segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Figura(JAP): Red Bull

 São quinze vitórias em dezesseis corridas, mais do dobro de pontos conquistados que o vice-líder e o Mundial de Construtores conquistado com mais uma vitória em ritmo de passeio, patrocinado pelo seu principal piloto e virtual campeão Max Verstappen. Mesmo em tempos de domínios contínuos da F1, o que a Red Bull vem fazendo em 2023 é algo assombroso. O Mundial de Construtores foi confirmado com seis corridas de antecipação. Foi 'mais um dia no escritório' para a Red Bull em Suzuka, mas o time austríaco comandado por Christian Horner, que gere talentos como Verstappen e Adryan Newey, merece estar nessa parte da coluna. Pode não ser muito legal de se assistir, mas não há como negar que a história está sendo escrita na nossa frente, só nos restando apreciar o incrível trabalho da Red Bull.

Figurão(JAP): Sergio Pérez

 A disputa foi grande para estar nessa parte da coluna. De um lado, Logan Sargeant bateu no sábado, dando um baita prejuízo à Williams, que já verbalizou através do seu chefe de equipe James Vowles que está sofrendo para se manter dentro do teto orçamentário, além de um toque desnecessário com Bottas no domingo praticamente terminando a corrida de Sargeant, além de colocar enormes dúvidas sobre a continuidade do americano na F1 em 2024. No entanto, Sérgio Pérez conseguiu ser ainda pior e bem no dia em que sua equipe comemorou o sexto título do Mundial de Construtores, o mexicano teve um final de semana horroroso, coroado com uma corrida classificada de forma bem educada como medíocre. Com Verstappen querendo mostrar a todos que os seus resultados medianos em Singapura nada mais eram que um ponto fora da curva em Suzuka, Pérez ficou muito para trás do companheiro de equipe em todos os treinos, chegando a ficar 1s de Max. Na classificação a diferença chegou a impressionantes oito décimos, mas como Pérez é conhecido por ter um melhor ritmo de corrida, era esperado um melhor desempenho no domingo, mas a maionese começou a desandar para Checo ainda na largada, quando saiu mal no apagar das luzes vermelhas e se viu numa linha de quatro pilotos na aproximação da primeira curva. Pérez acabou sendo o maior prejudicado e precisou trocar a asa dianteira, mas isso propiciou o primeiro grande erro de Sergio, ao ultrapassar Alonso antes da linha do SC, lhe dando um pênalti de 5s, que foi pago mais cedo do que o imaginado. Caindo para as profundezas do pelotão, Pérez iniciou uma tentativa de corrida de recuperação, que terminou num acidente estúpido com Magnussen, onde Pérez foi o único culpado. Para não ter que pagar a punição na próxima etapa no Catar, a Red Bull resolveu devolver Pérez para a pista. A cena de Pérez parado por vários minutos dentro do carro, como se estivesse de castigo, foi bem emblemática. O mexicano parece estar com a confiança esmagada pelo tsunami Verstappen e por saber que a sua equipe apoiará o neerlandês por muito tempo. Pérez é um piloto acuado e sem confiança, só restando a ele manter a segunda colocação no campeonato, posição que está nesse momento, mas se Pérez perder essa posição no final do campeonato, sua continuidade na F1 poderá ficar em risco. 

domingo, 24 de setembro de 2023

Um porre

 


Há um ditado que diz que pistas boas produzem corridas boas. Suzuka é das pistas preferidas de todos os pilotos de ontem e de hoje e para os brasileiros, o circuito japonês tem um significado ainda mais especial, por ter sido palco de metade dos títulos conquistados na F1. Porém, Suzuka é um circuito bem 'old school' e com uma F1 com carros tão largos e com alta dependência aerodinâmica, a triste realidade é que o circuito nipônico não está envelhecendo muito bem e normalmente as corridas por lá são verdadeiros porres, daqueles de derrubar qualquer um num sábado para domingo de madrugada. Hoje não foi exceção e novamente vimos uma corrida bem morna, combinando bem com o clima em Suzuka nesse final de semana, onde o sol brilhou forte e causou alto desgaste de pneus. Querendo dar uma resposta aos que duvidavam da Red Bull depois do final de semana horroroso em Singapura, Max Verstappen passeou entre as curvas rápidas de Suzuka, dando o título de Construtores para a Red Bull, além de ficar apenas três pontos de confirmar o tricampeonato.


A largada foi o momento mais interessante da corrida. Piastri deve ter levado um pouco a sério a brincadeira feita por Norris no dia anterior, quando o inglês pediu ao companheiro de equipe uma largada à la Senna em 1990. Piastri estacionou seu McLaren apontando para Verstappen e largou de forma diagonal, tentando ir para cima de Max, que segurou a posição, mas essa manobra deixou o caminho livre para Norris pular bem na primeira curva e brigar por alguns metros com Verstappen, mas logo o neerlandês colocou ordem na casa e deu um 'tot ziens' para Lando. Mais atrás, a corrida do outro piloto da Red Bull se tornava um inferno. Sérgio Pérez largou bem, assim como Hamilton e Sainz. Naquele bolo, apenas Leclerc, que largava em quarto, não saiu bem no apagar das luzes vermelhas, mas o ferrarista não entregaria a sua posição fácil e como resultado, os quatro chegaram a ficar emparelhados no aproche da primeira curva, inclusive com Sainz tentando uma manobra duvidosa ao colocar sua Ferrari à fórceps entre Leclerc e Pérez. No entanto, ao lado de Pérez já estava Hamilton, que colocou as rodas na grama e tocou-se com Checo, que foi o grande prejudicado da confusão, pois teve a asa dianteira quebrada e precisou ir aos boxes troca-la. Nas últimas posições, Bottas e Ocon batiam, fazendo com que Albon e Zhou pegassem resquícios do toque, que fez com que a pista ficasse tão suja, que o Safety-Car fosse à pista.


Pérez continuou sua corrida desastrada ao cometer o erro primário de ultrapassar carros com o SC na pista, lhe causando uma punição de 5s, que foi cumprida mais rápido do que o planejado quando Checo se envolveu num acidente estúpido com Magnussen, no hairpin, coroando uma corrida pífia do mexicano, que teve que abandonar a corrida... para depois tentar um retorno sem nenhum motivo aparente. Pérez passou vários minutos dentro do carro, recebeu o ok para retornar à pista, deu uma volta lenta para encostar novamente. Enquanto isso, Verstappen passeou pelas curvas de Suzuka para vencer pela 48º vez na carreira e demonstrando o quanto Pérez foi inútil nesse final de semana, os pontos conquistados por Max foram mais do que suficientes para que a Red Bull conquistasse o Mundial de Construtores com uma antecedência absurda, mesmo para os padrões atuais de seguidos domínios na F1. Verstappen chegou aos quatrocentos pontos ainda faltando seis provas para fim, restando ao piloto da Red Bull apenas três pontos para confirmar um tricampeonato que já era favas contadas desde a primeira corrida da temporada. A conta deverá ser batida ainda no sábado, na corrida Sprint do Catar. Pérez pode ser um bom piloto, mas demonstra ter problemas de confiança e ao ser esmagado por Verstappen e vendo a equipe viver em torno do neerlandês, Pérez parece acuado. O mexicano ainda tem uma boa vantagem sobre Hamilton na segunda posição, mas com corridas como a de hoje, essa posição pode ficar bem ameaçada, o que seria uma derrota doída e com consequências para o futuro de Pérez na F1.


Com a pista abrasiva e um calor fora da curva em Suzuka, o desgaste de pneus seria um ponto primordial na corrida nipônica, mas nem isso animou muito a prova, com praticamente todos os pilotos optando pela tática padrão de duas paradas. Piastri foi beneficiado pelo SC Virtual no toque entre Pérez e Magnussen por ter feito o seu primeiro pit-stop durante o período, mas o ritmo superior de Norris fez com que a McLaren realizasse a troca entre seus pilotos. Foi uma corrida bem solitária para ambos, mas garantindo bons pontos para a McLaren e o primeiro pódio na F1 para Piastri, que em troca não pareceu muito feliz com sua conquista. Provavelmente Piastri não tenha ficado contente com a ordem de equipe, além de saber de sua capacidade e que um pódio é apenas um passo rumo a conquistas ainda maiores. Leclerc fez uma corrida tranquila, onde a Ferrari não cometeu erros crassos, mesmo que permitindo que Sainz, longe do brilhantismo de Marina Bay, perdesse uma posição para a Mercedes num undercut. Por sinal, os pupilos de Toto Wolff estavam bem animados, com Hamilton e Russell chegando a trocar tintas durante a corrida. George arriscou numa estratégia de uma parada, mas no final o inglês chegou praticamente na mesma posição em que ficaria, caso escolhesse a tática padrão. Nas voltas finais, Sainz tentou um ataque em cima de Hamilton, mas Lewis segurou bem a posição e aumentou sua vantagem para Alonso na briga pelo terceiro lugar no campeonato.


