sábado, 19 de junho de 2021

Mais uma de Max

 


A Mercedes tinha sinceras esperanças de dar a volta por cima em Paul Ricard após dois finais de semanas muito ruins em circuitos de rua. O tradicional circuito gaulês é mais convencional do que Monte Carlo e Baku, tornando o aquecimento de pneus menos crítico, algo que atrapalhou bastante a trupe de Toto Wolff nas pistas citadinas. Porém, o terceiro treino livre mostrou que, sim, a Mercedes estava de volta à briga, mas Max Verstappen ainda tinha uma vantagem com seu Red Bull, algo que foi confirmado na classificação, com o neerlandês garantindo mais uma pole em 2021.

Pela terceira classificação seguida a bandeira vermelha deu as caras e houve outro ponto em comum: Yuki Tsunoda esteve envolvido em pelo menos uma interrupção nessa rodada tripla colorada. O japonês da Alpha Tauri foi um claro agrado à Honda por parte da Red Bull e mesmo mostrando muita velocidade, Tsunoda começa a ser questionado ao se envolver em tantos problemas, além de sua falta de disciplina, algo raro para um japonês. Outro que causou uma bandeira vermelha foi Mick Schumacher, porém o jovem alemão conseguiu sua melhor posição no grid e mesmo estampado no muro, foi ao Q2, na frente dos dois carros da Williams. Logicamente que ele poderia ser ultrapassado nos momentos derradeiros do Q1 pela dupla da Williams, além de Raikkonen e Stroll, mas Mick mostrou o 'algo a mais' que todo novato precisa mostrar em algum momento. Ele não fez o arroz-com-feijão, como normalmente os novatos fazem. Schumacher estava na frente de dois carros (Stroll teve sua volta cancelada e nem aferiu tempo no Q1) mais rápidos do que o seu. Ponto para Mick!

A classificação transcorreu sem maiores dramas, com Fernando Alonso finalmente sobrepujando Esteban Ocon e Charles Leclerc claramente mais lento do que Carlos Sainz dentro da Ferrari. Contudo, o que interessava era o que acontecia na ponta. Verstappen sempre pareceu mais rápido em toda a classificação e cravou essa sensação ao ser o único a baixar da casa de um minuto e trinta, tendo as duas Mercedes logo atrás dele. Pérez pelo menos ficou por perto, em quarto. Amanhã todos os pilotos largarão com pneus médios, não tendo muita diferença de estratégia, porém, há a previsão de chuva e isso pode ser o diferencial entre uma corrida boa ou não. 

domingo, 13 de junho de 2021

Pato aqui, pato acolá


 Patrício O'Ward vai pavimentando seu nome como uma das futuras estrelas da Indy e como ele está ligado à McLaren, não seria surpresa o mexicano indo para a F1 algum dia. Pato, como é mais conhecido, teve um ótimo final de semana na rodada dupla em Detroit e subiu para a liderança do campeonato com sua vitória na segunda corrida no tradicional circuito de rua em Michigan. 

No sábado Marcus Ericsson surpreendeu com uma vitória onde o triunfo caiu no colo do sueco. Numa medida artificial (não é apenas na F1...) para que a corrida não terminasse em bandeira amarela, a Indy colocou uma bandeira vermelha na antepenúltima volta. Naquele momento, Will Power liderava e estava pronto para acabar com a seca da Penske em 2021. Na relargada, contudo, o carro de Power simplesmente se negou a funcionar e Ericsson, que vinha em segundo por causa da estratégia no que foi uma confusa primeira corrida no sábado, pôde triunfar depois de largar em 16º. Ericsson se tornou um ótimo piloto quando saiu corrido da F1? A 22º posição no grid no domingo demonstrou que o sueco teve mais sorte do que talento para vencer depois de longo e tenebroso inverno.

