segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Figurão(ABU): Ferrari

Cinco anos atrás, a Ferrari saiu de Abu Dhabi com Kimi Raikkonen conseguindo apenas uma 12º posição e Giancarlo Fisichella, substituindo o contundido Felipe Massa, em 16º, uma volta atrás. Tinha sido um ano terrível para a Ferrari, com um carro ruim, a não adaptação aos novos regulamentos, a falta de motivação de Kimi Raikkonen e o quase fatal acidente de Felipe Massa. Porém, a expectativa para 2010 era muito boa com a chegada de Fernando Alonso e aquela péssima prova em Abu Dhabi em 2009 estava mais para uma ressaca de um ano ruim. Cinco anos se passaram e a esperada passagem de Alonso na Ferrari não foi a esperada e nenhum título foi conquistado. O espanhol saiu da Ferrari com apenas um nono lugar no mesmo circuito de Abu Dhabi, com Kimi Raikkonen, a grande decepção desse ano, logo atrás, ambos pouco menos de 90s atrás do vencedor e bicampeão Lewis Hamilton. Assim como em 2009, haverá uma mudança de pilotos para a temporada seguinte, com a chegada de Sebastian Vettel e a saída de Alonso, mas a expectativa para 2015 não é tão brilhante como há cinco anos atrás. A diferença entre Mercedes e Ferrari, principalmente o motor, foi gritante e com o congelamento do desenvolvimento dos motores, essa desvantagem tende a ficar no mesmo estágio. A passagem de Alonso trouxe graves problemas políticos dentro do seio da Ferrari a ponto de causar, em um único ano, a saída do quase eterno presidente Luca di Montezemolo, e de dois chefes de equipe. O terceiro, Maurizio Arrivabene, foi vice-presidente de marketing da Philip Morris, significando que o italiano não tem um histórico de pista, assim como o seu antecessor, o breve Marco Mattiacci. Se na saída de Michael Schumacher houve uma certa calmaria pelos lados de Maranello, a saída de Alonso deixou um verdadeiro caos gerencial para Arrivabene consertar, tendo ainda que a Ferrari fazer um bom carro para o próximo ano, algo que faz tempo que não consegue, além de um motor minimamente decente e capaz de brigar com a Mercedes. Será que Sebastian Vettel tem noção do bucho em que está se metendo?

domingo, 23 de novembro de 2014

Com o selo real

A pontuação dobrada foi utilizada pela primeira e, talvez, única vez esse ano devido à polêmica entre os fãs da F1. Mais especificamente esse ano, como poderia se explicar um piloto com pouco mais da metade de vitórias do rival pelo título derrotar um piloto com dez triunfos no ano? Por isso, a torcida estava toda para Lewis Hamilton, que além disso, tem um estilo de pilotagem agressivo e que, literalmente, levanta a torcida. Piloto extremamente talentoso e agressivo, Lewis Hamilton garantiu o seu bicampeonato de forma mais tranquila do que o esperado, conseguindo sua 11º vitória no ano e desempatando com Fernando Alonso como o segundo piloto mais vitorioso em atividade, além de ser o britânico com mais vitória na história da F1 e se tornando uma lenda britânica, como foi enfatizado pelo príncipe Harry, presente no Grande Prêmio de Abu Dhabi e convidado a dizer algumas palavras à Hamilton após a bandeirada.

