domingo, 14 de junho de 2015

Jardim verde

A F1 pensou em voltar com reabastecimento para os próximos anos, mas a experiência prévia fez com que as equipes desistissem da ideia. Por enquanto. A F1 nunca conseguiu ter corridas com estratégias dinâmicas como acontece na Indy, onde uma bandeira amarela na hora certa e estar nos boxes na momento correto, pode fazer toda a diferença para você ganhar ou perder uma corrida.

Josef Newgarden passou boa parte da prova no pelotão intermediário após largar em 11º, atrás até mesmo do seu companheiro de equipe, o italiano Luca Filippi. Ao contrário do imaginado, a pista molhada não trouxe uma sucessão de bandeiras amarelas no começo da corrida, mas quando ela veio por causa de um incidente com James Jakes, a cara da prova em Toronto mudou radicalmente. Até o momento, a corrida era dominada (oh novidade!) pela Penske, com Will Power e Simon Pagenaud brigando pela ponta até mesmo de forma agressiva. O australiano estava claramente com um acerto para pista molhada, pois quando teve pneus para pista molhada, dominou a prova, mas quando, ainda na décima volta, os pilotos colocaram pneus slicks, Power perdeu rendimento e foi atacado por Pagenaud. Quando o pano amarelo foi acenado em toda a pista, Newgarden e Carlos Muñoz estavam fazendo a suas respectivas segunda parada. E se colocaram na briga pela vitória.

Fazendo uma corrida discreta, Helio Castroneves arriscou e ficou na pista. Havia previsão de chuva e o céu carrancudo de Toronto podia trazer chuva a qualquer momento. Porém, a chuva não veio, mas com pista livre, Castroneves acelerou o que pôde e ganhou bastante tempo para o pelotão intermediário. Não houve muitas bandeiras amarelas até o final da prova, que por isso foi até rápida. Newgarden manteve um ritmo forte e quando fez sua segunda parada, estava em primeiro, sendo escoltado por Filippi, seu companheiro de equipe da CFH. Atrás deles, após fazer sua última parada faltando poucas voltas, vinha Helio Catroneves, pressionado por Power, que ganhou desempenho na parte final da prova. Muñoz teve problemas mecânicos e não pôde acompanhar Newgarden, com que compartilhava a mesma estratégia. Os quatro correram juntos nas últimas voltas, mas não houve ataque e Newgarden venceu pela segunda vez na temporada.

Numa corrida onde a sorte imperou, os três primeiros conseguiram essas posições devido à isso, com Power sendo o primeiro dos pilotos mais rápidos antes da bandeira amarela. Numa das tentativas de ultrapassar seu companheiro de equipe, Pagenaud acabou errando e perdendo várias posições, terminando fora do top-10. Bourdais chegou a ultrapassar Power nessa confusão, mas quando a força das equipes podia fazer diferença, nos pit-stops, a Penske devolveu a posição para Power, fazendo com que Bourdais ficasse atrás do australiano, mas com uma bela prova. Seguindo estratégia similar à de Castroneves, Tony Kanaan foi o melhor da Ganassi, em sexto.

No campeonato, Juan Pablo Montoya terminou em sétimo, mas vide o colombiano ter tido uma corrida complicada, onde até passou reto no fim da reta oposta, até que os pontos conquistados por Montoya foram de muita valia, pois mesmo tendo ficado atrás de Power, ele segurou Dixon atrás de si. Com suas surpresas ao longo do campeonato, onde a sorte sorri para alguns pilotos e outros não, a Indy vai chegando a sua parte decisiva, com três provas em ovais seguida. Quem se dar bem nesse período, estará com uma mão na taça.

Nada como uma vitória redentora

A grandeza da F1, apesar de muita gente criticar, ficou bem evidenciada nessas 24 Horas de Le Mans de hoje. A grande estrela da vitória da Porsche foi Nico Hulkenberg, primeiro piloto a vencer a mítica prova francesa, correndo na F1 ao mesmo tempo, fato que não acontecia desde 1991, na ocasião, com Johnny Herbert e Bertrand Gachot.

