Parabéns!
Johnny Rutherford
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Johnny Rutherford
Prestes a completar 42 anos de idade, Fernando Alonso curtiria bastante a famosa música de Sergio Reis: é panela velha que faz comida boa. Estreando pela ascendente Aston Martin, Alonso fez uma corrida sensacional, o que acabou por salvar o modorrento domínio da Red Bull no Bahrein. Alonso não largou bem e ainda foi alvo de fogo amigo, quando Stroll cometeu um característico erro e bateu em seu companheiro de equipe ainda na primeira volta. Porém, Alonso não baixou a guarda e provou todo o potencial mostrado pela Aston Martin nos testes pré-temporada, partindo para cima das duas Mercedes e em belas brigas, soube superar Russell e Hamilton com manobras de tirar do fôlego, ao mesmo tempo que foram claramente planejadas pelo espanhol. Com a quebra de Leclerc, Alonso viu que o pódio era possível e com o compatriota Sainz sofrendo com os pneus, Fernando partiu para cima da Ferrari e igualmente após uma luta muito forte e leal, Alonso soube tirar da cartola um terceiro lugar que fez todos levantarem a sobrancelha e provar que Alonso pode tornar a briga pelo lugar mais baixo do pódio um dos melhores momentos da F1 em 2023. Depois da corrida, a vibração dos mecânicos da Aston Martin provava toda a energia trazida por Alonso para a equipe. Piloto mais experiente do grid, Alonso foi um dos destaques dessa corrida e com toda a gana mostrada, deverá sê-lo mais vezes nessa temporada.
Esteban Ocon começou nesse domingo sua sexta temporada na F1, mesmo que já corra na categoria desde 2016, como protegido da Mercedes e de Toto Wolff. Já contando com uma vitória na carreira e considerado um piloto conceituado, não se pode esperar mais de Ocon erros tão banais como que o francês cometeu na abertura da temporada 2023. Primeiro, Esteban parou seu Alpine no lugar errado no grid, ocasionando uma punição de 5s, que seria cumprida na primeira parada do francês, donde a Alpine se aproveitou para trocar a asa dianteira de Ocon. O francês pararia e deveria esperar 5s antes de tocarem no Alpine, mas os mecânicos se adiantaram meros quatro décimos, mas que foi o suficiente para Ocon tomar 10s de pênalti. Já estava ficando feio, mas Ocon só vacilou na primeira punição, mas não na inacreditável terceira punição, quando Esteban apertou o botão de desligar o limitador de velocidade antes da hora dentro dos pits e Ocon tomou um terceiro pênalti, destruindo de forma definitiva a corrida dele, que acabou abandonando quando Esteban corria nas últimas posições. Com Gasly pulando de último para os pontos, Ocon não poderá mais cometer erros tão banais se quiser superar seu companheiro de equipe e rival.
A abertura da temporada 2023 da Indy começou com um enorme susto quando um acidente envolvendo vários carros acabou ocasionando uma bandeira vermelha, incluindo uma forte batida que fez Devlin de Francesco sair voando. Nesse melê todo, Helio Castroneves foi envolvido, assim como seu companheiro de equipe Pagenaud e dois pilotos da Foyt. Isso aconteceu na segunda metade do grid, porque na primeira, Romain Grosjean dava um show no seu carro da Andretti. O francês liderou todo o primeiro stint com autoridade, mesmo usando os pneus macios, que simplesmente não funcionavam por muito tempo na abrasiva pista de rua de St Petersburg. Escoltado por Colton Herta no início, Grosjean soube administrar melhor os pneus, enquanto Hertinha perdeu tanto rendimento com os pneus macios, que não apenas perdeu contato com Grosjean, como foi escalado até realizar sua primeira parada. Porém, uma bandeira amarela mudou o status quo da corrida e mesmo saindo com os pneus macios, o vencedor do ano passado Scott McLaughlin surgiu na frente de Grosjean. Para sorte do piloto da Penske, a velha frase 'bandeira amarela traz bandeira amarela' se efetivou e houveram mais três intervenções, incluindo outro voo, agora com Kyle Kirkwood da Andretti, mas quem se machucou foi Jack Harvey, que saiu do carro sentido dores e foi para o hospital. Herta se envolvia num incidente com Will Power e acabava o final de semana no muro. A Andretti estava confiante no final de semana, tanto que se falava em dobradinha na corrida, mas a cada carro que abandonava, a câmera focalizava um Michael Andretti quase puxando os cabelos.
