terça-feira, 16 de agosto de 2016

História: 35 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1981

Zeltweg seria palco de mais uma batalha do campeonato mundial de 1981, mas os grandes favoritos daquele ano (Piquet e a dupla da Williams, Reutemann e Jones) não teriam os temidos motores turbo, que teria em Zeltweg a pista ideal para mostrar todo o seu potencial. Porém, o clima dentro da equipe francesa não era nada bom, com Arnoux vendo o novato Alain Prost tomando as rédeas da equipe e não ficando nada satisfeito com a situação, principalmente numa época em que os vários bons pilotos franceses da época lutavam para ver quem seria o primeiro campeão gaulês na F1. Outra equipe com dificuldade de relacionamento com seus pilotos era a Williams. Após sofrer com os motores em Hockenheim, a Williams fez vários testes em Silverstone para tentar encontrar o problema que fez seus dois pilotos terem dificuldades na Alemanha, mas a solução ficaria apenas com Jones, mesmo Reutemann sendo o líder do campeonato. Em plena negociação de contrato, Nelson Piquet queria um bom aumento, mas Ecclestone respondia ao brasileiro com o anúncio de Ricardo Patrese para 1982. Em plena decadência, a equipe Fittipaldi não participaria da prova austríaca por ter apenas um motor em condições de funcionamento...

Como esperado, a Renault dominou os treinos, sendo no mínimo 1s mais rápidos do que seus rivais. Arnoux obteve a pole position pelo terceiro ano consecutivo, três décimos de segundo à frente de Prost. Esta era a quarta pole consecutiva para a marca de diamante. Villeneuve teve que se esforçar para ser terceiro na sua desequilibrada Ferrari. O carro era estupidamente rápido nas retas, mas uma verdadeira calamidade nas curvas. Pironi perdeu tempo por causa de um acidente e ficou na oitava posição. A Ligier de Laffite ficou num excelente quarto lugar, mas Tambay não têm o mesmo desempenho e ficou apenas em 17º. O Reutemann e Jones colocaram a Williams na terceira fila. Piquet foi sétimo depois de quebrar um motor, enquanto Rebaque foi 15º. O Lotus 87 estava sofrendo bastante com os altos e baixos de Zelweg, mas De Angelis ainda conseguiu o nono lugar. A McLaren não conseguiu um bom acerto, enquanto Andrea de Cesaris sofria outro sério acidente em sua primeira temporada completa na F1, desta vez na curva Sebring. 

Grid:
1) Arnoux (Renault) - 1:32.018
2) Prost (Renault) - 1:32.321
3) Villeneuve (Ferrari) - 1:33.334
4) Laffite (Ligier) - 1:34.398
5) Reutemann (Williams) - 1:34.531
6) Jones (Williams) - 1:34.654
7) Piquet (Brabham) - 1:34.871
8) Pironi (Ferrari) - 1:35.037
9) De Angelis (Lotus) - 1:35.294
10) Patrese (Arrows) - 1:35.442

O dia 16 de Agosto de 1981 estava parcialmente nublado em Zeltweg, mas o público não era muito grande, tímidos desde a aposentadoria de Niki Lauda e o rendimento apenas mediado da Ferrari, já que o circuito era invadido pelos tifosi nos bons tempos da scuderia. Em 1980, a corrida foi decidida no consumo de pneus (pensam que isso só acontece hoje?) e no warm-up os pilotos com pneus Goodyear dominaram, ficando com as quatro primeiras posições. Gilles Villeneuve era conhecido por suas largadas 'à jato' e o canadense meteu sua Ferrari entre os dois carros da Renault na luz verde. Villeneuve e Prost ficaram lado a lado a reta inteira, mas o canadense ficou por dentro na primeira curva e subiu para primeiro, com Arnoux fazendo uma nova má largada e caindo para terceiro.

Somente Villeneuve conseguia guiar velozmente a Ferrari, mas seria muito difícil o canadense manter o ritmo dos carros da Renault nas 53 voltas de corrida e logo no final da primeira volta, Villeneuve derrapou na primeira curva e teve que cortar a chicane. Anos mais tarde, Ron Dennis exemplificava esse incidente no famoso entrevero de Senna e Prost em Suzuka/89, mas isso é outra história. Incrivelmente, como num caso de nado sincronizado, Reutemann fez a mesma manobra de Villeneuve logo em seguida, desta vez com o argentino evitando uma batida na traseira de Piquet. Villeneuve caiu para sexto e Reutemann desceu para a oitava posição. Sem a presença de Villeneuve, a Renault poderia dominar a corrida, já abrindo vantagem sobre Pironi, que tinha ultrapassado Laffite durante a primeira volta e no momento era pressionado pelo compatriota. A França tinha quatro pilotos nas quatro primeiras posições! Pironi segurava todo um pelotão atrás de si e em seis voltas, o piloto da Ferrari tinha 12s de desvantagem para Arnoux, em segundo. Piquet havia ultrapassado Jones na largada e estava colado em Laffite, que tentava de todas as formas ultrapassar Pironi, mas numa dessas tentativas, o piloto da Ligier acabou ultrapassado por Piquet, acabando com a quadra francesa nas primeiras voltas do Grande Prêmio da Áustria. Piquet imediatamente começou a atacar Pironi, mas o francês, talvez inspirado no seu companheiro de equipe, fazia das tripas coração para se manter em terceiro. Numa das tentativas, Piquet acabou perdendo impulso e foi ultrapassado por Laffite. Finalmente, na nona volta, Pironi cedeu e foi ultrapassado, quase que na sequência, por Laffite, Piquet e Jones. Contudo, Piquet avariou a minissaia de seu Brabham e perdeu um pouco de equilíbrio do seu carro.

