quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Mantovano voador

Poucos pilotos são tão idolatrados quanto ele, mesmo que não haja tantas imagens sobre sua coragem e talento. Se é complicado assistir alguma coisa sobre Juan Manuel Fangio na década de 1950, imaginem encontrar algo de Tazio Nuvolari, ás italiano que foi a grande estrela do automobilismo mundial nas décadas de 1920 e 1930. De físico franzino, mas com uma coragem imensa, Nuvolari para sempre atiçou nossa imaginação sobre os seus feitos num automobilismo extremamente perigoso. Completando 125 anos do seu nascimento, vamos ver um pouco de Tazio.

Tazio Giorgio Nuvolari nasceu no dia 16 de novembro de 1892 em Casteldrio, cidadezinha próxima à Mântua, que lhe garantiria o apelido mais tarde. Nuvolari começou sua carreira nas motos, que lhe foram apresentadas por um tio, um negociante da região. Tazio conseguiu sua licença com apenas 23 anos de idade e logo em seguida se alistou no exército italiano durante a primeira guerra mundial. Foi motorista de ambulância e com certeza deve ter salvado a vida de muitos feridos pela velocidade com quem chegava aos hospitais! Finda a guerra, Nuvolari começa sua carreira no motociclismo, mas o italiano já era casado e tinha um filho, ou seja, não poderia viver unicamente para correr e ainda tinha que sustentar sua família. Comprando e preparando suas próprias motos, Tazio fez sua primeira corrida em 1920 em Cremona, mas não demorou muito para ele chamar a atenção das grandes montadoras italianas, principalmente quando venceu a Coppa Verona em 1921. Ele foi contratado pela Bianchi e como piloto oficial, se tornou campeão italiano de motociclismo das 350cc. Não existia um campeonato propriamente dito naquela época e quando Nuvolari venceu o Grande Prêmio da Europa em 1925, foi considerado Campeão Europeu. Porém, até aquele momento Tazio Nuvolari não impressionava os críticos de motociclismo, mesmo lhe reconhecendo muita velocidade. Porém, Tazio sofreu um acidente sério nos treinos para o Grande Prêmio das Nações de 1925 em Monza e teve as duas pernas quebradas. Os médicos lhe disseram que ele levaria um mês para voltar a correr. Nuvolari não pensava assim. Com almofadas, bandagens e sendo praticamente amarrado à moto, Nuvolari largou para a corrida no dia seguinte e venceu! Começava a lenda da incrível coragem e audácia de Tazio Nuvolari!

Naqueles tempos era muito comum pilotos de motos se transferirem para os carros e até mesmo participar de campeonatos de duas e quatro rodas simultaneamente. Nuvolari experimentou os carros pela primeira em 1923, com uma Alfa Romeo. No ano seguinte conquista sua primeira vitória e quando a lenda Antonio Ascari morreu, Nuvolari foi contratado para substitui-lo em 1925, mas um acidente de moto fez com que Tazio não corresse em Monza, local do que seria sua primeira corrida como piloto oficial da Alfa e teve seu contratado reincidido. Ainda se recuperando das fraturas do ano anterior, Nuvolari não se destaca em 1926 nas motos e nos carros, mas para o ano seguinte ele toma uma decisão que marcaria sua vida: ele se dedicaria somente aos carros. Com sua mulher grávida do segundo filho, Tazio Nuvolari aposta tudo em sua carreira e compra dois Bugattis, montando sua própria equipe. Nuvolari chama seu antigo rival e amigo dos tempos da motovelocidade Achille Varzi. Mesmo com carros inferiores, Nuvolari impressiona ao conquistar vitórias no Grande Prêmio Real de Roma, no circuito de Trípoli e no circuito de Pozzo. Porém, isso causa irritação em Varzi, que deixou a equipe de Tazio e por ser filho de um rico empresário, tem condições que comprar um moderno Alfa Romeo P2. Além de iniciar uma das primeiras grandes rivalidades do automobilismo! Nuvolari e Varzi entraria para a história como uma das rivalidades mais renhidas dos primeiros tempos do automobilismo, além de ter sido de dois monumentos dos anos 1930. Uma das corridas mais conhecidas acontecera na Mille Miglia de 1930. Nuvolari tinha sido contratado pela Alfa no ano anterior e voltaria a ser companheiro de equipe de Varzi, mesmo os dois não se dando bem. Varzi liderava a longa e perigosa corrida italiana com sobras, mas Nuvolari se aproximava rapidamente. Sabendo que não teria vida tranquila contra o seu 'companheiro' de equipe, Tazio teve uma ideia aos mesmo tempo arriscada, mas muito sagaz. A corrida terminava já de noite na cidade de Brescia e quando Nuvolaria avistou Varzi, simplesmente desligou os faróis do seu carro, para não ter sua presença percebida por Varzi pelos retrovisores, que a essa altura corria tranquilamente. Já faltando poucos quilômetros para o fim, Varzi foi surpreendido quando foi ultrapassado por um vulto. Era Nuvolari! Que ao ultrapassar um estupefato Varzi, acendeu os faróis e partiu para uma vitória épica!

