domingo, 16 de agosto de 2015

História: 45 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1970

O recente sucesso de Jochen Rindt na F1 permitiu que a Áustria retornasse ao calendário da categoria seis anos após a primeira aparição do país na F1, em 1964. O circuito de Österreichring, inaugurado em 1969, é uma pista que logo ganhou o coração dos pilotos, com seu traçado cheio de curvas rápidas e utilizando o relevo natural da área, mesmo que a estreiteza da reta dos boxes causasse preocupação de todos e tornaria as largadas do Grande Prêmio da Áustria no futuro lendárias. Vindo de quatro vitórias consecutivas e uma estrela no seu país, Rindt queria uma vitória em casa e, melhor, praticamente lhe garantir o seu primeiro título mundial de F1. Porém, o crescimento da Ferrari, que contaria com uma ampla torcida dos tifosi, que cruzaram a fronteira com a Áustria, preocupava Rindt, que teve muito trabalho com Jacky Ickx na prova anterior, em Hockenheim.

Na sexta-feira, um acidente com John Miles, segundo piloto da Lotus, marcou o dia de treinos, com o inglês tendo muita sorte em não bater em nada, quando seu carro quebrou à altíssima velocidade. Porém, o primeiro piloto de equipe Jochen Rindt venceu as resistências que tinha com relação à segurança do Lotus 72 para fazer o melhor tempo, superando as Ferraris, com o novato Regazzoni superando Ickx. O terceiro piloto da Ferrari Giunti ficou em quinto, com os carros vermelhos separados pela March de Stewart. Mesmo numa pista de alta velocidade, onde o motor contava muito, a BRM continuava a decepcionar e largava nas últimas posições.

Grid:
1) Rindt (Lotus) - 1:39.23
2) Regazzoni (Ferrari) - 1:39.70
3) Ickx (Ferrari) - 1:39.86
4) Stewart (March) - 1:40.15
5) Giunti (Ferrari) - 1:40.21
6) Amon (March) - 1:40.60
7) Beltoise (Matra) - 1:40.81
8) Brabham (Brabham) - 1:40.81
9) Cevert (March) - 1:40.89
10) Miles (Lotus) - 1:41.46

O dia 16 de agosto de 1970 amanheceu com um tempo agradável, mas sem muito sol em Zeltweg, pequena cidade onde se localizava o circuito de Österreichring. Com o intuito de ver o sucesso do piloto local, mais de 100.000 pessoas lotaram o novo circuito, mas a largada não foi muito auspiciosa para os fãs austríacos, com Rindt sendo ultrapassado pelas duas Ferrari, com Regazzoni à frente. Stewart, grande amigo de Rindt, também largou mal e foi ultrapassado pela Ferrari de Giunti. Nas quatro primeiras posições, haviam três Ferraris!

O final de semana da March-Tyrrell piorava consideravelmente quando Stewart e Cevert entraram nos boxes praticamente juntos no final da primeira volta, com o francês abandonando imediatamente com o motor quebrado, enquanto Stewart tem problemas mecânicos que o fariam abandonar ainda na sétima volta, com o seu cockpit perigosamente inundado de combustível devido a um vazamento. Lá na frente, para o bem do campeonato, Ickx ultrapassa Regazzoni na curva Bosch, enquanto Giunti atacava Rindt para tentar uma trinca da Ferrari na Áustria. Mas quem crescia na pista era o francês Jean Pierre Beltoise e sua Matra, com seu fortíssimo motor V12. Enquanto Rindt era ultrapassado por Giunti, Beltoise atacava os dois e subia para terceiro, logo se aproximando da dupla ferrarista na frente. Rindt já era acossado por Amon na briga pela quinta posição, para desgosto do público que lotava o autódromo. Porém, na décima volta Rindt aproveita a perda de rendimento de Giunti e retoma o quarto lugar, mas já estava 8s atrás do trio que liderava a prova (Ickx, Regazzoni e Beltoise). 

