quarta-feira, 8 de julho de 2020

Alonso In

Quando perdeu Daniel Ricciardo de forma não muito amistosa, a Renault precisava de uma resposta. Sempre sofrendo ameaças por parte da cúpula da montadora, a equipe Renault estava na berlinda, principalmente com a falta de resultados, sem contar a crise financeira pelo qual a Renault está sofrendo no momento. Querendo voltar a um passado glorioso, a Renault fez uma aposta arriscada para ambos os lados. Fernando Alonso está de volta à F1 e a Renault.

Ninguém jamais negará o talento de Fernando Alonso, talvez um Carlos Reutemann melhorado, pois ao contrário do argentino não apenas é um melhor piloto, como ao menos conquistou títulos. Da mesma forma, a personalidade complicada de Alonso o fez sair de Ferrari e McLaren (duas vezes) de forma tumultuada, deixando cicatrizes em ambas e foi fato que ambas melhoraram quando Alonso saiu. Mesmo considerado um dos gigantes da F1, Alonso conquistou seu último título pela última vez há catorze anos e o espanhol está desesperado por um novo triunfo, não se importando em mudar de equipe e exigir tudo delas. McLaren e Ferrari que o digam. Mas o que esperar da Renault? O time sofre com resultados medianos há anos e mesmo considerada uma equipe de fábrica, não faz por onde ter esse status.

Cyril Abiteboul tem uma gestão questionável à frente da Renault e a vinda de Alonso tem um claro apelo de mídia. Quando for reestrear em 2021, Alonso estará prestes a completar 40 anos e não deverá querer esperar muito para ser competitivo. Ou seja, conseguir resultados que a Renault de Abiteboul ainda não entregou. Porém, Alonso será um grande chamariz para a F1 e seu talento poderá fazer diferença numa equipe que sofre com uma crise não apenas financeira, mas também de liderança. Resta saber se Alonso poderá ser a solução. Pena que essa notícia deverá significar a saída de outro campeão da F1. Com a vaga da Renault preenchida e fazendo corridas medíocres, será difícil ver Vettel numa equipe boa em 2021.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Figura(AUT): Lando Norris

Quando recebeu a bandeirada, Norris não sabia se tinha feito o suficiente para ir ao pódio. Minutos antes fora anunciado uma punição de 5s para Lewis Hamilton, que aumentou seu ritmo nos últimos giros da prova para tentar abrir os 5s para Norris e se manter no pódio. Avisado pela McLaren, Lando Norris também aumentou seu ritmo e numa última volta alucinante marcou não apenas a volta mais rápida da corrida, como garantiu o seu primeiro pódio na F1. Foi um prêmio a um piloto muito talentoso, que deu azar de entrar num dos momentos mais críticos da McLaren, mesmo com a evolução da escuderia no últimos dezoito meses. Norris teve que lutar muito pelo seu lugar no pódio. Mesmo largando em terceiro, Lando não teve um bom início de corrida, mas se manteve sempre entre os seis primeiros. Com os abandonos dos carros da Red Bull e a punição para Hamilton, Norris tinha uma boa chance de subir ao pódio no final da corrida, mas antes teria que segurar o ímpeto do seu companheiro de equipe Sainz e depois partir para cima de um sempre osso duro de roer Sergio Pérez. Andando no limite, Norris segurou Sainz e ultrapassou de forma agressiva Pérez, partindo para uma última volta espetacular que lhe garantiu o pódio por menos de dois décimos. Um belo prêmio para um piloto muito bom e carismático!

Figurão(AUT): Sebastian Vettel

Não dá para negar que a Ferrari não terá um 2020 fácil pelo o que demonstrou no primeiro final de semana da temporada, mas um piloto motivado ainda pode fazer um algo mais e conseguir um resultado acima do baixo potencial do carro. Andando com a faca nos dentes e se aproveitando dos problemas alheios, Leclerc conseguiu um miraculoso segundo lugar em Spielberg. Já Vettel... Foi uma corrida abaixo da crítica do alemão, que na maior parte dos treinos andou atrás de Leclerc, mas a corrida foi uma verdadeira decepção para Seb. Após uma largada convencional, Vettel passou muito tempo atrás de um problemático Stroll, só deixando o canadense para trás quando o abandono do piloto da Racing Point era iminente. Numa das relargadas, Vettel se viu atrás da McLaren de Carlos Sainz, piloto que o irá substituir em 2021, e talvez querendo mostrar serviço frente ao seu substituto, Vettel tentou uma ultrapassagem para lá de otimista em cima do espanhol, que acabou lhe causando uma rodada, o mandando para o final do pelotão. Tendo em mãos um carro com baixa velocidade em reta, Vettel teve dificuldades em escalar o pelotão, terminando em penúltimo lugar, só conseguindo um ponto apenas pelos abandonos alheios. Um final de corrida triste para um tetracampeão que dominou a F1 dez anos atrás, mas se vê engolido pela política da Ferrari e pelo talento de Leclerc. Sem conseguir performances decentes, será difícil para Vettel conseguir um cockpit competitivo para 2021, só restando ao alemão uma aposentadoria pelas portas dos fundos, se tiver outras atuações como a de domingo. 

