Em tempos de grandes filmes sobre corrida chegando, esse documentário tende a ser histórico...
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Figura(BEL): Sebastian Vettel
Se há um piloto com uma marca registrada, esse se chama Sebastian Vettel e sua forma de vencer corridas e derrotar seus rivais. O script das vitórias de Vettel são tão parecidas que parecem ter sido combinadas com todos. Mesmo não largando na pole, Sebastian consegue a ultrapassagem vencedora ainda no começo e usando o potencial do seu Red Bull, destrói quem quer que esteja na segunda posição com voltas rápidas que o faz abrir uma diferença confortável a ponto de administrar até a primeira rodada de paradas. Após um pit-stop perfeito da Red Bull, Vettel marca algumas voltas mais rápidas com os pneus novos, ultrapassando algum piloto que ficou à sua frente e que esteja retardando sua parada. A situação acontece nas necessárias paradas seguintes até a bandeirada. Isso se resume o triunfo de Vettel em Spa. Sem tirar, nem pôr. Após perder a pole para Hamilton na base da sorte e da chuva, o alemão recuperou sua posição original ainda na terceira curva da corrida, deixando Lewis comendo poeira na reta Kemmel e fazer voltas 1s mais rápido que o inglês nas passagens posteriores, o deixando numa posição privilegiada para a primeira parada. Após ultrapassar facilmente Button, que retardou sua primeira parada, Vettel marcou voltas mais rápidas para abrir uma vantagem sobre Fernando Alonso, o agora segundo colocado. E assim foi que Vettel abriu 17s sobre Alonso, que saiu de sua Ferrari com cara de pouquíssimos amigos, pois viu que todo o seu esforço de pouco adiantou para fazer frente a Vettel e sua Red Bull, que escreveu mais um script perfeito para mais uma vitória.
Figurão(BEL): Pastor Maldonado
O venezuelano até demorou a aprontar, mas em Spa ele aprontou. E feio. Além de lidar com a enorme crise que enfrenta a tradicional Williams, onde ter conquistado um ponto na corrida passada foi motivo de dar graças aos céus, Maldonado se envolveu num incidente besta em Spa e, novamente, foi punido para destruir definitivamente sua corrida. Agora correndo apenas no pelotão intermediário, Maldonado brigava contra Force Indias e Saubers por posições próximas a zona de pontuação no meio da prova. Após ser tocado por Adrian Sutil e rodar na chicane Bus Stop, Pastor resolveu ir aos boxes para consertar seu carro, mas se esqueceu de olhar ao seu redor e acabou acertando em cheio a outra Force India de Paul di Resta, que abandonou tristemente após largar num ótimo quinto lugar. Se no ano passado Maldonado variava de acidentes pela sua agressividade e posteriores punições com atuações exuberantes de velocidade, 2013 vem mostrando um Pastor Maldonado opaco e, o pior, tão trapalhão como antes.
domingo, 25 de agosto de 2013
Na mão grande
Mais ou menos cinco anos atrás, Lewis Hamilton teve sua vitória perdida no Grande Prêmio da Bélgica por uma decisão para lá de polêmica, quando o inglês ultrapassou Kimi Raikkonen na Bus Stop e para completar a ultrapassagem e evitar um acidente, cortou a chicane, mas logo devolveu a posição para o então piloto da Ferrari e retoma-la mais à frente. Por causa dessa punição, passei a torcer por Hamilton, mesmo enfrentando Felipe Massa. E fiquei feliz quando ele derrotou Massa, ainda me lembrando desse episódio. Pois a partir de hoje torno pública minha torcida por Scott Dixon pelo o que aconteceu hoje em Sonoma, onde o neozelandês teve sua vitória perdida em uma decisão polêmica dos comissários, somando a uma gaiatice de um membro da Penske.
Dixon vinha certo da vitória em uma corrida dura e caótica, onde as bandeiras amarelas aconteciam a todo tempo por causa dos excessivos toques entre os pilotos, que mais fez parecer a corrida de hoje uma das etapas da Nascar. Fazendo sua última parada, Dixon completou seu pit-stop atrás do lugar de Will Power, segundo colocado da corrida. O mecânico de Power pegou o pneu traseiro do australiano e saiu caminhando como se estivesse passeando pelo parque, além de ter passado um pouco longe do normal da traseira de Power. O resultado foi esse mecânico ter sido atingido por Dixon, que acabou punido mais tarde, entregando a vitória para Power, o melhor piloto da Penske e único a ter andado minimamente próximo de Dixon durante a prova.
