domingo, 14 de outubro de 2018

Até logo após 30 anos

Quando algumas marcas se associam a uma categoria, parece que ambas se tornam sinônimos. Alguém poderia imaginar a F1 sem a Ferrari? Para quem acha isso impossível, hoje o automobilismo viu a despedida da Mercedes-Benz do DTM após trinta anos de parceria. Liderada por Bernd Schneider, a Mercedes foi sempre um carro de ponta no DTM, conquistando vários títulos ao longo dos últimos anos e se tornando uma forte parceira da categoria, mas de forma surpreendente a marca de Stuttgart vai para a insossa F-E a partir da próxima temporada, deixando os fãs do DTM órfãos dos belos carros da estrela de três pontas. Na corrida decisiva de hoje, Gary Paffet fez as honras da Mercedes ao conquistar o bicampeonato ao derrotar o Audi de René Rast, que conseguiu seis vitórias consecutivas, mas teve que se contenta com o vice. Paffet teve uma carreira inteira ligada à Mercedes, desde que venceu a F3 alemã no começo do milênio e ao invés de partir para a F3000, foi contratado pela Mercedes para ser piloto de testes da então parceira McLaren, além de correr pela montadora no DTM. Foram longos anos de parceria, mas hoje foi a última corrida de Paffet no DTM pela Mercedes. A nossa esperança é que a montadora (espero eu!) reveja sua estratégia e volte ao DTM.  

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Figura(JAP): Lewis Hamilton

Durante as entrevistas, Lewis Hamilton se mostrava bastante empolgado por estar pilotando em Suzuka. "Não fazem mais pistas assim". Também não se via há algum tempo pilotagens como a que vem executando com arte Lewis Hamilton. O inglês vai mostrando exibições de alto nível em praticamente toda a corrida depois das férias do meio do ano e em Suzuka, uma pista seletiva e moldada para grandes pilotos, Hamilton se sentiu à vontade de outro final de semana supremo, onde não deu chance a ninguém e empilhou a sexta vitória em sete corridas, praticamente lhe garantindo o pentacampeonato. A temporada de 2018, que se desenvolveu tão bem no primeiro terço, vai se transformando num passeio de Lewis Hamilton, o que já traz algumas críticas de outro campeonato sem a emoção de algumas temporadas como 2012, 2014 e 2016, para ficar nas mais recentes. A chatice da atual temporada não é culpa da F1, mas de Lewis Hamilton. Contudo, para quem aprecia corridas e ótimas pilotagens, essas últimas corridas são ótimos pratos servidos por Hamilton.

Figurão(JAP): Sebastian Vettel

É complicado ser repetitivo, mas não há escapatória possível para essa parte da coluna em Suzuka nesse final de semana. Sebastian Vettel, um piloto experiente e com quatro títulos no cartel, cometeu outro erro de piloto que ainda busca um lugar ao sol dentro da F1. Trazido pela Ferrari como a grande esperança de reviver os tempos áureos do seu compatriota Schumacher, Sebastian Vettel vem decepcionando de forma sistemática esse ano, numa temporada em que a Ferrari passou a maior parte do ano tendo um carro, no mínimo, do mesmo nível da Mercedes do seu grande rival Lewis Hamilton. Com a Ferrari também sentindo a pressão da falta de títulos e cometendo erros aos borbotões, Vettel completou um final de semana horroroso da Ferrari ao se envolver num acidente completamente evitável com o reconhecidamente agressivo Max Verstappen quando o alemão já brigava pelo terceiro lugar após largar de oitavo, por culpa do pajé da Ferrari. Vettel fazia uma corrida de recuperação estupenda, mas ao ver os dois carros da Mercedes fugindo e tendo Verstappen entre ele e os carros prateados, Seb viu tudo vermelho estilo Ferrari e tentou ultrapassar o holandês na curva Spoon, um lugar no qual, com carros iguais, normalmente não se ultrapassa. O toque foi inevitável e Vettel levou a pior ao cair para as últimas posições. Com o carro que tem, a nova recuperação de Vettel foi até mesmo protocolar, escalando o pelotão até a sexta posição. Ao ficar atrás do seu sorumbático companheiro de equipe, mas 40s atrás, a Ferrari nem teve coragem de mandar Raikkonen tirar o pé e Vettel teve que se conformar com o que tinha, o que acabou lhe sendo terrível para o campeonato. Com a Mercedes novamente por cima e Hamilton pilotando como nunca tinha feito em sua já longa carreira, Vettel vai amargando outro vice-campeonato, aumentando a pressão sobre si, já que a Ferrari completará doze anos sem títulos. E sob pressão, Vettel vai mostrando que apita...

