domingo, 22 de abril de 2018

Falso equilíbrio

Para quem olha para a tabela de classificação do Mundial de MotoGP, deve imaginar que a categoria deve estar passando por um incrível momento de equilíbrio e que o empolgante campeonato de 2016 poderá se repetir. Na prática, a história é bem diferente. Desde a pré-temporada era bem claro que o conjunto Márquez/Honda é o melhor da MotoGP atual com alguma folga. No Catar, numa pista pró-Ducati, Márquez quase venceu, ficando logo atrás de Doviziozo. Na Argentina, uma sucessão de problemas fizeram com que Márquez saísse da bacia do Prata zerado. Em Austin, pista favorita de Márquez e num final de semana absolutamente normal, Márquez mostrou quem manda na MotoGP.

A corrida em Austin foi tão óbvia, que a corrida saiu das características da MotoGP e foi bem chatinha. Novamente punido por atrapalhar a volta rápida de Maverick Viñales na classificação, Márquez saiu da quarta para a segunda posição na largada e simplesmente não deu chance para Andrea Iannone, assumindo a ponta rapidamente para não mais perdê-la. Com seu estilo maníaco, Iannone ainda tentou uma investida em cima do espanhol da Honda, mas logo foi respondido à altura. Márquez não viu mais ninguém à sua frente, vencendo a prova com sobras, conquistando sua décima vitória na MotoGP nos Estados Unidos, contando Austin, Indianápolis e Laguna Seca, sendo que na pista texana Márquez venceu pela sexta vez consecutiva. Um retrospecto impressionante na bela, mas empoeirada e ondulada pista de Austin.

A briga pela segunda posição também foi bem breve, com Iannone sendo ultrapassado por Viñales e quando parecia que Rossi poderia fazer o mesmo, o italiano da Yamaha perdeu força. Rossi, que passou os últimos dias trocando farpas com Márquez, ficou fora do pódio, enquanto Iannone comemorava bastante seu pódio em terceiro lugar, o primeiro da Suzuka em muito tempo, bem no final de semana em que o italiano foi duramente criticado por Kevin Schwantz, lenda da Suzuki. Depois da vitória no Catar a Ducati não teve mais ritmo para brigar pela vitória e somente a gana de Doviziozo para o italiano tirar o quinto lugar de Zarco e garantir a liderança do campeonato por um ponto em cima de Márquez, mas todos dentro da Ducati sabem que essa liderança é puramente ilusória e que Márquez não demorará a tomar a ponta do campeonato. A Ducati terá que melhorar bastante se quiser estar na briga pelo título, enquanto Lorenzo continua decepcionando em outra corrida esquecível do espanhol, ficando fora do top-10 e atrás de outras motos da Ducati satélite. Com a mão avariada pelo com Zarco na Argentina, Pedrosa foi o herói do dia ao terminar em sétimo.

Após todo o caos na Argentina, a etapa em Austin foi tão calma que foi chata. Márquez poderá tomar a ponta do campeonato a qualquer momento e ninguém, no momento, parece ter muito o que fazer para impedir outro título do espanhol da Honda.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A F1 sempre foi boa?

O texto abaixo foi escrito de forma brilhante por Elizabeth Werh e foi traduzido de forma livre por mim.

Eis o link: https://jalopnik.com/has-formula-one-ever-actually-been-good-1825176302?utm_campaign=socialflow_jalopnik_facebook&utm_source=jalopnik_facebook&utm_medium=socialflow

Há boas chances de você, ao sintonizar uma corrida de F1 ou ler um artigo, se ouvirá alguém lamentando que a F1 não é tão boa como antes. Os bons tempos eram outros. As décadas de 1980 e 1990 foram o ápice da F1 e desde então a categoria entrou em uma espiral descendente. Quaisquer sugestões sobre como melhorar o esporte está em voltar ao passado. 

Mas alguém pode realmente dizer com autoridade que a Fórmula 1 já foi realmente boa?

Eu perguntei isso no Twitter no domingo passado, em parte apenas para provocar, mas as respostas que eu recebi me fizeram pensar. O que realmente torna uma categoria boa, e a F1 já conheceu esse patamar?

