segunda-feira, 15 de julho de 2019

Figura(ING): Lewis Hamilton

O inglês teve mais trabalho do que o planejado, mas isso não impediu que Lewis Hamilton conseguisse sua sexta vitória em Silverstone e se tornar, de forma isolada, o maior vencedor do Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Hamilton não liderou nenhum treino livre, mas dava a sensação que estava tudo sob controle e que a vitória viria no domingo, já que a Mercedes novamente abria muita vantagem para as rivais. Porém, Hamilton acabou superado por míseros seis milésimos de segundo para o seu companheiro de equipe na classificação. Largando na primeira fila, Hamilton esperava superar Bottas como já acontecera antes, mas o nórdico, precisando mostrar serviço para continuar na Mercedes em 2020, jogou duro na disputa entre eles e se manteve na liderança no primeiro stint. Com duas estratégias diferentes entre os pilotos da Mercedes, Hamilton teve a sorte dos campeões ao ver Antonio Giovinazzi rodar sozinho e o safety-car entrar na pista no momento correto, fazendo com que Hamilton entrasse nos boxes para sua única parada nesse momento. Após a relargada, com Bottas atrás e ainda tendo que fazer uma parada, Hamilton estava com a vitória nas mãos. Porém, Lewis meio que queria provar que sua vitória não foi na sorte. Quando Bottas fez sua segunda parada e colocou pneus macios, ele logo marcou a volta mais rápida da corrida e parecia que o finlandês ficaria com o ponto da melhor volta. Porém, Hamilton economizou seu equipamento e numa última volta mágica, conseguiu marcar a melhor volta da corrida com direito a recorde da pista com o pneus duros e com trinta voltas de 'idade'. Um momento incrível e um recado de Hamilton para o seu companheiro de equipe: você andou bem hoje, mas tenho reserva para lhe derrotar quando quiser. Hoje, Hamilton pode derrotar qualquer um na F1 com seu incrível talento.

Figurão(ING): Sebastian Vettel

Antes da corrida de Montreal, havia um forte boato de que Sebastian Vettel, mesmo ainda prestes a completar 32 anos, estaria próximo de se aposentar de forma prematura da F1. A sombra de Charles Leclerc na Ferrari e atuações inconsistentes desde a segunda metade da temporada passada eram os fatores que faziam Vettel pensar em abandonar tudo. Porém, Vettel conseguiu sua melhor corrida no Canadá, mesmo que punido de forma polêmica e ter perdido a vitória. Após a corrida desse final de semana em Silverstone, há quem queira que realmente Vettel se aposente, mas por motivos diferentes. O alemão da Ferrari vinha fazendo uma corrida até interessante, após ter se aproveitado da entrada do safety-car e ganhar posições, mas era atacado por Max Verstappen. Após ser ultrapassado por fora pelo holandês na Stowe, Vettel tentou dar o troco na curva seguinte, mas acabou errando os cálculos de forma bisonha e encheu a traseira do holandês, colocando ambos para fora da pista. Por mais que tenha perdido a pressão aerodinâmica no momento em que freou colado na traseira de Verstappen, Vettel tem doze temporadas nas costas para saber dessa possibilidade ao frear no limite colado no carro do adversário. Punido de forma correta, Vettel caiu para as últimas posições, enquanto Charles Leclerc, mesmo prejudicado novamente pelas táticas ferraristas, subiu ao pódio. Quando ainda estava na Red Bull, Vettel não reagiu muito bem quando Ricciardo começou a roubar seu espaço na equipe e com Leclerc cada vez mais forte e recebendo mais atenção, Vettel vai repetindo a situação vivida cinco anos atrás na sua antiga equipe. Sem ter para onde ir se sair da Ferrari, Vettel estaria teoricamente fora da F1. Tomara que não, pois um tetracampeão sempre tem lugar, mas o alemão precisa de resultados melhores e errar menos, principalmente erros crassos como o de ontem.

domingo, 14 de julho de 2019

É disso que o povo gosta!

As vozes de 141.000 espectadores pareceram ter acordado o mundo da F1 em Silverstone. O histórico circuito inglês não permite as facilidades de uma corrida empolgante como ocorreu em Zeltweg, mas Silverstone é Silverstone. Olhando apenas os resultados, uma nova dobradinha da Mercedes com Hamilton disparando cada vez mais na liderança do campeonato rumo ao hexacampeonato pode indicar uma corrida enfadonha, mas a uma hora e meia de corrida em Silverstone foi das melhores nos últimos tempos, com brigas em todas as posições, incluindo a primeira. A F1 precisava dar um bom show em seu berço e conseguiu! A torcida deve estar deixando Silverstone feliz pela vitória (a sexta no circuito) de Lewis Hamilton e com a bela corrida que assistiram.