Largando em oitavo e em segundo no campeonato, o velho Jack Brabham se aproximava de Giunti e este ficava bem atrás de Rindt, que após um começo de corrida claudicante, se estabelece num sólido quarto lugar, porém a prova do líder do campeonato acaba na volta 21 com o motor quebrado. A torcida austríaca se desanima, pois seu ídolo não venceria em casa. 'Mas haverão novas oportunidades', pensaram muitos do que estavam em Zeltweg 45 anos atrás. Porém, os acontecimentos em Monza mostrariam que essa seria a última corrida do inesquecível Jochen Rindt na F1. A dupla da Ferrari andava junta, com Ickx em primeiro e Regazzoni fazendo o papel de escudeiro do companheiro de equipe, enquanto Beltoise já ficava 2s atrasado. Giunti segurava Brabham, enquanto Denny Hulme assumia o sexto lugar, numa corrida calculada em sua velha McLaren, mas o motor do neozelandês quebraria na volta 31, fazendo com que o alemão Rolf Stommelen, numa temporada apagada até ali, entrasse na zona de pontos com seu Brabham. Se Stommelen fazia sua melhor corrida na F1 até então, seu famoso companheiro de equipe tinha sérios problemas. Jack Brabham entra nos boxes na volta 32 com um radiador furado por uma pedra. Os mecânicos da Brabham trabalham freneticamente para mandar o australiano de volta à corrida e conseguem o objetivo, mas 'Black Jack' estava quatro voltas atrasado e fora de qualquer chance de pontos. O asfalto muito áspero de Österreichring faz uma vítima quando Ignazio Giunti vai aos boxes com os pneus completamente desgastados, sendo que um deles estava a ponto de estourar. Quarenta e cinco anos atrás, realizar um pit-stop no meio de uma corrida era algo problemático e por isso Giunti retorna à pista muito atrasado. 

Com receio do consumo de combustível do seu Matra, Beltoise diminuía o ritmo de sua corrida e praticamente deixava a dupla da Ferrari sozinha na frente. Sempre com Ickx na frente de Regazzoni. Faltando duas voltas para o fim, as preocupações de Beltoise vem à tona e o francês tem que fazer um reabastecimento emergencial. Beltoise colocou um pouco de combustível de forma improvisada, mas o seu pódio estava perdido, dando lugar para Rolf Stommelen, mais de um minuto atrás dos líderes, que conseguiria seu primeiro pódio na F1. Largando nas últimas posições, os pilotos da BRM avançaram pelo pelotão com uma condução tranquila, aproveitando muito bem as várias quebras ao longo do caminho. Pedro Rodríguez termina em quarto, com seu companheiro de equipe Jackie Oliver em quinto. Beltoise ainda salva um pontinho com um amargo sexto lugar. Jacky Ickx recebe a bandeirada para a sua primeira vitória em 1970, com um comportado Clay Regazzoni colado atrás, numa bela dobradinha da Ferrari na Áustria. Numa cena bizarra, Ickx e Regazzoni tem problemas em chegar ao pódio devido à invasão do público que queria... autógrafos de Jochen Rindt, que havia abandonado ainda antes da metade da corrida! Mesmo com essa vitória incontestável da Ferrari, Rindt saía do seu país natal com o campeonato ainda mais nas suas mãos, pois Jack Brabham não pontuou e a diferença para o australiano, ainda vice-líder, era os mesmos vinte pontos. Mesmo descontente com a segurança do Lotus 72, Jochen Rindt estava feliz à caminho de Monza...

Chegada:
1) Ickx
2) Regazzoni
3) Stommelen
4) Rodriguez
5) Oliver
6) Beltoise 

Passeio tcheco

Num momento em que a F1 está sendo severamente criticada pela falta de emoção em suas corridas, hoje a MotoGP teve um dia de F1. Desde os treinos livres estava claro que Jorge Lorenzo era o grande favorito à vitória no tradicional circuito de Brno, na República Tcheca. E o que aconteceu? Lorenzo venceu com facilidade. Márquez era o piloto mais próximo de Lorenzo nos treinos e largou em segundo no grid, atrás de Lorenzo. O que aconteceu? Marc Márquez chegou em segundo isolado. Valentino Rossi largou em terceiro, mas era nítido que o italiano não tinha condições de brigar com Lorenzo e Márquez pela vitória. O que aconteceu? Rossi chegou num distante terceiro lugar.

