schumacher

terça-feira, 26 de junho de 2012

Que pena...

É a primeira vez que falarei de motocross aqui no blog, mesmo gostando bastante do esporte e acompanhar com interesse os campeonatos americano e mundial, mas infelizmente falarei de um tema triste, pois hoje morreu o catarinense João Paulino, mais conhecido como Marronzinho, vítima de um acidente enquanto treinava em sua Florianópolis natal. Campeão brasileiro algumas vezes, Marronzinho era um ícone do motocross nacional na década passada. Mesmo sem grandes chances de atuar em palcos maiores, Marronzinho era ídolo e todos temos a lamentar no dia de hoje.

Fez história

Quando foi demitido da Renault e estourou o escândalo em Cingapura/08 em meados de 2009, Nelsinho Piquet estava definitivamente banido do automobilismo europeu, mesmo não tendo nenhuma punição oficial. Sem espaço no Velho Continente, Piquet cruzou o Atlântico, mas ao contrário do normal, que seria a Indy, Nelsinho preferiu arriscar na Nascar, categoria notoriamente fechada e que nenhum estrangeiro fez sucesso. Neste sábado, correndo no belo e mítico circuito de Elkhart Lake, Nelsinho conseguiu a primeira vitória brasileira na Nascar, mesmo sendo na Nationwide Series, a Série B da Nascar, mas tão forte que chega a ser mais popular que a Indy. Mesmo correndo num circuito misto, pista em que os ianques não são muito chegados, Piquet entrou para a história do automobilismo brasileiro e pode refazer sua promissora carreira desbravando a difícil trajetória da Nascar.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Figura(EUR): Fernando Alonso

Simplesmente monumental! Fernando Alonso fez uma corrida para entrar na história não apenas de sua carreira, como da F1 na Espanha. Se antes do aparecimento de Alonso a F1 era tratado com certo desdém pela Espanha, a Alonsomania fez com que o país ibérico não apenas torcesse, como também se envolvesse com a F1. Porém, nem o mais ferrenho torcedor de Alonso estava otimista após o décimo primeiro lugar do piloto da Ferrari no sábado. Nem o próprio piloto estava confiante, quando disse que esperava apenas diminuir os prejuízos. Porém, Fernando Alonso esteve iluminado neste domingo. Primeiramente ganhou três posições na largada e numa atitude agressiva, ultrapassou a Force India de Nico Hülkenberg. Numa estratégia esperta dele e da Ferrari, Alonso retornou à pista na frente de Kobayashi e Raikkonen, mas com um trânsito incríve na sua frente. Não é segredo que a Ferrari não tem o melhor carro do grid e que Valencia nunca se mostrou um circuito de se passar, mas Alonso não se fez de rogado e fez belíssimas ultrapassagens em cima de Webber e Schumacher praticamente em voltas seguidas. Como todo campeão, Alonso teve sorte algumas vezes. Primeiro, quando Lewis Hamilton sofreu outro problema durante um pit-stop e cedeu sua posição à Alonso. Quando já estava em terceiro, Alonso efetuou uma ótima ultrapassagem sobre Grosjean na mesma volta quando o dominante Vettel abandonava com o seu Red Bull quebrado. A sorte apareceu pela terceira vez com a quebra de Grosjean e uma vitória histórica, não apenas como foi, como também pelo momento de seu país. Alonso parou seu carro na frente da arquibancada, mostrou a bandeira da Espanha e chorou muito no pódio. A Espanha passa por uma crise sem precedentes e a vitória de Alonso fez que o sofrido povo espanhol tenha algum motivo para sorrir. Dezenove anos atrás, Ayrton Senna venceu um épico Grande Prêmio do Brasil e fez seu povo em crise sorrir. Como Alonso agora!

Figurão(EUR): Kamui Kobayashi

Aqui no Brasil, resolveram chamar Kamui Kobayashi de mito. O motivo, eu não sei ao certo, mas esta mitologia está virando mais folclore do que algo excepcional sobre o desempenho do nipônico. Desde a chegada de Sérgio Pérez a Sauber em 2011, o japonês vem sendo obscurecido pelo jovem mexicano e se é muito rápido, talvez até mais do que Pérez, Koba também é muito mais ineficiente em comparação ao companheiro de equipe. Isso se reflete na tabela de pontos, quando está vários pontos atrás de Pérez, que já subiu ao pódio duas vezes em 2012. No sábado do Grande Prêmio da Europa Kobayashi mostrou sua velocidade ao conseguir um ótimo sétimo lugar no grid e o japonês começou muito bem a prova em Valencia, subindo para quarto. Porém, o domingo nos reservou a ineficiência de Koba. Numa ultrapassagem para lá de otimista, Kamui tentou passar Bruno Senna por uma brecha mínima e o resultado foi o muro e a corrida estragada. Retornando à prova lá atrás, o piloto da Sauber ainda teve tempo de atingir o outro brasileiro, Felipe Massa, e destruir definitivamente sua corrida, abandonando a prova, enquanto Pérez, que largou oito posições atrás de Kobayashi, chegou na zona de pontos e abriu ainda mais sobre o piloto oriental no campeonato. Sem bons resultados para mostrar e se mostrando cada vez mais propenso a sofrer acidentes, Kobayashi corre o risco de ser lembrado pelo também mitológico (e atrapalhado) Satoru Nakajima.