Quando houve uma maior fluidez, McLaughlin segurava com maestria Grosjean e logo os dois se destacavam dos demais, que tinha Pato O'Ward, Marcus Ericsson e Scott Dixon vindos mais distantes. Ainda restava uma parada para todos e querendo fazer o 'undercut', Grosjean parou primeiro, na esperança de ter os pneus aquecidos quando McLaughlin parasse. O neozelandês foi chamado na volta seguinte e saiu bem na frente de Grosjean. Logo após a saída dos pits em St Pete, há a reta oposta e com pneus mais quentes, Grosjean tentou a manobra ali, pois sabia que se Scott aquecesse seus pneus, dificilmente ultrapassaria o piloto da Penske. McLaughlin se colocou por dentro e não aliviou na freada, mas Grosjean tentou uma manobra banzai por fora. Após a corrida, McLaughlin assumiu a culpa, por ter deixado para frear tão por dentro com pneus frios, enquanto Grosjean dizia que 'aquilo não é corrida'. De qualquer maneira, os dois acabaram na barreira de pneus e Michael Andretti saía dos pits fumando numa quenga. O que não dá para negar foi que Grosjean foi otimista ao extremo em tentar uma ultrapassagem por fora num ponto tão perigoso e estreito. Mesmo que McLaughlin tenha errado, Romain arriscou demais quando tinha o melhor carro e os pontos da segunda posição podem fazer falta em setembro...
Com isso, Pato O'Ward assumiu a ponta e poderia salvar o dia da McLaren, que fez um papelão no outro lado do mundo na F1. Zak Brown deve ter ficado todo animado com as últimas voltas do seu pupilo liderando, mesmo com a dupla da Ganassi se aproximando perigosamente. Porém, na abertura da penúltima volta, O'Ward abanou seu McLaren na entrada da reta dos boxes e Ericsson ultrapassou graciosamente Pato, enquanto Brown deveria ter se levantado do sofá na mesma vibe de Michael Andretti. Depois da corrida O'Ward, com cara de pouquíssimos amigos, acusou um ligeiro problema no motor, que entrou no modo errado e permitiu a ultrapassagem decisiva de Ericsson.
Foi na sorte? Foi. Mas o automobilismo, assim como o esporte em geral, a sorte faz parte da definição ou não do vencedor e Marcus Ericsson estava sempre no pelotão da frente. Ele não tinha carro para brigar pela vitória, mas viu um a um seus rivais saindo do caminho e lhe estendendo o tapete para vencer na estreia da temporada 2023, com um desolado O'Ward em segundo, Dixon em terceiro e mais atrás, Alexander Rossi estreando de forma correta na McLaren em quarto. Calum Illott mostra que tem potencial para estar numa equipe grande ao sair de 22º no grid para quinto. Power foi punido pelo toque com Herta e ainda salvou um top10, enquanto Newgarden tentou uma tática diferente, mas seu motor entregou os pontos no final, quando estava atrás até mesmo de Power, numa corrida opaca do americano da Penske. Ericsson faz um trabalho digno e se aproveitando das chances que foram surgindo, lidera o campeonato da Indy em sua primeira corrida em 2023.
Apesar da competitividade da Indy, a categoria tem seus pelotões bem definidos, com quatro equipes muito fortes e vários coadjuvantes. A principal equipe é a Penske e seu forte triunvirato. Atual campeão, Will Power mostrou uma gigantesca regularidade ano passado, onde o australiano teve vários momentos de azar nas classificações, mas no domingo Will fazia belas corridas de recuperação, marcando doze top-10 em dezessete corridas e mesmo com apenas uma vitória, Power garantiu o segundo título, saindo das características anteriores dele, onde Power mostrava muita velocidade e pouca consistência, principalmente nos ovais. Newgarden venceu cinco corridas, fez uma etapa derradeira em Laguna Seca de tirar o fôlego, mas o americano pecou pelos vários abandonos e acabou superado pelo companheiro de equipe. Josef já é um piloto consolidado e seus dois títulos e três vice-campeonatos nos últimos anos o colocam como um dos mais fortes candidatos de 2023, mas para Newgarden falta mesmo uma boa corrida em Indianápolis.