Com a Mercedes dominando desde o princípio do final de semana, a briga pela vitória ficaria entre seus dois pilotos, com um claro favoritismo para Lewis Hamilton. Simples, certo? Nem tanto. Hamilton teve que usar da sorte para superar seu companheiro de equipe, que lutou de forma dura e justa nas primeiras voltas para permanecer em primeiro, com Bottas só perdendo a corrida por causa de um safety-car fora de hora. Porém, Lewis Hamilton precisava provar que é um piloto fora da caixa. Nas últimas voltas, com mais de 20s de vantagem sobre Bottas, que teve que trocar os pneus por uma segunda vez e estava equipado com macios, Hamilton baixou o ritmo para uma última volta voadora. Mesmo com pneus duros de trinta voltas de 'idade', Hamilton tirou a volta mais rápida de Bottas com direito a recorde de pista. Foi como um recado ao finlandês: hoje você andou bem, mas quem manda aqui sou eu! Hamilton marcha impávido rumo ao hexacampeonato e Bottas mostrou que sua defesa de posição nas primeiras voltas na casa de Hamilton prova que o nórdico tem muita capacidade. Apenas falta que essas atuações excepcionais de Bottas se tornem regras.

Com a Mercedes disparada na frente, Ferrari e Red Bull também protagonizaram disputas de tirar o fôlego, principalmente entre Max Verstappen e Charles Leclerc. Rivais desde os tempos do kart, Leclerc e Verstappen nos mostraram os melhores momentos da corrida com disputas roda a roda de tirar o fôlego. Com contas pendentes desde a última corrida na Áustria, os dois jovens pilotos mostraram que a F1 não está morrendo. Longe disso! Mesmo com os dois brigando fortemente por posição, a saída de pista de Verstappen não foi causada por Leclerc, que mais uma vez foi vítima de um erro tático da Ferrari no momento do safety-car. Embalado com a bela vitória na Áustria, mas sem chances de vitória, Max foi com tudo para cima de Vettel, que se beneficiou do safety-car para pular de quinto para terceiro lugar, com a parada dos rivais à frente. Demonstrando sua ótima fase, Verstappen conseguiu uma bela ultrapassagem por fora na freada da reta Hangar, mas Vettel saiu mais embalado para a próxima freada, na Club. Como não poderia deixar de ser, Verstappen fechou bem a porta e Vettel permaneceu atrás. Sabendo que não teria pressão aerodinâmica. Ou não? O resultado foi um sórdido acidente em que Vettel encheu a traseira de Verstappen e ambos saíram da pista, trazendo Leclerc de volta ao pódio e fazendo com que Gasly conseguisse seu melhor resultado nessa sua passagem pela Red Bull, que pode ser breve, apesar do bom resultado. Vettel teve que trocar o bico e foi punido justamente pelo acidente provocado por ele. Verstappen mudou de posição e fechou toda a porta? Sim, contra fatos não há argumentos. Mas com doze anos de F1, Vettel está louro de saber que frear no limite tão colado atrás de um carro pode ocasionar perca de pressão aerodinâmica e o resultado ser um acidente em que a culpa, como na lei do trânsito, é de quem bate atrás. Vettel está longe do seu auge e seu último título completará sete anos. O alemão já mostrou na Red Bull que não reage bem quando tem uma sombra e Charles Leclerc na Ferrari é uma sombra que vem incomodando bastante Vettel, com erros seguidos e que já incomodam também a cúpula ferrarista. Por isso que os boatos de uma aposentadoria precoce de Vettel pipocam aqui e ali. E os tempos da Ferrari realmente são outros. Em outros tempos, quem poderia imaginar a Ferrari ser prejudicada três vezes consecutivas pelos comissários?

