Romain Grosjean se tornou um piloto marcado para Galvão Bueno, pois o francês tirou a vaga de Bruno Senna da Lotus, quando Grosjean teve mais apoio da petrolífera Total, enquanto Bruno levou sua farta grana para a Williams. Como a Lotus está melhor do que a Williams, Galvão pega no pé de Grosjean a cada erro que ele comete, mas o que o narrador global não vê (ou não quer ver) é o talento do jovem francês, que comete alguns erros até normais para um piloto que está apenas em sua primeira temporada completa na F1, mesmo tendo algumas corridas no currículo. Grosjean vem derrotando o seu famoso companheiro de equipe Kimi Raikkonen de forma sistemática nesse ano e em Silverstone, não há como negar que alguns erros proporcionaram uma bela corrida do francês. Primeiro, Grosjean errou na Classificação, quando tinha chances reais para conquistar uma posição no grid, e teve que se conformar com o décimo lugar. E largando no meio do pelotão, as chances de problemas acontecerem cresce e Grosjean teve um toque com Paul di Resta ainda na primeira volta e teve que ir aos boxes trocar a asa dianteira, caindo para último. Grosjean então iniciou uma excelente prova de recuperação, efetuando várias ultrapassagens sem forçar em demasia seus pneus e ainda conseguir realizar as mesmas duas paradas da grande maioria dos pilotos, mesmo parando bem mais cedo que os demais. Grosjean chegou a se aproximar de Raikkonen, mas com pneus mais novos, o finlandês abriu vantagem, mas ainda assim o francês ficou apenas uma posição atrás do companheiro de equipe, em sexto lugar. Um ótimo resultado para quem estava em último nas primeiras voltas e mostrando que, quando amadurecer, Romain Grosjean poderá se tornar um dos grandes da F1. E calar a boca de Galvão Bueno!
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Figurão(ING): McLaren
Correndo em casa, a equipe de Martin Whitmarsh nem de longe lembrou a equipe que venceu a primeira corrida do ano e garantiu as três primeiras poles da temporada 2012, sendo considerada favorita no início do ano. Mesmo em má fase, ninguém pode duvidar do talento de Jenson Button, assim como do seu genial companheiro de equipe Lewis Hamilton. Por isso, mesmo ver os dois carros prateados apenas em oitavo e décimo em Silverstone foi uma tremenda desilusão para a McLaren, que ano após ano lutou pelo título, mas que em 2012 parou definitivamente no tempo e se vê engolida não apenas por Red Bull e Ferrari, mas também por Sauber, Williams e Force India. Mesmo começando bem o final de semana com Hamilton liderando os molhados treinos de sexta-feira, a McLaren sucumbiu a partir da Classificação, onde Button ficou pelo caminho no Q1 e Hamilton teve uma atuação pífia no Q3, longe de brigar pela pole. Na corrida, a atuação vexatória da McLaren continuou, com seus dois pilotos, correndo na frente de sua torcida, longe de fazerem algo mais do que conquistar alguns pontos. Para um time de ponta, que começou o ano muito bem, a quarta posição no Mundial de Construtores e seus dois reconhecidamente ótimos pilotos longe da briga pelo título, deixou a McLaren numa péssima situação nessa altura do campeonato e a forma como andou em Silverstone não deixa ninguém animada pelos lados de Working.
domingo, 8 de julho de 2012
Vitória do Patinho Feio
Mark Webber não é exatamente um exemplo de virtuosismo da F1. De personalidade forte e de espírito guerreiro, Webber não é o piloto mais talentoso ou o mais veloz de uma geração recheada de talentos como a atual, mas nem por isso o australiano pode ser considerado inferior a eles, principalmente seu companheiro de equipe Sebastian Vettel. Hoje Webber fazia uma prova discreta até se aproveitar melhor da estratégia da Red Bull e conseguiu uma bela vitória sobre Alonso, numa ultrapassagem por fora nas últimas voltas e hoje está cada vez mais consolidado no segundo lugar do campeonato, mesmo que ainda com uma diferença considerável para o espanhol da Ferrari, que até agora vem fazendo um campeonato impecável.
