terça-feira, 19 de março de 2019

Figura(AUS): Valtteri Bottas

Se há um piloto pressionado não importava o que iria acontecer nessa temporada, o nome dele é Valtteri Bottas. O finlandês teve uma segunda parte da temporada 2018 para esquecer. Enquanto seu companheiro de equipe Hamilton vencia o campeonato com pilotagens exuberantes, Bottas terminava o ano sem vitória e apenas na quinta posição. De forma surpreendente, seu contrato foi renovado, mas apenas para 2019. Muita gente se perguntava o motivo de Bottas ter permanecido mais um ano na Mercedes, enquanto o talentoso Esteban Ocon ficaria um ano de fora da F1. Ocon, piloto da Mercedes e empresariado por Toto Wolff, é quase uma certeza de ser companheiro de equipe de Hamilton em 2020. Bottas precisava mostrar um algo a mais para mudar essa certeza. Pois Valtteri fez uma corrida tão boa, que deve ter colocado uma pulga atrás da orelha de Wolff. O começo do final de semana não indicava um Bottas tão exuberante. Hamilton dominou todos os treinos e com a Mercedes tão forte em Melbourne, Bottas fazia o trivial em sempre ficar próximo do inglês. Completando a primeira fila, Bottas conseguiu outra ótima largada e assumiu a ponta da corrida. Algo que já acontecera antes e o lógico era Hamilton logo colocar ordem na casa. Isso nunca aconteceu! Na melhor corrida de sua vida, segundo o próprio Bottas, o finlandês dominou o Grande Prêmio da Austrália a seu bel prazer, colocando mais de 20s em cima de Hamilton e tendo auto-confiança necessária em buscar a melhor volta da corrida, que hoje dá um ponto extra ao autor. Foi uma exibição magnífica de Bottas, mas a pergunta que fica é: isso foi apenas uma exceção ou veremos outras corridas assim de Bottas?

segunda-feira, 18 de março de 2019

Figurão(AUS): Ferrari

Quando a pré-temporada terminou em Barcelona, não tinha quem não apontasse a Ferrari não apenas como favorita à vitória nas primeiras corridas, como com força o suficiente para conquistar o campeonato. Temia-se até mesmo em um domínio ítalo-germânico com Ferrari e Vettel. Porém, quando a temporada começou para valer, toda essa expectativa se transformou em uma grande desilusão. Em nenhum momento a Ferrari se mostrou forte o suficiente para brigar com a Mercedes pelas primeiras posições, tanto que o novato Charles Leclerc sequer ficou com a segunda fila no grid em Melbourne. Esperava-se que em ritmo de corrida houvesse uma maior proximidade. Pura ilusão! Apesar de Vettel ter ficado perto de Hamilton após a única parada deles, o alemão foi perdendo rendimento a ponto da Ferrari pedir a Leclerc não ultrapassar Seb, trazendo à tona as polêmicas ordens de equipe. Porém, se antes a Ferrari mandava seus pilotos encostarem para outro vencer, Vettel recebeu a bandeirada quase um minuto atrás da Mercedes vencedora e longe também do pódio. O circuito urbano de Melbourne é bastante diferente dos demais circuitos do calendário, mas a falta de força da Ferrari na abertura do campeonato chamou bastante atenção a ponto de acionar a sirene vermelha (sem ironias) em Maranello!

domingo, 17 de março de 2019

Metendo a bota na porta

Valtteri Bottas é dos pilotos atuais do grid o mais pressionado. Após um 2018 abaixo da crítica, o finlandês teve seu contrato renovado de forma até discutível pela Mercedes, mas o seu vínculo com os alemães é até o final desse ano. Além do mais, seu provável substituto (Ocon) assiste as corridas ao lado do chefão da Mercedes, Toto Wolff. Se repetir 2018, Bottas está fora. Pois Valtteri fez, nas palavras dele mesmo, a corrida de sua vida hoje. Bottas esteve simplesmente magnífico em Melbourne e pela primeira vez na carreira lidera o campeonato obtendo 100% dos pontos possíveis no final de semana. Um apagado Hamilton ficou com a segunda posição, mas nem mesmo o pentacampeão parecia ser páreo para Bottas e o inglês ainda tirou um coelho da cartola ao segurar um Verstappen com pneus mais novos, depois do holandês superar uma decepcionante Ferrari.