Apesar de achar os carros de Porsche, Audi e Toyota belíssimos, não vou mentir que não sou um grande fã das corridas de Endurance, mesmo sabendo da importância brutal da corrida em Le Mans. O começo da prova (único momento em que assisti, já que esqueci de ver o final...) foi uma amostra do que seria visto no resto do dia na França. Os três carros da Porsche, que dominou a ponta do grid, disputando palmo a palmo com os três carros da Audi a primazia da liderança num ritmo fortíssimo para uma corrida de longa duração. A Toyota, terceira favorita, ficou claramente para trás com relação aos rivais alemães e sonhava com algum erro de Audi ou Porsche para poder brigar por algo mais do que ser sexto colocado. Pior foi a outra japonesa. A Nissan estreou em Le Mans com um carro bem diferente, com motor dianteiro, mas o resultado foi terrível para a marca japonesa, com um carro largando com voltas atrasado e os outros dois tendo vários problemas. Quando a Honda se maldizer na F1, basta lembrar o que a Nissan fez em Le Mans...

Como não poderia deixar de acontecer numa prova tão longa, com uma parte noturna, não faltaram incidentes ao longo do vasto pelotão em Sarthe, mas ainda assim Porsche e Audi brigaram pela vitória. Nas horas finais, Nico Hulkenberg usou seu talento para se sobressair e levou a Porsche para a primeira vitória da marca alemã desde 1998. Foi o 17º triunfo da Porsche em Le Mans, aumentando a sua vantagem como a maior vitoriosa em Le Mans. Quem sorriu bastante foi a VW, com suas duas marcas dominando num dos maiores palcos do automobilismo mundial.

O que chama atenção é que mesmo a Porsche tendo conquistado uma vitória importantíssima em Le Mans, o fato do carro vencedor ter sido guiado por Nico Hulkenberg chama ainda mais atenção, pela escolha do alemão na carreira a partir de agora. Piloto talentoso, mas talvez um pouco demais para a F1, Hulk não teve o apoio necessário para conseguir um bom lugar na F1, onde desde 2010 vem andando por equipes intermediárias. Hulkenberg ficou próximo de um acerto com a Ferrari, inclusive tendo escolhido o número 27 para agradar os fãs da Ferrari e de Gilles Villeneuve, mas no final os italianos preferiram Raikkonen. Isso pareceu abater Nico, que após duas temporadas muito boas, vinha fazendo um 2015 abaixo do seu potencial. Muito se dizia que o bonde do tempo tinha passado para Nico Hulkenberg, mas com essa vitória em Le Mans, todos se perguntam: o que o alemão vai fazer agora?

Conta a lenda que quando foi perguntado sobre o crescimento da Indy no final dos anos 80, Ecclestone desdenhou da categoria. 'Meu segundo piloto fez sua sucesso numa categoria de aposentados', se referindo à Teo Fabi. Olhando de uma outra perspectiva o feito de Hulkenberg de hoje, o fato de um piloto do pelotão intermediário da F1 ter vencido em Le Mans, em sua segunda corrida com o carro, demonstra que o nível do WEC talvez não seja tão alto assim...

Como Nico Hulkenberg é reconhecidamente um piloto talentoso (melhor do que Teo Fabi pelo menos...), há uma grande expectativa do que o alemão irá fazer em 2016. Ficar na Porsche em definitivo e se tornar uma estrela do WEC, ou tentar, novamente, um lugar melhor na F1 e mostrar seu verdadeiro talento num carro competitivo? Raikkonen já está sendo contestado dentro da Ferrari, antigo alvo de Hulk...

Nessa história toda, o que me causa mais estranheza é que os mesmos que criticam os motores híbridos da F1, agora fazem odes à WEC, cujas principais montadoras usam motores... híbridos! Engraçado, não?

Não seria a primeira vez que um grande piloto abandona o sonho da F1 para correr em provas de Endurance e talvez um dos grandes exemplos seja Tom Kristensen, vencedor nova vezes em Le Mans. Se Nico Hulkenberg escolher o WEC e a Porsche, ele pode repetir a trajetória de Kristensen, mas não restam dúvidas que a F1 perderia um grande talento. Resta saber se irão permitir isso!

