terça-feira, 7 de agosto de 2018

História: 30 anos do Grande Prêmio da Hungria de 1988

Com a McLaren dominando amplamente a temporada 1988, se alguma equipe ainda quisesse incomodar a esquadra inglesa, esse lugar era Hungaroring. Além de ser um circuito travado e cheio de curvas, o asfalto pouco aderente fazia com que a cavalaria dos motores turbo desgastassem mais os pneus dos seus carros, enquanto as equipes com motores aspirados tinham liberdade de consumo de combustível, além de carros mais leves e ágeis, podendo economizar pneus. Porém, um dos pilotos mais rápidos com motores aspirados estava doente quando a F1 chegou na Hungria. Nigel Mansell apareceu com febre, com a barba por fazer e com olhar cansado. Ele havia sido contagiado pelo seu filho mais velho por catapora e mesmo a doença sendo relativamente simples, a resistência de Nigel estaria bem abalada num circuito onde o preparo físico sempre foi bastante exigido. 

Após a chuva atrapalhar a pré-classificação na sexta pela manhã, o sol apareceu com força na sexta à  tarde, com Prost liderando à frente da dupla de Benetton e Williams. No sábado, Senna consegue a sua 24ª pole position de sua carreira na frente de cinco carros com motores aspirados, sendo que Mansell, em segundo lugar, ficou apenas um décimo atrás do brasileiro. Patrese conseguiu o sexto lugar. A Benetton-Ford confirmou o bom tempo na sexta-feira, mas a surpresa maior eram as ótimas posições da March-Judd. Após uma boa sexta-feira, Prost passou a se queixar de problemas de dirigibilidade em seu McLaren e o francês teve que se conformar com a sétima posição. Se os pilotos com carros aspirados conseguiram andar muito forte na Hungria, o mesmo não aconteceu com os demais carros com motores turbo (tirando a McLaren, lógico). A Ferrari sofreu com problemas eletrônicos e Alboreto conseguia apenas a 15º posição. A Lotus, que tinha o mesmo motor da McLaren, sofria com problemas nos freios e Piquet lutou muito para ser 13º, enquanto a Arrows, que usava motores Megatron, que na verdade eram motores BMW turbo que datavam de 1981, também ficaram de fora do top-10.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:27.635
2) Mansell (Williams) - 1:27.743
3) Boutsen (Benetton) - 1:27.970
4) Capelli (March) - 1:28.350
5) Nannini (Benetton) - 1:28.493
6) Patrese (Williams) - 1:28.569
7) Prost (McLaren) - 1:28.778
8) Gugelmin (March) - 1:29.099
9) Berger (Ferrari) - 1:29.244
10) Caffi (Dallara) - 1:29.891

O dia 7 de agosto de 1988 amanheceu quente e ensolarado em Budapeste, clima ideal para o terceiro Grande Prêmio da Hungria da história, que atraía mais e mais torcedores, principalmente aqueles comunistas que puderam sair da Alemanha Oriental e Tchecoslováquia para verem a F1. Após um sábado ruim, Prost consegue um melhor acerto do seu McLaren no warmup e liderou o treino de aquecimento, tendo como objetivo principal ficar em segundo lugar no que parecia uma corrida destinada para ter como vencedor um obstinado Senna. A Goodyear prometia um pneu que duraria toda a corrida, mas o calor poderia fazer que muitos pilotos arriscassem pelo menos uma troca. Mansell conseguiu uma melhor largada, mas Senna se impõe ao ficar por dentro e o brasileiro mantém a primeira posição. Patrese conseguia uma largada espetacular e pula de sexto para terceiro. A tarefa de Prost se complicava com uma má largada, o relegando ao nono lugar.


Ao contrários das outras corridas, a McLaren não conseguia se livrar dos seus rivais. Mansell estava sempre fungando no cangote de Senna, que usava o motor turbo nas poucas retas da pista para se distanciar, mas o inglês retornava nas curvas lentas. Capelli vai cedo aos boxes com problemas eletrônicos e Prost começa a sua recuperação ultrapassando Gugelmin na reta dos boxes, mas ainda estava na sétima posição. Numa cena que ainda não havia acontecido em 1988, era bastante claro que Senna segurava o pelotão e por isso, os cinco primeiros estavam separados por apenas 3s. Piquet bate em Martini enquanto brigavam pela 12º posição e perde muito tempo nos boxes, enquanto o italiano tem que abandonar. Na décima volta Prost ultrapassa Berger e se une ao pelotão da frente, que tinha na ordem Senna, Mansell, Patrese, Boutsen e Nannini. Todos colados. Duas voltas depois Mansell apronta das suas ao tentar ultrapassar Senna e rodar. O inglês da Williams permaneceu na pista, mas foi ultrapassado por Patrese e Boutsen, enquanto Prost deixava Nannini para trás. Mansell começava a ser atacado por Prost, mas segurava a sua posição, se distanciando um pouco da briga pela ponta da corrida. O ritmo de Senna não era forte, pois seu McLaren tinha problemas de consumo de combustível. Não demorou muito e o pelotão da frente ficou compacto novamente, com os sete primeiros andando juntos. Já era, definitivamente, a melhor corrida de 1988.