Como diz a famosa Lei de Murphy, quando é para dar errado, dá tudo errado mesmo. O calvário de Nico Rosberg começou na largada, quando o alemão por muito pouco não perdia a segunda posição para um inspirado Felipe Massa. Agora podendo ditar o ritmo da corrida, Hamilton rapidamente disparou à frente e acabou com a estratégia de Rosberg, que se largasse bem e mantivesse a vantagem da pole, provavelmente dosaria o seu ritmo para que Hamilton fosse atacado pelo Williams de Massa e tentar garantir o resultado que interessava à Rosberg. Hamilton tinha um bom ritmo, abrindo em torno de 3s para Nico quando o alemão perdeu 3s em uma volta. Nico, que tanto sonhou com um problema no carro do companheiro de equipe, viu sua unidade de potência desenvolver um grave problema que não seria mais consertado. Facilmente ultrapassado por Massa, Nico sofreria até a bandeirada. A câmera ao lado do seu capacete mostrava a feição de desespero de Rosberg, que nada podia fazer com um problema que só piorava ao longo da corrida e quando a vaca já tinha ido para o brejo, a própria Mercedes pediu à Nico encostar seu carro, mas o alemão não queria acabar sua magnífica e surpreendente temporada no box. Ele foi até o fim e recebeu a bandeirada uma volta atrás do seu rival. Na ante-sala do pódio, Nico Rosberg fez questão de cumprimentar Hamilton, mesmo com um sorriso amarelo nos lábios. Nico sabe que perdeu uma chance enorme de conquistar seu primeiro título na F1. O alemão chegou a ter 29 pontos de vantagem sobre Hamilton, um piloto notavelmente melhor do que ele, mas no final o talento de Lewis falou mais alto e Rosberg acabou provando um pouco do veneno que o seu 'companheiro' de equipe sentiu em várias provas nesse ano: o azar. O abandono. Os pontos perdidos. Porém, Nico Rosberg foi um grande rival para Hamilton, mas com o inglês agora ainda mais confiante para 2015, será difícil para o alemão segurar um Lewis ainda mais forte.

A corrida de Lewis Hamilton acabou com os problemas de Nico Rosberg. Preocupado com um problema duplo nos seus carros, como aconteceu em Montreal, a Mercedes pediu que Lewis diminuísse seu ritmo e todos os sistemas do seu carro foram rebaixados para que ele apenas terminasse a prova. A emoção que o Galvão quis transmitir nesse corrida foi mais ilusório, pois Hamilton tinha a corrida totalmente sob controle e como se viu, quando quis aumentar um tiquinho a mais seu ritmo, ele era mais rápido do que Massa. O inglês fez uma prova tranquila rumo a bandeirada e estava claramente emocionado no pódio. Ao contrário do que se espera de um inglês, com toda a sua fleuma e frieza, Lewis Hamilton é um piloto emocional dentro e fora das pistas.

Mesmo com Hamilton cuidando ao máximo do seu carro rumo a consagradora vitória que lhe deu o segundo título, não se pode ignorar a belíssima corrida de Felipe Massa, ainda melhor do que a já brilhante corrida em Interlagos. Vendo seu companheiro de equipe largar ainda pior do que Rosberg, Massa passou a perseguir a Mercedes a uma certa distância, mas Felipe estava lá para capitalizar o problema de Rosberg e aproveitando o cuidado de Hamilton, tentou fazer uma pressão no inglês da Mercedes, na esperança de Lewis não querer muito briga numa eventual disputa pelo primeiro lugar no final da prova. Massa garantiu sua melhor posição no ano e fecha a temporada 2014, que muita gente, inclusive eu, dizia que poderia ser uma passagem final numa claudicante Williams, assim como foi Rubens Barrichello, em alta, com uma esperada vitória podendo acontecer a qualquer momento, com a Williams mantendo esse belo momento de 2014, que viu Bottas largar muito mal, mas conseguir facilmente o terceiro lugar na corrida e garantir um ótimo quarto lugar no Mundial de Pilotos para o finlandês, dando um excelente pódio duplo para a Williams. Daniel Ricciardo mostrou que o potencial da Red Bull em Abu Dhabi era enorme ao sair dos boxes, após a Red Bull ser desclassificada no sábado por problemas técnicos, para um ótimo quarto lugar. O australiano, visto até mesmo com certa desconfiança no começo do ano, começa a mostrar que pode ser uma futura estrela da F1 e o carisma de Ricciardo pode fazê-lo também bastante popular. Vettel fez uma estratégia um pouco diferente de Ricciardo, mas o resultado foi o mesmo: ficou atrás do companheiro de equipe. Seb irá para a Ferrari com a pressão de mostrar que seus quatro títulos, muito merecidos, também teve seu dedo e nem tanto as habilidosas mãos de Adryan Newey no projeto da Red Bull dos últimos anos.