Mercedes azul

Nas últimas provas, as corridas da MotoGP estão muito parecidas com as da F1. Uma equipe (Mercedes) domina as duas primeiras posições, com um piloto (Hamilton) superior ao companheiro de equipe e mesmo com o esforço desse (Rosberg), a dobradinha normalmente acaba nessa situação. Mesmo não largando na pole, mesmo Rossi ser incomparavelmente mais talentoso, vitorioso e carismático do que Nico Rosberg (é comparar Jesus com Genésio...), Jorge Lorenzo está sendo o Lewis Hamilton da MotoGP e pela primeira vez na carreira conseguiu vencer quatro corridas consecutivas, com direito a 100% de aproveitamento nas voltas lideradas. A Yamaha está sendo a Mercedes da classe rainha do Mundial de Motovelocidade e o título ficará restrito aos seus dois pilotos, com Lorenzo vindo num embalo muito maior do que Rossi, ainda líder por um ponto.

A Suzuki ter conquistado a sua primeira pole em oito anos, com direito a dobradinha no grid (pela primeira vez em 22 anos), foi um fato que chamou a atenção de todos que acompanham a MotoGP, mas todos sabiam que Lorenzo, largando em terceiro, era o grande favorito à vencer a sua corrida caseira, em Barcelona. Largando muito bem, Jorge Lorenzo imediatamente tomou a ponta e só teve trabalho nas voltas iniciais, quando um tresloucado Marc Márquez partiu para cima do compatriota. Acostumado a vencer, Márquez não mediu esforços para atacar Lorenzo e tentar assumir o lugar que ele que é dele, mas uma freada impossível no final da reta oposta significou o segundo 'chão' para o espanhol da Honda, que ficou furioso com o erro. Esse resultado, somado ao desempenho atual da Yamaha, praticamente alijou Márquez da briga pelo terceiro título seguido.

Com Márquez no chão, Jorge Lorenzo ganhou a tranquilidade de sua quarta vitória seguida ali. Como vem acontecendo com frequência desde a nova forma de classificação, Rossi largou do pelotão intermediário, ganhou posições na primeira volta e foi ultrapassando quem via pela frente até a corrida assentar. E quando a poeira baixou, Rossi estava 2.5s atrás de Lorenzo e um esforço brutal do italiano baixou a diferença para meros oito décimos na bandeirada, mas era nítido que Lorenzo administrava o final de prova. Ainda líder do campeonato, Rossi não é burro que, se quiser 'la décima', precisa acabar com o domínio de Lorenzo, já que a Yamaha está na liderança sozinha na MotoGP. A Honda tomar 17s da rival Yamaha é o mesmo que a Ferrari tomar 40s da Mercedes. Mais um ponto idêntico da MotoGP e a F1. Porém, houve festa no box de Pedrosa. Com a sua vaga em prêmio, ainda mais com a possível volta de Casey Stoner para a MotoGP, Pedrosa fez uma operação em seu ante-braço, o deixando algumas corridas de fora do campeonato. Atropelado por Márquez, Pedrosa aproveitou-se da acidentada corrida em Barcelona para garantiu o seu 95º pódio na carreira, mas dentro da Honda há a clara sensação que 2015 já acabou, restando à marca testar nesse resto de temporada, para construir a moto de 2016.

Foi uma corrida longe das emocionantes provas da MotoGP. Tirando o domínio da Yamaha, a corrida teve algumas brigas nas posições intermediárias, mas nada demais. Houve muitas quedas, pois além de Márquez, foram ao chãos vários pilotos de ponta, como Doviziozo e o pole Espargaró. Historicamente as provas da MotoGP foram sempre mais emocionantes que as da F1, mas em 2015, com a Yamaha bem superior às rivais e com Lorenzo um passo à frente de Rossi, as corridas dessa temporada estão bem parecidas com as da F1. E ninguém reclama dizendo que há crise na MotoGP...   

sábado, 13 de junho de 2015

O primeiro da Lotus

Se fosse vivo, Robert McGregor Innes Ireland teria completado 85 anos de idade ontem. Mais conhecido na F1 como Innes Ireland, o inglês ficou mais conhecido por ter sido o primeiro a vencer um Grande Prêmio pela equipe oficial da Lotus, no esvaziado Grande Prêmio dos Estados Unidos.