Senna arriscou ao colocar uma segunda volta em Piquet e com isso, abre um pouco de Patrese, que segurava o pelotão. Nannini abandonou na volta 25 com um vazamento de água. Após fazer uma manobra audaciosa em cima de Piquet, Senna era atrapalhado por Luiz Perez-Sala, fazendo com que o pelotão encostasse novamente na McLaren. Na volta 28, finalmente Prost ultrapassa Mansell na reta dos boxes e já antevendo o perigo, Boutsen parte para cima de Patrese. O italiano da Williams se defendia como podia, mas seu motor começou a apresentar problemas e ele seria ultrapassado por Boutsen, Prost e Mansell. Contudo, Patrese permaneceu na corrida, apesar do motor estar funcionando nada bem. Prost marca a volta mais rápida da corrida em sua perseguição à Boutsen, enquanto Mansell e Berger perdiam contato com o pelotão da frente. Os três primeiros colocados andavam próximos, mas na volta 47 Prost ultrapassava Boutsen para assumir o segundo lugar. E começar a caçada em cima de Senna. Duas voltas depois a dupla da McLaren se vê no meio de um grupo de retardatários e Prost tenta dar o bote, freando mais tarde do que Senna no final da reta dos boxes, mas o francês acaba alargando a curva e Senna dá o xis no companheiro de equipe.

Prost perseguia Senna de perto, mostrando que tinha um carro mais rápido, mas Senna se segurava como podia, sendo bastante agressivo na ultrapassagens sobre os retardatários. Tendo forçado mais para chegar naquela posição, Prost começou a sofrer com o desgaste de pneus e após ter fritado os pneus na ultrapassagem sobre Senna na volta 49, o francês resolveu abrandar o seu ritmo. Senna tinha a vitória praticamente assegurada. Na volta 61 Mansell abandona a corrida por exaustão física, agravada pela sua catapora. Com Prost diminuindo o ritmo, Boutsen chegou a se aproximar do francês, mas Alain administrava bem as investidas do belga da Benetton. A situação de Prost melhoraria quando Boutsen teve um problema em seu escapamento já na parte final da prova, tendo que diminuir o ritmo e deixar Prost sozinho em segundo. Mesmo com pneus desgastados, Prost tenta um ataque final e nas últimas voltas acaba com toda a vantagem que Senna tinha, mas o brasileiro não se assusta e vence pela terceira vez consecutiva, com Prost logo atrás. Boutsen terminou em terceiro depois de uma corrida muito boa, com Berger terminando em quarto, Gugelmin marcando dois pontos para  a March e Patrese terminando em sexto com o motor fazendo um barulho terrível. Prost tinha sido o piloto do dia e se não fossem os problemas nos treinos, provavelmente teria ganho a corrida. Mesmo num circuito que não lhe era favorável, a McLaren marcava sua sétima dobradinha em 1988 e Senna finalmente liderava o Mundial de Pilotos.

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Boutsen
4) Berger
5) Gugelmin
6) Patrese

domingo, 5 de agosto de 2018

Duas caras

Antes da volta das férias da MotoGP, os pilotos da Ducati resolveram lavar a roupa suja em público. Andrea Doviziozo e Jorge Lorenzo trocaram farpas a respeito do estilo de trabalho e das conquistas de cada um, deixando o clima dentro da Ducati daquele jeitinho que lembra mais uma guerra civil. Em Brno, a Ducati se estabeleceu como a equipe pronta para bater um até agora imparável Marc Márquez, mas será que os dois pilotos não levariam a briga nos bastidores para dentro da pista?

Dessas coisas do destino, foram justamente os três pilotos citados que lutaram até o fim da corrida, com Andrea Doviziozo liderando a maior parte da corrida. A corrida no tradicional circuito tcheco foi bem animada e com vários pilotos envolvidos em brigas na ponta da prova. Contudo, o pole Andrea Doviziozo rapidamente se estabeleceu na liderança após ser ultrapassado por Valentino Rossi e com os pilotos tendo que cuidar dos pneus, o italiano da Ducati não teve muito trabalho para segurar a ponta. Com a Yamaha envolta numa crise técnica e de bastidores, Rossi se segurou como pôde na briga pela vitória, mas foi perdendo rendimento na medida em que a corrida foi se aproximando do final, ultrapassado por Márquez, Lorenzo e Cruthlow, acabando com a sucessão de pódios de Rossi, mas o italiano pelo menos garantiu o quarto lugar com o erro de Cruthlow na última curva da corrida. Dentro dos boxes, a dispensa nada amigável do experiente Ramon Forcada por Maverick Viñales azedou ainda mais o clima dentro da Yamaha, que vê o trabalho de Lin Jarvis começar a ser bastante contestado. Forcada reclamou bastante, mas Viñales não poderá reclamar do agora seu antigo engenheiro da queda que teve ainda na primeira volta.

