sábado, 21 de julho de 2012

Patos

Aqui no Ceará, quem é chamado de pato em alguma coisa, normalmente é referente à algo pejorativo. Tipo, uma pessoa que não faz nada direito. Quem jogou video-game por aqui sabe do que estou falando. Já na F1, os 'patos' são os pilotos que se sobressaem em pista molhada e em Hockenheim, assim como há duas semanas em Silverstone, estes pilotos novamente fizeram um ótimo trabalho na chuva alemã e ficaram nas primeiras posições. Após um jejum de 31 corridas sem pole, a Ferrari conseguiu sua segunda pole consecutiva com Fernando Alonso, seguido de perto pelos alemães Sebastian Vettel, Michael Schumacher e Nico Hülkenberg, intercalados por Mark Webber, mas como o australiano receberá uma punição de cinco posições por ter trocado o câmbio, Alonso terá que lhe dar com um esquadrão alemão amanhã.

O treino em Hockenheim foi tão confuso como foi na Inglaterra, quando o Q1 foi com pista seca, mas já no final da sessão se via pingos nas câmeras on-board. E no início do Q2, a chuva veio com força e atrapalhou muita gente que normalmente anda entre os dez primeiros, como Nico Rosberg e Romain Grosjean, com o agravante de ambos terem recebido a mesma punição de Webber e largarão com cinco posições atrás do que conseguiram na pista. Felipe Massa só agora está andando mais à frente, mas sua má forma em pista molhada aflorou novamente, enquanto Bruno Senna, que normalmente anda forte em piso molhado, foi muito mal, pois Maldonado passou até com facilidade ao Q3 ele foi um dos últimos do Q2. A parte decisiva do treino, com a pista melhorando com a chuva diminuindo de intensidade, foi eletrizante, com vários pilotos brigando pela ponta, mas Alonso deu a cartada decisiva ao trocar seu pneu e voltar à pista bem mais rápido do que todos, confirmando outra pole. Vettel, que foi atrapalhado por Webber e reclamou com o companheiro de equipe, largará na primeira fila, com outros dois alemães no seu encalço. Se Schumacher dispensa apresentações na chuva, para quem não se lembra de como surgiu Hülkenberg, em 2006 o então jovem alemão de 19 anos conseguiu colocar mais 40s de vantagem sobre quem fosse na antiga A1 GP em Sepang numa pista encharcada, chamando a atenção de todos. Isso sem contar com a pole em Interlagos em 2010 em piso molhado. Hulk, definitivamente, é pato!

A McLaren está tão mal que seus dois pilotos, reconhecidamente patos, ficaram apenas em 7º e 8º (6º e 7º, com a punição a Webber), sendo que desta vez Button conseguiu superar Hamilton, que estranhamente estava nos boxes na melhor situação da pista. A previsão para amanhã é de pista seca e a Ferrari andou muito bem nessa condição, ao contrário da Red Bull e de Schumacher, que tiveram trabalho para passar ao Q2. Porém, há duas semanas atrás a metereologia errou feio em Silverstone e a previsão de chuva viu uma corrida em pista totalmente seca. Os alemães erraram como os ingleses amanhã?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

História: 30 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1982


Uma quinzena após a corrida em Zandvoort, num sábado para não concorrer com a Copa do Mundo, a F1 se reencontrava num dos seus palcos mais tradicionais, em Brands Hatch, próximo a sede de boa parte das equipes da F1. A pista inglesa, com suas subidas e descidas, era muito boa de se pilotar, mas como não haviam grandes retas, os carros com motores aspirado tinham uma boa chance de enfrentar os turbo em Brands Hatch, em especial a Ferrari de Didier Pironi, vencedor na Holanda e em ótima fase. Por sinal, o francês ganharia nesta corrida um companheiro de equipe compatriota, o francês Patrick Tambay.