Todos tinham respostas diferentes, algo que eu esperava. Mas isso me fez querer mergulhar no controle de qualidade, para ver se eu poderia analisar por que a F1 está sujeita a tantas críticas e se há alguma maneira de torná-la “boa”.

Bom é um termo incrivelmente relativo. Eu acho que Black metal uma boa música, mas eu imagino que a maioria das pessoas não consideram isso boa música. Seu "bom" e meu "bom" provavelmente são incrivelmente diferentes quando se trata de Fórmula 1 - e isso é legal. Há algo realmente interessante sobre como as pessoas se relacionam com esse esporte de maneiras diferentes. Mas isso torna o “bom” mais difícil de definir.

Eu acho que isso se resume a nostalgia. Há toneladas de pesquisas sobre a psicologia da nostalgia. Nostalgia: Neuropsychiatric Understanding é um estudo de Alan R. Hirsch que a nostalgia é “um anseio por uma impressão desinfetada do passado”, onde você tem um monte de impressões sensoriais e filtra todas as coisas negativas. Isso cria a ideia de que o passado era o ideal ao qual você nunca poderá voltar, o que o faz desejar ainda mais ter essa sensação. 

Isso ajuda a entender porque a F1 não é tão boa quanto costumava ser. Não, a F1 não vai ser tão empolgante quanto era quando você era criança, porque seu cérebro se lembra daquele tempo antes de você ter responsabilidades, uma família e um emprego e diz: “foi a melhor época da minha vida e tudo foi bom, incluindo as corridas que eu assistia nas manhãs de domingo.”

É por isso que muitos dos antigos comentaristas F1 continuam pressionando por motores barulhentos, sem halos e menos regulamentações. Não foi "assim" quando eles viram a F1 pela primeira vez, mas eles estavam felizes quando estavam na F1 daquela vez. Claro que sim, eu gostaria de voltar a 1984 se essa fosse a minha primeira temporada dirigindo um carro de F1; meu cérebro iria construí-lo para lembrar que tudo foi incrível.

Há definitivamente algo a dizer sobre a qualidade da corrida nos últimos anos. Muitas pessoas marcam 2012 como a última vez que ficaram realmente felizes com a F1. Mas também acho falso dizer que o caminho a seguir é começar a voltar.

Estamos neste momento por um motivo. A F1 pode não ser o sonho de qualquer fã de corrida ultimamente, mas a F1 é um esporte projetado para impulsionar a evolução técnica. Eu cresci fascinada pela F1 de 1970, mas tenho certeza de muitos pilotos morreram em sua busca pela glória. Os anos 80 foram empolgantes, mas muitas corridas foram determinadas por abandonon por quebra mecânica que nos leva a especular sobre o que teria acontecido se um piloto não tivesse feito o DNF naquela corrida e depois ganhasse um campeonato.

Segurança e confiabilidade são progressos. Carros avançados e o ar de glamour e prestígio sempre acompanharam a F1. Por mais que continuemos ansiando pelos 'bons tempos', é quase impossível voltar para lá. Lamento dizer, mas a F1 não pode ser o que era quando James Hunt era um superstar. Devemos estar evoluindo, não involuindo.

Parte do motivo de nossas memórias são tão boas é porque ninguém estava nos dizendo ativamente o quão ruim era cada corrida. O século 21 é de niilismo pessimista, graças à prevalência de idéias a que somos expostos. Todas as decisões tomadas pelos dirigentes da F1 atingem as mídias sociais em segundos - e alguns segundos depois vem a reação negativa. Nós não esperamos ver como uma mudança acontecerá porque é uma mudança e por isso já é ruim. É legal que possamos ter uma opinião, mas em que ponto isso se torna prejudicial?

A F1 não vai progredir se qualquer tentativa de progresso for deixada de lado porque "assimcostumava ser melhor". Tem sido interessante observar as diferentes abordagens da F1 quando comparadas a categorias como, digamos, a Fórmula E. A F-E adota um tom esperançoso: pilotos, equipes, jornalistas e especialistas explicam o progresso e as melhorias. Não há precedentes, então somos capazes de criar narrativas de esperança, de ver o que acontece, de como isso vai ser...bom!