Com Vettel caindo para último com poucas voltas para o fim, a briga pelo melhor do resto valorizou um pouco mais: um sexto lugar. Até o final a briga ficou entre Carlos Sainz e Daniel Ricciardo. Tendo largado mais atrás, Sainz foi um dos beneficiados pelo safety-car e colocando pneus na hora certa, ficou numa ótima posição para vencer a disputa do pelotão intermediário, com Ricciardo colado em sua traseira, mas sem muitos ataques efetivos. Norris estava na disputa, mas ao contrário do companheiro de equipe da McLaren, acabou perdendo terreno e ficou fora dos pontos. Raikkonen garantiu mais alguns pontos para a Alfa Romeo, enquanto Giovinazzi acabou mudando a face da corrida quando rodou sozinho na Club, trazendo o safety-car que tanto ajudou e atrapalhou pilotos hoje. Mesmo fazendo uma temporada medíocre, Daniil Kvyat vai marcando pontos e chamando a atenção da Red Bull, que hoje não tem quem colocar no lugar de Gasly e o russo pode ser o escolhido. Albon, que passou a corrida na frente de Kvyat, foi uma das vítimas do SC e saiu da zona  de pontuação nas últimas voltas. Hulkenberg também perdeu para o desgaste de pneus, mas ultrapassou Albon nos momentos finais da corrida para garantir mais um pontinho para a Renault. Sérgio Pérez perdeu a asa numa disputa com Ricciardo e com isso, a Racing Point não fez mais nada na corrida, pois esperar algo de Stroll é pedir demais. A Haas segue seu calvário. Numa disputa na primeira volta, seus dois pilotos bateram rodas e com os carros quebrados, abandonaram logo depois. Coitado do Steiner. No final de semana em que completa 50 anos de F1, a única alegria de Frank Williams no dia de hoje foi uma volta que deu pelo circuito ao lado de Lewis Hamilton num carro de passeio. Simplesmente tocante.

Após a corrida em Paul Ricard, era facílimo criticar a F1 e para quem queria aparecer, declarar sua morte. A F1 sempre teve corridas ruins e boas, como a de hoje. Mesmo com problemas urgentes a resolver, a F1 sempre sobreviveu aos problemas e não é uma corrida emocionante (ou não) que pode-se definir os rumos da categoria. Olhando um pouco para o lado, a MotoGP está com Marc Márquez com o título nas mãos e dominando corridas como se estivesse brincando no parque. Porém, as corridas não deixam de ser boas e disputadas. Lewis Hamilton irá vencer pela sexta vez na F1 e a Mercedes está dominando a F1, mas se houverem mais corridas como hoje, ninguém irá reclamar tanto.

sábado, 13 de julho de 2019

Falso equilíbrio

Olhando o grid de largada do treino em Silverstone realizado a pouco, pode-se pensar que a F1 está extremamente equilibrada. Os quatro primeiros colocados, de três equipes diferentes, ficaram separados por menos de dois décimos de segundo, com os três primeiros ficando menos de oito centésimos entre si. Porém, dando uma nova olhadinha, percebe-se que a relação da F1 em 2019 não mudou com a Mercedes completando mais uma primeira fila, com Leclerc fazendo bem o seu papel com a Ferrari (Vettel não) e Verstappen fazendo milagres com seu Red Bull.

As nuvens pesadas em Silverstone poderiam fazer da classificação um assunto interessante com pista molhada, mas a esperada chuva não veio e a classificação ocorreu de forma tranquila, mas o que chamou a atenção foi sempre que os pilotos estavam muito próximos, mesmo que com resultados iguais às demais corridas. A dupla da Williams e Stroll cumpriram o script e ficaram no Q1. Frank Williams, homenageado pelos seus 50 anos de F1, mordia os lábios com seus carros ficando a 1s dos demais. Kvyat foi outro que ficou no Q1, demonstrando muito bem que o russo tem que dar graças a Deus por ainda estar na F1.

McLaren e Renault lideraram o pelotão intermediário, mesmo Carlos Sainz tendo ficado pelo Q2. Vettel sofria com problemas de abertura do seu DRS e por isso, não conseguia igualar os ótimos tempos de Leclerc, que brigava com as Mercedes pela ponta, enquanto Max Verstappen, que não vinha esmagando Gasly como costumeiramente acontece, acordou no Q2. Mesmo correndo em casa e vindo de quatro poles seguidas em Silverstone, Hamilton foi superado por Bottas, mesmo melhorando seu tempo na segunda tentativa do inglês, mas acabou por ser milésimos insuficiente para superar Bottas, que voltou a ficar em primeiro no grid. Leclerc vinha mais rápido em sua última volta, mas acabou perdendo no terceiro setor e ficou em terceiro, mas menos de um décimo atrás de Bottas, com Verstappen separando as Ferraris com um ótimo tempo no fim. 