Depois desta corrida, Tazio Nuvolari continuava  pilotando carros da Alfa Romeo, porém, sem contrato fixo, vencendo em 1930 o Tourist Trophy. Vendo sua posição ameaçada, Achille Varzi  impõe um escolha à equipe: ou ele ou Nuvolari. De forma surpreendente a Alfa Romeo fica com o jovem piloto e Nuvolari vai correr pela Bugatti, de forma particular. Não demorou muito para o piloto italiano correr para Enzo Ferrari, escuderia que preparava os carros da Alfa Romeo e em 1931, vence o Grande Prêmio da Itália, em Monza. Era o início de uma relação entre dois gigantes do automobilismo italiano: Ferrari e Nuvolari. Em outra história conhecida, Nuvolari pediu a Enzo Ferrari que um mecânico o acompanhasse durante a Targa Florio de 1932. Como era muito leve, Tazio queria alguém de pouco peso, mas que ficasse ao seu lado e compensasse o deslocamento de peso. Enzo Ferrari só pediu para que Tazio não assustasse o jovem mecânico. Nuvolari combinou com o mecânico que a cada curva muito rápida, ele pediria para o 'carona' se abaixar, para não deixa-lo em pânico com as loucuras que Tazio fazia ao volante. Com a vitória de Nuvolari, Ferrari foi perguntar ao mecânico como tinha sido a experiência. "Não sei. Na primeira curva ele pediu para me abaixar e fiquei a corrida inteira no chão do carro!" Tazio vence na Itália, França e Monte Carlo, mas perde o campeonato europeu para Borzacchini por quatro pontos. Mesmo bastante admirado por Ferrari, Nuvolari briga com o chefe de equipe e em 1933 se muda para a Maserati, mas com um carro inferior à Alfa Romeo, não consegue grandes resultados. Nesse ano ele participa das 24 Horas de Le Mans ao lado de Raymond Sommer e estava prestes a vencer a tradicional prova, quando teve o tanque de combustível furado, mas Nuvolari garantia o recorde da pista. Por sinal, batido nove vezes durante a corrida pelo italiano!

Se antes os maiores rivais de Nuvolari eram os times e pilotos italianos, a partir de 1934 ele conheceria rivais ainda mais poderosos. Turbinado com investimento público para mostrar a supremacia da indústria nazista, Mercedes e Auto Union estreavam com carros bem mais potentes e modernos do que as Alfas, Maseratis e Bugattis. De repente os carros italianos se tornaram obsoletos. Para azar de Nuvolari, Varzi chegou primeiro à Auto Union e quando o time alemão tentou contrata-lo em 1935, Varzi imediatamente o vetou. Nuvolari teve que correr pela Alfa Romeo, mesmo tendo um relacionamento tortuoso com Enzo Ferrari, que primeiramente o rejeitou, mas teve que contrata-lo por pressões políticas. Para o Grande Prêmio da Alemanha, Mercedes e Auto Union se esmeraram para conseguir a vitória na frente de todos os altos dirigentes do partido Nazista que patrocinavam o esforço alemão no automobilismo. Porém, Nürburgring começou o dia com o seu típico clima onde as quatro estações do ano podem aparecer num único dia. Correndo com uma Alfa nitidamente inferior, Nuvolari fez a corrida de sua vida e para muitos, uma das melhores exibições individuais da história do automobilismo. Era a 'vitória impossível'. Pois Tazio, aos 43 anos de idade, fez o impossível e na frente dos dirigentes do Terceiro Reich, venceu o Grande Prêmio da Alemanha, aplaudido por mais de 300.000 pessoas. Conta a lenda que a vitória alemão estava tão certa, que não havia o disco do hino italiano...

Essa exibição de Nuvolari entrou para a história, mas era inegável a superioridade dos carros alemães naquele momento. Em 1936, a Alfa Romeo apresenta um carro mais potente, mas ainda inferior aos alemães. Com este carro Nuvolari vence os GPs da Espanha e da Hungria e também a Copa Vanderbilt, em Nova York. Ele sofreu um grave acidente durante os treinos para o GP de Tripoli, mas fugiu do hospital, pegou um táxi para a pista, onde terminou em sétimo num carro reserva. Nuvolari estava cada vez mais frustrado com a falta de competitividade e confiabilidade da Alfa Romeo, anunciando sua aposentadoria no início de 1938. Após a morte de Bernd Rosemeyer em 1938, a Auto Union estava desesperado por um piloto que pudesse dominar seu carro arisco. Apenas um piloto bastante habilidoso seria capaz de guiar um carro com motor central e muito difícil de controlar. E a escolha era fácil. Por indicação de Ferdinand Porsche, Nuvolari foi contratado pela Auto Union, onde venceu o Grande Prêmio da Inglaterra em Donington Park e logo depois faturou a vitória em Monza. Porém, um cenário ainda mais ameaçador pairava pela Europa. O avanço nazista, infelizmente, não era apenas no automobilismo. A segunda guerra mundial estava batendo a porta do mundo e quando Nuvolari venceu o Grande Prêmio de Belgrado, no dia 3 de setembro de 1939, os alemães já haviam invadido a Polônia dois dias antes. Aquela seria a última corrida internacional em mais de seis anos.