A corrida dessa madrugada não foi um primor de emoção e a nova asa dianteira, simplificada para aumentar as ultrapassagens, ainda não mostrou sua efetividade num circuito historicamente complicado de se ultrapassar. A luta pela liderança foi decidida basicamente na largada, quando Bottas teve mais reflexo do que Hamilton e já emergiu na primeira curva na ponta da corrida. Como Hamilton já demonstrara em várias outras ocasiões, isso poderia ser revertido num ritmo melhor de corrida, mas não foi isso que vimos. Bottas foi constantemente mais rápido do que Lewis, não dando chance alguma de ataque por parte de Hamilton, que parou mais cedo do que o previsto com a mudança de tática da Ferrari, que trouxe Vettel mais cedo aos boxes e a Mercedes acompanhou. Totalmente desnecessário. Por mais que Vettel tivesse bem mais próximo após a parada, o ritmo da Mercedes era claramente superior e Bottas ficou mais de dez voltas na pista andando até mais rápido do que Hamilton. Depois das paradas, a verdade da corrida mostrava Bottas incríveis 25s na frente de Hamilton, que teria trabalho com um Verstappen que parou na mesma janela de Bottas e estava com pneus em melhores condições. A confiança de Bottas era tão grande que ele cismou que queria os 26 pontos, já que a melhor volta da corrida obtida por um piloto no top-10 garantiria um ponto extra. Pois Bottas diminuiu o ritmo nas voltas finais e completou uma volta arrasa quarteirão para ficar com 100% de aproveitamento na corrida inaugural de 2019. Foi de certa forma uma exibição exuberante e ao mesmo tempo surpreendente de Valtteri Bottas. O nórdico fez um ano de 2018 esquecível e nada levava crer que ele iniciasse o ano dessa forma. Resta saber se Bottas terá a consistência necessária para corridas como as de hoje ou o que vimos foi apenas uma exceção.

O que dá para tirar da corrida de hoje é que a Mercedes tem o melhor carro desse início de campeonato, mas nada que não possa ser revertido pelas rivais Red Bull e Ferrari. Mesmo com os pneus desgastados, Hamilton segurou sem maiores problemas Verstappen, que conseguiu o primeiro pódio da Honda na Era Híbrida. No entanto, a Ferrari decepcionou deveras. Após uma pré-temporada fortíssima, a Ferrari sucumbiu na Austrália, com seus carros tomando quase um minuto do vencedor Bottas. Vettel fez uma corrida ainda mais apagada do que Hamilton e só não foi ultrapassado por Leclerc por causa das famosas ordens de equipe ferraristas. Leclerc fez uma corrida de estreia correta na Ferrari, mas já prova que se ele ficar muito quieto, poderá receber outras ordens como a de hoje. Verstappen fez uma bela corrida, ultrapassou Vettel na pista, tentou atacar Hamilton quando as condições lhe permitiam e mesmo errando na curva um, garantiu um pódio muito significante. A Honda ficou com uma fama ruim depois de sua passagem traumática pela McLaren. As reclamações de Alonso para com os propulsores japoneses entraram para o folclore da F1. Dizia-se que a Honda não tinha capacidade de construir um motor forte o bastante para enfrentar Mercedes, Ferrari e Renault. Com uma parceria mais azeitada (até porque o automobilismo não é a principal renda da Red Bull e eles precisam, sim, de investimento externo) com a Red Bull e o desenvolvimento do conceito híbrido, a Honda conseguiu seu primeiro pódio e em nenhum momento pareceu estar a quilômetros de distância do motor Mercedes em termos de velocidade. A única reclamação de falta de velocidade partiu de Gasly, que perseguia uma Toro Rosso com motor... Honda! Por sinal, o francês até foi perdoado por ficar no Q1 no sábado, por erro da Red Bull, mas faltou ao francês um pouco mais de agressividade em sua corrida de recuperação e por isso ficou fora dos pontos em sua estreia.

