domingo, 14 de abril de 2019

A queda do xerife texano

O retrospecto de Marc Márquez nos Estados Unidos era perfeito. Desde que estreou na MotoGP o jovem espanhol da Honda tinha um aproveitamento de 100% na ondulada pista de Austin. Quando venceu na Argentina de uma forma dominante, quinze dias atrás, todos tremeram, já que a corrida seguinte seria em Austin, um território de Márquez. Porém, tabus são feitos para serem quebrados e Márquez teve seu cartel perfeito quebrado como um xerife que é morto no crepúsculo em frente ao velho saloon. Porém, quem capitalizou a queda de Márquez foi um novo pistoleiro na pequena MotoGP: Alex Rins.

O efeito da vitória de Márquez na Argentina fez com que toda a comunidade da MotoGP chegasse à Austin derrotada. O espanhol venceu pela primeira vez na MotoGP no circuito texano, conquistou todas as vitórias desde então e já começou fazendo a pole ontem, derrotando a Yamaha de Viñales. Seu rival mais perigoso, Doviziozo, teve um treino muito ruim e teve que largar em 13º. Márquez largou bem e parecia imbatível. Vitória certa e vantagem aumentada no campeonato. Porém, como diria o maestro Juan Manuel Fangio 'carreras son carreras'. Bem na metade da corrida Márquez errou sozinho, quando estava longe de ser pressionado pelo segundo colocado e mesmo tentando levantar a motor, o espanhol da Honda teve que abandonar e quebrar seu incrível desempenho no Texas. Por sinal, um dia esquecível para a Honda. Poucas voltas antes Cal Cruthlow também caía na perseguição à Valentino Rossi e Jorge Lorenzo abandonou quando fazia outra corrida medíocre. O melhor piloto da Honda foi Nakagami, terminando no pelotão intermediário.

Sem o poderio da Honda e a Ducati fazendo a pior corrida de 2019, todos passaram a torcer para que Valentino Rossi também quebrar um tabu: 21 meses sem vitória. O italiano da Yamaha fazia uma corrida bem sólida com uma moto muito lenta de reta. Porém, Alex Rins da Suzuki se aproximou rapidamente. Era nítido a maior ação de Rins e se comportando como um veterano, Rins deu a primeira vitória para Suzuki em quase três anos, entrando na embolada briga pelo título. Doviziozo conseguiu se recuperar até o quarto lugar e reassumiu a ponta do campeonato, enquanto Rossi, na base da regularidade, é segundo. Maverick Viñales teve outra corrida tenebrosa. O espanhol queimou a largada e cumpriu uma punição errada, acabando por perder tempo duas vezes e terminar em 12º.

A primeira vitória de Rins na MotoGP e a comprovação da boa fase da Suzuki não pode tampar o sol com a peneira, pois se não fosse sua queda, Márquez venceria com facilidade e estaria com muita facilidade na liderança do campeonato. Porém, corridas são corridas...

Melbourne reloaded

O Grande Prêmio da China desta domingo teve um enredo bem parecido com Melbourne. O pole não largou bem, o segundo colocado disparou na ponta e mais atrás, ocorria um 'Caso de Família' dentro da Ferrari. Assim pode ser resumido a milésima corrida da história da F1. Numa corrida em que permanecer acordado foi uma luta, Lewis Hamilton largou muito bem e praticamente não foi incomodado pelo pole Bottas, que por sua vez, não foi incomodado pela Ferrari, que mais uma vez mandou Leclerc ficar na sua, ajudando Vettel a conseguir seu primeiro pódio em 2019.