Jorge Lorenzo fez uma bela corrida, pensando muito na estratégia. O espanhol chegou a cair para quinto, mas deu o bote nas voltas finais e numa manobra audaciosa, ultrapassou Márquez e Doviziozo na chicane final, levando o troco de Dovi no momento seguinte. Com o clima bastante ruim entre os pilotos da Ducati, ficava a interrogação de como os dois se comportariam numa briga direta após tanto falatório antes da corrida. Lorenzo parecia mais forte, mas um ataque de Márquez na penúltima volta atrasou-o e mesmo tentando colocar de lado na penúltima chicane, Dovioziozo usou seu conhecido sangue-frio nos momentos decisivos das corridas para vencer pela segunda vez em 2018, com Lorenzo completando a dobradinha da Ducati. Já pensando no campeonato e sabendo que algo poderia acontecer na sua frente, Márquez se segurou para conseguir um bom terceiro lugar, mas ampliando ainda mais sua vantagem sobre Rossi no campeonato. Hoje, Márquez tem uma vantagem superior a duas corridas sobre Valentino em sua contagem regressiva para o quinto título na MotoGP.

Antes do pódio, Márquez sofreu as já tradicionais vaias, enquanto a dupla da Ducati se cumprimentou de forma cavalheira, mas sem arroubos de alegria num clima que deve ficar irrespirável nas últimas corridas da parceira. Lorenzo mostrou mais uma vez seus dois lados. Um grande piloto, mas também capaz de envenenar qualquer ambiente de equipe. Márquez pode se preparar!

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Uma escolha surpreendentemente lógica


Antes da corrida na Hungria no final de semana passado, Daniel Ricciardo declarou que sua renovação com a Red Bull era questão de apenas detalhes e que no final das férias, tudo estaria resolvido. Olhando o mercado, essa era uma escolha lógica para o australiano. Com a Mercedes mantendo sua dupla de pilotos e a Ferrari pendendo entre manter um quieto Kimi Raikkonen ou apostar no talento de Charles Leclerc, permanecer na Red Bull era o havia de melhor para Ricciardo no momento. Mas haviam alguns poréns.

Após doze anos entre tapas e beijos, a Red Bull e a Renault se separaram e em 2019 os austríacos correrão com os motores Honda, que fracassaram de forma retumbante na McLaren, mas mostrou um bom progresso na Toro Rosso, que serviu de laboratório para a Red Bull. A partir do próximo ano a Red Bull se tornará uma equipe de fábrica, hoje um requisito básico para brigar pelas vitórias, mas a Honda ainda sofre com os mesmos problemas que minaram a promissora parceria com a McLaren. Como a Toro Rosso é uma equipe menor e tem pilotos longe do tamanho de Fernando Alonso, os problemas da Honda diminuíram bastante de intensidade, mas ainda estão lá. A Toro Rosso sente imensas dificuldades em circuitos com longas retas, demonstrando a falta de potência da Honda, mas o pior é a constante troca de motores. Passando da metade da temporada, Pierre Gasly e Brendon Hartley já utilizaram o dobro de motores 'permitidos' num ano, mostrando que a Honda ainda sofre com a confiabilidade dos seus propulsores. Mesmo a Red Bull se tornando uma equipe de fábrica e aparentemente dando mais liberdade para trabalhar com a Honda, os resultados não virão tão rapidamente e provavelmente 2019 será um ano de transição para a Red Bull.

Daniel Ricciardo completará 30 anos em 2019 e está com sede de títulos, além de ter talento para isso. Ele não precisa de um ano de transição como o que a Red Bull passará em 2019. Além do mais, Ricciardo teria a pressão de encarar um Max Verstappen cada vez mais dominador. O holandês ainda comete erros infantis e da mesma forma de Neymar, ainda sofre com uma maturidade que lhe custa chegar, mas apesar de todos os defeitos, o talento absurdo de Max faz a Red Bull apostar nele como a futura estrela do time, assim como Vettel foi no começo dessa década. Ricciardo deve ser inteligente o suficiente para saber que Max Verstappen é mais talentoso do que ele e somente a experiência do australiano o faz andar no mesmo ritmo ou até mais do que o holandês. Mas no momento em que Verstappen conseguir o um mínimo grau de maturidade, ele será difícil de ser batido, principalmente dentro da mesma equipe.