O espanhol da Aston Martin largou bem, se aproveitando do entrevero na sua frente na primeira curva, pulando na frente da dupla da Mercedes, mas Alonso simplesmente não tinha ritmo para enfrentar Ferrari e Mercedes, terminando num opaco oitavo lugar e já se impacientando com a decadência de sua equipe nesse último terço de campeonato. Stroll abandonou, mas não por culpa sua, mas por problemas na asa traseira, fazendo com que a Aston Martin trouxesse o canadense para os pits. Mesmo tendo que fazer uma parada não programada pelo toque com Bottas na primeira volta, Ocon ainda teve fôlego para conseguir pontuar ao mudar de estratégia e ficar bastante tempo na pista com pneus duros no primeiro stint. Gasly superou a dupla da Alpha Tauri e com a parada de Ocon, terminou em nono, mostrando que a Alpine é a quinta força do campeonato. Bem no final de semana em que foi confirmado como piloto reserva em 2024, Lawson fez outra corrida muito boa usando seu conhecimento de Suzuka, já que Liam disputa a Super Formula japonesa, e superou Tsunoda na casa do japonês, ficando a um posto de marcar ponto novamente. Foi uma corrida com mais abandonos do que o normal e novamente Sargeant se envolveu em um acidente, que aumenta ainda mais a pressão em cima do americano. Drugovich agradece.


Numa corrida sem muita história, a Red Bull confirmou seu merecido título de Construtores na casa de sua parceira, a Honda, e ainda deixou Max Verstappen esperando apenas a confirmação matemática para poder comemorar o título. O neerlandês dominou a corrida em Suzuka com a mesma facilidade em que efetuou na maioria de suas treze vitórias em 2023. Com suas curvas rápidas e estreitas, Suzuka é cada vez mais uma pista para o piloto, mas nem tanto para o público. Não foi uma corrida boa de se assistir, mas Verstappen e a Red Bull não tem nada com isso e vai destruindo recordes, concorrência e até mesmo seu segundo piloto. Uma domínio para a história.

sábado, 23 de setembro de 2023

Resposta

 


Após o final de semana problemático em Cingapura, com as novas diretivas da FIA sobre a flexibilidade de asas e assoalho, a F1 criou uma esperança de que a Red Bull poderia ter algumas rachaduras em sua armadura de invencibilidade. Bastou uma semana para que todos percebessem que o ocorrido nas ruas cingapurianas não passou de um ponto bem fora da curva. Voltando a um circuito regular, Max Verstappen resolveu dar uma resposta a quem duvidava de seu domínio. Após liderar com facilidade os três treinos livres em Suzuka, o neerlandês da Red Bull massacrou na classificação, colocando meio segundo na dupla da McLaren, além de sete décimos em Checo Pérez, o quinto. Marina Bay foi apenas um sonho curto de verão.

Antes da corrida surgiu a especulação de que Felipe Drugovich estaria negociando com a Williams, ultrapassando nessa corrida Mick Schumacher. Contudo, a Williams trouxe Logan Sargeant de suas canteras para desenvolve-lo e não faria sentido dispensa-lo após apenas um ano. Será? Antes de completar sua primeira volta no Q1, o americano estampou seu Williams na saída da curva 18, um lugar não muito habitual para se bater, dando mais prejuízo à sua equipe, além de aumentar as esperanças de Drugovich de estar no grid da F1 em 2024, principalmente se o paranaense conseguir juntar uma boa grana na mesa de James Vowles, chefe da Williams. Ainda na manhã nipônica, surgiu a notícia que a Alpha Tauri terá como dupla de pilotos em 2024 Yuki Tsunoda e o ainda lesionado Daniel Ricciardo. Usando seu conhecimento da pista de Suzuka, Liam Lawson andou próximo de Tsunoda e mostra que teria totais condições de estar na F1 em 2024, lembrando que no Q1, o neozelandês chegou a superar Pérez, que até o momento está num final de semana bastante esquecível.

Max Verstappen, ao contrário do seu companheiro de equipe, chegou à Suzuka com a clara disposição de responder a quem duvidada que o domínio dele e da Red Bull estivesse à perigo. Max liderou todo o treino com uma imposição impressionante, assim como chamou a atenção o ótimo desempenho da McLaren e particularmente de Oscar Piastri, superando Norris e ficando na primeira fila. Após duas ótimas classificações, Sainz voltou a tomar tempo de Leclerc, que ficou em quarto, na frente de um sorumbático Pérez. No outro lado do boxe, a Red Bull comemorou bastante mais uma pole de Max e a quase certeza de uma vitória dominante no domingo.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

A consagração de Nigel


Nigel Mansell demorou a desabrochar na F1, mas quando o fez mostrou uma velocidade surpreendente e que ninguém parecia acreditar. O inglês saiu das sombras e se tornou uma estrela do automobilismo mundial, mas ainda havia quem achava que Mansell também era um personagem folclórico, capaz de pilotagens incríveis e erros inacreditáveis. Não faltava coragem e carisma ao piloto inglês, assim como lhe faltava tato com as pessoas e uma mentalidade mais pragmática. Mansell saiu de sua querida Williams no final de 1988, passou um tempo na Ferrari que acabou sendo um pouco decepcionante antes de retornar à Williams ainda perseguindo seu sonhado título.


Ayrton Senna era a maior estrela da F1 naquele momento, mas havia uma torcida para o velho Leão. Após um 1991 de grande desenvolvimento da Williams, a temporada 1992 foi um verdadeiro sonho para Mansell, dominando a F1 como nunca tinha sido visto até então. Foram recordes quebrados, uma imposição impressionante e Mansell finalmente ganhava seu primeiro título na F1, já contando com seus 39 anos de idade. Contudo, Mansell ainda tinham alguns críticos de que ele não tinha finesse de Prost, o conhecimento de Piquet ou a genialidade de Senna. Havia uma piada que o Williams FW14 era feito sob medida para Mansell, pois evitava que o inglês cometesse as suas conhecidas bobagens. Ao conquistar o título com uma antecipação inédita, Mansell cresceu os olhos para renovar com a Williams. Contudo, Frank havia contratado Alain Prost para 1993 e com Mansell pedindo muito dinheiro, o velho Frank desdenhou da pedida de Nigel. Ainda em setembro de 1992, Mansell anunciava não apenas que não defenderia seu título em 1993, como ele faria uma mudança drástica na carreira.


A Formula Indy vivia uma fase mágica e incomodava a F1 e Bernie Ecclestone. Na tentativa de retirar uma das estrelas da Indy, Ecclestone incentivou Ron Dennis a contratar Michael Andretti para a F1. O que Bernie não contava era que o atual campeão da F1 e uma de suas maiores estrelas iria fazer o caminho inverso e partiria para um contrato de dois anos com a Newman-Haas, antiga equipe de Michael e uma das mais tradicionais da Indy. Foi um assombro! Não bastasse a Indy já ter várias estrelas do calibre de Emerson Fittipaldi, Mario Andretti (companheiro de equipe de Mansell), Al Unser Jr, Bobby Rahal (atual campeão) entre outros, Mansell cruzaria o Atlântico para aumentar a constelação de estrelas da Indy. Foi um golpe de mestre da categoria e Mansell se reencontraria com Mario Andretti dentro da equipe de Paul Newman. Nigel Mansell conseguiu uma pole logo em sua primeira corrida na F-Indy em Surfer's Paredise e o inglês venceu a prova, se tornando o primeiro novato a conseguir tanto a pole, como a vitória na estreia. Na Inglaterra, recordes de audiência eram quebrados no final de tarde do domingo britânico para acompanhar Nigel.


Havia uma curiosidade como o sempre agressivo Mansell se comportaria nos ovais, que necessitam de uma pilotagem mais neutra. E a estreia de Nigel não foi das melhores, quando ele perdeu o controle do Lola-Ford e bateu forte no muro durante os treinos em Phoenix, resultando numa pequena cirurgia nas costas de Mansell.  O inglês retornou às pistas na corrida seguinte em Long Beach e terminou a corrida em terceiro lugar, mostrando o quanto Nigel poderia superar as dificuldades. Diziam na época que Mansell estava querendo se livrar dos brasileiros (Senna e Piquet) na F1, mas acabou encontrando outros (Fittipaldi e Boesel) na F-Indy. Em Cleveland, Nigel teve uma briga histórica em Emerson, com os dois veteranos brigando roda e roda como se fossem dois garotos no kart. Após um início difícil em Phoenix, Mansell surpreendeu nos demais ovais daquele ano. Fora Phoenix e Indianápolis, Mansell venceu todas as corridas em oval (Milwaukee, Michigan, New Hampshire e Nazareh). E mesmo em Indianapolis, Nigel ficou perto de vencer, liderando mais voltas, mas faltando algumas voltas para o fim ele tocou o muro ligeiramente danificado sua suspensão dianteira. Mas ele fez um grande trabalho, mantendo-se na luta e terminando na 3° posição.