Os zerinhos após a prova de Jenson Button meio que entregam que o inglês pode ter se despedido da F1, o que seria uma enorme pena, mas falarei sobre isso em outro momento. A Force India, mesmo sendo o pior carro com motores Mercedes, colocou seus dois pilotos na zona de pontuação sem maiores problemas, mas com o quinto lugar de Button, se manteve em sexto no Mundial de Construtores, o que não é nada mal. A Ferrari teve outra corrida para esquecer e Alonso viu sua despedida da scuderia, que tanto sonhou estar, apenas em nono lugar, com Raikkonen logo atrás. Cinco anos atrás, a Ferrari fazia uma corrida horrível em Abu Dhabi, mas com grandes expectativas com a chegada de Alonso no ano seguinte. Talvez com Vettel chegando, a Ferrari consiga a motivação suficiente para voltar a brigar pelas vitórias. Daniil Kvyat subiu para quarto no grid, mas o russo terá que melhorar bastante seu ritmo de corrida numa equipe como a Red Bull, pois mais uma vez Kvyat largou bem, mas foi perdendo rendimento com o passar do tempo, com o se abandono não sendo possível saber aonde terminaria o jovem russo, enquanto Vergne, ainda na expectativa se será professor de Max Verstappen ano que vem ou será dispensado, fez uma corrida discreta. A Sauber fechou o ano zerada e mais vez esteve longe de tirar o dedo em 2014, enquanto a Lotus finalizou seu também muito ruim ano com Pastor Maldonado estourando espetacularmente o seu motor. Chegando à Abu Dhabi devido a uma vaquinha virtual, a Caterham fez o que dela se espera, mas o novato Will Stevens, na minha opinião, fez mais do que Marcus Ericsson em dezesseis provas...

E assim termina a temporada 2014 da F1. Um ano histórico que se viu de tudo. Tanto pro lado bom, como pro lado ruim. O novo regulamente viu a saída da Red Bull como equipe dominante para o surgimento da Mercedes com um domínio ainda maior, mas se nos quatro anos anteriores a Red Bull também viu o domínio de Sebastian Vettel, esse ano os dois pilotos da Mercedes trouxeram uma grande emoção para o campeonato devido a surpreendente rivalidade entre eles, lembrando os áureos anos de Senna-Prost em 1988 na McLaren, mesmo que muitos puritanos achem isso uma heresia. Também vimos a F1 entrando numa perigosa espiral de gastos que ainda põe seu futuro em cheque e que praticamente custou duas equipes a menos no pelotão, já que só um milagre do tamanho que o Ceará precisa para subir para a Série A em 2015, para a Caterham correr no ano que vem. O pior, porém, foi a F1 ter que conviver com a morte novamente de perto, com Jules Bianchi ainda lutando pela vida, mas com algumas melhoras em seu quadro na última semana. Contudo, 2014 viu o ressurgimento da Williams como uma equipe de ponta, jovens pilotos como Daniel Ricciardo e Valtteri Bottas surgindo com força para os próximos anos e a Mercedes como a grande equipe de hoje e para os próximos anos, com um ainda mais confiante Lewis Hamilton, agora bicampeão mundial, vindo mais forte do que nunca! Que venha logo março de 2015! 

sábado, 22 de novembro de 2014

Primeira lição

Numa situação onde praticamente apenas a vitória interessa, Nico Rosberg começou o Grande Prêmio de Abu Dhabi fazendo dele o que se espera, conquistando a pole position. E hoje, com larga vantagem sobre Hamilton, que teve uma sessão classificatória nervosa e cheia de travadinhas, mas que ainda garantiu o inglês na cômoda primeira fila, justamente o que ele necessita para ser bicampeão amanhã.

O treino no Oriente Médio foi bem típico de 2014, com a Mercedes garantindo a primeira fila, seguido pela Williams e Red Bull. Se Hamilton foi o mais rápido no Q1 e no Q2, Nico deu o troco no Q3, quando importava, ficando com a pole por quase quatro décimos, algo bastante anormal nessa disputa interna da Mercedes. Mesmo tendo bem menos vitórias do que Hamilton, Rosberg tem mais poles do que o rival em 2014, algo bem interessante, vide a principal característica de Hamilton ser a velocidade pura e Rosberg ser mais comedido. Do mesmo jeito da Mercedes, na Williams Felipe Massa foi constantemente mais rápido do que Bottas, mas na volta final, o finlandês deu o bote fatal e superou mais uma vez o brasileiro. Tudo o que Rosberg quer é uma Williams próxima de Hamilton e pelo menos em ritmo de classificação, foi o que aconteceu. Em sua última corrida na Red Bull, Vettel seguiu sua sina em 2014 ao ser superado pelo seu companheiro de equipe Ricciardo, ocorrendo o contrário de Alonso, que se despede da Ferrari errando em sua volta decisiva no Q3 e ficando atrás de Raikkonen, algo incomum nesse ano, mas mostrando o quão foi a escuderia esse ano, os dois campeões fecharam o Q3. Querendo mostrar serviço para permanecer em 2015, Button superou por muito seu companheiro de equipe Kevin Magnussen e foi ao Q3. Se será decisivo para que o inglês seja companheiro de Alonso na McLaren em 2015, não sabemos. Sinceramente, torço para que Button permaneça na F1 em 2015. Sua pilotagem me agrada e Jenson parece ser uma ótima pessoa.