Ao contrário de todos os prognósticos, a corrida foi realizada com muito sol e com pista seca em todas as suas 52 voltas. Talvez por isso a corrida foi a menos intensa do ano, com poucas disputas por posição, já que pilotos e equipes não sabiam o comportamento dos pneus em pista seca e preferiram não arriscar. Por isso houve algumas apostas, que acabaram por definir o Grande Prêmio. Como havia chances de chuva, Alonso e a dupla da McLaren apostaram para iniciar com os pneus duros, mais resistentes, postergando o máximo possível a parada. Já Webber e a grande maioria dos pilotos apostaram nos pneus macios, tentando ser rápidos no início. Quando Alonso se manteve na frente nas voltas iniciais mesmo com os pneus duros, parecia que o espanhol ganharia com um pé nas costas, ainda mais quando aumentou sua diferença no decorrer das primeiras voltas, já que estava com pneus mais resistentes. Contudo, Alonso teria que usar os pneus macios em algum momento da corrida e isso foi a chave para a vitória de Webber. Com pneus duros nos dois últimos stints, Webber tinha bem mais pneus do que Alonso, com os macios na última parte da corrida. O espanhol claramente teria dificuldades no decorrer das voltas, assim como ocorreu com o Webber e os demais no começo da prova. Webber tirou rapidamente a diferença e numa audaciosa ultrapassagem por fora na zona de ativação da asa móvel, o australiano conseguiu a ultrapassagem da vitória e venceu pela segunda vez em Silverstone e nona na carreira. Webber se consolida na segunda posição do campeonato, superando, como o fez em 2010, Sebastian Vettel, que foi o terceiro colocado numa corrida dominada por Ferrari e Red Bull.
Alonso não parecia muito chateado no pódio, pois provavelmente sabia que não tinha pneus para segurar Webber e grande estrategista que é, não brigou muito para permitir uma aproximação de Vettel nas provas finais. Foi o típico caso de melhor vinte pontos na mão do que vários voando. A corrida foi equilibrada ao extremo entre as duas equipes, mas é bom Alonso perceber que a Red Bull cresceu muito nesse início de verão europeu e a tendência é de outras vitórias da dupla rubrotaurina. Vettel está numa situação muito parecida com a de 2010, vendo Webber em ótima fase e superado pelo companheiro de equipe nesse momento do campeonato, mas o jovem alemão ainda pode se recuperar. Como há dois anos. Felipe Massa fez sua melhor corrida no ano e seu quarto lugar foi seu melhor resultado em muito tempo. O brasileiro ultrapassou de forma muito bonita Schumacher num ponto onde não contou com a asa móvel, mas se perdeu o terceiro lugar para Vettel ainda na primeira rodada de paradas, se manteve em quarto sem muitos sustos, mesmo com uma pressão de Raikkonen nas voltas finais. A Lotus fez outra corrida decente em Silverstone e se não brigou pela vitória como em outras oportunidades, marcou bons pontos com seus dois pilotos e aqui vale o destaque para Romain Grosjean. O francês se envolveu num toque ainda na primeira volta e teve que antecipar sua primeira parada, mas a partir de então, Grosjean fez uma prova de recuperação belíssima, fazendo várias ultrapassagens e sendo o mais rápido da pista na maior parte do tempo. Com os pneus desgastados no final, não pôde atacar nas últimas voltas, mas o sexto lugar depois de ocupar a última foi sua grande prova, mostrando que seu futuro parece ser muito bom.