Já contando com mais de 40 anos de idade, Nuvolari não se envolveu numa segunda guerra e felizmente sobreviveu sem maiores problemas ao conflito. Tazio participou das primeiras corridas do pós-guerra ainda exibindo sua gana e coragem. Durante a Copa Brezzi de 1946, o italiano chegou aos boxes com a volante numa das mãos, numa cena clássica. Em sua última Mille Miglia, em 1948, Nuvolaria aprontou outra história impressionante de resiliência. Ainda no começo da prova ele perdeu o capô do seu carro, quase atingindo sua cabeça. "Sem problemas, assim o motor esfriará mais rápido," comentou ao mecânico ao seu lado. Porém, os problemas não parariam, quando seu assento quebra e ele tem que pegar uma sacola de limões para ficar mais confortável dentro do carro. Com seu carro literalmente caindo aos pedaços, a equipe aconselhou-o a sair da corrida em Bolonha, já que Nuvolari não tinha nada a provar. Tazio simplesmente acelerou seu carro em direção a Via Emilia. Até mesmo Enzo Ferrari lhe suplicou para que abandonasse a corrida, mas o italiano só saiu da prova quando a suspensão traseira do seu carro arriou e ficou impossível que a Nuvolari continuasse.

Nuvolari nunca anunciou formalmente sua aposentadoria, mas sua saúde se deteriorava e ele tornou-se cada vez mais solitário. Tazio sofria de asma, muito provavelmente por causa dos gases tóxicos a que esteve exposto nos anos em que correu. Em suas últimas corridas, era comum Nuvolari ter sangue em suas vestes, por causa do seu problema de saúde que só piorava. Sua última exibição foi no dia 10 de abril de 1950, em Palermo numa corrida de subida de montanha. Ele terminou em quinto, mas venceu em sua categoria. Um mês depois, a F1 nascia sem conhecer um dos melhores pilotos de Grande Prêmio da história. Em 1952, um acidente vascular cerebral o deixou parcialmente paralisado. Dizia-se que Nuvolari queria morrer no esporte que ele amava tanto, mas isso não foi possível. Em 11 de agosto de 1953, nove meses depois do seu AVC, ele sofreu um segundo AVC e acabou morrendo aos 60 anos de idade. Entre 25.000 e 55.000 pessoas, pelo menos metade da população de Mântua, participaram de seu funeral em uma procissão, com o caixão colocado em um chassi de carro que foi empurrado por Alberto Ascari, Luigi Villoresi e Juan Manuel Fangio. Como era seu desejo, ele foi enterrado em seu uniforme - camisa amarela e calça azul. Tazio Nuvolari entrou para a história como uma lenda pouco vista, mas para quem teve a sorte vê-lo, nunca o esqueceu. Mesmo com alguns problemas de relacionamento, anos depois Enzo Ferrari voltaria a falar com Nuvolari e disse que somente um piloto o fez lembrar o piloto italiano em termos de coragem e habilidade: Gilles Villeneuve. Nuvolari foi homenageado de todas as formas pela comunidade automobilística mesmo com quase 65 anos depois de sua morte. E de forma justa. Conta a lenda que quando Enzo Ferrari foi para o velório de Nuvolari, acabou se perdendo e foi pedir ajuda a um encanador. O senhor não conheceu Enzo, mas ao identificar a placa de Modena imaginou que aquele senhor tinha vindo homenagear Tazio. "Obrigado por ter vindo. Um homem como esse não nascerá de novo". Realmente poucos podem ser comparados à Tazio Nuvolari.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

História: 30 anos do Grande Prêmio da Austrália de 1987

A F1 chegou à Adelaide para a corrida final de 1987 com praticamente tudo definido. Nelson Piquet era o mais novo tricampeão do mundo e a Williams já era campeã de Construtores fazia algum tempo. Havia uma pendência a respeito do vice-campeonato, com Ayrton Senna ainda com chances de tirar o posto de Mansell. O inglês havia feito uma ressonância computadorizada após seu acidente em Suzuka e descobriu-se uma ligeira compressão numa das vértebras, fazendo os médicos proibirem Mansell participar de qualquer atividade por dois meses. Frank Williams pensou primeiramente em Alan Jones para substituir Mansell na Austrália, mas o piloto da casa de 41 anos recusou o convite, até porque corria na Austrália com a Toyota e a Honda não viu com bom grado um piloto da montadora rival em sua principal equipe. Além de Piquet e Jones não se gostarem muito! Frank então solicitou a liberação de Riccardo Patrese para a prova em Adelaide, algo que Bernie Ecclestone concordou. Patrese já tinha contrato com a Williams para 1988 e estrearia mais cedo na sua nova equipe. Para o lugar de Patrese, a Brabham proporcionava a estreia de Stefano Modena, que tinha acabado de se tornar campeão da F3000. Muito tímido, Modena era observado como uma futura estrela desde o kart. 