Provando que Brands Hatch poderia ajudar os carros com motores aspirado, Keke Rosberg conquistou sua primeira pole na F1 com seu Williams-Ford, superando por muito pouco os dois carros da Brabham. Porém, nos bastidores para a corrida, era o time de Bernie Ecclestone que chamava a atenção. Os mecânicos da Brabham não utilizavam os tradicionais uniformes com camisa golo a polo e calças customizadas. Eles utilizavam pesados macacões, como os de Piquet e Patrese. Ao lado da porta do boxe, um aparelho que mais parecia uma geladeira trazia ainda mais curiosidade aos rivais: uma máquina de reabastecimento. Durante todos os treinos, Piquet e Patrese andavam constantemente com tanque pela metade e pneus moles. Trinta e cinco anos depois da última corrida com pit-stops programados na F1, Gordon Murray decidira arriscar e fazer seus pilotos pararem no meio da corrida para reabastecer e trocar pneus, algo inimaginável na época. Nelson Piquet falava da tática em alto e bom som, bem diferente do clima de medo de espionagem que há hoje.

Grid:
1) Rosberg (Williams) - 1:09.540
2) Patrese (Brabham) - 1:09.627
3) Piquet (Brabham) - 1:10.060
4) Pironi (Ferrari) - 1:10.066
5) Lauda (McLaren) - 1:10.638
6) Arnoux (Renault) - 1:10.641
7) De Angelis (Lotus) - 1:10.650
8) Prost (Renault) - 1:10.728
9) Alboreto (Tyrrell) - 1:10.892
10) Daly (Williams) - 1:10.980

O dia 18 de julho de 1982 estava ensolarado na região de Kent, um tempo perfeito para 115.000 pessoas se deslocarem para o circuito de Brands Hatch e antes dos carros irem à pista, os torcedores viram uma apresentação do famoso caça Harrier, consagrado na recém-terminada Guerra das Malvinas. Porém, o drama começou ainda antes da luz verde. O pole position Keke Rosberg não conseguiu fazer com que seu Williams-Ford funcionasse e o finlandês ficou parado no grid. Lembrando do incidente em Zolder/1981, quando David Luckett foi atropelado por Siegfried Stohr, de sua mesma equipe, os mecânicos da Williams se mostraram reticentes em entrar na pista, mas, desta vez bem sinalizado, Rosberg recebeu o auxílio para seguir os carros na volta de apresentação, mas com a pole perdida e como seus pneus Goodyear se desgastaram em demasia, Rosberg não seria um fator na corrida. Porém, os problemas ainda não haviam terminado.

Repentinamente com uma dobradinha no grid, a Brabham teria chances reais de colocar sua ideia em prática, mas Riccardo Patrese ficou parado no grid na luz verde. Largando na terceira fila, mas no lado onde estava o carro parado de Patrese, René Arnoux não teve reação para desviar da Brabham do italiano e acabou batendo na traseira de Patrese, mas, felizmente, de forma menos contundente que no incidente que matou Riccardo Paletti em Montreal. Para estragar ainda mais o final de semana da Renault, Alain Prost conseguiu evitar o acidente, mas ao passar pela grama, entortou uma saia e sua corrida seria afetada decisivamente. Com muita facilidade, Piquet assumiu a ponta, com Lauda, que largava na terceira fila, logo atrás de Piquet, em segundo. Quem havia largado nas posições ímpares se deu muito bem, como Elio de Angelis, em quarto depois de largar em sétimo. Porém, os acidentes não paravam. Chico Serra fazia sua melhor corrida na F1 e em três voltas o brasileiro da equipe Fittipaldi havia pulado de 21º para 12º, mas infelizmente Serra acabaria se envolvendo num acidente em que capotou seu carro duas vezes, mas felizmente o paulistano estava ileso. Para evitar o acidente logo à sua frente, o então líder do campeonato John Watson acabou rodando e deixando o seu carro morrer, vendo sua corrida caseira terminar de forma repentina.