Na F1 é o oposto. Nada na categoria é bom. As corridas são ruins, os pilotos são chatos, as equipes reclamam e os jornalistas não têm nada de bom para dizer. É difícil manter a positividade ou ter esperanças para o futuro, quando todos dizem que é uma droga. Eu assisto uma corrida da IndyCar esperando estar satisfeita, mesmo que seja uma corrida ruim ou que meu piloto favorito perca miseravelmente, porque eu sei que vai ser um bom momento no geral. Entro numa corrida de Fórmula 1 pronta para ficar entediada, desapontada e irritada.

E se olharmos para o último fim de semana, as corridas nem sempre atendem a essas expectativas. A corrida em Phoenix foi terrivelmente chata. Era tarde, nada estava acontecendo e eu estava rezando para que eu acabasse e ir para a cama. O Grande Prêmio do Bahrain 2018 foi... emocionante! Foi divertido! Eu fiquei vidrada até o final esperando para ver se os pneus de Sebastian Vettel resistiriam, se nós veríamos uma Toro Rosso no pódio. Eu tinha planejado sair no meio da corrida e acabei ficando para assistir ao pódio.

A cobertura pós-corrida, no entanto, foi bem diferente. A F1 concentrou-se em várias histórias negativas, ou seja, Hamilton xingando Verstappen ou a atitude insolente de Kimi Raikkonen. A IndyCar falou como foi a corrida e começou a deixar todo mundo feliz porque, sim, não foi uma grande corrida, mas Long Beach é a próxima!

Eu estava animada para acordar para ver o Grande Prêmio da China assim que o Bahrein terminasse. Agora, eu estou esperando assistir a corrida como um trabalho, porque meu prazer pós-corrida foi anulado por várias pessoas que não estavam felizes com o que recebemos.

Então a F1 já foi boa? Talvez sim, talvez não. Nossas memórias do que a F1 costumava ser são tingidas com uma nostalgia que faz com que ela pareça intocável, mas eu não quero tirar de suas memórias de infância dizendo que você tem que ser completamente pessimista. Na verdade, acho que esse é o problema.

Nós não temos que dar crédito à F1 onde não é devido. Existem algumas corridas ruins e algumas decisões estúpidas e não há nada errado em apontar isso. Às vezes, as corridas antigas são melhores. Mas, em vez de decidir que não vamos gostar literalmente de nada da Fórmula 1, talvez seja hora de começarmos a nos divertir assistindo. Nem sempre temos que ser críticos; às vezes podemos ser apenas torcedores também.

O texto foi escrito antes do belíssimo Grande Prêmio da China e não sei se Elizabeth assistiu a corrida com prazer, mas deve ter gostado do que viu.

Um dos meus hobbies favoritos é ler revistas antigas e assistir corridas dos anos 1980 e 1990, tanto da F1 como da Indy. Devemos muito respeitar as corridas antigas, mas também ter a cabeça aberta que haviam também naquela época corridas chatas, ganhas mais pela eficiência do carro do que pelo talento do piloto e havia muita reclamação daqueles decantados 'bons tempos' também.

Um ano que sempre uso como referência é 1993. Me recordo muito bem que vinte e cinco anos atrás se reclamava que a F1 tinha corridas ruins, que o carro (Williams) estava superando o piloto (Senna) e a que a F1 estava... chata! Hoje, quando lembramos de 1993 as primeiras imagens que vem à mente é que foi uma temporada grandiosa, com belas disputas, corridas emocionantes e com shows de pilotagem em todas corridas do ano. Mas para quem acompanhou a F1 naquele ano, sabe que não é verdade.

Não era raro corridas sendo ganhas com apenas dois ou três pilotos na mesma volta, com apenas oito carros cruzando a linha de chegada ou com poucas disputas na liderança. Como o texto falou, não se pode involuir. Até porque nos anos 1980 e 1990, usava-se de mais avançado na indústria automobilística que havia a disposição na época, do mesmo modo de agora. E haviam reclamações também!