Quando Laffite finalmente se livrou de Pironi, ele já estava 20s atrás de Prost e 16s de Arnoux, no que parecia uma corrida dominante da Renault. Porém, o ritmo forte dos carros amarelos foi a custo de muita borracha e o desgaste inevitável fez com que Laffite e Piquet, aos poucos, tirassem a diferença para os dois líderes. Quando Piquet viu que estava se arriscando demais em acompanhar o ritmo de Laffite, o brasileiro pensou no campeonato e começou a dosar o seu ritmo, enquanto o piloto da Ligier tirava 1s por voltas dos dois carros da Renault, que andavam separados por menos de 1s quando a prova se aproximou de sua metade. Porém, Laffite só teria que enfrentar uma Renault. Quando fazia o aproche da curva um, Prost teve a suspensão dianteira quebrada. Felizmente Prost não bateu em nada, mas estava fora da corrida, com Arnoux assumindo a ponta, mas sabendo que teria que enfrentar Laffite em algum momento da corrida. Piquet vinha 7s atrás de Laffite, tendo a mesma diferença para Jones, com Reutemann 5s atrás do 'companheiro' de equipe na Williams. Fazendo mais uma de suas famosas corridas de recuperação, Watson vinha em sexto, na posição de marcar pontos, mas um minuto atrás de Arnoux.

Na volta 33, mesmo após Laffite cometer um pequeno erro que quase o fez bater no no guard-rail, a diferença entre os líderes era de apenas 1s. Precisando se recuperar no campeonato, principalmente perante à Prost dentro da Renault, Arnoux não deixaria barato a primeira posição, enquanto Laffite ainda sonhava em entrar na briga particular entre Piquet e os pilotos da Williams na briga pelo título. E para isso, Laffite precisava ganhar. Enquanto isso, uma fumaça negra era vista em parte do circuito, quando o Alfa Romeo de Bruno Giacomelli rompeu em chamas, sem maiores problemas para o italiano. Como esperado, Arnoux vendeu caro a primeira posição, distribuindo algumas fechadas, enquanto Laffite andava no limite para tentar tomar a ponta. Na volta 39, quando encontraram os retardatários Derek Daly e Eliseo Salazar, Laffite aproveitou para assumir a ponta, faltando 14 voltas para o fim. Arnoux levou duas voltas para deixar Daly e Salazar para trás e quando se livrou dos dois retardatários, já tinha 3s de desvantagem para Laffite. Arnoux mantinha um ritmo forte, na esperança de alcançar e reabrir uma briga pela ponta, mas Laffite respondeu com a volta mais rápida da corrida. No fim, Jacques Laffite conquistou a quinta vitória da sua carreira, enquanto a Ligier, que não vencia há um ano, conseguia o primeiro sucesso de sua nova parceria com a Talbot-Matra. Arnoux foi segundo, conseguindo o seu primeiro pódio na temporada, mas o francês da Renault não estava satisfeito em ver uma chance de vitória ir embora. Prejudicado pela perda de uma saia, Piquet foi apenas o terceiro, seguido pelos dois carros da Williams, na ordem, Jones e Reutemann, mas o argentino teve muita sorte, porque seu motor quebrou nos metros finais! Watson ganhou o último ponto, também com problemas de motor em sua McLaren. Com essa vitória, somado ao sexto pódio em sete corridas, Jacques Laffite entrava de vez na briga pelo título de 1981. E Laffite agradecia ao seu amigo Jean-Pierre Jabouille, que no warm-up indicou ao compatriota usar os pneus macios da Michelin na traseira. A mesma combinação com que Jabouille venceu em 1980...

Chegada:
1) Laffite
2) Arnoux
3) Piquet
4) Jones
5) Reutemann
6) Watson

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

História: 40 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1976

Como era de esperar, o Grande Prêmio da Áustria de 1976 tinha um ambiente sombrio pelo estado de saúde de Niki Lauda, que quase morreu quinze dias antes em Nürburgring. Porém, o austríaco se recuperava bem dos seus problemas respiratórios, se transferindo para outro hospital para realizar transplantes de pele por causa das queimaduras, principalmente no seu rosto. Após sair do hospital, Lauda voltou para casa e surpreendentemente foi inscrito para o Grande Prêmio da Itália, 42 dias depois do seu acidente em Nürburgring. Ou não? De forma bombástica, a Ferrari anunciava que estava abandonando o Campeonato Mundial de 1976, incluindo a não participação da corrida na Áustria. Enzo Ferrari estaria aborrecido com as duas corridas ganhas pela McLaren (Espanha e Inglaterra) de forma, segundo a visão ferrarista, estritamente política. Ainda pensando em ser campeão, Lauda fica furioso com a decisão e passou a ligar constantemente para a Ferrari, dizendo que ainda tinha chances de ser campeão e que a Ferrari não deveria abdicar do campeonato. Lauda diria mais tarde que Daniele Audetto queria, na verdade, anular o Grande Prêmio da Áustria, tirando uma corrida do calendário e diminuindo as chances de James Hunt tirar a diferença que tinha para Lauda.

