segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Figura(SAK): Sergio Pérez

Não poderia ser outro! Foi uma atuação para ficar gravada na retina de quem assistiu a corrida nesse domingo. Sergio Pérez fez a corrida de sua vida e o mesmo destino que o tirara um pódio certo semana passada lhe presentou com uma belíssima vitória. Corridas de recuperação acontecem de tempos em tempos, mas normalmente o piloto tem em mãos o melhor ou um dos melhores carros do pelotão. Quando foi tocado por um destrambelhado Charles Leclerc na primeira volta, Pérez caiu para a 18º e última posição, parecendo voltar ao lugar onde estava, na briga pelo pódio, uma missão quase impossível.  Mesmo sendo uma cópia da Mercedes de 2019, a Racing Point estava em quarto no Mundial de Construtores. Contudo, Pérez tinha muito o que provar. Provar que será um erro se ele ficar de fora da F1 em 2021. Motivadíssimo, Checo partiu para cima dos seus rivais com seu Racing Point e foi ultrapassando quem via pela frente, ao mesmo tempo em que cuidava dos pneus. Pérez se viu em terceiro após uma desmoralizante ultrapassagem sobre o seu companheiro de equipe Stroll e depois em cima de Ocon. Isso já o colocava como grande destaque da prova, mas se na semana passada Checo foi pego numa peça dos deuses do automobilismo ao abandonar já no final da corrida com o motor quebrado, dessa vez esses mesmos deuses lhe recompensaram com juros, quando a Mercedes errou completamente na parada dos seus pilotos e Pérez assumiu a ponta para não mais perdê-la. Foi uma atuação de gala do mexicano, que quebrou um jejum de cinquenta anos do seu país e mostrou a todos que tem totais condições de estar na F1 nos próximos anos.

Figurão(SAK): Mercedes

 Para Valtteri Bottas não estar nessa parte da coluna, foi preciso caprichar. O finlandês teve um final de semana constrangedor no Bahrein, consumando numa corrida abaixo do medíocre. Porém, talvez a Mercedes quisesse dar uma 'moral' para o seu piloto e aprontou uma que a faz entrar aqui no lugar de Valtteri. O time chefiado por Toto Wolff se notabilizou por um entrosamento fora do comum em todos quesitos, parecendo estar à prova de erros. Contudo, no Bahrein, a Mercedes cometer um erro crasso e bisonho com seus pilotos que a fez perder uma dobradinha certa. Quando Jack Aitken deixou no meio da pista sua asa dianteira, trazendo o Safety-Car, a Mercedes estava com a corrida nas mãos e liderava soberana sobre as demais, mas sentiu uma incrível necessidade de trazer seus dois pilotos para um segundo pit-stop de segurança, tamanha era a diferença para os demais. Até aí, nada demais. O porém foi que um problema no rádio dos mecânicos fez com que o líder Russell saísse dos pits... com os pneus de Bottas! O finlandês já estava perdendo muito tempo quando um mecânico percebeu o erro e no desespero, colocaram os antigos pneus no carro de Bottas, o deixando indefeso quando carros piores que o dele, mas melhor 'calçados' quando foi dada a relargada. Russell teve que retornar aos pits para colocar os pneus corretos, mas um furo destruiu qualquer chance de vitória para o jovem inglês, porém, tudo começou numa tática que se mostrou errada e que culminou num engano básico de regulamento. Perguntado depois da corrida sobre o problema na sua equipe, Toto Wolff foi bem sucinto: foi uma grande cagada!

domingo, 6 de dezembro de 2020

Viva México!

 


Em mais um capítulo desse ano completamente atípico, a F1 nos brindou com uma corrida sensacional, um resultado completamente surpreendente e uma atuação histórica de Sérgio Pérez. O traçado no anel externo do circuito de Sakhir tornou as 87 voltas da corrida numa completa bagunça que afetou até mesmo os homens da Mercedes, que estragaram as corridas dos seus pilotos, contudo, se não fosse o erro mercediano, a incrível corrida de recuperação de Sergio Pérez não seria premiada com uma primeira vitória emocionante e cheia de lágrimas do piloto do México, que não vencia uma corrida faziam mais de cinquenta anos.