Começo a perceber que o torcedor de F1 é pior que o de futebol. Quando o Ceará venceu o Campeonato Cearense de forma épica, todos se emocionaram e criaram-se heróis. Uma semana depois, após perder um jogo de série A fora de casa contra um time grande (Santos), esses mesmos heróis eram execrados e contratações são exigidas. Se ganharmos domingo do São Paulo, tudo volta às boas para todo mundo no Ceará. Na F1 não. Se a corrida for ruim, a F1 está chata. Se a corrida for boa, a F1 não é como antigamente. Como se antigamente não houvessem corridas ruins...

A expressão 'bons tempos' na F1 está destruindo a categoria pelos próprios fãs. Bons tempos tem que ser os atuais, não os que não voltam mais. Devemos admirar e cultuar o passado, mas sem deixar de curtir o presente! A F1 está espetacular como sempre foi.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Figura(CHN): Daniel Ricciardo

Não podia ser outro! Daniel Ricciardo viveu os extremos, para o bem e para o mau, que um piloto pode sofrer num final de semana. Ao final do terceiro treino livre o motor Renault explodiu no carro de Daniel e a Red Bull teria pouco mais do que duas horas para trocar o motor e evitar que o australiano largasse na última fila no domingo. Num esforço hercúleo, Ricciardo entrou na pista no finalzinho do Q1 e conseguiu se classificar na posição correspondente ao seu carro no final das contas. As expectativas para a corrida, porém, não era muito animadoras, pois Ferrari e Mercedes estavam bem na frente em ritmo de classificação e apesar de estar mais próxima em ritmo de corrida, a Red Bull estava longe de ser favorita na corrida. Porém, o imponderável as vezes aparece nas corridas e um safety-car mudou toda a corrida e a Red Bull mudou sua estratégia de forma formidável, dando aos seus dois pilotos uma chance de vencer a corrida até mesmo com sobras. Com pneus mais macios e novos do que as duplas de Ferrari e Mercedes, bastava aos pilotos da Red Bull paciência até assumir a ponta da corrida. Algo que sobrou em Ricciardo e faltou em Verstappen. A primeira vítima de Ricciardo foi o próprio companheiro de equipe por falta de estratégia de corrida de Max. Daniel Ricciardo provou que além de rápido, sabe uma efetuar uma bela estratégia de corrida e ultrapassar com decisão, não esperando as facilidades do DRS. As ultrapassagens de Ricciardo em cima das Mercedes, em especial que lhe valeu a liderança em cima de Bottas mostram um piloto maduro e pronto para voos ainda maiores, onde soube sair de situações ruins para aproveitar muito bem a chance que teve.

Figurão(CHN): Max Verstappen

É impressionante a forma como Max Verstappen flutua entre a parte de cima e de baixo dessa coluna pós-corridas de F1 ao longo dos últimos três anos. O enorme talento do holandês é bastante proporcional à sua imaturidade, da mesma forma que sua velocidade está no mesmo nível de sua arrogância. Verstappen é capaz de corridas magistrais como a de Interlagos ano passado e a atabalhoada prova de ontem, em Xangai, quando o holandês jogou fora uma vitória que estava em suas mãos por culpa unicamente dele. Quando o safety-car apareceu e a Red Bull foi rápida no gatilho em trazer seus dois pilotos e colocar pneus macios novos, Verstappen estava na frente de Ricciardo, que mais tarde faria uma corrida belíssima rumo à vitória. Com os pneus apropriados, os pilotos da Red Bull tinham tudo para atropelar a concorrência. Bastava ter paciência. Algo que sobrou à Ricciardo. E faltou à Verstappen. O primeiro dos pilotos que Daniel ultrapassou foi justamente seu companheiro de equipe, quando Verstappen tentou uma ultrapassagem arriscada sobre Hamilton, numa curva rápida e por fora. Max acabou fora da pista. Enquanto Ricciardo encantava com suas ultrapassagens ao mesmo tempo agressivas e certeiras, Max ainda teve tempo para aprontar mais uma, quando acertou a lateral de Vettel em outra tentativa de ultrapassagem frustrada, fazendo-o rodar, além de provocar uma merecida punição ao piloto holandês. Foi uma sucessão de erros que já começam a obscurecer o talento de Max. Até mesmo a Red Bull, rápida em proteger Max das críticas pela sua impetuosidade, ficou irritada com os preciosos pontos desperdiçados pelo holandês. Apesar de ter apenas 20 anos, já não se pode chamar Verstappen de um piloto inexperiente e a impressão que fica é que o holandês não aceita seus erros, talvez encorajado pelo seu atrapalhado e super-protetor pai, Jos. Mesmo com todo o seu potencial e talento, Max Verstappen precisa se controlar, como falou muito bem a Red Bull na avaliação do seu piloto pós-corrida. Porém, não duvido nada que o jovem neerlandês apareça na parte de cima dessa coluna na próxima corrida em Baku...

