Não poderia ser outro! Foi uma atuação para ficar gravada na retina de quem assistiu a corrida nesse domingo. Sergio Pérez fez a corrida de sua vida e o mesmo destino que o tirara um pódio certo semana passada lhe presentou com uma belíssima vitória. Corridas de recuperação acontecem de tempos em tempos, mas normalmente o piloto tem em mãos o melhor ou um dos melhores carros do pelotão. Quando foi tocado por um destrambelhado Charles Leclerc na primeira volta, Pérez caiu para a 18º e última posição, parecendo voltar ao lugar onde estava, na briga pelo pódio, uma missão quase impossível. Mesmo sendo uma cópia da Mercedes de 2019, a Racing Point estava em quarto no Mundial de Construtores. Contudo, Pérez tinha muito o que provar. Provar que será um erro se ele ficar de fora da F1 em 2021. Motivadíssimo, Checo partiu para cima dos seus rivais com seu Racing Point e foi ultrapassando quem via pela frente, ao mesmo tempo em que cuidava dos pneus. Pérez se viu em terceiro após uma desmoralizante ultrapassagem sobre o seu companheiro de equipe Stroll e depois em cima de Ocon. Isso já o colocava como grande destaque da prova, mas se na semana passada Checo foi pego numa peça dos deuses do automobilismo ao abandonar já no final da corrida com o motor quebrado, dessa vez esses mesmos deuses lhe recompensaram com juros, quando a Mercedes errou completamente na parada dos seus pilotos e Pérez assumiu a ponta para não mais perdê-la. Foi uma atuação de gala do mexicano, que quebrou um jejum de cinquenta anos do seu país e mostrou a todos que tem totais condições de estar na F1 nos próximos anos.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Figurão(SAK): Mercedes
Para Valtteri Bottas não estar nessa parte da coluna, foi preciso caprichar. O finlandês teve um final de semana constrangedor no Bahrein, consumando numa corrida abaixo do medíocre. Porém, talvez a Mercedes quisesse dar uma 'moral' para o seu piloto e aprontou uma que a faz entrar aqui no lugar de Valtteri. O time chefiado por Toto Wolff se notabilizou por um entrosamento fora do comum em todos quesitos, parecendo estar à prova de erros. Contudo, no Bahrein, a Mercedes cometer um erro crasso e bisonho com seus pilotos que a fez perder uma dobradinha certa. Quando Jack Aitken deixou no meio da pista sua asa dianteira, trazendo o Safety-Car, a Mercedes estava com a corrida nas mãos e liderava soberana sobre as demais, mas sentiu uma incrível necessidade de trazer seus dois pilotos para um segundo pit-stop de segurança, tamanha era a diferença para os demais. Até aí, nada demais. O porém foi que um problema no rádio dos mecânicos fez com que o líder Russell saísse dos pits... com os pneus de Bottas! O finlandês já estava perdendo muito tempo quando um mecânico percebeu o erro e no desespero, colocaram os antigos pneus no carro de Bottas, o deixando indefeso quando carros piores que o dele, mas melhor 'calçados' quando foi dada a relargada. Russell teve que retornar aos pits para colocar os pneus corretos, mas um furo destruiu qualquer chance de vitória para o jovem inglês, porém, tudo começou numa tática que se mostrou errada e que culminou num engano básico de regulamento. Perguntado depois da corrida sobre o problema na sua equipe, Toto Wolff foi bem sucinto: foi uma grande cagada!
domingo, 6 de dezembro de 2020
Viva México!
Contudo, essa atuação de George Russell indica que o futuro da Mercedes está bem encaminhado, com um ótimo piloto debaixo de sua asa. Já o presente de Bottas não é dos mais agradáveis. Mesmo com mais experiência com o carro e com a equipe, foi totalmente dominado por Russell, incluindo uma ultrapassagem desmoralizante na única parte lenta do circuito. Por mais que Hamilton elogie Bottas, fica cada vez mais difícil justificar o finlandês na Mercedes após 2021. Quiçá, após essa temporada!
sábado, 5 de dezembro de 2020
Novidades com aperto
Os sete dias em que a F1 ficou no Bahrein foi marcado por a categoria recuperar o fôlego do susto de Grosjean no domingo, mas com várias mudanças forçadas entre as equipes. A primeira era lógica. Com Grosjean ainda se recuperando do seu dramático acidente, a Haas convocou seu piloto reserva Pietro Fittipaldi para a prova desse final de semana, com o brasileiro fazendo sua estreia na F1 cheia de simbolismos. Primeiro, após mais de mil dias, a F1 teria um piloto brasileiro no grid. Segundo é que Pietro será o quarto Fittipaldi a largar na F1 e finalmente, pela primeira vez na história da F1, uma terceira geração de um clã correrá na categoria. Correndo num carro ruim, sem muita experiência prévia e entrando de supetão na corrida, Pietro amargou a última posição, algo mais do que esperado com o equipamento que tem em mãos.
