domingo, 31 de maio de 2026

Questão de quando


Apenas uma semana depois das 500 Milhas de Indianápolis, a Indy foi para um circuito completamente diferente dentro do seu corrido calendário. Ao invés da velocidade incrível do circuito oval de Indiana, um circuito de rua chato e ondulado em Detroit, no mesmo palco em que a cidade recebia a corrida de F1 na década de 1980. Por sinal, os pilotos da época detestavam o circuito de rua e passados quarenta anos, a situação não melhorou em nada. Muito pelo contrário...

No entanto, não importa muito o circuito ou a situação dele na Indy atual. Parodiando Gary Lineker, atacante e comentarista inglês dos anos 1980 e 1990, que cunhou uma frase famosa sobre a aura da seleção de futebol da Alemanha (outros tempos...) a Indy na década de 2020 é uma corrida apertada, onde no final Alex Palou sempre vence. O espanhol largou na pole, escapou do caos em Detroit, que viu uma corrida interrompida por várias bandeiras amarelas marotas e toques de pilotos destrambelhados, para se sobressair na estratégia de pits da Ganassi e superar Kyle Kirwood nas voltas finais para vencer nas ruas de Detroit.

Após as reclamações de Alexander Rossi no circuito misto de Indianápolis, a Indy resolveu dar bandeira amarela no menor sinal de distúrbio, trazendo ainda mais caos ao ondulado e horroroso circuito de Detroit. A corrida começou com Palou liderando, mas logo Will Power mostrou força para assumir a liderança, no que foi a melhor corrida do australiano com a Andretti. As mudanças nos compostos de pneus fez com que os pilotos oscilassem bastante de desempenho. Nas vésperas de sua primeira parada, o ritmo de Power desabou, criando um trenzinho de carros. Palou percebeu que estava perdendo tempo ali e parou mais cedo. E o que aconteceu depois? O espanhol emergiu na frente de todos e praticamente não perdeu mais a ponta.

Especialista em circuitos de rua, Kirkwood tentou um ataque em Palou no stint final, ao colocar pneus macios, enquanto o espanhol estava equipado com o composto duro. No entanto, a sequência de bandeiras amarelas tirou o ímpeto de Kirkwood, que teve que se conformar com a segunda posição, seguido por Graham Rahal e a dupla da McLaren. Power se engalfinhou com Scott McLaughlin, no que resultou no abandono de ambos, num péssimo dia para a Penske, cujo melhor resultado foi um décimo lugar de Josef Newgarden, que correu com o pé esquerdo machucado, ainda pelo acidente nas 500 Milhas.

Palou já navega em mares tranquilos no campeonato, abrindo uma vantagem superior a uma corrida. A questão passa a ser não mais de 'se', mas de quando Alex Palou garantirá mais um título.   

Festa italiana

 


Correndo em casa e com a melhor moto do grid da MotoGP feito na Itália, Marco Bezzecchi experimentou uma bela festa em Mugello, aumentando sua vantagem no campeonato, além de provar mais uma vez que a Aprilia é, sim, superior a anteriormente dominante Ducati.

O show da Aprilia começou no sábado, com Raul Fernández dominando a Sprint Race com a moto satélite. Porém, o espanhol errou na largada da corrida principal e não foi um fator na prova de domingo. As duplas de Aprilia e Ducati tomaram a ponta num primeiro momento, mas Pecco Bagnaia surpreendeu ao ultrapassar Bezzecchi e Martín para assumir a ponta. Tendo três vitórias consecutivas em Mugello, Bagnaia tem a mão da pista, mas ninguém pode duvidar do potencial da Aprilia nas voltas finais. Com uma bela gestão de pneus, os pilotos da montadora italiana sempre se destacam na metade final das corridas em 2026 e Mugello não foi exceção.

Bezzecchi comboiou seu amigo Bagnaia de perto até ver o piloto da Ducati perder rendimento. Marco não perdeu muito tempo e na volta 16 de 23 assumiu a ponta para vencer com tranquilidade, para delírio do público local, que viu Bezzecchi receber a bandeirada de Andrea Kimi Antonelli, consolidando o belo momento do esporte a motor italiano. O ritmo das Aprilias nas voltas finais era tão superior, que Bagnaia logo foi ultrapassado por Martín e teve que lutar para segurar o último lugar no pódio. Novamente Ai Ogura se segurou na primeira metade da corrida. O japonês viu Marc Márquez segurar Pedro Acosta numa luta muito forte entre os espanhóis (que deverão ser companheiros de equipe em breve...). Voltando de lesão, Márquez não tinha fôlego para se manter no pelotão dianteiro, mas fez o que pôde, dificultando bastante a vida de Acosta, que quando efetuou a ultrapassagem sobre Marc já no final da prova, o piloto da KTM tinha Di Giannantonio e Ogura em seu encalço. 

Ogura deixou Acosta e Di Giannantonio para trás e com um ritmo muito superior, encostou em Bagnaia na última volta, mas o italiano da Ducati conseguiu segurar a posição à fórceps para mais um pódio em 2026. Destaque também para Diogo Moreira. Após uma largada relâmpago na Sprint, quando pulou para terceiro, mas perdeu muitas posições, no domingo o brasileiro fez uma prova mais sólida, onde ficou nas posições intermediárias e no fim, ultrapassou Joan Mir e Brad Binder para conseguir um top10, além de ter sido a melhor Honda do dia.

Bezzecchi, que correu com um capacete em homenagem à Alex Zanardi, vibrou bastante com a torcida italiana e com mais essa vitória, abriu mais bons pontos para Martín, que sofreu um acidente no teste em Barcelona semanas atrás e não teve muito ritmo para acompanhar o companheiro de equipe. Cada vez fica mais claro que o título tende a ficar dentro do seio da equipe Aprilia.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Figura(CAN): Andrea Kimi Antonelli

 O jovem italiano teria que enfrentar seu companheiro de equipe num terreno onde George Russell já venceu e notadamente anda muito bem. O desafio de Andrea Kimi Antonelli era grande. E o italiano lidou muito bem com ele! Após ser derrotado duas vezes no sábado, durante uma disputa próxima contra Russell na Sprint Race e ter perdido a pole no último momento para o inglês, Antonelli voltou muito forte no domingo. O italiano atacou o quanto pôde Russell, forçando-o ao erro e dando a sensação de que dispararia se estabelecesse na ponta. Porém, isso não pode ser totalmente comprovado com o abandono de Russell, o que garantiu Antonelli uma segunda metade de corrida tranquila, vencendo com facilidade e conquistando seu quatro triunfo consecutivo, abrindo já uma importante diferença frente à George Russell, que tende a ser seu único rival na luta pelo título. No pódio, Antonelli foi alçado pelos multi-campeões Max Verstappen e Lewis Hamilton, demonstrando que já tem um certo respeito pelos grandes do presente da F1. Antonelli será o futuro?