Apesar de todo esse equilíbrio, a Ferrari já detectou que não tem o mesmo ritmo da Mercedes em ritmo de corrida, enquanto Bottas já mostrou algumas vezes esse ano que Hamilton ainda é muito superior durante as provas. Vitória fácil de Hamilton? Tudo indica que sim, mas ano passado Hamilton foi tocado na primeira curva e perdeu a vitória, enquanto a chuva, que só ameaçou hoje, pode cair amanhã, num grid nem tão normal como ocorreram em outras oportunidades, mas sem o embaralhamento da Áustria, que causou uma ótima corrida. Dedos cruzados para termos uma boa corrida e os chatos de plantão não voltem com suas trombetas do apocalipse. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

O acidente de Schumacher

O Grande Prêmio da Inglaterra de 1999 começava confuso vinte anos atrás. Alessandro Zanardi havia estacionado seu Williams no lugar errado do grid e por isso a largada fora cancelada. Os pilotos já estavam no meio da primeira volta, com a bandeira vermelha já mostrada, quando Michael Schumacher pareceu ter esquecido de frear na freada da curva Hangar. O alemão foi reto e bateu de frente na barreira de pneus. Apesar da pancada, Michael sairia do seu carro rapidamente. Era o que todos que assistiam a cena imaginávamos. 

Enquanto a Ferrari olhava assustada para os monitores, o resgate chegou rapidamente e na mesma velocidade ficava claro que o incidente não era tão simples assim. Schumacher havia quebrado sua perna direita em dois lugares e era resgatado da sua Ferrari semi-destruída. Nos boxes, Ralf Schumacher se desesperava pela falta de notícias do irmão e chegou a sair do grid, acompanhado por Alesi. O mundo prendia a respiração, principalmente quando vários lençóis não mostravam Schumacher sendo levado de maca para um ambulância, além de um frasco de soro conseguir ficar acima dos médicos. Quando muitos pensavam no pior, uma câmera conseguiu flagrar um tchauzinho do alemão.

Schumacher estava bem. Machucado, mas bem.

Ralf voltou para a segunda largada, enquanto a Ferrari lambia suas feridas. O maior rival de Schumacher naquele campeonato, Mika Hakkinen, largou novamente na pole e liderou as primeiras voltas. Quando o finlandês saiu do seu primeiro pit-stop, parecia que havia algo estranho. Mesmo Mika tendo completado a volta quase inteira, uma roda traseira saiu do seu McLaren, bem no momento em que Hakkinen passava pela entrada dos boxes. Fim de corrida para o finlandês.

David Coulthard assumia a ponta para vencer sem maiores arroubos. Enquanto boa parte da Ferrari se encaminhava para o hospital, quem ficou viu uma situação curiosa e interessante. Com o abandono de Hakkinen, o finlandês mantinha os oito pontos de vantagem sobre o piloto principal da Ferrari. Como Schumacher com certeza perderia algumas provas, o piloto principal da Ferrari passava a ser Eddie Irvine, que com o segundo lugar em Silverstone empatava com Schumacher no Mundial de Pilotos. Era como se o campeonato zerasse naquele momento para a Ferrari e Irvine.

Contudo, poucos acreditavam que Irvine, que fazia seu melhor campeonato na carreira, poderia liderar a Ferrari contra a potência da McLaren e a motivação de Hakkinen. O tempo mostraria que a conjunção de erros táticos da McLaren com uma boa dose de sorte do irlandês quase fez Irvine quebrar o jejum da Ferrari que naquele ano completava vinte anos. 

Ralf subiu ao pódio com o terceiro lugar e nem parecia o preocupado irmão de momentos antes, mas logicamente o piloto da Williams se dirigiu ao hospital para acompanhar Michael, que naquele momento era operado. A grave contusão somado ao desempenho de Irvine em sua ausência gerou muitas especulações, inclusive de que Schumacher se aposentaria. Ledo engano. Michael Schumacher retornaria ainda naquele ano à F1 e dominaria a categoria nos próximos cinco anos. 

