domingo, 12 de março de 2023

Lone Star Jr

 


Mesmo nascendo no Kansas, ele usou orgulhosamente uma bandeira do Texas no seu capacete, donde surgiu seu apelido pela estrela branca em destaque no fundo azul, e esteve no circuito da Indy por mais de três décadas, se tornando um dos principais pilotos da categoria na década de 1970, além de ser um dos protagonistas da equipe McLaren, antes de se mudar para a equipe Chaparral, onde brilhou com um dos carros mais icônicos da Indy. Completando 85 anos no dia de hoje, vamos ver um pouco da carreira de Johnny Rutherford.


John Sherman Rutherford III nasceu no dia 12 de março de 1938 na cidade de Coffeyville, no Kansas, mas ainda muito jovem se mudou para o Texas e foi lá que Johnny se apaixonou pelo automobilismo. No final da década de 1950 Rutherford participava de pequenas corridas de Stock Cars, sem maior destaque. Sem muito dinheiro para financiar sua carreira, Johnny chegou a fazer bicos de motorista antes de estrear na IMCA (International Motor Contest Association) em 1961, onde começou a fazer sucesso em corridas Sprint e ainda em sua quarta temporada no automobilismo, Rutherford estreou nas 500 Milhas de Indianápolis em 1963. Piloto de tocada agressiva e muito rápido, Rutherford começou a se envolver em alguns acidentes graves, o que truncou seu início de carreira na Indy, onde venceu pela primeira vez em 1965, nas 250 Milhas de Atlanta. Um ano antes, Johnny escapou miraculosamente do acidente que matou Eddie Sachs e Dave MacDonald em Indianápolis. No início de 1966, Rutherford sofreu um sério acidente em Eldora, onde capotou seu carro e teve dois braços quebrados e outras fraturas, tirando o americano do restante da temporada.


Enquanto ainda esperava sua carreira embalar na Indy, Johnny Rutherford participava com sucesso de algumas corridas da Nascar, inclusive sendo o mais jovem a vencer uma corrida de classificação em Daytona em 1963, recorde que duraria quase dez anos. Após vencer o título da USAC Sprint Car em 1965, Rutherford só foi ganhar novamente notoriedade na Indy em 1970, quando conseguiu um surpreendente segundo lugar no grid para as 500 Milhas de Indianápolis, liderando as primeiras voltas. Na ocasião Johnny corria pela equipe do seu amigo Pat Patrick, mas em 1973 ele fez uma mudança que mudaria sua carreira. A McLaren ainda tentava o seu primeiro título na F1 e fazia sucesso no lucrativo campeonato da Can-Am, mas além da famosa corrida de Protótipos, o braço americano da McLaren tentava obter sucesso na Indy. Projetado por Gordon Coppuck e John Barnard, o McLaren M16 foi apresentado em janeiro de 1971 como o novo carro da McLaren para competir na Indy e logo o carro obteria bastante sucesso, se tornando um dos mais importantes da Indy e dando a primeira vitória para a equipe de Roger Penske nas 500 Milhas de Indianápolis, pelas mãos de Mark Donohue, em 1972. Porém, a equipe principal não ficou com o gostinho da vitória e contratou Rutherford como principal piloto em 1973. Logo de cara Johnny ficou com a pole das 500 Milhas daquele ano com direito a recorde, mas a edição de 1973 ficou marcada por vários acidentes graves, duas mortes e muita chuva, onde Rutherford terminou apenas em nono. Contudo, Johnny voltaria a vencer corridas na Indy após um hiato de oito anos, com vitórias em Ontario e Michigan, terminando o campeonato em terceiro.


Durante 1974, Rutherford não apenas conseguiu sua primeira vitória na Indy 500, mas também se tornou o primeiro piloto a vencer duas corridas de 500 milhas durante a mesma temporada, onde ficou em segundo lugar, derrotado por Bobby Unser. Para 1975 a boa forma de Rutherford permanecia, com mais quatro vitórias no campeonato, novamente vice-campeão e terminando em segundo nas 500 Milhas de Indianápolis, quando vinha um minuto atrás do vencedor Bobby Unser, mas a prova daquele ano terminou mais cedo por causa de uma chuva que caiu no Speedway quando faltavam vinte e seis voltas. E a chuva se fez presente em Indianápolis novamente em 1976, mas dessa vez foi Rutherford o grande favorecido. Largando na pole-position, Rutherford reassumiu a ponta da corrida na volta 80 e então a chuva veio com força na volta 103. Após uma espera de duas horas e com a pista prestes a ser liberada, a chuva voltou com força novamente e como mais da metade da corrida tinha sido completada, Johnny Rutherford foi declarado o vencedor. Na ocasião, com apenas 255 milhas completadas, aquela fora a edição mais curta da Indy 500, onde o tradicional e importante motor Offenhauser venceria pela última vez em Indianápolis. O ano de 1976 só não foi perfeito para Rutherford, por que mais uma vez o piloto da McLaren teve que se conformar com o vice-campeonato (o terceiro consecutivo), perdendo o título por muito pouco para Gordon Johncock, na última corrida em Phoenix.