Após largar em terceiro e segurar por muito tempo Felipe Massa, Michael Schumacher teve que se contentar com um sétimo lugar hoje, mas apesar dessa posição não ser a dos sonhos do heptacampeão, não deixou de ser uma vitória para Schumacher, pois pela segunda corrida consecutiva Schummy conseguiu superar Nico Rosberg, sendo que na Inglaterra isso aconteceu de forma sistemática e por longe! Aos poucos, a velha magia de Schumacher está aparecendo. A McLaren foi a grande decepção do final de semana, mesmo marcando pontos com seus dois carros. Lewis Hamilton tentou várias estratégias para subir no pelotão, mas acabou mesmo na obscura oitava posição, sendo ultrapassado por Schumacher no final, enquanto Button ainda marcou um pontinho graças ao erro de Hülkenberg na tentativa de se manter à frente de Bruno Senna. Foi um péssimo final de semana caseiro para a McLaren, que se afasta da briga pelo título bem no momento de renovação de contrato do seu único diferencial no momento, Lewis Hamilton. Bruno Senna marcou pontos pela quinta de nove corridas em 2012, mas vale ressaltar o desempenho do seu companheiro de equipe. Enquanto Bruno é mais constante e muito mais sereno, o veloz e atrapalhado Pastor Maldonado vem se demonstrando uma bomba relógio a cada corrida. Hoje, se envolveu num incidente com Sérgio Pérez que, se não for punido, lhe tirou ótimas chances de pontuar, além de ajudar sua combalida equipe no Mundial de Construtores. A falta de serenidade – algo que sobra em Bruno Senna - de Maldonado é alarmante e pode estragar sua promissora carreira, mesmo que os dólares ditatorias-bolivarianos o segurem por algum tempo na F1.
Hülkenberg vinha marcando pontos até o finalzinho da prova, mas assim como Alonso, seus pneus macios não foram páreo para a borracha mais resistentes dos seus rivais e por isso o alemão caiu para 12º, ultrapassado também por Kamui Kobayashi, que atacou com sempre e foi ineficiente como nunca! Paul di Resta furou seu pneu graças ao toque com Grosjean e abandonou seu GP caseiro ainda no início. Toro Rosso fez uma corrida anônima, enquanto a Caterham teve um desfalque antes mesmo da largada, com um problema com Vitaly Petrov, mas pelo o que mostrou Heikki Kovalainen, não faria muita diferença. O mesmo ocorrendo com Marussia e HRT.
A corrida de hoje ficou bem abaixo das expectativas, mesmo com a ultrapassagem da vitória de Webber no final da prova. Talvez o receio das equipes em como se comportariam os pneus fizeram com que os pilotos fossem cautelosos em demasia e a corrida pode ser considerada a mais chata do ano, mas ainda assim, em outros anos, ela teria sido a mais emocionante da temporada, provando que 2012 está fazendo que nós aumentamos nossas expectativas para as corridas. Alonso segue líder e estando na melhor fase de sua carreira, sendo muito difícil acompanhá-lo, mas o crescimento da Red Bull, liderado no momento por Mark Webber, pode causar grandes surpresas ao espanhol até o fim do campeonato.
sábado, 7 de julho de 2012
It's rainning!
Como diria Rihanna na música Umbrella, choveu pacas em Silverstone, o que não deixa de ser novidade no mítico circuito inglês, mas acabou por atrapalhar toda a programação da F1 para este sábado, conutudo fez com que Fernando Alonso conseguisse sua primeira pole no ano, quebrando um pequeno tabu de 31 corridas da Ferrari, mostrando a excepcional fase do espanhol, que ruma para o tricampeonato pilotando como nunca... e ganhando como sempre!