Figurão(CAN): George Russell

 George Russell precisava dar uma resposta frente as três vitórias consecutivas de Andrea Kimi Antonelli. Com a Mercedes ainda mais forte em Montreal e o circuito canadense sendo um dos favoritos do inglês, era a chance de Russell colocar Kimi em seu lugar dentro da hierarquia da Mercedes. E terminado o sábado, parecia que Russell conseguiria o seu intuito. George venceu a Sprint Race após uma disputa forte contra seu companheiro de equipe, com Russell jogando duro contra Antonelli, que ficou furioso e reclamou bastante via rádio, até ser repreendido por Toto Wolff. Horas depois Russell tirou a pole de Antonelli no último momento. Porém, Antonelli deu a volta por cima no domingo. Mesmo permanecendo atrás de Russell após a largada, Antonelli partiu para cima do companheiro de equipe mais experiente, dando a sensação de que tinha um melhor ritmo. Foi uma disputa interessante, mas tudo acabou em desilusão para George Russell, com o seu motor quebrado e um amargo abandono. A linguagem corporal do inglês após sair do carro quebrado indicou claramente que o George Russell sentiu o golpe. Após jogar o encosto de cabeça longe e jogar as luvas no chão, Russell parecia estar prestes a chorar. George sabia muito bem que sozinho na frente, Antonelli apenas administrou a corrida até o fim e venceu pela quarta vez consecutiva, abrindo uma bela vantagem sobre Russell no campeonato. Se precisava dar uma resposta, Russell não teve esse direito. 

domingo, 24 de maio de 2026

Sem direito de resposta


 A vitória de George Russell na Sprint Race e a pole conseguida à fórceps no sábado pareciam credenciar o inglês a finalmente dar uma resposta à Andrea Kimi Antonelli, que vinha de três vitórias consecutivas e liderava o campeonato. Ainda mais com George dando um chega pra lá em Kimi na Sprint. No entanto, a corrida viu uma disputa fratricida entre os dois pilotos da Mercedes, que deve ter deixado Toto Wolff com os cabelos em pé. Correndo atrás de Russell, Antonelli parecia ter mais ritmo, mas isso não pôde ser demonstrado claramente, pois Russell abandonou com o motor quebrado, deixando Kimi sozinho para conquistar sua quarta vitória consecutiva, já o colocando na história por ser o primeiro piloto a conseguir suas quatro primeiras vitórias de forma consecutiva. Mais do que isso, Antonelli já abre uma boa diferença no campeonato e coloca ainda mais pressão em cima de George Russell.


Havia previsão de chuva para o momento da largada em Montreal e mesmo que a chuva tenha aparecido, foi bem mais amena do que o esperado, mas transformou a escolha de pneus num grande desafio para as equipes, que teriam que correr com essa configuração pela primeira vez nesse novo regulamento. Algumas equipes optaram pelos pneus intermediários, mesmo o asfalto estar longe de estar realmente molhado, com destaque para a McLaren, que ocupava a segunda fila. No entanto, as coisas não saíram como esperado para a turma de Zak Brown se seus papaia caps. Primeiro que Arvid Lindblad, que largava entre os dez primeiros, teve problemas com o seu Racing Bulls e se tornou primeiro abandono do dia. A largada só aconteceu na terceira tentativa, pois os comissários demoraram a tirar o carro de Lindblad do grid. Piastri já dava o sinal de que a pista estava praticamente seca. No momento do apagar das luzes vermelhas, Lando Norris pulou para a ponta, seguido por Russell e Antonelli, enquanto Piastri caía para quinto. Uma volta bastou para que McLaren, Audi, Williams e Cadillac erraram na estratégia e trouxeram seus carros para os pits colocar pneus slicks.


Isso deixou a dupla da Mercedes, que havia batalhado forte na Sprint, sozinhos na luta pela vitória, com Hamilton ficando mais para trás. As reclamações de Kimi via rádio durante a Sprint deixaram Toto Wolff chateado e não precisa ser um gênio para imaginar que a reunião da Mercedes no sábado à noite deve ter sido bem animada e com instruções aos seus pilotos. O que quer que tenha sido dito, Russell e Antonelli devem ter descumprido, pois vimos uma das lutas mais empolgantes entre dois companheiros de equipe, lembrando a célebre corrida no Bahrein em 2014 com Hamilton e Nico Rosberg se engalfinhando a prova inteira. A diferença entre os dois nunca era maior do que 1s, deixando o piloto de trás sempre podendo usar o 'modo boost' e atacando o da frente. Russell cometeu um pequeno erro no Hairpin e permitiu Antonelli ultrapassar, mas logo o inglês deu o troco. A sensação era de que Antonelli tinha mais ritmo e se ultrapassasse, abriria. Quando isso ocorreu, contudo, Kimi cometeu um erro parecido de Russell voltas antes, permitindo o troco do inglês. Novamente Antonelli teve que remar tudo de novo, efetuando novamente a ultrapassagem. Logo depois Russell cortou uma chicane, no que parecia ser um erro. Infelizmente para Russell não era. O motor falhou e George claramente sentiu o golpe. Jogando longe seu apoio de cabeça e depois jogando suas luvas no chão com raiva. 


Com a Mercedes trazendo várias novidades para Montreal, a diferença dos tedescos para os demais aumentou bastante e Russell imediatamente percebeu que a corrida estava no colo de Andrea Kimi Antonelli. Correndo solto na frente, Antonelli fez uma segunda metade de corrida tranquilo, onde controlou o equipamento rumo a quarta vitória consecutiva e se solidificar ainda mais na liderança do campeonato. O único ligeiro problema de Kimi foi no rádio e talvez por isso que, para demonstrar a superioridade do equipamento da Mercedes no final de semana canadense, Antonelli marcou a volta mais rápida da corrida. Mais importante é que Antonelli já conta com mais de quarenta pontos de vantagem sobre Russell, que sentiu o golpe. Após anos lutando com uma Mercedes que não se adaptou com o regulamento do carro com efeito-solo, Russell esperava liderar a equipe nessa nova era onde a Mercedes tem claramente o melhor carro. O que George não esperava ter Antonelli tão forte e confiante.


Com a briga pela vitória decidida, a corrida ficou mais estática, mesmo com o Safety Car Virtual aparecendo mais duas vezes após o abandono de Russell. No entanto, uma velha rivalidade apareceu na F1. Após criticar novamente os regulamentos e falar em aposentadoria precoce, Max Verstappen voltou a mostrar sua genialidade ao se manter entre os primeiros e aproveitando o vacilo homérico da McLaren, o neerlandês partiu para cima de Hamilton e ultrapassou o inglês da Ferrari ainda no começo da corrida, sem que Lewis esboçasse qualquer reação. Numa corrida sem tantas nuances estratégicas, mesmo com a presepada de McLaren, Audi e companhia no início da prova, a luta entre Max Verstappen e Lewis Hamilton foi decidida na pista. Com Max perdendo temperatura dos pneus médios, Hamilton diminuiu a vantagem e passou a atacar o amargo rival nas voltas finais. Numa luta de alto nível, Hamilton resolveu tudo com um mergulho audacioso na primeira curva e garantir o melhor resultado da Ferrari em 2026 até o momento. Mais importante para Hamilton foi que ele voltou a andar constantemente na frente de Leclerc, que simplesmente não se encontrou em Montreal. Verstappen completou o pódio e no momento que importava, colocou Hadjar no seu lugar dentro da Red Bull. O francês fez uma corrida problemática, onde teve que pagar duas punições, uma por uma manobra perigosa em cima de Leclerc na luta pela quarta posição. Hadjar terminou uma volta atrás, mas finalmente voltou aos pontos.