O'Ward tinha sido o pole no sábado, mas acabou atrapalhado pelas estratégias, principalmente pelo impressionante acidente que mandou seu companheiro de equipe Felix Rosenqvist para o hospital no sábado. No domingo o mexicano errou na classificação e largou no meio do pelotão, mas como Ericsson demonstrara no dia anterior, isso não significa que o piloto simplesmente está com sua corrida morta antes da largada. O pole de hoje foi Josef Newgarden e agora era ele quem estava preparado para acabar com a seca da Penske. O americano dominou a corrida inteira, mas estava claro que ele teria sérios problemas no fim. Os pneus moles sofreram um desgaste acentuado em Detroit e toda a vantagem de Newgarden se sustentou nos compostos duros, mas por força de regulamento, Josef teria que usar os temidos pneus macios em algum momento. Numa corrida com poucas bandeiras amarelas, Newgarden teria que administrar mais de vinte voltas com esse composto no stint final. Ele virara um alvo fácil!

Falando em bandeiras amarelas, já está na hora de falar de Jimmie Johnson. A lenda da Nascar surpreendeu a todos quando resolveu fazer uma temporada na Indy unicamente nos mistos, para experimentar os monopostos. Johnson conseguiu um lugar na poderosa Ganassi, conseguiu ajuda de vários ex-pilotos de qualidade, além da boa-vontade de todos nessa sua empreitada. Passadas seis corridas, Johnson simplesmente é incapaz de sair das últimas posições e em TODAS as corridas até o momento trouxe uma bandeira amarela ao rodar sozinho. Mesmo tendo nada a provar, as exibições do JJ na Indy já resvalam no vexame.

Voltando ao primeiro pelotão, O'Ward se aproximava do no bloco que brigava pela vitória e quando duas bandeiras amarelas seguidas apareceram nas últimas voltas, o mexicano começou uma recuperação de tirar o fôlego, saindo de sexto para primeiro em poucos minutos numa pilotagem agressiva e certeira. Pato ultrapassou Graham Rahal e Scott Dixon nas relargadas, depois ultrapassou Alex Palou e Colton Herta após a última relargada até encostar num vulnerável Newgarden na antepenúltima volta. O piloto da Penske se esforçou, chegou a tocar-se com Pato, mas o piloto da McLaren sobressaiu-se para ser o primeiro piloto a vencer mais de uma vez na Indy na temporada 2021. Uma semana depois da vitória de Sergio Pérez em Baku na F1, O'Ward mostrou a força do automobilismo mexicano em 2021!

O resultado da corrida explosiva de O'Ward lhe entregou a liderança do campeonato, apenas um ponto na frente de Alex Palou, que foi terceiro colocado, colado atrás de um desconsolado Newgarden, que liderou o maior número de voltas da corrida, mas foi derrotado por uma estratégia errada da Penske, que amarga um dos seus piores inícios de temporada da Indy em cinquenta anos. O interessante disso é que Pato O'Ward lidera à frente de outro piloto jovem, no caso, Palou. Seria esse o sinal de uma troca de guarda na Indy? Se for o caso, Pato será uma das pontas de lança.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Figura(AZE): Sergio Pérez

 Ao chegar na sexta corrida de 2021, Sergio Pérez teria que provar que sua frase do começo do ano era mesmo verdadeira. "Eu preciso de cinco corridas para me adaptar ao carro da Red Bull." Até agora Pérez esteve abaixo das expectativas de todos que acompanham a F1 e do que a própria equipe Red Bull tinha quando o contratou. Era esperado que Pérez andasse próximo de Max Verstappen, impedindo que a Mercedes sempre tivesse dois carros contra o neerlandês nas táticas de corrida. Afora a classificação em Ímola, em todo momento Pérez fez o mesmo papel de Gasly e Albon, ou seja, ficou mais de meio segundo atrás de Max e longe de ajuda-lo em sua luta contra a Mercedes, mesmo a Red Bull tendo um bom carro em 2021. Checo começava a ser questionado, mas em Baku o mexicano deu uma bela resposta aos críticos e até mesmo ao sempre enjoado Helmut Marko. Em todo o final de semana Pérez esteve próximo de Max e justamente no Qe Sergio vacilou, prejudicado pela bandeira vermelha que o viu conseguir apenas um sexto lugar, enquanto Verstappen era terceiro. Logo na largada Sergio mostrou a que veio, com duas ultrapassagens ainda na primeira volta e ocupando a quarta posição. Na única rodada de paradas, Pérez pulou para segundo, superando por muito pouco Hamilton. A partir de então, Pérez segurou o multi-campeão Lewis Hamilton numa briga de gato e rato para que o inglês não conseguisse usar o DRS na reta principal. Tudo era decidido por dois ou três décimos. Coisa de gente grande! Quando o papel de Pérez parecia cumprido ao completar uma dobradinha da Red Bull, as coisas em Baku saíram do controle. Verstappen teve seu pneu cortado, causando a bandeira vermelha. Na relargada, mesmo largando melhor, Hamilton acabou apertando o botão errado que o fez sair da pista, abrindo caminho para a segunda vitória de Sérgio Pérez na F1. Uma vitória consagradora, que tira um enorme peso dos ombros do mexicano e que pode dar a confiança necessária para que Pérez possa fazer seu papel dentro da Red Bull.