domingo, 5 de julho de 2020

Novo normal?

Quando a largada foi dada depois de mais de 200 dias desde a última corrida de F1 nesse domingo na Áustria, a expectativa não era das mais altas, com a Mercedes decididamente mais rápida do que todas as rivais, num circuito pequeno e que representou derrota para os tedescos nos últimos dois anos. Resumidamente, a Mercedes sobrou. No apagar das luzes vermelhas, Bottas disparou na frente e não tendo Lewis Hamilton ao seu lado por causa de uma punição tardia, venceu a corrida de ponta a ponta. Corrida chata? Muito pelo contrário! Esse retorno da F1 nos entregou uma ótima corrida, cheio de disputas, polêmicas e surpresas.

O Grande Prêmio da Áustria nos mostrou um 'novo normal' (expressão da moda), onde por muito pouco é motivo de entrada do Safety Car e juntar o pelotão. Hoje foram três entradas do SC em situações onde ano passado causava no máximo o Safety Car Virtual. A desculpa foi o quadro reduzido de pessoas que trabalham ao lado da pista, mas ainda assim hoje houve um nítido exagero. Talvez uma forma de trazer emoção de forma fictícia? A punição tardia de Lewis Hamilton, minutos antes da largada, aumenta essa suspeita. Assistindo à classificação ao vivo ontem, foi nítido que Hamilton não tirou o pé quando Bottas, que estava logo à sua frente, saiu da pista e o inglês marcou seu melhor tempo do Q3. O motivo da perca de três posições do inglês ter saído de forma tão tardia não deixa de ser um mistério, mesmo que olhando para um regulamento que não é novo, seja justa. Largando sem Hamilton, Bottas disparou na ponta após a largada e quando completou a primeira volta já tinha 2.5s de vantagem para Verstappen, dando uma pequena amostra da diferença brutal da Mercedes para as demais. Quando Max quebrou e Hamilton completou a dobradinha mercediana, o terceiro colocado Albon rapidamente ficou 16s atrás da dupla, com Hamilton partindo para o ataque em cima de Bottas. Punido, Hamilton queria vencer hoje e assim colocar Bottas em seu devido lugar, mas o forte calor em Spielberg (ou Zeltweg?) fez muitas vítimas, inclusive os negros carros da Mercedes. Um problema de câmbio fez a dupla diminuir o passo bem no momento em que Hamilton parecia mais incisivo na pressão sobre Bottas. Porém, estava claro que Hamilton não desistiria ou até mesmo obedeceria uma ordem de equipe de manter as posições, contudo, os safety-cars misturaram a corrida de tal maneira, que o até então inofensivo Alex Albon surgiu no retrovisor de Hamilton após a última relargada com pneus macios novos. O tailandês já completava uma ousada ultrapassagem por fora sobre Hamilton, quanto houve o toque, o segundo em três corridas entre os dois pilotos e que causou a segunda punição para Lewis no dia.