Mesmo sofrendo com uma gripe durante o final de semana, Berger conseguiu sua terceira pole na carreira e no ano. Ao lado do ferrarista estava Alain Prost, que passou os treinos sofrendo com os freios do seu McLaren. Na Williams, Piquet conseguia o 3º lugar, alternando entre o seu carro com suspensão ativa e com a suspensão convencional, acabando por escolher o último, pois lhe dava mais aderência. Patrese obtém um bom sétimo lugar com a outra Williams. Senna posiciona seu Lotus na quarta posição, dez lugares à frente de Nakajima. Alboreto não conseguiu uma única volta limpa na classificação e ficou apenas em sexto lugar. Essa performance, comparada com a pole do seu companheiro equipe, enfraquecia ainda mais a situação do italiano na Scuderia.

Grid:
1) Berger (Ferrari) - 1:17.267
2) Prost (McLaren) - 1:17.967
3) Piquet (Williams) - 1:18.017
4) Senna (Lotus) - 1:18.488
5) Boutsen (Benetton) - 1:18.523
6) Alboreto (Ferrari) - 1:18.578
7) Patrese (Williams) - 1:18.813
8) Johansson (McLaren) - 1:18.826
9) Fabi (Benetton) - 1:19.461
10) De Cesaris (Brabham) - 1:19.590

O dia 15 de novembro de 1987 amanheceu com sol forte e muito calor em Adelaide, o que poderia ser um fator para a corrida. Alguns pilotos estavam sofrendo com o superaquecimento dos freios e com o forte calor, além da pista travada, esse problema poderia aumentar ao longo de uma prova com mais de 80 voltas. Berger marcou o melhor tempo do warm-up, mas resolve largar com o carro reserva, por causa de um pequeno problema no motor do titular. Berger e Prost largam bem, mas saindo um pouco de suas características Piquet larga muito bem e passa a dupla da primeira fila pela esquerda, chegando a tocar rodas com Berger, mas o brasileiro da Williams apontava na ponta na primeira curva. 

Tendo o melhor carro o final de semana inteiro, não demorou para Berger contra-atacar e ainda na primeira volta assumiu a liderança de Piquet no final Wakefield Road. No mesmo momento, Senna coloca por dentro em cima de Prost para ser terceiro, mas na volta seguinte Prost dá o troco no final da reta Brabham. Berger imprime um ritmo muito forte, até mesmo 1s mais rápido do que Piquet, que tinha Prost 2s atrás, enquanto Senna já segurava Alboreto. O brasileiro da Lotus só segura Alboreto até a quinta volta. A Ferrari era claramente o melhor carro de Adelaide trinta anos atrás! Numa tentativa de poupar freios e pneus, Piquet diminui seu ritmo e permite a aproximação de Prost, mas Alboreto era o piloto mais rápido da pista e já encostava em Prost. O francês andava perto de Piquet, mas os problemas de freios atormentavam Prost e por isso, o piloto da McLaren mais seguia do que atacava Piquet. Na volta 28, Prost ia colocar uma volta em Alliot, mas seus freios falham e o francês sai ligeiramente da pista, contudo Prost ainda consegue se manter à frente de Alboreto. 

Piquet vai aos boxes na volta 35 trocar seus pneus e volta à pista em sexto, logo à frente de Johansson e Patrese. Com pista livre e sem a turbulência de Piquet, Prost aumenta o ritmo e marca a volta mais rápida da corrida naquele momento, enquanto Alboreto, tendo ficado muito tempo atrás de Prost, vê seus freios superaquecerem e era pressionado por Senna. Prost e Arnoux foram rivais na Renault e se tornaram inimigos fidagais. Quando Prost se aproximou para colocar uma volta em Arnoux, o piloto da Ligier se recusava a ceder a passagem para o compatriota, permitindo a aproximação de Alboreto e Senna. Na volta 41, Senna efetua uma ultrapassagem audaciosa, se aproveitando da rixa entre Prost e Arnoux, além de um excesso de cautela de Alboreto. Senna realiza uma ultrapassagem dupla e ainda deixa o retardatário Arnoux na frente de Alboreto e Prost! Furioso, Prost tenta contra-atacar Alboreto no final da reta Brabham, mas o piloto da Ferrari repulsa as tentativas de Prost. Na volta seguinte, Arnoux abandona a corrida com um problema no distribuidor de seu Ligier...

