Levado imediatamente de helicóptero para um hospital maior em Manama, o que se sabe até o momento é que Grosjean teve queimaduras nas mãos e tornozelos, além de uma possível fratura nas costelas. Muito, muito pouco pela magnitude do acidente.
Levado imediatamente de helicóptero para um hospital maior em Manama, o que se sabe até o momento é que Grosjean teve queimaduras nas mãos e tornozelos, além de uma possível fratura nas costelas. Muito, muito pouco pela magnitude do acidente.
A classificação de hoje no Bahrein foi bem habitual, sem maiores dramas ou grandes surpresas. George Russell vai mostrando que a Williams está pequena demais para ele e desde que entrou na F1, o inglês está invicto nos grids. Ok, até o momento Russell não enfrentou nenhum virtuose ou alguém 100% fisicamente, mas o piloto da Williams vai fazendo um belo trabalho com um carro nitidamente ruim. Outro ponto é que está cada vez mais difícil defender Albon. O tailandês bateu forte ontem e hoje tomou mais de meio segundo de Verstappen, mesmo ficando no P4, no entanto, olhando os tempos da classificação, Albon está mais para o pelotão intermediário do que um cara que esteja próximo de ajudar Verstappen em sua inglória luta contra a dupla da Mercedes. Sergio Pérez marcou uma coletiva para essa segunda. Se o mexicano não anunciar sua aposentadoria, pode ser que seu caminho seja a Red Bull, que também negocia com Hulkenberg.
A prova no Bahrein que estamos esperando é da próxima semana, quando a F1 correrá no anel externo da pista barenita, podendo nos proporcionar uma corrida bem diferente do que a F1 está acostumada, com tempos de volta abaixo de um minuto e briga por vácuo. Até lá, vamos ver se Verstappen terá condição de fazer frente às Mercedes em ritmo de corrida. Algo bem familiar em 2020.
A carreira de Maradona terminou, mas ele nunca deixou as manchetes. Os abusos em sua vida ficavam mais evidentes com sua obesidade e sua quase morte nos anos 2000. Mais uma vez sobrevivendo, Maradona se tornou uma figura folclórica com suas tiradas malucas. O via apenas como uma pessoa doente, de passado glorioso. Achava graça da igreja Maradoniana. Diego se tornou técnico da seleção argentina e as coisas passaram ainda mais loucas, com Maradona estragando uma oportunidade de uma ótima geração que nunca foi campeã, onde fez uma Copa de 2010 completamente errática e tomando de quatro da Alemanha.
O tempo fez com que os anos gloriosos de Diego Armando Maradona ficassem cada vez mais para trás. Como Pelé, havia o Maradona pessoa e o personagem. O Maradona-pessoa parecia bizarro, confuso pelos excessos. Já o Maradona-personagem ainda aparecia com suas incríveis apresentações vistas através do YouTube pelo Napoli e pela seleção da Argentina, principalmente na mítica Copa do Mundo de 1986. Nesse 25 de novembro de 2020, os excessos da pessoa Diego Maradona cobrou seu preço e o argentino faleceu quando mal completara 60 anos. O personagem Diego Maradona será eterno.
A última etapa do Mundial de Motovelocidade teve como destaque o belo circuito lusitano, localizado no Algarve. Se a F1 tinha fica impressionada com o traçado exigente, técnico e emocionante de Portimão, com as motos a sensação de espetaculosidade foi aumentada com as fortes descidas proporcionando belas imagens, com as motos quase saindo do chão. Para coroar essa festa portuguesa, que infelizmente não teve ninguém nas arquibancadas, Miguel Oliveira foi imperial em todo o final de semana. O piloto da KTM usou o fator casa para dar um show em Portimão. Oliveira não deu quaisquer chances aos rivais e seu ritmo no início da corrida era tão forte que parecia que ele poderia até ficar sem pneus no fim, mas Miguel administrou a prova muito bem e conseguiu sua segunda vitória no ano com extrema tranquilidade e qualidade. A briga pela segunda posição foi exclusiva de Jack Miller e Franco Morbidelli, com vantagem para o australiano na última volta, contudo, Morbidelli não teve do que reclamar, pois com esse resultado garantiu o vice-campeonato, contando com as péssimas corridas dos seus adversários, como Rins e Quartararo, fora até mesmo do top-10. Já o campeão Mir abandonou quando andava nas última posições.