Isso resume muito bem o que foi a desanimada corrida em Brno. Lorenzo e Márquez dispararam na largada, enquanto Rossi, numa rara boa classificação, caía para quinto, ultrapassado por Bradley Smith e Andrea Iannone. Quando Vale se instalou em terceiro, já estava 4s atrás da dupla da frente, porém, o ótimo acerto de Lorenzo aos poucos se sobressaiu à coragem de Márquez, que domou sua Honda com muita habilidade, mas o ritmo de Lorenzo era bom demais e quando a metade da corrida se aproximava, mesmo com Lorenzo usando pneus mais macios na frente, começou a virar meio segundo mais rápido do que Márquez, que teve que se conformar em ver Lorenzo desaparecer no horizonte. Rossi correu isolado em terceiro e a emoção nas voltas finais ficou pela briga pelo quinto lugar entre Doviziozo e o machucado Daniel Pedrosa, com vantagem para o espanhol.

A vitória de Lorenzo, a primeira desde a espetacular sequencia de quatro vitória do espanhol no começo da temporada, fez com que o piloto da Yamaha assumisse a liderança do campeonato pela primeira vez esse ano, mesmo que empatado com Rossi, mas Lorenzo leva vantagem pelo número de vitórias (cinco), enquanto Rossi vai se segurando com sua incrível regularidade, com o italiano conseguindo subir ao pódio em todas as corridas de 2015. Porém, mesmo tendo uma torcida velada de todos para que Rossi conquiste seu décimo título, está nítido que Valentino está abaixo do ritmo não apenas de Lorenzo, mas também de Márquez, o que dificulta ainda mais a luta do italiano pelo título. Lorenzo se encheu de confiança e a tendência agora é que Jorge Lorenzo, com sua tocada suave, mas muito rápida e precisa, ganhe ainda mais vantagem no campeonato e se aproxime do tricampeonato.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

História: 15 anos do Grande Prêmio da Hungria de 2000

Hungaroring sempre foi um circuito tradicionalmente estreito e apertado, dificultando ao máximo as ultrapassagens. Isso significava que se classificar bem era essencial para se ter um bom final de semana na Hungria, além de uma boa largada. Porém, no ano 2000 Michael Schumacher várias vezes tirou um coelho da cartola na Classificação, mas os pilotos da McLaren acabavam batendo o piloto da Ferrari em ritmo de corrida, principalmente devido ao desgaste excessivo de pneus do carro italiano. Na ocasião, faltavam seis corridas para o fim do campeonato e dois dois pontos separavam Schumacher dos dois pilotos da McLaren, num campeonato emocionante. Se quisesse manter sua delgada vantagem, Schumacher teria que vencer na Hungria, pois poderia ser ultrapassado, ou por Hakkinen, ou por Coulthard. 

E na classificação, Michael Schumacher precisou de apenas uma volta rápida para marcar a sua 28º pole na carreira e tirar outro coelho da cartola, enquanto o alemão assistia os dois pilotos da McLaren sendo incapazes de superar seu tempo. Era a quinta pole de Schumacher na temporada, algo que não acontecia desde 1994, mesmo Michael sendo considerado o melhor piloto da ocasião. Ainda de ressaca pela sua histórica primeira vitória, Barrichello não consegue ajudar seu companheiro de equipe e ainda foi superado por nove milésimos pela Williams de Ralf Schumacher, num dos raros momentos de 2000 onde as duas primeira filas não eram toda de Ferrari e McLaren.

Grid:
1) M.Schumacher (Ferrari) - 1:17.514
2) Coulthard (McLaren) - 1:17.886
3) Hakkinen (McLaren) - 1:17.922
4) R.Schumacher (Williams) - 1:18.321
5) Barrichello (Ferrari) - 1:18.330
6) Frentzen (Jordan) - 1:18.523
7) Fisichella (Benetton) - 1:18.607
8) Button (Williams) - 1:18.699
9) Salo (Sauber) - 1:18.748
10) Irvine (Jaguar) - 1:19.008