Mesmo com a promessa de um grande equilíbrio no pelotão intermediário, a diferença entre as equipes top e as médias ainda é muito grande. Kevin Magnussen garantiu um sexto lugar e por pouco não levou uma volta de Bottas. O danês foi o melhor do resto, mas a Haas ainda viveu o fantasma dos pit-stops, quando Grosjean teve problemas na roda dianteira esquerda no momento da parada e acabou perdendo-a voltas depois. Se foi o mesmo problemas, tá bom de se conversar melhor com o trocador de pneus, pois pontos valiosos foram perdidos pela Haas nesse domingo. Depois de Magnussen, veio praticamente um carro de cada equipe intermediária. Hulkenberg (Renault), Raikkonen (Alfa), Stroll (Racing Point) e Kvyat (Toro Rosso) fechando a zona de pontuação. Lando Norris, na McLaren, foi décimo segundo, logo atrás de Gasly. Isso não significa exatamente uma ordem de forças, pois essas seis equipes andaram misturadas a corrida toda, tanto que por muito tempo foi o foco da transmissão da TV. Alguns destaques ficaram para a boa estreia de Stroll, seguindo a tendência do endinheirado canadense ter um ritmo de corrida bem melhor do que classificação, garantindo um ponto logo de cara, além de superar Pérez. Kvyat reestreou com ponto, mas passou boa parte da corrida atrás do novato Albon. Enquanto a McLaren via sua antiga parceira Honda garantir um pódio, Sainz foi o primeiro abandono do dia com o motor Renault quebrado... 

Piloto da casa, Ricciardo teve sua prova destruída nos primeiros metros de prova quando foi espremido por Pérez na largada e ao bater num solavanco na grama, Ricciardo quebrou o bico do seu carro. O australiano ainda salvou um potencial acidente na primeira curva, mas Daniel abandonou pouco após a metade da corrida. Que Ricciardo sofreria em suas primeiras corridas com a Renault, era um fato, mas não era esperado a Renault se tornar a quarta força no ranking de motores da F1. Também ficou provado que a F1 tem três pelotões e o último é ocupado isoladamente pela Williams. Depois de tantos problemas na pré-temporada, a Williams começou 2019 de forma preocupante, com seus dois pilotos destacadamente nas duas últimas posições e sendo os únicos a tomar mais de uma volta do líder. Um início complicado para uma equipe tão gloriosa como a Williams e para um piloto que se esforçou tanto para voltar à F1 como Kubica.

A primeira corrida da temporada mostrou uma Mercedes acima de Red Bull e Ferrari, mas ano passado ocorreu algo parecido e a Ferrari deu a volta por cima. Nunca nos devemos esquecer que Melbourne é um circuito urbano, ou seja, totalmente diferente de boa parte das pistas do calendário. Se Hamilton tivesse vencido, talvez a F1 pudesse esperar outro banho ao longo do ano, mas quem venceu de forma à la Hamilton foi seu companheiro de equipe Bottas. Se Valtteri irá continuar nesse ritmo, é outra história e já é uma nova atração para as próximas corridas. 

sábado, 16 de março de 2019

Ilusões invernais

Quinze anos atrás, no último ano em que as equipes podiam testar praticamente sem limites, Williams-BMW e McLaren-Mercedes dominaram a pré-temporada com direito a recordes quebrados nos circuitos espanhóis. Enquanto isso, a Ferrari testava sozinha na Itália, longe dos olhos mais atentos. Schumacher havia vencido com dificuldades em 2003 e com Williams e McLaren tão fortes, a dúvida seria quem destronaria o alemão da Ferrari do trono em 2004. Veio a primeira corrida em Melbourne e novamente se falou em 'campeão de inverno'. A corrida e a temporada foi dominada de forma inapelável pela Ferrari e Schumacher, desfazendo o sonho de uma temporada disputada quinze anos antes.

Voltando a 2019 e para a mesma cidade australiana, havia a expectativa de que a Ferrari usasse a força mostrada em Barcelona para ser a nova dominadora da F1. A Honda finalmente fez um trabalho decente e a parceria com a Red Bull iniciou-se de forma promissora. Enquanto isso, também em Barcelona, a Mercedes fazia uma pré-temporada burocrática e só acumulando quilometragem. Somente no último dia os prateados entraram no rol dos mais rápidos. Dizia-se até que a Mercedes seria a terceira força de 2019. Melbourne mostrou um quadro totalmente distinto. Lewis Hamilton dominou os treinos como algum tempo não se via. Ferrari e Red Bull tomaram quase 1s dos alemães e pelo menos em ritmo de classificação, a Mercedes está bem superior às rivais, num cenário parecido com 2004.