As outras novidades é que não eram esperadas. Lewis Hamilton deu positivo para o Covid19 e ficará de fora da corrida de amanhã e provavelmente da semana que vem também. A pergunta que fica é: e se o campeonato não estivesse definido? Felizmente Lewis só lamentará que suas marcas centenárias demorarão um pouco mais a aparecer, mas a Mercedes não poderia lamentar muito por Lewis e numa rápida negociação com a Williams, trouxe seu piloto George Russell para finalmente estrear pela Mercedes. E o jovem inglês esteve longe de fazer feio! Líder nos dois treinos livres, mesmo com quase nenhuma experiência com o carro, Russell deu um enorme calor em Bottas na classificação, ficando em segundo lugar no grid na casa dos milésimos. Por curiosidade, essa foi a primeira derrota de Russell na F1 numa classificação, mas não deixa de ser uma vitória para o inglês, que provou seu alto nível, pelo menos em nível de classificação. Bottas parecia mais aliviado do que feliz por ter superado Russell, pois pegaria extremamente mal ao nórdico ser superado por um piloto que nunca correu com o carro. Valtteri é o piloto mais pressionado no grid amanhã. É o caso de vencer ou vencer.
Com a saída de Russell, a Williams recrutou Jack Aitken, seu piloto reserva e que estava na F2. Sem experiência nenhuma, Aitken andou muito próximo de Nicholas Latifi, demonstrando a qualidade (ou a falta dela) do canadense. Verstappen ficou com o terceiro tempo, mas menos de seis centésimos do tempo de Bottas, o que poderá ser uma briga apertada pela liderança amanhã. Mais atrás, Albon ficava de fora do Q3, enquanto a câmera flagrava Horner balançando a cabeça. Se ficar na equipe em 2021, a Red Bull terá que ter boas explicações para manter Albon. Leclerc surpreendeu ao colocar a Ferrari em quarto numa pista onde o motor está fazendo muita diferença.
A última novidade será o traçado no anel externo de Sakhir. Para quem esperava um oval, se decepcionou deveras com um segundo setor cheio de chicanes e bem ondulado, mas o pouco cumprimento fez com que os tempos ficassem bem abaixo de um minuto e o top10 tenha sido coberto por menos de 1s. Será interessante ver como será a corrida num circuito tão diferente do que a F1 viu nos últimos anos.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
Um relato extraordinário
Romain Grosjean sempre foi muito sacaneado por seus erros, que o fizeram ficar marcado no folclore da F1. Porém, o francês de 34 anos entrou na história da F1 de outra forma, como um sobrevivente de um acidente potencialmente fatal. Nessa sexta, dois dias depois de sair do hospital, Grosjean contou sua incrível jornada onde esteve frente a frente com a morte e todo o pensamento que teve naquela situação.
Bravo, Grosjean! Bravo!segunda-feira, 30 de novembro de 2020
Figura(BAH): Halo
Quando o Halo foi instalado nos carros da F1 em 2018, não faltaram quem torcesse o nariz por causa da marmota. Por mais que seja um aparato de segurança, que foi trazido por causa de péssimas experiências anteriores (a morte de Bianchi em Suzuka/2014 e o incidente que matou Justin Wilson na Indy em 2016), esteticamente o Halo esteve longe de agradar. Pilotos, dirigentes e fãs reprovaram o aparato, porém, aqui e ali o Halo se mostrava útil para evitar que um acidente mais sério tivessem consequências piores para os pilotos envolvidos. Então Romain Grosjean ganhou uma nova data de nascimento nesse domingo, quando seu carro entrou feito um foguete rumo ao guard-rail em Sakhir. Com um impacto de 53G, Grosjean causou um enorme buraco no rail e viu seu carro explodir. Em imagens que tão cedo sairão das retinas dos que acompanham a F1, Grosjean conseguiu sair do inferno que se formou ao seu redor e se recupera num hospital militar com queimaduras nas mãos. Quando o fogo foi extinto, ficou claro que o Halo salvou literalmente sua primeira vida. Sem a peça, a cabeça de Grosjean estaria totalmente exposta e muito provavelmente estaríamos lamentando mais uma morte na F1. Mesmo os que criticaram o Halo (como eu) tem que dar o braço a torcer e dar Graças a Deus que o equipamento, que tanto fere nossos olhos, não causou ferimentos fatais em Grosjean.
Figurão(BAH): Ferrari
Em uma corrida marcante pelos motivos errados, não faltaram candidatos a estar nessa posição (Bottas, Kvyat, o próprio Grosjean em que uma manobra maluca sua quase lhe custou a vida), porém, vamos mais do mesmo. A Ferrari vinha em franca recuperação nas últimas corridas, incluindo um pódio com Vettel na prova anterior, na Turquia. Contudo, os ventos do deserto barenita não fizeram muito bem à trupe de Mattia Binotto e a Ferrari teve outro final de semana horroroso em 2020. Na classificação os dois carros ficaram por muito pouco de fora do Q3, indicando que na corrida as coisas poderiam ser melhores, contudo, o ritmo de corrida da Ferrari foi muito abaixo do esperado. Vettel relargou com pneus duros e chegou a ser ultrapassado pela Haas de Kevin Magnussen, enquanto Leclerc, que fizera uma boa largada, era ultrapassado por quem lhe aparecia na traseira. No final, Leclerc só conseguiu um pontinho pelo abandono tardio de Sergio Pérez, enquanto Vettel esteve longe da zona de pontuação as 57 voltas da corrida. Foi outro final de semana ruim da Ferrari em 2020, mas nada que esteja ruim pode piorar. Na largada, Vettel reclamou acidamente de uma manobra de Leclerc, até mesmo insinuando que deveria ter provocado um acidente (mais um...) entre eles. Contando com o pior motor da atualidade, a Ferrari terá um enorme desafio na próxima corrida no próprio circuito de Sakhir, quando a corrida será no veloz anel externo da pista, onde a velocidade de ponta será essencial. Velocidade essa que o motor Ferrari não tem, além de ter harmonia nenhuma com seus pilotos.