domingo, 15 de abril de 2018

Pintando o favorito

Foram dois terceiros lugares nas duas primeiras corridas da temporada, seguido por um final de semana próximo do perfeito, culminando com a vitória na tradicional corrida em Long Beach. Até o momento, Alexander Rossi não tem do que reclamar de 2018. O piloto da Andretti esteve sempre entre os mais rápidos desde os treinos livres, fez a pole com requintes de crueldade (fez apenas uma volta nos últimos segundos no Fast Six) e na corrida dominou como bem quis, já se apresentando como um dos favoritos para essa temporada.

Long Beach é umas das corridas mais tradicionais no mundo e por isso é uma das mais esperadas do calendário da Indy. As ruas apertadas, o hairpin e a longa reta pela Shoreline Drive transpira tradição numa corrida que já tem mais de quarenta anos, se contar os tempos de F1. E foi vindo da F1 que Rossi começa a mostrar suas garras na Indy. Após vencer de forma circunstancial as 500 Milhas de Indianápolis de 2016, Rossi fechou por mais uma temporada na Andretti e aos poucos vai mostrando todo o seu talento, que foi ignorado pela F1. O jovem americano da Andretti já vinha fazendo por merecer uma vitória esse ano, mas Rossi pareceu esperar para fazer mais do que vencer. Ele dominou todo o final de semana em Long Beach.

Como não poderia deixar de ser na pista de rua californiana, ocorreram alguns acidentes e confusões, começando logo na largada, quando Simon Pagenaud foi atingido por trás de forma estabanada por Graham Rahal, que foi punido, mas ainda se recuperou para terminar em quinto. Rossi tinha uma companhia pesada durante toda a corrida. Atrás dele vinha o sempre perigoso Scott Dixon, o experiente Sebastien Bourdais e Will Power. Após anos dominando a Indy, a Penske sentiu os efeitos com o novo carro e nem longe faz trios ou quadras na ponta dos grids desse ano. Com Pagenaud fora logo no início, coube à Power ser o representante único da Penske na briga pela vitória, já que Pagenaud fazia uma corrida irreconhecível. Mesmo com toda essa companhia, Rossi dominou a primeira metade da prova, chegando a abrir 9s para os rivais.

Por sinal, a Bandsports fez o favor de transmitir uma final de tênis de um torneio de quarta linha com dois tenistas de qualidade para lá de duvidosa durante a primeira metade da prova e para quem quisesse assistir a corrida, teve que apelar para o Youtube. Vai bem a cobertura da Indy pela Band...

Uma bandeira amarela como sempre tumultuou as coisas e nos trouxe a manobra do final de semana, com Bourdais fazendo uma ultrapassagem tripla, em cima de Dixon e do retardatário Matheus Leist. Pena que o francês cruzou uma linha azul, teve que devolver a posição para ultrapassar novamente Dixon na mesma curva. Porém, eles não seriam os principais rivais de Rossi pela vitória. Em outra bandeira amarela, Bourdais e Dixon entraram nos pits na hora errada e ambos perderam muito tempo nesse processo. Tendo feito sua última parada um pouco antes da amarela, Power assumiu a segunda posição e perseguiu de perto Rossi, mas o americano da Andretti não sentiu a pressão e venceu pela terceira vez na Indy.