Mesmo sem as opções de Ferrari e Mercedes nos próximos anos, Ricciardo deve ter visto que a Red Bull também não era uma opção tão atraente assim. O australiano recebeu uma proposta da McLaren, mas é nítido que, infelizmente, a tradicional equipe inglesa está em franco declínio. Apesar do motor Renault não ser o melhor da F1, a montadora francesa está presente com uma equipe oficial. Como falado acima, ser uma equipe de fábrica é um requisito básico para brigar por vitórias e a Renault está na F1 com sua equipe. Ok, ainda brigando para ser a quarta força da F1, muito distante da própria Red Bull, mas com um potencial imenso para conseguir seus objetivos, que não são pequenos.

Numa movimentação rápida e que ocorreu sem muito alarde, Ricciardo anunciou sua saída da Red Bull, trocando a equipe que o revelou, pela Renault a partir de 2019, num contrato de dois anos. Para dissipar qualquer dúvida, a Renault anunciou que Ricciardo terá como companheiro de equipe Nico Hulkenberg, um piloto com objetivos muito parecidos com os de Ricciardo. Quando foi para a Renault em 2017, Nico estava procurando uma equipe de ponta para finalmente conseguir se firmar como um dos grandes pilotos da atualidade. Mesmo com pinta de eterna promessa, Hulkenberg já mostrou que tem talento e junto com Ricciardo, formar uma dupla homogênea e muito forte. 

A surpreendente saída de Ricciardo causou um turbilhão no mercado de pilotos. Mesmo tendo que correr ao lado de Max Verstappen, o 'darling' da Red Bull, a segunda vaga na equipe austríaca é bastante atraente para pilotos ainda procurando um lugar ao sol. Ou querendo voltar à ponta. Dois pilotos despontam como favoritos. Carlos Sainz acabou sobrando na Renault, mas ainda mantém vínculo com a Red Bull. Conta contra ele sua temporada abaixo do esperado na Renault e sua má relação com Verstappen nos tempos de Toro Rosso. Com a moral que Verstappen tem junto aos chefões da Red Bull, um veto não seria impossível. Outra promissora aposta seria o jovem Pierre Gasly. Vindo de uma bela corrida na Hungria, Gasly tem a vantagem de já conhecer o motor Honda e estar fazendo uma boa temporada na Toro Rosso. Conta contra sua inexperiência e Gasly formaria com Verstappen uma dupla muito jovem para desenvolver um projeto novo. E experiência sobra em Fernando Alonso. Mesmo já contando com 37 anos de idade, o espanhol ainda tem muita fome para voltar a conquistar títulos. Alonso não negaria um convite da Red Bull e seria uma grande atração na equipe, mas seu gênio difícil iria pesar bastante, ainda mais lidando com um fedelho tão talentoso como Verstappen. A Red Bull ainda não teve uma experiência de ter dois pilotos com tanta personalidade formando uma dupla tão explosiva.

Estranhamente a Red Bull não anunciou quem será o companheiro de equipe de Max Verstappen em 2019 e nos anos vindouros. Dificilmente Sainz ficaria sem cockpit em 2019 e já se fala numa dupla totalmente espanhola na McLaren. Isso, se Alonso realmente ficar. Vandoorne e Hartley são duas cartas totalmente fora do baralho, além do que, ainda há Lando Norris fazendo muita pressão para entrar na F1 já em 2019 e mostrando talento para tal. 

A saída de Ricciardo foi apenas o começo da dança das cadeiras na F1, o que fará desse período de férias bastante animado com relação à especulação de quem vai ficar aonde em 2019. A escolha de Daniel Ricciardo foi bastante audaciosa e surpreendente, mas houve bastante lógica em sua opção com a Renault. Ele estará numa equipe de fábrica, em desenvolvimento e como piloto principal, mesmo Hulkenberg sendo um ótimo piloto. Se a aposta de Ricciardo funcionará, conheceremos apenas daqui a um ano e meio, quando terminar a temporada de 2019.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

História: 20 anos do Grande Prêmio da Alemanha de 1998

Quando as mudanças de regulamento foram anunciadas para a temporada 1998, com os carros teoricamente ficando mais lentos do que em 1997, havia um circuito que todos esperavam que acontecesse exatamente o contrário. Como os carros ficaram mais estreitos, a penetração aerodinâmica poderia fazer os carros voarem nas longas retas de Hockenheim e mesmo com os pneus frisados, pela primeira vez em 1998 os carros estavam mais rápidos do que da geração anterior.