Com todos esses acontecimentos ao seu redor, Bottas pôde liderar a corrida de ponta a ponta e vencer na abertura do campeonato, repetindo o resultado do ano passado. Resta saber como Bottas irá se comportar no resto do certame, que poderá ser bem curto, já que até o momento temos apenas oito provas confirmadas. A Mercedes mostrou uma superioridade acima até dos últimos anos e a briga pelo título tende a se restringir aos dois pilotos comandados por Toto Wolff. Hamilton já está no livro da história da F1 como um gigante, mas que já foi derrotado uma vez por um piloto inferior a ele. Se Bottas emular Nico Rosberg, podemos ter campeonato. As tradicionais rivais da Mercedes tiveram dificuldades nesse início de campeonato, mas os resultados de Red Bull e Ferrari foram até mesmo encorajadores. Max Verstappen vinha num sólido segundo lugar antes de quebrar, mesmo com um pneu de composto mais duro. Já Albon teve condições de ataque contra a Mercedes, mesmo que em circunstâncias especiais. Red Bull está claramente como segunda força da F1 em 2020 e ainda tem trunfo do talento de Max Verstappen para surpreender a Mercedes vez ou outra, como Albon quase fez hoje. As suspeitas de que a Ferrari tinha um motor irregular aumentaram enormemente nesse final de semana quando a equipe italiana se tornou um dos carros mais lentos do Red Bull Ring a ponto dos seus pilotos terem perdido quase 1s em comparação ao ano passado no grid. Uma característica de um grande piloto sempre será a forma como ele se comporta em situações adversas. Charles Leclerc não teve a mínima condição de ter o ritmo que quase lhe garantiu a vitória ano passado, mas o monegasco soube aproveitar as oportunidades que lhe surgiam. Os abandonos dos carros da Red Bull, a punição de Hamilton e a superioridade sobre os pilotos de McLaren e Racing Point garantiram um surpreendente pódio à Leclerc, num claro desempenho em que o piloto da Ferrari andou mais do que o carro. Já Vettel... Fica cada dia mais difícil defender o alemão. Se já não bastasse ter passado o final de semana inteiro atrás do companheiro de equipe, Vettel se envolveu em um incidente em que o piloto da Ferrari pode se considerar no mínimo otimista quando tentava ultrapassar Carlos Sainz e acabou caindo para as últimas posições. Uma corrida terrível para Seb, que terminou em penúltimo numa corrida em que apenas onze carros finalizaram a prova. Dessa jeito fica até complicado algum time grande se interessar por um piloto que, mesmo tetracampeão, erra de forma absurda e forma constante nos últimos dois anos.

Tantos incidentes fizeram com que Lando Norris conseguisse seu primeiro pódio, enquanto a McLaren realmente subia ao pódio depois de muito tempo, já que Sainz foi terceiro ano passado, mas só subiu ao pódio de forma comemorativa de noite e sem ninguém em Interlagos. Porém, Norris teve muitos méritos em seu primeiro pódio. Nas voltas finais ele teve que resistir aos ataques do seu companheiro de equipe Carlos Sainz, ultrapassou de forma agressiva Sergio Pérez, que sempre se mostrou difícil de se ultrapassar, e finalmente marcou a melhor volta da corrida na bandeirada para garantir a capitalização da punição de Hamilton. Por meros 0.198s. A McLaren passou pelo período da pandemia de forma complicada, até mesmo surgindo rumores de venda de ações, mas o pódio de Norris será um baita alívio para a turma de Zak Brown, que comemorou muito. Sainz ainda ultrapassou Pérez na última volta para ser quinto, enquanto o mexicano, que estava punido de forma bizarra, teve que se conformar com o sexto lugar. No último período de safety-car, os carros precisaram atravessar o pit-lane, que tem velocidade controlada e Pérez conseguiu a proeza de queimar o limite de velocidade. Não deixa de ser uma corrida abaixo do esperado da Racing Point, que estava com a banca de ser a terceira força desse começo de ano e viu Pérez ser apenas sexto, mesmo o latino chegando a ser terceiro nas voltas finais, mas a tática da Racing Point não o ajudou, o deixando com pneus velhos na pista. Stroll abandonou antes da metade da corrida quando brigava com Vettel. Para vocês verem aonde estava Vettel no meio da corrida...

Como citado mais cedo, a corrida foi cheia de abandonos e por isso muitos pilotos aproveitaram para marcar preciosos pontos. A Alpha Tauri não acompanhou o crescimento de Racing Point, McLaren e Renault, ficando isolada num terceiro ou quarto pelotão. Gasly fez uma corrida discreta, mas que lhe deu um bom sétimo lugar, enquanto Kvyat teve um pneu furado quando estava nos pontos, já nas últimas voltas. Ricciardo conseguiu levar a Renault a andar no ritmo de Stroll e Vettel antes de abandonar, mas Ocon salvou o dia com uma oitava posição, porém, não se pode negar que o jovem francês não vinha fazendo uma corrida do nível de Ricciardo. Um ano fora da F1 pode fazer com que um piloto 'enferruje', mas Ocon precisa (e pode) fazer mais do que hoje. Giovinazzi salvou dois pontos para a Alfa Romeo, que no vácuo da queda de performance do motor da Ferrari, também perdeu muito de 2019 para cá. Raikkonen sofreu um perigoso incidente quando sua roda dianteira direita lhe disse arrivederci bem no momento de uma relargada. Como cópia da Ferrari, a Haas também perdeu rendimento, mas os americanos ainda sofrem com uma dupla de pilotos medíocre, com Grosjean rodando sozinho antes de abandonar, o mesmo acontecendo com Magnussen, com seu freio, velho calcanhar de Aquiles da Haas, lhe deixando na mão. A Williams quase pontuou com tantos incidentes e como no ano passado em Hockenheim, mesmo George Russell tirando leite de pedra do carro, foi o segundo piloto, hoje Nicolas Latifi, que quase levou a equipe a ganhar pontos. A Williams ainda tem o pior carro do grid, mas em 2020 tem a companhia de Alfa Romeo e Haas no pelotão do fundo, porém, isso acontece mais por uma queda das subsidiárias da claudicante Ferrari do que a evolução do time de Claire.