Segundo os cálculos da Brabham, Piquet teria que abrir algo em torno de 30s do segundo colocado até a 40º volta, logo após a metade da prova, para voltar ainda em primeiro. Nelson Piquet fazia seu papel. Abrindo algo em torno de 1.5s de vantagem sobre Lauda, o brasileiro tinha 10.54s de vantagem sobre o piloto da McLaren no final da oitava volta, mas para desespero de Nelson Piquet, uma falha simples (a correia que aciona a bomba injetora de combustível havia se soltado) fez com que o brasileiro abandonasse na volta seguinte, quando já tinha incríveis 12s. “Senti um frio na espinha de raiva”, falou Piquet depois. Lauda assumia a ponta com enorme facilidade, pois Pironi não tinha um carro tão bom como em Zandvoort e não ameaçava, mas com Watson sem marcar pontos, o francês da Ferrari não tinha do que reclamar.

Porém, o nome da corrida naquela primeira metade de corrida era Derek Warwick. A Toleman havia resolvido não participar das duas corridas na América do Norte para tentar acertar seu problemático carro e o ainda mais problemático motor Hart turbo. Correndo em casa, o inglês Derek Warwick, o maior rival de Piquet nos tempos de F3, fazia a corrida de sua vida até então e após ultrapassar quem via pela frente, o piloto da Toleman surpreendia ao assumir a segunda posição ainda na 24º volta, após largar em 16º. Pironi e De Angelis corriam próximo do inglês, quando para desencanto da torcida local, Warwick abandonou tristemente na 40º volta com problemas mecânicos. Com Lauda disparado na frente, a corrida se tornou monótona, pois Pironi conseguiu abrir boa vantagem sobre Elio de Angelis, mas o italiano teria problemas com seus pneus Goodyear e permitiu a aproximação da segunda Ferrari de Patrick Tambay. O francês havia largado mal e perdera muitas posições, mas iniciara uma ótima corrida de recuperação e permitiu a Tambay a efetuar uma emocionante ultrapassagem sobre a Lotus de De Angelis na última volta, permitindo-lhe conquistar seu primeiro pódio na F1. Niki Lauda estava mais do que acostumado com os pódios e vencia pela 19º vez na F1, se tornando o quarto piloto mais vitorioso na história da categoria. Porém, o que ficaria para a história seria a tentativa da Brabham em efetuar um pit-stop programado, mudando para sempre a face das corridas de F1 nos anos seguintes.

Chegada:
1) Lauda
2) Pironi
3) Tambay
4) De Angelis
5) Daly
6) Prost 


domingo, 15 de julho de 2012

A volta de Lorenzo

O fato da transmissão da TV ter mostrado vários replays da largada bem no meio da corrida mostra bem o quão chata foi a corrida em Mugello da MotoGP. Apesar da tentativa da Dorna em melhorar o espetáculo ao encher o grid com motos CRT, bem mais lentas que as protótipos, as corridas da MotoGP em 2012 estão deixando muito a desejar e com um campeonato que se encaminha facilmente para as mãos de Jorge Lorenzo, vencedor inconteste de hoje, ao contrário da F1, a MotoGP não vive um ano muito positivo em 2012.

Porém, Jorge Lorenzo e a Yamaha nada tem a ver com os problemas gerais da MotoGP e venceram com extrema tranquilidade no bonito e veloz circuito italiano de Mugello. Mesmo largando em segundo, Lorenzo esperou apenas a primeira curva para deixar seu eterno rival Daniel Pedrosa para trás e liderar até a bandeirada, disparando novamente no campeonato de pilotos. Lorenzo foi um verdadeiro relógio em Mugello e como os pneus foram um problema, o espanhol da Yamaha ainda se deu o luxo de diminuir o ritmo e dar tchauzinhos na última volta. A vitória de Lorenzo o coloca cada vez mais próximo do seu segundo título mundial da MotoGP. Dani Pedrosa chegou a ser ultrapassado por Andrea Doviziozo ainda na primeira volta, mas nem se tivesse ficado à frente do italiano, o espanhol da Honda teria ritmo para acompanhar Lorenzo, mas Pedrosa, com o contrato renovado por mais dois anos, experimente a partir de agora o status de piloto número um da Honda.