E quem conseguiu essa proeza foi Mika Hakkinen, superando por milésimos a pole de Gerhard Berger no ano anterior. Correndo praticamente em casa, pela proximidade da sede da Mercedes, a McLaren dominou inteiramente o final de semana e Coulthard completou a dobradinha da McLaren-Mercedes no grid. Relembrando um pouco seus tempos em que brigava pela vitória, Jacques Villeneuve ficou em terceiro, com um tempo muito próximo de Coulthard. Assim como ocorrera em 1997, a Ferrari simplesmente não se acertou em Hockenheim e para piorar, Michael Schumacher foi decisivamente atrapalhado por Pedro Paulo Diniz em sua volta mais rápida na classificação, o relegando ao nono lugar, superado inclusive pelo seu companheiro de equipe Irvine.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:41.838
2) Coulthard (McLaren) - 1:42.347
3) Villeneuve (Williams) - 1:42.365
4) R.Schumacher (Jordan) - 1:42.994
5) Hill (Jordan) - 1:43.183
6) Irvine (Ferrari) - 1:43.270
7) Wurz (Benetton) - 1:43.341
8) Fisichella (Benetton) - 1:43.369
9) M.Schumacher (Ferrari) - 1:43.459
10) Frentzen (Williams) - 1:43.467

O dia 2 de agosto de 1998 amanheceu nublado e abafado em Hockenheim, mas não havia previsão de chuva na hora da corrida, aumentando ainda mais o favoritismo da McLaren-Mercedes. Mesmo com Schumacher sendo um grande ídolo dos alemães, não faltava torcida para a Mercedes e por consequência, à McLaren, Hakkinen e Coulthard, numa mistura de cores nas lotadas arquibancadas do Estádio. E as bandeiras da estrela de três pontas tremularam quando a dupla da McLaren largou muito bem, não dando chances aos pilotos mais próximos dos carros prateados. Villeneuve largou mal e foi ultrapassado pela dupla da Jordan, enquanto Schumacher foi atrapalhado pela Benetton parada de Wurz bem à sua frente.

Durante a primeira volta Villeneuve ultrapassou seu antigo companheiro de equipe para ficar em quarto, enquanto Schumacher ganhava a sétima posição de Fisichella. Na frente, as McLarens já imprimiam um ritmo avassalador e muito superior aos adversários. A corrida parecia ganha já no final da primeira volta. Ralf Schumacher ainda acompanhava à distância Coulthard, enquanto seu irmão mais velho deixava, sem surpresas, Irvine para trás e assumir a sexta posição. Ralf é o primeiro a parar, indicando que seu bom ritmo era devido a uma estratégia de duas paradas, enquanto a maioria dos pilotos esperou a metade da corrida para completarem o tanque e executar a tática de uma parada. No final da volta 29 Ralf Schumacher completou sua segunda parada e retornou à pista imediatamente atrás do seu irmão. Afora o alemão da Jordan, as posições permaneciam praticamente as mesmas do final da primeira volta.

A McLaren tinha um receio de que nem todo o combustível de Hakkinen tinha entrado no tanque e por isso pediu a seus dois pilotos para diminuírem bem o ritmo, permitindo a aproximação de Villeneuve, mas o canadense não tinha a mesma velocidade nas retas para deixar os retardatários para trás e perdia tempo nos momentos decisivos de ataque. Coulthard cumpria candidamente o papel de escudeiro de Hakkinen, enquanto Hill e os irmãos Schumacher vinham a seguir separados por poucos segundos, mas sem possibilidade de ataque. Quando a bandeirada foi dada, a McLaren pôde respirar aliviada com mais uma dobradinha da equipe e Hakkinen voltando a abrir bons pontos no campeonato, com Schumacher apenas em quinto. Quem também respirou aliviado foi o público, pois terminava uma corrida onde praticamente nada aconteceu, provando que o antigo circuito de Hockenheim tinha uma identidade própria, mas a maioria das corridas não eram nada empolgantes.

Chegada:
1) Hakkinen
2) Coulthard
3) Villeneuve
4) Hill
5) M.Schumacher
6) R.Schumacher

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Gigante inglês

O automobilismo, particularmente o monoposto, sempre preferiu pilotos com biotipo bem parecido com os jóqueis: pequenos e leves. Com o carro sendo construído levando-se em conta o corpo do piloto, ser alto pode ocasionar sérios problemas até mesmo no acerto do carro, porém, Justin Wilson passou por cima desse obstáculo e com seu 1,92m de altura, o inglês conseguiu destaque no automobilismo internacional com o seu talento, além do seu jeito afável conquistar inúmeros fãs na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde correu por mais tempo profissionalmente, além de ter encontrado seu destino três anos atrás. Se estivesse vivo, Justin iria completar 40 anos e por isso, vamos conhecer um pouco mais de sua história.