Com a corrida prejudicada pelo erro estratégico, a dupla da McLaren tentou escalar o pelotão, mas seus pilotos foram impedidos por motivos diferentes. Lando Norris teve uma quebra quando se aproximava dos pontos, enquanto Oscar Piastri teve uma diarreia mental ao tentar ultrapassar Ocon e Albon, acertando o piloto da Williams no meio. Tendo que fazer duas paradas extras (trocar o bico e pagar uma punição), Piastri ficou fora dos pontos e passa a sensação de que a perda do título ano passado ainda ressoa na cabeça do australiano. Com os problemas da McLaren e de Russell, abriu-se um abismo entre o quinto e o sexto colocado, o melhor do resto. Após um início de ano discreto, Franco Colapinto começa aos poucos a desabrochar. O argentino andou mais rápido o tempo inteiro do que Pierre Gasly em Montreal e terminou num sólido sexto lugar, garantindo a melhor posição de Franco na F1. Gasly ainda marcou pontos, mas ficou bem distante do companheiro de equipe, quando anteriormente acontecia o contrário. Eclipsado por Lindblad, Lawson se aproveitou do abandono precoce do companheiro de equipe e de outros carros para ser sétimo, segurando Gasly nas últimas voltas.


Mesmo errando na estratégia, Carlos Sainz executou um bom segundo stint para marcar mais pontos para a Williams, que tenta 'emagrecer' o carro e diminuir o azar de Albon, que sofreu todo tipo de calamidade nesse final de semana, inclusive atropelar uma marmota na sexta-feira. Bearman marcou o último ponto do dia, superando com ampla vantagem Ocon, que começa a ser questionado dentro da Haas. A Audi sofreu com o erro estratégico e nem de longe esteve perto de pontuar, ficando fora dos pontos mais uma vez. Aston Martin e Cadillac ficaram longe dos pontos, mas chama atenção o quão Bottas está andando atrás de Pérez nesse momento.


O Grande Prêmio do Canadá foi a melhor corrida da temporada 2026 sem sombras de dúvidas. Nada de efeito ioiô e com batalhas decididas na pista, principalmente dentro do seio da Mercedes, que viu seus dois pilotos lutarem pela liderança até Russell quebrar. Se o inglês precisava dar uma resposta para as vitórias consecutivas do seu companheiro de equipe, esse direito lhe foi negado por culpa da Mercedes, mas Andrea Kimi Antonelli, que não teve nada com os problemas de George Russell, foi o principal beneficiado.  

No photochart


 São 500 milhas percorridas. 800 quilômetros. Mais de 110 anos de história. Em 2026, as 500 Milhas de Indianápolis foram decididas por meros 23 milésimos de segundo. Foi o que Felix Rosenqvist precisou para derrotar David Malukas no final mais apertado na longa história da grande corrida americana e uma das joias da coroa do automobilismo, colocando o sueco na imortalidade do esporte a motor.

As primeiras voltas em Indianápolis foram tranquilas, com os pilotos tateando o melhor ritmo, algo bem comum nessa era dos datados Dallara IR-18. O poleman Alex Palou manteve a ponta e ficou trocando de liderança com Alexander Rossi, mesmo o americano correndo com o tornozelo quebrado e recém-operado, por causa de um acidente na semana da prova. O céu carrancudo fazia o grid inteiro se preocupar com a chuva iminente. A primeira amarela surgiu ainda antes do primeiro quarto de prova, com Ryan Hunter-Reay rodando sozinho e agradecendo aos deuses por Katherine Legge ter tido o raciocínio rápido em desviar da McLaren por muito pouco. Isso por si só não mexeu muito nas estratégias das equipes, mas a esperada chuva veio e trouxe uma bandeira vermelha. Quando os carros voltaram à pista, a chuva deu às caras novamente, tão leve que apenas o pano amarelo apareceu.

Nesse momento ficou claro que Ganassi e Penske tinham os melhores carros, com Andretti sofrendo nessa edição e Pato O'Ward, correndo com o carro reserva, ainda não colocando a McLaren no páreo. Numa das relargadas Josef Newgarden bateu sozinho de forma bisonha, eliminando um dos favoritos à vitória. Todas essas bandeiras amarelas fizeram com que as equipes mudassem suas táticas e no quarto final de prova, duas estratégias se mostrassem claras. Os líderes, particularmente a turma de Ganassi e Penske, teriam que parar apenas uma vez, enquanto alguns pilotos iriam para apenas um pit-stop, liderados por O'Ward e Felix Rosenqvist. 

Quando Palou, Malukas, McLaughlin e companhia fizeram suas últimas paradas, a corrida parecia que seria decidida entre O'Ward e Rosenqvist, com o sueco assumindo a ponta faltando quinze voltas, mas logo depois Caio Collet, que fez uma corrida de estreia bem decente, bateu forte e como faltavam poucas voltas, a bandeira vermelha apareceu. Isso fez com que a turma que mais vezes entrasse na festa, além de dar maior respiro aos líderes. Um toque de Mick Schumacher na relargada fez com que a corrida fosse decidida num sprint de uma volta. Malukas fez uma relargada espetacular e deixou Rosenqvist e Marcus Armstrong para trás ainda na curva um.

Contratado como nova estrela da Penske, Malukas ainda persegue sua primeira vitória e parecia que ela surgiria no maior dos palcos do automobilismo. Incrivelmente, Rosenqvist e Armstrong duelavam pela segunda posição, dando chances para Malukas escapar um pouco, mas o sueco se sobressaiu no final da reta oposta e disparou para cima de Malukas. Outras vezes quem emergiu da curva quatro em segundo acabou ultrapassado na reta dos boxes e foi exatamente isso que aconteceu com Malukas. Rosenqvist pegou o vácuo e com uma ultrapassagem emocionante, derrotou o piloto da Penske pela menor das margens para vencer poucos dias depois de ter se tornado pai.

Uma vitória emocionante, a segunda da Meyer & Shank, que só venceu em Indianápolis. Melhor lugar não há para vencer. Para desespero de Malukas, que ficou inconformado com mais um segundo lugar, Rosenqvist colocou seu nome entre os imortais da Indy.

sábado, 23 de maio de 2026

Deja vu na Mercedes

 


Quando Andrea Kimi Antonelli tomou gosto pela vitória, o italiano enfileirou três seguidas, deixando seu companheiro de equipe mais experiente George Russell numa situação complicada. Com a Mercedes tendo claramente o melhor carro nesse início de novo regulamento, o inglês precisava dar uma resposta rápida e com convicção em cima de Antonelli. Nesse sábado, Russell o fez duplamente. Primeiro, deu um chega para lá em Antonelli que tirou o italiano do prumo na Sprint. Na classificação, tirou o doce da boca de Kimi no último instante, marcando a pole em Montreal, pista onde Russell anda sempre bem.

A Sprint Race desse sábado foi de deja vú para Toto Wolff. O experiente chefe de equipe voltou dez anos no tempo, quando tinha que administrar Lewis Hamilton e Nico Rosberg dividindo a equipe. Duas crias suas, Russell e Antonelli largaram da primeira fila e finalmente conseguiram manter as posições. Os dois logo abriram 3s para Lando Norris e iniciaram uma disputa apertada pela liderança, com Kimi fustigando George e na sexta volta, o dois se tocaram na segunda curva, com Russell alargando a primeira curva e deixando Antonelli sem espaço. Os dois perderam tempo, mas Russell permaneceu na ponta. Logo depois Antonelli saiu da pista novamente e dessa vez Norris não perdeu a oportunidade de tomar a segunda posição de Kimi. Os três andaram próximos até a bandeirada, com uma última tentativa de Antonelli na última volta de tomar o segundo lugar se provando infrutífera. Contudo, antes disso, Antonelli não ficou imune a manobra agressiva de Russell e chamou o companheiro de equipe de 'sujo' e 'que deveria ser punido'. Toto Wolff entrou no rádio duas vezes para tentar colocar Antonelli no seu lugar. Havia tensão no aperto de mão entre os pilotos da Mercedes após a Sprint.