domingo, 24 de junho de 2012

Meninos, eu vi


Hoje tive a sensação de ter presenciado uma dos grandes momentos da história da F1 numa corrida de tirar o fôlego do começo ao fim. De grandes pilotos que serão lembrados para sempre como gênios da velocidade se espremendo na difícil e bonita pista de Valencia. Pista essa, que até o ano passado só tinha tido corridas chatas, mas que esse histórico 2012 vem para reverter toda a lógica. Inclusive, fazendo um normalmente frio Fernando Alonso comemorar como nunca vitória improvável em sua casa, após uma corrida monumental do espanhol, saindo da décima primeira posição rumo a um triunfo consagrador e ajudando seu país em crise dar um sorriso frente às dificuldades diárias. Foi uma corrida magnífica, decidida na pista, com homens lutando a todo o momento em manter seu espaço num dia em que a F1 lembrará por muitos anos.

Não deixou de ser surpreendente a prova em Valencia ter sido tão boa. O histórico não ajudava a prever uma corrida tão cheia de reviravoltas e ultrapassagens como a de hoje. Sebastian Vettel parecia que ganharia pela terceira vez seguida vindo da pole, mas um problema em seu carro abriu as portas para Fernando Alonso comprovar que está mesmo na história da F1. Assim como Jenson Button ano passado em Montreal, Alonso mostrou hoje uma das melhores apresentações individuais da história da F1 com um começo de corrida arrebatador, com uma ótima largada e várias ultrapassagens. Alonso também soube usar a estratégia, a mesma que o atrapalhou tanto no Canadá, para ganhar posições e aparecer em terceiro lugar na entrada do safety-car. Na relargada, ultrapassou com vigor um grande Romain Grosjean e se foi ajudado pela quebra do dominante Vettel, Fernando controlou a corrida a partir de então com a maestria do grande campeão que é. As imagens após a bandeirada emocionaram a todos, pois apesar de todos os seus defeitos, a F1 ainda é capaz de emocionar a todo um povo sofrido com uma crise histórica e Alonso fez questão de mostrar que vitórias como essas são capazes de alegrar até o mais triste coração. Para melhorar, Alonso pode ter dado um passo enorme rumo ao título. Após a corrida no Canadá, o campeonato se afunilava para uma disputa entre Hamilton, Alonso e Vettel, com o primeiro na liderança. Porém, com o abandono dos seus dois maiores rivais, Alonso agora tem uma folga de vinte pontos para o seu mais próximo perseguidor, Mark Webber. O tricampeonato agora é mais que possível! Felipe Massa vinha mais ou menos na balada de Alonso, mas como ocorria nos tempos da relação conturbada Schumacher-Barrichello, todos os problemas caíram na cabeça do brasileiro e um toque em Kobayashi pôs tudo a perder para o ferrarista. Massa teve que engolir ter que tomar uma volta de Alonso mais uma vez, mas desta vez, foram as circunstâncias que fizeram outro mal resultado de Massa.

Como Alonso acabou com a sequencia histórica de pilotos diferentes vencendo nas primeiras corridas no campeonato, talvez a Lotus tenha menos pressão, mas ainda assim os carros auri-negros são os favoritos para tirar o cabaço (como se diz aqui no Ceará) e vencer pela primeira vez no ano. Favoritos a fazê-lo em Valencia, a Lotus bateu na trave novamente com Kimi Raikkonen tendo outra grande exibição e chegando em segundo, mas o grande piloto da Lotus hoje foi Romain Grosjean. Apesar da Globo secar demais o francês, em nenhum momento Grosjean errou e parecia capaz de estragar a festa dos espanhóis e vencer a corrida nas ruas valencianas. Grosjean largou bem e ultrapassou de forma firme Maldonado na primeira curva, passando a perseguir Hamilton até passa-lo quando já tinha uma enorme desvantagem para o líder Vettel. Com o safety-car, Grosjean pode encostar no líder Vettel e até ataca-lo, mas o francês acabou ultrapassado por Alonso, mas nunca saiu de perto do espanhol e com as lembranças ainda vivas de como economizou pneus em Montreal, a previsão era de um ataque nas voltas finais, mas infelizmente esse ataque não veio por uma quebra mecânica da Lotus de Romain. Porém, Raikkonen diminuiu um pouco a frustração com outra pilotagem segura e sem grandes arroubos de talento, mas com muita eficácia. O finlandês estava claramente atrás de Grosjean a corrida todo, mas quando o companheiro abandonou, soube atacar Hamilton quando este ficou sem pneus e chegou novamente em segundo lugar, levando a Lotus a encostar na McLaren no segundo lugar no Mundial de Construtores. Ainda falta um final de semana em que tudo se encaixe para a Lotus vencer e este momento ainda deverá acontecer este ano.