Infelizmente, esse acidente em Silverstone não seria o mais grave acidente na vida de Schumacher. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

História: 25 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1994

Mesmo tendo conquistado a pole em Magny-Cours na semana anterior, Damon Hill era bastante criticado pela imprensa especializada, que o acusava de não ter condições de derrotar Michael Schumacher, além de já estar velho (34 anos) para ser uma promessa a ponto de se apostar. Numa entrevista antes do circo chegar à Silverstone, Frank Williams lamentava não ter contratado... Michael Schumacher. A pressão sobre Damon Hill era muito grande e o fato do seu pai Graham não ter vencido um único Grande Prêmio da Inglaterra era um fator de motivação ao tímido inglês. O autódromo de Silverstone foi modificado na primavera por recomendações da GPDA para melhorar a segurança. Várias curvas são modificadas, incluindo a curva rápida de Stowe.

Em quarto no final da primeira sessão de qualificação, Hill transcendeu no dia seguinte para tirar o máximo proveito do seu Williams FW16 e ficou com a pole position por apenas três milésimos à frente de Schumacher. O alemão da Benetton-Ford não poupou seus esforços, mas estava satisfeito com o segundo lugar. A Ferrari participou da luta pela pole position graças à potência do novo motor V12. Berger, muito incisivo, ficou em terceiro lugar, apenas vinte milésimos atrás de Hill. Alesi já estava mais para trás, a meio segundo. 

Grid:
1) Hill (Williams) - 1:24.960
2) Schumacher (Benetton) - 1:24.963
3) Berger (Ferrari) - 1:24.980
4) Alesi (Ferrari) - 1:25.541
5) Hakkinen (McLaren) - 1:26.268
6) Barrichello (Jordan) - 1:26.271
7) Coulthard (Williams) - 1:26.337
8) Katayama (Tyrrell) - 1:26.414
9) Brundle (McLaren) - 1:26.768
10) Verstappen (Benetton) - 1:26.841

O dia de 10 de julho de 1994 estava ensolarado, mas sem o forte de calor que marcou a corrida em Magny-Cours na semana anterior. Inclusive com a presença de Lady Diana, o público inglês lotou Silverstone para apoiar Damon Hill, no que era uma resposta aos críticos do inglês. Por outro lado, visto como o grande inimigo de Damon, Schumacher era vaiado a cada aparição. Durante a volta de apresentação, Michael Schumacher ultrapassou Damon Hill duas vezes, não respeitando a formação e no que era claramente uma violação das regras. Isso daria muito pano para manga até o final da temporada. Quando os carros estavam prontos para a largada, Coulthard acena com os braços e a largada foi abortada, com o escocês tendo que largar em último. No início da segunda volta de apresentação, Irvine tem o motor quebrado e não largaria, enquanto Schumacher novamente não respeita as regras da volta de apresentação. Já se falava abertamente na punição do alemão quando a largada foi dada, com Hill conseguindo manter a ponta. Na quinta fila, o motor Peugeot de Brundle explodiu espetacularmente e o inglês não corre sequer um metro antes de abandonar.

Hill e Schumacher imprimiam um ritmo muito forte, abrindo 7s em três voltas para o terceiro colocado Berger e 14s na volta 8. O austríaco estava com o carro mais pesado, enquanto os dois líderes marcavam volta mais rápida em cima de volta mais rápida. No pit-wall da Benetton, muita conversa acontecia para saber o que aconteceria. Que Schumacher seria punido, ninguém tinha muita dúvida, mas com quinze voltas de corrida ainda não se sabia como seria a punição. Flavio Briatore, Tom Walkinshaw, Ross Brawn e Joan Villadelprat pediam explicações à direção de prova. Quando Hill faz sua parada e retornou em terceiro, Pat Symonds advertia Schumacher de sua punição, mas ele diz que a penalidade seria de cinco segundos adicionado ao seu tempo no fim da prova. Enquanto isso, Briatore e Walkinshaw discutiam com os comissários da FIA do que já estava se tornando uma tremenda confusão, que já estava chamando mais atenção do que a corrida em si. Schumacher faz seu pit-stop normalmente e não paga qualquer penalidade. Para complicar a esdrúxula situação, o alemão aproveita as duas voltas com pista livre e retorna dos pits na frente de Hill.