Poucas horas depois a classificação ocorreu com Antonelli correndo com raiva, sempre à frente de Russell, que não parecia tão a vontade como antes. Assim como a Mercedes. Hamilton, especialista do Autódromo Gilles Villeneuve, e Lando Norris andaram muito forte. Isack Hadjar deu o ar da graça e liderou o Q2, colocando meio segundo em Verstappen, que pareceu sempre estar pouco à vontade no seu Red Bull. 

No Q3 Antonelli parecia que ficaria com a pole, com Russell demorando a ganhar ritmo, mas o inglês abriu uma última volta e superou o companheiro de equipe mais uma vez. Pode ser um golpe psicológico de George, usando ainda a juventude de Kimi. Lando conseguiu mais um terceiro lugar, com Piastri ao seu lado, ambos de olho em qualquer problema entre os pilotos da Mercedes. Max superou por pouco Hadjar, colocando a casa da Red Bull em ordem. A primeira curva de domingo deverá ser tensa, ainda mais se confirmar a previsão de chuva para amanhã.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Que pena...

 


Toda notícia referente ao falecimento de alguém é impactante, mas poucas vezes algo tão impressionante aconteceu no automobilismo como o que vimos nessa quinta-feira. No começo da tarde surgiu a notícia de que Kyle Busch estava hospitalizado e não correria a festejada Coca Cola 600 em Charlotte, no final de semana. Para um atleta de 41 anos de idade, isso não parecia nada demais. No entanto, poucas horas depois a Nascar chocou o mundo do esporte a motor ao anunciar que Kyle Busch estava morto. Piloto agressivo e dos poucos realmente carismáticos da Nascar atual, Busch era o que chamamos de 'Racer', pois muitas vezes Kyle participava de toda a programação da Nascar, disputando as três corridas das categorias nacionais durante um final de semana, sendo o único a conseguir a 'varrida'. E duas vezes! Irmão mais novo de Kurt Busch, que foi campeão da Nascar em 2004, Kyle foi um piloto prodígio, logo se tornando uma das estrelas da categoria, mesmo que o título na Nascar Cup tenha demorado a vir, em 2015. E repetindo a dose em 2019. Kyle tinha marcas impressionantes, com mais de duzentas vitórias nas três categorias nacionais da Nascar, com 63 na principal, no top10 da Cup. Durante a carreira abraçou a fama de Bad Boy da Nascar, mas nem isso maculou sua carreira ou sua popularidade. Por mais que o vaiassem, muitos adoravam aquele piloto metido e talentoso. A última vitória foi em Dover, na Truck Series. Poucos poderiam imaginar que menos de uma semana depois, Kyle Busch não estaria entre nós.

domingo, 17 de maio de 2026

Alta tensão


 Os pilotos da MotoGP já vem reclamando do circuito de Montmeló, em Barcelona, já faz algum tempo. O tradicional autódromo está com o asfalto desgastado e as áreas de escape estão insuficientes para as motos atuais, lembrando que a pista foi palco da morte de Luís Salom dez anos atrás. O Grande Prêmio da Catalunha de 2026 foi dos mais tensos dos últimos anos, com inúmeros incidentes e dois pilotos hospitalizados. 

Pedro Acosta e Alex Márquez brigavam pela liderança quando a KTM de Acosta teve um problema técnico que o fez perder velocidade. Surpreendido, Acosta ainda levantou o braço, mas não rápido o suficiente para Alex desviar, batendo de leve na KTM, fazendo-o perder o controle da moto e se espatifar no muro. A Ducati de Alex Márquez foi moída! Márquez permaneceu consciente e foi levado ao hospital com a clavícula quebrada e um pequena lesão numa vértebra. Pelo gravidade do acidente, Alex saiu verdadeiramente no lucro.


Na relargada, Johan Zarco bateu na traseira de Marini e as duas Hondas acertaram a Ducati de Bagnaia. Infelizmente Zarco ficou preso na moto de Pecco enquanto rolava na área de escape. Imediatamente Bagnaia e Marini sinalizaram a gravidade da situação e uma nova bandeira vermelha foi mostrada. Zarco também esteve o tempo todo consciente, mas a situação de sua perna esquerda preocupa. 

Depois de dois acidentes dessa magnitude, pouco poderia se esperar da corrida, correto? Pois ainda teve mais incidentes. Jorge Martin tinha tudo para voltar a liderar o campeonato, mas foi atingido por Raul Fernández, que pilota uma Aprilia satélite, acabando com a corrida do espanhol. Transtornado, Martín chegou aos boxes empurrando a tudo e a todos, inclusive Massimo Rivola, o chefão da Aprilia. Na volta final, Acosta brigava com Ogura pela quarta posição, mas foi tocado e acabou no chão. Ogura foi posteriormente punido, mas não seria o único. Vários pilotos foram punidos por baixa pressão do pneu dianteiro, incluindo Joan Mir, que conseguira a proeza de ser terceiro com a Honda, mas despencou pelotão abaixo por causa da punição.

Entre tantos feridos, Fabio Di Giannantonio, que fora atingido por um pneu de Alex Márquez e machucara a mão esquerda, venceu a acidentada prova em Barcelona, enquanto Bezzecchi, num final de semana muito abaixo, marcou bons pontos no campeonato. Contudo, isso tudo fica para trás com tantos incidentes e dois pilotos no hospital. 

domingo, 10 de maio de 2026

A volta de Martín

 


Mais de um ano depois de conquistar seu título da MotoGP, Jorge Martín se via numa situação complexa na carreira. Frustrado por não ter conseguido um lugar na equipe de fábrica da Ducati, o espanhol se transferiu para a Aprilia em 2025, chegando à montadora italiana como atual campeão da MotoGP. No entanto, a temporada de defesa de título de Jorge Martín foi um autêntico pesadelo. O espanhol sofreu inúmeros acidentes e passou praticamente o ano inteiro se recuperando de suas lesões. Em meio a tudo isso, Martín se desentendeu com a Aprilia, tentando forçar uma saída da equipe antes da hora, mas Massimo Rivola, CEO da Aprilia, bateu o pé e fez Martín cumprir o contrato, mesmo a situação entre eles tenha ficado, no mínimo, estranha. O segundo ano de Jorge Martín na Aprilia foi de uma subida estupenda da moto, superando a Ducati como a melhor da MotoGP. Após ter visto seu companheiro de equipe Marco Bezzecchi ter vencido as trêss primeiras corridas do ano, Martín viu que a moto poderia lhe dar o bicampeonato e foi evoluindo. Enquanto Bezzecchi vacilava nas Sprints e perdia pontos preciosos, Jorge Martín ia ganhando confiança e em Le Mans, o espanhol de 28 anos deu show, varrendo o final de semana e encostando de vez em Bezzecchi.