A primeira classificação da temporada mostrou alguns respostas, até mesmo algumas que não queríamos ver. A Williams pode estar iniciando uma temporada tenebrosa, típica de uma equipe que está prestes a ser vendida ou até mesmo acabar. Se a F1 tem pelotões dentro do seu plantel, a Williams está sozinha como a pior equipe do ano, com ampla desvantagem para o compacto pelotão intermediário. Para piorar, Kubica não está fazendo uma reestreia das mais auspiciosas, tomando muito tempo do novato George Russell. Muitos anos fora e uma situação física complicada pode fazer desse retorno de Kubica à F1 algo que não queríamos ver. Entre as equipes top-3 e a Williams, é o que se pode dizer uma briga de foice no escuro. A diferença entre as equipes ditas intermediárias é bastante pequena e as posições são decididas por centésimos de segundo. O destaque inicial vai para Lando Norris, que colocou a McLaren no Q3, enquanto o já experiente Sainz ficou ainda no Q3, onde ficou o cativo Stroll e a grande decepção do dia. Pierre Gasly até estava num ritmo parecido de Max Verstappen nos treinos livres, mas ficar no Q3 com um Red Bull não pegou nada bem para o francês, que em sua estreia em equipe grande já terá uma corrida de recuperação pela frente.

Enquanto Gasly decepcionava lá atrás, na frente a Mercedes mostrava seu real potencial, com Hamilton garantindo sua 84º pole na carreira, tendo um pouco de trabalho para superar Bottas, muito bem nesse final de semana. Vettel superou Leclerc, que ainda foi superado por Verstappen na última volta voadora do holandês. Se serve de consolo, ano passado Hamilton garantiu a pole com uma volta tão assustadora como a de hoje, iniciando o que se convencionou chamar de 'modo fiesta', mas na corrida e ao longo da temporada não houve esse temido domínio. Resta saber se a Mercedes realmente casou muito bem com Melbourne (já aconteceu isso em 2018) ou se podemos nos preparar para outro domínio avassalador da Mercedes e de Hamilton.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Que pena...

Certas personagens não precisam estar em destaque para ganhar respeito e se tornarem referência. Muitas vezes o espetáculo funciona muito bem devido a muita gente que fica nos bastidores, fazendo acontecer para que as estrelas brilhem no palco principal. Mesmo sem aparecer muito na TV, algumas pessoas acabam se tornando sinônimo de onde trabalham. Assim foi Charlie Whiting. O inglês liderava todo o bastidor para que uma corrida de F1 acontecesse de forma padronizada e sem maiores problemas. Se qualquer coisa acontecesse fora do normal, era só chamar o Charlie, mesmo que dentro do cockpit. Quantas vezes os pilotos clamaram pelo Charlie ao longo dos últimos anos? Whiting é de uma geração mais antiga de personagens na F1, onde mecânicos conseguiam crescer dentro da categoria. Graças a sua competência, Whiting se juntou à Brabham e não foi apenas bicampeão mundial (1981 e 1983), como também chegou à direção da F1 por causa de sua aliança com Bernie Ecclestone desde os tempos de Brabham. Mesmo com Ecclestone tendo saído da F1, Whiting continuava na direção das corridas. Ele que apertava o botão para a largada e normalmente dava as bandeiras quadriculadas. Era nesse momento que Charlie Whiting aparecia na TV, mas ele fazia muito mais. Trabalhou em prol da segurança dos pilotos, seja em aspectos técnicos dos carros ou em melhoria nas pistas, que sempre foram vistoriadas por ele. Whiting se preparava para mais uma temporada de F1, mas uma embolia pulmonar nos privou da competência do inglês bem na véspera do início do primeiro final de semana da F1 em Melbourne. Whiting nunca venceu uma corrida de F1, mas será sempre lembrado como um personagem querido e importante no circo. 

quarta-feira, 13 de março de 2019

2019 à vista

Muita gente no Brasil afirma que o ano só começa depois do carnaval. Mesmo morando no Brasil, para muita gente ligada em automobilismo o ano começo um pouquinho depois, mais especificamente, quando a F1 leva seu circo para a primeira etapa do ano.