Corridas de recuperação já aconteceram aos montes na F1, mas normalmente o piloto está montado, se não no melhor carro do grid, num dos melhores. Apesar das acusações de ter copiado de forma deslavada o carro da Mercedes do ano passado, a Racing Point estava apenas em quarto no Mundial de Construtores e tinha apenas um pódio com Lance Stroll, numa corrida confusa em Monza. Logo na primeira volta Pérez foi atingido por um destrambelhado Charles Leclerc e com o abandono deste e também de Max Verstappen, Checo caía para 18º lugar, o famoso fona. Se Pérez contasse com uma Mercedes ou um Red Bull, era normal uma remontada de Sergio rumo ao pódio, porém, o mexicano contava hoje com seu Racing Point e foi com ele, não nos esqueçamos, atingido com força por Leclerc na primeira volta, que Pérez escalou o pelotão com ferocidade, ao mesmo tempo em que cuidava dos seus pneus. Pérez ia ultrapassando um a um seus rivais do meio do pelotão, muitos com carros do mesmo nível do que o seu. Nas voltas finais, ultrapassou seu companheiro de equipe Stroll e Ocon para assumir a terceira posição. Isso já o faria ser o grande destaque do dia, mas então o destino, que fora tão cruel com Pérez semana passada, quando abandonou com o motor quebrado nas últimas voltas, lhe ajudasse a conquistar uma vitória emocionante.


Como acontecera em toda a temporada, a Mercedes matava à pau a concorrência, ainda mais com seu mais forte rival, Max Verstappen, fora de combate logo na primeira volta. Contudo, ainda haviam surpresas acontecendo nos boxes liderados por Toto Wolff. Mesmo largando do lado sujo, George Russell largou melhor do que Bottas e apontou na primeira curva na frente. Ter um cara que nunca guiara aquele carro ao seu lado seria um fator de pressão para Bottas, que quando se viu superado, passou a trancar a todos que vinham atrás dele. De forma involuntária, Bottas acabou proporcionando a carambola da primeira volta entre Pérez, Max e Leclerc. "Ele conhece o carro e está mais acostumado com um forte ritmo de corrida", falavam todos que esperavam Bottas ir para cima de Russell. Que nada! Russell administrou como se guiasse o W11 desde a primeira corrida e não deu chances à Bottas. Quando o nórdico ganharia fácil o lugar como destaque negativo da corrida, a Mercedes cometeu um erro crasso, que mudou toda a história da corrida. O novato Jack Aitken rodou seu Williams na entrada dos boxes e deixou na última curva sua asa dianteira. Safety-car na pista. Mesmo com ninguém ameaçando, a Mercedes resolveu chamar seus dois pilotos para colocar pneus médios para as últimas voltas. Russell fez sua parada normalmente, mas Bottas demorou mais do que devia. E aparentemente um mecânico viu a caca que haviam feito. Simplesmente colocaram os pneus de Bottas no carro de Russell! O desespero foi tanto que colocaram os pneus antigos no carro de Bottas e mandaram-no de volta à pista, mas o estrago estava feito. Russell teve que retornar aos pits para colocar os pneus certos e tentar uma remontada histórica. E estava no caminho para isso. Primeiro, ultrapassou Bottas após erro do finlandês, colocando outra mácula no final de semana de Valtteri. Russell ultrapassou facilmente Ocon e Stroll, com algumas voltas para o fim, mas com tempo para um ataque em cima de Pérez. Porém, o dia não era de George Russell. Um pneu furado fez com que o inglês retornasse aos boxes por uma quarta vez, sepultando qualquer chance de vitória de George.

Contudo, essa atuação de George Russell indica que o futuro da Mercedes está bem encaminhado, com um ótimo piloto debaixo de sua asa. Já o presente de Bottas não é dos mais agradáveis. Mesmo com mais experiência com o carro e com a equipe, foi totalmente dominado por Russell, incluindo uma ultrapassagem desmoralizante na única parte lenta do circuito. Por mais que Hamilton elogie Bottas, fica cada vez mais difícil justificar o finlandês na Mercedes após 2021. Quiçá, após essa temporada!


Com tudo isso acontecendo, as portas para Pérez estavam abertas para uma vitória consagradora. O mexicano esteve perto da vitória em Sepang/2011, mas saiu da pista nas voltas finais quando estava nos calcanhares de Alonso. Depois muita coisa aconteceu na carreira de Pérez, que chegou à F1 como pay-driver e hoje é um piloto consolidado da categoria. Faltava uma corrida como a de hoje. Após 189 GP's, Sergio Pérez se tornou o piloto mais corridas antes de vencer na F1. E o fez em grande estilo. No entanto, o futuro do mexicano ainda é uma grande incógnita. Mesmo sendo muito mais piloto do que Stroll (a ultrapassagem de Pérez sobre o canadense foi bem parecida com o que Russell fez sobre Bottas), o sobrenome do dono da equipe também é Stroll e Pérez acabou dispensado da equipe. Seu único lugar para estar na F1 seria a Red Bull, mas a equipe teima em não divulgar seus planos para 2021. Verstappen leva a equipe nas costas praticamente sozinho, enquanto Albon (outro ultrapassado na pista por Pérez...) faz outra corrida medíocre a cada semana, demonstrando que não tem estofo para ocupar o lugar que está. Outro detalhe é que Lawrence Stroll dispensou um piloto que acabou de vencer uma prova num desempenho monstruoso e contratou um piloto que não vai ao Q3 fazem doze corridas. E nas corridas a performance de Vettel não melhora muito ultimamente...


