sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

FW38

O presente da Williams pode ser visto no velho caso do 'Copo meio cheio ou meio vazio'. Lembrando como o time estava em 2013, parecia que a tradicional equipe de Frank Williams estava caminhando para o mesmo fim da antiga Lotus, quando os anos de glórias e títulos ficaram bem para trás e o fechamento das portas era algo, infelizmente, bem plausível. Porém, o surgimento de Claire Williams como chefe de equipe e, principalmente, o novo contrato com a Mercedes fez com que a Williams ressurgisse das cinzas e voltasse a andar na frente.

Foram dois terceiros lugares no Mundial de Construtores nos dois últimos campeonatos, mas se a Williams quiser dar um passo a mais e voltar a brigar por títulos, como falou Felipe Massa essa semana no Globoesporte, o time de Grove precisa se tornar uma equipe de fábrica, como bem explicou a Renault quando comprou a Lotus. Ter o motor Mercedes faz da Williams uma equipe a ser observada e com garantias de andar bem durante o ano, sempre beliscando pódios aqui e ali, mas voltar aos tempos de glória e títulos sendo uma equipe cliente, é beirando o impossível. Sem nenhuma montadora querendo entrar na F1, a Williams segue em sua zona de conforto e hoje apresentou um carro idêntico ao do ano passado, com objetivos bem parecidos com os de 2015, que é se manter uma equipe de ponta e se aproveitar de algum erro da Mercedes de fábrica.

Contudo, seus dois bons pilotos querem mais. Bem mais. Prestes a completar 35 anos, Felipe Massa já está quase contornando a curva final de sua carreira na F1 e o brasileiro deixou bem claro que só fica na F1 em carros competitivos e que o façam brigar novamente pelas vitórias. O caso de Valtteri Bottas é ainda mais claro. Com potencial de campeão do mundo, o finlandês quase foi para a Ferrari em 2016, mas com a renovação de Raikkonen, ficará uma quarta temporada na Williams na expectativa de conseguir sua primeira vitória. Ambos os contratos de Massa e Bottas terminarão no final de 2016 e será bem difícil segurá-los em caso de fracasso ou marcação de passo da Williams nesse ano. Porém, tudo indica que a grande vitória da Williams em 2016 será manter o terceiro posto no Mundial de Construtores. Longe das vitórias e dos títulos, mas bem melhor do que três anos atrás.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Estava indo tão bem...

A Manor quase morreu no final de 2014, mas os valiosos pontos de Jules Bianchi em Mônaco e a chegada de um bilionário inglês salvou a lavoura da tradicional equipe britânica e o time sobreviveu em 2015. E essa é a melhor palavra para a Manor em 2015. Sobreviveu. Sem o apoio da Marussia e pouquíssimo dinheiro (para os padrões da F1, diga-se), a Manor apenas fechou o grid ano passado, bem longe do pelotão intermediário. 

Contudo, tudo parecia mudar para a Manor. A parceria com a Mercedes e a Williams fez da Manor uma equipe moribunda num time de bom potencial, pois a equipe inglesa teria os ótimos motores da Mercedes a partir de 2016, além do câmbio da Williams para o novo carro da equipe. As ligações da Mercedes ficaram claras com a chegada de Pascal Wherleim, esperança da Mercedes para o futuro, no time nesse ano. Contudo, a Manor ainda é uma equipe que precisa de dinheiro. E SOMENTE por isso, foi contratado o indonésio Rio Haryanto. O piloto de 23 anos precisou de três anos para conseguir vitórias na GP2, o que já deixa claro as limitações de Haryanto, mas o bom ano na GP2 não lhe garantiu a vaga na F1 em 2016. Foi o apoio estatal indonésio, que irá injetar milhões na Manor, apenas para ver Haryanto, provavelmente, fechar o grid.

Mesmo com vários exemplos na história de 'pay-drivers' que deram certo na F1, não confio que Haryanto seja um desses casos. Mesmo com o quarto lugar na GP2 ano passado, o indonésio não mostrou nada de excepcional para merecer a F1 em 2016. A Manor estava fazendo contratações e parcerias bem interessantes. Até ontem... 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Novo Rush?