Casey Stoner fez uma corrida para esquecer em Mugello, onde não conseguiu acompanhar seus rivais espanhóis, largou mal e ainda saiu da pista, terminando a corrida apenas em oitavo. Desde que anunciou sua aposentadoria precoce, Stoner mais reclama do que corre, tornando-se um piloto tenso, como na trombada em que deu em Álvaro Bautista para realizar uma ultrapassagem. Andrea Doviziozo completou o pódio mais uma vez e foi a estrela em casa, mesmo com a melhor corrida da Ducati e de Valentino Rossi no seco este ano. Dovi está cada dia mais próximo de ser companheiro de equipe de Lorenzo em 2013, já que Spies fez outra corrida medonha, onde passou boa parte da corrida atrás da CRT (!) de Randy de Puniet.

A MotoGP segue para Laguna Seca, a pista mais espetacular do calendário, mas as corridas deste ano estão longe de serem espetaculares, mas Jorge Lorenzo, mais líder do que nunca, não tem nada do que reclamar.

sábado, 14 de julho de 2012

História: 15 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1997

O empolgante campeonato de 1997 chegava à Grã-Bretanha para mais uma etapa da luta épica entre Michael Schumacher e Jacques Villeneuve, com o alemão se aproveitando dos erros e azares do piloto da Williams para liderar o campeonato com uma certa folga, mesmo a Ferrari não sendo o melhor carro do ano, claramente inferior à Williams de Villeneuve. Como nos seus tempos de Benetton, Schumacher tirava no braço a diferença que tinha para seus adversários melhor equipados. As duas boas corridas de Alexander Wurz pela Benetton fez com que várias equipes se interessassem pelo jovem austríaco, mas com a recuperação de Gerhard Berger para a prova seguinte, em Hockenheim, esta seria a última corrida de Wurz em 1997.

Desde a vitória na primeira corrida do ano em Melbourne, a McLaren vinha apresentando altos e baixos durante a temporada, liderado por David Coulthard. Porém, em Silverstone, era Mika Hakkinen que vinha sendo um dos destaques do final de semana e mostrando a força do motor Mercedes, liderava com folga a Classificação a ponto de, ainda faltando 18 minutos para o fim do treino, brincar com o diretor esportivo da empresa, Norbert Haug. Mas como se diz no esporte, tudo só acaba quando termina, a brincadeira de Hakkinen aconteceu cedo demais e ele acabaria ultrapassado pelas duas Williams de Villeneuve e Frentzen no final do treino, frustrando a equipe chefiada por Ron Dennis. A Williams marcava outra dobradinha no ano, mas Frentzen não estava muito feliz, pois estava mais rápido do que o companheiro de equipe durante sua volta, mas cometeria um pequeno erro. Lá atrás, Rubens Barrichello passava por um calvário com seu Stewart, mais particularmente com seu motor Ford. O brasileiro teve duas quebras de motor em menos de 40 minutos e ainda não havia marcado tempo. No último momento do treino, Rubens pegou o carro do seu companheiro de equipe Jan Magnussen e quando saiu dos boxes, o motor do dinamarquês soltou um enorme rolo de fumaça. Barrichello ainda conseguiu marcar um tempo, mesmo que o deixasse com o pior da Classificação, só ficando à frente do péssimo Norberto Fontana, desclassificado por não ter parado quando foi chamado à balança da FIA no final do treino.   