Considerado um 'gentlemen driver', Ireland começou relativamente tarde no automobilismo para valer, já contando com 27 anos de idade em corridas de 'sport cars' na Inglaterra, após servir no exército como paraquedista. Apenas dois anos após sua primeira temporada no automobilismo, Ireland foi contratado por Colin Chapman para a sua neófita equipe de F1 em 1959, garantindo quase que imediatamente um quarto lugar em Zandvoort. Contudo, a menina dos olhos de Chapman era um escocês que se tornaria companheiro de equipe de Ireland na Lotus em 1960: Jim Clark.

De temperamento difícil, mas amante das grandes festas que aconteciam na F1 naqueles tempos românticos, Innes Ireland não gostava muito do estreito relacionamento entre seu patrão e seu companheiro de equipe. Após um bom ano em 1960, onde conquistou três pódios e um quarto lugar no Mundial de F1, Ireland foi relegado definitivamente como segundo piloto da Lotus em 1961, mesmo sendo tão rápido quanto Clark em algumas ocasiões. Na última corrida daquela temporada, ainda em luto pela morte de Von Trips, a Ferrari decidiu não participar da corrida, mas nem assim a vida para Ireland seria fácil. Largando apenas em oitavo na pista de Watkins Glen, Ireland se utilizou de uma ótima largada para subir para quarto, escapou de uma rodada que quase arruinou sua prova e esperou as quebras de Jack Brabham e Stirling Moss, líderes incontestes da corrida, para vencer pela única vez na F1.

'Tive muita sorte', assim resumiu Innes Ireland sobre a sua vitória nos EUA, pois ele próprio sabia que não tinha como alcançar Brabham e Moss. Aquela era a primeira vitória do Team Lotus, mas não de um carro Lotus, pois Moss havia vencido em Mônaco com um carro projetado por Colin Chapman, mas correndo pela equipe de Rob Walker. Porém, nem a primazia de ter dado a primeira vitória à Colin Chapman salvou o emprego do inglês. Já incompatibilizado com Chapman e Clark, Ireland foi dispensado no final de 1961 da Lotus e até 1966 correu em equipes pequenas, não conseguindo resultados consistentes. Curiosamente, Ireland correu quase o tempo todo com carros clientes da Lotus. Após participar das 500 Milhas de Daytona de 1967, Ireland passou a escrever para revistas de automobilismo, além de participar de eventos de carros de corrida históricos. Innes trabalhou até sua morte, em 22 de outubro de 1993, aos 63 anos.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

História: 10 anos do Grande Prêmio do Canadá de 2005

Pelo o que vinha acontecendo na temporada 2005, apenas Renault e McLaren, pelo menos em condições normais, eram os favoritos para vencer em Montreal, o problema era que dificilmente a prova canadense era normal, com a chuva podendo aparecer, fora as constantes entradas do safety-car. Como o circuito Gilles Villeneuve tem pouco downforce, mas freadas fortes, os freios sofreriam bastante, além dos motores, pois a maioria das equipes iriam para a o Canadá com o mesmo motor de Nürburgring. Quando se podia testar à vontade, as equipes foram testar as condições de pouco downforce e freadas fortes em Silverstone e Monza, com a McLaren liderando os três dias na Inglaterra, enquanto a BAR liderou o primeiro dia em Monza, com a Ferrari ficando na ponta nos dois dias seguintes.