Porém, Schumacher não liderava a prova, pois Berger estava postergando sua parada, mas quando estava prestes a ultrapassar a Ferrari do austríaco, a direção de prova mostrou uma bandeira preta para o alemão na volta 23. Briatore ficou uma fera nos pits e ordena que Schumacher continue na corrida, como se nada tivesse acontecendo, enquanto na Benetton, a confusão era enorme, com Walkinshaw indo até o diretor de prova Roland Bruynseraede pedir explicações. Após uma quente discussão, Walkinshaw retorna aos pits da Benetton dizendo que Schumacher não seria mais desclassificado, mas receberia uma punição de 5s em forma de stop-and-go. Três voltas depois o alemão cumpriu a tal punição e caiu para terceiro, com Hill, que ultrapassara Berger, na ponta da corrida, para delírio do público inglês. O motor de Berger quebrou na volta 32, deixando Hill em primeiro, com 18s de vantagem para Schumacher. Coulthard fazia uma bela corrida de recuperação e já estava na zona de pontuação. 

Os líderes completaram suas segundas paradas sem mudanças, enquanto o porta-voz da FIA Martin Whitaker anunciou à imprensa que Schumacher não fora punido por queima de largada, como foi anunciado anteriormente, mas por não ter mantido a sua posição nas duas voltas de apresentação. As voltas finais foram sem emoção em Silverstone dentro da pista, pois fora dela a torcida fez uma bela festa. Damon Hill venceu o GP da Inglaterra, com Schumacher em segundo lugar e Alesi em terceiro. Enquanto isso, Barrichello tentou uma ultrapassagem otimista na Luffield para surpreender Häkkinen na última volta. Os dois se tocam e rodam. Barrichello tem a suspensão quebrada e volta à pista bem lentamente, enquanto Häkkinen mantém o motor ligado, mas perde muito tempo para volta a pista. Quando parecia que Barrichello conseguiria um quarto lugar no limite, Häkkinen consegue a ultrapassagem na reta de chegada! Coulthard termina na sexta posição. Damon Hill fez a volta de desaceleração com uma enorme bandeira britânica, para deleite dos espectadores. Finalmente um piloto com sobrenome Hill vencia na Inglaterra! Porém, nos bastidores, as coisas continuavam quentes. Flavio Briatore e Tom Walkinshaw concentravam seus ataques aos diretores de prova, ou seja, Roland Bruynseraede e o diretor Pierre Aumonier. Inicialmente Schumacher seria punido em 25.000 dólares por não respeitar a bandeira preta, mas sua desclassificação parecia anulada. Parecia. 

Max Mosley apontava duas irregularidades graves cometidas por Benetton e Schumacher no Conselho Mundial de FIA, convocado logo depois da corrida: primeiro, que Michael não cumpriu a punição original dentro do prazo prescrito, então conscientemente ignorou a bandeira preta. A FIA não deu crédito às explicações de Schumacher, que afirmou ter visto a bandeira, mas não o painel em que estava inscrito o seu número, o 5. Briatore e Walkinshaw, que impediram a implementação da sanção, também foram convocados a se explicar. Além disso, Mosley criticava fortemente a direção da prova, cuja conduta errática estava na origem de toda a confusão. Afinal, como poderia uma bandeira preta, ou seja, exclusão da corrida, ser removida para se tornar um simples stop-and-go? A FIA já havia recebido denúncias de que a Benetton cometia infrações técnicas e era esse o motivo da enorme vantagem de Schumacher no campeonato. Num campeonato que já parecia decidido antes da metade, o erro de Schumacher, que falou que o motivo de sua desobediência na regra da volta de apresentação era esquentar os freios e que Hill estava muito lento, foi um prato cheio para que Schumacher e Benetton começassem a ver suas esperanças de títulos serem abatidas por suspensões e punições polêmicas. Schumacher acabaria realmente desclassificado meses mais tarde, dando pontos preciosos para Hill no campeonato.

Chegada:
1) Hill
2) Alesi
3) Häkkinen
4) Barrichello
5) Coulthard
6) Katayama

História: 30 anos do Grande Prêmio da França de 1989

Enquanto a F1 cruzava o Atlântico para voltar a Europa depois da animada e surpreendente corrida em Montreal, vários acordos e desacordos nos bastidores fizeram com que o Grande Prêmio da França de 1989 visse vários estreantes. Apesar da excepcional corrida em Jacarepaguá, era nítido que Johnny Herbert ainda não tinha se recuperado plenamente do seu sério acidente na F3000 em 1988 e o inglês era substituído por Emmanulle Pirro, que era pilotos de testes da McLaren. Pirro tinha sido sondado pela Lola e chegou a testar o carro, mas o italiano preferiu o melhor cockpit da Benetton. Cansado da instabilidade de Yannick Dalmas, a Lola contrata para o seu lugar o jovem francês Eric Bernard, que estava fazendo um bom campeonato na F3000. Na semana anterior a corrida, Derek Warwick se envolve num acidente de kart e com uma costela quebrada, o inglês não participaria da prova em Paul Ricard, sendo substituído pelo piloto de testes da Arrows, o norte irlandês Martin Donnelly.