Todo esse sucesso de Rutherford com a McLaren aconteceu com o modelo M16, que foi substituído pelo modelo M24 em 1977. O carro tinha vários conceitos do M23 que dera os primeiros títulos da F1 (1974 e 1976) para a McLaren, além de trocar o velho Offenhauser pelo motor Cosworth DVX, versão americanizada do mítico Cosworth DFV que tanto sucesso fazia na F1. Rutherford permaneceu um piloto de ponta com o novo carro, mas não repetiria as vitórias em Indianápolis. No ano de 1978, a Indy vivia um momento de indefinição, com os donos de equipe cada vez mais interessados em colocar as mãos na organização do campeonato, enquanto a USAC e a IMS resistia. Com o surgimento da CART em 1979, a equipe McLaren resolveu focar na F1 no final daquela temporada após uma década muito forte da montadora na Indy, forçando Johnny Rutherford a procurar uma nova equipe para 1980. Ele se juntou ao texano Jim Hall, que estava construindo um carro revolucionário e que também entraria para a história da Indy: o modelo Chaparral 2K. Projetado pelo inglês John Barnard, o Chaparral 2K estreou em 1979 e era baseado nos carros de efeito-solo da Fórmula 1, além de ter o motor Cosworth DFV. Com o patrocínio mítico da Pennzoil e com um carro todo amarelo, Rutherford venceu pela terceira vez as 500 Milhas de Indianápolis em 1980 com certa facilidade, tamanha era a superioridade do carro. Rutherford conseguiu a pole, a volta mais rápida e o maior número de voltas lideradas em Indianápolis. Somado ao triunfo em Indiana, Rutherford venceria mais quatro corridas (Ontario, Mid-Ohio, Michigan e Milwakee) e finalmente venceria o campeonato da Indy.


Rutherford e Hall permaneceram com o Chaparral 2K para 1981, mas com o avanço das demais equipes, Johnny venceu apenas a abertura da temporada em Phoenix. Já contando com 43 anos, Johnny caminhava para o ocaso de sua longa carreira, enquanto o Chaparral 2K se aposentou em 1982 com várias vitórias no currículo. No ano seguinte Rutherford retornaria à equipe de Pat Patrick, onde teria como companheiro de equipe seu maior rival na Indy: Gordon Johncock. Durante os treinos para as 500 Milhas de 1983 Johnny sofreria um grave acidente, onde quebrou o pé esquerdo e o tornozelo direito, deixando-o de fora não apenas daquela edição, como de boa parte da temporada. Para 1984 Rutherford foi para a equipe Doug Shierson e acabou não se classificando para as 500 Milhas, mas ainda naquele ano ele fez algumas provas pela Penske, onde substituiu um contundido Rick Mears. As duas últimas vitórias de Rutherford na Indy aconteceram em 1985 e 1986 pela equipe de Alex Morales, sendo que ao vencer as 500 Milhas de Michigan, Johnny chegaria ao número de 27 vitórias na carreira, o colocando como o quarto maior vencedor da história da Indy até aquele momento. 


A última temporada completa da Indy de Johnny Rutherford foi em 1987 e a partir de 1988 ele apenas participaria de algumas corridas. Sua última largada em Indianápolis foi em 1988 pela equipe de A.J. Foyt, mas Johnny ainda tentaria se qualificar em 1989, 1990 e 1992, sem sucesso. Em 1994 Johnny Rutherford anunciou sua aposentadoria definitiva aos 56 anos de idade, com um cartel de três vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis (1974, 1976, 1980), um título (1980) e 27 vitórias na Indy, numa carreira que atravessou três décadas. Enquanto tentava se qualificar para a sua 25º largada em Indianápolis, Johnny Rutherford se tornou comentarista e por muitos anos pilotou o pace-car da Indy, além de treinador de pilotos novatos em Indianápolis. Um dos grandes pilotos da Indy em todos os tempos, Johnny Rutherford pilotou carros históricos e com eles conseguiu um legado de sucesso.

Parabéns!