O grande rival de Mansell em 1993 fora mesmo Emerson Fittipaldi e os dois chegaram em Nazareth trinta anos atrás com o inglês treze pontos na frente do piloto da Penske. Os dois compartilharam a primeira fila na largada e mesmo não largando bem, Nigel logo assumiu a primeira posição para não ser mais ameaçado, onde apenas o segundo colocado Scott Goodyear estava na mesma volta de Mansell. Com Emerson terminando apenas em quinto, Mansell aumentava a sua diferença na ponta para 23 pontos e conquistava o título da Indy com uma prova de antecipação.


Era a consagração definitiva de Nigel Mansell dentro do automobilismo mundial. Após vencer finalmente seu merecido título na F1, um ano depois o inglês iria para uma Indy num momento relevante e vencia o campeonato em sua estreia. Como Prost ainda não tinha confirmado seu título na F1, Mansell era então campeão da F1 e da Indy. Um grande momento para Nigel Mansell!

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Figura(CIN): Carlos Sainz

 Não poderia ser outro! Vindo de um final de semana de destaque em Monza, Carlos Sainz continuou sua ótima fase numa pista completamente diferente, onde suas principais qualidades ficaram mais evidentes. Sainz não tem o mesmo talento de Leclerc, seu companheiro de equipe e queridinho da Ferrari, mas o espanhol tem algumas virtudes que lhe ajudaram bastante no final de semana cingapuriano. Com a Red Bull tendo um final de semana irreconhecível, Sainz aproveitou a chance e ficou com a pole, garantindo para si o privilégio da estratégia ferrarista. E isso seria primordial, lembrando que o carro da Ferrari tem sérios problemas de desgaste de pneus. Sainz sabe disso e por isso fez uma corrida cerebral e foi de uma frieza que normalmente lembram os nórdicos, não os sempre quentes espanhóis. Carlos soube usar sua imensa visão de corrida para se manter sempre na frente na difícil pista de Cingapura, mesmo tendo alguém lhe fustigando no retrovisor, na corrida mais longa e física do calendário da F1. No primeiro stint, sabendo que Leclerc estava sendo sacrificado para segurar o pelotão, Sainz aproveitou para preservar seus pneus. Após as duas entradas do Safety-Car e a corrida mudada, Sainz teve a frieza de ficar perto de Lando Norris de propósito para dar ao inglês o necessário DRS para se defender das Mercedes com pneus novos e num ritmo 2s mais rápido. Foi um verdadeiro show de pilotagem inteligente, mostrando que Carlos Sainz merece ser considerado mais do que um mero segundo piloto na Ferrari.

Figurão(CIN): Lance Stroll

 Personagem recorrente nessa parte da coluna, o canadense parece sempre se superar em sua mediocridade. Não bastasse estar levando um verdadeiro vareio de Fernando Alonso dentro da equipe do pai, Lance Stroll vê a equipe que foi feita praticamente para ele ser prejudicada... por causa dele! No começo da temporada a Aston Martin era a segunda força da F1 e com a genialidade de Alonso, o time britânico conseguiu pódios consecutivos e ocupou por bastante tempo a segunda posição no Mundial de Construtores. Contando apenas com Alonso, pois Stroll nada faz para ajudar a causa da Aston Martin, o time foi perdendo fôlego e foi alcançada por Mercedes e Ferrari. Logicamente que, se Alonso começou a perder rendimento, em consequência Stroll cairia ainda mais e se Fernando agora marca pontos aqui e ali, Stroll nem isso. Os pontos que não foram marcados por Lance significa menos dinheiro ganho pela equipe e para piorar, em Cingapura Stroll deu um literal prejuízo ao seu pai. No final do Q1, ocupando a nada gloriosa última posição e sem chances de passar ao Q2, Stroll perdeu o controle do seu carro na última curva e destruiu seu Aston Martin. Detalhe foi que Alonso foi ao Q3 confortavelmente. Mesmo saindo ileso do seu carro, Stroll acusou dores no domingo e com o carro destruído, Lance ficou de fora da corrida, além de Lawrence amargar um senhor prejuízo. Os especialistas já identificaram que, se a Aston Martin quiser crescer e ser levada à sério, precisará brevemente de um novo segundo piloto, mas fica a questão: quem falará isso à Lawrence, que investiu centenas de milhões para deixar o filhão na F1? Uma saída de Lance Stroll poderia ocasionar uma desilusão à Lawrence com a F1? O que fica claro é que Lance Stroll, para tristeza do seu pai, que fez de tudo por ele, simplesmente não tem talento o suficiente para render o investimento feito e que seu futuro deverá ser bem longe das glórias na F1.

domingo, 17 de setembro de 2023

Usando a cabeça


Não é muito segredo que a Ferrari escolheu Charles Leclerc como o líder da equipe nos próximos anos, frente à concorrência de Red Bull, Mercedes e outras. O monegasco pode ser até mais rápido do que Sainz e ser até mesmo mais talentoso, mas o espanhol tem algumas valências que fazem Carlos superar Leclerc em determinados momentos. O Grande Prêmio de Cingapura foi assim. Na pista travada e debaixo de uma noite abafada, a velocidade não seria o principal fator para vencer a prova. Precisava usar a cabeça. E com uma visão de corrida privilegiada, Carlos Sainz venceu a prova na cidade-estado, quebrando a invencibilidade da Red Bull.


A corrida cingapuriana não foi das mais emocionantes no seu começo, apesar da transmissão insistir no contrário. A largada foi bem convencional, onde a única mudança importante foi Leclerc, montado com os pneus macios, pular melhor do que Russell e assumir a segunda posição, completando a dobradinha da Ferrari. Hamilton fez uma largada agressiva, quase bateu no seu companheiro de equipe Russell e para evitar isso, saiu da pista, retornando em terceiro, mas foi solicitado pela equipe a voltar à quinta posição original, mesmo que depois a direção de prova dissesse que Hamilton até pudesse ficar na frente de Norris. A partir de então, começou uma espécie de procissão para todos fazerem os pneus funcionarem na corrida mais longa do calendário. Sabedora que é uma das equipes que mais magoam a borracha da Pirelli, a Ferrari tratou de estabelecer uma ordem em torno da vitória. Mesmo sendo o queridinho do time, Leclerc ficou como o boi de piranha para fazer funcionar a estratégia de Sainz. Com a Mercedes tendo um melhor ritmo de corrida, a Ferrari sabia que um undercut era não apenas possível, como bem provável e por isso, fez com que Leclerc segurasse o pelotão o máximo possível, se tornando um escudeiro para Sainz. A tática nem sempre funcionou da melhor maneira, seja pelo pé pesado de Charles, como pela ótima visão de Sainz. Se acelerasse demais, Sainz poderia ter problemas de desgaste de pneus e por isso preferiu não forçar tanto, guardando seus pneus, enquanto Leclerc fazia o jogo sujo. Isso significava um pelotão intermediário compacto e os líderes andando até 10s mais lentos que os tempos conseguidos na classificação. A corrida estava morna, quando o horrível Logan Sargeant passou reto com seu Williams e mesmo não ficando parado no muro e tendo danos relativamente pequenos, a direção de prova resolveu colocar o Safety-Car na pista, de forma bem discutível, lembrando aquelas bandeiras amarelas da Nascar 'por detritos'. Que nada mais era do que uma tentativa artificial da Nascar em mexer na corrida. Tão americana quanto a Nascar, a Liberty traz algumas coisas que simplesmente não combinam com a F1, mas não se pode negar que essa manobra para lá de discutível da direção de prova modificou um pouco o andamento da corrida.


A Ferrari pretendia esticar o máximo do stint com pneus médios e ter uma boa margem para colocar os duros. O Safety-Car fez com que a Ferrari antecipasse os pit-stops e para piorar a situação, Leclerc teve que ficar parado mais tempo do que o normal por causa do tráfego dentro do pit-lane, fazendo com que Sainz perdesse seu escudeiro, tendo Russell em seu encalço. O SC também estragou bastante a estratégia da Red Bull. Mesmo Max Verstappen ganhando algumas posições no início de prova, o neerlandês entrou na pasmaceira do pelotão e preferiu ficar na oitava posição, atrás da briga entre Alonso e Ocon. Contudo, Max e Checo estavam calçados com pneus duros, o que indicava que fariam a tática inversa das outras equipes, ou seja, eles teriam pneus melhores nas fases derradeiras da corrida. No entanto, a dupla da Red Bull não parou no SC e mesmo pulando para segundo com a parada da maioria do grid, Max se tornou um alvo fácil com seu problemático (pelo menos em Cingapura) Red Bull, o mesmo acontecendo com Pérez um pouco mais atrás. Com ninguém mais parando até bandeirada e os dois pilotos da Red Bull tendo que parar obrigatoriamente, a estratégia da Red Bull parecia condenada, com Verstappen e Pérez caindo para as profundezas da pelotão. Enquanto isso, Sainz dava um show de controle de conservação de pneus, ao mesmo tempo em que não sofria maiores ataques de Russell. O próprio inglês parecia impaciente com a situação, onde via que tinha mais ritmo do que Sainz, mas parecia incapaz de ataca-lo. Com Sainz brincando com o seu ritmo, logo um longo pelotão se formou até o sexto colocado Leclerc. 