Como toda corrida derradeira, houveram algumas despedidas. Cal Cruthlow se aposentou das corridas para se tornar piloto de testes da Yamaha, enquanto Andrea Doviziozo saiu da Ducati e sem contrato para 2021, pode estar saindo da MotoGP também. Valentino Rossi ganhou um mural de despedida da equipe oficial da Yamaha, que mais uma vez andou muito mal, tanto que Rossi foi apenas 15º no mundial. Quartararo teve outra corrida para esquecer, ficando muito atrás do seu companheiro de equipe Morbidelli. O segundo lugar de Miller deu à Ducati o título de construtores, porém, não foram apenas os italianos que garantiram título hoje. Nas categorias menores tivemos novos campeões. E com emoção! Albert Arenas foi apenas 12º na Moto3 para se sagrar campeão, enquanto Enea Bastianini subirá à MotoGP como campeão da Moto2 de forma apertada, superando Luca Marini por apenas nove pontos, com o seu quinto lugar logrado hoje. Arenas e Bastianini flertaram algumas vezes com a derrota durante a corrida, mas na bandeirada acabaram consagrados.
E assim termina mais uma temporada do Mundial de Motovelocidade, que foi basicamente europeu por causa dessa histórica pandemia. Foi um campeonato atípico em todas as categorias, onde tirando Arenas, Joan Mir e Enea Bastianini estavam longe de serem favoritos ao título de 2020 quando o ano começou. Porém, Arenas, Bastianini e Mir mereceram seus títulos e são campeões dignos. Que venha 2021!
Se tivesse conquistado o histórico heptacampeonato com uma quarta posição, Lewis Hamilton também estaria nessa parte da coluna. Porém, para um piloto como Hamilton, conquistar algo tão significativo não seria o mesmo com uma corrida qualquer. Lewis deu um verdadeiro show em condições adversas e que em nenhum momento parecia que venceria. O traiçoeiro novo asfalto do belo circuito de Istambul fez do final de semana da volta do GP da Turquia uma verdadeira loteria, que foi aumentada pela chuva. Com uma pista já naturalmente escorregadia, o piso molhado transformou o circuito de Kurtkoy num rinque de patinação. No sábado, Hamilton fora apenas sexto, longe do surpreendente pole Stroll. No domingo chuvoso, Hamilton fazia uma corrida tranquila, até mesmo porque o ocupante da outra parte da coluna passava vergonha mais atrás. O título era questão de minutos. No entanto o Hamilton não se conformou e passou a planejar arrancar uma vitória mesmo chegando a estar mais de 20s atrás do líder. Preso atrás de Vettel, Hamilton tirou o pé para preservar os seus pneus intermediários. Quando Vettel foi para os boxes para uma segunda parada, Lewis já tinha na alça de mira o então líder Sergio Pérez, facilmente ultrapassado pelo inglês. No entanto, ainda havia muita corrida pela frente e a pista secava. Os pneus intermediários, não projetados para durarem tanto, estavam desgastados, mas Hamilton despachou o mexicano. Hamilton pensou em tudo, em experiências ruins anteriores e usando esse handicap, conseguiu uma vitória histórica que lhe deu um incrível e merecido sétimo título. Muitas vezes apenas a velocidade de Hamilton fora o suficiente para derrotar seus rivais, mas nesse domingo Lewis mostrou o quão completo está hoje em dia. Hamilton foi sábio, paciente e tático, sem deixar de usar seu incrível talento para vencer ontem. Senhores, estamos vendo um gênio das pistas e não curtir isso chega a ser um pecado contra o automobilismo.
Seis rodadas durante a prova e uma décima quinta posição na bandeirada, enquanto que o mesmo carro, seu companheiro de equipe fazia uma corrida épica rumo à vitória, ao título e à glória. Nesse domingo Valtteri Bottas demonstrou toda a diferença entre um piloto bom e comum como ele e um supercampeão. Para piorar, depois de uma corrida horrorosa e tomar, até o momento, cem pontos de Hamilton no campeonato, Bottas parabenizou o inglês pelo feito e disse que em 2021 brigaria pelo título com Lewis. Detalhe: Hamilton colocou uma volta em Bottas. Bottas lutando contra Hamilton pelo título em 2021? Sei...