Sempre admirei a história da Penske, mas a artimanha de sua equipe para prejudicar Dixon passou de todos os limites, mesmo o time capitaneado por Roger Penske estar há sete anos sem títulos, graças a erros e azares de Power. Essa manobra garantiu que Helio Castroneves, um piloto fraco e inconstante, praticamente fique com o título deste ano nas mãos, pois sua vantagem subiu bastante quando o normal seria o contrário. Helio ainda teve sorte em ter terminado a prova por ter sido espremido por Marco Andretti e Hinchcliffe numa relargada, inclusive Andretti sendo interpelado por Roger Penske após a prova. Porém, o Capitão deveria interpelar seu mecânico 'esperto' e seus chefes pela manobra feia que pode macular outro campeonato de sua equipe tão tradicional.
Top-5
É até difícil encontrar adjetivos para expressar o que vem fazendo Marc Márquez em sua temporada de estreia na MotoGP. No texto inicial sobre a temporada 2013 da MotoGP, falei que o título seria disputado entre Daniel Pedrosa e Jorge Lorenzo, enquanto Marc Márquez e Valentino Rossi corriam por fora, mas se um deles conseguisse o título, seria uma bela história. E é exatamente assim que Márquez vem fazendo o seu debute na MotoGP. Considerado um fenômeno desde o seu título nas 125cc, Márquez fez a Honda usar sua força política para mudar a regra e traze-lo como piloto oficial. Cedo demais? A quinta vitória do ano em Brno, um recorde a mais batido por Márquez, mostra mais uma vez que não.
Como sempre, o pódio foi dominado por Márquez, Lorenzo e Pedrosa, os pilotos mais fortes desse ano, particularmente os dois primeiros. A largada de Lorenzo hoje foi algo inesquecível, onde o espanhol da Yamaha saiu costurando todos os seus adversários com a mesma facilidade de um habilidoso artesão. A alegria as equipes satélites, que ficaram com as duas primeiras posições do grid (Cal Cruthlow e Alvaro Bautista, respectivamente) durou, por sinal, apenas até a largada, pois logo atrás de Lorenzo vieram as duas Hondas de fábrica, com Márquez à frente de Pedrosa, que num primeiro momento, parecia mais próximo da ultrapassagem. Falsa impressão. O mesmo da vantagem aberta por Lorenzo na primeira volta. Numa pista onde se imaginava a Yamaha bem melhor do que nas corridas anteriores, a superioridade da Honda mostrou o contrário com a aproximação de Márquez e Pedrosa em cima de Lorenzo.
Chegou a ser comovente a determinação de Lorenzo em se manter na ponta, com seu olhar determinado flagrado espetacularmente pela transmissão da TV. Porém, a força da Honda fez Lorenzo sucumbir, mesmo que apenas no final. Com certeza Pedrosa ainda lembra da espetacular chegada do ano passado, quando ultrapassou Lorenzo na última curva, mas o espanhol viu Márquez o superar até nisso, pois Marc não apenas segurou Pedrosa sem muitos sustos, como tanto fustigou, que ultrapassou Lorenzo para mais uma vitória, a quarta seguida e a quinta no ano, aumentando sua diferença para o vice-líder Pedrosa para quase 30 pontos, até por que o esforço de Lorenzo em se manter na ponta detonou seu equipamento e por isso foi presa fácil de Pedrosa. Se Lorenzo é o piloto mais perigoso contra este domínio da Honda, a desvantagem não apenas técnica, mas de quarenta pontos ante Márquez deixa o jovem espanhol ainda mais tranquilo.
Com Rossi cada vez mais decadente - infelizmente - a MotoGP vai se monopolizando nos espanhóis, mas com Marc Márquez incomodando cada vez mais os veteranos compatriotas Pedrosa e Lorenzo. A história da temporada 2013 vem se mostrando o primeiro capítulo de um belo conto de um jovem fenômeno que vem tomando conta da MotoGP.
À la Vettel
Liderança na primeira curva. Voltas mais rápidas em momentos cruciais. Vitória praticamente de ponta a ponta. Assim se resumem as vitórias de Sebastian Vettel ao longo de sua carreira e assim foi hoje. Mesmo não largando na pole, Vettel venceu basicamente de ponta a ponta, confirmando todo o favoritismo mostrado nos treinos livres e camuflado pela chuva que caiu nos treinos classificatórios e lhe tirou a pole certa. Com os pneus Pirelli cada vez melhores e resistentes, aliado a um piloto excepcional ao volante, a Red Bull corre impávida rumo ao tetracampeonato, o mesmo acontecendo com Vettel, que aos 26 anos vai se igualando a gênios e pilotos históricos, como Fangio e Schumacher.