Mais atrás, Ocon fazia uma ótima corrida bem no dia do seu aniversário, incluindo uma bela ultrapassagem em cima do seu desafeto Alonso. Porém, a corrida do francês terminou quando seu câmbio travou e Ocon deixou seu carro na saída dos boxes. Pela lógica, o Safety-Car entraria na pista, mas apenas o virtual deu as caras. Vai entender...


A Mercedes viu ali uma oportunidade para tentar algo diferente e sair daquele marasmo, chamando seus dois pilotos para colocar pneus médios novos para as últimas quinze voltas. Os pneus foram guardados especialmente para isso, algo que a Ferrari não tinha e por isso, mais uma vez, Leclerc foi o sacrificado, ficando na pista. Sainz e Norris também ficaram na pista, mas quando a bandeira verde apareceu novamente, o ritmo da dupla da Mercedes era simplesmente avassalador, tornando as voltas finais bem interessantes. Sainz tentou fugir, mas andando em média 2s mais rápido, Russell deixou rapidamente Leclerc para trás, trazendo consigo Hamilton, e nas voltas finais encostou no seu compatriota Norris. Mais uma vez Sainz usou a cabeça e diminuiu um pouco o ritmo para dar um pouco de DRS ao seu antigo companheiro de equipe, o que seria primordial nas animadas últimas voltas. A dupla da Mercedes realmente colou em Norris, mas usando o DRS, Lando segurou sua posição, contando com a decisiva ajuda de Sainz, que venceu pela segunda vez na carreira, quebrando uma sequência histórica da Red Bull. Na última volta, Norris deu uma raspada no muro, mas Russell emulou o compatriota com mais força e acabou no muro de proteção, entregando o lugar no pódio para Hamilton, que com o terceiro lugar assumiu o mesmo posto no campeonato, se aproveitando de uma corrida extremamente ruim de Alonso, que pisou na linha branca na entrada dos boxes, viu sua equipe se atrapalhar toda no momento de cumprir a punição e ainda rodou sozinho, fazendo com que Fernando cruzasse a linha em último entre os que receberam a bandeirada. Uma atuação digna de Lance Stroll, que nem largou por dores e por seu carro ter ficado completamente destruído pelo erro do canadense no sábado.


O SC virtual reascendeu a corrida da Red Bull, que por vias tortas viu sua estratégia original funcionar e Verstappen era o carro mais rápido das voltas finais, fazendo ultrapassagens em sequência e ainda chegar colado em Leclerc, salvando um quinto lugar no pior final de semana da Red Bull em muito tempo. Ainda assim Max aumentou sua vantagem no campeonato, contando com outra corrida ruim de Pérez, que a muito custo foi oitavo colocado em sua corrida 250 na F1, após se envolver num toque com Albon nas voltas finais. Se Ocon saiu da disputa, Gasly pelo menos se manteve vivo na disputa e terminou em sexto, marcando bons pontos para a Alpine. Após sair das últimas posições, Oscar Piastri fez uma prova correta e terminou num bom sétimo lugar, mas foi outro novato que chamou a atenção. Apenas em sua terceira corrida na F1, Liam Lawson fez uma prova madura e marcou seus primeiros pontos com um nono lugar, enquanto Tsunoda sofreu um toque com Pérez na primeira volta e abandonou. Pior que sequer poderá reclamar, pois Pérez é da equipe matriz, Tsunoda vê Lawson mostrar muito serviço e com Ricciardo praticamente confirmado para 2024, deverá sobrar para o japonês o olho da rua. Com um ritmo de corrida tão baixo, a Haas se aproveitou para beliscar um pontinho com Magnussen, 


Num final de semana em que a Red Bull simplesmente não se encontrou, Carlos Sainz novamente pôde cantar 'Smooth Operator' e vencer mais uma vez, além de mostrar à Ferrari que ele pode ser bem mais do que um mero segundo piloto. As dificuldades da Red Bull nos proporcionou uma corrida próxima e um pódio com três marcas diferentes. Isso prova que, tirando a Red Bull, a F1 tem uma disputa interessante e próxima.

sábado, 16 de setembro de 2023

A grande chance

 


A sexta cingapuriana tinha sido difícil para a Red Bull. Os novos updates não tinham funcionado a ponto da equipe voltar ao pacote anterior. A lógica permitia supor que tudo seria recuperado no sábado, mas os problemas permaneceram no terceiro treino livre, mesmo com Max se aproximando bastante do primeiro pelotão. Puro engano. Numa classificação atípica e surpreendente, a Red Bull esteve irreconhecível e Max parecia que estava no mundo da lua, ficando parado na saída do pit-lane (que deve lhe render uma punição), bloqueou outros carros e foi bastante errático em sua pilotagem, que vinha sendo impecável até hoje. Verstappen não fez um bom tempo no Q2 e o neerlandês foi 'bumpado' pelo quase novato Liam Lawson. E a outra Red Bull? Com tantos problemas, Sergio Pérez sofreu tanto quanto Max e o mexicano ainda se fez o favor de rodar em sua última volta rápida, o deixando atrás de Verstappen, significando que a Red Bull simplesmente esteve ausente do Q3 em Cingapura, que viu Carlos Sainz confirmar a liderança nos TL2 e TL3, fazendo com que o espanhol comemorasse a segunda pole consecutiva.


A classificação teve um atraso considerável por causa da pancada protagonizada por Lance Stroll. O canadense estava em último e suas parciais indicavam que ele ficaria no Q1, que por si só já é um mico tremendo para Lance, mas não satisfeito por passar vergonha pela lentidão, Stroll fez questão de destruir seu carro num acidente fortíssimo na última curva. Com a evolução da Aston Martin, as deficiências de Lance Stroll ficaram ainda mais aparentes e ser o filho do dono é ÚNICA razão do canadense permanecer na equipe ad eternum , mesmo que Lance não faça por onde ter o bom carro que tem em mãos. Mesmo com a Aston Martin em queda após o começo de temporada estrondoso, Alonso foi ao Q3 confortavelmente, ou seja, a equipe tem potencial para marcar bons pontos, mas contando apenas com o espanhol, a Aston Martin perderá milhões no final do ano com o possível quarto lugar no Mundial de Construtores e hoje, Lawrence perdeu mais alguns milhões pelo carro destruído pelo filho.


Uma vítima de Stroll acabou sendo Piastri, que ficou de fora do Q2 quando tinha tudo para passar. A McLaren voltou a brigar por boas posições, enquanto Tsunoda perdia ainda mais moral ao ver Lawson ir ao Q3 e ele ficar no Q2. Talvez nem Ricciardo seja o mais ameaçado na Alpha Tauri em 2024, mas o próprio japonês. Com a incrível desclassificação da Red Bull no Q3, Haas e Alpine, duas equipes em crise técnica, colocaram seus dois pilotos no Q3. Sem a presença dos austríacos, a luta pela pole foi animada, mas Sainz se sobressaiu, confirmando o ótimo final de semana do espanhol e continuando a boa fase dele, que largará amanhã em primeiro pela segunda vez consecutiva. Leclerc chegou a ficar com a primeira fila, superando muito pouco Norris, mas numa ótima volta final, Russell tirou tudo do seu Mercedes e se meteu entre os dois carros vermelhos, além de colocar quase meio segundo num sorumbático Hamilton, apenas quinto.

Por mais que tenha, disparado, o melhor carro de 2023, a missão da Red Bull amanhã será bastante complicada, sem contar o fato de ter seus dois carros saindo do sempre confuso pelotão intermediário sempre é um problema, ainda mais num circuito de rua com o histórica de Cingapura. Com a Red Bull em dificuldades (seria a nova diretiva da FIA sobre as asas menos flexíveis?), Ferrari, Mercedes e até mesmo Lando Norris tem uma chance enorme de acabar com a invencibilidade da Red Bull nessa temporada. Resta saber se ninguém fará uma besteira homérica e irão aproveitar a deixa.

terça-feira, 12 de setembro de 2023

História: 40 anos do Grande Prêmio da Itália de 1983

 


O acidente que provocou com Nelson Piquet em Zandvoort pareceu ter abalado Alain Prost, que chegou em Monza quarenta anos atrás inquieto. O pequeno francês tinha receio se a Renault teria estofo para continuar na brigar com as experientes Ferrari e Brabham pelo título de 1983, fazendo com que Prost desconversasse quando o assunto renovação de contrato com a Renault aparecia. O receio de Prost era tanto que ele teve a companhia do guarda-costa pessoal do então presidente da França, François Mitterand, em Monza com receio de ser atacado pelos tifosi, mas os torcedores italianos estavam mais preocupados em mimar Arnoux e Tambay, mesmo com fortes rumores de que Michele Alboreto tivesse sido contratado pela Ferrari para 1984. A BMW trabalhou em aumentar a potência do seu motor e por isso trouxe uma turbina KKK nova, além de, segunda a lenda, estar usando um combustível 'especial'.