Completando um pódio completamente aleatório, Esteban Ocon conseguiu seu primeiro pódio com o segundo lugar. Piloto de origem humilde, Ocon sempre precisou mostrar serviço para estar associado a alguma academia e ter chance de ascender à F1. Nesse ano ele foi constantemente superado por Daniel Ricciardo na Renault, mas utilizando uma estratégia diferente, Ocon conseguiu a melhor posição da Renault no ano, ultrapassando Stroll após sua única parada. Carlos Sainz era terceiro no primeiro stint, mas com uma estratégia de duas paradas, terminou apenas em quarto, colado em Stroll. Pietro Fittipaldi fez uma estreia decente num carro ruim e que não conhecia. O brasileiro teve sérias dificuldades de adaptação, principalmente em ritmo de corrida, mas fez o essencial: não errou.


O ano de 2020 ficará marcado por outro dominante da Mercedes e de Lewis Hamilton, mas não se pode acusar da F1 de não ter histórias boas para contar e ótimas corridas para se assistir. Ao contrário do que ocorreu no domínio da Ferrari no começo dos anos 2000, essa temporada foi pródiga em histórias para se lembrar. Hoje vimos mais uma. Como um piloto desempregado teve a exibição de sua vida, se aproveitou dos erros de uma equipe tida como infalível, levou uma equipe que, contando outras encarnações, não vencia desde 2003 e quebrou um tabu de cinquenta anos sem vitória do seu país. Sérgio Pérez merece um lugar na F1 em 2021, enquanto o México deve estar em festa com muita taco e tequila. E por resultados como esse, que eu digo: F1, eu te amo sua linda!   

sábado, 5 de dezembro de 2020

Novidades com aperto

 


Os sete dias em que a F1 ficou no Bahrein foi marcado por a categoria recuperar o fôlego do susto de Grosjean no domingo, mas com várias mudanças forçadas entre as equipes. A primeira era lógica. Com Grosjean ainda se recuperando do seu dramático acidente, a Haas convocou seu piloto reserva Pietro Fittipaldi para a prova desse final de semana, com o brasileiro fazendo sua estreia na F1 cheia de simbolismos. Primeiro, após mais de mil dias, a F1 teria um piloto brasileiro no grid. Segundo é que Pietro será o quarto Fittipaldi a largar na F1 e finalmente, pela primeira vez na história da F1, uma terceira geração de um clã correrá na categoria. Correndo num carro ruim, sem muita experiência prévia e entrando de supetão na corrida, Pietro amargou a última posição, algo mais do que esperado com o equipamento que tem em mãos.

As outras novidades é que não eram esperadas. Lewis Hamilton deu positivo para o Covid19 e ficará de fora da corrida de amanhã e provavelmente da semana que vem também. A pergunta que fica é: e se o campeonato não estivesse definido? Felizmente Lewis só lamentará que suas marcas centenárias demorarão um pouco mais a aparecer, mas a Mercedes não poderia lamentar muito por Lewis e numa rápida negociação com a Williams, trouxe seu piloto George Russell para finalmente estrear pela Mercedes. E o jovem inglês esteve longe de fazer feio! Líder nos dois treinos livres, mesmo com quase nenhuma experiência com o carro, Russell deu um enorme calor em Bottas na classificação, ficando em segundo lugar no grid na casa dos milésimos. Por curiosidade, essa foi a primeira derrota de Russell na F1 numa classificação, mas não deixa de ser uma vitória para o inglês, que provou seu alto nível, pelo menos em nível de classificação. Bottas parecia mais aliviado do que feliz por ter superado Russell, pois pegaria extremamente mal ao nórdico ser superado por um piloto que nunca correu com o carro. Valtteri é o piloto mais pressionado no grid amanhã. É o caso de vencer ou vencer.