Figurão(AZE): Valtteri Bottas

 Muitas vezes quando um final de semana começa mal, ele pode melhorar e tudo acabar bem. Para Valtteri Bottas, o final de semana azeri começou ruim, ficou ainda pior no meio do caminho e terminou de forma péssima. Ainda na quinta-feira o nórdico viu seu voo para Baku atrasar e Bottas nem participou da entrevista coletiva de forma presencial. Quando os carros foram para a pista, a Mercedes teve sua sexta-feira mais complicada desde 2014, no início da Era híbrida, e seus pilotos pareciam relegados na parte de trás do pelotão. Porém, a Mercedes tem Lewis Hamilton na sua equipe e o inglês conseguiu colocar seu carro na primeira fila, aproveitando inclusive de problemas alheios, além do seu talento. Enquanto via seu companheiro de equipe fazer algo mais com o mesmo carro, Bottas permaneceu no pelotão intermediário e conseguiu apenas um apagado décimo lugar no grid. 'O ritmo de corrida é melhor', diziam todos. Pois bem, pelo jeito apenas de um lado o ritmo estava bom, pois Hamilton brigou o tempo com os carros da Red Bull até ele sofrer com um erro já no final da prova. Mesmo vendo todo o pelotão passar quando saiu da pista na penúltima volta, Hamilton chegou apenas três posições atrás de Bottas. Em nenhum momento Bottas deu a sensação de que iria avançar grid acima e ficou empacado atrás de carros que normalmente são mais lentos que o dele. Valtteri ainda viu a Mercedes errar sua estratégia, deixando-o na pista com pneus desgastados, tornando Bottas um alvo fácil para os dois carros... da Alfa Romeo! A péssima exibição de Bottas o deixa ainda mais na berlinda, pois sua permanência na Mercedes era muito pelos pontos que ele conseguia no Mundial de Construtores, além de sempre andar próximo da Hamilton, tornando-se um escudo se fosse necessário. Em 2021 Bottas ocupa uma pálida sexta posição no Mundial de Pilotos e viu a Mercedes perder ainda mais terreno para a Red Bull no Mundial de Construtores. Se quiser um lugar na Mercedes, Valtteri precisa de uma exibição redentora e bem diferente do que foi visto em Baku. E para ontem!

domingo, 6 de junho de 2021

Duplo nocaute


 Sabe aquela história de, numa luta de boxe, os dois pugilistas trocam jabs e diretos numa luta estudada e num golpe de sorte (ou azar), ambos acertam os seus melhores golpes ao mesmo tempo e ambos caem na lona, sem terem mais condições de se levantar. Pois essa cena bizarra pode muito bem sintetizar o que foi a corrida no Azerbaijão nesse domingo. Verstappen e Hamilton sofreram dois golpes duros da sorte, acabando na lona, nocauteados, pensando no que poderia ter sido. Quem não teve nada com isso foi mesmo Sérgio Pérez, que aproveitando os azares alheios se recuperou de uma temporada até esse domingo bem decepcionante e venceu em Baku, liderando um pódio inusitado, com Sebastian Vettel ressurgindo das cinzas para dar o primeiro pódio à Aston Martin e Pierre Gasly superando Charles Leclerc na penúltima volta para ser terceiro.