E amanhã será o grande dia de uma temporada que já considero histórica por bons e maus motivos. A criticada regra da pontuação dobrada fez com que a disputa pelo título seja uma briga mano a mano entre Nico e Lewis. Para Hamilton, basta chegar em segundo para ser campeão, uma tarefa até fácil para o carro que tem, mas bastante tensa para o tenso inglês. Não devemos esquecer que suas disputas de título em 2007 e 2008 foram marcadas por erros e tensões e Hamilton não parece nada tranquilo nesse final de semana, algo que Nico Rosberg deixa transparecer e o alemão também não nega que investira pesado nesse lado tenso de Hamilton. Mesmo Abu Dhabi não sendo uma pista emocionante, amanhã tende a ser uma corrida daquelas históricas!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Panca da semana

A F3 realizou sua tradicional visita nesse final de semana à Macau e sua corrida com ares de Mundial da categoria. Numa época nem tão distante assim, vencer em Macau era quase que uma garantia de conseguir um lugar na F1, mas como as equipes de F1 cada vez mais recrutam seus pilotos no kart, a importância de Macau se tornou mais pela tradição do que pela indicação de uma futura estrela da F1. O circuito da Guia é muito conhecido pela enorme e larga reta dos boxes, mas também pelo aperto do resto do circuito. Juntar jovens pilotos de F3 num circuito com tamanha diferença de característica em poucos metros, pode garantir isso:

domingo, 16 de novembro de 2014

Mata-mata ou pontos corridos?

Durante muitos e muitos anos, o Campeonato Brasileiro de futebol foi disputado com regulamentos estapafúrdios, com grupos, fases e um mata-mata final para definir o campeão do ano. Os críticos reclamavam a cada ano em que o regulamento era mostrado e os nossos cartolas inventavam a cada temporada uma fórmula de campeonato mais esdrúxulo. Foram tantos os exemplos de injustiças ao longo dos anos no futebol nacional, que de 2002 para cá, a fórmula dos pontos corridos foi adotado, imitando o que acontecia em todo o mundo, e após doze anos o Campeonato Brasileiro é vencido pelo time com o maior número de pontos ao longo de 38 rodadas. Simples assim.

A Nascar fez o inverso do futebol daqui. Após anos em que o piloto que marcava mais pontos era o campeão, a categoria americana resolveu trazer os play-offs, depois conhecido como 'Chase'. Para quem não lembra, isso aconteceu pelo título de Matt Kenseth em 2003, quando o piloto da Roush venceu apenas uma corrida ao longo da cansativa temporada de 36 corridas, enquanto haviam pilotos como o oitavo colocado Ryan Newman com oito triunfos ao longo do ano. Para a Nascar, o piloto campeão deveria ser o que tinha o maior número de vitórias do ano e, se possível, garantindo o título na última corrida do ano. E assim as dez últimas corridas da temporada da Sprint Cup eram decisivas para definir o campeão. Porém, desde então a Nascar perdeu completamente a mão do seu novo formato de play-offs, com todo o ano se mudando a fórmula de disputa e talvez se 'inspirando' nos cartolas do futebol brasileiro nas décadas de 70 e 80, tornando a decisão mais complicada de se entender para os torcedores. Em 2014, uma complicadíssima fórmula de disputa trouxe uma espécie de 'quartas-de-final', 'semifinal' e uma super final com quatro pilotos disputando o título na última corrida, onde quem chega na frente, vence o campeonato.