Com a Ferrari de fora na Áustria, Hunt tinha uma ótima chance de descontar a desvantagem que tinha para Lauda no campeonato, que eram de 14 pontos, faltando seis provas para o fim. Hunt pôde testar em Zeltweg, uma semana antes da corrida, o novo McLaren M26, além de um melhorado M23, conseguindo bater o recorde da pista com ambos os carros! Porém, ambos se mostraram pouco confiáveis, principalmente em ritmo de corrida. Chocado com o acidente de Lauda, Chris Amon decidiu abandonar a carreira, sendo substituído pelo piloto local Hans Binder, na Ensign. Era a primeira indicação de Helmut Marko na F1... José Carlos Pace iria testar um novo freio de carbono na Brabham-Alfa Romeo, inspirado no Concorde. Na sexta-feira, Hunt, sem surpresas, ficou com o tempo mais rápido. Para surpresa de todos, porém, o segundo lugar foi ocupado por Watson com a Penske funcionando perfeitamente nesta pista austríaca. As surpresas continuaram com Peterson, vencedor em 1973, em terceiro à frente do compatriota Nilsson, na melhor qualificação do piloto da Lotus. Laffite era quinto, à frente da Shadow DN5B de Pryce. No sábado, uma chuva forte caiu pouco antes do início do treino e o grid de largada foi baseado nos tempos da sexta-feira.

Grid:
1) Hunt (McLaren) - 1:35.02
2) Watson (Penske) - 1:35.84
3) Peterson (March) - 1:36.34
4) Nilsson (Lotus) - 1:36.46
5) Laffite (Ligier) - 1:36.52
6) Pryce (Shadow) - 1:36.56
7) Brambilla (March) - 1:36.59
8) Pace (Brabham) - 1:36.66
9) Andretti (Lotus) - 1:36.68
10) Scheckter (Tyrrell) - 1:36.91

O dia 15 de Agosto de 1976 amanheceu nublado e com muita chance de chuva em Zeltweg, deixando o clima do Grande Prêmio da Áustria de 1976 ainda mais sombrio e triste. Sem Niki Lauda e a Ferrari, haviam pelo menos cem mil pessoas a menos nas arquibancadas, fazendo com que os organizadores tivessem um enorme prejuízo. Os promotores austríacos pensaram em processar a Ferrari pela confusão causada nos dias anteriores a corrida, o que afugentou ainda mais os espectadores. Para piorar, uma chuva forte caiu no Österreicherring, fazendo com que as equipes colocassem pneus para chuva antes da largada, mas logo a precipitação parou e ficou a dúvida com que pneu largar. O já influente Ecclestone solicitou o atraso em meia hora da largada, dando tempo para que a pista secasse e os pilotos, mesmo com nuvens ameaçadoras ao redor do circuito, largassem com pneus slicks. Watson largou melhor do que Hunt e assumiu a liderança na primeira curva, seguido por Nilsson, Peterson e Laffite. 

Durante a primeira volta, os pilotos descobriram uma pista ainda úmida em sua primeira parte, mas completamente seca no resto do circuito. Hunt pressionava Watson, enquanto Peterson ultrapassa Nilsson na curva Flatschach e, em seguida, o sueco ultrapassa Hunt na descida para a curva Bosch. Laffite era ultrapassado por Pryce. Rapidamente Peterson ataca Watson, tentando a ultrapassagem em todas as curvas possíveis, mas o irlandês se segurava. A animada briga durou até a terceira volta, com Peterson assumindo a liderança, enquanto Hunt era pressionado por Nilsson. Os suecos estavam andando como nunca, 40 anos atrás! Porém, Peterson não dispara, com Watson, Hunt e Nilsson permanecendo perto dele. Vindo de uma corrida de recuperação, após não poder melhorar seu tempo no sábado, Jody Scheckter vinha forte e na sexta volta o sul-africano deixou Nilsson para trás para ser quarto com seu Tyrrell de seis rodas. Numa corrida impressionante, Scheckter ultrapassa Hunt e Watson numa volta, ganhando oito posições em sete voltas! Scheckter já estava atacando Peterson, porém o sueco era um obstáculo mais difícil. Watson, Hunt e Nilsson permaneciam à esteira, na melhor corrida do campeonato até então, com os seis primeiros colados nas dez primeiras voltas.