Uma das coisas boas do esporte é a imprevisibilidade. Os primeiros três quartos de corrida em Baku foram sem graça e a única emoção era ver se Hamilton poderia usar o DRS sobre o segundo colocado Pérez na reta dos boxes, aproveitando o acerto sem muito arrasto da Mercedes. Checo Pérez conseguiu sempre três ou quatro décimos decisivos para não ser atacado na reta, enquanto completava uma dobradinha da Red Bull, com Max Verstappen soberano na ponta. De resto, a corrida transcorria sem maiores problemas ou dramas. Lance Stroll vinha num excelente quarto lugar após sair da última fila, pois bateu na classificação de ontem. O canadense tinha escolhido largar com pneus duros e pretendia esticar ao máximo seu primeiro stint. Bem longe do limite de voltas que a Pirelli tinha aconselhado as equipes, Stroll viu seu pneu se esvaziar no meio da reta dos boxes e o canadense bateu com muita força num acidente potencialmente perigoso, mas sem maiores dramas para Stroll e o desenrolar da corrida, pois ninguém do pelotão da frente parou no momento de Safety-car. No entanto, o recado estava dado: os pneus duros poderiam não durar como o esperado. Após a relargada e de certa forma a corrida permanecer como antes, Verstappen apenas controlava a corrida quando ele perdeu o controle do seu Red Bull em plena reta e bateu forte no muro. Ainda no rádio, Max exclamava: Tires...


A bandeira vermelha apareceu quando faltavam três voltas e até pensou-se que a corrida estava interrompida com vitória de Pérez. Porém, a decisão foi mais por segurança, pois um dos procedimentos de bandeira vermelha indica que os carros poderiam ser mexidos, inclusive troca de pneus. Como esperado, todos colocaram pneus macios para uma sprint race. A largada seria parada. Pérez e Hamilton, os ocupantes da primeira fila, aqueceram bastante os pneus e os freios. Talvez no caso de Hamilton, um pouco demais. Hamilton largou claramente melhor do que Pérez e quando todos pensavam que Lewis venceria uma corrida inesperada, algo ainda mais inesperado aconteceu: Hamilton travou os pneus e passou reto, ficando atrás do pelotão. Zero a zero no marcador do campeonato, mas com ambos os rivais tendo muito do que se lamentar. Max Verstappen estava com a vitória na mão faltando poucas voltas e viu tudo ir, literalmente, pelos ares. Seu chute no pneu vazio poderia ser a foto do ano, em caso de derrota do neerlandês no final do campeonato. Sorte de campeão de Hamilton? Pois Lewis estragou uma corrida sensacional dele num erro incomum para um piloto do seu nível e com tanta experiência. Se o abandono de Max foi algo do qual ele não tinha controle, o zero ponto de Lewis teve total e inteira culpa do inglês, que já assumiu o erro. Coisa de campeão, mas seria essa sorte de campeão de Verstappen?


Quem se aproveitou de todo o drama dos postulantes ao título foi Sérgio Pérez. O mexicano já deu seu recado com uma largada muito agressiva, quando pulou de sexto para quarto se esfregando nos muros azeris durante a primeira volta e mesmo sofrendo com um ligeiro atraso no seu pit-stop, Pérez conseguiu sair na frente de Hamilton, controlando um inspirado multi-campeão atrás de si. O segundo lugar de Pérez seria muito bem-vindo para o mexicano, pois ele era muito cobrado em ajudar Verstappen na luta de estratégias contra a Mercedes e em Baku, estava prestes a completar uma dobradinha que se transformou em vitória. Com o incidente de Hamilton, pelo menos viu a Red Bull comemorar. Por sinal, não faltou comemoração no pódio de hoje. Após longo e tenebroso inverno, Sebastian Vettel teve uma corrida decente e subiu ao pódio com seu Aston Martin, o primeiro da história da lendária marca inglesa na F1. Vettel teve um ritmo forte e fez várias ultrapassagens para ser o melhor do resto até chegar a um inesperado pódio, mas bastante redentor. Logo atrás do alemão veio Pierre Gasly, levando seu carro ao pódio numa luta sempre próxima com Charles Leclerc. Gasly chegou a ficar atrás da Ferrari, mas ultrapassou no final e garantiu um ótimo resultado para si. Comendo pelas beiradas, Lando Norris foi se aproveitando dos vacilos alheios e conseguiu outro ótimo resultado para a McLaren, hoje de luto pela morte de Manjour Ojjeh. 