O dia 13 de agosto de 2000 amanheceu ensolarado em Budapeste e frustrando quem esperava por uma mudança climática, que pudesse transformar o normalmente enfadonho Grande Prêmio da Hungria numa corrida emocionante. Sendo a largada um momento crucial para o resto das 77 voltas, o lado sujo da pista tinha feito uma enorme diferença na corrida da F3000 (lembram dela?) e durante o warmup (outra coisa velha...), os pilotos passavam rente ao muro dos boxes, numa tentativa de 'limpar' esse lado do grid. Quando o grid estava sendo formado, Gastón Mazzacane sofreu um problema no câmbio e tem que pular para o carro reserva, largando dos boxes. Durante aquela temporada, Schumacher e Coulthard, protagonistas da primeira fila, já tinham tido problemas e por isso a largada era muito esperada, mas foi Hakkinen quem brilhou, ultrapassando facilmente um lento Coulthard e colocando por dentro na primeira curva para pular de terceiro para a ponta da corrida. Não tendo conseguido contornar a primeira curva nas duas últimas corridas, Schumacher preferiu deixar Hakkinen passar. Mesmo largando no lado sujo, Ralf Schumacher faz uma boa largada e quase toma o terceiro lugar de Coulthard, mas o escocês segura a posição.

E assim a corrida foi praticamente definida. Hakkinen começava a ficar longe de Schumacher, o que não deixava de ser surpreendente, vide o desempenho apagado do finlandês no final de semana até ali. Schumacher era acossado por Coulthard, mas não havia ataque. A corrida do escocês foi salva por ter se mantido na frente de Ralf Schumacher que, sem ritmo, segurava Barrichello e Frentzen, com o trio já ficando bem distante dos líderes. A corrida fica estática, para não dizer monótona. As únicas ações do dia foram as duas rodadas de Fisichella, mas o italiano teimosamente permanecia na corrida. Coulthard parecia ter alguma problema de equilíbrio em sua McLaren e quando Schumacher faz sua primeira parada, volta confortavelmente em segundo, enquanto Hakkinen estica seu stint, mesmo que sem muita necessidade, pois o finlandês já tinha a corrida sob controle. A única mudança nessa rodada de paradas foi o pit-stop mal feito da Williams, que viu Ralf Schumacher perder o quarto lugar para Barrichello, mas a corrida do brasileiro já estava destruída por ter passado tempo demais atrás atrás do alemão da Williams e só mesmo um milagre para Rubens repetir o feito de Hockenheim. Frentzen permanece em sexto.

Ao colocar o segundo set de pneus, Coulthard começa a se aproximar de Schumacher à uma taxa alarmante, demonstrando o real ritmo de McLaren e Ferrari naquele domingo calorento de quinze anos atrás. Hakkinen já estava fora de alcance, mas quando Coulthard encostou em Schumacher... não aconteceu nada demais! O único momento de emoção foi quando o escocês perdeu tempo para colocar uma volta na Minardi de Marc Gené que, sem rádio, não sabia se estava lutando por posição ou levando volta. O espanhol deveria saber que com uma Minardi no ano 2000, ele deveria estar sempre levando volta! Gené acabaria punido pela desobediência às bandeiras azuis. A única chance de Coulthard era na segunda rodada de paradas, mas como a McLaren trabalhou ligeiramente pior do que a Ferrari, o escocês estava impotente em atacar Schumacher e David deve ter dormido com o nome 'Marlboro' na sua cabeça. Pois foi o que ele mais viu naquele dia! Após sua segunda parada, Mika Hakkinen apenas passeou em Hungaroring para alcançar a sua 17º vitória na carreira e a terceira no ano 2000. Com esse resultado, o finlandês assumia a ponta do campeonato, dois pontos na frente de Schumacher, que durante três corridas não viu a bandeirada e manteve a liderança do certame, mas quando viu a bandeirada, o alemão da Ferrari viu a ponta do campeonato cair nas mãos do seu maior rival. Nessa época surgiram boatos de que, caso Hakkinen conquistasse o tricampeonato consecutivo, o finlandês se aposentaria no final do ano. Líder do campeonato, 15 anos atrás ninguém poderia não apostar em Mika Hakkinen como favorito ao título em 2000.

Chegada:
1) Hakkinen
2) M.Schumacher
3) Coulthard
4) Barrichello
5) R.Schumacher
6) Frentzen

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Que pena...