Os líderes começam a alcançar os primeiros retardatários e Jarier começou a mudar a cara da corrida, atrapalhando os líderes de forma inacreditável. Nilsson consegue ultrapassar Hunt. Na Jochen Rindt Kurve, Scheckter mergulha e consegue assumir a primeira posição. Porém, Jarier não saía do caminho... Segundos depois, Scheckter é atrapalhado por Jarier na reta principal. Peterson ultrapassa por dentro na primeira curva, enquanto Watson fica bem atrás da Tyrrell. Peterson assumiu a liderança, Watson, em seguida, sobe para segundo, ultrapassando Scheckter, que tentou dar o troco no piloto da Penske na curva Voest-Hügel, sem sucesso. Perdendo o momentum, Scheckter é ultrapassado por Nilsson na Jochen Rindt Kurve. Scheckter caiu para quarto lugar e a mãe de Jarier deve ter sido bastante xingada por Jody! Watson volta ao comando da corrida na volta 12, enquanto Nilsson, Scheckter e Hunt ficam um pouco para trás. No meio das disputas por posição, Scheckter danificou a frente do seu Tyrrell, provocando uma saída de pista do sul-africano, que bateu no guard-rail, fazendo-o abandonar uma corrida de recuperação empolgante, no mesmo momento em que Pryce abandonava, totalmente sem freios. Watson conseguia uma pequena diferença de três segundos à frente de Peterson e seis segundos à frente de Nilsson. Atormentado por um problema de equilíbrio no seu carro, Hunt perdia contato com os líderes. Nilsson aumenta o ritmo e toma a segunda posição de Peterson na volta 19. Com o céu mais claro, diminuindo a tensão de uma possível chuva durante a corrida, Watson liderava com 5s de frente para Nilsson, que tinha 1s de vantagem para Peterson. Hunt já aparecia 10s e era acossado por Laffite, Mass e Andretti. Enquanto Watson abria na frente, Peterson passa a ter problemas nos freios e começava a ser atacado por Hunt e toda a trupe que vinha atrás dele. As emoções do Grande Prêmio da Áustria de 1976 não paravam!

Com um carro desequilibrado, Hunt é ultrapassado por Laffite, que logo passa a atacar um também problemático Peterson. Como sempre, o sueco nunca aliviava e o francês demorou várias voltas para assumir o terceiro lugar, tendo que descontar 6s para Nilsson, que vinha 15s atrás de Watson. Mesmo com um carro ruim, Hunt ultrapassa Peterson para ser quarto. A corrida fica mais estática, mas Laffite descontava a diferença para Nilsson, enquanto Pace tem um perigoso acidente quando um superaquecimento do fluído do seus freios de carbono faz com que o brasileiro da Brabham fique momentaneamente sem freios e saía da pista de forma perigosa. Felizmente Pace estava ileso, mas os freios de carbono seriam arquivados por um longo tempo. 

Nas últimas voltas, Laffite encostou em Nilsson, enquanto Andretti atacava um problemático Peterson pela quinta posição. Com o carro mais rápido da pista, Laffite assume facilmente a segunda posição e parte ao ataque em cima de Watson, que tinha no momento 14s de frente. Brambilla aprontava mais uma e tirava ele e Emerson Fittipaldi da prova. Um gentleman, Emerson ainda ajudou o italiano sair do carro, enquanto Andretti assumiu o quinto lugar de Peterson. Laffite é atrapalhado por retardatários e não pôde continuar sua caça à Watson, que mantém uma vantagem de 10s. No final de 54 voltas, John Watson conseguiu sua primeira vitória na Fórmula 1, e também a primeira vitória da Penske, exatamente um ano depois da morte de Mark Donohue em um dos seus carros na Áustria. Autor de uma corrida esplêndida, Laffite obtém o segundo lugar, o melhor resultado da Ligier-Matra até então. Nilsson resistiu a um ataque final de Hunt para subir ao seu segundo pódio na temporada. Andretti foi quinto e Peterson foi mal recompensado por seu início impressionante de corrida, mas o seu sexto lugar foi o seu primeiro ponto na temporada 1976. Hunt ficou decepcionado com a sua corrida, uma vez que tirou apenas três pontos de Lauda, agora onze pontos na frente. Num pódio surpreendente, uma equipe americana vencia na F1 pela primeira vez em nove anos. John Watson cultivava uma larga barba e fez uma aposta com Roger Penske de que a tiraria quando vencesse pela primeira vez na F1. Logo após a corrida, Watson aparecia com a cara lisa e feliz!

Chegada:
1) Watson
2) Laffite
3) Nilsson
4) Hunt
5) Andretti
6) Peterson

História: 45 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1971

Apesar da morte de Jochen Rindt um ano antes, o Grande Prêmio da Áustria ainda tinha muito apelo popular, principalmente dos italianos, que cruzaram a fronteira para torcer pela Ferrari, no entanto, a situação do principal piloto da scuderia era bastante complicada no campeonato. Tendo vencido cinco das sete corridas de 1971, Jackie Stewart estava com a faca e o queijo na mão para se tornar bicampeão em Zeltweg. O desempenho ruim de Chris Amon em Nürburgring fez a Matra não aparecer na Áustria, se concentrando no novo motor que seria usado em Monza. A McLaren dispensou Peter Gethin, colocando em seu lugar o veterano Jackie Oliver, mas Gethin não ficaria muito tempo desempregado, partindo para a BRM, que estreava um novo motor, usado apenas por Jo Siffert. Aos 22 anos de idade e correndo em casa, um austríaco com resultados discretos na F2 e na F3 faria sua estreia na F1 com a March: Niki Lauda.

Com seu novo motor BRM, Siffert superou a Tyrrell de Stewart e as instáveis Ferraris para ficar com a segunda pole na carreira, dois décimos à frente de Stewart, que passou a maior parte do tempo com a pole, mas a perdeu para o suíço no final. Era também a primeira pole da BRM em seis anos! Cevert estava em constante progresso e conseguiu um ótimo terceiro lugar. Regazzoni foi o quarto com o mesmo tempo de Fittipaldi. Ickx ficou em sexto. Estes seis pilotos estavam mesmo segundo. Os demais pilotos da BRM não conseguiram ficar no top-10, mostrando que o novo motor utilizado por Siffert fazia muita diferença, enquanto Lauda estreava na F1 largando na última fila do grid.