Johnny Rutherford

segunda-feira, 6 de março de 2023

Figura(BAH): Fernando Alonso

 Prestes a completar 42 anos de idade, Fernando Alonso curtiria bastante a famosa música de Sergio Reis: é panela velha que faz comida boa. Estreando pela ascendente Aston Martin, Alonso fez uma corrida sensacional, o que acabou por salvar o modorrento domínio da Red Bull no Bahrein. Alonso não largou bem e ainda foi alvo de fogo amigo, quando Stroll cometeu um característico erro e bateu em seu companheiro de equipe ainda na primeira volta. Porém, Alonso não baixou a guarda e provou todo o potencial mostrado pela Aston Martin nos testes pré-temporada, partindo para cima das duas Mercedes e em belas brigas, soube superar Russell e Hamilton com manobras de tirar do fôlego, ao mesmo tempo que foram claramente planejadas pelo espanhol. Com a quebra de Leclerc, Alonso viu que o pódio era possível e com o compatriota Sainz sofrendo com os pneus, Fernando partiu para cima da Ferrari e igualmente após uma luta muito forte e leal, Alonso soube tirar da cartola um terceiro lugar que fez todos levantarem a sobrancelha e provar que Alonso pode tornar a briga pelo lugar mais baixo do pódio um dos melhores momentos da F1 em 2023. Depois da corrida, a vibração dos mecânicos da Aston Martin provava toda a energia trazida por Alonso para a equipe. Piloto mais experiente do grid, Alonso foi um dos destaques dessa corrida e com toda a gana mostrada, deverá sê-lo mais vezes nessa temporada.

Figurão(BAH): Esteban Ocon

 Esteban Ocon começou nesse domingo sua sexta temporada na F1, mesmo que já corra na categoria desde 2016, como protegido da Mercedes e de Toto Wolff. Já contando com uma vitória na carreira e considerado um piloto conceituado, não se pode esperar mais de Ocon erros tão banais como que o francês cometeu na abertura da temporada 2023. Primeiro, Esteban parou seu Alpine no lugar errado no grid, ocasionando uma punição de 5s, que seria cumprida na primeira parada do francês, donde a Alpine se aproveitou para trocar a asa dianteira de Ocon. O francês pararia e deveria esperar 5s antes de tocarem no Alpine, mas os mecânicos se adiantaram meros quatro décimos, mas que foi o suficiente para Ocon tomar 10s de pênalti. Já estava ficando feio, mas Ocon só vacilou na primeira punição, mas não na inacreditável terceira punição, quando Esteban apertou o botão de desligar o limitador de velocidade antes da hora dentro dos pits e Ocon tomou um terceiro pênalti, destruindo de forma definitiva a corrida dele, que acabou abandonando quando Esteban corria nas últimas posições. Com Gasly pulando de último para os pontos, Ocon não poderá mais cometer erros tão banais se quiser superar seu companheiro de equipe e rival.

domingo, 5 de março de 2023

Aproveitando as chances

 


Marcus Ericsson saiu da F1 com a fama de pay-driver e que só lá esteve por causa dos bolsos fundos de sua família. Após alguns anos na Sauber, onde praticamente sustentou a equipe, que estava em estado de penúria, Ericsson foi dispensado quando surgiu no horizonte helvético um contrato com a Alfa Romeo. Sem nunca ter feito nada de impressionante na F1, Ericsson mudou seu foco para os Estados Unidos e foi para Indy, onde rapidamente conseguiu um desejado lugar na Ganassi, ainda usando os fundos de sua família. Sim, mesmo sendo uma equipe enorme, a Ganassi já teve que juntar uns trocados deixando um cockpit para alguém pagar as contas. Porém, Ericsson vai fazendo um trabalho acima das expectativas e após vencer as 500 Milhas de Indianápolis ano passado, o sueco iniciou a temporada 2023 vencendo, mesmo que em nenhum momento ele esteve com o melhor carro do pelotão, mas Ericsson soube aproveitar as chances quando elas surgiram.

A abertura da temporada 2023 da Indy começou com um enorme susto quando um acidente envolvendo vários carros acabou ocasionando uma bandeira vermelha, incluindo uma forte batida que fez Devlin de Francesco sair voando. Nesse melê todo, Helio Castroneves foi envolvido, assim como seu companheiro de equipe Pagenaud e dois pilotos da Foyt. Isso aconteceu na segunda metade do grid, porque na primeira, Romain Grosjean dava um show no seu carro da Andretti. O francês liderou todo o primeiro stint com autoridade, mesmo usando os pneus macios, que simplesmente não funcionavam por muito tempo na abrasiva pista de rua de St Petersburg. Escoltado por Colton Herta no início, Grosjean soube administrar melhor os pneus, enquanto Hertinha perdeu tanto rendimento com os pneus macios, que não apenas perdeu contato com Grosjean, como foi escalado até realizar sua primeira parada. Porém, uma bandeira amarela mudou o status quo da corrida e mesmo saindo com os pneus macios, o vencedor do ano passado Scott McLaughlin surgiu na frente de Grosjean. Para sorte do piloto da Penske, a velha frase 'bandeira amarela traz bandeira amarela' se efetivou e houveram mais três intervenções, incluindo outro voo, agora com Kyle Kirkwood da Andretti, mas quem se machucou foi Jack Harvey, que saiu do carro sentido dores e foi para o hospital. Herta se envolvia num incidente com Will Power e acabava o final de semana no muro. A Andretti estava confiante no final de semana, tanto que se falava em dobradinha na corrida, mas a cada carro que abandonava, a câmera focalizava um Michael Andretti quase puxando os cabelos.