Mesmo Xangai sendo um circuito que permite ultrapassagens e que havia perspectiva de chuva na hora da corrida, o que se viu foi um anti-clímax numa corrida chocha, onde a vitória foi definida na largada e as brigas intermediárias não emocionaram ninguém. Claro que Lewis Hamilton não tem do que reclamar. O inglês largou muito bem e depois só faltou colocar o braço para fora, ligar o rádio do carro e cantar Low Rider pelo circuito de Xangai. Das mais de setenta vitórias na carreira de Hamilton, hoje foi uma das mais fáceis e o inglês já assumiu a ponta do campeonato. Com a Mercedes conseguindo sua terceira dobradinha no ano, não precisa dizer muita coisa. Valtteri Bottas ficou com a sensação que Hamilton teve em Melbourne. Após conquistar uma belíssima pole no sábado, o finlandês largou mal e não viu mais seu companheiro de equipe, sendo dominado por Hamilton. No único momento em que Bottas poderia engrossar o caldo para Hamilton, encontrou um combativo Leclerc, que o fez perder tempo valioso e praticamente entregar a vitória para Lewis. Agora em segundo no campeonato, Bottas começa a se ver numa situação bem familiar: ser apenas escudeiro de Hamilton, que já surge como favoritasso para ser campeão e ficar apenas um título atrás de Schumacher.

Após a dominância no Bahrein, era esperado que a Ferrari repetisse o mesmo desempenho na China, numa pista com característica parecidas com Sakhir, mas os italianos nunca tiveram chances contra a Mercedes. Para ter sucesso na F1 atual, uma boa gestão se faz cada vez mais necessária. Não basta apenas ter bons pilotos, mecânicos, técnicos e engenheiros. Se na cabeça de sua hierarquia não houver uma pessoa super capacitada, as peças da engrenagem não se juntam e os resultados esperados não aparecem. A Mercedes, liderada por Toto Wolff, deu um salto de qualidade entre a corrida da quinzena anterior e a de hoje. Isso em duas corridas longe da base da Mercedes. A Ferrari parece que ficou parada no tempo e foi batida de forma inapelável, enquanto seus engenheiros batiam cabeça sobre qual piloto dar vantagem nesse domingo. Leclerc largou melhor do que Vettel num final de semana em que o alemão esteve mais forte. Demoraram longas voltas e muita deliberação até mandarem Leclerc ceder sua posição, enquanto o monegasco chorava as pitangas pelo rádio. Sendo que a corrida mostrou que realmente Vettel tinha um ritmo melhor, mas essa confusão de 'vai-não vai' acabou fazendo com que Verstappen se metesse entre as Ferraris e quase ter ultrapassado Vettel no momento de maior emoção da corrida. Domínio perdido para a Mercedes em apenas quinze dias e pontos perdidos com Leclerc apenas em quinto quando a Ferrari tem claramente o segundo melhor carro. A mudança de liderança da Ferrari não começa da melhor forma.

Mesmo com o pelotão intermediário crescendo um pouco, a diferença para as equipe top-3 é tão grande ainda, que Pierre Gasly, que mais uma vez tomou um banho de Verstappen e ficou muito atrás do companheiro de equipe da Red Bull, entrou nos boxes nas voltas finais sem perder posição para colocar pneus macios novos e garantir o ponto da melhor volta. O meio do pelotão teve uma corrida sem muitos arroubos e poucos destaques. Nessa categoria de melhor do resto o vencedor foi Daniel Ricciardo, que não fez muito esforço para terminar em sétimo e marcar seus primeiros pontos com a Renault, que viu Hulkenberg abandonar mais uma vez. Atrás dele veio Sérgio Pérez e Kimi Raikkonen. Mais experientes que seus fracos companheiros de equipe, Pérez e Raikkonen vão levando Racing Point e Alfa Romeo nas costas. Porém, na Toro Rosso o jovem piloto é que vem batendo o mais experiente. Destaque da prova, Alexander Albon largou dos boxes depois de bater forte no terceiro treino livre e numa corrida de recuperação, subiu ao décimo posto e garantiu mais um pontinho para a Toro Rosso, ultrapassando Daniil Kvyat que, adivinhem, se envolveu numa acidente na primeira volta que destruiu não apenas sua corrida, mas também da dupla da McLaren. O que Kvyat está fazendo na F1, é uma pergunta que deve ser respondida por Helmut Marko, que nos últimos anos dispensou vários pilotos do programa de jovens pilotos da Red Bull e agora se encontra sem opções, tendo que trazer um piloto sem nenhuma perspectiva de futuro na F1. Se perspectiva nenhuma está a Williams. Mesmo com vários pilotos do pelotão intermediário tendo problemas, o time ainda ficou com as duas últimas posições. 