Os treinos livres foram dominados, como esperado, por Renault e McLaren, mas na classificação, quando ainda se treinava com a mesma quantidade de combustível com que os pilotos iriam largar, Jenson Button causou a grande surpresa do dia ao ficar com a pole, apenas algumas semanas depois da desclassificação da BAR em Ímola e a posterior suspensão da equipe. Para completar a surpresa, Michael Schumacher completou a primeira fila, com Fernando Alonso ficando com a terceira posição, sendo o primeiro dos favoritos. As outras surpresas eram o oitavo lugar de Villeneuve e um impressionante 15º da Minardi de Albers, enquanto a Williams decepcionou ao ficar fora do top-10, enquanto a Toyota ficou apenas em nono e décimo. O divórcio entre Williams e BMW se aproximava e com isso, o desempenho da equipe caía cada vez mais...

Grid:
1) Button (BAR) - 1:15.217
2) M.Schumacher (Ferrari) - 1:15.475
3) Alonso (Renault) - 1:15.561
4) Fisichella (Renault) - 1:15.577
5) Montoya (McLaren) - 1:15.669
6) Sato (BAR) - 1:15.729
7) Raikkonen (McLaren) - 1:15.923
8) Villeneuve (Sauber) - 1:16.116
9) Trulli (Toyota) - 1:16.201
10) R.Schumacher (Toyota) - 1:16.362

O dia 12 de junho de 2005 estava quente e úmido em Montreal, mas não havia sol, causando preocupações de que uma pancada de chuva pudesse acontecer a qualquer momento, porém, a meteorologia não previa isso. Desde quando se chamava Benetton, a Renault sempre causou suspeitas pelas suas largadas-relâmpago e em Montreal, os dois carros azuis fizeram uma largada impressionante no apagar das cinco luzes, com Fisichella assumindo a ponta, seguido por Alonso, ambos tendo saindo da segunda fila. Os ocupantes da primeira fila caíram, mas se Button ainda segurou um terceiro lugar, Schumacher caiu para sexto, ficando atrás das duas McLarens, que largaram e muito bem, com Montoya em quarto e Raikkonen logo a seguir.

Quando a poeira assentou, os dois carros da Renault começaram a abrir vantagem sobre Button, que mantinha calmamente as duas McLarens atrás de si. Ainda no começo da corrida, Alonso falou pelo rádio que era mais rápido que Fisichella, claramente pedindo passagem, mas a equipe francesa não lascou para o mundo o infame 'Fernando is fasther than you', e Fisichella permaneceu na ponta por enquanto. Como era esperado, os ocupantes da primeira fila foram os primeiros a irem aos pits, com Schumacher fazendo sua parada na volta 11 e Button três voltas depois. Ambos, claramente, numa estratégia de três paradas. Sem Button para atrapalhar, os dois carros da McLaren imprimiram um ritmo mais forte e passaram a diminuir a diferença para a dupla da Renault. Enquanto Raikkonen marcava a volta mais rápida na aproximação aos líderes, ficava claro que as duas principais equipes do momento estavam em estratégias idênticas, com Alonso e Montoya parando na volta 24, com Fisichella e Montoya parando pela primeira vez na volta seguinte. Quando o colombiano estava saindo dos pits, ele estava assumindo a segunda posição de Alonso, mas o colombiano cometeu o seu primeiro erro bizarro do dia ao passar pela grama e perder a posição para Alonso que, para seu desespero, continuar em segundo. Mesmo Briatore ser claramente pró-Alonso, o fair-play se mantinha na Renault. 