Quando houve uma maior fluidez, McLaughlin segurava com maestria Grosjean e logo os dois se destacavam dos demais, que tinha Pato O'Ward, Marcus Ericsson e Scott Dixon vindos mais distantes. Ainda restava uma parada para todos e querendo fazer o 'undercut', Grosjean parou primeiro, na esperança de ter os pneus aquecidos quando McLaughlin parasse. O neozelandês foi chamado na volta seguinte e saiu bem na frente de Grosjean. Logo após a saída dos pits em St Pete, há a reta oposta e com pneus mais quentes, Grosjean tentou a manobra ali, pois sabia que se Scott aquecesse seus pneus, dificilmente ultrapassaria o piloto da Penske. McLaughlin se colocou por dentro e não aliviou na freada, mas Grosjean tentou uma manobra banzai por fora. Após a corrida, McLaughlin assumiu a culpa, por ter deixado para frear tão por dentro com pneus frios, enquanto Grosjean dizia que 'aquilo não é corrida'. De qualquer maneira, os dois acabaram na barreira de pneus e Michael Andretti saía dos pits fumando numa quenga. O que não dá para negar foi que Grosjean foi otimista ao extremo em tentar uma ultrapassagem por fora num ponto tão perigoso e estreito. Mesmo que McLaughlin tenha errado, Romain arriscou demais quando tinha o melhor carro e os pontos da segunda posição podem fazer falta em setembro...

Com isso, Pato O'Ward assumiu a ponta e poderia salvar o dia da McLaren, que fez um papelão no outro lado do mundo na F1. Zak Brown deve ter ficado todo animado com as últimas voltas do seu pupilo liderando, mesmo com a dupla da Ganassi se aproximando perigosamente. Porém, na abertura da penúltima volta, O'Ward abanou seu McLaren na entrada da reta dos boxes e Ericsson ultrapassou graciosamente Pato, enquanto Brown deveria ter se levantado do sofá na mesma vibe de Michael Andretti. Depois da corrida O'Ward, com cara de pouquíssimos amigos, acusou um ligeiro problema no motor, que entrou no modo errado e permitiu a ultrapassagem decisiva de Ericsson.

Foi na sorte? Foi. Mas o automobilismo, assim como o esporte em geral, a sorte faz parte da definição ou não do vencedor e Marcus Ericsson estava sempre no pelotão da frente. Ele não tinha carro para brigar pela vitória, mas viu um a um seus rivais saindo do caminho e lhe estendendo o tapete para vencer na estreia da temporada 2023, com um desolado O'Ward em segundo, Dixon em terceiro e mais atrás, Alexander Rossi estreando de forma correta na McLaren em quarto. Calum Illott mostra que tem potencial para estar numa equipe grande ao sair de 22º no grid para quinto. Power foi punido pelo toque com Herta e ainda salvou um top10, enquanto Newgarden tentou uma tática diferente, mas seu motor entregou os pontos no final, quando estava atrás até mesmo de Power, numa corrida opaca do americano da Penske. Ericsson faz um trabalho digno e se aproveitando das chances que foram surgindo, lidera o campeonato da Indy em sua primeira corrida em 2023.

Início de mais um domínio?


 Sempre que há uma mudança drástica nos regulamentos técnicos, há a expectativa de uma mexida no status quo da F1, contudo, isso normalmente muda de bastão quem está dominando a categoria. Foi assim de 1997 para 1998 e de 2013 para 2014. Se a F1 estava cansada de um forte domínio, na verdade teve que se acostumar com outro. Após um 2021 inesquecível, a F1 vivia expectativa de um novo regulamento que prometia mais equilíbrio, mas o que se viu foi a Mercedes, que dominou a F1 por oito anos, entregar o bastão para a Red Bull, que quebrou recordes com Max Verstappen em 2022. Chegou 2023 e nos parcos três dias de testes pré-temporada, a Red Bull se mostrou tão ou mais forte do que no ano anterior. Ligou-se a luz vermelha, que nesse caso, não se trata do cabaré de Maria Boa em Natal, como diria o mítico Francisco Diá. A F1 teria um novo domínio? A apertada classificação no sábado deu esperanças aos fãs, mas no domingo Red Bull e Max Verstappen acabou com toda a brincadeira, com uma vitória daquelas que somente uma hecatombe histórica pode tirar o tricampeonato do neerlandês.