Scott McLaughlin teve um ano de estreia bem mequetrefe, mas em seu segundo ano o neozelandês provou que a exótica escolha de Roger Penske, que viu talento nele na V8 Supercars, uma categoria de turismo na Austrália que mais parece um antigo faroeste, se pagou completamente. Foram três vitórias em 2022 e a certeza que a curva de crescimento de Scott é bem maior do que seus companheiros de equipe. A equipe que vem dividindo os títulos com a Penske nos últimos anos é a Ganassi, com Scott Dixon liderando o time com seu talento gigantesco, mas felizmente a Ganassi não se resume apenas ao neozelandês. O problema é que o piloto escolhido para ser o futuro da equipe já está de saída. E pelas portas dos fundos. Alex Palou venceu o título em 2021, mas acabou assinando com a McLaren numa transação rumorosa e que acabou na justiça. No final, Palou cumprirá seu contrato com a Ganassi e ninguém sabe ao certo qual será o grau de motivação do espanhol para essa temporada derradeira e nem como a equipe o tratará. Marcus Ericsson venceu a Indy 500 ano passado com todos os méritos, mas o sueco ainda está longe de encantar, com alguns altos e muitos baixos. O quarto carro da Ganassi não terá mais Jimmie Johnson, que mesmo sendo uma lenda da Nascar, foi um verdadeiro fiasco na Indy. Com a saída de JJ, esse carro atrairá muitas atenções, pois terá Marcus Armstrong nos mistos e Takuma Sato nos ovais. O experiente japonês tentará principalmente o tricampeonato em Indianápolis, enquanto Armstrong, que vem da Nova Zelândia de Dixon, estará sendo treinado para ser o sucessor de Scott na Ganassi.
A Andretti sonha alto em conseguir um lugar na F1 e talvez por isso tenha perdido o foco na Indy, inclusive com corridas em que seus pilotos se eliminaram. A Andretti tem em mãos talvez o maior talento da Indy, Colton Herta, que tem um longo contrato com a Andretti pensando na F1, em que quase se transferiu ano passado. Ninguém duvida do talento de Herta, mas ainda lhe falta consistência e o tempo vai passando e Colton ainda não brigou seriamente pelo título. Romain Grosjean mostrou velocidade, mas também muitas trapalhadas, lembrando seus piores momentos na F1, mas ao menos se viu livre de Rossi, com quem não se dava, entrando no lugar Kyle Kirkwood, um jovem piloto das canteras da Andretti e bastante promissor. Devlin Defrancesco paga as contas da equipe e isso diz muito do canadense na equipe. Com a Andretti patinando, a McLaren vai se consolidando como a quarta força da Indy, mas com potencial de passar a Andretti rapidamente. O time tem outro diamante bruto de talento, que é Pato O'Ward, mexicano que já mostrou muita velocidade e brigou pelo título em 2021, mas deu um passo atrás ano passado, talvez pensando na F1. Enquanto Palou não vem, a equipe manteve Rosenqvist na equipe, enquanto se expandiu para um terceiro carro para Alexander Rossi, que veio corrido da Andretti após ter desentendimentos com seus companheiros de equipe, sem contar que Rossi vem devendo nos últimos anos, mas a McLaren contará com a sua experiência. Tony Kanaan anunciou que as 500 Milhas será sua última corrida na Indy e ele a fará pela McLaren, num quarto carro.
As demais equipes são coadjuvantes, com destaque para a Rahal e seu trio de bons pilotos, com o veterano Graham Rahal, o promissor Christian Lundgaard e Jack Harvey. A equipe Carpenter contará com o talentoso Rinus Veekay para liderar a equipe e terminar a sina que o time só anda bem em ovais. A equipe Juncos manteve o talentoso Callum Ilott e imitando Roger Penske, trouxe do turismo o segundo piloto, o argentino e compatriota do chefe, Agustin Canapino. A tradicional Foyt trouxe o maluquinho Santino Ferrucci, enquanto a Dale Coyne terá David Malukas. A Meyer Shank tem uma dupla de pilotos que mais parece uma filial do INSS, mas Simon Pagenaud e Helio Castroneves tentarão reverter uma temporada ruim de um time, que recebe apoio da Andretti e com a equipe colocando suas forças na F1, sobrou quase nada para a equipe filial. Porém, nunca é bom subestimar Helio em Indianápolis. E só.
Como se vê, não faltam bons pilotos e a Indy terá um grid forte e sortido para a temporada. Muitos exageram dizendo que a Indy já estão tão forte como nos áureos anos 1990, mas isso não passa de um exagero, porém, não se pode negar a qualidade do grid, com alguns pilotos oriundos da Europa, além de jovens talentos americanos. Se não está como nos velhos tempos, pelo menos não se pode negar que a Indy terá corridas emocionantes e um campeonato sem grandes favoritos pela frente.