Nesse domingo em Homestead, os quatro postulantes ao títulos eram Kevin Harvick, Danny Hamlin, Joey Logano e Ryan Newman. Os quatro nunca haviam vencido o título da Sprint Cup, com Hamlin tendo ficado mais perto, com o vice-campeonato de 2010. Outro detalhe era que Newman, o grande exemplo de 2003 para que a Nascar mudasse o seu regulamento, chegava à corrida final com... nenhuma vitória! E poderia ser campeão assim! Contudo, numa prova tensa, onde muitas bandeiras amarelas ocorreram justamente nas voltas finais, Kevin Harvick se sagrou campeão pela primeira vez com uma vitória, derrotando justamente Newman na última relargada quando faltavam três voltas. Foi a segunda vitória consecutiva para Harvick e a quinta no ano. O piloto que fará 39 anos no próximo mês esperou catorze anos na Sprint Cup para conquistar seu primeiro campeonato, sendo sempre um piloto de ponta e protagonista de uma das boas histórias do automobilismo. Harvick era o piloto júnior da equipe de Richard Childress em 2001 e cotado como o substituto do ídolo Dale Earnhardt quando esse se aposentasse. Porém, quando o 'Intimidador' morreu na primeira corrida do ano em Daytona, Harvick foi alçado para correr no mesmo carro de Earnhardt, só mudando o mítico 3 para 29, com o qual Harvick correu até o ano passado. Apenas três semanas mais tarde, Harvick venceria em Atlanta com uma diferença mínima, numa das corridas mais emocionantes da história da Nascar. Para quem está habituado à F1, seria o mesmo que David Coulthard, que substituiu Senna após o trágico 1º de maio de 1994, pegasse o carro do brasileiro e vencesse três provas mais tarde...

A Nascar chega ao fim do seu campeonato recheado de problemas com seus pilotos extra-pista (o atropelamento de Tony Stewart que matou um piloto de 20 anos e o caso de agressão à namorada de Kurt Busch) e um regulamento de difícil compreensão para os fãs, que deixou outros 39 pilotos na pista sem motivação nenhuma, pois eles não brigariam por mais nada na prova final, além do que, a Nascar escapou de mais polêmicas nesse final. Na entrevista de pós-corrida, Newman não escondeu que pensou em acertar Harvick nas voltas finais, algo que Newman fez na penúltima etapa em Phoenix para garantir seu lugar entre os quatro postulantes ao título em Homestead. Numa das últimas paradas, Joey Logano, que vinha sempre entre os primeiros, viu o macaco da equipe Penske quebrar e com isso Logano, que fez uma temporada brilhante, viu seu sonho de título acabar devido a um problema totalmente alheio. Foram várias as injustiças devido a esse formato de campeonato que vale a pergunta à Nascar: será que não seria melhor voltar ao velho, bom e confiável sistema de pontos corridos? Porém, Kevin Harvick não tem nada com isso e como ele mesmo falou, não dormirá por uma semana comemorando o seu tão sonhado título!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O estapeado

Foram 37 Grandes Prêmios, 24 largadas e apenas três pontos na carreira. Além da F1, esse chileno passou pela Indy, Mundial de Marcas, American Le Mans Series e rali. Com passagens totalmente sem brilho. E assim foi a carreira de Eliseo Salazar, que completa 60 anos no dia de hoje e cujo momento de glória e resumo da carreira pode ser visto no vídeo abaixo.

Conta a lenda que após esse episódio, em Hockenheim/82, houve outro fato extremamente impagável, mas que infelizmente não foi captado pelas câmeras de TV. Após a corrida, um carro-vassoura foi atrás de todos os carros acidentados, assim como seus respectivos pilotos. Piquet via se aproximar a kombi da organização, quando deu de cara com um Salazar todo acabrunhado no bando de trás. Ainda irritado, Piquet simplesmente expulsou o motorista da kombi e Salazar, pegou o volante da velha kombi e voltou aos boxes sozinho, deixando os demais pilotos esperando outra carona. Antes desse episódio, conta-se que Salazar e Piquet se davam bem, inclusive com o brasileiro fazendo do chileno uma espécie de pupilo. Após a presepada, Eliseo Salazar sempre serviu de exemplo para Piquet, de como vários pilotos ruins conseguem chegar à F1... Muitos anos mais tarde, a BMW confessou a Piquet que o seu motor naquele dia estava prestes a explodir e que Salazar 'salvou' a montadora bávara do vexame de ver o motor explodir em casa e na liderança. Pouco tempo depois, num programa de TV, Piquet e Salazar meio que fizeram às pazes, mas o chileno continua até hoje sendo mais conhecido por ter levados uns tapas de Nelson Piquet. E Piquet ainda se refere a Salazar como um dos piores pilotos da história da F1...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Enquanto isso no domingo...