Umas das histórias que se conta sobre a famosa decisão do título da F1 em 1976, fala que James Hunt viajou bem cedo para o Japão com o objetivo de uma 'preparação melhor' para a corrida final, onde disputaria o título com Niki Lauda. Hunt se encontrou em Tóquio com o seu amigo Barry Sheene num hotel e transformou o seu quarto numa longa e divertida festa regada a drogas e muito sexo com aeromoças, que lá se hospedavam. Dá para cravar que Barry Sheene seria uma versão de James Hunt no Mundial de Motovelocidade em termos de farras e estilo bon-vivant fora das pistas, com o diferencial de que Sheene foi uma das lendas das 500cc, conquistando dois títulos mundiais com uma Suzuki e disputando outros três com outra lenda dos anos 1970, Kenny Roberts. Outra marca de Sheene, além de sua irreverência e o capacete com o desenho do Pato Donald, era sua agressividade, que lhe rendeu várias fraturas e uma mudança para a Austrália para fugir do frio da sua Inglaterra natal, que lhe fazia sentir muitas dores. Mais uma coincidência com Hunt foi que, após uma vida desregrada na juventude, Barry Sheene também faleceu cedo, aos 51 anos de idade. Segue abaixo um trailer de um filme sobre a lenda inglesa das duas rodas. Um filme que poderá ser tão bom quanto o de Hunt e Lauda.



Visto no blog amigo Continental-circus.blogspot.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Passo adiante

A Manor oficializou Pascal Wehrlein como seu piloto para a temporada 2016. Equipe salva por uma corrida miraculosa de Jules Bianchi em Mônaco, a Manor passou a ter apoio da Mercedes, que irá fornecer o seu ótimo motor para a equipe, além da Manor ter também a disposição o câmbio da Williams. Fica claro que a Mercedes, vendo o que a Ferrari está fazendo com a Hass e o que a Red Bull faz há anos com a Toro Rosso, quer ter uma segunda equipe na F1, onde poderá maturar seus jovens pilotos, como Wehrlein, para um futuro próximo. O jovem alemão de 21 anos mostrou valor ao conseguir o título da competitiva DTM em 2015 e foi piloto de testes (no simulador) da Mercedes.

O fato de Wehrlein subir à F1 vindo do DTM mostra o quão importante um jovem piloto estar ligado à uma equipe da F1 nos dias de hoje. Mais importante até do que conquistar títulos numa F3 ou GP2. Wehrlein tem toda a sua carreira ligada à Mercedes e foi por isso que o alemão correu até o ano passado no DTM e por isso correrá na F1 em 2016 na Manor. De equipe moribunda, a Manor poderá se tornar uma equipe intermediária nos próximos anos, com a ajuda providencial da Mercedes, que lhe cedeu não apenas o melhor motor da F1, como um jovem piloto de talento.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Riquinho mexicano

Entre os famosos irmãos Rodríguez e Sérgio Pérez, o México produziu um piloto que tentou levar sua carreira como no início da F1. Comprava-se um carro e disputava com os melhores pilotos pelas pistas do mundo. Infelizmente para Hector Rebaque, ele nasceu nessa mesma época romântica da F1 e quando partiu para a Europa, mais de vinte anos depois, a categoria já estava profissional demais para que Gentleman Drivers fizessem sucesso. Completando 60 anos no dia de hoje, vamos ver um pouco da carreira desse mexicano muitas vezes esquecido pelos próprios compatriotas.

Hector Alonso Rebaque nasceu no dia 5 de fevereiro de 1956 na Cidade do México, filho de um rico industrial mexicano, que nos anos 1950 chegou a participar de corridas de Endurance, incluindo as famosas provas em Daytona e Sebring. Apoiado firmemente pelo pai (principalmente financeiramente...), o pequeno Hector começou bem cedo nas corridas, participando de suas primeiras provas aos 15 anos de idade, em pequenas ralis no México. Com apenas 19 anos de idade, Rebaque pai comprou um lugar para o filho na famosa equipe de Fred Opert no Campeonato Inglês de F-Atlantic, mas mesmo tendo um bom equipamento em mãos, Hector Rebaque não consegue bons resultados e no final de 1975 atravessa o Atlântico para disputar o tradicional certame Norte-Americano de F-Atlantic. Rebaque se torna um piloto competitivo, mas não vencedor no Campeonato de F-Atlantic, onde tinha que enfrentar Gilles Villeneuve nos seus melhores anos na categoria de base.

Mesmo sem resultados bons para mostrar, Hector Rebaque tinha o suporte financeiro do pai e em 1977 ele investiu na Hesketh na F1, em sérias dificuldades desde a saída de James Hunt no final de 1975. Com apenas 21 anos de idade, Rebaque fez sua estreia na equipe no Grande Prêmio da Bélgica de 1977, mas com um carro ruim e sem muito talento, Hector só foi conseguir um lugar no grid na Alemanha, em Hockenheim, uma pista relativamente fácil para os pilotos da época. Mesmo com muito dinheiro, ninguém se interessou em contratar Rebaque e o mexicano montou sua equipe própria para 1978, comprando um Lotus 78, que pertenceu à Mario Andretti. O ítalo-americano tinha feito uma grande temporada em 1977 com esse carro, mas Colin Chapman o refinou ainda mais e criou o Lotus 79, que deixou todos os demais carros de F1 obsoletos, incluindo o Lotus 78. Era esperado que Rebaque conseguisse posições intermediárias, mas o mexicano raras vezes conseguia um top-20 e durante o escaldante Grande Prêmio do Brasil, Rebaque abandonou a corrida por fadiga. Em Hockenheim, um ano após sua primeira corrida na F1, Rebaque consegue o seu primeiro ponto com um sexto lugar. Para 1979, a família Rebaque consegue outro acordo com Colin Chapman e Hector teria nas mãos o carro que dominou a temporada de 1978, mas novamente os resultados do mexicano deixavam muito a desejar, transformando Hector Rebaque simplesmente num pay-driver sem nenhum perspectiva.