Porém, o final de semana em Le Mans foi marcado por um sério acidente de Marc Márquez na Sprint Race, quando sequer brigava pela vitória após largar em segundo. O espanhol da Ducati perdeu a moto nas últimas curvas de Le Mans e a pancada que deu no pé direito parecia bem preocupante. Mesmo tendo saído andando do acidente que destruiu sua Ducati, não demorou para que uma fratura no pé direito acabasse com o final de semana de Márquez e o tirasse da próxima corrida em Barcelona, semana que vem. Agora resta saber quando volta e, principalmente, como Márquez voltará numa temporada que já pode ser considerada como perdida.

Bagnaia largou na pole, mas rapidamente perdeu a ponta para Bezzecchi, com Acosta pulando para as primeiras posições. No sábado Martin tinha conseguido uma largada mágica, pulando de oitavo para primeiro ainda nos primeiros metros, mas no domingo foi diferente, com o espanhol da Aprilia conseguindo ultrapassagens ao longo da prova, elevando seu ritmo no decorrer da corrida. Bagnaia já tinha feito uma corrida de recuperação e ultrapassara Acosta para ser o mais próximo perseguidor de Bezzecchi, enquanto Martín ultrapassava Di Giannantonio e encostava no pelotão da frente. Quando Martín já via de perto a rabeta de Acosta, Bagnaia caiu na curva 2, estragando de vez o dia da Ducati de fábrica, pelo segundo final de semana consecutivo zerada. Isso abria ainda mais caminho para Martín rumo à liderança. Após ultrapassar Acosta, o ritmo de Martín era tão forte que a ultrapassagem sobre o seu companheiro de equipe seria apenas questão de tempo, mesmo a corrida chegando ao fim.

Na forte freada da chicane, mergulhando de surpresa, Martín assumiu a ponta rumo a primeira vitória desde que se tornou campeão em 2024. Mais importante foi que a diferença para Bezzecchi caiu para apenas um ponto, com o italiano já lamentando os pontos perdidos nas Sprints. Para melhorar o dia da Aprilia, Ai Ogura fez outra corrida de recuperação e completou o pódio, subindo pela primeira vez ao pódio, quebrando um jejum de doze anos sem um japonês no pódio, além de que pela primeira vez a Aprilia dominou o pódio na MotoGP. Acosta ainda perder a quarta posição para Di Giannantonio na última curva, com o italiano sendo a melhor Ducati.

Martín comemorou bastante, mas seu conturbado ano de estreia na MotoGP fez com que as pontes entre ele a Aprilia estivessem estremecidas e muito provavelmente o espanhol irá para a Yamaha ano que vem, cuja melhor moto nesse domingo foi Quartararo, que levou a moto nas costas rumo ao sexto lugar. Assim como aconteceu em 2024, Martin vai ganhando bastante pontos nas Sprints e começa a colocar bastante pressão em Bezzecchi, pela primeira vez na luta pelo título da MotoGP. E assim como dois anos atrás, Martín poderá ser campeão se mudando para outra montadora.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Figura(MIA): McLaren

 Um dos pontos fortes da McLaren nos últimos anos é o seu setor de engenharia. Updates certeiros fazem com que os carros realmente evoluíssem e em 2024 Lando Norris conseguiu sua primeira vitória na F1 depois de uma melhora significativa vindo da McLaren, superando a então dominante Red Bull. Dois anos depois a McLaren se aproveitou do longo intervalo por causa da guerra no Oriente Médio e trouxe várias mudanças no seu carro. O resultado lembrou 2024, com a equipe papaia claramente evoluindo bastante a ponto de Norris quase completar um final de semana perfeito, com vitória na Sprint Race e terminar em segundo a corrida principal, apenas 3s atrás do vencedor Andrea Antonelli, com dominante Mercedes. Piastri completou a dobradinha da McLaren na Sprint Race e subiu ao pódio na corrida principal. Isso, depois da McLaren sequer largar na China. A Mercedes ainda mantém uma certa dominância, porém, Toto Wolff e a Mercedes precisam colocar as barbas de molho, pois a McLaren mostrou mais uma vez que é capaz de grandes evoluções.

Figurão(MIA): Audi

 Estamos apenas na quarta etapa do campeonato, mas a neófita Audi teve um final de semana para esquecer em Miami, depois de um início na F1 de forma até mesmo tranquila. Na Flórida, a equipe alemã teve variados problemas de confiabilidade com seus dois carros. Antes da largada da Sprint Race, o motor do carro de Nico Hulkenberg explodiu e pegou fogo, fazendo com que o alemão corresse das chamas. Já Bortoleto fez uma corrida decente na Sprint, mas logo depois da mini-corrida o brasileiro foi desclassificado por problemas técnicos, fazendo com que a Audi desmontasse o carro de Gabriel. Os mecânicos ainda conseguiram colocar o carro de Bortoleto na pista, mas o paulistano demorou a entrar no Q1, contudo, Bortoleto não completou uma única volta rápida e viu o freio traseiro do seu carro pegar fogo, fazendo com que Gabriel largasse na última fila. Na corrida Bortoleto fez uma corrida tranquila, mas não conseguiu evoluir através do pelotão e esteve longe de pontuar, enquanto Hulkenberg abandonou a corrida cedo com mais problemas mecânicos. Um final de semana que Mattia Binotto terá que estudar bastante para evitar outros. 

domingo, 3 de maio de 2026

Passo a frente

 


Os grandes ajustes feitos em comunhão entre FIA, Liberty Media, equipes e pilotos de F1 trouxe grande expectativa para o Grande Prêmio de Miami, quarta etapa do campeonato 2026 e após um mês de uma intertemporada provocada pela guerra no Oriente Médio. A pista de rua em torno do Hard Rock Stadium trouxe boas disputas de posição entre os primeiros colocados, uma ligeira mudança na ordem de força das equipes, mas o principal foi a diminuição do chamado Superclipping e as diferenças abissais de velocidades entre os pilotos de acordo com a quantidade de energia na bateria de cada um. Aprovado? Cedo para dizer, pois os pilotos ainda se queixaram de serem lentos em determinadores setores da pista para gerenciar melhor a bateria, contudo, o absurdo visto em Suzuka não se repetiu. Quem não tem do que se queixar é Andrea Kimi Antonelli. Mesmo McLaren, Ferrari e Max Verstappen terem se aproximado da Mercedes na Flórida, Antonelli fez outra boa corrida rumo à terceira vitória consecutiva, se distanciando no campeonato e colocando-se como, sim, um dos favoritos ao título de 2026.


Desde o início da semana havia previsão de tempestade para a hora da corrida em Miami, com um adicional a mais de preocupação. Nos Estados Unidos um evento à céu aberto é imediatamente interrompido em caso de raios nos arredores do local e quem assistiu a Copa do Mundo de Clubes no ano passado vai lembrar dos vários jogos parados mesmo sem chuva. Isso sem contar que a F1 não queria a primeira corrida desses novos carros com asfalto molhado num circuito de rua. De forma prudente e para não atrapalhar a transmissão da TV, a largada foi antecipada em três horas e mesmo com o céu carrancudo, a pista estava seca no momento da largada. Um dos pontos mudados foi o procedimento de largada, evitando situações como da corrida passada, quando os carros da Mercedes largaram tão mal, que um perigoso acidente poderia ter acontecido. Porém, Antonelli pareceu ainda estar com o procedimento antigo na cabeça e assim como na Sprint, o italiano saiu muito mal, mas para a sua sorte, Verstappen também não largou bem e Leclerc pulou para primeiro antes da primeira curva. O problema foi que o ferrarista freou cedo e com os dois ocupantes da primeira fila querendo recuperar terreno, Antonelli e Verstappen passaram por Leclerc como uma bala e saíram da pista. Verstappen ficou lado a lado com Leclerc e acabou rodando sozinho no meio do pelotão. Um 360º que Keke Rosberg assinaria. Afortunadamente Max não foi atingido por ninguém, mas ter perdido tantas posições fez com que Verstappen pensasse a corrida diferente.