A primeira corrida da temporada 2023 da F1 não foi das mais empolgantes, com muitas equipes ainda meio que testando seus carros em meio a uma pré-temporada ridiculamente curta, mas muitas respostas foram dadas. Se nesses falados três dias ninguém sabia como as equipes iam para a pista, no que tange peso, pneus e regime do motor, no Bahrein todo mundo estava correndo ao máximo, mesmo que ainda aprendendo suas máquinas. E foi um show da Red Bull. O único percalço ocorreu na largada, quando Sérgio Pérez saiu mal, foi atacado por Leclerc e os dois quase levaram Carlos Sainz à roldão. Por sorte, ninguém teve um único toque sequer, mas Leclerc, que guardou um jogo de pneus macios novos, superou Pérez, que tentou aqui e ali, mas rapidamente o chicano percebeu que não valeria a pena arriscar uma ultrapassagem. Um dos indicadores da pré-temporada foi que a Ferrari tinha sérios problemas de desgaste de pneus, tanto que Leclerc preferiu nem tentar a pole no sábado. Porém, se Charles se aproveitou na largada, durante o primeiro stint de nada serviu para o monegasco ir para cima de Max. O neerlandês simplesmente não deu uma chance sequer a ninguém no começo da noite barenita. Certa vez perguntaram à Max se ele ficaria incomodado em dominar uma temporada de F1, no que Verstappen disse que não teria qualquer problema. E Verstappen vem mostrando isso na prática. Ele simplesmente ignorou seus adversários, raramente ficando menos de 10s de frente para quem quer que fosse o segundo colocado. Na primeira rodada de paradas, a Red Bull optou em calçar seus pilotos com pneus macios e foi assim que Pérez atacou Leclerc para conseguir a segunda posição e disparar. Havia o risco de algum Safety-Car estragar a festa austríaca, mas o SC virtual veio justamente por causa de Leclerc, que abandonou com o motor quebrado, enquanto nos boxes Piero Lardi Ferrari quase comia seu fone. A vitória da Red Bull ficava ainda mais fácil, com Max e Checo completando uma fácil dobradinha na frente.


Com a quebra de Leclerc, a briga pela terceira posição ficou bem animada e nela constava um Alonso inspirado, que usou até da malandragem de sua equipe para ter vantagem. A Aston Martin se preparou para a entrada de Stroll, mas como ninguém sabia se era o canadense a entrar, a Mercedes resolveu trazer Hamilton, que entrou nos boxes reclamando que os pneus estavam bons. 'Podemos levar um undercut de Alonso', respondeu Bono em sua voz inconfundível. Pena que a transmissão não mostrou a cara da Mercedes quando quem entrou nos pits foi Stroll, enquanto Alonso ficou na pista algumas voltas que se mostraram essenciais. Com todo mundo preferindo os duros, Alonso tinha a vantagem de ter pneus mais frescos e saiu à caça de Hamilton, numa luta emocionante, que acabou vencida pelo espanhol, isso depois de Fernando já ter dado um baile em Russell mais cedo na prova. Se não bastasse esse handicap, Alonso viu Sainz ter os pneus se desmanchando, provando que a Ferrari tem mais voracidade por borracha italiana que um moleque esgalamido após passar a tarde brincando. Alonso rapidamente encostou no compatriota, que diga-se de passagem, fez uma corrida bem mequetrefe. Sainz tentou resistir, mas quem poderia resistir a magia de Alonso? O bicampeão ultrapassou Sainz rumo a um comemorado pódio, além de lembrar de parabenizar Stroll por ter finalizado a corrida, mesmo tendo se quebrado inteiro numa queda de bicicleta na quinzena anterior. Alonso mostrou que sua magia permanece e que a Aston Martin virá muito forte para 2023, muito impulsionada pela energia de Alonso.