Ken Tyrrell havia conseguido um muito bem vindo patrocínio da tabaqueira Camel, mas isso causou um pequeno problema dentro de sua equipe. Michele Alboreto era patrocinado pela Marlboro e logo se estabeleceu o conflito de interesses, resultando na dispensa do italiano, mesmo Alboreto tendo chegado ao pódio no México. Para substituir temporariamente Alboreto, Tyrrell convoca Jean Alesi. Rival de Bernard nas categorias de base na França e companheiro de equipe de Donnelly na F3000, Alesi era visto como estrela em ascensão e o francês já tinha despertado o interesse de Ligier e Williams. Muito bem visto pela crítica francesa, com a corrida em Paul Ricard e Alesi correndo com o patrocínio da Camel na F3000 pela equipe Jordan, Tyrrell achou uma ótima ideia dar uma chance ao francês de 25 anos. E o velho tio Ken não se decepcionaria. Se a França ansiava por uma nova estrela, a estrela estabelecida de 1989 estava de mudança. Alain Prost reuniu a imprensa na sexta pela manhã para anunciar que estava saindo da McLaren no final da temporada. Mesmo tendo sido uma parceria vitoriosa ao longo de seis anos, a péssima relação entre Prost e Senna tinha pesado demais. Prost continuava insinuando que a Honda favorecia Senna, enquanto Ron Dennis dizia que Prost não suportava perder para Senna com o mesmo carro. Claro que Prost não ficaria muito tempo sem contrato e a Ferrari já tentava a sua contratação, enquanto a McLaren negociava com Berger para fazer o movimento contrário. Além de rápido, Berger se dava muito bem com Senna...

Na classificação os pilotos da McLaren dominaram mais uma vez. Senna marcou o melhor tempo na sexta-feira, mas Prost lhe tomou a pole position no dia seguinte. Os tempos conquistados pelos pilotos da McLaren eram mais rápidos do que os alcançados em 1988. Mansell consegue um ótimo tempo para ser terceiro apenas dois décimos atrás da pole, num final de semana em que os carros com pneus Goodyear obtiveram clara vantagem em comparação aos usuários da Pirelli.

Grid:
1) Prost (McLaren) - 1:07.203
2) Senna (McLaren) - 1:07.228
3) Mansell (Ferrari) - 1:07.455
4) Nannini (Benetton) - 1:08.137
5) Boutsen (Williams) - 1:08.211
6) Berger (Ferrari) - 1:08.233
7) Alliot (Lola) - 1:08.561
8) Patrese (Williams) - 1:08.993
9) Palmer (Tyrrell) - 1:09.026
10) Gugelmin (March) - 1:09.036

O dia 9 de julho de 1989 amanheceu ensolarado e com muito calor no sul da França, um clima bastante típico dessa época do ano, mas que castigaria carros e pilotos trinta anos atrás. Por causa do calor, todos os pilotos escolhem os pneus duros e planejam parar pelo menos uma vez. Na volta de apresentação Patrese tem problemas de motor e fica parado. Não deixaria de ser uma sorte para o italiano, pelo susto ocorrido na primeira largada. Após seu pódio em Jacarepaguá, Maurício Gugelmin fazia uma temporada irregular com sua March e por isso o décimo lugar no grid era uma dádiva ao brasileiro. Na freada para a curva um, Gugelmin achou uma brecha e tenta colocar seu carro ali. Porém, com vários carros freando ao mesmo tempo e se movendo para conseguir uma boa posição, Gugelmin se viu sem espaço e proporcionou uma espetacular capotagem sobre os pilotos da frente, causando um verdadeiro caos no grid. E proporcionar uma das largadas mais conhecidas da história da F1.