Contrariando o que sempre diz Galvão Bueno em Spa, a nuvem estava lá, mas a chuva não caiu. Como acontece aqui em casa e em todo lugar do mundo, acrescentando mais uma abobrinha do narrador global e o pior que todo ano ele diz isso e ninguém tem a iniciativa ou a coragem de dar o toque nele. Se a largada em 2012 foi um caos, a desse ano foi tranquila e sem problemas, com alguns pilotos ganhando muitas posições, como foi o caso de Alonso e outros perdendo, como foi o caso de Webber. Subindo a Eau Rouge em segundo, Vettel não esperou muito para fazer a já cantada ultrapassagem sobre o pole Hamilton, assumindo a ponta na metade da reta Kemmel. E disparou. Fez voltas mais rápidas que deixaram o inglês da Mercedes a uma distância muito boa. Como sempre a Red Bull fez pit-stops perfeitos e nas voltas seguintes, Vettel ia lá e fazia a volta mais rápida. Foi uma dominação completa, bem no estilo dominador que Vettel vem mostrando em sua prodigiosa e impressionante carreira na F1. Com sua vantagem crescendo frente aos rivais mais próximos, o tetracampeonato de Vettel já parece não ser questão de 'se', mas de 'quando'. Mark Webber irá se aposentar no final deste ano e parece que o australiano não irá mesmo aprender a largar bem. Caindo para sexto, Webber ficou empacado atrás da Mercedes de Nico Rosberg a corrida toda e de lá não saiu mais. Outra corrida burocrática do australiano, principalmente se lembrarmos que Webber correr com o mesmo carro de Vettel.
A cara de Fernando Alonso durante o pós-corrida demonstra toda a frustração do espanhol com todo o seu esforço não lhe dar os frutos desejados. Alonso fez outra grande corrida. Fez uma excelente largada, pulando de nono para quinto numa largada audaciosa, onde freou forte para não atingir ninguém na Surcis. Ultrapassou Button e Rosberg para ficar atrás de Hamilton e deixou o inglês para trás logo após sua primeira parada, assumindo o segundo posto. Então, viu o tamanho do abismo de sua Ferrari e a Red Bull. Se ainda conseguiu baixar a diferença para 6.8s logo após a segunda parada, viu Vettel abrir cada vez mais depois dessa parcial até a bandeirada e chegar quase 20s atrás do alemão. Alonso está vendo seu sonho de chegar ao tricampeonato ficar cada vez mais distante e, pior, ver que Vettel pode estar no final do ano com o dobro de títulos dele, fazendo que sua fama de melhor piloto da atual geração ir paulatinamente para Sebastian, para seu profundo desgosto. O clima com a Ferrari piora aos poucos e a negociação de Raikkonen com a Ferrari pode ser um indício de que a visita do empresário de Alonso à Red Bull na Hungria seja um sinal claro de descontentamento do espanhol com sua atual equipe. E falando em negociações, se Felipe Massa tinha duas corridas para fazer um algo mais para ficar outro ano na Ferrari, ele queimou hoje. Saindo de suas características, Massa largou mal e perdeu posições. Porém, perdeu também o Kers e as informações do seu volante, que saiu do ar algumas vezes. Massa foi consistente a ponto de chegar em sétimo, após uma boa ultrapassagem no final sobre Grosjean, mas a Ferrari caiu novamente para terceiro no Mundial de Construtores, denunciando que ter um primeiro piloto destacado e um segundo piloto nas sombras não está dando tão certo, ainda mais com Alonso cada vez mais longe do título de pilotos. No complexo tabuleiro das negociações para 2014, as peças Alonso e Massa podem ter que fazer mudanças. Para o bem e para o mal.
A Mercedes fez uma corrida dentro de suas limitações num final de semana em que esteve claramente atrás de Red Bull e Ferrari em pista seca. Hamilton não resistiu muito tempo à frente de Vettel, segurando a segunda posição dos ataques de Alonso até onde deu, mas Lewis garantiu outro pódio, logo à frente de Rosberg, que fez uma corrida discreta, mas longe de ser ruim, garantindo pontos importantes para a Mercedes no Mundial de Construtores. Para 2014, a Mercedes é a equipe mais tranquila no quesito pilotos. Até porque a Lotus viu a importante marca de Raikkonen de corridas consecutivas nos pontos ser quebrada hoje por problemas nos freios do carro do finlandês, deixando Kimi cada vez mais com vontade de um volante melhor para 2014, seja ele vermelho ou azul-bordô. Grosjean foi o único piloto a arriscar uma estratégia de uma parada, mas a situação do francês não mudou muito, pois ele chegou na mesma posição em que largou. Falando em estratégia, Jenson Button teve uma corrida esquisita. O inglês estava com um bom terceiro lugar nas mãos, fazendo uma corrida excelente pelo pobre equipamento em mãos e com apenas uma parada. Mesmo com a aproximação de Hamilton, um quarto lugar não seria de todo mal, mas nas últimas voltas a McLaren resolveu trazer Button para uma segunda parada tardia e Jenson caiu para sexto, posição em que largou, mas com a sensação que poderia ter feito um pouquinho mais. Pérez voltou aos seus dias de doidinho e acabou punido quando deixou pouco espaço para Grosjean enquanto ultrapassava o francês.