Porém, não demoraria para Alonso tomar a ponta, quando Fisichella ficou lento pela pista na volta 32 e abandonou com problemas hidráulicos. Assim, o espanhol liderava, mas com os dois carros da McLaren cada vez mais próximos. Contudo, seis voltas após assumir a liderança, Alonso apareceu lento na pista e com uma mancha branca no seu pneu traseiro direito. O espanhol cometeu, praticamente, seu primeiro erro de 2005 e bateu no muro enquanto era perseguido por Montoya, quebrando a sua suspensão e se tornando o segundo líder a abandonar, enquanto a Renault tinha o seu pior final de semana de 2005 em termos de resultado. Montoya tinha 6s de vantagem para Raikkonen, mas o finlandês já se aproximava do seu companheiro de equipe, quando o safety-car deu o ar da graça em Montreal. Button estava em terceiro, fazendo uma corrida agressiva por causa de sua estratégia de três paradas, e ao forçar o ritmo, acabou batendo na zebra na última chicane e o inglês bateu forte no Muro dos Campeões. Button acertou o muro quatro anos antecipado, mas a entrada do safety-car acabou decidindo a corrida. Com a corrida neutralizada, vários pilotos foram aos pits e Montoya acabou se atrapalhando com o rádio na McLaren. Por incrível que pareça, o colombiano fez seu segundo pit-stop atrás de Raikkonen! Provavelmente furioso com a confusão, Montoya saiu dos pits de forma agressiva, ficando logo atrás da Red Bull de David Coulthard. Na época, quando o safety-car estava passando na reta, os pits era fechados, com uma luz vermelha no final do pit. Na confusão que se seguiu, Montoya ignorou a luz vermelha e acabou desclassificado. Se viu ou não o sinal vermelho, esse segundo erro bizarro do dia era outro golpe numa temporada decepcionante de Montoya na McLaren.

Raikkonen assumia a ponta da corrida na relargada, ainda com vinte voltas para o fim, com Schumacher ficando em segundo lugar e com um carro mais leve, tentava se aproximar de Kimi, porém, um dos grandes nomes da corrida era Rubens Barrichello. O brasileiro da Ferrari teve problemas nos treinos e largou dos pits, mas nesse momento já estava em quarto. A temida chuva ameaçou bagunçar a corrida no final, com uma pequena garoa em determinados lugares da pista, mas como o asfalto estava muito quente, as equipes não se mobilizaram para uma troca de pneus. Trulli vinha confortavelmente em tercero e estava pronto para conseguir outro pódio no ano, mas o freio dianteiro direito da Toyota do italiano explodiu espetacularmente na freada da última chicane. Trulli teve habilidade em controlar o seu carro, mas ele teve que abandonar. Schumacher ainda tentou um ataque final em cima de Raikkonen, mas o finlandês tinha a corrida sob controle e venceu novamente, ganhando um pouco de respiro no campeonato. A Ferrari teve um raro bom final de semana com seus dois pilotos no pódio, sendo Barrichello um dos destaques do dia. Na briga pelo quarto lugar, Webber pressionou Massa até a bandeirada, mas o brasileiro segurou muito bem a posição, igualando o seu melhor resultado, obtido em Spa/2004. Ralf Schumacher ainda salvou alguns pontos para a Toyota, enquanto a Red Bull, após uma corrida de altos e baixos, ficou com as últimas posições pontuáveis. E não houve, dez anos atrás, ameaças de Marko ou Horner de abandono da F1 por parte da Red Bul... Tinha sido uma corrida divertida, mas no campeonato, mesmo abandonando, Alonso ainda tinha liderança confortável, enquanto para Raikkonen, a partir daquele momento era vencer ou vencer. A rivalidade entre Alonso e Raikkonen daria o tom do resto da temporada.

Chegada:
1) Raikkonen
2) M.Schumacher
3) Barrichello
4) Massa
5) Webber
6) R.Schumacher
7) Coulthard
8) Klien 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

História: 25 anos do Grande Prêmio do Canadá de 1990

A F1 cruzava o Atlântico para uma série de duas corridas na América do Norte, começando pelo agradável Grande Prêmio do Canadá, que tinha como principal conversa no bastidor a renovação de Ayrton Senna com a McLaren. O brasileiro, considerado o melhor piloto da época, endureceu a renovação com a McLaren, cujo contrato terminava no final de 1990. Também a Williams-Renault estava no jogo, pois a nova parceria queria crescer a partir de 1991 e ter Senna como principal piloto poderia aumentar esse crescimento. Contudo, Senna queria ter o melhor carro em mãos e este era a McLaren-Honda.