domingo, 7 de outubro de 2018

Briga desigual

Quando Sebastian Vettel conquistou seu tetracampeonato em 2013, havia uma expectativa de quando o alemão iria medir forças verdadeiramente com Lewis Hamilton. No período em que ganhou seus quatro títulos, o maior rival de Vettel era Fernando Alonso, que conseguia tirar leite de pedra de uma Ferrari claudicante, comandada pelos italianos. O espanhol, tentando desequilibrar Vettel, dizia que perdia os títulos para Adryan Newey, projetista do imbatível carro que ajudava Vettel a destruir a concorrência. O bom mesmo era Lewis Hamilton, bradava Alonso. Da mesma geração, ainda não havia tido uma briga 'face to face' entre Vettel e Hamilton. Isso, até a era híbrida começar e Vettel se mudar para a Ferrari. Os dois finalmente brigariam com ferramentas parecidas pelo título e em 2018 teria o tempero especial de estarem empatados em número de títulos.

Se a Ferrari apenas ameaçou em 2017 e faltou experiência aos novos italianos que comandam a equipe, 2018 seria o ano para acabar com a brincadeira de Hamilton e da Mercedes. Vettel é experiente e tem quatro títulos mundiais nas costas, enquanto Hamilton ainda parecia imaturo e já havia fraquejado contra um alemão mais maduro. Porém, Hamilton aprendeu bastante com a derrota para Nico Rosberg no quintal de sua casa, enquanto a aparente armadura de Vettel tantas vezes mostradas contra Fernando Alonso no começo dessa década exibia frestas. Na Red Bull e com o melhor carro, Vettel estava em sua zona de conforto e com os chefões Helmut Marko e Christian Horner ao seu lado, o mesmo não acontecendo com a sempre caótica gestão italiana, sem contar a pressão que Vettel tem em fazer o que Schumacher fez a quase vinte anos atrás: recuperar a Ferrari. Vettel continua mostrando velocidade, mas vem cometendo erros sobre pressão e hoje cometeu mais um, praticamente entregando o título para Lewis Hamilton, que vem pilotando cada vez melhor. Com a confiança em alta, com a Mercedes cada vez melhor e uma gestão sólida, Hamilton não teve adversários em sua pista favorita, desta vez não dando chances até mesmo à Valtteri Bottas, que o bateu claramente semana passada em Sochi, tendo a necessidade das polêmicas ordens de equipe para Hamilton vencer na Rússia. Desde a morte de Sergio Marcchione, talvez o menos latino dos chefes italianos, a gestão da Ferrari entrou em parafuso e os erros se sucedem nas mais diferentes áreas. São estratégias erradas na classificação e na corrida, mas hoje quem errou foi seu principal piloto. Vettel fazia uma rápida corrida de recuperação, se colocando na quarta posição após uma ótima largada e ultrapassagens sem problemas sobre a dupla da Toro Rosso e Grosjean. Max Verstappen já tinha mostrado que estava 'naqueles dias' quando deu um chega pra lá em Raikkonen quando escapou na pista na famosa chicane, permitindo que Vettel se aproximasse. Ainda na mesma volta, Vettel tentou uma afobada ultrapassagem na improvável curva Spoon, que jogou sua corrida pelo ralo. O toque entre os dois pilotos foi inevitável, mas Vettel levou a pior ao rodar e cair para a última posição. Game Over. Hamilton apenas administrou uma corrida onde a única emoção do inglês foi curtir as rápidas curvas de Suzuka ao longo das 53 voltas onde não foi incomodado em nenhum momento. Aos 33 anos, Hamilton chegou à vitória de número 71 e com mais de 60 pontos de vantagem sobe Vettel nas quatro corridas restantes, fica apenas a dúvida se o título será nos Estados Unidos ou no México, tamanho a diferença de pilotagem que tem sobre Vettel, além da sobra que a Mercedes tem sobre a Ferrari.