Seja pela turbina ou pelo combustível, a Brabham-BMW dominou a classificação, com Piquet dominando na sexta-feira, mas dois motores quebrados no sábado relegaram o brasileiro ao quarto lugar, mas Riccardo Patrese fez as honras da casa ao ficar com a pole, com as Ferraris de Tambay e Arnoux separando os dois Brabhams. A Renault estava claramente atrás de Brabham e Ferrari, com Prost conseguindo o quinto tempo, mas 2s atrás de Patrese, com Cheever em sétimo. A surpresa foi ver Jacques Laffite não conseguindo tempo para se classificar, após um infeliz teste de pneus do francês. Era a primeira vez que Laffite não largava numa corrida de F1 desde 1975. Riccardo Patrese era o primeiro italiano a obter a pole position em Monza desde Alberto Ascari em 1953, mas como visto em Ímola, isso pouco importava, pois Patrese não estava de Ferrari.

Grid:

1) Patrese (Brabham) - 1:29.122

2) Tambay (Ferrari) - 1:29.650

3) Arnoux (Ferrari) - 1:29.901

4) Piquet (Brabham) - 1:30.202

5) Prost (Renault) - 1:31.144

6) De Cesaris (Alfa Romeo) - 1:31.272

7) Cheever (Renault) - 1:31.564

8) De Angelis (Lotus) - 1:31.628

9) Winkelhock (ATS) - 1:31.959

10) Baldi (Alfa Romeo) - 1:32.407


O dia 11 de setembro de 1983 amanheceu quente e ensolarado no velho parque de Monza, um clima perfeito para uma corrida de F1. Ferrari e Renault reclamavam do combustível Basf da Brabham, mas nada fora provado e o clima quente estava longe de ser o ideal para a Ferrari por causa dos pneus Goodyear, enquanto Prost era o mais rápido no warm-up com o carro reserva, que é o escolhido por Alain para largar. Na luz verde, Patrese sai perfeitamente e mantém a ponta, com Piquet saindo de suas características e rapidamente deixou Arnoux para trás, completando a dobradinha da Brabham ainda na primeira volta, ao ultrapassar Tambay na segunda chicane, enquanto Prost era surpreendido pelo companheiro de equipe Cheever, que subira para quinto.


O ritmo dos dois Brabham era impressionante e rapidamente Patrese e Piquet se desgrudaram dos demais, com a dupla da Ferrari trocando de lugar ainda na segunda volta e Arnoux subindo para terceiro. E que logo viraria segundo quando o motor de Patrese explode espetacularmente ainda na abertura da terceira volta, deixando Piquet sozinho na frente. De Cesaris erra a freada na primeira chicane e fica preso na caixa de brita, enquanto Prost freava forte para não bater no italiano da Alfa, além de fazer Prost perder ainda mais tempo para os líderes. Tambay tinha problemas no motor e é ultrapassado por Cheever, que acompanhava Arnoux de perto. A escolha pelo carro reserva não parecia uma boa opção para Prost, que na volta 11 era ultrapassado por Elio de Angelis e caía para sexto. Por volta da metade da corrida, Piquet já tinha mais de 10s de vantagem sobre Arnoux e administrava sua vantagem, enquanto René vai aos boxes fazer seu pit-stop programado. Mais importante, o turbo de Prost quebra e o francês abandona após uma corrida discreta. Esse zero ponto deixaria Prost ainda mais abatido na luta pelo campeonato.


Enquanto Arnoux e Cheever duelavam pela segunda posição, Piquet entra nos pits na volta 31, mas Niki Lauda acabara de fazer seu pit-stop, tem problemas e fica parado bem na frente dos pits da Brabham. Numa cena hilaria, Bernie Ecclestone sai do pit-wall para empurrar o carro de Lauda e Piquet possa fazer seu pit-stop tranquilamente. Quando retorna à pista, Nelson tinha 25s de frente para Arnoux, nesse momento mais preocupado com os ataques de Cheever. Já pensando em terminar a prova, Piquet diminui a pressão do turbo, mas ainda assim Arnoux não diminui muito a vantagem. Piquet vencia apenas pela segunda vez em 1983, mas aquela seria uma vitória decisiva tanto matematicamente, como moralmente. Arnoux trouxe à Ferrari a um segundo lugar na frente dos tifosi, enquanto Cheever alcançou seu quarto pódio em 1983. Com um motor longe de estar saudável, Tambay foi apenas quarto, com Elio de Angelis finalmente marcando seus primeiros pontos em quinto e Derek Warwick completando os que pontuavam na época. Uma cena curiosa ocorreu quando Mansell se aproximava da Parabolica para receber a bandeirada e ser sétimo, quando houve a famosa invasão de pista dos tifosi. Mansell prudentemente tirou o pé, mas Bruno Giacomelli não o fez e tomou a posição do inglês, que ficou bem irritado com a presepada. Piquet não foi ameaçado durante a corrida e a tranquila vitória mostrava que a Brabham iria muito forte para as corridas finais de 1983.

Chegada:

1) Piquet

2) Arnoux

3) Cheever

4) Tambay

5) De Angelis

6) Warwick

domingo, 10 de setembro de 2023

Fim de festa

 


Dificilmente a Indy chega à sua última etapa tão relaxada como aportou em Laguna Seca para o derradeiro final de semana da temporada 2023. Os dois primeiros colocados do campeonato já estavam definidos e apenas definições secundárias estavam pendentes, deixando os pilotos mais soltos do que o normal, transformando a prova na California num verdadeiro caos, com múltiplos acidentes, a maioria deles evitáveis. Mesmo envolvido numa das confusões e recebendo uma punição para lá de discutível, Scott Dixon terminou a temporada com mais uma vitória, fazendo de Laguna Seca mais um lugar de vitória para esse neozelandês insaciável.

A prova em Laguna Seca teve oito bandeiras amarelas, com as confusões iniciando na largada, quando Christian Lungaard iniciando uma reação em cadeia que jogou dois carros da Penske para fora (McLaughlin e Newgarden) da pista e causou o abandono dos outros dois carros da Rahal (Graham e do novato Juri Vips). Dixon acabou tocando-se com Riinus Veekay e fez o neerlandês rodar, num incidente aparentemente de corrida, mas causou um Drive-Through à Dixon. Em condições normais, poderia ser o fim da corrida para o neozelandês da Ganassi, mas a corrida teve tantos incidentes que isso afetou a estratégia e quando os táticos entram em ação, o time da Ganassi sempre se sobressai e Dixon faz milagres, acabando por vencer a prova em Laguna Seca, vencendo três das últimas quatro provas do campeonato, fazendo Scott terminar o campeonato muito bem, mas o título já era de Palou.

O espanhol chegou a liderar a corrida desse domingo e se não fosse a penca de bandeiras amarelas, Palou teria vencido com a mesma tranquilidade do qual dominou a prova do ano passado. Isso apenas refletiu como Palou dominou esse campeonato, vencendo cinco corridas e tendo um oitavo lugar como pior resultado, se colocando constantemente entre os primeiros, corrida após corrida. O apoio da Ganassi foi fundamental para o sucesso de Palou e até segunda ordem, Alex estará na equipe em 2024. As constantes confusões com o que Palou vem se metendo nos últimos dois anos o colocam como um piloto não muito confiável fora das pistas, mas extremamente consciencioso dentro delas e com uma Indy tão competitiva, essa é uma arma forte de Palou para os próximos anos. Dixon começou o ano devagar e parecia que ele teria seu recorde de vitórias em temporadas consecutivas quebrado, mas nunca é bom subestimar Scott Dixon. O neozelandês pôde não ter vencido nos primeiros dois terços de campeonato, mas sempre se manteve entre os primeiros e quando a oportunidade veio, Dixon empilhou várias vitórias que o transformaram no único rival a derrotar Palou numa temporada próxima da perfeição do espanhol. Pena que a reação de Dixon, com três vitórias em quatro corridas, tenha vindo tarde demais e Palou já estava com a faca e o queijo na mão para conquistar o bicampeonato. Chip Ganassi tem o presente e o futuro garantido com Palou e Dixon. Isso, se Palou não mudar de ideia novamente...