Com a saída de Russell, a Williams recrutou Jack Aitken, seu piloto reserva e que estava na F2. Sem experiência nenhuma, Aitken andou muito próximo de Nicholas Latifi, demonstrando a qualidade (ou a falta dela) do canadense. Verstappen ficou com o terceiro tempo, mas menos de seis centésimos do tempo de Bottas, o que poderá ser uma briga apertada pela liderança amanhã. Mais atrás, Albon ficava de fora do Q3, enquanto a câmera flagrava Horner balançando a cabeça. Se ficar na equipe em 2021, a Red Bull terá que ter boas explicações para manter Albon. Leclerc surpreendeu ao colocar a Ferrari em quarto numa pista onde o motor está fazendo muita diferença.

A última novidade será o traçado no anel externo de Sakhir. Para quem esperava um oval, se decepcionou deveras com um segundo setor cheio de chicanes e bem ondulado, mas o pouco cumprimento fez com que os tempos ficassem bem abaixo de um minuto e o top10 tenha sido coberto por menos de 1s. Será interessante ver como será a corrida num circuito tão diferente do que a F1 viu nos últimos anos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Um relato extraordinário

 

Romain Grosjean sempre foi muito sacaneado por seus erros, que o fizeram ficar marcado no folclore da F1. Porém, o francês de 34 anos entrou na história da F1 de outra forma, como um sobrevivente de um acidente potencialmente fatal. Nessa sexta, dois dias depois de sair do hospital, Grosjean contou sua incrível jornada onde esteve frente a frente com a morte e todo o pensamento que teve naquela situação.

Bravo, Grosjean! Bravo!

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Figura(BAH): Halo

 Quando o Halo foi instalado nos carros da F1 em 2018, não faltaram quem torcesse o nariz por causa da marmota. Por mais que seja um aparato de segurança, que foi trazido por causa de péssimas experiências anteriores (a morte de Bianchi em Suzuka/2014 e o incidente que matou Justin Wilson na Indy em 2016), esteticamente o Halo esteve longe de agradar. Pilotos, dirigentes e fãs reprovaram o aparato, porém, aqui e ali o Halo se mostrava útil para evitar que um acidente mais sério tivessem consequências piores para os pilotos envolvidos. Então Romain Grosjean ganhou uma nova data de nascimento nesse domingo, quando seu carro entrou feito um foguete rumo ao guard-rail em Sakhir. Com um impacto de 53G, Grosjean causou um enorme buraco no rail e viu seu carro explodir. Em imagens que tão cedo sairão das retinas dos que acompanham a F1, Grosjean conseguiu sair do inferno que se formou ao seu redor e se recupera num hospital militar com queimaduras nas mãos. Quando o fogo foi extinto, ficou claro que o Halo salvou literalmente sua primeira vida. Sem a peça, a cabeça de Grosjean estaria totalmente exposta e muito provavelmente estaríamos lamentando mais uma morte na F1. Mesmo os que criticaram o Halo (como eu) tem que dar o braço a torcer e dar Graças a Deus que o equipamento, que tanto fere nossos olhos, não causou ferimentos fatais em Grosjean.

Figurão(BAH): Ferrari

 Em uma corrida marcante pelos motivos errados, não faltaram candidatos a estar nessa posição (Bottas, Kvyat, o próprio Grosjean em que uma manobra maluca sua quase lhe custou a vida), porém, vamos mais do mesmo. A Ferrari vinha em franca recuperação nas últimas corridas, incluindo um pódio com Vettel na prova anterior, na Turquia. Contudo, os ventos do deserto barenita não fizeram muito bem à trupe de Mattia Binotto e a Ferrari teve outro final de semana horroroso em 2020. Na classificação os dois carros ficaram por muito pouco de fora do Q3, indicando que na corrida as coisas poderiam ser melhores, contudo, o ritmo de corrida da Ferrari foi muito abaixo do esperado. Vettel relargou com pneus duros e chegou a ser ultrapassado pela Haas de Kevin Magnussen, enquanto Leclerc, que fizera uma boa largada, era ultrapassado por quem lhe aparecia na traseira. No final, Leclerc só conseguiu um pontinho pelo abandono tardio de Sergio Pérez, enquanto Vettel esteve longe da zona de pontuação as 57 voltas da corrida. Foi outro final de semana ruim da Ferrari em 2020, mas nada que esteja ruim pode piorar. Na largada, Vettel reclamou acidamente de uma manobra de Leclerc, até mesmo insinuando que deveria ter provocado um acidente (mais um...) entre eles. Contando com o pior motor da atualidade, a Ferrari terá um enorme desafio na próxima corrida no próprio circuito de Sakhir, quando a corrida será no veloz anel externo da pista, onde a velocidade de ponta será essencial. Velocidade essa que o motor Ferrari não tem, além de ter harmonia nenhuma com seus pilotos.