Grid:
1) Villeneuve (Williams) - 1:21.598
2) Frentzen (Williams) - 1:21.732
3) Hakkinen (McLaren) - 1:21.797
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:21.977
5) R.Schumacher (Jordan)  -1:22.277
6) Coulthard (McLaren) - 1:22.279
7) Irvine (Ferrari) - 1:22.342
8) Wurz (Benetton) - 1:22.344
9) Herbert (Sauber) - 1:22.368
10) Fisichella (Jordan) - 1:22.371

O dia 13 de julho de 1997 amanheceu nublado e chuvoso em Silverstone, clima típico britânico, mas bem diferente dos dois anteriores, onde o sol imperou naquela quinhão da Inglaterra. Porém, o tempo melhorou quando se aproximou o warm-up e o sol voltou a aparecer em Silverstone, prometendo uma corrida com pista seca e emocionante, até porque haviam sete carros separados por apenas 0.12s na Classificação. E a primeira ocorrência aconteceria logo na volta de apresentação, quando Heinz-Harald Frentzen deixou seu motor Renault morrer e o alemão da Williams teria que largar atrás de Fontana, no final do grid. No afã de conquistar o maior número de posições possíveis, Frentzen acabaria batendo na Tyrrell de Verstappen ainda na primeira volta e abandonaria tristemente, em outra corrida bem abaixo das expectativas. Na segunda largada, Villeneuve largou bem e manteve na ponta, mas com o buraco da onde deveria estar o carro de Frentzen, Schumacher e Coulthard fizeram largadas relâmpagos, subindo para segundo e terceiro, respectivamente. Porém, na parte de trás do grid, Ukyo Katayama rodava de forma inacreditável, praticamente na reta dos boxes, deixando seu Minardi em lugar perigoso e trazendo o safety-car ainda na primeira volta. Mais uma barbeiragem de Katayama...

Durante os momentos em que o safety-car estava na pista, um fato passou desapercebido pela maioria, mas seria extremamente decisivo no final do campeonato. Se aproveitando de sua experiência prévia atrás do safety-car (ou pace-car, nos EUA), Villeneuve ficou próximo demais do Mercedes da FIA e acabaria punido por isso. Essa seria a primeira punição com sursis para Villeneuve... Quando a relargada foi dada, Villeneuve e Schumacher dispararam frente ao resto do pelotão, com o canadense administrando bem a vantagem para Schummy, enquanto o ferrarista abria em volta de 2s para um problemático David Coulthard, que segurava um enorme pelotão atrás de si. Muito rápido na reta, mas incrivelmente lento nas curvas, o escocês já estava 12s atrás de Schumacher ainda na volta 11, enquanto Hakkinen, seu companheiro de equipe, não conseguia efetuar a ultrapassagem, enquanto um pelotão que ia até o décimo colado estava encaixotado atrás da McLaren do escocês. Schumacher fez sua primeira parada na volta 20 e estava tão à frente de Coulthard, que voltou confortavelmente em segundo, após um trabalho perfeito da Ferrari. Para quem não se lembra, a Williams era conhecida por fazer pit-stops erráticos, principalmente em momentos decisivos. Quando Jacques Villeneuve fez sua parada na volta seguinte, o canadense teve um problema na roda dianteira esquerda, que ficou presa, fazendo com que uma parada que dura em média 7 ou 8s, se transformasse em eternos 33.6s! Villeneuve balançava a cabeça negativamente e esmurrava o volante furioso. O canadense, aparentemente com a corrida perdida, voltava à pista em sétimo.

