sábado, 2 de maio de 2026

Luz no fim do túnel

 


As inúmeras mudanças introduzidas pela FIA nessa intertemporada 'forçada' trouxe mais expectativas para a temporada 2026 da F1, com os pilotos podendo conduzir seus carros de forma mais 'natural'. De certa forma as mudanças fizeram com que as reclamações diminuíssem, mesmo que Lance Stroll tenha metido a boca no trombone antes dos primeiros treinos livres. O canadense mal poderia esperar pelo o que vinha pela frente...

Outro ponto era que a grande maioria das equipes preparam vários updates e havia também a perspectiva de mudanças no poweranking dos times de F1. Para completar o cenário, Miami receberia o segundo final de semana de Sprint, com as equipes tende menos tempo para testar as novidades, fazendo com que a FIA concedesse trinta minutos a mais de treino livre para todo mundo observar as inovações. O único treino livre mostrou menos superclipping e a velocidade perdida quando a bateria acaba era bem menor do que o visto em Melbourne e Suzuka, quando os carros chegaram a perder 50 km/h na metade final das retas.

Já a ordem de forças da F1 viu uma ligeira mudança, com a Mercedes perdendo boa parte do seu protagonismo, enquanto McLaren e Ferrari diminuíam bastante suas desvantagens e Max Verstappen tirava coelhos da cartola. A classificação da Sprint viu a pole de Lando Norris, que confirmou a vantagem com uma vitória tranquila na mini-corrida. Mais uma vez Antonelli não largou bem e Piastri completou a dobradinha da McLaren, com Leclerc em terceiro e a dupla da Mercedes logo em seguida. As dezenove voltas na pista de rua de Miami viram uma corrida mais 'verdadeira' de F1. Não houve passa-repassa ou carros perdendo rendimento de forma repentina por falta de bateria. Nessa pequena amostra, a F1 pareceu ter acertado. 

O pequeno intervalo entre a Sprint Race e a classificação foi bastante complicada para a Audi. Antes da Sprint Nico Hulkenberg viu seu carro pegar fogo, enquanto Bortoleto foi desclassificado por irregularidades técnicas. O brasileiro teve seu carro desmontado e Gabriel foi tarde para a classificação, acabando por ver seus freios traseiros pegarem fogo e tendo que largar de último. Sorte da Aston Martin. Alonso e Stroll tiveram seus problemas de vibração suavizados, mas continuavam tendo problemas de desempenho, tanto que os dois praticamente não andaram na Classificação da Sprint. Inclusive Alonso marcou um tempo mais lento que o último colocado da... F2! A situação da Aston não melhora...

Logo ficou claro que criou-se um abismo entre as cinco equipes mais rápidas e o resto. A Alpine com motor Mercedes se não ameaçam as quatro melhores equipes, está quase meio segundo na frente do resto, que se digladiam para fugir da companhia da Aston Martin na rabeira. Com Max Verstappen cada vez mais a vontade, Isack Hadjar começa a sentir a dor de outros companheiros de equipe de Max, tomando bastante tempo do neerlandês, mas ao menos está indo ao Q3. A briga pela pole prometia animada, com a dupla da McLaren, Antonelli, Verstappen e Leclerc. Russell não pareceu a vontade em nenhum momento e esteve sempre longe do seu companheiro de equipe. Um sinal nada bom. Hamilton não conseguiu acompanhar Leclerc, voltando ao patamar de 2025. Já a dupla da McLaren, principalmente Piastri, não repetiu o resultado de sexta-feira e ficaram fora do top3. Antonelli conseguiu um ótimo tempo em sua primeira tentativa no Q3 e praticamente garantiu a pole ali, pois afora Verstappen, ninguém conseguiu melhorar na segunda tentativa. 

Kimi mostra que é mesmo um piloto diferenciado, mas pela primeira vez terá ao seu lado Max Verstappen e principalmente, terá que melhorar as suas largadas. Até o momento, Miami mostrou uma F1 com nítidas evoluções do que foi visto nas três primeiras provas. Uma luz no fim do túnel.   

Que pena...


 O mês de maio é de grandes perdas para o esporte a motor e 2026 confirmou essa premissa. Na noite europeia do dia primeiro de maio, perdemos Alex Zanardi, consequência do seu sério acidente de handbike em 2020. Falar de Zanardi sem clichês é praticamente impossível. Temos que adjetiva-lo com palavras como resiliente e corajoso por tudo que o italiano passou. Um grande piloto, que se não obteve sucesso na F1, foi inesquecível nos seus anos na Indy/CART. Porém, as adversidades que Zanardi teve que enfrentar e dar uma bela volta por cima o fazem ser admirado como um grande homem e um personagem que deixou um legado extraordinário. E sempre sorrindo, curtindo a vida. Alex Zanardi fará muito falta!