Com um pouco de atraso, mas não menos lamentável, foi a morte de Buddy Baker, uma das lendas da Nascar em todos os tempos. Piloto da velha-guarda da categoria principal, Baker foi o primeiro piloto a completar uma volta acima das míticas 200 milhas por hora 320 km/h) em 1970 e venceu várias corridas importantes, mesmo não sendo campeão nenhuma vez da então Winston Cup. Buddy Baker, cujo pai foi piloto e morreu correndo na Nascar, se aposentou em 1992 e imediatamente se tornou um conceituado comentarista. Infelizmente, devido à um câncer, Baker nos deixou nesta segunda aos 74 anos de idade. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

História: 35 anos do Grande Prêmio da Alemanha de 1980

Quando a F1 chegou em Hockenheim para o Grande Prêmio da Alemanha de 1980, todos ainda estavam chocados com a morte de Patrick Depailler apenas alguns dias antes no mesmo local. Reuniões foram realizadas pelos membros da GPDA, mas nenhuma nova reação foi feita pelo acidente de Depailler na Ostkurve, que recebeu uma atenção especial por parte dos organizadores. A Alfa Romeo resolveu correr na Alemanha com apenas um piloto, com Bruno Giacomelli dedicando sua corrida para o seu amigo Depailler. Após o sucesso da Williams em Paul Ricard e Brands Hatch, todas as equipes montadas com pneus Goodyear resolveram utilizar rodas dianteiras com um raio de 15 polegadas. Porém, a velocidade atingida nas curvas fez com que a FISA obrigasse a todos correrem com pneus de 16 polegadas, mas testes no rápido circuito da Áustria realizados por Alan Jones mostravam que a mudança não influenciava em nada na velocidade de curva. Porém, era esperado um bom desempenho dos carros Renault turbo nas longas retas de Hockenheim.

A sexta-feira de classificação foi prejudicada pela chuva, mas no sábado houve uma acirrada disputa entre Williams e Renault. Jones consegue sua sexta pole com quatro centésimos de segundo à frente de Jabouille, com Arnoux logo atrás. Porém, o chefe da Renault Jean Sage estava preocupado com a quebra de três motores. Pelos problemas nas rodas apresentadas em Brands Hatchs, a Ligier resolveu não participar de um teste de pneus e por isso, os carros azuis não estavam plenamente acertados desta vez em Hockenheim, com Laffite em quinto e Pironi em sétimo. Entre eles, estava Nelson Piquet, mostrando a sua regularidade na sua tentativa de se manter na luta pelo título contra Jones, que não sabia, mas marcava sua última pole na F1.

Grid:
1) Jones (Williams) - 1:45.85
2) Jabouille (Renault) - 1:45.89
3) Arnoux (Renault) - 1:46.00
4) Reutemann (Williams) - 1:46.14
5) Laffite (Ligier) - 1:46.78
6) Piquet (Brabham) - 1:46.90
7) Pironi (Ligier) - 1:47.20
8) Rosberg (Fittipaldi) - 1:47.64
9) Andretti (Lotus) - 1:48.45
10) Patrese (Arrows) - 1:48.58

O dia 10 de agosto de 1980 amanheceu muito nublado em Hockenheim, com séria ameaça de chuva, inclusive com nevoeiro na parte do Estádio pela manhã. Havia um grande temor por se correr na rapidíssima pista de Hockenheim com piso molhado e o consequente spray jogado para os carros de trás. A morte de Depailler ainda assustava toda a F1, mas para sorte dos pilotos, a esperada chuva não veio e mesmo com o tempo muito nublado, a corrida aconteceria com piso seco. Na largada, Jones aproveita o famoso retardo dos motores turbo e se mantém na ponta, seguido pelos dois carros amarelos. Mesmo não tendo nenhum retardo no motor, Reutemann larga muito mal e perde várias posições, enquanto o surpreendente Keke Rosberg, andando pela primeira vez com o novo Fittipaldi F8, subia para um excepcional sexto lugar.