Grid:
1) Siffert (BRM) - 1:37.44
2) Stewart (Tyrrell) - 1:37.65
3) Cevert (Tyrrell) - 1:37.86
4) Regazzoni (Ferrari) - 1:37.90
5) Fittipaldi (Lotus) - 1:37.90
6) Ickx (Ferrari) - 1:38.27
7) Schenken (Brabham) - 1:38.64
8) Hill (Brabham) - 1:38.70
9) Hulme (McLaren) - 1:38.88
10) Wisell (Lotus) - 1:38.95

O dia 15 de Agosto de 1971 amanheceu com muito sol e temperatura agradável no pequeno vilarejo de Zeltweg, num clima perfeito para uma corrida de F1. As contas para que o campeonato fosse decidido na Áustria eram simples. Para impedir o bicampeonato de Stewart, Ickx teria que ser no mínimo segundo colocado e o escocês não pontuar, enquanto que para o terceiro colocado no campeonato Ronnie Peterson, só a vitória interessava. O circuito de Zeltweg tinha uma reta estreita e cercada de guard-rail, fazendo com que as largadas fossem confusas, mas em 1971 não houve nenhum acidente. Stewart forçou tentando ganhar a primeira posição de Siffert, mas o veterano da BRM manteve a ponta, enquanto Regazzoni tentou ultrapassar o escocês por fora, sem sucesso, porém, Rega ultrapassa Cevert, enquanto Fittipaldi perdia duas posições, para Schenken e Ickx.

Stewart mantinha Siffert próximo, mas não tentava a ultrapassagem, provavelmente pensando no campeonato, enquanto Regazzoni e Cevert brigavam pelo terceiro lugar e Ickx segurava Schenken e Fittipaldi na briga pela quinta posição. O belga sofria com a instabilidade de sua Ferrari e era ultrapassado por Schenken e Fittipaldi, enquanto Cevert ultrapassava Regazzoni, mas era atrapalhado por Ganley, que tinha ido aos boxes com problemas no motor, e levava o troco de Regazzoni, num animada batalha pelo terceiro lugar. Infelizmente, a bela briga duraria apenas até a oitava volta, quando Regazzoni teve que abandonar com o motor quebrado. Cevert passaria a correr sozinho, 5s atrás do seu companheiro de equipe Stewart, que tinha 3s de desvantagem para Siffert. Em quarto, Schenken era pressionado por Emerson Fittipaldi, enquanto Ickx caía para 11º, com um problema de ignição do motor Ferrari, devido a um cabo solto das velas de ignição. O belga abandonaria na 31º volta, dando adeus às chances de título. Stewart mantinha-se em segundo, num ritmo mais brando por uma vibração na traseira de seu Tyrrell e ao saber que Ickx tinha abandonado, permite a aproximação de Cevert. Essa vibração poderia ter tido consequências trágicas, como se veria mais tarde. O outro postulante ao título, Peterson, era apenas oitavo, com problemas de dirigibilidade do seu March, algo que faria o estreante Lauda abandonar na volta 20.

Na volta 23, com o título na mão, Stewart cede passagem à Cevert, que com o seu carro em perfeitas condições, sai a caça de Siffert, 7s na frente. Apesar dos esforços de Cevert, Siffert continuava a ser o mais rápido na pista e aumentava sua vantagem sobre o Tyrrell. O suíço era atrapalhado pelos retardatários, mas Cevert negociava de forma ainda pior com os carros mais lentos, ficando ainda mais para trás. Emerson tentava de tudo para ganhar a quarta posição de Schenken, mas o piloto da Brabham resistia bravamente. Em outra briga entre pilotos da Lotus e da Brabham, o veteraníssimo Graham Hill segurava bem o impetuoso Reine Wisell, na briga pela quinta posição, mas o sueco logo ultrapassaria Hill e aumentaria a vantagem, porém Wisell já estava longe do companheiro de equipe. Após longa disputa, Emerson ultrapassa Schenken na volta 32, assumindo quarto lugar e despachando o australiano, mas o brasileiro logo ganharia uma posição, quando a roda traseira esquerda de Stewart ganha vida própria perigosamente na curva Texaco, fazendo o escocês sair da pista. Era o primeiro abandono de Stewart na temporada 1971, mas o seu título estava praticamente ganho. Após marcar a volta mais rápida da corrida, Siffert enviava um sinal para Cevert, de que a corrida era sua. Vendo o companheiro de equipe abandonar de forma até perigosa, Cevert diminui o ritmo, conformado com a segunda posição. 