Senna aumenta seu ritmo, tendo Alboreto em seus calcanhares, mas Berger ainda tem 18s de vantagem. Com os freios superaquecidos, Prost diminui o ritmo e quando vê Johansson abandonar na volta 49 com o disco de freio quebrado, o francês percebe que dificilmente terminaria a corrida. Três voltas depois, Prost viu seu disco de freio quebrar e o francês bateu no muro a baixa velocidade. Era a despedida do motor TAG Porsche na F1. Piquet era o piloto mais rápido da pista, mas sai da pista na volta 59 e resolve voltar aos boxes. Após uma verificação dos mecânicos, percebeu-se que os freios da Williams tinham acabado e Piquet terminava a temporada que lhe deu o terceiro título com um abandono. Senna melhorava a volta mais rápida de Prost e diminuía a vantagem para Berger. Com quinze voltas para o fim, quando Senna já estava menos de 7s atrás de Berger, o austríaco respondeu ao ataque do piloto da Lotus e ao marcar a volta mais rápida da prova, Senna teve que se consolar com o segundo posto. Nesse momento, apenas os três primeiros estão na mesma volta do líder, numa corrida cheia de abandonos. Faltando quatro voltas para o fim, Patrese abandona em sua estreia pela Williams após rodar e bater. Na volta seguinte Andrea de Cesaris abandona com pane seca e apenas oito carros recebem a bandeirada. Gerhard Berger consegue a terceira vitória de sua carreira à frente de Senna e Alboreto. Boutsen termina em quarto lugar, seguido por Palmer, o melhor com os motores aspirados, com o sexto lugar indo para Dalmas, mas o francês da Lola não estava elegível para marcar pontos. Após a corrida, Senna é desclassificado por irregularidades nos seus freios. O brasileiro ficou muito irritado e acusou seu chefe Peter Warr, que se defendeu dizendo que os comissários sabiam da modificação e nada falaram. O certo era que Senna perdia o vice-campeonato, mas o Brasil vibrava. Num verdadeiro milagre, Roberto Moreno levou o modesto AGS, que nas mãos de Pascal Fabre apenas finalizava as corridas com muitas voltas de atraso, ao um suado pontinho na corrida final de 1987. Nos boxes da Benetton, Thierry Boutsen e Teo Fabi quase saem no tapa quando o belga interpela o companheiro de equipe a respeito de uma fechada sofrida por Fabi e o italiano apenas diz que se vingava pelas fechadas distribuídas por Boutsen durante a temporada. Fora a última corrida de Teo Fabi na F1. Cansado pela gripe e quase surdo por ter pedido o seu protetor auricular ainda no começo da prova, Berger comemorava modestamente a sua vitória em Adelaide. Com essa vitória dominante na Austrália, complementando ao triunfo em Suzuka quinze dias antes, a Ferrari parecia que iria muito forte para 1988. Mal sabiam os italianos...

Chegada:
1) Berger
2) Alboreto
3) Boutsen
4) Palmer
5) Dalmas
6) Moreno

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Figura(BRA): Lewis Hamilton

Sempre haverá um chato para dizer: Hamilton fez apenas sua obrigação. Mais chato ainda são as pessoas que 'culpam' a F1 atual pela performance do inglês da Mercedes, sendo que o acontecido em Interlagos não foi a primeira vez que um piloto larga em último com o melhor carro e escala o pelotão com facilidade. Para esses chatos de plantão, que preferem deixar a bela exibição de Lewis Hamilton em segundo plano, elas precisam acompanhar outra coisa, como xadrez, vôlei ou badminton, pois para não se entusiasmar com a exibição de Hamilton ontem em Interlagos a pessoa deve não deve gostar muito de automobilismo. Com o carro que tem em mãos, Lewis Hamilton venceria a corrida no Brasil até com facilidade se tivesse largado da pole, que era seu lugar de direito pelo o que vinha fazendo nos treinos livres, mas como o esporte pode nos reservar surpresas, Hamilton errou sozinho na classificação e teve que largar de último. Favorito à corrida, Lewis agora teria que lutar por um pódio. E o inglês foi à luta. A superioridade do conjunto Mercedes-Hamilton era tão evidente que a maioria absoluta dos pilotos preferia nem brigar muito, deixando Lewis passar. Não era a briga deles. A briga do piloto da Mercedes era contra o tempo. Era chegar o mais rápido possível no pelotão da frente. Hamilton deu um show e recebeu a bandeirada colado no terceiro colocado Raikkonen e menos de 5s do vencedor Vettel, após largar de último, numa exibição de tirar o fôlego. Uma exibição de tetracampeão do mundo. 