O começo da atípica temporada 2020 da F1 começou de forma divertida, mas não escondeu alguns fatos. Primeiro que a Mercedes está não apenas um, mas talvez dois patamares acima dos rivais. Pelo que mostrou numa pista que nos últimos anos não lhe foi favorável, a Mercedes pode dominar de forma ainda mais enfática dos que nas temporadas recentes. Um fator de alerta é a confiabilidade do carro, pois não apenas os câmbios da Mercedes trouxeram dores de cabeça durante a corrida de hoje, como dois motores (Stroll e Russell) quebraram hoje. A 'mágica' do motor Ferrari do ano passado parece ter sido descoberta e hoje dá até para afirmar que os italianos tem o pior propulsor do ano, para desespero dos puristas, acostumados com os potentes motores Ferrari. A Red Bull não tem o mesmo ritmo da Mercedes (principalmente de classificação) e ainda tem que se preocupar com a confiabilidade dos seus carros, que quebraram hoje. A boa notícia é que Racing Point, McLaren e Renault cresceram a ponto de andar no mesmo ritmo da Ferrari e nem tão longe da Red Bull. Por que já pode se afirmar que a Mercedes anda num pelotão único, onde apenas seus dois pilotos correm. Resta saber se Bottas poderá fazer frente a Hamilton. O novo normal da F1 pode ter ficado mais nítido nessa primeira corrida, porém, as corridas ainda podem surpreender bastante e nos entregar uma prova divertida como a de hoje.

sábado, 4 de julho de 2020

De ponta cabeça

Após a classificação de ontem em Indianápolis, Will Power falava em tentar fazer um início de campeonato forte e do cuidado que teria que ter com alguns pilotos, incluindo Scott Dixon, mesmo o neozelandês largando apenas em sétimo. Duas horas após a largada, Power amargava uma vigésima posição depois de dominar o primeiro stint da corrida, enquanto Dixon saía vencedor, conseguindo a sua segunda vitória consecutiva, mantendo o 100% no campeonato. Todas essas mudanças vieram de uma espetacular corrida no circuito misto de Indianápolis? Muito pelo contrário! A corrida foi morna na maior parte, mas a estratégia de Dixon, somada a uma bandeira amarela na hora certa mudou todo o panorama da segunda etapa da Indy.

Quando a largada foi dada em Indianápolis, Power era o favorito a vencer, até mesmo pela companhia que ele tinha no primeiro pelotão. O inglês Jack Harvey surpreendia com a segunda colocação no grid, enquanto os americanos Graham Rahal e Colton Herta, que poucos fizeram no Texas um mês atrás, apenas comboiavam Power. Os grandes papões da Indy, junto com Power, pareciam ter problemas. Dixon largava apenas em sétimo, Newgarden estava no meio do pelotão, enquanto Simon Pagenaud, vencedor em 2019 no misto da Indy, largava apenas em vigésimo e parecia não ter carro para uma corrida de recuperação. Após a primeira rodada de paradas Power ainda liderava tranquilo, enquanto Newgarden e Dixon já perseguiam a distância o australiano da Penske. Um dos fatores que sempre animaram as corridas da Indy foram as bandeiras amarelas, principalmente em momentos inesperados, que sempre bagunçaram o status quo da prova.

O novato Oliver Askew bateu de forma bisonha na última curva, trazendo o pano amarelo. Isso foi o sinal para muitos pilotos mudarem sua estratégia, como foi o caso de Power, que antecipou sua parada e se viu no meio do pelotão, enquanto Rahal tentava parar o mínimo possível e assumia a liderança. Enquanto isso, Dixon usava a experiência da Ganassi para ter a melhor estratégia possível, que aliada a sua grande pilotagem, rapidamente colocou o neozelandês em primeiro, com ampla vantagem para Rahal. Pagenaud estava sem carro para uma corrida de recuperação? Pois o francês da Penske aproveitou a bandeira amarela para subir o pelotão e não apenas fechar o pódio, como pressionar Rahal nas últimas voltas. O promissor Colton Herta foi o piloto mais regular desse sábado, sempre permanecendo no pelotão da frente para terminar em quarto e salvar o dia da equipe Andretti. Ryan Hunter-Reay fez uma prova opaca, enquanto Alexander Rossi abandonou pela segunda corrida consecutiva. Num campeonato curto como o de 2020, isso poderá ser fatal nas chances do principal piloto da Andretti na sua luta pelo título.