Ao sair do carro, percebeu-se logo que Alexander Rossi é totalmente diferente de Josef Newgarden. Tímido e sem muitos sorrisos, Rossi comemorou com Michael Andretti discretamente, mas os dois americanos tendem a ser o futuro da Indy, cada um ao seu estilo, mas ambos mostrando muito talento. E quem ganha com isso é a Indy e para quem acompanha a categoria. Isso se a Band deixar...

Aos imediatistas

Após a primeira corrida desta temporada, não faltou quem achasse que a F1 tinha acabado e que 2018 seria uma chatice do começo ao fim. Nessa era atual onde tudo é imediato, houve até reunião da FIA com as equipes para que as corridas melhorassem. Passou quinze dias e vieram as provas no Bahrein e na China. A pergunta agora é: a F1 está chata? Com uma corrida como a dessa madrugada é até difícil não se empolgar, mas muita gente terá que engolir as críticas e quem deixou de ver as duas últimas provas por causa de Melboune perdeu duas grandes provas, com destaque para a metade final da corrida em Xangai, onde três equipes estiveram envolvidas em disputas de tirar o fôlego até a bandeirada. Claro que daqui a quinze dias Baku pode nos trazer uma corrida ruim, como normalmente acontece, mas corridas boas e ruins acontecessem desde que a F1 é F1 e Daniel Ricciardo sorrindo e se emocionando no alto do pódio nos mostra que grande esporte é esse.

A corrida pode ser muito bem dividida em duas. Antes e depois do safety-car forçado pelo toque entre os dois carros da Toro Rosso. Até então, a corrida era tática como havia acontecido semana passada no Bahrein. Após uma largada com mudanças importantes entre os seis primeiros, a corrida estava estática com Vettel na ponta e abrindo vantagem sobre Bottas, que tinha Verstappen numa boa distância. Após o holandês, vinham Hamilton e Ricciardo. A primeira rodada de paradas viu a Ferrari demorar demais para chamar Vettel e o alemão acabou atrás de Bottas, mas bem próximo do carro da Mercedes. As perguntas começaram a pipocar enquanto Vettel atacava Bottas. Assim como em Sakhir, que tem um asfalto bem abrasivo, só haveria uma única parada para os líderes em Xangai? Ao retardar a sua parada, que seria única, Raikkonen teria a vantagem no final? Tudo isso foi pro vinagre quando Pierre Gasly, com pneus macios, tentou uma ultrapassagem para lá de otimista e posteriormente punida de forma correta em cima do seu companheiro de equipe Brendon Hartley, com pneus médios. A sujeira no local, na minha opinião passível apenas para um safety-car virtual, trouxe o safety-car real e a corrida virou pelo avesso pela estratégia da Red Bull.

Quando Bottas e Vettel entraram na reta dos boxes, deram de cara com o safety-car e, portanto, sem tempo de reação. A Red Bull foi mais rápida no gatilho e trouxe seus dois pilotos para colocarem pneus macios novos para o último terço da prova, algo que a Mercedes vacilou feio com Hamilton, que vinha logo atrás de Verstappen e permaneceu na pista com os mesmos pneus. O inglês reclamou com razão. A relargada deu início a uma corrida de tirar o fôlego, com os dois carros da Red Bull partindo para cima de Ferrari e Mercedes com a ferocidade juvenil dos seus pilotos, com a diferença de que Ricciardo tem mais senso estratégico do que seu companheiro de equipe. Somente os hormônios em ebulição podem explicar as tentativas de ultrapassagem que Verstappen tentou em cima de Hamilton e Vettel quando tinha o carro mais rápido do pelotão e praticamente entregou a vitória de bandeja para Ricciardo. Vindo na frente do australiano, Max tentou uma ultrapassagem por fora em cima de Hamilton numa curva rápida e acabou fora da pista, sendo ultrapassado por Ricciardo no processo. Depois tocou em Vettel numa tentativa bem parecida com a de Gasly que acabou rendendo uma punição para o holandês, mas que acabou sendo branda pelo conjunto da obra de Verstappen. O filho de Jos viveu um dia como o do seu pai. Já Ricciardo teve uma corrida inesquecível, onde conseguiu ultrapassagens bem calculadas em cima de Hamilton, Vettel e Bottas rumo a uma vitória que parecia impossível no final do terceiro treino livre, quando o motor Renault explodiu e a Red Bull efetuou a troca no limite do tempo para Daniel participar da classificação. Com a melhor volta no final, Ricciardo mostrou a todos que a Red Bull acertou em cheio ao trocar seus pneus durante o safety-car, em outra grande sacada estratégica que acabou rendendo a vitória, de forma enfática, para os austríacos.