A costumeira chuva de Silverstone bagunçou totalmente a Classificação de hoje, ocasionando uma longa bandeira vermelha e trazendo algumas surpresas. Ao contrário de Alonso, a péssima fase de Jenson Button o faz ter golpes de azar incríveis, como em sua última volta no Q1 que o colocaria facilmente na fase seguinte, mas o Marussia rodado de Timo Glock na última curva fez com que o inglês amargasse outro péssimo resultado. Por sinal, a McLaren decepcionou bastante em casa. Lewis Hamilton, que já venceu nessa mesma Silverstone debaixo de muita chuva quatro anos atrás, esteve longe de brigar pela pole hoje. Após longe espera com a tempestade que caiu na metade do Q2, outro grande a cair foi Nico Rosberg, numa parte de Classificação onde Alonso e Vettel ficaram na beira de saírem. Bruno Senna teve o mesmo azar de Button no Q1 e novamente ficou pelo caminho no Q2, enquanto seu companheiro Maldonado passava ao Q3.
O Q3 parecia uma briga particular da Ferrari e foi nessa hora que a Globo estragou a transmissão e me assustou. Se a Vênus Prateada necessita de um brasileiro na frente para ficar na F1, foi terrível a forma como a Globo administrou suas câmeras exclusivas, cortando para o carro de Massa em momentos cruciais do treino. E o que é pior, o brasileiro parece ter errado em sua última volta e caiu para quinto, o que é sua melhor posição de largada em 2012. Webber se recuperou no final, mas quando a chuva apertou no finzinho do treino, Alonso superou o australiano por 0.047s, ficando com a pole, aumentando ainda mais sua confiança, algo que Schumacher parece ter reconquistado e ficou em terceiro hoje no grid.
A previsão para amanhã é de mais chuva como a de hoje e ontem. O que significa uma corrida confusa pela frente. Porém, o legal da paralisação foi uma interação que nunca tinha visto entre público e pessoal da F1. Do lado de fora dos boxes, mecânicos e engenheiros puxavam uma ola por toda o pit, levantando a torcida. Cada vez que um piloto aparecia na TV, o público gritava seu nome e o personagem em questão dava um tchauzinho. Podemos nos preparar para uma corrida movimentada e até mesmo com bandeira vermelha. A rodada de Romain Grosjean no final do Q2 pode causar penalizações mais tarde, inclusive para Alonso. Porém, a estrela do espanhol, que segundo Burti perdeu 0.006s no setor da bandeira amarela, parece ser grande demais e poderá brilhar no cinzento céu inglês.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
História: 35 anos do Grande Prêmio da França de 1977
Após a vitória de Jacques Laffite em Anderstorp, o público francês se animou para o seu Grande Prêmio e a expectativa era ótima para que Laffite e a Ligier repetissem a façanha na Suécia, mesmo sabendo que isso só aconteceu devido a um problema na Lotus de Mario Andretti nas últimas voltas, com o americano tendo a corrida nas mãos. O circuito escolhido para o Grande Prêmio foi Dijon-Prenois, autódromo cheio de subidas e descidas, uma grande reta e muito curto, tanto que a primeira vez que a F1 aportou lá, em 1974, foi batido o recorde de menor tempo para um F1 percorrer uma volta, em torno dos 58s. Reformado, a volta duraria um pouco mais.
No final do primeiro dia de treinos, Mario Andretti confirmava sua ótima fase e era o mais rápido, seguido de perto pelo Brabham de John Watson. No sábado, o americano melhorou ainda mais seu tempo, confirmando a pole provisória, enquanto Watson teve problemas e não melhorou sua marca caindo para quarto, sendo superado por James Hunt e Gunnar Nilsson, corroborando que a Lotus tinha o melhor carro do momento. A grande decepção ficou por conta de Jacques Laffite, que era o favorito de todos e largaria apenas em quinto, mais de 1s mais lento que o pole.