Hamilton fez uma boa largada e namorou com o pódio, mas após ser ultrapassado por Alonso, não soube ultrapassar um 'descalço' Sainz nas voltas finais, tendo que se conformar com a quinta posição. Já Russell lutou bastante na prova, mas foi ainda mais atrapalhado pela galhofa da Mercedes no meio da corrida e ao parar mais tarde do que Stroll, acabou ultrapassado pelo canadense, que mesmo tendo dificuldades em correr, ainda pôde marcar alguns pontinhos pela equipe e segurar Russell. Com a F1 tendo a Red Bull sozinha em seu mundo, não se pode mais dizer que o sétimo colocado é o melhor do resto, pois o trio Ferrari/Aston Martin/Mercedes estão claramente um passo atrás dos austríacos, mas um passo à frente dos demais. Portanto, com a quebra de Leclerc, o oitavo colocado Bottas foi o melhor do resto, com o nórdico da Alfa Romeo tendo feito uma corrida sólida, onde sua estratégia no primeiro stint o colocou à frente de Mercedes e Aston Martin por um breve momento. Se ano passado Zhou conseguiu acompanhar o já veterano Bottas, dessa vez o chinês mal apareceu na TV e ficou fora da zona de pontos. Após uma classificação terrível, Pierre Gasly se recuperou no domingo e numa prova muito boa, levou à Alpine aos pontos, sendo que o francês foi o piloto que mais ganhou posições no domingo. Totalmente o inverso aconteceu com Ocon, que fez uma corrida completamente mal-ajambrada, onde foi tantas vezes punido, que parecia que o francês seria um novato.


E falando em novatos, esse ano temos três novatos e o melhor da corrida foi o americano Logan Sargeant, que chegou a flertar com os pontos e andou próximo de Alexander Albon, que fechou a zona de pontuação, tendo que segurar Tsunoda nas voltas derradeiras. O companheiro de equipe Tsunoda, De Vries, mal apareceu na transmissão e não lutou para estar na zona de pontos, mas os prospectos da Alha Tauri eram bem sombrios, assim como a Williams, e hoje as duas escuderias brigaram pelo último pontinho, o mesmo não acontecendo com a Haas, que colocou Hulkenberg no Q3, e a grande decepção desse início de ano, a McLaren. Oscar Piastri foi o primeiro abandono do dia quando seu carro travou como um Google Chrome. Já Norris ocupou boa parte da prova a última posição, onde terminou, com um problema de pressão que tornou suas paradas mais longas, além da McLaren não ter tratado tão bem os pneus. Zak Brown terá um longo ano pela frente...


A Red Bull começou o ano mostrando que 2022 ainda não acabou para ela e tende a dominar mais uma vez a F1, com Max Verstappen mais inspirado do que nunca, rumo ao tricampeonato. Mesmo sendo apenas a primeira corrida de uma longa temporada de vinte e três provas, vai ser muito difícil Max perder o título na situação atual. Porém, com a entrada da Aston Martin na equação, ainda mais com Fernando Alonso lá, a briga pela terceira posição pode nos proporcionar bons momentos ao longo do ano. Pois lá na frente, outras dobradinhas, lideradas por Verstappen, deverão ser vistas mais vezes em 2023.

quinta-feira, 2 de março de 2023

Mais um começo


 Terminando a corrida da F1 no domingo, a Indy estará bem próxima da largada para a temporada 2023 no já tradicional palco de St Petersburg, na Flórida, um circuito de rua apertado e de complicadas ultrapassagens, onde a saudade das boas corridas da Indy é terminada por sete meses, mas que não responde quem é o grande favorito ao título.

Apesar da competitividade da Indy, a categoria tem seus pelotões bem definidos, com quatro equipes muito fortes e vários coadjuvantes. A principal equipe é a Penske e seu forte triunvirato. Atual campeão, Will Power mostrou uma gigantesca regularidade ano passado, onde o australiano teve vários momentos de azar nas classificações, mas no domingo Will fazia belas corridas de recuperação, marcando doze top-10 em dezessete corridas e mesmo com apenas uma vitória, Power garantiu o segundo título, saindo das características anteriores dele, onde Power mostrava muita velocidade e pouca consistência, principalmente nos ovais. Newgarden venceu cinco corridas, fez uma etapa derradeira em Laguna Seca de tirar o fôlego, mas o americano pecou pelos vários abandonos e acabou superado pelo companheiro de equipe. Josef já é um piloto consolidado e seus dois títulos e três vice-campeonatos nos últimos anos o colocam como um dos mais fortes candidatos de 2023, mas para Newgarden falta mesmo uma boa corrida em Indianápolis.