Josef Newgarden escolheu a mesma tática de Power e mesmo perdendo posições ainda salvou um top-10, ao contrário do australiano, que não apenas perdeu ritmo, como ainda deixou seu Penske morrer na saída do seu último pit-stop. De dominador dos treinos, Power quase tomou uma volta na corrida. Dixon usou sua conhecida astúcia para vencer uma prova em que nem participou no Fast-Six ontem, mas quando viu a oportunidade, a agarrou para dominar a corrida e rumar ao hexacampeonato.

Nem tão novo normal

Voltando a fevereiro desse ano. Quando o Coronavírus já assustava, mas nem pensávamos que faria o estrago que fez no mundo, a F1 saía dos testes de pré-temporada um pouco assustada com o domínio da Mercedes, que se já não bastasse todo o domínio dos últimos anos, ainda trazia a novidade do DAS, um novo sistema integrado na direção que mudava a cambagem dos carros durante a corrida. Para quem espalha que a Mercedes está saindo da F1, isso só demonstra o apetite dos alemães. Cinco meses depois a F1 retorna com a expectativa de um 'novo normal', mas os tempos não mostraram nada de tão anormal, a não ser nos procedimentos de segurança. A Mercedes matou a pau toda a concorrência, que em 2020 deverá se restringir a Red Bull de Max Verstappen, mas a única novidade desse sábado foi Valtteri Bottas ter superado Hamilton por milésimos na tarde austríaca.

A relação de força para esse ano sofreu algumas sutis alterações. A Williams não está tão abaixo das demais no meio do pelotão, ficando bem próximo de Haas e Alfa Romeo. A Alpha Tauri ficou no mesmo patamar da antiga Toro Rosso, mas houve uma subida de degrau de algumas equipes. E a grande descida da Ferrari. Enquanto McLaren, Racing Point e até mesmo a Renault estão claramente acima do que mostravam em 2019, a Ferrari entrou numa perigosa espiral descendente, onde seus carros sofreram para passar ao Q3, com Vettel ficando pelo caminho. Uma situação que chama atenção e conhecendo o modus operandi ferrarista, Mattia Binotto já deve colocar seu currículo na Catho em algumas semanas. Como esperado a Racing Point, copiando descaradamente a Mercedes, colocou seus dois pilotos em boas posição, enquanto a McLaren continuava seu bom desenvolvimento com Lando Norris separando os dois carros da Red Bull, num final de semana opaco de Alexander Albon, sem conseguir ficar próximo de Verstappen em nenhum momento. Outro piloto que ficou bem atrás do companheiro de equipe foi Esteban Ocon, superado com folga por Daniel Ricciardo na Renault, que fez um trabalho ok, mesmo com tantas crises antes do campeonato começar.

A disputa polarizada apenas entre os pilotos da Mercedes tinha como lógico favorito Lewis Hamilton, mas o inglês foi surpreendido por Bottas, que ainda errou em sua última tentativa, mas sua primeira volta rápida no Q3 foi suficiente para bater o recorde de Spielberg e ficar com a pole. Bottas é um piloto rápido e confiável, mas seria ele capaz de emular Nico Rosberg? Pelo o que mostrou até agora, não. Isso poderia dar uma animada num campeonato que já se desenha para a Mercedes e até mesmo para Hamilton. Amanhã Verstappen será o único dos dez primeiros que largará com pneus médios, mas pela diferença que a Mercedes impôs sobre as rivais, isso não deverá fazer tanta diferença. É ainda a primeira corrida de um campeonato anormal, mas será preciso muito esforço para a Mercedes perder a corrida amanhã e os títulos de 2020.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

E começou

Quando começou essa loucura do novo Coronavírus, ver um carro de F1 na pista em 2020 parecia até mesmo utópico. Foram oito meses, mas finalmente a F1 começou com a Mercedes, agora negra, liderando os primeiros treinos livres na Áustria. O novo normal está bem parecido com o antigo. Mesmo não sendo tão normal, é bom demais termos F1 novamente!