Grid:
1) Andretti (Lotus) - 1:12.21
2) Hunt (McLaren) - 1:12.73
3) Nilsson (Lotus) - 1:12.79
4) Watson (Brabham) - 1:12.83
5) Laffite (Ligier) - 1:13.30
6) Reutemann (Ferrari) - 1:13.41
7) Mass (McLaren) - 1:13.41
8) Scheckter (Wolf) - 1:13.45
9) Lauda (Ferrari) - 1:13.52
10) Jones (Shadow) - 1:13.56
O dia 3 de julho de 1977 estava muito quente e ensolarado em Dijon e o público compareceu em massa para torcer que Laffite fizesse outro corrida improvável, mas havia a grande preocupação com o combustível. Mesmo sendo um circuito curto, as oitenta voltas poderia causar problemas para as equipes, que tentariam evitar o que aconteceu com Andretti na Suécia, quando o americano da Lotus ficou sem gasolina nas voltas finais. As duas Lotus não largaram bem e quem se aproveitou disse foram os dois pilotos britânicos que estavam nas primeiras posições, com Hunt e Watson assumindo as duas primeiras posições, com Andretti vindo logo atrás, seguido por Laffite, Nilsson e Lauda. Ainda durante a primeira volta, Reutemann e Mass tocaram rodas e fizeram com que ambos perdessem muito tempo, mas o alemão da McLaren se daria ainda pior, caindo para último, enquanto Reutemann se segurou na 12º posição.
Estava claro que Hunt, Watson e Andretti tinham os carros dominantes daquele domingo de calor na França e rapidamente dispararam frente aos demais. Hunt liderou até a quarta volta, quando Watson o ultrapassou. O irlandês da Brabham rapidamente abriu vantagem sobre Hunt, que segurava Andretti. Mais atrás, a Ferrari não rendia e Lauda era um discretíssimo quinto colocado, mas no campeonato, as coisas não estavam tão ruins para o austríaco, já que o então líder Jody Scheckter não se acertou com seu Wolf em Dijon-Prenois e o sul-africano acabaria se envolvendo em um acidente com Clay Regazzoni, que furou seu pneu e o fez abandonar. Depois de muito pressionar, Andretti finalmente ultrapassou Hunt na 17º volta e rapidamente cortou a diferença de 5s que tinha de desvantagem para Watson. Mesmo sendo ultrapassado por Watson e Andretti, James Hunt seguia ambos de perto, até perder rendimento de forma repentina no metade final da prova. O porquê seria conhecido apenas no final da prova e entraria para o folclore da F1.
Quando faltavam vinte voltas para o final da corrida, Laffite fazia uma prova discreta em quarto lugar, quando deu de cara com o Brabham atravessado do segundo piloto Hans-Joachim Stuck, que tinha acabado de rodar. Sem muito tempo de reação, o francês da Ligier acabaria tocando no alemão e quebrando a asa dianteira do seu carro, tendo que ir aos boxes trocá-lo, perdendo as chances de pontuar e decepcionando ainda mais o público que lotou o circuito naquele dia. Lá na frente, a diferença entre Watson e Andretti nunca aumentou para mais de 2s e a expectativa era de um final de corrida emocionante. Porém, o anti-clímax se fez presente na 75º volta. Watson via seu motor falhar nas curvas para a direita já há algumas voltas e o motivo era claro: falta de combustível. Watson tirou o pé completamente para poder terminar a corrida e permitiu Andretti fazer a ultrapassagem vencedora e garantir os noves pontos e... estacionar seu Lotus alguns metros depois, sem gasolina. Emerson Fittipaldi, que fazia uma ótima corrida após largar em último, abandonou a prova faltando duas voltas com pane seca. A Brabham lamentou sua falta de sorte, enquanto Andretti se recuperava da decepção de quinze dias antes e entrava definitivamente na briga pelo título, já que Lauda, o novo líder com o quinto lugar, só estava um ponto à sua frente. E qual foi o motivo de Hunt perder tanto rendimento na parte final da corrida? Assim que estacionou seu McLaren, o Campeão Mundial de 1976 correu atrás de um banheiro e por lá ficou longos minutos, chegando a atrasar a cerimônia do pódio. Se esbaldando na festa na véspera da corrida, James Hunt teve uma prosaica dor de barriga bem no meio da prova, atrapalhando seu desempenho...