Figurão(BRA): Segurança

Simplesmente uma vergonha internacional. O que aconteceu em Interlagos (ou nos arredores) manchou ainda mais o nome do Brasil perante os estrangeiros que estiveram em São Paulo ou simplesmente acompanham a F1 de seus respectivos países. Infelizmente o Brasil convive numa sociedade violenta e por serem estrangeiros, as pessoas ligadas à F1 não estariam imunes às mazelas que nós, cidadãos, sofremos no nosso dia a dia. Na Copa do Mundo e nas Olimpíadas havia o temor de péssimas e constantes notícias relacionadas à falta de segurança que tanto nos incomoda, mas durante esses eventos tudo ocorreu com relativa tranquilidade, com notícia aqui e ali de assaltos. Porém, num evento anual veio à tona tudo o que se imaginava acontecer em 2014 e em 2016. Durante todo o final de semana do Grande Prêmio do Brasil vans das equipes e organizadores foram atacadas por assaltantes armados, deixando em pânico as pessoas envolvidas. Se nós, que sabemos como anda nossa 'guerra civil', nos assustamos quando isso acontece conosco ou com alguém conhecido, imagem quando isso acontece com pessoas de fora. Lewis Hamilton, que tem milhões de seguidores nas redes sociais, criticou veementemente os assaltos (a primeira vítima foi a Mercedes) e culminou com o vexaminoso cancelamento dos testes de pneus da Pirelli devido à falta de segurança em Interlagos. Se já não bastasse o fato do Brasil não ter nenhum representante na F1 em 2018, agora podemos perder o Grande Prêmio por falhas clamorosas de segurança para os envolvidos. Como diria Boris Casoy, uma vergonha!

domingo, 12 de novembro de 2017

Uma corrida. Dois vencedores

Em muitas corridas, nem sempre o melhor piloto vence. Por variadas razões, um piloto pode vacilar e não ser o vencedor, mas por uma pilotagem fora de série, conseguir se destacar tanto quanto o real vencedor da corrida. Sebastian Vettel venceu com alguma dose de facilidade, acabando com um jejum incômodo que já durava três meses e que alijou o alemão da Ferrari da disputa pelo título desse ano. Porém, era sabido que Lewis Hamilton tinha o melhor carro do final de semana e se não fosse o seu erro na classificação, ele seria o natural favorito à vitória. Largando de último, o inglês da Mercedes deu um show em Interlagos, passando por cima de praticamente o grid inteiro sem tomar conhecimento de quem vinha à frente.

O sol forte em Interlagos fez com que a corrida de hoje tivesse uma pitada de intempérie climática, com o calor sendo um fator importante para os pneus. A vitória de Vettel foi decidida basicamente na largada, com o alemão saindo muito bem por dentro, mesmo que no lado sujo, e apostando na freada da primeira curva para deixar Bottas para trás e assumir a ponta, de onde só sairia durante as paradas de boxe. Vettel ainda teve um pequeno momento de suspense quando saiu dos boxes após sua parada logo à frente de Bottas, que o atacou por algumas curvas, mas quando os pneus atingiram a temperatura ideal, o alemão pôde partir impávido rumo a vitória e dar um importante passo rumo ao vice-campeonato. Bottas e Raikkonen fizeram uma corrida bem arroz-com-feijão, permanecendo o tempo todo em suas posições. Quando todos os pilotos colocaram os pneus macios, Kimi tentou uma aproximação em cima de Bottas, mas ficou nisso. Os três primeiros ficaram separados por 2s, mas Kimi ainda teria um trabalho extra no final.

Hamilton saiu do pit-lane, mas teve uma pequena ajuda com dois acidentes na primeira volta. Na curva 2, Vandoorne e Magnussen abandonaram e ainda atrasaram Ricciardo. No Laranjinha, Grosjean errou e acabou tocando em Ocon, ocasionando o abandono do piloto da Force India. Só nisso, cinco pilotos já estavam atrás de Hamilton. Na relargada, o inglês começou seu show particular, onde parecia que ultrapassava cones, não pilotos de F1. Com carros inferiores, a maioria nem se importou muito em deixar o inglês passar, pois sabiam que não tinham o que fazer. Hamilton simplesmente não tomava conhecimento e em poucas voltas, já aparecia em quinto, mas com a parada dos líderes, assumiu a liderança da prova na altura da metade da corrida! Colocando pneus supermacios, Hamilton voou, ultrapassou o sempre complicado Verstappen e marcou voltas mais rápida em cima de volta mais rápida para conseguir o seu objetivo: o pódio. E o inglês quase conseguiu. Partiu para cima de Raikkonen, mas Kimi segurou bem a posição e subiu ao pódio mais uma vez, mas pela exibição de hoje, Hamilton mostrou que é um digno tetracampeão!

Depois de três corridas muito boas, a Red Bull não se adaptou à Interlagos e ficou muito longe da vitória e até mesmo do pódio. À título de comparação, Ricciardo e Hamilton pararam na mesma volta e colocaram os meus pneus, só que o australiano chegou mais de 30s atrás, com um ritmo nitidamente inferior a ponto de ter Felipe Massa próximo dele. Verstappen, junto com Pérez e Raikkonen, foi um dos poucos que ainda resistiram à recuperação de Hamilton, mas em poucas curvas Lewis superava Max. Com os pneus supermacios desgastados, Verstappen colocou macios novos nas voltas finais e quebrou o recorde do circuito de Interlagos. Massa largou muito bem, usou o motor Mercedes para ultrapassar Alonso na relargada e com o espanhol brigou a corrida inteira, segurando o piloto da McLaren até o fim. Sem motor, Alonso usou todo o seu talento para se manter próximo de um carro bem mais potente do que o seu, mas a impossibilidade de ultrapassar Massa trouxe Pérez para a briga e os três terminaram a corrida colados. Massa finalmente teve a digna despedida que merecia e terminou a corrida com uma emocionante mensagem do seu filho via rádio para todo o mundo.