Porém, no esporte muita coisa pode acontecer durante um ano, mesmo com uma pandemia no meio. Logo na primeira corrida do ano, o histórico Marc Márquez vinha tentando se recuperar de uma saída de pista em Jerez e já estava em terceiro quando caiu de sua moto e na queda, foi atingido em cheio pela sua Honda. Braço direito quebrado e cirurgia ainda naquela semana. Márquez tentou uma miraculosa volta, mas estava claro que o problema era mais sério. O espanhol estava fora da temporada. Não faltavam candidatos ao trono vago e um piloto se destacava. Fabio Quartararo surpreendeu a todos com uma temporada de estreia impressionante em 2019, demonstrando um talento que poucos notaram na Moto2 e Moto3. O francês conseguia duas vitórias dominantes em Jerez e se garantia como favorito ao título, porém, ainda havia a raposa felpuda Andrea Doviziozo, que venceu na Áustria e dava mostras que, sem Márquez, poderia finalmente vencer o título. No entanto, um clima ruim dentro da Ducati acabou com a temporada de Dovi, que anunciou que não segue com a Ducati em 2021 e pode até mesmo se aposentar. Depois disso, Doviziozo sequer lutou por mais uma vitória.
Quartararo não parecia se entender com a delicada Yamaha, o mesmo acontecendo com Maverick Viñales, que numa hora lutava pela vitória, na outra, mal conseguia um lugar no top-10. Houveram novos vencedores além de Quartararo, como Brad Binder, Miguel Oliveira e Franco Morbidelli, então segundo piloto de Quartararo. A subida da KTM escondia uma moto muito forte no pelotão. A Suzuki era uma moto equilibrada e muito forte nas segundas metades das corridas. Com experiência e já contando com vitórias na MotoGP, Alex Rins era o primeiro piloto da equipe, mas uma forte queda na primeira corrida fez com que o espanhol perdesse o bom momento da Suzuki. Enquanto isso, Joan Mir fazia um trabalho de formiguinha, conseguindo boas posições, que logo se tornaram pódios. A vitória lhe escapou na Áustria, quando foi ultrapassado na última volta por Oliveira. A falta de consistência dos rivais foi usado por Mir com uma vacina certeira e inversa dos rivais. Mir era constante, nunca se envolvendo em acidentes e problemas. Enquanto Quartararo e Doviziozo caíam pelas tabelas por causa dos seus problemas, Mir ia subindo, mas havia uma questão: ele seria um campeão sem vitória?
O espanhol deu a resposta em Valencia na semana passada, com uma vitória cirúrgica e uma vantagem gigante sobre os rivais no campeonato. Na penúltima etapa do ano, Mir nem precisava vencer para assegurar um título inacreditável, quando se olha seis meses para atrás. Apesar de dizer que não estava pressionado, era nítido que Mir se resguardou o tempo todo. Discreto nos treinos, Mir se aproveitou que seus rivais não fizeram muito melhor do que ele. Franco Morbidelli, em pela ascensão nessa metade final de temporada, entrava na briga pelo título e fez sua parte, com pole e vitória hoje, inclusive derrotando Jack Miller numa bela luta na volta final em Valencia.
Quando viu Quartararo cair mais uma vez, Mir se resguardou ainda mais. Mesmo com Morbidelli dominando na frente, Rins estava logo à frente do espanhol e Viñales fazia outra corrida safada, fora do top-10. Mir ultrapassou Aleix Espargaró para se estabelecer em oitavo, que virou sétimo com a queda de Nakagami. Correndo com o regulamento debaixo do braço, os nove pontos foram mais do que suficientes para que Joan Mir conseguir seu primeiro título na MotoGP. Depois de exatos vinte anos, a Suzuki voltou a vencer na MotoGP e Mir se igualou à lendas como Barry Sheene, Franco Uncini, Marco Lucchinelli, Kevin Schwantz e Kenny Roberts Jr para vencer com a Suzuki.
Com apenas 23 anos de idade, Joan Mir se tornou mais um espanhol a vencer na MotoGP, seguindo os rastros de Alex Crivillé, Jorge Lorenzo e Marc Márquez. Claro que houveram muitas circunstâncias que possibilitaram o título de Mir esse ano, mas não se pode tirar o mérito do piloto da Suzuki, porém, a real prova para Mir acontecerá em 2021, quando deverá ocorrer a volta de Márquez, além do crescimento de Rins e Morbidelli, muito fortes na reta final do campeonato, além do possível amadurecimento de Quartararo, que irá para a equipe de fábrica da Yamaha. Até lá, Joan Mir curtirá esse seu ano de sonho, quando praticamente saiu do anonimato rumo ao título mundial da MotoGP.