Melbourne, já um tradicional local de abertura, vai iniciar a septuagésima temporada da F1 com muito mais ansiedade do que nos outros anos. O motivo é muito simples. Nunca nos últimos anos houveram tantas mudanças entre pilotos de uma temporada para outra. Apenas Mercedes e Haas mantiveram sua dupla de pilotos de 2018 para cá, significando muita gente nova querendo mostrar serviço num ano em que a F1 manteve boa parte do seu regulamento. Algumas mudanças aerodinâmicas na eterna busca de mais ultrapassagens é a diferença de 2018 para 2019 no regulamento técnico dos carros, enquanto a esperada grande mudança que ocorrerá em 2021 não é anunciada.

As duas sessões de pré-temporada em Barcelona mostraram uma Ferrari muito forte, mas com alguns pequenos problemas de confiabilidade, enquanto a Mercedes só mostrou alguma força no último dia, não sem antes ter percorrido milhares de quilômetros sem maiores problemas. Quem escondeu mais o leite, a resposta só será dada a partir desse final de semana, mesmo que a luta entre as duas gigantes será encabeçada por Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Juntando nove títulos entre eles, ainda se espera uma luta mais aberta entre eles, mas até o momento a vantagem de Hamilton em cima de Vettel é grande o suficiente a ponto de levantar dúvidas se o alemão terá condições de bater o já lendário pentacampeão inglês. E se Hamilton tem a certeza que não terá muito fogo amigo vindo de Valtteri Bottas, Vettel terá que se acostumar com uma nova sombra. Se antes o amigo Raikkonen era tão inofensivo quanto Bottas, o jovem Charles Leclerc virá com gosto de sangue na boca para tentar mostrar que a aposta que a Ferrari fez nele é válida. O monegasco será uma das atrações do ano, sem dúvida e Vettel terá que se impor se quiser ainda ser a prima donna da Ferrari.

A Red Bull começou muito bem a parceria com a Honda. O motor japonês fez em 2019 sua pré-temporada mais sossegada desde que retornou à F1 em 2015. Junto com o ótimo carro desenhado pelo mago Adryan Newey, a Honda percorreu muitos quilômetros sem maiores problemas e mostrou até mesmo uma certa velocidade, principalmente nas mãos de Max Verstappen, que ainda procura se firmar como um contendor ao título. Sem dúvida o holandês não terá muito com o que se preocupar com Pierre Gasly. O francês foi guindado à Red Bull de forma um pouco precoce e bateu duas vezes na pré-temporada, já atraindo críticas do severo Helmut Marko. Gasly poderá ser mais um engolido pela máquina de moer pilotos chamado Red Bull. Daniel Ricciardo conseguiu escapar dessa situação e de ser uma espécie de escudeiro de Verstappen na Red Bull, mas a opção do australiano pela Renault ainda levanta dúvidas. Em termos de potencial, a Renault tem tudo para se firmar entre as grandes, mas resta saber quando isso irá acontecer ou se a própria Renault terá paciência para continuar investindo dinheiro no projeto. O time gaulês não mostrou nada demais durante a pré-temporada e Ricciardo pode se juntar à Hulkenberg na luta para ser o melhor do pelotão intermediário.

E essa briga promete muito. Mesmo ainda havendo uma diferença para as três equipes de ponta, algo que foi muito criticado ano passado, o pelotão intermediário terá uma briga apertada entre vários times e cada uma mostrou força em algum momento em Barcelona. A Haas terá o trunfo da continuidade dos seus pilotos e do bom projeto do ano passado. A Racing Point, ex-Force India, terá mais dinheiro para investir, mesmo que tendo que aturar Lance Stroll fazendo besteira para alegria do papai. A McLaren tentará se reinventar com uma dupla de pilotos jovens, enquanto sonha que Lando Norris possa ser um futuro Lewis Hamilton, como em 2007, com a diferença de que a equipe não é mais de ponta. A Toro Rosso mostrou um bom carro, mas pode faltar piloto, enquanto a Alfa Romeo, antiga Sauber, terá um renascido Kimi Raikkonen como mentor de Giovinazzi. Talvez o pelotão mais sem graça seja o último, justamente por ter apenas um. A Williams teve uma pré-temporada vexatória, com atraso na entrega dos carros, erros básicos de projeto, um carro lento e a saída do badalado Paddy Lowe. A esperada volta de Robert Kubica à F1 merecia um carro melhor.

Apesar de muitos indícios aparecerem nos oito dias de testes em Barcelona, as respostas serão realmente dadas a partir desse final de semana. Que comece 2019!