Os outros pilotos da Ganassi não foram tão brilhantes. Marcus Ericsson começou vencendo a primeira corrida e até liderou o começo do campeonato, mas não foi páreo para Palou. O sueco trazia patrocínios para a equipe, mas com a vitória da Indy 500 do ano passado, Ericsson passou a exigir ser pago como os pilotos principais da Ganassi, algo que Chip não concordou, mesmo Ericsson ter ficado perto de conquistar o bicampeonato das 500 Milhas nesse ano. Isso resultou na saída de Ericsson para a Andretti, com Marcus Armstrong assumindo o lugar de Ericsson, para fazer a temporada completa em 2024, enquanto o quarto carro permanece ainda em aberto. Sato fez apenas os ovais e foi uma decepção, mais batendo do que correndo e já está fora da Ganassi.

O melhor momento da Penske foi a vitória de Josef Newgarden nas 500 Milhas de Indianápolis, tirando um peso do norte-americano, pois mesmo tendo já dois títulos e brigando pelo campeonato nos últimos anos, faltava o definitivo reconhecimento de Josef como vencedor em Indianápolis. Mesmo sendo reconhecido como um piloto completo da Indy, Newgarden venceu apenas em ovais, chegando a ameaçar Palou quando venceu a quarta corrida seguida em ovais, mas uma batida em Gateway, o último oval do ano, acabou com as chances de Newgarden, que baixou os braços e terminou apenas em quarto no campeonato. McLaghlin fez um campeonato mais constante, voltou a vencer uma corrida (Birmigham) e mais equilibrado, acabou por superar Newgarden no final, sendo o melhor piloto Penske do campeonato, em terceiro, garantido com o segundo lugar de hoje em Laguna Seca. Um bom aproveitamento do neozelandês, no qual a Penske aposta muito. O atual campeão Power teve problemas particulares que atrapalharam sua defesa do título a ponto de ver sua sequencia de pelo menos uma vitória desde 2007 terminar esse ano, numa temporada opaca de Power, onde o australiano se mostrou bastante nervoso várias vezes. Um ano abaixo da Penske, mas como dizem que Roger Penske se importa mais com a Indy 500 do que com o campeonato, não se pode dizer que foi uma temporada fracassada.

Na luta que trava para entrar na F1, a Andretti acabou se atrapalhando na Indy, com várias performances boas estragadas por táticas ruins, erros de pit-stops além dos seus pilotos normalmente se metendo em confusões. Se Colton Herta era cotado para estar na F1, hoje ninguém mais fala no jovem americano migrando de categoria. Da mesma forma como sua equipe, Colton pensou demais na F1 e se esqueceu de focar na Indy, onde fazia bons treinos, mostrando sua velocidade e talento, mas se perdendo nas corridas. O abandono de hoje, onde foi atingido por um destrambelhado Helio Castroneves só foi mais um exemplo do quão ruim foi a temporada de Hertinha. Grosjean começou o ano dando pinta que até poderia brigar pelo título, mas no fim o francês terminou a temporada com a mesma fama que colheu na F1: de trapalhão. E foram tantas trapalhadas que Grosjean não teve seu contrato renovado na Andretti e procura um lugar na Indy. Com os dois principais pilotos teóricos da Andretti tendo problemas, as duas únicas vitórias da equipe coube ao jovem Kyle Kirkwood. Prodígio da Road to Indy, Kyle venceu em Long Beach e Nashville, mas nem de longe Kirkwood exibiu uma constância para se manter entre os primeiros no campeonato. Se antes a Andretti se orgulhava de fazer parte do trio de ferro da Indy, hoje o time de Michael Andretti se vê cada vez mais distante de Ganassi e Penske, além de ser constantemente rejeitada por todas as equipes da F1.

A McLaren é quem começa a querer tomar esse posto de terceira força da Andretti, mesmo que tenha passado o ano em branco na Indy. Pato O'Ward foi o principal piloto da equipe, começou o ano muito bem, sempre foi um nome forte na luta pela vitória, mas o mexicano sempre era atrapalhado por alguma coisa, o deixando sem vitórias no campeonato, mas ainda garantindo uma boa posição. Alexander Rossi estreou na equipe de forma discreta, continuando a toada que vinha na Andretti, enquanto sua vitória na Indy 500 vai ficando mais e mais distante. Rosenqvist só ficou na equipe para esquentar o banco de Palou, só que o espanhol não irá mais para a McLaren e o sueco resolveu ir para a Meyer & Shank, com seu lugar ocupado por David Malukas em 2024. A Rahal viveu um ano literalmente de altos e baixos. Indianápolis foi uma incrível decepção para o time do tio Bobby, inclusive com seu filho Graham, bumpado da classificação, pensando em aposentadoria. No entanto, se sofria em ovais, em mistos a equipe Rahal revivia, liderado pelo jovem Christian Lundgaard, que conseguiu uma vitória em Toronto e Graham quase venceu no misto de Indianápolis.

O Brasil viu a aposentadoria de Tony Kanaan nas 500 Milhas de Indianápolis pela McLaren, na qual o baiano se tornou consultor. Teimosamente Helio Castroneves ainda segue na Indy, agora como sócio da equipe Meyer & Shank e só competindo nas 500 Milhas. Aos 48 anos de idade, era nítido que Helio se tornou um 'ex-piloto em atividade' e não tinha mais condições de permanecer como piloto full-time da Indy, porém, Castroneves se manterá na ativa como um dos sócios da Meyer & Shank e tentará reavivar sua magia em Indianápolis. Helio terá muito trabalho, pois a equipe entrou em parafuso após sua vitória em 2021 e Simon Pagenaud, que seria o líder natural da equipe, após seu acidente em Mid-Ohio nem retorna mais em 2024, por causa de uma forte concussão. Nas categorias de base, destaque para o título de Nicolas Giaffone na USF Junior, mas o filho de Felipe ainda está nos primeiros passos da Road to Indy e demorará bastante para vê-lo querer substituir os quase cinquentões Tony e Helio num futuro próximo, sem contar Kiko Porto e Victor Franzoni, que já estão na Indy NXT (antiga Indy Lights).

Foi uma temporada com boas corridas, como normalmente acontece na Indy, mas onde houve um raro domínio por parte de Alex Palou, que se não fosse os entreveros fora das pistas, poderia ser ainda mais impressionante. Para 2024, os motores híbridos estrearão na categoria, novas pistas serão adicionadas e alguns pilotos debutarão em equipes fortes. O que não faltará são emoções, mas que estarão reservadas para março de 2024.

Aproveitando as oportunidades

 


Após o assustador acidente em Barcelona, pode-se considerar um milagre que Francesco Bagnaia estivesse apto apenas uma semana depois de ser atropelado por Brand Binder. No entanto, mesmo correndo em casa, seria pedir demais que o italiano estivesse em plena forma correndo no tinhoso circuito de Misano. Quem não tem nada com isso é Jorge Martin. Em plena forma e com a melhor moto do pelotão, o espanhol se aproveitou do momento de fragilidade de Bagnaia para conquistar todos os pontos possíveis em Misano e encostar em Bagnaia no campeonato da MotoGP.

Com Bagnaia e Bezzecchi, os principais pilotos da casa, com problemas físicos, Jorge Martin tinha uma bela chance de conquistar a vitória em Misano e o espanhol não a desperdiçou. Martin partiu feito um foguete na largada, mantendo os dois italianos atrás de si, após uma largada agressiva de Bagnaia, onde chegou a tocar na moto de Bezzecchi para subir para segundo, enquanto Marco segurava o convidado Daniel Pedrosa com força. A partir de então a disputa ficou entre as três Ducatis, com as duas KTMs de Pedrosa e Brad Binder logo atrás, mas o sul-africano cedo caiu. Bagnaia parecia ter ritmo de disparar caso assumisse a liderança, mas Martin segurou o rojão com firmeza, não dando qualquer chance à Pecco, enquanto Bezzecchi chegou a ultrapassar o compatriota, para logo na curva seguinte errar e permitir o troco de Bagnaia. Martin certamente sabia dos problemas físicos dos dois adversários, particularmente de Bagnaia, que subiu na sua moto mancando claramente, ainda resquícios do seu impressionante acidente na Catalunha.