Porém, François Cevert começa a ter problemas técnicos em seu carro nas voltas finais. Primeiro, a quarta marcha começa a não entrar, permitindo a rápida aproximação de Emerson Fittipaldi. Os dois começam a disputa pela segunda posição, com algumas trocas de posição, mas na volta 42 o motor de Cevert estoura, fazendo com que Emerson assumisse a segunda posição, com 27s de desvantagem para Siffert, líder soberano de toda a corrida. Porém, o box da BRM se assusta com o baixo ritmo de Siffert nas voltas finais. Um furo lento no pneu traseira do suíço fazia com que Siffert perdesse 3s por volta para Emerson. O box da BRM chega a sinalizar para Siffert entrar nos boxes e trocar o pneu, mas Jo permanece na pista, diminuindo nas curvas rápidas. Faltando duas voltas, a diferença entre os dois primeiros era de apenas 7s, mas o pneu de Siffert resiste e o suíço vence o Grande Prêmio da Áustria de forma dramática, com apenas 4s de vantagem. Mais uma volta e Emerson teria ganho a corrida. Esta era a segunda vitória na F1 de Siffert, o primeiro da temporada para a BRM. Fittipaldi conseguiu o melhor resultado da Lotus desde o início do ano. Schenken terminou em terceiro, dando à Brabham o seu primeiro pódio em um ano. Wisell foi quarto, à frente de Hill, que finalmente marcou seus primeiros pontos em 1971. Pescarolo levou o último ponto. Siffert conseguia seu único grand-chelem da carreira (vitória, liderança em todas as voltas, pole e melhor volta), diminuindo um pouco a tristeza da BRM pela recente morte de Pedro Rodríguez. Aos 32 anos Jackie Stewart se tornou campeão mundial pela segunda vez, se igualando ao compatriota Jim Clark. Stewart dominou a temporada, vencendo cinco das oito corridas, além de ajudar a Tyrrell a conquistar seu primeiro Mundial de Construtores. A parceria Stewart-Tyrrell entraria para a história da F1.

Chegada:
1) Siffert
2) Fittipaldi
3) Schenken
4) Wisell
5) Hill
6) Pescarolo 

domingo, 14 de agosto de 2016

Maníaco olímpico

Andrea Iannone tem costurado em seu macacão a palavra MANIAC, demonstrando bem a personalidade desse italiano. Desde as categorias menores do Mundial de Motovelocidade, Iannone sempre mostrou muita velocidade e talento, mas junto desse pacote, mostrou também muita imprudência e falta de estratégia, muito provavelmente o motivo de nunca ter conquistado um título mundial, mesmo tendo velocidade para isso. Iannone normalmente supera seu compatriota e xará Doviziozo, mas graças às suas várias quedas, Iannone foi dispensado pela Ducati em 2017, cedendo lugar para Jorge Lorenzo. Mesmo machucado (por uma queda de motocross...), Iannone conseguiu reunir velocidade e estratégia para vencer pela primeira vez na MotoGP, além de dar a primeira vitória da Ducati em seis anos, numa corrida amplamente dominada pelos italianos.

Desde os treinos livres a pista de Red Bull Ring, antigo Zeltweg, se encaixou perfeitamente às motos da Ducati, porém, havia desconfiança de que Doviziozo e, principalmente, o poleman Iannone poderiam finalmente superar a dupla Honda e Yamaha. As primeiras voltas foram de tirar o fôlego, numa briga muito próxima dos seis primeiros, tendo as duplas da Ducati e Yamaha, além de Márquez e Maverick Viñalez. Márquez havia sofrido um forte acidente no treino livre ontem pela manhã, onde deslocou o seu ombro e, incrível, viu seu ombro voltar ao local num solavanco, quando vinha na garupa de uma moto! Porém, machucado e com menos tempo de pista, Márquez não teve ritmo para acompanhar os líderes e teve que se conformar com a quinta posição, tendo que segurar por algum tempo Viñalez. Márquez percebeu que, como hoje, quando não tiver condições de brigar pela vitória, quanto mais pontos marcar, melhor para o campeonato. E Márquez não se arrependeu de sua tática hoje.

Mesmo mantendo a Ducati próxima, a dupla da Yamaha não liderou nenhuma volta e Lorenzo sobressaiu-se sobre Rossi, ficando em terceiro lugar. Após três corridas simplesmente terríveis, Lorenzo comemorou o terceiro lugar, enquanto Rossi vê cada vez mais distante o décimo título. Mesmo em quinto, Márquez perdeu poucos pontos para os seus mais próximos perseguidores, enquanto a 'múmia' Daniel Pedrosa mal apareceu na corrida. Toda a tensão ficou na briga entre os dois Andreas, com Doviziozo liderando a maior parte do tempo, com Iannone sempre muito perto. A imagem da Argentina, com os dois pilotos da Ducati trombando na última volta (e que definiu a saída de Iannone) ainda estava bem presente para os dirigentes da Ducati, mas por incrível que pareça, Iannone, que fez uma aposta mais agressiva com os pneus, fez uma corrida tática, deixando-se ultrapassar por Doviziozo no primeiro terço de prova, o seguindo de perto a maior parte do tempo e fazendo uma ultrapassagem limpa. Com contrato com a Ducati em 2017, era esperado que Doviziozo fizesse alguma tentativa nas voltas finais, mas Iannone esteve perfeito, administrou sua vantagem e venceu com todos os méritos, dentro do clima olímpico. Como esperado, o clima latino fez da comemoração da Ducati bem agitada do que os contidos japoneses de Honda e Yamaha.

Desde os tempos de Casey Stoner a Ducati não tinha uma moto tão dominante quanto hoje e a marca italiana não apenas venceu, como conseguiu uma dobradinha, sem dar maiores chances para a Yamaha. Uma vitória grandiosa para a Ducati e um ótimo resultado para Andrea Iannone, que finalmente conseguiu mostrar a velocidade de sempre, mas um senso estratégico que mais parece o de Doviziozo.  

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

História: 20 anos do Grande Prêmio da Hungria de 1996

Conta a lenda que Jacques Villeneuve não conhecia o circuito de Hungaroring nem pela TV e como não existiam simuladores como os de hoje, o canadense se trancou em seu PC e treinou como nunca em seu GP2 (famoso game de F1) para poder aprender a difícil e sinuosa pista magiar. Verdadeiro ou não, essa história entrou para o folclore da F1.