Bottas era o favorito a vitória antes do safety-car, mas acabou em segundo e tendo que segurar Raikkonen com o pneu traseiro direito com uma bolha desde a metade da prova. O finlandês dificultou o que pôde para Ricciardo, mas a manobra do australiano foi boa demais para que Valtteri pudesse fazer algo. Méritos para o finlandês segurar o seu compatriota melhor calçado no final, além de estar encostado em Hamilton no Mundial de Pilotos. Hamilton teve a sua corrida mais apagada em anos, onde não brigou pela vitória em nenhum momento, mas sua reclamação sobre a estratégia da Mercedes era totalmente procedente, pois se estivesse com os mesmos pneus da Red Bull, provavelmente estaria na briga pela vitória. Raikkonen retardou sua parada ao máximo, participou da briga entre Bottas e Vettel, mas o veterano finlandês novamente mostrou passividade quando precisou atacar Bottas no final, quando era nítido que tinha mais carro que o compatriota. Por essas e outras que muito se fala que Kimi será dispensado no final desse ano e seu substituto seria justamente Ricciardo, cujo sobrenome italiano e seu jeito latino de ser ajuda bastante. Vettel fazia uma corrida controlada, onde marcaria mais pontos do que Hamilton até ser acertado por Verstappen e ter sua corrida totalmente estragada, ainda tendo tempo de levar uma ultrapassagem daquelas de Alonso na antepenúltima volta. Depois da corrida Sebastian foi procurado por Verstappen e as desculpas foram aceitas de boa, mas o prejuízo foi grande no campeonato, apesar de Vettel permanecer na liderança.

Nico Hulkenberg foi o melhor do resto e demonstrando a evolução da Renault o alemão acabou superando Vettel quando este foi tocado por Verstappen e segurou muito bem as investidas do piloto da Ferrari e amigo. Quando Carlos Sainz foi contratado, era esperado que Hulkenberg pudesse ser superado pelo jovem espanhol, mas Hulk saiu da zona de conforto onde estava quando corria ao lado de Jolyon Palmer e melhorou bastante, sendo um dos destaques do pelotão intermediário, que ainda vê Alonso muito bem em ritmo de corrida. Após uma classificação decepcionante, o espanhol se esmerou na corrida e ainda efetuou uma bela ultrapassagem sobre Vettel no finalzinho da prova. Detalhe: com o mesmo tipo de pneu. Magnussen perdeu tempo após a relargada e fechou a zona de pontos, enquanto Grosjean caiu para as últimas posições em outra corrida muito ruim do francês, principalmente em comparação ao companheiro de equipe. A Force India ficou de fora da zona de pontos, mesmo com Pérez tendo largado em sétimo, mas o mexicano largou muito mal e ficou brigando o tempo inteiro com o seu companheiro de equipe (sempre um perigo) e com os demais representantes do pelotão intermediário. A ruindade do carro da Williams se reflete na boa largada de Stroll e o canadense sendo ultrapassado seguidamente logo depois, demonstrando a falta de ritmo da Williams em ficar perto até mesmo de pontuar. O conto de fadas da Toro Rosso chegou ao fim numa corrida muito ruim e o toque entre seus dois pilotos ocorreu no momento em que Hartley (único abandono do dia) e Gasly brigavam pelas últimas posições, ocupadas pela Sauber, como no ano passado.