A ordem de equipe pode ter mexido na cabeça de Bottas, que fez uma corrida medíocre hoje, onde com o melhor carro disparado, ainda foi pressionado nas voltas finais por Max Verstappen. O holandês cumpriu uma justa punição de 5s pelo toque em Raikkonen e ainda assim se manteve na terceira posição. Com os pneus macios, foi para cima de Bottas, mas a superioridade do conjunto Mercedes ajudou a Bottas não passar o mico de destruir a dobradinha da Mercedes. Raikkonen poderia fazer as honras da Ferrari, mas com outra pilotagem apagada, Kimi mostrou o porquê estar de saída da Ferrari, pois o finlandês não apenas foi capaz de atacar Verstappen, como acabou ultrapassado por Ricciardo, que largou onze posições atrás dele. O australiano, tão chateado pela falha do motor Renault na classificação de ontem, fez uma corrida correta para ser quarto. A Ferrari, na pior corrida de 2018, ficou com a quinta a sexta posições, demonstrando ser a terceira força do momento. Sentindo o momento, Vettel fez a besteira de tentar uma ultrapassagem amalucada em cima de Verstappen e depois fez a corrida protocolar para chegar em sexto, mais de 20s atrás do seu sorumbático companheiro de equipe, mas ainda marcando a volta mais rápida. Um final de temporada péssimo para o alemão, cuja a derrota em Monza quando era o grande favorito à vitória parece estar tendo o mesmo efeito da marcante edição do Grande Prêmio da Itália de 1985, quando Alboreto nunca mais foi o mesmo após perder para Prost quando tudo levava a crer que ele era o favorito ao título.

O circuito de Suzuka pode trazer um enorme prazer aos pilotos por causa do seu rápido e seletivo traçado, mas também pode trazer muito sono aos fãs da F1 com corridas chatas, porém, pela baixa expectativa que sempre há em Suzuka, a corrida foi bem legal no pelotão intermediário. Sem contar as corridas de recuperação de Ricciardo e Vettel, a corrida foi cheia de ultrapassagens da sétima posição para baixo. Grosjean ficou na posição de melhor do resto a corrida inteira, mas acabou ultrapassado por Pérez após o período de safety-car virtual pelo abandono de Leclerc. Grosjean reclamou da manobra do mexicano, mas nas voltas finais a sua principal preocupação era mesmo segurar a segunda Force India de Ocon. A Honda sonhou em marcar pontos em casa e a boa posição no grid dos seus pilotos era um bom prenúncio, mas uma péssima largada de Hartley, seguido por um ritmo de corrida medíocre praticamente eliminou as chances de pontos do neozelandês, o mesmo acontecendo dele ficar na F1 em 2019. Gasly lutou mais e estava na briga pelos pontos, mas acabou ultrapassado nas voltas finais por Sainz pela décima posição e a Honda saí de Suzuka de mãos abanando novamente. A Sauber teve um final de semana complicado, o mesmo acontecendo com a Renault, que só marcou ponto por que Sainz estava melhor 'calçado' nas voltas finais. Magnussen foi claramente superado por Grosjean e numa manobra bastante discutível mudou de direção na freada, fazendo com que Leclerc batesse em sua traseira, lhe furando o pneu, causando o único safety-car do dia. Enquanto isso, na luta dos times tradicionais para sair da última posição, a McLaren superou por muito pouco a Williams na inglória situação de equipes tão gloriosas.

Lewis Hamilton já está na história da F1 e vai caminhando para o quinto título, se tornando o terceiro piloto da F1 a conseguir esse feito. Cada vez mais amadurecido (finalmente!), Hamilton está pilotando cada vez melhor e cresceu na hora certa, o mesmo acontecendo com a Mercedes, que hoje exibe uma dominância semelhante ao triênio 2014-16, onde bateu as rivais com gosto e sem piedade. Vettel já tinha mostrado cair de rendimento sob pressão na Red Bull e no caldeirão que vive na Ferrari, o alemão vai cometendo cada vez mais erros incompatíveis com o seu cartel. A esperada disputa entre os dois pilotos que dominaram essa década vai se mostrando mais desigual do que o esperado. Hamilton vai sobrando frente a um Vettel que mais erra do que o esperado. 

sábado, 6 de outubro de 2018

Viés de alta

Em tempos de pesquisa eleitoral, a Mercedes estaria partindo para ganhar no primeiro turno, com um alto viés de alta. Como um senador do partido que está vencendo de lavada, Lewis Hamilton vai subindo nas pesquisas e indo na onda da Mercedes, praticamente se garantindo como o terceiro pentacampeão da história da F1. Já a Ferrari está como aquele candidato que tinha tudo para disputar voto a voto com o favorito, mas passou a traças estratégias erradas a ponto de entrar num viés de baixa sem volta. Novamente a Ferrari errou feio na estratégia e Vettel terá que encarar uma corrida de recuperação amanhã.