A chuva afetou as duas classificações, mas quando houve piso seco, Senna ficou com o melhor tempo, superando por muito pouco o já bastante criticado Gerhard Berger. O austríaco nem de longe fazia uma campanha parecida com o do seu antecessor Alain Prost e Berger dava inúmeras desculpas, como o fato do seu cockpit ser muito apertado para o seu tamanho. Prost iniciava a segunda fila, com os dois Benettos logo atrás. Vencedor em 1989, Thierry Boutsen supera Mansell e talvez usasse isso com trunfo para a sua renovação (ou não) de contrato com a Williams. A Leyton House decepcionou com Mauricio Gugelmin ficando de fora do grid de 26 pilotos.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:20.399
2) Berger (McLaren) - 1:20.465
3) Prost (Ferrari) - 1:20.826
4) Nannini (Benetton) - 1:21.302
5) Piquet (Benetton) - 1:21.568
6) Boutsen (Williams) - 1:21.599
7) Mansell (Ferrari) - 1:21.641
8) Alesi (Tyrrell) - 1:21.748
9) Patrese (Williams) - 1:22.018
10) Modena (Brabham) - 1:22.660

O dia 10 de junho de 1990 amanheceu chuvoso e nublado em Montreal, repetindo de alguma forma o que aconteceu em 1989, quando uma tumultuada corrida aconteceu após muita chuva, em variadas quantidades durante a prova. Porém, o tumulto em 1990 começou com Berger queimando a largada descaradamente, mas o austríaco nem assim assumiu a ponta, com Senna permanecendo em primeiro, seguido pelo seu companheiro de equipe. Prost faz uma largada tenebrosa, caindo de terceiro para sexto. O inverso fez seu compatriota Jean Alesi, pulando de oitavo para quarto, enquanto ficava num sanduíche dos dois carros da Benetton.

Ao contrário de 1989, quando a chuva mais forte veio durante a corrida, a edição de 1990 se provou menos molhada. Enquanto as McLaren disparavam na frente, ficava claro que os pneus slicks seriam usados rapidamente e Patrese é o primeiro a fazer a troca na nona volta, quando o italiano ocupava a nona posição. Nannini posterga ao máximo sua parada, assumindo a ponta, enquanto Senna praticamente cedia sua posição para Berger, pois havia sido anunciado que o austríaco seria penalizado em um minuto pela queima de largada. Sem muita alternativa, a McLaren libera Berger para acelerar o máximo possível pela pista traiçoeira de Montreal, com um trilho seco, mas bastante úmido ao redor desse trilho. Quando o italiano vai aos boxes, retorna em terceiro, enquanto atrás de si Prost, que havia 'ultrapassado' Boutsen nos boxes, era pressionado pelo belga da Williams. Na volta 19, com a pista ainda muito traiçoeira, Boutsen tenta ultrapassar Prost, mas ao colocar seus pneus slicks na parte molhada do asfalto, Thierry perde o controle do seu Williams e bate no retardatário Nicola Larini, da Ligier. Com Nannini tendo que retornar aos boxes para consertar seu Benetton, Senna liderava com mais de 30s em cima de Prost, que via a aproximação de Piquet, após este ultrapassar Mansell no hairpin.

Porém, lá na frente, Berger fazia a corrida de sua vida e tentando tirar a diferença, andava num ritmo alucinante. Até mesmo para Senna! Na volta 22, tentando se recuperar após sua parada não programada, Nannini acaba cometendo o mesmo erro de Boutsen, mas em outro local, e ao tentar fazer uma ultrapassagem, acaba perdendo o controle do seu Benetton e desliza rumo a barreira de pneus. Outro piloto que tentava se recuperar após uma parada, mas programada, muito ruim era Alesi. O jovem francês tentava uma ultrapassagem no mesmo local de Nannini e o resultado foi o mesmo, mas se não fosse a diferença de cinco voltas entre os dois incidentes, poderia ter ocorrido uma tragédia. Nannini saiu do seu Benetton normalmente, mas o carro ficou parado no local. Quando Alesi perdeu o controle do seu Tyrrell, deslizou em alta velocidade e acertou o carro vazio de Nannini em cheio, partindo o Benetton em três! Na metade final da prova, Prost, Piquet e Mansell andavam próximos, mas sem muitas oportunidades de ataque. Porém, na volta 49 Piquet aproveita uma indecisão de Prost com retardatários e ultrapassa o francês no Hairpin, garantindo assim uma dobradinha brasileira. Vendo o mapa da mina à sua frente, Mansell joga qualquer hierarquia da Ferrari pro alto e ultrapassa Prost no Hairpin na volta seguinte, tirando o francês do pódio. Ou será que não? Berger era o mais rápido na pista e tinha mais 40s de vantagem para Senna, mas descontando sua punição, ele estava relativamente 'próximo' das duas Ferraris, pois de forma impressionante, Piquet abriu rapidamente vantagem sobre os carros vermelhos. Como era de seu costume, Senna abranda bastante o seu ritmo nas voltas finais, já com pista seca e um sol tímido, e recebe a bandeirada em primeiro, com Nelson Piquet completando a dobradinha brasileira. O ritmo alucinante de Berger quase lhe paga dividendos, pois as Ferraris tiveram problemas com retardatários e o austríaco perdeu o pódio para Mansell por apenas 1s469.