E seguindo a boa corrida do veterano Vettel, Fernando Alonso conseguiu seu melhor resultado em sua volta com um sexto lugar, ultrapassando Tsunoda no final. Sainz chegou a passar reto no meio da corrida, demorou muito para ultrapassar Giovinazzi e ainda salvou alguns pontos para a Ferrari, enquanto Kimi Raikkonen conseguiu seu primeiro ponto em 2021. Agora, vamos falar de Valtteri Bottas. O nórdico começou o final de semana em Baku tendo problemas no voo para o Azerbaijão, mas isso não seria nada para o que viria a seguir. Com a Mercedes tendo um final de semana irreconhecível, onde apenas o talento  de Hamilton salvou o lavoura (até o próprio inglês estragar tudo...), Bottas ficou muito para trás. O décimo lugar no grid mostrava bem o quão mal estava a Mercedes, mas o ritmo de corrida era melhor, se dizia. Pois bem, em nenhum momento Bottas melhorou no pelotão intermediário e as coisas ficaram ainda piores quando a Mercedes não lhe trocaram os pneus (medo de outro pit-stop trágico?) durante o SC e Valtteri caiu ainda mais, sendo ultrapassado pelas Alfas Romeos. A décima segunda posição na bandeirada, a P6 no campeonato e a Mercedes ficando para trás no Mundial de Construtores indicam que a porta da rua da equipe Mercedes já está aberta para Bottas, que precisa para ontem de uma corrida redentora se não quiser se convidado a sair da Mercedes pelas portas dos fundos.


Foi uma corrida modorrenta na maior parte do tempo, mas a F1 acabou agraciada com um final de corrida insano, mostrando que Baku já entrou no gosto de muita gente na F1 por suas corridas imprevisíveis. Verstappen e Hamilton saíram do Azerbaijão zerados no campeonato e com tarefas de casa para fazer. Ambos já mostraram muita velocidade e talento nessas primeiras etapas de 2021, mas agora terão que mostrar outra faceta de um grande campeão: poder de reação. No caso de Verstappen, aliviado pelo incomum erro de Hamilton, ainda menos, mas o piloto da Red Bull ainda não tem a experiência de Hamilton, que terá que catar os cacos de uma oportunidade clara em que ele próprio jogou fora.

De peito aberto

 


A sequência de Fabio Quartararo na MotoGP indicava mais uma vitória em Barcelona nesse domingo. Mesmo não largando muito bem, a corrida estava à feição de Fabio, porém, parece que certas coisas só acontecem com ele. O Air-Bag do macacão do francês foi acionado inadvertidamente e Quartararo teve que fazer as três últimas voltas com o macacão aberto, numa atitude bastante perigosa do piloto da Yamaha, mas pelo menos ele chegou até o fim, mesmo que fora do pódio. Quem se aproveitou dessa presepada foi mesmo Miguel Oliveira, que venceu com autoridade e ainda contou com a sorte do inusitado problema de Quartararo para vencer pela segunda vez na MotoGP.

A corrida em Barcelona parecia mesmo nas mãos de Quartararo, mesmo Oliveira tendo liderado a maior parte da corrida com sua ascendente KTM. A Yamaha é hoje a moto mais equilibrada e Quartararo não é o piloto inconstante do ano passado. Fabio apenas acompanhava Oliveira quando ocorreu seu problema que o fez perder a concentração e juntando com uma punição, acabou fora do pódio, mas garantindo importante pontos. Afinal, o vencedor não está no momento na briga pelo título. A KTM começou devagar em 2021, mas o pódio de Miguel Oliveira em Mugello indicava que a marca austríaca estava crescendo e hoje o português esteve impecável, tendo ainda que segurar a pressão de Johan Zarco nas duas últimas voltas. O francês da Ducati ainda busca sua primeira vitória na MotoGP e enquanto isso, consegue ótimos resultados que o colocam na briga pelo título. Mesmo com a equipe oficial da Ducati, Jack Miller foi atropelado por Zarco com a mesma moto e só subiu ao pódio pela punição de Quartararo. A ordem normal seria o contrário, mas Zarco vem revertendo a ordem nesses dias.