Hulkenberg fechou a zona de pontuação com a Renault ainda sofrendo muito em ritmo de corrida, mas ao menos o alemão superou Carlos Sainz, que veio logo atrás. Pierre Gasly também deve ter ficado aliviado por ter recebido a bandeirada, pois a Toro Rosso está terminando seu relacionamento com a Renault marcada pelas quebras constantes, o que vitimou Hartley. A Sauber viu seus pilotos brigarem e como sempre, Wehrlein se sobressaiu. Num final de temporada muito ruim, a Haas viu Grosjean rodou sozinho, foi punido pelo toque com Ocon e recebeu a bandeirada em último.

Os quatro primeiros colocados receberam a bandeirada com poucos segundos de diferença, sendo que Hamilton largou de último para chegar encostado no pelotão principal, indicando que seria o vencedor se não errasse ontem. Vettel aproveitou a boa largada para dominar a corrida e se consolidar como vice-campeão. Os dois finlandeses vão fazendo seus papeis de 'Patrese', enquanto a Red Bull não conseguiu superar as retas e a subida do Café para brigar com Mercedes e Ferrari. O final de ano vai chegando e a F1 vai se despedindo de 2017 já pensando em 2018, quando dois tetracampeões brigarão pelo título, tendo ainda Verstappen como um terceiro fator. 

Desobediente

Jorge Lorenzo é um grande piloto. Ninguém é tricampeão mundial à toa e o espanhol tem seu nome na história recente da MotoGP. Sua tocada limpa o fez derrotar pilotos como Valentino Rossi e Marc Márquez, sendo que contra o italiano, usando a mesma moto. Se compararmos o auge, Lorenzo ficou abaixo de Rossi e mesmo não sabendo se esse é o auge ou não de Márquez, já dá para dizer que Lorenzo também está abaixo do compatriota. O que faz Lorenzo não ser tão popular e muitas subvalorizado é o seu comportamento irascível. O espanhol deixou desafetos ao longo de quase quinze anos no circo do Mundial de Motovelocidade e sua arrogância nos momentos de vitória o deixam bastante antipatizado.

Quando Lorenzo tomou a corajosa atitude de sair da Yamaha para a Ducati, repetindo o que fez Rossi, o espanhol pareceu mais relaxado, não se mostrando tão arrogante quanto esteve na crista da onda. Completando 30 anos, a maturidade deve ter chegado para o espanhol. Mesmo ganhando sete vezes mais do que o seu companheiro de equipe, Lorenzo teve que engolir Doviziozo conseguir seis vitórias no ano e brigar pelo título com Márquez, enquanto Jorge lutava para se adaptar a uma moto totalmente desconhecida. No íntimo, Lorenzo queria repetir Rossi não na Ducati, mas na própria Yamaha, quando o italiano conseguiu um improvável e épico título na sua estreia pela montadora nipônica em 2004. Nesse caso, Lorenzo fracassou fragorosamente. 

Nas últimas semanas, Lorenzo ficou numa situação, no mínimo, estranha à ele. Trazido a peso de ouro para a Ducati, o espanhol teria que correr para Doviziozo, algo que já tinha sido feito em Sepang. O modo relaxado de Lorenzo indicava que isso se repetiria em Valencia, mesmo sabendo que as chances de Doviziozo eram apenas retóricas. Lorenzo afirmou que pouco poderia fazer, mas que ajudaria o companheiro de equipe. Então foi dada a largada para o Grande Prêmio da Comunidade Valenciana e Lorenzo fica em quarto, com Doviziozo logo atrás. Márquez estava na frente e conquistava o título, enquanto que para Doviziozo só a vitória interessava.

A situação de Dovi era dramática no campeonato, mas Lorenzo precisava ajudar o companheiro de equipe, que estava mais rápido atrás. As voltas foram passando, os líderes não avançavam, mas... Doviziozo também não! Numa cena totalmente inacreditável, Lorenzo simplesmente não abriu espaço para o companheiro de equipe, na mesma medida em que não atacava Daniel Pedrosa, que vinha logo atrás. A Ducati se desesperava com a situação. Mandava mensagem por computador e por placas, mas Lorenzo permanecia impávido na frente, numa situação completamente surreal. 

Ordens de equipe sempre existiram na corrida. As presepadas com Barrichello e Massa com a Ferrari revoltaram muitos, mas pelo contexto do campeonato, se mostraram dispensáveis, principalmente com Rubens. No caso de hoje, era imperativo que Lorenzo deixasse Doviziozo passar. Mas o espanhol não deixou. A situação só não ficou mais complicada com a queda dos dois, dando o título para Márquez.