Justin Boyd Wilson nasceu no dia 31 de julho de 1978 em Sheffield, na Inglaterra. Amante dos esportes, mesmo que tendo dificuldades na escola por causa da dislexia, logo Justin se firma nas corridas, iniciando sua carreira no kart em 1987, se sagrando campeão inglês em 1989 e 1994. Mesmo mostrando muita velocidade, andando forte junto com seus contemporâneos Dan Wheldon e Jenson Button, Wilson tinha uma pequena (grande) dificuldade frente aos seus rivais: sua altura. Muito alto para os padrões do monoposto, Wilson sempre teve problemas por causa disso, chegando a adiar sua estreia na F1. Quando completou 17 anos Justin partiu para a F-Vauxhall Junior e já no seguinte ele subiu para a categoria principal, se tornando um dos pilotos de ponta da categoria de base. Seu caminho natural seria a tradicional F3 Inglesa, mas uma nova categoria nasceu em 1998 e Justin Wilson optou por ela: F-Palmer Audi. Correndo com motores turbo da Audi e chassis iguais, a categoria era uma alternativa mais barata do que a F3, que tinha chassi e potência similar. Wilson se torna o primeiro campeão com nove vitórias, dominando inteiramente o certame, mas houve uma pequena mácula. Justin era agenciado por Jonathan Palmer, que patrocinava a categoria e na época houve acusações de que Wilson teria sido privilegiado, algo nunca comprovado. Afinal, o talento de Justin Wilson era comprovado em outras categorias. 

O título na F-Palmer Audi proporcionou a estreia de Wilson na F3000 em 1999, ante-sala da F1. Era uma espécie de prêmio pelo título, mas Wilson vai para a pequena equipe Astromega e os resultados não vieram como esperado, mesmo o inglês tendo marcado um pontinho na sua estreia em Ímola com um sexto lugar. Wilson vai para a Nordic no ano seguinte e na segunda etapa do campeonato em Silverstone sobe pela primeira vez ao pódio, terminando o ano num bom quinto lugar no certame. O terceiro ano de Justin na F3000 seria decisivo no seu sonho de alcançar a F1 e o inglês não perde a oportunidade. Mais adaptado na Nordic, Wilson vence logo a primeira corrida do campeonato em Ímola, iniciando uma campanha sólida, com dez pódios e mais duas vitórias (Áustria e Hungria), se sagrando campeão da F3000, sendo o primeiro britânico a faze-lo. O próximo objetivo era a F1 e Wilson chegou a testar com a Jordan no final de 2001, com expectativas de se tornar piloto de testes em 2002, mas com a Jordan passando por um momento financeiro delicado e Wilson foi deixado de lado. Uma quarta temporada na F3000 seria infrutífera e então Wilson inovou novamente, partindo para a recém-lançada F-Nissan. A categoria, baseada na Espanha, utilizaria carros bem parecidos com os da F3000, mas com um motor mais potente, carros com efeito-solo e a obrigatoriedade de pit-stops. Seria um bom caminho para piloto como Justin Wilson, na esperança de alcançar a F1, mas já tendo feito sua história na F3000. Wilson faz uma boa temporada, com duas vitórias e o quarto lugar no campeonato. Porém, seu radar ainda estava na F1. Alex Yoong havia estreado na Minardi ainda em 2001 muito baseado em seus fortes patrocinadores, mas era límpido como água que o malaio não tinha a menor condição de estar na F1. Mesmo dependendo do dinheiro trazido por Yoong, Paul Stoddart, dono da Minardi na época, dispensa Yoong de duas etapas, dizendo que o malaio precisava 'de mais treino para se familiarizar com um F1'. Não havia treino que desse jeito em Yoong, mas Stoddart viu em Wilson uma possibilidade real para substituir o famigerado piloto-pagante, mas um velho problema veio à tona. Com 1,92 de altura, Wilson simplesmente não cabia dentro da Minardi de Yoong e por isso, Anthony Davidson foi o escolhido.