Gugelmin bateu em Boutsen, decolou, caiu em cima da asa traseira da Ferrari de Mansell, depois em Berger e pousou de cabeça para baixo. Naquele dia Gugelmin estreava um capacete novo, que ficou lixado pelo contato com o asfalto. Apesar do susto, Gugelmin saiu do carro ileso. Mesmo no pelotão intermediário, vários carros bateram. Após se livrar de toda a confusão da primeira curva, Olivier Grouillard acabou batendo num lento Mansell metros depois. Com tanto confusão, a bandeira vermelha foi mostrada e uma segunda largada seria dada. Vários pilotos utilizariam carros reservas, enquanto Mansell, Gugelmin e Donnelly largaram dos boxes. Na primeira largada Senna saiu muito bem, mas na segunda tentativa, o diferencial do brasileiro quebrou quando ele engatou a segunda marcha. Por sorte a McLaren de Senna não foi atingida, porém era mais um abandono para o campeão de 1988, que colocava as mãos na cintura ao sair do carro, totalmente incrédulo.

Prost estava na sua situação preferida, que era de administrar a corrida a seu bel prazer, sem forçar muito num dia muito quente em uma pista em que sempre andou muito bem. Enquanto Prost se livrava facilmente do segundo colocado Berger, Mansell vinha num ritmo alucinante das últimas posições, chegando a ultrapassar até três carros numa volta! Na volta 12 Berger saiu da pista e cai para quarto, ultrapassado por Nannini e Boutsen, tendo que trocar seus pneus três voltas mais tarde, elevando Mansell a um impressionante top-10, lembrando que largavam 26 carros trinta anos atrás. Com o forte calor, não demorou muito para a corrida se tornar uma prova de sobrevivência, com os pilotos cuidando dos pneus, tentando parar nos boxes o menos possível. Quando já se recuperava de sua rodada, Berger abandonou com o câmbio quebrado na volta 29, enquanto Mansell, que trocou seus pneus, retornava a pista com a mesma voracidade de antes. Prost fez sua parada na volta 34 sem perder a ponta, enquanto o novato Jean Alesi conseguia uma corrida notável. Mesmo sem experiência com um F1, Alesi levava seu Tyrrell ao top-6, conservando seus pneus. E ele logo ganharia mais terreno. Na volta 41 o segundo colocado Alessandro Nannini se preparava para colocar uma volta em Nakajima quando sua suspensão traseira esquerda quebrou de forma espetacular, quase causando um grave acidente, pois a Benetton de Nannini passou sem controle a milímetros da Lotus de Nakajima. 

Quando o motor de Capelli explode na volta 44, Alesi assumia a segunda posição, se tornando um dos destaques da corrida. Boutsen, que havia parado para trocar pneus, não conseguia alcançar Alesi por causa de um problema de câmbio, que o faria abandonar na volta 50. Com os pneus cada vez mais desgastados, Alesi via crescer no seu retrovisor Patrese e Mansell, que também fazia uma corrida espetacular. Na volta 48, com os pneus em petição de miséria, Alesi faz sua única parada e retorna em quarto, dando um recado que ele poderia ser um digno sucessor de Prost, que liderava tranquilo. Patrese tinha largado com o carro reserva e tinha dificuldades de equilíbrio, mas segurava valentemente Mansell, contudo uma violenta rodada do italiano na volta 61 entregou a segunda posição para Mansell, coroando a belíssima corrida do inglês. O piloto da Ferrari lamentaria bastante depois da corrida ter largado dos boxes, pois tinha um ótimo ritmo em Paul Ricard. Alain Prost conseguiu sua trigésima sétima vitória na F1, 45s à frente de Mansell. Patrese terminou em terceiro e conseguiu o seu quarto pódio consecutivo. Alesi conquistou um excelente quarto lugar em sua estreia. Johansson terminou em quinto, dando os primeiros pontos para o Onyx. Primeiro ponto também para Grouillard, sexto. Mesmo com a vitória de Prost e a incrível corrida de recuperação de Mansell, o nome do dia era Jean Alesi. O francês recebeu os parabéns de Prost depois da corrida e passou a ser disputado por todo o paddock, mas Tyrrell acabaria contratando Alesi para 1990. Alesi seria uma estrela da F1 na década de 1990, mas não com o brilho intenso esperado. Ah! Depois do susto na primeira largada, Maurício Gugelmin teve problemas com seu March reserva na corrida, ficou várias voltas parado, mas acabou com a melhor volta da corrida!

Chegada: 
1) Prost
2) Mansell
3) Patrese
4) Alesi
5) Johansson
6) Grouillard