Scott McLaughlin teve um ano de estreia bem mequetrefe, mas em seu segundo ano o neozelandês provou que a exótica escolha de Roger Penske, que viu talento nele na V8 Supercars, uma categoria de turismo na Austrália que mais parece um antigo faroeste, se pagou completamente. Foram três vitórias em 2022 e a certeza que a curva de crescimento de Scott é bem maior do que seus companheiros de equipe. A equipe que vem dividindo os títulos com a Penske nos últimos anos é a Ganassi, com Scott Dixon liderando o time com seu talento gigantesco, mas felizmente a Ganassi não se resume apenas ao neozelandês. O problema é que o piloto escolhido para ser o futuro da equipe já está de saída. E pelas portas dos fundos. Alex Palou venceu o título em 2021, mas acabou assinando com a McLaren numa transação rumorosa e que acabou na justiça. No final, Palou cumprirá seu contrato com a Ganassi e ninguém sabe ao certo qual será o grau de motivação do espanhol para essa temporada derradeira e nem como a equipe o tratará. Marcus Ericsson venceu a Indy 500 ano passado com todos os méritos, mas o sueco ainda está longe de encantar, com alguns altos e muitos baixos. O quarto carro da Ganassi não terá mais Jimmie Johnson, que mesmo sendo uma lenda da Nascar, foi um verdadeiro fiasco na Indy. Com a saída de JJ, esse carro atrairá muitas atenções, pois terá Marcus Armstrong nos mistos e Takuma Sato nos ovais. O experiente japonês tentará principalmente o tricampeonato em Indianápolis, enquanto Armstrong, que vem da Nova Zelândia de Dixon, estará sendo treinado para ser o sucessor de Scott na Ganassi.

A Andretti sonha alto em conseguir um lugar na F1 e talvez por isso tenha perdido o foco na Indy, inclusive com corridas em que seus pilotos se eliminaram. A Andretti tem em mãos talvez o maior talento da Indy, Colton Herta, que tem um longo contrato com a Andretti pensando na F1, em que quase se transferiu ano passado. Ninguém duvida do talento de Herta, mas ainda lhe falta consistência e o tempo vai passando e Colton ainda não brigou seriamente pelo título. Romain Grosjean mostrou velocidade, mas também muitas trapalhadas, lembrando seus piores momentos na F1, mas ao menos se viu livre de Rossi, com quem não se dava, entrando no lugar Kyle Kirkwood, um jovem piloto das canteras da Andretti e bastante promissor. Devlin Defrancesco paga as contas da equipe e isso diz muito do canadense na equipe. Com a Andretti patinando, a McLaren vai se consolidando como a quarta força da Indy, mas com potencial de passar a Andretti rapidamente. O time tem outro diamante bruto de talento, que é Pato O'Ward, mexicano que já mostrou muita velocidade e brigou pelo título em 2021, mas deu um passo atrás ano passado, talvez pensando na F1. Enquanto Palou não vem, a equipe manteve Rosenqvist na equipe, enquanto se expandiu para um terceiro carro para Alexander Rossi, que veio corrido da Andretti após ter desentendimentos com seus companheiros de equipe, sem contar que Rossi vem devendo nos últimos anos, mas a McLaren contará com a sua experiência. Tony Kanaan anunciou que as 500 Milhas será sua última corrida na Indy e ele a fará pela McLaren, num quarto carro.

As demais equipes são coadjuvantes, com destaque para a Rahal e seu trio de bons pilotos, com o veterano Graham Rahal, o promissor Christian Lundgaard e Jack Harvey. A equipe Carpenter contará com o talentoso Rinus Veekay para liderar a equipe e terminar a sina que o time só anda bem em ovais. A equipe Juncos manteve o talentoso Callum Ilott e imitando Roger Penske, trouxe do turismo o segundo piloto, o argentino e compatriota do chefe, Agustin Canapino. A tradicional Foyt trouxe o maluquinho Santino Ferrucci, enquanto a Dale Coyne terá David Malukas. A Meyer Shank tem uma dupla de pilotos que mais parece uma filial do INSS, mas Simon Pagenaud e Helio Castroneves tentarão reverter uma temporada ruim de um time, que recebe apoio da Andretti e com a equipe colocando suas forças na F1, sobrou quase nada para a equipe filial. Porém, nunca é bom subestimar Helio em Indianápolis. E só.

Como se vê, não faltam bons pilotos e a Indy terá um grid forte e sortido para a temporada. Muitos exageram dizendo que a Indy já estão tão forte como nos áureos anos 1990, mas isso não passa de um exagero, porém, não se pode negar a qualidade do grid, com alguns pilotos oriundos da Europa, além de jovens talentos americanos. Se não está como nos velhos tempos, pelo menos não se pode negar que a Indy terá corridas emocionantes e um campeonato sem grandes favoritos pela frente.

Vai começar!