Chegada:
1) Andretti
2) Watson
3) Hunt
4) Nilsson
5) Lauda
6) Reutemann
segunda-feira, 2 de julho de 2012
História: 45 anos do Grande Prêmio da França de 1967
O Grande Prêmio da França, que tenta retornar à F1 nos próximos anos, teve como característica até os anos 70 a rotatividade entre suas sedes. Rouen, Reims, Clermont-Ferrand... todas essas pistas míticas fizeram parte em algum momento do calendário da F1, mas por motivos diversos, sempre saíam do campeonato de F1e entrava outra pista tão boa e famosa quanto a anterior. A França tem o circuito mais conhecido do mundo do endurance em Le Mans, com mais de 13 km e a Federação local resolveu construir uma pista para sediar uma escola de pilotagem no local da famosa corrida de 24 horas, denominada de Bugatti Le Mans. Porém, a parte boa do circuito, como a reta Mulsanne ficou de fora do novo circuito, considerado extremamente sem graça por todos que por lá correram. Querendo mudar esse cenário, resolveram trazer a F1 para o circuito de Bugatti Le Mans, mas os pilotos não gostaram nada da pista.
A Lotus ainda desenvolvia seu novíssimo motor Ford-Cosworth, tão forte e potente como inconfiável. Graham Hill, que liderava a maior parte dos treinos por causa dos problemas de Jim Clark com o fisco inglês, ficou com a pole, superando por muito pouco o regular carro de Brabham, com seu dono ao volante. Jack ainda não tinha conseguido bons resultados por ele mesmo fazer boa parte dos testes de novas peças, ficando na mão algumas vezes, deixando o segundo piloto, Denny Hulme, ficar com os melhores resultados. Grandes pilotos nas 24 Horas de Le Mans, mesmo não correndo na pista principal, Dan Gurney e Bruce McLaren se colocaram bem com o carro do americano, superando Hulme e a solitária Ferrari de Amon.
Grid:
1) Hill(Lotus) - 1:36.2
2) Brabham(Brabham) - 1:36.3
3) Gurney(Eagle) - 1:37.0
4) Clark(Lotus) - 1:37.5
5) McLaren(Eagle) - 1:37.6
6) Hulme(Brabham) - 1:37.9
7) Amon(Ferrari) - 1:38.0
8) Rindt(Cooper) - 1:38.9
9) Irwin(BRM) - 1:39.4
10) Stewart(BRM) 1:39.6
O dia 2 de julho de 1967 amanheceu quente e ensolarado, como sempre acontece no forte verão francês, que já havia causado sérios problemas em outras edições e outros circuitos. Mesmo com um novo tipo de corrida, o público de Le Mans não se animou muito com uma corrida mais curta do que sua tradicional longa corrida de 24 horas e pouco mais de 20.000 pessoas compareceram ao autódromo, frustrando os promotores da corrida. Na largada, no formato 3x2x3, Graham Hill se manteve na ponta da corrida, mas acossado por Dan Gurney e Jack Brabham.
Os três primeiros colocados cruzaram a primeira volta colados, mas Brabham vinha mais forte e tentando se recuperar no campeonato, assumiu a ponta ainda no decorrer da segunda volta. A boa corrida de Dan Gurney durou pouco tempo, sendo superado pela segunda Lotus de Jim Clark. O escocês sempre tinha certa desvantagem em relação à Hill, pois enquanto o inglês havia treinado com o carro antes, Clark só tinha contato com seu Lotus quando chegava ao autódromo, já que morava na França naquele tempo. Talvez se sentindo em casa, Clark rapidamente subiu para o terceiro lugar e na quinta volta já aparecia em primeiro, em duas ultrapassagens seguidas em Hill e Brabham. Provando o enorme potencial do Lotus 49-Ford Cosworth, Graham Hill subiu para segundo, mas Brabham se manteve por perto. Porém, a juventude do novo conjunto da Lotus-Ford cobraria seu preço. Ainda na volta 11, com Hill na ponta, o inglês abandonou com a transmissão quebrada, enquanto nove voltas depois, Clark teve destino semelhante. Conta a lenda que a superioridade da Lotus era tamanha, que Clark e Hill negociavam antes das corridas quem lideraria até o carro quebrar...