Porém, Stoddart prometeu um lugar para Justin Wilson em 2003 e cumpriu, contratando o inglês para a temporada, com a ajuda de um fundo de investimento para que Wilson garantisse um lugar na Minardi. Porém, novamente a altura do inglês o atrapalharia. O Hans Device havia se tornado obrigatório em 2003 e alguns pilotos tiveram dificuldades com o novo aparato. Sem muito espaço dentro do cockpit, Wilson sofreu ainda mais e teve que abandonar o Grande Prêmio da Malásia por não suportar mais as dores por causa do Hans. Como era de se esperar correndo pela Minardi, Wilson não saía da última fila, mas o inglês chamou a atenção ao chegar a ficar em oitavo numa corrida por algum tempo. O trabalho de Justin era muito bom frente ao experimentado Jos Verstappen e logo seria recompensado. A Jaguar havia contratado a nova promessa brasileira Antonio Pizzônia, mas o manauara decepcionava com corridas medíocres, principalmente comparadas à Mark Webber, uma das sensações daquele ano. Após muitas discussões, Pizzônia foi dispensado depois do Grande Prêmio da Inglaterra e cumprindo seu dever de ser uma equipe britânica, a Jaguar contratou para o seu lugar Justin Wilson. O carro da Jaguar não era de ponta, mas era bem melhor do que a Minardi que Justin pilotou naquela primeira metade de ano. Mesmo não estando acostumado com o novo carro, pelo menos Webber tinha 1,84m e o inglês não sofreria tanto. Bom amigo de Webber, Justin Wilson consegue fazer mais do que Pizzônia e marcaria o seu primeiro e único ponto no dramático Grande Prêmio dos Estados Unidos, numa corrida marcada pela instabilidade climática. Contudo, nem o bom trabalho de Wilson lhe garantiu um lugar na F1 em 2004. A Red Bull havia saído da Sauber e patrocinaria a Jaguar a partir de 2004. Uma das primeiras exigências da marca de energético foi colocar seu piloto-júnior Christian Klien na Jaguar e como Mark Webber havia se destacado muito, Wilson acabou sobrando. Foram apenas dezesseis corridas e um ponto marcado pelo inglês. No final de 2004, a Red Bull compraria a Jaguar.

Sem espaço na F1, Justin Wilson atravessou o Atlântico atrás de outras oportunidades na Indy, porém, não era mais a Indy de outros tempos. Ao contrário do seu compatriota Mansell onze anos antes, a Indy vivia seu momento mais baixo, com a categoria dividida em dois campeonatos de baixo nível técnico. Wilson escolheu a Champ Car, sucessora da CART e com um campeonato mais parecido dos áureos tempos, numa mistura de circuitos mistos, de rua e ovais. Wilson estreou pela pequena equipe Conquest, conseguindo poucos resultados de relevo, mas foram suficientes para chamar a atenção da equipe RuSport, uma das principais da categoria, junto das veteranas Newman-Haas e Forsythe. Wilson consegue sua primeira vitória na Indy em Toronto, acabando seu primeiro ano numa equipe realmente competitiva em terceiro lugar. Numa época em que a Champ Car era amplamente dominada pelo francês Sebastien Bourdais, algumas vezes Wilson era o maior rival do piloto da Newman-Hass, repetindo algumas disputas que tiveram na F3000 no começo da década. Justin Wilson era um piloto de ponta na Champ Car e conseguiu dois vice-campeonatos em 2006 e 2007, mesmo que vencendo apenas duas corridas nesse período. Em 2007 a Champ Car tentou dar um passo maior do que a perna com um chassi totalmente novo e algumas corridas na Europa. Essa expansão, na verdade, camuflava a falência da categoria, que seria anunciada no final do ano. Wilson havia assinado com a Newman-Hass, principal equipe da Champ Car, mas a categoria fora absorvida pela IRL, fazendo com que a Indy se reunificasse depois de doze anos. Para as equipes que vinham da Champ Car, o começo da reunificação seria difícil e de piloto de ponta, mesmo tendo a estrutura da tradicional equipe Newman-Haas, Justin Wilson se transformou num piloto de fundo de pelotão na Indy. 

Para 2009 Justin Wilson se muda para a equipe Dale Coyne, uma das mais antigas da Indy, mas também frequentadora assídua do pelotão de trás. Já experiente e com o nome formado no automobilismo americano, Justin faz uma bela temporada com a Dale Coyne, sendo o percursor de vários bons resultados para a pequena equipe. Logo em sua estreia, Wilson termina a corrida de St. Petersburg em segundo, no melhor resultado da Dale Coyne na Indy, mas seria melhorado com uma bela vitória em Watkins Glen. Graças a esses resultados, Wilson foi contratado pela Dreyer&Reinbold, uma equipe mais estruturada do que a Dale Coyne, mas ainda longe de uma equipe de ponta. Wilson consegue dois segundos lugares em sua primeira temporada, mas em 2011 o inglês sofreria um forte acidente em Mid-Ohio, que o deixaria de fora de algumas corridas. No começo de 2012, Justin Wilson vence as 24 Horas de Daytona ao lado de Oswaldo Negri, AJ Allmendiger e John Pew, mostrando a versatilidade do inglês em diferentes tipos de carros e corridas. Wilson retornaria à Dale Coyne e venceria sua primeira corrida num oval, no circuito do Texas. Em 2013 Wilson faria um campeonato extremamente regular, subindo quatro vezes ao pódio e garantindo um impressionante sexto lugar no campeonato, seu melhor na Indy unificada. Porém, esses resultados não garantiam bons lugares para Wilson na Indy. Sem patrocinadores pessoais, Wilson sentia dificuldades em conseguir bons cockpits, mesmo que todos reconhecessem o bom trabalho e a velocidade de Justin.