Contudo, Rebaque tinha uma surpresa. Durante 1979, um novo carro era produzido pela sua equipe, com ajuda da equipe Penske e com supervisão de John Barnard. O Rebaque HR100 ficou pronto no final de 1979, com o carro ficando muito parecido com o Lotus 79, mas com a lateral da Williams FW07, que estava dominando a segunda metade de 1979. O carro seria o primeiro mexicano e o segundo fabricado na América Latina a fazer uma corrida oficial de F1. Porém, o carro era muito pesado e a inexperiente equipe ainda cometia erros primários, como errar a montagem do motor e fazer com que Rebaque abandonasse a única corrida em que seu próprio carro esteve no grid. Muito lento, era preciso um grande investimento para que o Rebaque HR100 ficasse minimamente competitivo, além do que, Hector Rebaque ainda não tinha mostrado o mínimo talento na F1. Isso significou o fim do sonho mexicano de uma equipe própria na F1. Porém, não significava o fim da carreira de Hector Rebaque. Graças aos bons contatos da família, Hector Rebaque consegue o patrocínio da Pemex, uma petroleira mexicana. No entanto, ao invés de investir no próprio carro ou numa equipe particular, Rebaque volta às origens e tenta comprar um lugar num cockpit de uma equipe competitiva. A Brabham tinha em Nelson Piquet o piloto principal, enquanto que Bernie Ecclestone vendia o segundo carro à algum piloto endinheirado. Em 1980 este posto ficou com o argentino Ricardo Zunino, que substituiu de emergência Niki Lauda nas últimas corridas de 1979, mas Zunino havia se mostrado um piloto abaixo da crítica. Mais preocupado com as finanças, Ecclestone não se preocupou muito em vender seu segundo carro a outro piloto ruim de braço e bom de grana. E assim Hector Rebaque entrou na tradicional equipe Brabham ainda em 1980, ficando longe da briga do título de Piquet, mas ainda marcando um pontinho com o sexto lugar em Montreal.

Totalmente alheio ao Mundial de Construtores e mesmo com o próprio Piquet solicitando um melhor piloto como companheiro de equipe, Ecclestone manteve Rebaque para 1981 na Brabham. E não é que o mexicano até fez um bom papel? Em pistas em que o talento do piloto não era o mais importante, Rebaque fazia boas corridas, em especial na terceira etapa do ano, em Buenos Aires, quando o mexicano ficou boa parte da corrida em segundo, atrás de Piquet, até quebrar a suspensão do seu carro. Após conseguir um ótimo quarto lugar em Ímola no Grande Prêmio de San Marino, Rebaque conseguiu a proeza de não se classificar para o grid do Grande Prêmio de Mônaco (na época se largavam apenas 20 carros), enquanto Piquet conseguia a pole. A diferença entre os dois pilotos da Brabham era mesmo abissal, mas com outros dois quarto lugares (Alemanha e Holanda), Hector Rebaque terminou o ano numa respeitável décima posição no Mundial de Pilotos, com onze pontos. Ironicamente, sua melhor temporada na F1 foi também a última. Ecclestone havia conseguido expandir seu patrocínio com a Parmalat e com a BMW investindo no novo motor turbo, além da Parmalat pressionar por um piloto italiano, Rebaque foi dispensado para a entrada de Riccardo Patrese. Foram 41 corridas e treze pontos para Hector Rebaque, além de 20 não classificações para os grid ao longo de cinco temporadas.