Na luta pela estratégia, McLaren e Benetton parariam apenas uma vez, diferente do resto. Isso fez com que o lento Coulthard assumisse a segunda posição, enquanto segurava Hakkinen, Alesi e Wurz, estes da Benetton. O ritmo do escocês era tão ruim, que não demorou para Villeneuve encostar no pelotão, mas Coulthard cometeria um erro e Hakkinen assumia o segundo lugar e mesmo 22s atrás de Schumacher, o finlandês se tornou o mais rápido da pista. Quando os pilotos da McLaren e Benetton fizeram suas paradas, Schumacher tinha 30s de vantagem sobre Villeneuve e tinha a expectativa de abrir 18 pontos ou mais frente ao canadense, disparando no Mundial. Um ano antes, a Ferrari abandonava com seus dois carros após apenas sete voltas em Silverstone, mas esse terrível nível de confiabilidade não poderia se repetir. Mas se repetiu! Na volta 36, a imagem mostrava uma pequena fumaça branca saindo da roda traseira da Ferrari do alemão. Na volta seguinte a Ferrari chamou Schumacher para trocar seus pneus e Ross Brawn aproveitou para observar mais de perto a roda traseira esquerda do carro vermelho. O que quer que tenha visto, Brawn fez cara feia e menos de uma volta depois Schumacher entrou nos boxes para abandonar, para incrível frustração dos tifosi, que ficaram ainda mais chateados com o motivo: um cubo de roda, uma das peças mais baratas de um F1, havia se quebrado. Algumas voltas mais tarde, Irvine fez sua segunda parada, mas o irlandês nem chegou à voltar à pista, pois havia quebrado o semi-eixo no pit-lane. A Ferrari fechava suas portas de forma triste em Silverstone.

Porém, havia um alento. Villeneuve não liderava à corrida, pois, com uma parada a menos, Mika Hakkinen se aproximava de sua primeira vitória na F1 em 88 corridas e liderava com certa folga frente ao canadense. Porém, com pneus mais novos e com a mesma carga de combustível, Villeneuve tirava 1s por volta frente a Hakkinen. O canadense encostou em Hakkinen quando faltavam dez voltas para o fim, mas o piloto da McLaren controlava a corrida e Villeneuve não parecia ter folego para ultrapassar Mika, mas o forte motor Mercedes, o mais potente da F1 há quinze anos atrás, pregou uma peça em Hakkinen quando faltavam sete voltas para o fim e Hakkinen abandonaria tristemente mais uma vez, entregando a corrida no colo de Villeneuve. Mais atrás, Alexander Wurz fazia uma corrida impecável. Perdendo a posição para Alesi nas primeiras voltas, o jovem austríaco preferiu ficar atrás do companheiro de equipe e com todos os abandonos, Wurz conseguia seu primeiro pódio na carreira. Para quem via esse desempenho, todos pensavam que Wurz poderia ser um dos grandes da F1 nos anos seguintes. Ledo engano. Mais atrás, a torcida inglesa vibrou de alegria quando o motor de Shinji Nakano quebrou nas últimas voltas, permitindo a Damon Hill marcar seu primeiro ponto como defensor de campeonato. Tanto Hill como a torcida presente em Silverstone vibraram como se fosse uma vitória! Mas o verdadeiro vencedor desta corrida foi mesmo Villeneuve, que após tantos azares nas provas anteriores, se aproveitou do azar do seu principal rival do campeonato para conquistar a centésima vitória da Williams na F1.

Chegada:
1) Villeneuve
2) Alesi
3) Wurz
4) Coulthard
5) R.Schumacher
6) Hill

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fator Maria

Passado mais de uma semana após o grave acidente de Maria de Villota, irei falar sobre este polêmico acidente quando a poeira baixou e a espanhola, mesmo com a perda do olho direito (ou vista...?), deverá continuar sua vida dentro de uma certa normalidade. Por ter acontecido durante um obscuro teste aerodinâmico de uma pequena equipe numa base aérea inglesa com uma piloto novata, o acidente não teve tanta cobertura assim da mídia, mas esse grave acidente levantou duas grandes polêmicas.

Quando a F1 testava indiscriminadamente até 2007, os custos estavam estrangulando a categoria aos poucos. As equipes tinham times de testes até mesmo maiores que eles levavam para as corridas. A Ferrari chegou a testar com quatro carros em três pistas diferentes e isso, definitivamente, não era barato. Para tentar diminuir os custos cada vez mais exorbitantes, a FIA radicalizou e extinguiu os testes no meio da temporada. Não sou muito fã dessa decisão, mas não podemos voltar aos tempos de esbanjação de cinco anos atrás, principalmente numa crise tão forte como a atual. Porém, a FIA permitiu que os times realizassem testes aerodinâmicos, em linha reta, durante o ano. Claro que as equipes aproveitaram, mas em nenhum momento a FIA disse que as equipes estavam proibidas de irem a autódromos. É totalmente inexplicável o motivo de equipes, principalmente as pequenas, utilizarem bases aéreas ou pequenos aeroportos para realizarem esses testes em linha reta. Logisticamente falando, acho que dá na mesma ir a um circuito, mesmo pequeno, ou ir a uma base aérea nos confins da Inglaterra. Ou seja, no lugar de muitos apontarem o dedo para a FIA, é muito melhor fiscalizar os procedimentos das equipes, pois essa economia, que não parece ser tão grande assim, não valeu a pena.