Lewis Hamilton conseguiu outra marca na história da F1. Pela primeira vez a F1 viu um piloto vencer duas corridas centenárias (900 e 1.000). Muitos podem torcer um pouco o nariz para o estilo de Hamilton, mas o inglês já está na história e vencer corridas com cem GP's de diferença demonstra bem quem é o cara dessa geração.

sábado, 13 de abril de 2019

Pole especial

Na corrida de número mil na história da F1, conquistar algo nesse final de semana já coloca o piloto em questão na história. Num final de semana especial e emblemático, Valtteri Bottas conseguiu uma pole que o colocará não apenas na história da F1, como também o coloca numa nova perspectiva. O finlandês terá estofo (ou culhões?) para bater Hamilton dentro da Mercedes?

A expectativa de um final de semana mais a feição da Ferrari acabou com a Mercedes mostrando um grande equilíbrio na parte sinuosa do circuito de Xangai e o resultado foi uma primeira fila toda da Mercedes, sempre lembrando que o modo 'fiesta' dos alemães é bem mais eficiente do que a Ferrari, que ficou apenas três décimos atrás com Vettel. A classificação teve dois pilotos a menos, com o forte acidente de Alexander Albon no TL3 o tirando do treino e o problema de Antonio Giovinazzi deixando o italiano de fora. Isso fez com que o Q1 fosse bem lógico, com as duas Williams e Stroll de fora. O Q2 viu a McLaren, que andou muito forte no Bahrein, eliminada com seus dois pilotos além de Haas e Renault juntas indo ao Q3. A Red Bull andou próxima dos líderes, mas sem chances de brigar com a pole, mas no final do Q3, Verstappen teve um pequeno problema que atrapalhou ele, seu companheiro de equipe Gasly e a dupla da Haas, que nem completaram uma volta. 

A luta pela pole foi particular entre os dois pilotos da Mercedes. Hamilton se recuperou bem no Q2, quando ficou quase 1s atrás de Bottas, mas no Q3 o finlandês foi perfeito e venceu a batalha interna por muito pouco, melhorando sua volta final, algo que Hamilton não conseguiu. Bottas está definitivamente diferente em 2019. Mais abusado, o nórdico está indo para cima de Hamilton e finalmente o derrotou no que o inglês tem de melhor: uma volta lançada. Se Bottas manterá esse ritmo durante a corrida, ou até mesmo a Mercedes frente a Ferrari, será algo somente amanhã saberemos, mas Bottas está em outro nível em 2019.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Dia de Takuma

O circuito de Barber é um dos mais manhosos do calendário da Indy. Suas curvas de variados raios e mudanças de altitudes faz do circuito no Alabama um dos mais difíceis da categoria. Dominar numa pista assim requer muita qualidade do piloto e do equipamento. Takuma Sato, mesmo com suas presepadas, é um piloto de qualidade e o veterano piloto contou com o bom equipamento da equipe Rahal para dominar a corrida desse domingo e vencer praticamente de ponta a ponta. Sato e Rahal se beneficiaram do bom desempenho do motor Honda no Alabama. As equipes com Chevrolet, leia-se a equipe Penske, sofreram bastante no traiçoeiro circuito. Josef Newgarden, um dos poucos que dominam em Barber, fez uma corrida exemplar ao sair da 16º posição do grid para o quarto lugar na bandeirada, com direito a uma ultrapassagem arrancada à fórceps de Alexander Rossi nas voltas finais. O americano levou à Penske e a Chevrolet nas costas para conseguir esse resultado.

Mais do que Sato ou Rossi, Newgarden, atual líder do campeonato, precisa se preocupar com a raposa felpuda Scott Dixon. O neozelandês da Ganassi largou em terceiro e se aproveitou do abandono de Graham Rahal para chegar em segundo e ficar na mesma posição no campeonato. Josef Newgarden sabe como ninguém que Dixon costuma fazer com sua regularidade. Sato está longe de ter a consistência de Dixon, mas ontem foi o seu dia. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Que pena...