Porém, a desobediência de Jorge Lorenzo pode fazer um mal bem maior do que o espanhol possa imaginar. Na hora em que a Ducati precisou de Lorenzo, ele simplesmente virou as costas para um time que lhe paga um salário milionário e Jorge tem que pensar que TODAS as equipes viram a rebeldia do espanhol num momento crucial do campeonato. Outro fator é que Doviziozo ficará pelo menos mais um ano na Ducati ao lado de Lorenzo e o que aconteceu hoje em Valencia pode se virar contra Lorenzo se ambos tiverem numa situação inversa. O cumprimento nos boxes foi mais um ato de cavalheiresco de Doviziozo, mas o que Lorenzo fez pegou muito, muito mal para o espanhol, até mesmo por envolver um piloto tão gente boa quanto Doviziozo.

Esse caso dentro da Ducati não trouxe grandes proporções por causa da queda da dupla da Ducati, mas isso pode causa grandes danos ainda para Lorenzo. Pois como se falou muito bem na transmissão: o que se faz hoje, um dia pode voltar.

Era Márquez

O esporte a motor sempre viveu de ciclos, onde pilotos dominaram uma categoria em um determinado espaço de tempo. Particularmente no Mundial de Motovelocidade, tivemos grandes pilotos dominando a categoria principal de tempos em tempos. Duke, Surtees, Hailwood, Agostini, Doohan, Rossi... 

Todos foram grandes lendas do esporte, que está ganhando mais um membro. Quando um piloto ainda está em atividade, é difícil mensurar o quão grande ele é dentro da história. Lewis Hamilton é um exemplo claro disso. O inglês ainda está vencendo e aumentando os seus já superlativos números. Marc Márquez também está nesse estágio. O jovem espanhol de 24 anos ainda está conquistando muita coisa para podermos dizer com precisão aonde Márquez está dentro da história do Mundial de Motovelocidade, mas os números de Marc já impressionam. Em cinco temporadas na MotoGP, já são quatro títulos, deixando para trás pilotos do quilate de Valentino Rossi e Jorge Lorenzo. Em termos relativos, seus números de vitórias e poles já o colocam dentre os maiorais. Márquez vem reescrevendo a história do Mundial de MotoGP com seu talento e agressividade.

O título conquistado hoje teve muitas das características de Marc Márquez. Dono de uma tocada extremamente agressiva, Márquez quase pôs tudo a perder quando tomou a primeira posição de Johan Zarco na curva um e teve que se virar para não cair logo depois. Saindo da pista e caindo para quinto, Márquez ainda tinha uma confortável margem para ser tetracampeão em Valencia. As chances de Andrea Doviziozo eram mais formais do que realísticas e quando o italiano da Ducati caiu já nas últimas voltas da corrida, o título de Márquez estava consolidado.

Daniel Pedrosa ainda conseguiu aumentar a alegria da Honda ao ultrapassar Zarco na abertura da última volta e vencer pela segunda vez esse ano. Porém, o novato francês mereceu a honra de ser o melhor estreante e suas estratégias de pneus agressivas, além de combates corpo-a-corpo bem fortes já fazem de Zarco um piloto a ser observado no futuro, mesmo o francês não sendo tão jovem assim. A Yamaha teve que engolir uma moto 2016 brigando pela vitória, enquanto os modelos 2017 desapontaram, com Rossi em quinto e Viñales passando boa parte da corrida atrás da KTM de Bradley Smith. Maverick deu pinta de favorito ao título, mas o jovem espanhol foi se perdendo na medida em que a Yamaha 2017 se mostrava sensível demais quando as condições de pista e, principalmente, climáticas mudavam. Para o bem da MotoGP, 2018 espera uma Yamaha bem mais consistente.

Quando Doviziozo caiu, a Ducati começou a consolar uns aos outros, mostrando que a briga contra uma gigante como a Honda era tão desigual quanto a luta do próprio italiano contra alguém tão mais veloz quanto Márquez. A atitude de Lorenzo hoje e o 2018 da Ducati ficará para um post mais tarde, mas Andrea Doviziozo foi um dos grandes vitoriosos de 2017. Ninguém poderia esperar que o cerebral italiano levasse a disputa pelo título até a corrida final e pudesse fazer frente à Márquez. No placar das vitórias em 2017, ficou 6x6, sendo que duas vezes Doviziozo derrotou Márquez na última curva. Já contando com 31 anos de idade, será difícil para Andrea voltar a ter uma chance como a que teve em 2017, mas o italiano da Ducati fez muito mais do que dele se esperava.

Suzuki decepcionou após um ano excelente com Viñales ano passado e o instável Iannone, com quem a Suzuki apostou, ficou devendo muito, enquanto Rins chegou na frente do italiano na corrida final em Valencia. A KTM ainda tem muito a crescer, após um ano de aprendizado.

Com o campeonato de 2017 findo, a pergunta que fica é: quem poderá segurar Márquez?