No mesmo final de semana do agitado, dentro e, principalmente, fora das pistas, do Grande Prêmio do Brasil de F1, o Mundial de Motovelocidade encerrava sua temporada 2014 em Valencia, onde a única pendência era mesmo o campeão da Moto3, que ficou nas mãos de Alex Márquez, irmão mais novo de Marc.

Na MotoGP, Marc garantiu outro recorde ao conquistar sua 13º vitória na temporada, quebrando um recorde de dezessete anos de Michael Doohan, se tornando o piloto com o maior número de vitórias num ano. Se em 2013 Marc Márquez viu seus principais adversários (Jorge Lorenzo e Daniel Pedrosa) se machucando gravemente, neste ano o jovem espanhol da Honda confirmou todo o seu talento e conseguiu o bicampeonato de forma arrasadora, com todos os seus rivais bem de saúde, mas desta vez Marc teve em um inspirado Valentino Rossi como grande rival. Já contando com 35 anos e com sete títulos só na categoria premier, Rossi fez um ano espetacular em 2014, derrotando com alguma sobra seu companheiro de equipe Jorge Lorenzo, que fez uma aposta arriscadíssima em Valencia ao trocar sua moto acertada para piso molhado quando mal garoava em Valencia. Mais forte e com mais moral, Rossi poderá ter mais voz na construção da Yamaha M1 de 2015, enquanto Lorenzo, ainda pilotando de forma fenomenal, mas sem a regularidade dos últimos anos, terá que correr atrás.

Mesmo com a mesma moto do campeão dominante do ano, Daniel Pedrosa foi apenas quarto colocado no Mundial com uma única vitória. Dani viu três companheiros de equipes sendo campeão, viu a Honda forçar a Dorna mudar o regulamento de 1000cc para 800cc anos atrás por causa dele e até agora Pedrosa não mostrou a que veio na MotoGP, mesmo sendo considerado um piloto muito rápido, além de fortíssimo quando corre isolado. Em Valencia, Pedrosa foi extremamente discreto, como foi ao longo de 2014, mas mostrando que deve ter o melhor empresário de todos os tempos no Mundial de Motovelocidade, Pedrosa teve seu contrato com a Repsol Honda renovado e 2015 irá para a sua décima temporada consecutiva com a Honda oficial de fábrica. Falando em fábrica, a equipe oficial da Ducati teve outro ano sem vitória e longe de conquistar isso, só garantindo boas posições no grid pela escolha de usar o regulamento aberto e garantir pneus mais macios. Doviziozo, que parece relegado a sempre lutar com motos inferiores em sua carreira, conseguiu alguns pódios e mostrou que é um dos melhores pilotos do pelotão, enquanto Cal Cruthlow foi uma enorme decepção a ponto de ser dispensado do seu contrato ainda faltando um ano. E para 2015, a MotoGP ainda terá a volta da Suzuki, que há muito tempo se prepara para esse retorno.

Nas categorias intermediárias, Tito Rabat dominou inteiramente a Moto2, juntamente com a sua equipe, a Marc VDS, que no próximo ano terá equipes nas três categorias do Mundial. Porém, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos vinte anos, Rabat preferiu ficar outro ano na Moto2 para defender seu título na mesma equipe, pensando em MotoGP mais à frente. Decisão perigosa, pois qualquer resultado menor do que o título em 2015 será fracasso para Rabat, que terá ao seu lado o campeão da Moto3 Alex Márquez, um piloto não tão brilhante quanto o irmão, mas que também mostrou qualidades em derrotar o australiano Jack Miller, considerado o novo fenômeno australiano e por isso pulou direto para a MotoGP com o apoio da Honda. 

E novamente com três campeões espanhóis, o Mundial de Motovelocidade encerrou mais uma temporada com a perspectiva de outra ótima temporada em 2015, onde pilotos já históricos, Marc Márquez, Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, se enfrentem de igual para igual no próximo ano.