Se o sábado terminou bem para Paul di Resta, mesmo tendo ficado com o gostinho da pole, o domingo foi bem diferente para ele e a Force India. Largando mal, Di Resta foi perdendo rendimento até ser atingido por outro piloto que adoro aprontar, Maldonado. Menos mal que Sutil fez uma corrida boa de recuperação e marcou bons pontos, mesmo com a McLaren agora colada na Force India na briga pelo quinto lugar entre as equipes. Hulkenberg largou muito bem, mas as deficiências da Sauber o tiraram dos pontos, mas ainda à frente de Gutierrez, que se viu em várias disputas durante a prova. Algumas bem perigosas! Toro Rosso e Williams saíram lá atrás pela chuva no sábado, mas tiveram corridas bem diferentes no domingo, com a filial da Red Bull marcando pontos com Daniel Ricciardo (pretenso substituto de Webber na matriz) e Vergne perto de faze-lo. Já a Williams continua com seu calvário, com Maldonado punido e atrás das nanicas, enquanto Bottas quase levou uma volta. Depois de um sábado de sonho, Marussia e Caterham voltaram a realidade no sábado e chegaram as posições de praxe.
Em uma corrida de rostos felizes e tristes, Vettel rumo incólume ao tetracampeonato consecutivo, o deixando ao lado de Fangio e Schumacher. Se alguém ainda duvida do oxigenado alemão, essa vitória enfática em Spa, muito parecida com outras vitórias, deixa claro que estamos vendo um piloto histórico, que domina uma geração que tem pilotos do calibre de Alonso e Hamilton.
sábado, 24 de agosto de 2013
Circuito de clichês
Spa-Francorchamps. Nome mítico para o automobilismo mundial e hoje vimos, mais uma vez, o porquê. Quando o clima está estável, o prazer de pilotar em um circuito de altíssima velocidade e vermos grandes pilotos se digladiando no meio da floresta das Ardennes. E quando o clima está instável, uma estabilidade no local, há quando espetáculos como o de hoje.
O Q1 foi debaixo de chuva fina no início e pista quase seca no finalzinho e isso já causou várias surpresas, quando três dos carros das equipes nanicas foram ao Q2, inclusive com Van der Garde em terceiro, enquanto as duplas da Williams, Toro Rosso e o ameaçado Esteban Gutierrez ficaram pelo caminho. Com a pista seca no Q2, as nanicas voltaram a ficar muito atrás, mas o sorriso aberto de Van der Garde ao ficar com o melhor tempo entre eles, significando o 14º lugar no grid, mostrou bem a surpresa do feito. Porém, a chuva voltou a cair no comecinho do Q3...
E Paul di Resta parecia ter dado a sorte grande quando esperou um pouco mais e saiu com pneus intermediários, enquanto os demais nove pilotos iam aos boxes desesperados. O escocês ainda pegou a pista em boas condições e parecia ter a pole no bolso, com o ainda mais ameaçado Felipe Massa ao seu lado. Porém, Spa é Spa. A chuva cessou e a pista secou. Quem passou antes da bandeirada, tinha uma chance final. Webber, Vettel e Hamilton foram os agraciados. Na medida em que recebiam a bandeirada final, baixavam seus tempos e Hamilton, que reclamou abertamente do seu carro e perigou ficar fora do Q2, dizia que não conseguia acreditar com sua quinta pole em 2013. Paul di Resta, que ficou dentro do carro para acompanhar o final do treino, deve estar desconsolado de ter visto uma pole certa chegar ao quinto lugar, enquanto a Ferrari terá muito trabalho largando na quinta fila, enquanto os favoritos da Red Bull estavam no top-3.
Porém, Spa é Spa. A previsão para amanhã é de chuva, talvez ainda mais forte que a vista hoje. A chance de outro espetáculo como de hoje acontecer é grande e as surpresas, tão presentes hoje, poderão ocorrer mais uma vez.
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