Outro ponto é a própria Maria de Villota. A espanhola está há anos militando em categorias de monoposto, onde nunca conseguiu o mínimo destaque, subindo na escada do automobilismo apenas pelos patrocinadores que carrega consigo. Conseguiu a vaga de piloto de testes na Marussia após uma pequena experiência na Renault em 2010, mas a realidade era que Maria não conseguiu a vaga na base do seu desempenho na pista em outras categorias e por mais cruel que possa parecer, o bizarro acidente pode levar como resultado um erro da piloto, que teria se atrapalhado com os fartos botões do volante da Marussia. Por mais que esteja lento, um F1 pode se tornar perigoso por a cabeça do piloto estar exposta e no caso de Maria, ele teria acionado a embreagem por falta de conhecimento e fez seu carro atingir a porta de um caminhão de apoio, a deixando gravemente ferida e com a vista danificada definitivamente. A crise econômica pode fazer com que pilotos sem condições de estar na F1, mas com muito dinheiro no bolso, entrarem na categoria e se envolver em acidentes, bestas, assim. É preciso cuidado para quando colocar um piloto num cockpit da F1 e esse acidente pode ter mostrado isso da pior maneira possível. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Abre o olho, Power


Ryan Hunter-Reay já não é mais nenhum garoto. Aos 31 anos de idade,
Hunter-Reay passou os últimos dez anos militando pelo automobilismo de
monoposto dos Estados Unidos sem muito sucesso, mesmo sendo
considerado um bom piloto, principalmente em circuitos mistos. Porém,
o norte americano só começou a mostrar seu talento quando foi
contratado pela Andretti em 2010 e ainda assim, somente nesse ano ele
estourou definitivamente. Parecia que Hunter-Reay teria um ano
parecido com os demais, mas quando chegou nos ovais, o piloto da
Andretti conseguiu duas vitórias seguidas em Milwakee e Iowa.

Como os circuitos mistos são seu forte, Ryan foi para Toronto muito
confiante e o americano conseguiu sua terceira vitória consecutiva
nessa temporada, assumindo a liderança do campeonato com certa folga,
se candidatando a favorito ao campeonato. A tradicional prova nas ruas
canadense teve na estratégia um fator importante na maior parte da
prova, principalmente quando uma bandeira amarela bem no meio da
primeira parada estragou a corrida dos então líderes e favoritos Will
Power e Dario Franchitti. Tendo feito sua parada a pouco, Hunter-Reay
assumiu a segunda posição e mesmo pressionado por Tony Kanaan, vinha
forte e se aproximou do surpreendente Simon Pagenaud. Quando a pequena
equipe do francês vacilou na segunda parada, Hunter-Reay assumiu a
liderança de forma definitiva, quando a famosa curva 3 de Toronto
começou a dar as caras.