Contando com apenas 25 anos, Hector Rebaque retornou à América do Norte tentar a sorte na ascendente F-Indy/CART, onde conseguiu um lugar na equipe Forsythe. As primeiras corridas de Rebaque na Indy foram marcadas por muitos acidentes, incluindo um muito forte em Michigan, que criou no mexicano uma aversão aos circuitos ovais. Na sua única 500 Milhas de Indianápolis, Rebaque terminou apenas em 13º, mas Hector decide que as corridas em pistas ovais eram perigosas demais e mesmo vencendo uma corrida em Elkhart Lake, onde Rebaque contou com a sorte do então líder Al Unser Sr abandonar na última volta, o mexicano decidiu desistir da Indy no final de 1982. Após uma tentativa frustrada de voltar à F1 em 1983, Hector Rebaque abandonou definitivamente sua carreira de piloto aos 27 anos de idade. Com talento para lá de questionável, mas com muito dinheiro para gastar, Rebaque teve uma carreira curta na F1, onde foi considerado um dos últimos Gentleman Drivers da história, onde foi piloto/construtor por um tempo e só conseguiu um lugar na competitiva Brabham devido aos seus contatos. Um piloto Lado B.

Parabéns!
Hector Rebaque

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Panca da semana

Os campeonatos ainda nem começaram, mas esse incrível acidente de Loris Baz em Sepang impressionou bastante. Assim como impressionou o francês ter escapado ileso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fará falta?

No dia de hoje, Pastor Maldonado anunciou através do Twitter o que muitos desconfiavam. A crise econômica da Venezuela, somado ao baixo preço do petróleo, fez com que a PDVSA, cujo dinheiro garantiu Maldonado na F1 todo esse tempo, repensasse seu patrocínio ao piloto. Como a Renault adquiriu a Lotus e ela própria irá fazer um grande investimento da equipe, o farto dinheiro de Maldonado, que tanta diferença fazia nos tempos da pindaíba da Lotus, já não era tão necessário assim e a Renault se sentiu livre para procurar um piloto unicamente pelo talento e provavelmente o escolhido será Kevin Magnussen.

Maldonado é uma pessoa simpática e que utilizou muito bem o patrocinador estatal para garantir lugar em boas equipes e conquistar títulos nas categorias de base, como a GP2. Quando estreou na F1 em 2011 pela Williams, Maldonado era o atual campeão da GP2, mas não era segredo nenhum que o venezuelano estava na F1 devido aos dólares bolivarianos da PDVSA. Após um ano de estreia até discreto, Maldonado viu a Williams subir de produção em 2012 e pudemos ver de mais perto todo o 'talento' de Maldonado. Talvez incomodado com a pecha de 'pay-driver' e querendo provar a todos que tem velocidade, Pastor passou a cometer mais e mais erros devido à sua tentativa de andar rápido, talvez mais rápido do que o carro. Em Barcelona/12, Maldonado conquistou uma incrível vitória, onde o venezuelano sempre andou na frente e não se aproveitou de problemas alheios para subir ao alto do pódio.

Mas como tudo que rodeia Maldonado, logo após o pódio ocorreu um incêndio nos boxes da Williams. Com Maldonado era uma no pé e outra na ferradura. Os acidentes e as polêmicas se multiplicaram, com punições surgindo aos montes. Quando viu a oportunidade de ir para a Lotus, Maldonado levou o seu patrocinador estatal para o time aurinegro. Na época, Maldonado criticou bastante a Williams, mas assim que saiu da equipe, o time inglês conseguiu o motor Mercedes e subiu de produção de forma impressionante. Acontecendo o inverso com a Lotus. 

Apesar das punições e acidentes, havia uma certa simpatia com Pastor Maldonado. Gente boa fora das pistas e conseguindo um lugar na F1 devido a patrocinadores, Maldonado logo foi comparado a outro piloto simpaticíssimo, que entrou para o folclore da F1: Andrea de Cesaris. O italiano era rápido e desastrado na mesma medida, mas havia uma diferença essencial entre De 'Crasheris' e 'Maldonator'. Enquanto Andrea de Cesaris assumiu muitos dos seus erros e pediu muitas desculpas nos seus muitos anos de F1, Maldonado não aceitava boa parte das críticas e muitas vezes se sentia perseguido por comissários e imprensa. A cruel realidade para Maldonado era que, mesmo rápido, Pastor era um piloto extremamente errático, muito pouco produtivo para a equipe e não mostrou nenhuma evolução nos seus anos de F1. Em cinco temporadas, Pastor Maldonado parecia ser um eterno aprendiz, errando e se metendo em vários acidentes. Resumindo, Maldonado só permaneceu esses anos todos na F1 por causa do seu farto patrocínio e quando a torneira fechou, acabou dispensado.

Pastor Maldonado fará falta na F1? Sinceramente para mim, não. Normalmente o 'pay-driver' ocupa o lugar que poderia ser melhor aproveitado por um piloto talentoso e cheio de vontade de crescer e vencer. Mesmo com sua meritosa vitória em Barcelona em 2012, Maldonado já tinha mostrado que apenas marcava ponto na F1 e sua saída, pelas portas dos fundos, apenas demonstra isso.