A classificação em Suzuka viveu o suspense da chuva que poderia atrapalhar a favorita Mercedes. Os treinos livres mostraram um abismo similar ao visto nos tempos de dominação prateada no período 2014-16. A Ferrari estava impotente com o desempenho da Mercedes e num clima instável, foi justamente os italianos que vacilaram. No final do Q2 a chuva deu uma leve apertada e a Ferrari resolveu mandar seus pilotos ao Q3 com os pneus intermediários. Com a pista ainda seca! Uma aposta completa e nitidamente errada que custou tempo de pista ainda em condições de pneu slick para os pilotos da Ferrari. Quando finalmente foram para a pista com o pneu certo, Raikkonen e Vettel erraram na mesma curva, sendo que o alemão saiu da pista e o máximo que conseguiu foi uma crítica nona posição, enquanto a Mercedes comemorava mais uma dobradinha e Hamilton chegava a incrível marca de 80 poles na carreira. 

Se Vettel saiu do carro com a expressão da derrota, mas Daniel Ricciardo mostrou isso num urro, após mais um problema mecânico em seu carro no Q2, o relegando às últimas posições novamente. A frustração do australiano é mais do que válida, mas como está de saída da Red Bull, não há muito o que Daniel possa fazer. Para a Red Bull, a terceira fila da Toro Rosso com o motor Honda é um indicativo de bons ventos em 2019. Enquanto isso, a McLaren enxotou os japoneses liderados por Alonso se viu na última posição em Suzuka. E com Alonso saindo da F1 no final desse ano. Gil de Ferran foi um grandíssimo piloto, mas simplesmente esquecer de fazer o pedido correto de pneus para o final de semana em Suzuka é um claro indício de como a gestão da McLaren vai de mal a pior.

Mesmo com a chuva à espreita, o treino de classificação em Suzuka foi morno por causa do grande domínio da Mercedes e Hamilton deu outro enorme passo rumo ao título, enquanto a Ferrari espera por um milagre num circuito difícil de se ultrapassar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Figura(RUS): Max Verstappen

Num final de semana tão marcado pela parte debaixo dessa coluna, mas também por pouquíssimas coisas acontecendo durante o final de semana em Sochi, encontrar algo de bom era até complicado, mas Max Verstappen ajudou bastante na escolha ao destoar dos demais com outra bela pilotagem. O holandês completou 21 anos ontem e se auto presenteou com uma belíssima corrida de recuperação. Largando na última fila por causa das punições por troca de peças no motor Renault, Verstappen saiu com os pneus macios, os mais duros do final de semana, tentando postergar ao máximo sua parada. O que Max e a Red Bull não esperava era a facilidade com que o holandês se livrou de pilotos bem melhor 'calçados'. Verstappen não tomou conhecimento dos pilotos do pelotão intermediário e em poucas voltas apareceu na quinta posição. Quando os pilotos de Mercedes e Ferrari pararam, Verstappen assumiu a ponta e mesmo com pneus bem mais desgastados, conseguiu manter bem as duas Mercedes, só trocando pneus por força do regulamento. A título de comparação, Daniel Ricciardo com o mesmo carro e saindo uma posição à frente não foi tão espetacular. Num final de semana sem graça para a F1, Max Verstappen foi o único que nos fez sorrir.

Figurão(RUS): Mercedes

A questão 'ordens de equipe' é uma das mais sensíveis nos últimos anos da F1. A situação de equipes interferirem diretamente no resultado de corridas para melhor assentar seus interesses sempre aconteceu, principalmente com a Ferrari, que usa esse subterfúgio desde tempos idos. Não devemos nos enganar que em algum momento Lotus, McLaren, Williams ou alguma outra equipe grande também tenha mandado um piloto aliviar o ritmo para ajudar o companheiro de equipe melhor colocado no campeonato ou mesmo o mais querido pela cúpula. O diferencial é que com a tecnologia televisiva podemos ouvir o que é dito aos pilotos, nem que seja de maneira cifrada. A forma como Rubens Barrichello se comportou em 2001 e 2002 demonizou definitivamente as ordens de equipe, sendo que sempre foi algo que aconteceu não apenas na F1, como no esporte a motor como um todo. Quando uma equipe resolve escancarar sua política de primeiro e segundo piloto, ela tem que saber que as críticas virão aos montes e um dano é causado em sua imagem. Ao apertar o botão 'Tatics' e mandou Valtteri Bottas ceder sua vitória para Lewis Hamilton, Toto Wolff sabia (ou deveria saber) que dias turbulentos virão para a Mercedes. Explicações terão que ser dadas não apenas aos pilotos, mas ao público. A Mercedes ruma para o quinto título seguido, após derrotar a Ferrari em condições até mesmo adversas. Quando estava por cima, a Mercedes resolveu usar as controversas ordens de equipe. Errado? Não. Cada equipe joga de acordo com seus princípios. Desnecessário e dispensável? Sem sombra de dúvida.