Com o constante corte de testes na F1, o início de 2023 teve uma pré-temporada de apenas três dias, onde as equipes só podiam ter um carro na pista o dia inteiro. Vai chegar o tempo em que os carros serão construídos e imediatamente colocados no primeiro treino livre... Os pilotos reclamaram e mesmo que se houvesse o dobro de tempo para testar os mesmos personagens continuaria reclamando por mais tempo de pista, porém dessa vez os pilotos da F1 tem razão em reclamar. Com tão escasso tempo, as equipes obviamente usaram da cautela para evitar qualquer quebra e mesmo andando a 60-80% do seu potencial, cada quilômetro conta para as equipes obterem o máximo possível de informações dos novos carros.
Se as pré-temporadas anteriores já colocavam mais dúvidas do que respostas antes da F1 aportar em sua primeira prova do ano, três dias não responde a muitas perguntas, porém, algumas coisas estão bem claras. Além de um baita piloto, Max Verstappen não se furta em ser sincero, doa a quem doer. Pois o neerlandês não escondeu que o novo carro da Red Bull está melhor do que o da temporada passada. Pérez ficou com o tempo mais rápido no apanhado dos três dias, mas outros pontos fazem da Red Bull se tornar a favoritassa de 2023, inclusive com direito a domínio parecido com o de 2022. Ou até maior! Fala-se que a Red Bull está em torno de três décimos de segundo na frente da Ferrari, mas que essa diferença pode ser até mesmo mais larga. A Ferrari completou três dias tranquilos, onde apenas o desgaste de pneus ainda preocupa, mas nada que faça Fred Vasseur perder ainda mais cabelos, porém, isso pode ser insuficiente para alcançar a Red Bull.
A Mercedes apostou novamente na sua lateral zero-pod e se o poirposing diminuiu, o carro continua com muito arrasto, foi um dos poucos a quebrar e esteve longe de impressionar pela velocidade. Hamilton e Russell começam o ano reticentes com um carro que parece bom apenas para brigar com a Ferrari para ser segundo colocado, com os italianos um pouco à frente no momento.
O pelotão intermediário está uma briga de foice no escuro, com destaque especial para a Aston Martin, que mostrou velocidade e consistência com Alonso e Felipe Drugovich, que substituiu Lance Stroll enquanto este se recuperava de uma queda de bicicleta. O brasileiro fez um bom trabalho, mas Stroll acabou sendo o escolhido como o piloto a estrear na equipe verde, que pelos números mostrados no Bahrein, pode liderar o pelotão intermediário e há quem diga que incomodará até mesmo a Mercedes! Outra equipe que se mostrou forte foi a Alfa Romeo, que teria consertado os problemas que lhe afligiram em 2022, como o problema de refrigeração que resultou em tantos abandonos, além da estabilidade traseira, tornando a pilotagem mais tranquila para Bottas e Zhou. Alpha Tauri, Haas e Williams fizeram o papel que delas era esperado, mesmo que a equipe júnior da Red Bull tenha sido envolvida numa suposta venda, mas que foi negada pela Red Bull nessa semana.
Ano passado Alpine e McLaren brigaram pela liderança do pelotão intermediário. São duas equipes estruturadas e experientes, sendo que uma é apoiada diretamente por uma montadora de tradição. Para completar, Alpine e McLaren se envolveram numa briga fora das pistas por Oscar Piastri, vencida pelos ingleses. Porém, os três dias de pré-temporada não foram nada animadores para ambas as equipes. A Alpine simplesmente não mostrou velocidade em nenhum momento e mesmo assim não foi a equipe que mais acumulou quilometragem, porém, a McLaren parece estar numa situação ainda pior, com um carro mal nascido a ponto do próprio Andrea Stella já ter declarado que a pré-temporada não teve os resultados esperados, fazendo com que Lando Norris, que sabe que tem talento e velocidade para brigar mais à frente, ter socado um muro nos boxes de frustração. Já Piastri deve estar pensando que para onde fosse, a situação não era tão boa em sua estreia.
Porém, ninguém sabe o quão pesado os carros marcaram seus melhores tempos, nem se usavam todo o potencial do complicado motor. A Red Bull é a grande favorita para essa primeira corrida, mas devido às punições de quebra do teto orçamentário em 2021, terá algumas restrições no túnel de vento que poderá frear o desenvolvimento do carro. Será o suficiente para atrapalhar a caminhada de Verstappen rumo ao terceiro título?