Ainda na primeira volta, Jabouille usa a prodigiosa potência do seu motor Renault turbo e ultrapassa Jones antes da freada da primeira chicane e com isso, o francês liderava a primeira volta. Jones consegue segurar Arnoux e se mantém em segundo, enquanto Jabouille abria 1.5s no final da segunda volta. Reutemann tentava uma corrida de recuperação e entra nos pontos quando ultrapassa Rosberg. Villeneuve, em sua Ferrari mal concebida em 1980, fazia outra corrida de recuperação e após largar em 16º, já aparecia em oitavo lugar na terceira volta, mas que viraria sétimo quando Rosberg tem que ir tristemente para os boxes, com problemas em sua asa dianteira. Após um início de corrida de sonho, o finlandês abandonaria ainda na oitava volta com um problema de rolamento. Nelson Piquet teve problemas de embreagem na largada e por isso fazia também uma corrida de recuperação, vindo do 14º lugar. Após assumir a liderança, Jabouille não consegue abrir vantagem e com isso, os quinto primeiros colocados andavam muito próximos na décima volta, com a dupla da Ligier fechando a raia com Laffite e Pironi. Na briga pelo primeiro lugar, quando Jones esboçava uma ultrapassagem sobre Jabouille, o francês da Renault usava a potência do seu motor turbo e rechaçava qualquer manobra do piloto da Williams, mas Jones estava claramente mais rápido no Estádio e nas freadas das chicanes. Enquanto isso, a recuperação estonteante de Piquet o via já próximo dos pontos, quando o brasileiro ultrapassa Villeneuve pela 7º posição. Como já havia acontecido outras vezes, Villeneuve forçava acima do que sua Ferrari poderia lhe dar e isso destruía os pneus Michelin, que não suportavam o esforço e o canadense ia perdendo rendimento, não raro, tendo que fazer pit-stops. Como aconteceu em Hockenheim.

Enquanto a corrida chegava a sua metade, a briga pela liderança se estabelecia apenas entre Jabouille e Jones. Arnoux perdia contato com os dois líderes e começava a ser acossado pelo compatriota Laffite, que já não tinha que se preocupar com Pironi, que havia abandonado na volta 18 com problema na transmissão de seu Ligier. Provavelmente o francês deu 'adieu' para as suas chances de título. A corrida fica estática, com Jabouille controlando muito bem os poucos ataques de Jones, mas a Renault tinha trazido uma nova especificação do seu motor para Hockenheim, com novas válvulas pneumáticas. Mais potente que o motor anterior, essa especificação do motor Renault já tinha trazido dores de cabeça para o franceses durante o final de semana e quando Jabouille se aproximava da sessão do Estádio na volta 27, o francês levantou o braço. Sete segundos atrás, Arnoux encosta seu Renault na grama. Jabouille e Arnoux estavam fora da corrida. Ambos afetados pela quebra de uma válvula pneumática. Jones agora tinha mais de 10s de vantagem sobre Laffite, seguido de longe por Reutemann e Piquet.

Porém, como diria Juan Manuel Fangio, 'carreras son carreras'. Jones já tinha mais de 13s de vantagem sobre Laffite, quando o francês teve dificuldades em ultrapassar retardatários. Então, na volta 40, com cinco para o fim, Jones tem um pneu dianteiro esquerdo furado. O australiano se arrasta pela pista e chega aos boxes da Williams, que efetua a troca dos quatro pneus em 21s. Sem limite de velocidade dentro dos pits, Jones sai feito louco dos pits e retorna à pista logo à frente de Piquet, seu rival pelo título. Furioso com a falta de sorte, Jones marca a volta mais rápida da prova, também impelido por Piquet, que ao ver seu grande rival de 1980 logo à sua frente, aumenta o ritmo. Reutemann também aumenta o seu ritmo no final, diminuindo de 10s para 3s nas voltas finais sua desvantagem, mas Laffite controla o ritmo e vence uma corrida que lhe caiu no colo, diminuindo um pouco a sua frustração de Brands Hatch. Jones completa a corrida em terceiro, mas o australiano estava tão frustrado, que nem vai ao pódio no fim. Piquet recebe a bandeirada menos de 1s em quarto, enquanto Giacomelli se aproveitou do abandono de Elio de Angelis no finalzinho da prova para garantir o quinto lugar e dedicar à memória de Depailler. Após trocar seus pneus, Villeneuve ainda consegue marcar um pontinho, com o sexto lugar. No pódio, ainda lembrando do seu amigo Patrick Depailler, o simpático e sempre alegre Jacques Laffite chorou quando a 'Maselhesa' ecoou em Hockenheim. "Não posso recusar uma vitória, mas eu não queria ganhar hoje. Para mim, foi uma vitória sem alegria", lamentou Laffite após o seu triunfo. Dias tristes aqueles de 35 anos atrás.