Como já havia acontecido ao longo de toda a temporada 1996, a briga pela pole ficou entre Hill, Villeneuve e Schumacher, com uma vantagem mínima para o alemão sobre os dois pilotos da Williams. Se vencesse, Hill poderia sacramentar o título na próxima corrida, em Spa, mas novamente Schumacher tirou um coelho da cartola para ficar com mais uma surpreendente pole, porém, no domingo, os grandes favoritos eram os pilotos da Williams.

Grid:
1) Schumacher (Ferrari) - 1:17.129
2) Hill (Williams) - 1:17.182
3) Villeneuve (Williams) - 1:17.259
4) Irvine (Ferrari) - 1:18.617
5) Alesi (Benetton) - 1:18.754
6) Berger (Benetton) - 1:18.794
7) Hakkinen (McLaren) - 1:19.116
8) Herbert (Sauber) - 1:19.292
9) Coulthard (McLaren) - 1:19.384
10) Frentzen (Sauber) - 1:19.436

O dia 11 de agosto de 1996 amanheceu ensolarado e com muito calor em Budapeste, algo bastante comum naquelas glebas nessa época do ano. Numa pista onde ultrapassar é muito difícil, a estratégia era essencial. Apesar de estar na pole, estava claro que Schumacher dificilmente ganharia a corrida e que os carros da Williams eram os favoritos e em momentos diferentes no campeonato, Hill e Villeneuve iriam para uma tática diferente. Hungaroring era muito pouco usada durante o ano, fazendo com que a pista ficasse muito suja dificultando a largada, particularmente no lado par do grid, onde os pilotos nunca passavam lá. Largando em segundo, Hill saiu muito mal, atrapalhando até mesmo as largadas de Irvine e Berger, que tracionaram um pouco melhor atrás dele. Schumacher manteve a ponta na largada, seguido por Villeneuve e Alesi, com Hill caindo para quarto.

Desde a largada, a Ferrari de Schumacher e a Williams de Villeneuve estavam numa corrida à parte, com Alesi claramente segurando Hill. A diferença estava ficando cada vez maior a cada volta e o problema era que Hill, pensando no campeonato, não forçava muito, pois para ultrapassar em Hungaroring, tinha-se que forçar bastante a barra. Ao final da volta 11 a batalha Schumacher/Villeneuve estava 14s à frente de Alesi/Hill, numa corrida estática e sem maiores emoções. Na briga pelo quinto lugar, Berger sai na frente de Irvine na primeira parada deles, algo que influenciaria muito a corrida. Quando Schumacher faz sua primeira parada na volta 19, o alemão volta atrás de Berger, fazendo-o perder tempo atrás do austríaco. Se a Ferrari fosse mais rápida na parada de Irvine, bastava uma ordem de equipe... Quando Villeneuve fez sua primeira parada, o canadense voltou à frente da Ferrari, enquanto Hill, tentando ganhar algum tempo, esticou ao máximo seu pit-stop, só parando nove voltas depois de Schumacher. Contudo, o inglês ainda voltou atrás de Alesi, mas finalmente Hill se livrou do francês quando Alesi errou na curva um e permitiu Hill finalmente ter pista livre à frente, mesmo que 10s atrás de Schumacher.

Após mais um abandono de Irvine, Hill começou a fixar voltas mais rápidas, em quase toda a volta, acabando com a vantagem que Schumacher tinha. Após a segunda rodada de paradas, Hill aumentou a pressão em cima de Schumacher e quando o alemão fez sua terceira parada, Hill aumentou o ritmo e com uma parada a menos, assumiu o segundo lugar. Em sua última parada, Villeneuve perdeu um pouco de tempo e não estava tão distante assim de Hill para as voltas finais. À essa altura sabia-se que a Williams não renovaria com Hill para 1997, com a equipe investindo mais em Villeneuve para o futuro próximo. Hill se aproximou de forma rápida de Villeneuve, enquanto Berger quebrava o motor pela segunda corrida consecutiva e Schumacher abandonava mais uma vez. As últimas sete voltas viram Hill fazendo de tudo para ultrapassar Villeneuve, mas o canadense se defendeu muito bem para conseguir mais uma vitória, além da quinta dobradinha da Williams em 1996. Alesi, mais de um minuto atrás, era o único piloto na mesma volta dos líderes. A Williams dava mais um show, conquistava o Mundial de Construtores e tinha a certeza matemática que um dos seus pilotos seria campeão em 1996. Domínio absoluto.

Chegada:
1) Villeneuve
2) Hill
3) Alesi
4) Hakkinen
5) Panis
6) Barrichello

História: 25 anos do Grande Prêmio da Hungria de 1991

Após o domínio inicial da McLaren em 1991, com Senna vencendo as quatro primeiras corridas do ano, a relação de forças tinha mudado bastante com a chegada do verão europeu. A Williams já tinha mostrando muito potencial desde os primeiros testes, mas a falta de confiabilidade do carro tinha deixado Nigel Mansell, por contrato o piloto número um da equipe, na mão várias vezes. Contudo, com o passar da temporada a Williams foi ganhando cada vez mais confiabilidade e não apenas suplantou a Ferrari de Alain Prost como maior adversária de Senna e a McLaren, como já aparecia em um plano superior dentro da F1. Contudo, no travado circuito de Hungaroring, Senna sabia que tinha uma chance contra a potência do motor Renault. 