Martin fez uma prova de espera. Não para atacar, como é de seu feitio, mas para aguardar que as dores de Bagnaia viessem e o ritmo do italiano baixasse. E assim foi o que aconteceu. No último terço da prova o passo de corrida de Pecco caiu meio segundo e o líder do campeonato foi presa fácil para Bezzecchi, enquanto Martin abria uma diferença definitiva, porém, o piloto da VR46, com problemas na mão esquerda pela queda provocada por Bastianini na primeira largada de Barcelona, esboçou uma aproximação, mas que não incomodou Martin, que recebeu a bandeirada para iniciar uma tremenda comemoração, repetindo as posições da Sprint de ontem, ou seja, Martin levou 37 pontos para casa, debitando bons pontos para Bagnaia no campeonato. Pedrosa nunca foi um piloto dos mais combativos nas disputas corpo a corpo. Como convidado, o espanhol não quis arriscar interferir no campeonato e mesmo com mais ritmo, preferiu ficar esperando um erro de Bagnaia que não veio, conseguindo um quarto lugar para a KTM, sendo a melhor moto da marca austríaca e bem à frente dos titulares, que sofreram quedas na corrida, sendo que Miller brigava pela P15 quando caiu junto com Michele Pirro.

Marc Márquez fez uma boa corrida com uma Honda abaixo da crítica, terminando em sétimo numa briga contra as Aprilias. Dois anos depois de conquistar o campeonato em Misano, Quartararo foi apenas décimo terceiro. Os dois pilotos mais talentosos do pelotão já não escondem a tremenda frustração de não poderem lutar por vitórias e pressionam fortemente Honda e Yamaha. Amanhã haverá um teste em Misano com as motos de 2024. Tanto Márquez, quanto Quartararo cobrarão Honda e Yamaha pela sensação que tiverem amanhã, lembrando que a segunda moto de Pramac e Gresini, ambas satélites da Ducati, ainda estão em aberto. Isso são especulações do amanhã. Hoje Martin aproveitou a chance que lhe apareceu com um Bagnaia fragilizado e se aproximou bastante no campeonato, entrando numa briga que antes de Barcelona parecia que não existiria. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Figura(ITA): Carlos Sainz

 Muitas vezes Carlos Sainz é olhado como um mero segundo piloto da Ferrari e o próprio espanhol não se ajuda, com algumas atuações abaixo do esperado. A Ferrari sempre preferiu o piloto mais acrobata e olhando a atual dupla, esse piloto é Charles Leclerc, que desde muito novo é um piloto da cantera ferrarista. Já Sainz chegou com a sensação de que seria o apoio de Leclerc, mas o hispânico já mostrou algumas qualidades interessantes, principalmente na visão de corrida. Em Monza, Sainz fez muito mais do que isso. Na classificação, onde as maiores qualidades de Leclerc se sobressaem na comparação entre ambos, Sainz já foi mais rápido do que Charles e ainda conseguiu uma emocionante pole-position na frente dos tifosi. Era claro que em ritmo de corrida Sainz não teria chances contra o imbatível conjunto Verstappen/Red Bull, mas não seria por isso que Carlos entregaria a posição facilmente. Sainz segurou Verstappen por quinze voltas e só cedeu a posição por causa de um escorregão, muito pelo conhecido desgaste de pneus que a Ferrari impõe à borracha da Pirelli. Contudo, a corrida de Sainz não ficou mais sossegada após ser deixado para trás. Até a bandeirada Carlos sempre teve alguém lhe mordendo os calcanhares e Sainz mais olhou para o retrovisor do que para frente, segurando Leclerc (2x) e Pérez. Se não foi possível segurar o mexicano da Red Bull, Sainz segurou Leclerc na frente de toda a torcida da Ferrari e conseguiu seu primeiro pódio no ano em sua melhor pilotagem.

Figurão(ITA): Alpine

 De como subir ao pódio e colocar um segundo carro na zona de pontos e uma semana depois ver esses mesmos dois carros e dois pilotos largarem na penúltima fila. Assim pode ser resumido os sete dias que separaram as corridas em Zandvoort e Monza para a Alpine. O time francês agarrou todas as oportunidades surgidas nos Países Baixos e mesmo que tenha sido uma corrida caótica, a Alpine esteve sempre bem colocada e Gasly foi ao pódio, superando na pista a Ferrari de Carlos Sainz, enquanto Ocon marcou pontos. Além do clima mais ameno em Monza em comparação à semana anterior, a grande diferença era que Zandvoort era um circuito estreito e travado, enquanto Monza os carros praticamente não usam uma aerodinâmica mais afinada. Além da potência fazer uma grande diferença e isso ficou claro que o motor Renault ainda sofre desse déficit, mesmo passados quase dez anos desde a chegada dos motores híbridos à F1. Os franceses em nenhum momento se colocaram em posição de destaque e já na classificação a situação ficou crítica com Gasly e Ocon em décimo sétimo e décimo oitavo, respectivamente. Na corrida a situação não mudou muito, com Gasly evoluindo apenas para uma pálida 15º posição, enquanto Ocon abandonou por problemas em sua direção. Por sinal, talvez seja a falta de direção que faça com que a Alpine não decole.

domingo, 3 de setembro de 2023

O segundo Alex

 


Voltando vinte e sete anos no tempo, um Alex chegava à América querendo refazer sua carreira após um tempo irregular na F1, apostando numa equipe que tentava se estabelecer na Indy. Zanardi marcou época com suas vitórias emotivas e seus donuts após os triunfos, dando os primeiros títulos para a Ganassi, após o primeiro conquistado por Vasser. Voltando a 2023, um segundo Alex chegou à América após uma carreira titubeante na Europa a ponto de leva-lo ao Japão e ser indicado pela Honda como um grande talento. Não demorou muito para Palou mostrar todo o seu talento na Indy e ao chegar na Ganassi, a mesma equipe que Zanardi apostou no final dos anos 1990 e se tornara uma gigante no automobilismo americano, o espanhol conquistou o bicampeonato nesse domingo, repetindo o feito de Zanardi vinte e cinco anos atrás.

A prova decisiva em Portland foi um jogo de gato e rato entre Palou e Scott Dixon, único piloto com chances de tirar o bicampeonato do espanhol. Na classificação os dois ficaram em quinto e quarto respectivamente, mas logo na largada Palou deu mostras de suas credenciais ao se aproveitar de Dixon ter ficado encaixotado atrás de Colton Herta para ultrapassar não apenas o companheiro de equipe, como o próprio Colton. Graham Rahal tinha feito a pole com os pneus duros, dando a dica que essa era a borracha a ser mais usada por todos. Palou ficou bastante tempo em terceiro, atrás de Rahal e McLaughlin, com Dixon mais atrás. Houve uma bandeira amarela com a rodada do campeão do ano passado Will Power no começo da prova, mas a corrida foi limpa e talvez isso tenha embaralhado um pouco a cabeça dos estrategistas das outras equipes. Rahal e McLaughin perderam bastante terreno na medida em que as paradas foram se sucedendo, enquanto o time da Ganassi se manteve focado e deixou Palou e Dixon em primeiro e segundo, resultado esse que garantiria o título do espanhol com sobras.

A McLaren também aprontava com Rosenqvist sempre parando mais tarde que os demais e isso fez com que o sueco ganhasse muito tempo frente ao bolo de pilotos no meio do pelotão. Já faltando poucas voltas para o fim, a segunda bandeira amarela veio com a saída de pista de Agustin Canapino, ajudando sobremaneira Rosenqvist, que fez sua parada em bandeira amarela. Para quem pensou que Palou lamentaria o pano amarelo, se enganou redondamente. O espanhol não apenas se manteve em primeiro, como viu Rosenqvist subir para segundo e ainda ter três retardatários entre o sueco e Dixon. Para completar, Rosenqvist relargaria com pneus macios, que não duravam muito tempo. Bastava Palou segurar Felix na relargada para tudo se resolver e assim foi. Houveram alguns toques no meio do pelotão, mas quando a poeira assentou, Palou apenas levou seu Chip Ganassi de número 10 até a bandeirada para garantir a quinta vitória no ano e o bicampeonato, garantindo o primeiro título por antecipação da Indy em mais de quinze anos.

Palou pode não ter o carisma de Zanardi, mas o espanhol tem um talento grandioso e é mais frio que o quente Zanardi dentro das pistas. Já fora das pistas... os constantes problemas que Palou vem se metendo em cima de contratos feitos e quebrados pode lhe causar danos que afetem seu desempenho nos anos vindouros. Zak Brown está possesso com a quebra de contrato de Palou e ameaça um processo que passaria dos trinta milhões de dólares. Palou claramente não performou como pôde em sua defesa de título ano passado por causa das negociações que manteve com McLaren e Ganassi. Nesse ano, não teve confusão que tirasse o espanhol do prumo. Que esse equilíbrio que Palou mantém dentro da pista passe também para fora, pois um campeão como Alex merece ter o melhor a disposição para mostrar toda a sua capacidade. 