Outro momento histórico da corrida de hoje foi o primeiro pódio de Michael Schumacher em sua volta à F1. O alemão largou ao lado de Alonso hoje, mas não teve a mesma volúpia do piloto da Ferrari, mas soube utilizar a estratégia que tanto o ajudou a vencer títulos com a Ferrari para ser o piloto mais rápido no final e fazer várias ultrapassagens para garantir um terceiro lugar emocionante. Está claro que Schummy não tem mais o mesmo vigor do seu auge na F1 e que a aposentadoria definitiva está próxima, mas o alemão mostrou que ainda pode vislumbrar os bons tempos. Nico Rosberg mal apareceu na TV e mesmo com uma estratégia parecida com a de Schumcher, o alemão não teve a mesma gana do companheiro de equipe na hora de ultrapassar e por isso ficou para trás. Largando em 19º, marcar pontos era um objetivo até difícil para Mark Webber, mas o australiano fez muito mais e por muito pouco não beliscou um pódio, mas o que ele fez não deixou de ser um ótimo resultado. Na verdade, Webber só não ultrapassou Schumacher na volta final por causa da bandeira amarela provocada pelo incidente entre Hamilton e Maldonado na volta anterior, que lhe garantiu mais duas posições, mas o impediu de ganhar outra. Porém, Webber marcou pontos suficientes para pular ao segundo lugar do campeonato, mesmo estando vinte pontos e não ter repetido, ainda, o brilhantismo de 2010. Vettel era o virtual vencedor da corrida quando abandonou tristemente pouco após a saída do safety-car. O alemão chegou a estar 20s na frente do segundo colocado Grosjean e com dois campeonatos nas costas, a chance de segurar Alonso era grande mesmo correndo na casa do adversário, mas o carro da Red Bull, que tinha se mostrado tão confiável ano passado, deixou a equipe na mão como fez algumas vezes em 2010, irritando Vettel e fazendo Adryan Newey botar as mãos na cabeça. 

As voltas finais teve um Lewis Hamilton perdendo ritmo de forma abrupta, provavelmente por causa dos pneus e isso fez com que Maldonado encostasse no inglês e um polêmico incidente acontecesse. Porém, novamente a McLaren errou num pit-stop de Hamilton, fazendo o inglês sair de sua segunda parada atrás de Alonso. Num momento de renovação de contrato, isso poderá pesar. Hamilton zerou pela primeira vez no ano e a forma como ficou após bater no muro mostrou não apenas a frustração pela batida, como também a chance do bicampeonato estar indo embora lentamente mais uma vez. Button pontuou novamente, o que não deixa de ser uma evolução, mas o inglês esteve longe de brilhar e mais uma vez ficou devendo! Maldonado fazia uma corrida correta até o incidente com Hamilton, que poderá acabar lhe valendo uma punição por tempo. O venezuelano levou várias ultrapassagens de forma até consciente, pois sabia que lutar demais poderia mais prejudicar do que ajuda-lo, mas a forma como bateu em Hamilton acabou estragando não apenas a obtenção de bons pontos, como poderá acabar por puni-lo mais uma vez, que acabou vitimando Bruno Senna, a meu ver, injustamente, em outro arroubo de Kobayashi. O brasileiro vinha fazendo uma prova segura, no mesmo ritmo de Schumacher e Webber, sendo que estava à frente de ambos, e provavelmente pontuaria de forma consistente até encontrar Koba pela frente e ser punido, destruindo sua boa corrida. A Force India foi consistente ao extremo e marcou bons pontos com seus dois pilotos, sendo que Hulkenberg passou a prova praticamente inteira na frente de Paul de Resta, quando o normal era o contrário. A entrada do safety-car pode ter estragado a estratégia do escocês, que provavelmente pararia uma vez menos.