Bandeiras amarelas sucessivas marcaram o fim da corrida, mas não nem
as relargadas foram capazes de tirar a liderança de Hunter-Reay, que
liderou com tranqüilidade até a bandeirada, seguido pelos
surpreendentes Charlie Kimball e Mike Conway, sobreviventes das
confusões que se sucederam às bandeiras amarelas. Nas corridas
americanas, há uma frase que diz que bandeira amarela chama bandeira
amarela e foi isso que se sucedeu, principalmente na forte e
traiçoeira freada da curva 3, onde aconteceu de tudo. Franchitti,
Pagenaud, Briscoe... vários pilotos bateram nessa curva, ajudando à
zebras subirem de posições. Kanaan vinha colado em Hunter-Reay, mas a
KV errou novamente na estratégia e o baiano teve que abrandar o ritmo
para chegar até o fim sem reabastecer, mas as bandeiras amarelas no fim fizeram com
que Tony retomasse algumas posições e terminou em quarto, sem fazer
uma última parada, algo que Barrichello não escapou, enquanto
Castroneves estava no mesmo pelotão de Power e Franchitti, ficando no
meio do pelotão após a primeira bandeira amarela. Nesse momento,
Luciano do Valle anunciou que Helinho se beneficiaria da bandeira
amarela, mesmo quando estava claro que era exatamente o contrário!
Ainda na transmissão da Band, Bia Figueiredo bem que podia ficar nos
comentários no lugar de se arrastar na Indy. Deu um show de
comentários!

Hunter-Reay derrotou Power no seu tipo de circuito favorito e agora
lidera o campeonato com mais de 30 pontos na frente do australiano,
que errou durante a sua tentativa de corrida de recuperação e acabou
batendo, ficando mais para trás. Depois de anos de anonimato e uma má
fase da Andretti, Hunter-Reay pode estar conseguindo finalmente a sua
glória!

Reviravolta

Nada como um dia após o outro. Essa frase pode ser velha e até mesmo
ser considerada clichê, mas resume bem o que aconteceu no último
domingo na MotoGP. Após seu acidente na primeira curva em Assen,
semana passada, Jorge Lorenzo tinha seu campeonato seriamente ameaçado
e com a força da Honda e de Casey Stoner, naquela situação empatado
com ele, via seu favoritismo ir para o espaço. Contudo, tudo mudou
dramaticamente na Alemanha, quando Stoner caiu na última volta e
Lorenzo, conformado com um triste terceiro lugar que lhe faria perder
a liderança do campeonato pela primeira vez este ano, subia para
segundo na prova e se mantinha não apenas na ponta do campeonato, como
com uma confortável vantagem para o novo vice, o seu tradicional
freguês Daniel Pedrosa, vencedor pela terceira vez consecutiva em
Sachsering.

A corrida na antiga Alemanha Oriental teve uma surpreendente briga
entre os dois pilotos da Repsol Honda, com Pedrosa subjugando Stoner.
Até domingo, era comum Pedrosa largar muito bem, mas ser ultrapassado
ora por Stoner, ora por Lorenzo. Ou por ambos! Porém, após ser
ultrapassado ainda na segunda volta pelo companheiro de equipe,
Pedrosa se manteve no encalço de Stoner e o perseguiu até
ultrapassá-lo nas voltas finais. O espanhol da Repsol Honda deu o
bote, mas era esperado o troco de Stoner a qualquer momento, ainda
mais na última volta, quando daria um golpe no frágil psicológico de
Pedrosa. Porém, foi Stoner que viu seu psicológico levar uma cajadada
ao escorregar já nas últimas curvas, deixando a vitória fácil para
Pedrosa, mas quem saiu mais lucrando com tudo isso foi mesmo Lorenzo.
Com o tornozelo inchado ainda pelo incidente na Holanda, Lorenzo não
tinha a mínima condição de brigar pela vitória e se manter na ponta do
campeonato, mas com a queda de Stoner, o espanhol da Yamaha não apenas
se manteve na ponta, como abriu 14 pontos para o novo vice-líder,
Pedrosa.

Resta ver como Stoner se recuperará desse enorme revés já nesse
domingo em Mugello, uma pista de alta velocidade, onde a potência da
Honda pode fazer a diferença. Motivado e a ponto de renovar o seu
contrato com a Honda, Daniel Pedrosa pode finalmente brigar pelo
título, podendo ocasionar um racha da Repsol Honda, ajudando bastante
as aspirações de Jorge Lorenzo conquistar seu segundo título.