Leclerc liderou as primeiras voltas, com Antonelli e a dupla da McLaren logo atrás. Norris levou uma fechada de Verstappen na largada que pelo fato de não ter tido investigação já seria um milagre. O melê causado por Verstappen fez com que mudanças ocorressem no meio do pelotão. Franco Colapinto ultrapassou Hamilton, que no afã de não perder muito tempo atrás do argentino, foi para cima do piloto da Alpine e ao efetuar a ultrapassagem, Hamilton teve sua Ferrari atingida e os danos fez com que Lewis ficasse, palavras dele, na 'terra de ninguém'. Gasly perdera bastante tempo na primeira volta e tentava ultrapassar Liam Lawson, mas um toque de rodas fez com que francês capotasse e visse sua Alpine semi-virada sobre a barreira de pneus. Mais atrás, Isack Hadjar largava dos boxes após ser desclassificado depois da classificação e fazia uma boa corrida de recuperação, ganhando boas posições até cometer um erro besta e estampar seu Red Bull no muro, deixando o francês desesperado pelo abandono. Com dois carros parados na pista, o Safety Car apareceu ainda na sétima volta e quem foi aos pits foi Max Verstappen. O neerlandês tentou um all-in ao colocar pneus duros no começo da corrida, caindo para os confins do pelotão. Havia a previsão de chuva em qualquer momento, algo anunciado em praticamente todo rádio do grid, mas tirando alguns pingos, a corrida foi toda no seco. Isso não ajudou a tática de Verstappen.


Leclerc ainda liderava na relargada, mas logo foi atacado por Norris e Antonelli, que deixaram o piloto da Ferrari para trás e iniciavam a luta pela vitória. Mais atrás Piastri, que fora ultrapassado por Russell antes da entrada do SC, deu o troco na relargada, mesmo George tendo efetuado uma manobra bem diagonal, para reclamação do sempre calmo Piastri. A corrida se estabiliza nas primeiras posições, enquanto Max Verstappen começava sua corrida de recuperação, com ultrapassagens agressivas, gerando alguns resmungos via rádio. A esperada chuva não vinha e com a metade da corrida se aproximando, as equipes começaram a chamar seus pilotos para os pits. O primeiro que veio foi Russell, num opaco quinto lugar, algo que Leclerc de imediato reagiu. O monegasco ficou injuriado com a manobra da Ferrari, pois ficou claro que parar mais cedo fazia muita diferença. Mesmo Russell estando bem atrás de Leclerc antes da parada, o inglês foi capaz de ficar à frente da Ferrari, enquanto Verstappen, que parada algumas voltas antes, simplesmente deixava-os para trás com facilidade. Os pilotos da frente postergaram a parada como puderam, esperando uma chuva que não apareceu. Mais importante foi que Antonelli fez seu pit-stop duas voltas antes de Norris. Isso foi decisivo. 


Kimi emergiu na frente de Lando, que nunca ficou acima de 3s atrás do jovem italiano, que mesmo reclamando dos pneus e do câmbio, não errou e levou seu Mercedes até a bandeirada para conseguir a terceira vitória consecutiva, igualando Damon Hill e Mika Hakkinen, que venceram a primeira corrida na F1 para logo emendar três vitórias consecutivas. Antonelli usou muito bem a tática da Mercedes para tomar a ponta de Lando Norris e se consolidar ainda mais na liderança do campeonato. Já seu companheiro de equipe fez uma corrida horrorosa, bem longe de lutar pela vitória e tomando 43s de Antonelli. Dito e havido como principal favorito ao título após a vitória em Melbourne, Russell começa a ficar de lado dentro da Mercedes, que se vê mais a mais apaixonada por Antonelli.


Lando Norris lamentou perder a vitória em Miami, lugar onde venceu pela primeira vez na carreira na F1 e quase completou um final de semana perfeito, após vencer a Sprint Race. Lando mostrou que a McLaren continua com sua engenharia sendo uma das melhores da F1, pois os updates trazidos pela McLaren claramente evoluiu o carro. Piastri esteve sempre à sombra de Norris, mas ainda garantiu um pódio na base da oportunidade. Leclerc alcançou e ultrapassou Verstappen quando faltavam pouco mais de dez voltas para o fim, trazendo consigo Piastri. Os dois pareciam que manteriam a posição, quando Piastri iniciou um ataque mais incisivo na antepenúltima volta e quando o australiano abriu a penúltima volta em terceiro, Leclerc cometeu um erro na curva 2. O piloto da Ferrari parecia ter um pneu furado e Charles ainda encostou no muro com o pneu dianteiro esquerdo. Leclerc fez de tudo para se manter na pista, inclusive cortando curvas. Na última volta, foi ultrapassado por Russell e Verstappen, mas as suas 'cortadas' lhe renderam 20s de punição fazendo-o cair para oitavo.


Piastri completou o pódio e Russell, mesmo declarando não gostar da pista de Miami, ainda foi quarto. Ainda assim, muito pouco para quem quer lutar pelo título. Max Verstappen claramente carregou seu carro nas costas até a quinta posição e suas reclamações diminuíram. Numa corrida praticamente anônima, Hamilton foi sexto e Franco Colapinto, que recebeu a visita de Messi antes da largada, conseguiu seu melhor resultado na carreira, além de marcar bons pontos para a Alpine, que se vê numa situação onde está longe das quatro principais equipes na sua frente, mas com ótima vantagem para as demais equipes. A dupla da Williams surpreendeu ao marcar os pontos restantes com Sainz na frente de Albon. As demais equipes mal apareceram. Haas não marcou pontos em casa e nem esteve perto disso, mas Bearman o final de semana inteiro à frente de Ocon, que começa a se preocupar sobre sua continuidade na F1. Lawson abandonou logo após capotar o carro de Gasly, mas pelo desempenho de Lindblad, pouco poderia fazer. Após um início de temporada muito forte, o jovem inglês parece murchar junto com a Racing Bulls. A Audi teve outro dia complicado. Após um sábado onde Hulkenberg quebrou o motor enquanto levava seu carro ao grid na Sprint e Bortoleto ter sido desclassificado após a classificação, largando na última fila, o domingo não foi muito melhor com Hulk abandonando logo cedo e Bortoleto não evoluindo muito. A Cadillac evoluiu e andou perto da claudicante Aston Martin, que comemorou ter seus dois completando a corrida.