Essa história de mito para Kamui Kobayashi está se tornando mais folclórico do que sério. Que o japonês da Sauber é rápido e agressivo, ninguém duvida, mas a realidade é que ele está sendo amplamente superado por Sérgio Pérez, que é tão rápido e muito mais eficiente, e seus acidentes fazem nos lembrar do também folclórico e simpático Satoru Nakajima. Pérez marcou pontos mais uma vez, mesmo largando lá atrás, enquanto Kobayashi abandonou após tantas pancadas nos brasileiros. A Toro Rosso fez outra corrida para esquecer e mesmo Daniel Ricciardo chegando a ficar em quarto devido a estratégia diferente de pneus na relargada da corrida, o time estava mesmo brigando com a Caterham, mostrando a involução da equipe. Por sinal, Verge fez outra corrida terrível e trouxe a entrada do safety-car ao provocar um acidente bobo com Kovalainen. A Caterham teve uma prova atribulada, mas chegou a ver Petrov em décimo por algumas voltas, até o russo se achar mais tarde com Ricciardo, em outra briga Caterham x Toro Rosso. O time verde já está no mesmo ritmo da filial da Red Bull, o que já é motivo para comemorar. A Marussia teve apenas Charles Pic para enfrentar a ascendente HRT na luta para se livrar da última posição e o francês acabou conseguindo superar os carros espanhóis, mesmo com dificuldades. Glock, coitado, não correu por uma vulgar caganeira!

Valencia hoje viveu momentos de Interlagos em 1993, quando o povo levantou nos braços Ayrton Senna após uma vitória improvável. Hoje, Alonso fez isso e ainda se garantiu como favorito ao título numa campanha marcada pelo talento, inteligência e oportunismo do espanhol, que vem cavando seu nome na história da F1. Para quem duvidava que estamos vendo uma melhores temporada da história da F1, hoje pode ter sido uma resposta, mesmo com Alonso disparando no campeonato. Hoje vimos brigas de altíssimo nível. Valencia nos mostrou uma corrida histórica e poderemos dizer mais tarde, daqui a alguns anos, que vimos um Alonso iluminado, um Raikkonen soberbo, um Schumacher agressivo, um Webber admirável, um Vettel dominante...

sábado, 23 de junho de 2012

Só os pneus?

Antes de falar de mais uma pole devastadora de Sebastian Vettel, desempatando com Nigel Mansell em número de poles na história, é bom retratar o que foi o Q2 do Grande Prêmio da Europa, em Valencia. Foi um marco. Num circuito longo, com o tempo de volta em torno 1:40s, os treze primeiros colocados estarem separados por meros três décimos de segundo mostra o quão boa está a F1 atual. Galvão disse que fazia tempo que isso acontecia. Engano. Isso nunca havia acontecido! O equilíbrio conseguido pela F1 atual é tudo que muita gente queria há anos e estamos acompanhando em in-loco com pilotos de altíssimo nível. Não vejo influência de pneus ou medidas de restrição apenas o motivo de tanto equilíbrio. São ótimos pilotos e equipes fortes lutando por aquele décimo que hoje está fazendo uma enorme diferença. No Brasil vejo um preconceito enorme sobre essa F1 atual e vejo isso unicamente por que, ao contrário dos anos 80, dito e cantado como o auge da F1, não termos nenhum piloto tupiniquim protagonizando a categoria. Se houvesse alguém verde-e-amarelo lutando pela ponta no meio das feras atuais, ah, a F1 era espetacular...

Voltando aos treinos, Vettel destoou dos demais no Q3 e seus três décimos colocados em cima de Hamilton aplacou a tristeza da Red Bull em ver Mark Webber marcando o mico do dia ao ficar no Q1 por problemas na asa móvel. O australiano estava inconsolável. E falando em Red Bull, mas na filial, a batata de Jean-Eric Vergne na Toro Rosso está cada vez mais queimando. A paciência de Helmut Marko, consultor da marca, não é das maiores com os jovens pilotos e o francês ficou, pela segunda corrida consecutiva, atrás de um carro de Caterham. Muito mal para os altos padrões de Marko. Hamilton completa a primeira fila num final de semana em que a McLaren não apareceu muito e quando parecia que Button largaria mais à frente, o inglês vacilou na sua volta final do Q3. A Ferrari ficou de fora do Q3 de forma surpreendente, mas com a pequena diferença que houve no Q2, isso foi um mero detalhe, mas esse detalhe põe os dois carros italianos fora dos dez primeiros e provavelmente brigando por poucos pontos amanhã. Isso tudo proporcionou a Pastor Maldonado renascer após maus momentos depois de sua vitória em Barcelona e a Force India, muito bem em Valencia.

O histórico da pista de Valencia não traz boas lembranças de corridas inesquecíveis. Massa em 2008 e Vettel nos dois anos anteriores venceram sem maiores preocupações após largarem da pole e o alemão da Red Bull já é favorito destacado para amanhã, onde a expectativa é de uma corrida quente.