A corrida desta madrugada mostrou que o ritmo entre as três equipes top, principalmente na corrida, está muito parecido. Muito provavelmente a Red Bull não ganharia se não tivesse tirado o coelho da cartola na estratégia, mas os carros azuis estavam misturados com Mercedes e Ferrari antes da entrada do safety-car. Ricciardo mostrou também que ele é muito mais do que um rosto sorridente no paddock. O australiano não poder ter o mesmo talento de Verstappen, mas além de velocidade, um piloto também precisa ter noções táticas e saber o momento de atacar, algo que sobra para Ricciardo e falta para Verstappen, que poderia estar no pódio ou até mesmo vencendo se não fossem seus erros. A F1 volta à Europa fortalecida por duas belas corridas, sendo a segunda metade em Xangai espetacular. Da mesma forma como não devemos nos empolgar com a prova de hoje, não podemos entre em depressão com a próxima corrida morna. A F1 está chata? Não, está espetacular como sempre foi!

sábado, 14 de abril de 2018

Mundo vermelho

No momento em que o mundo respira apreensivo pelo momento de beligerância no Oriente Médio, um dos players mundiais, a China, que ainda se considera comunista, viu a Ferrari demonstrar muita força na classificação de hoje e dar um belo passo na briga particular com a Mercedes.

O treino de hoje mostrou que a Red Bull ainda está um degrau atrás de Ferrari e Mercedes, ficando isolada como terceira força, assim como aconteceu em boa parte da temporada passada. Além do mais, a Red Bull já se vê assolada pelos temidos problemas de confiabilidade do motor Renault, que quase custou uma boa posição à Daniel Ricciardo. O australiano conseguiu um tempo no Q1 de forma extrema, muito pelo belo trabalho dos mecânicos da Red Bull. Na parte de trás, a Sauber retornou à última fila, com a Williams logo à frente. Começa a chamar a atenção Sergey Sirotkin superando Lance Stroll de forma constante e com alguma distância. Não que o russo seja um ótimo piloto, mas indica que a pressa em colocar Stroll na F1 começa a virar contra o jovem canadense. Mesmo com tantos simuladores, a cancha ainda faz a diferença para um piloto de F1.

Após o resultado de sonho no Bahrein, a Toro Rosso viu Pierre Gasly ficar pelo caminho no Q1 e Hartley ficar em último no Q2. Um pouco mais à frente, uma briga enorme se desenha no pelotão intermediário envolvendo Haas, Renault, Force India e McLaren, esta, um pouco mais atrás em ritmo de classificação. Para quem esperava brigar com a Red Bull, a McLaren começa a decepcionar ficando fora do Q3 com os dois carros. A luta entre essas quatro equipes tá muito embolada e hoje quem se deu melhor foi Hulkenberg, da Renault. Já na luta pela pole, a Ferrari se mostrou bem mais rápida em todo o momento, mas quem liderava era sempre Raikkonen, porém, no famoso 'pega pra capa', Vettel foi lá e superou seu companheiro de equipe por menos de um décimo e com direito a recorde da pista quebrado. Novamente Bottas superou Hamilton e o inglês não saiu na foto dos três primeiros pela segunda corrida consecutiva, algo bem raro de se ver nos últimos tempos, assim como o tempo que a Mercedes levou da Ferrari, superior a meio segundo. Muita coisa, sem sombra de dúvida.

No entanto, fatores podem mudar esse mundo vermelho. A Mercedes assombrou a F1 na classificação de Melbourne e foi superada na corrida. As duas equipes largarão com pneus macios amanhã e a Mercedes foi mais rápida com esse tipo de borracha, o que pode indicar um ritmo de corrida melhor, mesmo com a Ferrari melhor posicionada. E por fim, há o clima. O tempo frio e nublado muda muitos os sensíveis carros de F1, além da chuva poder se fazer presente. Há equilíbrio e a briga pela vitória tende a ser quente amanhã.