Depois do título no ano passado, numa temporada totalmente atípica, Joan Mir sofre em defender sua coroa com uma Suzuki que parece boa em muitas coisas, mas sempre atrás das rivais no cômputo geral. Marc Márquez sofreu uma queda quando estava no pelotão da frente, o que já é um bom sinal, mas o piloto da Honda ainda parece não ter fechado todas as cicatrizes do seu acidente, além da própria Honda procurar melhorar uma moto que não consegue nem top-10 hoje em dia. Infelizmente Valentino Rossi está entrando no rol dos ex-pilotos em atividade. Outra queda quando estava fora do top-10. 

Mesmo com o revés, Quartararo ainda lidera o campeonato com alguma margem. Com a moto mais equilibrada do ano e com o psicológico melhor, o francês ainda é o favorito ao título. Basta acontecer menos absurdos com ele...

sábado, 5 de junho de 2021

Treino sem fim

 


Quatro bandeiras vermelhas em quatro acidentes distintos. Uma classificação que parecia não terminar nunca que trouxe um resultado fora do comum e já podemos começar a perguntar: a Ferrari estaria renascendo? Pela segunda corrida consecutiva Charles Leclerc consegue uma pole em meio a uma bandeira vermelha, mas dessa vez o monegasco não esteve envolvido e deverá largar sem maiores problemas na ponta amanhã, tendo logo atrás de si os dois favoritos ao título, estes com humores bem distintos. 

Em meio à polêmica das asas flexíveis, a Mercedes parecia mais perdida que um jamaicano no meio da intifada. A sexta-feira dos alemães foi a pior desde o início da era híbrida e brigar pela pole parecia algo bem distante de acontecer, porém, Lewis Hamilton mostrou que vale cada libra investida nele. O inglês claramente tirou mais do seu carro que o normal e somente assim esteve no bolo da briga pela pole. Porém, a Red Bull estava com jeito que levaria a pole e até mesmo Sergio Pérez finalmente faria uma classificação decente. Não aconteceu nem uma coisa e nem outra. A Ferrari se mostrou novamente forte em Baku e mesmo sendo um circuito de rua como Monte Carlo, a pista azeri é muito diferente do apertado e lento circuito monegasco. Misturando uma sessão rapidíssima com trechos que lembram até Mônaco, a Ferrari novamente esteve no bolo dos que brigaram pela pole. Em certo momento do Q2, os cinco primeiros estavam separados por meros três centésimos de segundo, incluindo aí um carro da Alpha Tauri, que chegou a liderar o terceiro treino livre.

Contudo, a classificação de hoje foi tudo menos livre de problemas. Stroll, Giovinazzi, Ricciardo (temporada miserável do australiano) e Tsunoda bateram nos muros de Baku, interrompendo o treino e dificultando a vida dos pilotos e das equipes. Quando Tsunoda bateu no Q3, fazendo Sainz sair da pista, Christian Horner colocou as mãos na cabeça. Verstappen se preparava para dar sua volta voadora para ficar com a pole e, principalmente, superar um quase heroico Hamilton, que usando um acerto diferente estava em segundo. Com o treino interrompido, Max novamente ficou com o tempo que tinha que largará na segunda fila, com Hamilton respirando aliviado ao ter apenas a Ferrari de Leclerc à sua frente. Pérez também estava em volta rápida e foi prejudicado, tendo apenas um sexto lugar para contar, ficando atrás de um ótimo Gasly e um acidentado Sainz. Bottas? Décimo colocado, talvez a posição real da Mercedes no dia de hoje.

Será que a Ferrari estaria voltando aos bons tempos e estar na briga pela vitória? Leclerc estava obviamente contente depois do treino, mas ele sabe que em ritmo de corrida e num circuito que permite ultrapassagens, ele terá dificuldades em segurar Hamilton e Verstappen, no entanto, é muito bom ver a Ferrari novamente ponteando algo na F1. Já Hamilton estava mais aliviado do que contente e Verstappen estava fumando numa quenga com outra chance de pole perdida. Se serve de consolo, em Mônaco Max esteve na mesma situação e venceu. Veremos amanhã.