A corrida em Miami não teve o passa-repassa das três primeiras provas e as ultrapassagens pareceram mais naturais, mesmo com os pilotos dizendo que foi mais um passo a frente do que a resolução definitiva do problema causado pelo novo regulamento. Foi uma corrida interessante, com boas disputas e Antonelli se consolidando cada vez mais como um dos pilotos que brigarão pelo título. Num regulamento novo, equipes podem conseguir grandes saltos, como os vistos pela McLaren, que não largou com seus dois carros na China e conseguiu um duplo pódio em Miami. A Ferrari evoluiu, mesmo que os resultados não tenha demonstrado isso e Max Verstappen vai fazendo algo parecido desde 2023, onde pega o carro da Red Bull, o coloca nas costas e consegue ótimas resultados. A Mercedes tem que manter a guarda alta, pois com tanto tempo que poderá ser conquistado ao longo do campeonato, ninguém ficará parado.    

sábado, 2 de maio de 2026

Luz no fim do túnel

 


As inúmeras mudanças introduzidas pela FIA nessa intertemporada 'forçada' trouxe mais expectativas para a temporada 2026 da F1, com os pilotos podendo conduzir seus carros de forma mais 'natural'. De certa forma as mudanças fizeram com que as reclamações diminuíssem, mesmo que Lance Stroll tenha metido a boca no trombone antes dos primeiros treinos livres. O canadense mal poderia esperar pelo o que vinha pela frente...

Outro ponto era que a grande maioria das equipes preparam vários updates e havia também a perspectiva de mudanças no poweranking dos times de F1. Para completar o cenário, Miami receberia o segundo final de semana de Sprint, com as equipes tende menos tempo para testar as novidades, fazendo com que a FIA concedesse trinta minutos a mais de treino livre para todo mundo observar as inovações. O único treino livre mostrou menos superclipping e a velocidade perdida quando a bateria acaba era bem menor do que o visto em Melbourne e Suzuka, quando os carros chegaram a perder 50 km/h na metade final das retas.

Já a ordem de forças da F1 viu uma ligeira mudança, com a Mercedes perdendo boa parte do seu protagonismo, enquanto McLaren e Ferrari diminuíam bastante suas desvantagens e Max Verstappen tirava coelhos da cartola. A classificação da Sprint viu a pole de Lando Norris, que confirmou a vantagem com uma vitória tranquila na mini-corrida. Mais uma vez Antonelli não largou bem e Piastri completou a dobradinha da McLaren, com Leclerc em terceiro e a dupla da Mercedes logo em seguida. As dezenove voltas na pista de rua de Miami viram uma corrida mais 'verdadeira' de F1. Não houve passa-repassa ou carros perdendo rendimento de forma repentina por falta de bateria. Nessa pequena amostra, a F1 pareceu ter acertado. 

O pequeno intervalo entre a Sprint Race e a classificação foi bastante complicada para a Audi. Antes da Sprint Nico Hulkenberg viu seu carro pegar fogo, enquanto Bortoleto foi desclassificado por irregularidades técnicas. O brasileiro teve seu carro desmontado e Gabriel foi tarde para a classificação, acabando por ver seus freios traseiros pegarem fogo e tendo que largar de último. Sorte da Aston Martin. Alonso e Stroll tiveram seus problemas de vibração suavizados, mas continuavam tendo problemas de desempenho, tanto que os dois praticamente não andaram na Classificação da Sprint. Inclusive Alonso marcou um tempo mais lento que o último colocado da... F2! A situação da Aston não melhora...

Logo ficou claro que criou-se um abismo entre as cinco equipes mais rápidas e o resto. A Alpine com motor Mercedes se não ameaçam as quatro melhores equipes, está quase meio segundo na frente do resto, que se digladiam para fugir da companhia da Aston Martin na rabeira. Com Max Verstappen cada vez mais a vontade, Isack Hadjar começa a sentir a dor de outros companheiros de equipe de Max, tomando bastante tempo do neerlandês, mas ao menos está indo ao Q3. A briga pela pole prometia animada, com a dupla da McLaren, Antonelli, Verstappen e Leclerc. Russell não pareceu a vontade em nenhum momento e esteve sempre longe do seu companheiro de equipe. Um sinal nada bom. Hamilton não conseguiu acompanhar Leclerc, voltando ao patamar de 2025. Já a dupla da McLaren, principalmente Piastri, não repetiu o resultado de sexta-feira e ficaram fora do top3. Antonelli conseguiu um ótimo tempo em sua primeira tentativa no Q3 e praticamente garantiu a pole ali, pois afora Verstappen, ninguém conseguiu melhorar na segunda tentativa. 

Kimi mostra que é mesmo um piloto diferenciado, mas pela primeira vez terá ao seu lado Max Verstappen e principalmente, terá que melhorar as suas largadas. Até o momento, Miami mostrou uma F1 com nítidas evoluções do que foi visto nas três primeiras provas. Uma luz no fim do túnel.   

Que pena...


 O mês de maio é de grandes perdas para o esporte a motor e 2026 confirmou essa premissa. Na noite europeia do dia primeiro de maio, perdemos Alex Zanardi, consequência do seu sério acidente de handbike em 2020. Falar de Zanardi sem clichês é praticamente impossível. Temos que adjetiva-lo com palavras como resiliente e corajoso por tudo que o italiano passou. Um grande piloto, que se não obteve sucesso na F1, foi inesquecível nos seus anos na Indy/CART. Porém, as adversidades que Zanardi teve que enfrentar e dar uma bela volta por cima o fazem ser admirado como um grande homem e um personagem que deixou um legado extraordinário. E sempre sorrindo, curtindo a vida. Alex Zanardi fará muito falta! 

domingo, 26 de abril de 2026

Dia do irmão mais novo


 Além da F1, a MotoGP foi outra categoria afetada pela guerra no Oriente Médio, com praticamente um mês sem corridas, fazendo com que equipes e montadoras ajustassem suas motos novas. Menos mal que a MotoGP não precisou fazer acertos paliativos no regulamento, mas aí é outra história. Com a Aprilia dominando a temporada 2026 da MotoGP, a moto italiana se tornou a referência para as demais e a Ducati, antiga dominadora, pareceu trabalhar bastante nesse intervalo, mas principalmente com Alex Márquez. Com um ritmo forte na sexta, indicando ter o melhor conjunto do final de semana em Jerez, o irmão mais novo de Marc confirmou as expectativas no domingo, vencendo de forma enfática a corrida principal.

Ao contrário do que se viu na Sprint Race no sábado, quando a chuva deu as caras e embaralhou o pelotão, a corrida do domingo foi bastante monótona em sua maior parte, principalmente na luta pelas primeiras posições. Com pista molhada, Marc Márquez tirou mais uma pole da cartola e largou muito bem no domingo, mas o espanhol da Ducati de fábrica viu ótimas largadas da dupla da Aprilia de fábrica e de Alex Márquez. Normalmente eclipsado pelo irmão mais velho e lendário, Alex repetiu o que fez ano passado, quando venceu em Jerez com um ritmo superior aos demais. O piloto da Gresini já tinha conseguido um ótimo tempo nos treinos livres da sexta, liderou a Sprint com piso seco antes de cair com pista molhada. Alex rapidamente ultrapassou Bezzecchi e partiu para cima do irmão mais velho, o ultrapassando ainda no começo do corrida.

Era esperado uma disputa caseira entre os irmão Márquez, mas antes que pudéssemos vislumbrar uma bela disputa, Marc caiu espetacularmente na volta 4, destruindo sua Ducati e zerando mais uma vez num GP. Mesmo todos nós conhecendo toda a exuberância de Marc Márquez, a situação do espanhol vai se complicando no campeonato e como as coisas ainda podem piorar, a Ducati oficial ainda viu Pecco Bagnaia, que largou mal, abandonar com problemas técnicos quando ocupava a insossa nona posição. 