Essa corrida canadense foi cheia de fatos interessantes. Vinte e cinco anos atrás o Brasil estreava na Copa do Mundo e com isso, o narrador da F1, Galvão Bueno, estava em Turim para a transmissão da estreia brasileira na Copa do Mundo da Itália, fazendo com que Cléber Machado narrasse sua primeira corrida de F1 pela Rede Globo. Para quem não lembra, a corrida foi interrompida várias vezes para mostrar flashes da seleção brasileira entrando no estádio 'dos Alpes', como Galvão chamava na época o estádio D'Alpi. Não sei se foi uma ordem na época, mas vários nomes foram traduzidos literalmente pelas transmissões globais, tanto que meses depois a Eau Rouge se transformou na 'Curva da Água Vermelha'. Com Senna e Piquet no pódio em Montreal, só restava à seleção brasileira garantir a vitória em Turim para completar o dia. Foi um jogo duro. Mais duro do que o imaginado, mas o Brasil bateu a Suécia por 2x1, com dois gols de Careca. Com direito à 'lambadinha', moda na época, na frente da bandeirinha de escanteio. A capa dos jornais do dia seguinte estavam divididas entre a dobradinha brasileira em Montreal e a estreia vitoriosa na Copa do Mundo. Pensando vinte anos depois, a sensação do brasileiro com a F1 e a seleção brasileira de futebol mudou bastante. Hoje, virou esporte predileto de muitos malhar a F1, dizendo que está 'sem graça'. Muitos acusam a Mercedes de estar muito na frente das demais, mas nesse final de semana, Hamilton bateu o primeiro carro não-Mercedes por 40s666. Em 1990, Berger, numa de suas melhores apresentações na carreira, colocou 49s503 sobre o primeiro carro não-McLaren. Ou seja, foi um domínio abissal da McLaren na época, mas como o primeiro piloto da equipe dominante era brasileiro, não haviam tantas 'reclamações' assim. Eram os bons tempos! Já com a seleção brasileira, depois do 7x1 e da prisão dos corruptos da FIFA e da CBF, a amarelinha está cada dia mais desacreditada, com as pessoas (eu, por exemplo!) preferindo muito mais acompanhar, torcer e sofrer (infelizmente, a fase não está boa no vozão, mas vamos nos recuperar!) pelos seus clubes do que com a seleção. Se Senna aproveitou muito bem a fase não muito boa do futebol brasileiro naqueles tempos (seleção de Careca seria eliminada já nas oitavas de final da Copa do Mundo), hoje não há ninguém  na F1 para se aproveitar da calamitosa situação do futebol brasileiro.

Chegada:
1) Senna
2) Piquet
3) Mansell
4) Berger
5) Prost 
6) Warwick

terça-feira, 9 de junho de 2015

Panca da semana

Nesse domingo em Zeltweg, os pilotos Jörg Viebahn e Rose Daskalov tiveram a santa proteção dos seus respectivos anjos da guarda para saírem ilesos desse impressionante acidente!