Em 2015 Wilson foi contratado pela equipe Andretti, mas só faria parte de algumas corridas, ajudando no desenvolvimento do carro. Após um ótimo segundo lugar em Mid-Ohio, Justin Wilson participaria da corrida no superoval de Pocono, penúltima etapa do campeonato. O líder Sage Karam perdeu o controle do seu carro e bateu no muro, lançando vários destroços na pista. Um desses destroços, de forma fortuita, atingiu em cheio o topo do capacete de Justin Wilson, que vinha no bolo logo atrás. Desacordado, Justin bateu no muro e parou seu carro alguns metros depois. Percebendo a gravidade do acidente, o inglês foi imediatamente levado de helicóptero para o hospital em estado crítico. Para comoção de todo o automobilismo, Justin Wilson faleceu no dia seguinte, aos 37 anos de idade. Vários amigos e entidades trataram de ajudar em seu velório e à sua esposa Julia, e as filhas Jane e Jessica. Seu irmão mais novo, Stefan, também piloto, anunciou que mesmo após sua morte, Justin salvou seis vidas com a doação dos seus órgãos. O carisma de Wilson foi demonstrado com homenagens prestadas na Indy, F1 e Nascar. Em 2016 a segunda curva de Snetertton passou a se chamar Wilson. Após a triste morte de Justin Wilson, as discussões para uma maior proteção à cabeça do piloto aumentaram em todo o mundo. O polêmico Halo surgiu muito em decorrência do acidente fatal de Justin Wilson, mas apesar da estética ruim, se o Halo salvar outras vidas, Justin com certeza ficará bastante satisfeito.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Figura(HUN): Pierre Gasly

Num momento em que todos os olhos se voltam para o virtuosismo de Charles Leclerc, outro jovem piloto começa a despontar como uma possível futura estrela. Pierre Gasly não pareceu ter a confiança da Red Bull mesmo vencendo a antiga GP2, mas quando a empresa austríaca se viu sem bons pilotos jovens, Gasly foi escalado na Toro Rosso, seu celeiro de pilotos. O francês logo mostrou que a desconfiança não era merecida e rapidamente convencia não apenas à Red Bull, mas a todos na F1 que ele era merecedor de um bom lugar na F1. Tendo a difícil missão de ajudar o desenvolvimento de um motor que nunca se mostrou competitivo numa equipe grande como a McLaren, Gasly já conseguiu resultados nunca antes conseguidos pela Honda e na Hungria novamente o jovem francês se sobressaiu. Com a F1 vendo um enorme abismo entre as três principais equipes e as demais sete equipes, ser o melhor do 'resto' é a vitória para as equipes do pelotão intermediário e o 'vencedor' dessa corrida em Hungaroring, com ampla vantagem, foi Pierre Gasly, ultrapassando Sainz na largada e nunca deixando Magnussen se aproximar, mesmo a Haas tendo um carro melhor do que a Toro Rosso. Essa boa corrida de Gasly mostra que o futuro da Red Bull, junto com Max Verstappen, pode estar garantido nos próximos anos.

Figurão(HUN): Red Bull

Daniel Ricciardo teve seu motor trocado em Hockenheim antes da largada por um único motivo: ter uma boa posição em Hungaroring, pista que seria amplamente favorável para a Red Bull. A corrida na Alemanha do australiano estava arruinada, mas Daniel teria uma chance de ouro na Hungria, lugar onde já venceu e que o circuito com suas características travadas favoreceriam o carro de alto downforce da Red Bull. Isso tudo em teoria e no final de semana ficou tudo apenas nesse plano. A verdade foi que a Red Bull decepcionou bastante num circuito onde o criticado motor Renault não poderia parar o bom carro projetado de Adryan Newey. Na classificação, debaixo de chuva, a Red Bull falhou na estratégia de Daniel Ricciardo e o australiano amargou uma 12º posição no grid, enquanto Verstappen era superado por Sainz e Gasly com carros nitidamente inferiores. Na corrida Max se recuperou ainda na largada, mas sua corrida durou apenas a tempo do motor Renault novamente deixa-lo na mão e dar mais armas para Christian Horner e Helmut Marko criticar os franceses e seus dirigentes. A corrida de Ricciardo lhe fez ganhar inúmeras posições, mas a diferença do carro da Red Bull em comparação aos demais era tão grande, que os pilotos preferiam deixar o australiano passar do que perder tempo numa batalha perdida. Ricciardo ainda ganhou uma posição de Bottas na última volta quando o piloto da Mercedes teve problemas na asa dianteira após o toque com Vettel, mas a diferença superior a 40s que Ricciardo tomou do vencedor Hamilton mostrou bem que a Red Bull, que tanto batalhou para estar no mesmo nível de Mercedes e Ferrari, desceu um degrau na luta pelas vitórias num circuito que lhe era favorável e agora é novamente a isolada terceira força da F1.