Chegada:
1) Laffite
2) Reutemann
3) Jones
4) Piquet
5) Giacomelli
6) Villeneuve

domingo, 9 de agosto de 2015

Honda 1 x 1 Yamaha

Num autódromo de Indianápolis às moscas, a MotoGP voltou de férias para uma corrida tensa e em duplas  na briga na frente. Mostrando ser um piloto talhado para correr nos Estados Unidos, Marc Márquez recomeçou a temporada da mesma forma de quando a temporada foi interrompida: vencendo. O piloto da Honda travou uma luta forte, mas sem tantas emoções, com Jorge Lorenzo. Ponto para a Honda. Mais atrás, Valentino Rossi e Daniel Pedrosa protagonizaram uma disputa mais animada e com mais trocas de posições, mesmo que ambos ficando bem atrás dos líderes, com Rossi ficando em vantagem. Ponto para a Yamaha.

Com uma primeira fila toda espanhola, Jorge Lorenzo saiu muito bem (como sempre) no apagar das luzes vermelhas e ultrapassou a dupla da Honda, com Márquez logo atrás. Valentino Rossi passou todo o final de semana reclamando do acerto de sua Yamaha, mas o veterano italiano soube tirar um algo mais de sua moto e após uma boa largada, somado a um erro de Andrea Iannone, Valentino logo se estabeleceu em quarto. Se no começo da prova Pedrosa pôde andar no mesmo embalo de Lorenzo e Márquez, Dani Pedrosa começou a perder rendimento por causa de um prosaico problema: o cano que leva água do seu macacão para o seu capacete se desprendeu. Isso fez com que Pedrosa perdesse um pouca a concentração e permitiu a aproximação de um problemático Valentino Rossi. Tudo isso fez com que as duplas de Honda e Yamaha brigassem entre si em duas brigas bem separadas.

Inicialmente Márquez deu a pinta que estava mais rápido do que Lorenzo, mas vendo a dificuldade de se ultrapassar o compatriota e rival, Márquez resolveu esperar para dar o bote no final. Além do que, havia o risco de chuva, algo que fez com que as corridas de Moto2 e Moto3 fossem atípicas e ainda mais espetaculares. Porém, Márquez esperou até as voltas finais para dar o bote decisivo em cima de Lorenzo e partiu serelepe para as três voltas finais e vencer novamente nos Estados Unidos, local onde se mantém invicto desde 2013, quando Márquez estreou na MotoGP. Pensando no campeonato, Lorenzo tentou dar o troco em Márquez, mas se manteve em segundo até a bandeirada. Para o piloto da Yamaha, restava torcer para que Pedrosa segurasse Rossi na briga pelo terceiro lugar. Porém, mesmo com Rossi não gostando do seu acerto da Yamaha e Pedrosa estando bem mais rápido na reta dos boxes, o italiano conseguiu uma vantagem no final, sendo que a disputa entre Rossi e Pedrosa foi mais emocionante, com mais trocas de posição.

Mesmo perdendo a vitória, Lorenzo pôde diminuir a desvantagem que tem para Rossi no campeonato, que teimosamente vem mantendo uma regularidade impressionante, conseguindo pódios em todas as corridas de 2015 até agora. Com as muitas quedas e erros nesse ano, Marc Márquez parece não ter chances de conseguir o tricampeonato nesse ano, mas o espanhol da Honda pode ser o fiel da balança até o fim do campeonato, disputado pelos pilotos da Yamaha.

Enquanto isso na Nascar...

Segunda e última corrida em circuito misto, o tradicional circuito de Watkins Glen viu o domínio da equipe Penske na categoria Xfinity Series, mas mesmo num circuito onde não há tantos toques assim, como é o caso dos ovais de uma milha ou menos, Glen viu Regan Smith e Ty Dillon se engalfinhando após a prova. Típico da Nascar...