Mais trabalho, mesmo resultado

 


Se havia um lugar que todos esperavam que a Red Bull fosse derrotada, era em Monza. Mesmo o motor Red Bull/Honda debitando muita potência, o circuito relativamente simples e de pouca dependência aerodinâmica poderia diminuir a maciça diferença dos austríacos frente aos demais. A pole da Ferrari no sábado deu até ligeiras esperanças de que a dupla Sainz e Leclerc repetisse o feito de 1988, mas tudo não passou de um sonho de verão na idílica Itália. Porém, não podemos dizer que Verstappen ligou o rádio na primeira FM que apareceu e fez mais um 'Sunday Drive' nesse domingo. O pole Sainz deu bastante trabalho à Max nas primeira quinze voltas, não facilitando a vida do neerlandês, que esperou pacientemente que Sainz errasse, muito por causa dos pneus, e Max conquistasse sua décima vitória consecutiva na F1, quebrando mais um recorde no que já podemos dizer ser a hegemonia mais massacrante da história da F1 de um conjunto carro-piloto.


O sol apareceu com força em Monza nesse domingo, ao mesmo tempo que dava um banho de água gelada nos tifosi. Por melhor que estivesse bem posicionado, Sainz sabia que seus pneus teriam ainda mais dificuldades no calor, deixando a vida de Max Verstappen ainda mais tranquila, bastando o neerlandês usar a cabeça. A largada em Monza foi tranquila, talvez ainda resquícios do que acontecera na MotoGP uma hora antes, com praticamente todos os pilotos se comportando e mantendo suas posições. Com Russell mantendo Pérez em quinto, os três primeiros rapidamente se destacaram, com o trio Sainz, Verstappen e Leclerc andando bem juntos. Era nítido como quatro dividido por dois é dois que a ultrapassagem de Max era questão de tempo, mas Verstappen teve que usar algo que ele não gosta muito: a paciência. Agressivo por natureza, Verstappen não demorou a ir para cima de Sainz com toda a força do seu Red Bull, mas Sainz não entregou a rapadura facilmente, enquanto Leclerc apenas observava de perto, talvez esperando que um entrevero entre os dois lhe entregasse uma vitória no colo. Os pneus de Carlos iam ficando cada vez mais desgastados e Max esperou um erro de Sainz na freada da primeira chicane para que o espanhol saísse menos embalado e Verstappen ficasse por fora no Curvone, mas por dentro da chicane Della Roggia. Simples e cirúrgico. Max efetuou a ultrapassagem e não demorou três voltas para ter mais do que suficientes 3s para administrar a corrida até a bandeirada. 


Contudo, a corrida estava longe de estar terminada atrás de Max. Leclerc se aproveitou do desgaste maior que Carlos teve que colocar em seus pneus e partiu para cima do seu companheiro de equipe, até porque Pérez já havia ultrapassado Russell e se aproximava das duas Ferraris. Numa corrida com os dez primeiros colocados parando apenas uma vez, a estratégia não fez muita diferença e no longo segundo stint a Ferrari teria que enfrentar outra Red Bull, mesmo que sendo a mais fraca. Pérez capinou bem mais do que Max, que só teve que ultrapassar uma Ferrari, mas o mexicano fez dele o que se espera. Pérez forçou tudo, saiu da pista algumas vezes, choramingou via rádio, mas efetuou as duas ultrapassagens que renderam mais uma dobradinha à Red Bull, continuando a já inacreditável sequência da equipe austríaca, com vinte e quatro vitórias nas últimas vinte e cinco corridas, sem contar que 2023 o time permanece invicto, com Verstappen contabilizando impressionantes doze vitórias, sendo dez consecutivas, quebrando o recorde do outro dominador da equipe, Sebastian Vettel. Se em Monza a Red Bull fez dobradinha, o que poderá para-los?


Leclerc ainda tentou uma segunda pressão em cima do seu companheiro de equipe, chegando a efetuar a ultrapassagem, mas ao errar, o monegasco tomou o troco. Nas últimas voltas Frederec Vasseur respirou fundo, temendo um vexame dos seus dois pilotos em Monza, mas no final Sainz conseguiu segurar o ímpeto de Leclerc e numa corrida onde olhou mais para o retrovisor do que para frente, o espanhol garantiu o primeiro pódio do ano. Russell fez uma corrida solitária após ser ultrapassado por Pérez, mesmo que colocando Ocon para fora ao sair dos boxes, a prova do inglês foi bem tranquila. Já Hamilton tentou uma tática diferente ao largar com pneus duros e fazer um primeiro stint mais longo, provavelmente tentando colocar pneus macios no final, mas ao perceber que estava perdendo muito tempo, a Mercedes antecipou a parada e colocou a borracha médio no carro do Lewis, que como não poderia deixar de ser, reclamou da estratégia escolhida pela equipe. Se não for blefe, a visão de corrida de Hamilton chega a ser pífia, pois o heptacampeão tinha um ótimo rimo no stint final, inclusive escapando de uma punição num toque com Piastri, onde os dois saíram da pista, mas o australiano da McLaren acabou se dando mal ao quebrar a asa traseira. Hamilton ainda superou a Williams de Albon e sua temida velocidade final para ser sexto, mesmo que bem longe de Russell. Albon ficou claramente sem pneus nas voltas finais e foi bastante atacado, mas o tailandês só perdeu uma posição para Hamilton, segurando a sétima posição dos ataques de Norris, que teve que se conformar com a oitava posição.


Num final de semana bem ruim da Aston Martin, Alonso ficou num opaco nono lugar, enquanto Stroll sequer se aproximou da zona de pontuação. Quando Piastri foi aos boxes trocar a asa dianteira danificada, Logan Sargeant entrou na zona de pontos, o que poderia acabar com o jejum do americano, contudo, Logan já tinha Bottas nos seus calcanhares e ele não resistiu ao ataque da Alfa Romeo, que terminou nos pontos, após longo jejum. Após um pódio em Zandvoort, a Alpine esteve em lugar nenhum em todo o final de semana italiano e ainda viu Ocon ser o segundo abandono do dia, se juntando à Tsunoda, que encostou seu Alpha Tauri ainda na volta de apresentação com o motor quebrado, atrasando um pouco a largada.


Mesmo tendo um pouco mais de trabalho nesse domingo, Max Verstappen não deixou de vencer mais uma corrida em 2023, quebrando mais um recorde, enchendo as mãos de vitórias e sua recente forma nada indica que o neerlandês parará na décima vitória consecutiva. A Red Bull tem o melhor carro disparado e mesmo fazendo uma temporada mezzo mezzo Pérez vai aos poucos se consolidando como o vice-campeão. E a Red Bull tem o melhor piloto. Max Verstappen vai nos mostrando um verdadeiro recital de como massacrar a concorrência sem dó.  

Alta tensão

 


Corridas de motos são bem mais perigosas do que de carros por motivos óbvios. O piloto pode cair a qualquer momento da moto e está totalmente exposto no instante da queda. Um semana depois da tragédia que se abateu no Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, a MotoGP viveu momentos de altíssima tensão numa situação parecida: uma queda na primeira volta. E a vítima foi o atual campeão Francesco Bagnaia, que foi ejetado de sua Ducati na curva 2 de Barcelona e ao ficar no meio da pista, acabou atropelado por Brad Binder, principalmente nas pernas. 

Ainda assim, pode-se dizer que Bagnaia teve um pouco de sorte pelo o que aconteceu antes. Na freada da primeira curva, seu companheiro de equipe Enea Bastianini teve uma pane mental e derrubou outras cinco Ducatis, num acidente que rendeu uma fratura no tornozelo de Enea. Por ter menos motos no pelotão, isso pôde ajuda Pecco quando ele ejetado da moto e caiu no meio da pista, ficando totalmente exposto às várias motos que vinham a seguir, já que Bagnaia largara na pole e liderava. Binder não teve muito o que fazer e atingiu as pernas de Pecco em cheio, lhe causando alguns ferimentos, mesmo que ainda nada confirmado e se Bagnaia terá que passar por um longo processo de recuperação. O caso lembra um pouco o que aconteceu com Márquez em Jerez em 2020, só nos restando torcer para que a recuperação de Pecco seja mais breve e responsável.

A bandeira vermelha resultante deixou o clima em Barcelona ainda mais tenso, fazendo com que a segunda largada fosse mais calma. As Aprilias vinham mostrando um rendimento espetacular em Barcelona e Espargaró já havia vencido a Sprint Race nesse sábado. Um ano depois da presepada protagonizada por Aleix, quando errou as contas da corrida, Espargaró foi com tudo para a sua corrida caseira, já que ele nasceu próximo ao circuito de Montmeló. O espanhol não largou tão bem e foi superado pelo companheiro de equipe Maverick Viñales, que passou boa parte da prova na ponta, mas na medida em que Espargaró se aproximava, era claro que a ultrapassagem era inevitável, como realmente foi. A Aprilia marcou uma dobradinha inédita, com Jorge Martin completando o pódio. Vice-líder do campeonato, Martin pode ser a grande aposta da Ducati para esse resto de 2023, mas nos resta torcer para que o grave acidente de Bagnaia seja apenas um grande susto e que o italiano volte tão forte como antes.