 


Foram três meses de muita especulação, algumas picuinhas fora das pistas e uma mini-pré-temporada no Bahrein antes que estivéssemos na esperada primeira 'Race Week' de 2023. A F1 começará nesse domingo no Bahrein com a expectativa de 23 corridas emocionantes e briga acirrada pelo título. Será?

Com o constante corte de testes na F1, o início de 2023 teve uma pré-temporada de apenas três dias, onde as equipes só podiam ter um carro na pista o dia inteiro. Vai chegar o tempo em que os carros serão construídos e imediatamente colocados no primeiro treino livre... Os pilotos reclamaram e mesmo que se houvesse o dobro de tempo para testar os mesmos personagens continuaria reclamando por mais tempo de pista, porém dessa vez os pilotos da F1 tem razão em reclamar. Com tão escasso tempo, as equipes obviamente usaram da cautela para evitar qualquer quebra e mesmo andando a 60-80% do seu potencial, cada quilômetro conta para as equipes obterem o máximo possível de informações dos novos carros.

Se as pré-temporadas anteriores já colocavam mais dúvidas do que respostas antes da F1 aportar em sua primeira prova do ano, três dias não responde a muitas perguntas, porém, algumas coisas estão bem claras. Além de um baita piloto, Max Verstappen não se furta em ser sincero, doa a quem doer. Pois o neerlandês não escondeu que o novo carro da Red Bull está melhor do que o da temporada passada. Pérez ficou com o tempo mais rápido no apanhado dos três dias, mas outros pontos fazem da Red Bull se tornar a favoritassa de 2023, inclusive com direito a domínio parecido com o de 2022. Ou até maior! Fala-se que a Red Bull está em torno de três décimos de segundo na frente da Ferrari, mas que essa diferença pode ser até mesmo mais larga. A Ferrari completou três dias tranquilos, onde apenas o desgaste de pneus ainda preocupa, mas nada que faça Fred Vasseur perder ainda mais cabelos, porém, isso pode ser insuficiente para alcançar a Red Bull.

A Mercedes apostou novamente na sua lateral zero-pod e se o poirposing diminuiu, o carro continua com muito arrasto, foi um dos poucos a quebrar e esteve longe de impressionar pela velocidade. Hamilton e Russell começam o ano reticentes com um carro que parece bom apenas para brigar com a Ferrari para ser segundo colocado, com os italianos um pouco à frente no momento.

O pelotão intermediário está uma briga de foice no escuro, com destaque especial para a Aston Martin, que mostrou velocidade e consistência com Alonso e Felipe Drugovich, que substituiu Lance Stroll enquanto este se recuperava de uma queda de bicicleta. O brasileiro fez um bom trabalho, mas Stroll acabou sendo o escolhido como o piloto a estrear na equipe verde, que pelos números mostrados no Bahrein, pode liderar o pelotão intermediário e há quem diga que incomodará até mesmo a Mercedes! Outra equipe que se mostrou forte foi a Alfa Romeo, que teria consertado os problemas que lhe afligiram em 2022, como o problema de refrigeração que resultou em tantos abandonos, além da estabilidade traseira, tornando a pilotagem mais tranquila para Bottas e Zhou. Alpha Tauri, Haas e Williams fizeram o papel que delas era esperado, mesmo que a equipe júnior da Red Bull tenha sido envolvida numa suposta venda, mas que foi negada pela Red Bull nessa semana.

Ano passado Alpine e McLaren brigaram pela liderança do pelotão intermediário. São duas equipes estruturadas e experientes, sendo que uma é apoiada diretamente por uma montadora de tradição. Para completar, Alpine e McLaren se envolveram numa briga fora das pistas por Oscar Piastri, vencida pelos ingleses. Porém, os três dias de pré-temporada não foram nada animadores para ambas as equipes. A Alpine simplesmente não mostrou velocidade em nenhum momento e mesmo assim não foi a equipe que mais acumulou quilometragem, porém, a McLaren parece estar numa situação ainda pior, com um carro mal nascido a ponto do próprio Andrea Stella já ter declarado que a pré-temporada não teve os resultados esperados, fazendo com que Lando Norris, que sabe que tem talento e velocidade para brigar mais à frente, ter socado um muro nos boxes de frustração. Já Piastri deve estar pensando que para onde fosse, a situação não era tão boa em sua estreia.

Porém, ninguém sabe o quão pesado os carros marcaram seus melhores tempos, nem se usavam todo o potencial do complicado motor. A Red Bull é a grande favorita para essa primeira corrida, mas devido às punições de quebra do teto orçamentário em 2021, terá algumas restrições no túnel de vento que poderá frear o desenvolvimento do carro. Será o suficiente para atrapalhar a caminhada de Verstappen rumo ao terceiro título?