Para quem era recordista absoluto de poles na história da F1, ficar três meses sem largar em primeiro deveria ser torturante para alguém competitivo como Ayrton Senna, mas o brasileiro da McLaren tirou a barriga da miséria ao não apenas ficar com a pole, como enfiar 1s no segundo colocado, que foi objetivo de uma briga interessante entre Patrese, Berger, Prost e Mansell na classificação, com o italiano ficando com o lugar na primeira fila, com Mansell superado pelo companheiro de equipe por apenas um centésimo de segundo. Numa pista onde o equilíbrio contava mais do que a potência, foi surpreendente os dois carros da Benetton fora do top-10, enquanto Pirro era um surpreendente sétimo e Capelli, sofrendo como nunca em seu Leyton House, conseguindo um lugar entre os dez primeiros.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:16.147
2) Patrese (Williams) - 1:17.379
3) Mansell (Williams) - 1:17.389
4) Prost (Ferrari) - 1:17.690
5) Berger (McLaren) - 1:17.705
6) Alesi (Ferrari) - 1:18.410
7) Pirro (Dallara) - 1:19.334
8) Modena (Tyrrell) - 1:19.748
9) Capelli (Leyton House) - 1:19.794
10) Brundle (Brabham) - 1:19.976

O dia 11 de agosto de 1991 amanheceu com forte calor em Budapeste, característica inerente da pista magiar nessa época do ano, sempre proporcionando corridas muito quentes, pelo menos em termos de temperatura ambiente, no Grande Prêmio da Hungria. Após muito tempo a McLaren havia sido superior à Williams, mas ainda era esperado saber como os carros branco e vermelhos se sairiam em ritmo de corrida. Sabendo disso, Senna sabia que a largara era essencial e comandar o ritmo da corrida era primordial para não apenas vencer, como dar um basta na ótima sequência da Williams. Porém, quem melhor largou no apagar da luz verde foi Patrese, mas Senna não queria ceder sua posição de forma alguma e ficar a mercê dos pilotos da Williams e chegou a primeira curva emparelhado com Patrese, freando forte e fritando os pneus para permanecer em primeiro, numa largada sem maiores incidentes.

Como era esperado, Senna não consegue disparar, tendo Patrese sempre a menos de 1s de distância, enquanto Mansell ficava à espreita, sem ser ameaçado por Prost, que não conseguia acompanhar o ritmo dos primeiros colocados e ainda segurava Berger. A fica estática, mas era muito tensa, pois era esperado que a Williams tomasse alguma posição quanto a ordem dos seus pilotos, pois era Mansell quem disputava o campeonato, mas Patrese tinha um bom ritmo e tinha Senna sempre nas suas vistas. Na volta 28, o motor de Prost explode e o francês vai aos boxes abandonar, acabando com as mínimas chances do 'Professor' conquistar seu quarto título em 1991. Mesmo numa corrida com asfalto quente, os primeiros colocados não parariam para trocar pneus. A corrida seria decidida na pista. Na volta 45, Patrese acena claramente para Mansell passar e ser o inglês a atacar Senna. Imediatamente Mansell partiu para cima de Senna, com a sua conhecida volúpia. Depois da corrida Senna confessaria que fez vários 'break tests' em Mansell, para que o inglês desgastasse seus freios e pneus. Atitude não muito ética, mas como era Senna, isso foi tratado com um ato de genialidade para segurar a posição frente a uma oposição claramente superior.

Senna sabia da importância dessa vitória, numa pista onde a Williams, se não tinha um carro pior, pelo menos não estava tão à frente. Após vários ataques, Mansell pareceu desistir de efetuar uma ultrapassar que poderia ser muito perigosa. Afinal, a edição de 1986 ainda estava fresca na memória de todos e Mansell sabia do que Senna era capaz de fazer para segurar uma posição, além do inglês não ter a genialidade de um Nelson Piquet... Senna acabou com a sequência da Williams e venceu sua primeira corrida desde Mônaco, após resistir aos ataques de Mansell e Patrese o tempo todo. Berger fez uma corrida anônima para ser quarto, porém dando pontos importante à McLaren no Mundial de Construtores. Alesi salvou a honra da Ferrari e Capelli marcaria o primeiro e último ponto da Leyton House em 1991, mostrando a decadência de uma equipe que chegou a brigar por vitória em 1988. Foi uma vitória para Senna mostrar que ainda estava vivo no campeonato, além de dar um golpe nas pretensões da Williams em dominar a segunda metade do campeonato.

Chegada:
1) Senna
2) Mansell
3) Patrese
4) Berger
5) Alesi
6) Capelli

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Que pena...

Nos Estados Unidos é bem comum os pilotos participarem de múltiplas categorias e esse era o caso de Bryan Clauson. O californiano era um piloto de ponta nas categorias de midget, sendo várias vezes campeão, além de fazer participações eventuais na Indy, principalmente nas 500 Milhas de Indianapolis. Participando de uma das principais corridas de midget, em Belleville, Clauson perdeu o controle do seu bólido, capotou, mas o pior foi ter sido atingido por outro carro bem no cockpit. Em estado crítico, Clauson ainda resistiu dois dias, antes de falecer nessa manhã. Uma pena...