Brabham assumiu a liderança com a classe e experiência de sempre. Atrás do australiano, vinha Dan Gurney e o segundo piloto da Brabham, Denny Hulme. Chris Amon começa a mostrar a força da Ferrari e inicia uma briga com o compatriota Hulme, que duraria algumas voltas, mas a luta pelo terceiro lugar se transforma numa batalha pelo segundo lugar com a quebra de Gurney, com o problema de vazamento de combustível. Com sua falta de sorte incrível, Amon abandonou na 47º volta e deixava os dois pilotos da Brabham dominarem o resto da corrida. Quem se aproveitava para assumir o lugar mais baixo do pódio foi Jackie Stewart. O escocês, limitado pelo BRM, subiu ao terceiro lugar depois de largar apenas em décimo, mas sendo inteligente como é, Stewart soube ficar atrás dos superiores Brabhams, mesmo uma volta atrás. Jack e Denny dominaram o que seria o sonho de ver a F1 correndo em Le Mans. O fracasso de crítica e público fizeram com que essa fosse a única e última edição do Grande Prêmio da França em Le Mans.
Chegada:
1) Brabham
2) Hulme
3) Stewart
4) Siffert
5) Irwin
6) Rodriguez
domingo, 1 de julho de 2012
É melhor nem comparar...
Hoje pela manhã fui saudado por uma das melhores corridas de turismo que tive a chance de acompanhar nos últimos tempos. Sem o patriotismo piegas pelo acidente que provocou o precoce abandono de Augusto Farfus, a prova de Norisring do DTM foi de arrepiar do começo ao fim! Se não bastasse o belo e peculiar circuito de rua alemão de Norisring, muito rápido e separado por dois grampos, a chuva se fez presente e animou ainda mais a corrida. A prova parecia nas mãos dos belos carros da BMW guiados por Martin Tomcyck e Bruno Spengler, que até a penúltima volta lideravam uma dobradinha para a marca bávara. Porém, o inglês Jamie Green da Mercedes vinha voando e rapidamente tirou a diferença, ultrapassando Spengler na penúltima volta e conseguindo a manobra vencedora na última curva, num mole inacreditável do atual campeão Tomcyck, que ficou uma arara após a corrida!
Green pode ter provocado o acidente da primeira volta, mas fez uma excelente corrida de recuperação nas voltas finais, que deu uma inesperada vitória para a Mercedes, para júbilo de Norbert Haug e desespero do box da BMW. Foi uma corridassa, bem diferente do que aconteceu em Londrina, onde se realizou mais uma etapa da Stock-Car. Foi a primeira corrida que assisti da categoria nacional e mais uma vez vi uma prova sem muitas emoções, tirando a briga pelo quarto lugar no final, quando um Thiago Camilo sem pneus segurava um enorme pelotão atrás de si.
Porém, o ponto não é esse. O DTM tem carros com investimento de fábrica e quando Green venceu hoje, a Mercedes também venceu, assim como se Tomcyck não tivesse vacilado, a vitória seria da BMW, ou então se Mattias Eriksson, por exemplo, tivesse ganho, o triunfo seria da Audi. A Stock com suas bolhas não tem nada disso. Mesmo com a confusão que é a corrida com dois pit-stops obrigatórios (e também a confusa da transmissão da Bandsports, onde o duo que narrava e comentava não percebeu a forte chegada de Green nas voltas finais e até agora não sei se Green estava com pneus diferentes da dupla da BMW nos momentos finais), as corridas do DTM são melhores, o nível técnico é muito melhor, isso sem contar a beleza dos carros!
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