Essa semana a família de Jim Russell anunciou o falecimento do antigo piloto, aos 98 anos de idade. Para quem não conhece o piloto Jim Russell, é bom pesquisar sobre sua escola de pilotagem. Ao perceber que a arte de pilotar poderia ser transmitida à aspirantes de pilotos, Russell criou uma escola de pilotagem que se tornou lendária, tendo como principais alunos Emerson Fittipaldi, Danny Sullivan, Jacques Villeneuve, entre outros. Ligado à Lotus, Russell proporcionou que vários pilotos começassem suas carreiras.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Figura(BAH): Charles Leclerc

A vitória pode ter escapado, mas não restam dúvida que o nome de todo o final de semana foi mesmo de Charles Leclerc. O monegasco fez uma exibição sublime no Bahrein, onde foi rápido em todos os momentos, não dando chances ao seu afamado companheiro de equipe Sebastian Vettel. Já no sábado Leclerc fez história ao se tornar o mais jovem piloto da Ferrari a ficar com a pole e o terceiro mais jovem da história. E não foi uma pole casual. Leclerc enfrentou os grandes nomes do momento na pista e os derrotou com autoridade. No domingo ficou a expectativa de como o jovem de 21 anos se comportaria largando na ponta e tendo ao seu lado dois multi-campeões. Leclerc largou com cautela e caiu para terceiro, mas não demorou muito para partir para cima de Bottas e Vettel para reassumir a ponta da corrida. Daí em diante, Leclerc não foi mais visto. Abriu uma diferença confortável e administrou a corrida com a tranquilidade dos futuros campeões. Porém, um infeliz problema no motor Ferrari fez com que Leclerc perdesse desempenho até cair para terceiro, quando foi salvo por um safety-car nas últimas voltas. Foi o primeiro pódio de Leclerc, mas a capacidade que mostrou nesse final de semana em Sakhir, aliado com sua personalidade, faz com que a Ferrari acertasse em cheio em trazer essa esperança para o futuro.

Figurão(BAH): Pierre Gasly

Quando foi confirmado na Red Bull, os próprios chefes declararam que Pierre Gasly chegou cedo demais à equipe, mas não havia outras alternativas viáveis. Só o fato de chegar sob desconfiança não era um bom prenúncio para o jovem francês, mas assim que se estabeleceu na equipe principal da Red Bull neste ano, as coisas foram piorando para Gasly. Uma pré-temporada cheia de incidentes já fez com que Helmut Marko chegasse com sua delicadeza de um elefante numa loja de cristais para criticar Gasly. Veio a primeira corrida em Melbourne e o francês ficou de fora ainda no Q1, mas quando se descobriu que o erro foi inteiramente da Red Bull, houve condescendência para com Pierre, mesmo ele não tendo feito uma boa corrida de recuperação, ficando de fora da zona de pontuação, enquanto Verstappen subia ao pódio. No entanto, a corrida seguinte seria no Bahrein, lugar da melhor corrida de Gasly ano passado, mas a esperança de um bom resultado se transformou em outra exibição abaixo da crítica. Ser comparado à Max Verstappen com certeza é um desafio enorme e Daniel Ricciardo preferiu mudar de equipe do que ficar ao lado do virtuose holandês. Porém, é esperado um mínimo desempenho para quem está com o terceiro melhor carro do pelotão, além de marcar importantes pontos no Mundial de Construtores, algo que garantiu o emprego de Raikkonen na Ferrari por alguns anos. Por isso que o desempenho de Gasly vem sendo péssimo até o momento. No circuito onde mais se destacou em 2018, o francês da Red Bull teve um final de semana medonho, onde novamente não foi ao Q3 e não houve nenhum erro de tática de sua equipe. Gasly ficou no meio do pelotão por puro desempenho. Na corrida as coisas não foram melhores. Gasly não conseguiu escalar o pelotão e por vezes andou no mesmo nível da Toro Rosso, equipe que guiava ano passado e tem um piloto novato e outro só re-entrou na F1 por um motivo que só Deus sabe. Chegar ao oitavo lugar com um Red Bull não condiz para alguém que tem um bom equipamento nas mãos, ainda mais com seu companheiro de equipe tendo ficado muito próximo do pódio. Conhecendo os métodos bizantinos de Helmut Marko, a batata de Pierre Gasly já está sendo preparado ao lado do forno.