Já a Ducati 2026 restante do grid permaneceu dominando. Alex Márquez não teve adversários em Jerez e venceu com tranquilidade, restando saber se Alex, cujo melhor resultado em 2026 era um sexto lugar, terá consistência necessária para avançar no campeonato. Sem moto para liderar, Marco Bezzecchi fez o que um piloto que luta pelo campeonato precisa fazer nessas situações: marcar o maior número de pontos possíveis. O segundo lugar fez com que Bezzecchi aumentasse a sua vantagem no campeonato, já que Jorge Martin perdeu o lugar no pódio para Fabio di Giannantonio, terceiro colocado em Jerez e também no campeonato, sendo a melhor moto da Ducati no momento. 

A dupla da Trackhouse confirmou a boa fase da Aprilia, com Ai Ogura terminando em quinto vindo de boa corrida de recuperação, ultrapassando seu companheiro de equipe na última volta. Ogura, que estaria de malas prontas para a Yamaha substituir Alex Rins, prova que está merecendo a atenção que recebe, mesmo que ir para a Yamaha atualmente não parece o melhor caminho a seguir. Johan Zarco largou na primeira fila e por muito tempo acompanhou de perto a Aprilia de Martin, mas o francês perdeu o fôlego e acabou atropelado pela dupla da Trackhouse no fim. Zarco se garantiu como a melhor Honda com o sétimo lugar, bem à frente dos piloto de fábrica. Quartararo, apenas 14º hoje com sua Yamaha, curtiu. Diogo Moreira não brilhou e pela primeira vez em sua curta carreira na MotoGP, não pontuou.

A MotoGP retornou de suas 'férias forçadas' com uma corrida sem muita emoção em Jerez, mesmo que a torcida que lotou, como sempre, as arquibancadas não tenha reclamado, com uma vitória categórica de Alex Márquez com sua Ducati 2026. Será um recomeço para a Ducati? Bezzecchi se mantém na liderança, mesmo com suas quedas seguidas na Sprint Race. Seu companheiro de equipe, Jorge Martin, provou em 2024 que esses pontos conquistados no sábado podem fazer muita diferença. Por sinal, dentro da cabeça de Marc Márquez já soa um sinal amarelo pensando no campeonato, mas esse domingo foi dia do seu irmão mais novo.

terça-feira, 31 de março de 2026

Figura(JAP): Andrea Kimi Antonelli

 Novamente o jovem italiano está nessa parte da coluna e mesmo tendo tido sorte com o Safety-Car entrando no momento correto, Kimi Antonelli estava com o melhor ritmo do final de semana e mereceu vencer na sempre seletiva pista de Suzuka. O piloto da Mercedes conseguiu uma bela pole no sábado, mas como está sendo comum nesse novo regulamento, Antonelli se atrapalhou na largada e caiu para sexto. O italiano foi escalando o pelotão e estava mais rápido que seu companheiro de equipe George Russell quando o SC deu às caras e Kimi assumiu a ponta da prova. De cara pro vento, Antonelli não deu chances à ninguém e liderou a corrida até a bandeirada, assumindo a ponta do campeonato, sendo o mais novo a fazê-lo. Mais importante do que isso, Kimi Antonelli superou nitidamente George Russell nesse final de semana e lembrando que o campeonato pode ser decidido dentro do seio da Mercedes. E nesse momento, Kimi Antonelli está em viés de alta.

Figurão(JAP): Novos regulamentos

 É normal esperarmos um pouco para dar um veredicto sobre um regulamento que estreia, porém, não precisou três corridas para vermos que o novo regulamento técnico da F1, com um motor com potência 50/50 de combustão interna e elétrico não está funcionando a contento. Pior do que isso. É um regulamento perigoso, algo mais alarmante que as corridas 'fake' com os pilotos ultrapassando os outros 'sem querer', além de uma pilotagem completamente contraintuitiva. O forte acidente de Oliver Bearman claramente causado pelo novo regulamento foi um sério alerta de que algo precisa ser feito de forma urgente.  

domingo, 29 de março de 2026

De cogumelo para abacaxi

 


Numa dessas ironias da vida, a F1 recebeu parte do elenco do filme Super Mario Galaxy em Suzuka, semanas depois dos pilotos compararem o novo e já famigerado novo regulamento ser várias vezes comparado a outro joguinho da série Super Mario, o Super Mario Kart. Se os pilotos falavam de cogumelos, bastante usado por Mario e Luigi no joguinho da Nintendo, hoje a F1 fala mais sobre abacaxi, pois é exatamente isso que a categoria tem nas mãos. Pode parecer estranho dizer que a F1 está em crise após três corridas movimentadas após a chegada do novo regulamento, mas Suzuka escancarou os sérios problemas que a F1 vive com um motor elétrico que 'brocha' antes do final das retas e o acidente de Oliver Bearman demonstrou algo que muito pilotos falavam faz algum tempo: a diferença brutal de velocidade entre os carros em momentos diferentes de bateria poderia ser bastante perigoso. Claro que Andrea Kimi Antonelli não tem muito do que reclamar. O jovem italiano conseguiu mais uma vitória vindo da pole, mesmo largando mal novamente, mas Kimi teve sorte com o Safety-Car na hora certa e a partir daí dominar a corrida rumo a liderança do campeonato, sendo Antonelli o mais novo a conseguir o feito na história da F1.


Apesar de algumas ameaças de chuva, o sol esteve presente em Suzuka na hora da largada, atrasada devido a um impressionante acidente durante a corrida da Porsche Cup. George Russell reclamou ainda durante a pré-temporada que não adiantava nada ter o melhor ritmo do pelotão se largar ser um ponto fraco para a Mercedes. Novamente a dupla da Mercedes, que dominava a primeira fila, largou de forma terrível e a forma como Oscar Piastri, finalmente largando para um Grande Prêmio oficial em 2026, saiu da terceira para a primeira posição indica que o problema não se trata do motor Mercedes, mas do carro da fábrica. O pole Antonelli teve uma largada horrorosa, patinando claramente e despencando para sexto, enquanto Russell ainda conseguiu ficar em terceiro, atrás de Piastri e Leclerc, ocupantes da segunda fila. A corrida começou animada com a dupla da Mercedes galgando posições, mas Russell não conseguiu efetuar um ataque mais efetivo em Piastri, enquanto Antonelli demorou um pouco para se livrar das Ferraris e de Norris. Quando teve ar limpo, Antonelli mostrou que tinha o melhor conjunto do final de semana e se aproximava de Russell, na medida em que o momento do único pit-stop se aproximou. Piastri, Leclerc e Russell foram os primeiros do pelotão da frente a visitar os pits, quando o momento decisivo da corrida, e até mesmo da temporada, aconteceu.


Oliver Bearman tinha ficado no Q1 de forma surpreendente no sábado e estava andando no pelotão intermediário, quando fez sua parada para trocar pneus. O inglês da Haas fez seu pit-stop e se aproximava da Alpine de Franco Colapinto. Um dos pontos críticos de Suzuka com relação à bateria era a aproximação da curva Spoon e Bearman apertou o botão de 'ultrapassagem' nesse momento, enquanto Colapinto viu sua bateria descarregar. O argentino ainda fez menção em fechar a porta, mas a velocidade de Bearman comparada a sua lembrava um Hypercar ultrapassando um LMGT3. Só que não estamos falando do WEC, mas de F1. Para não estampar a traseira de Colapinto, que vinha 50 km/h mais lento, Bearman jogou seu carro na grama, que sem controle bateu forte no muro de pneus. Um acidente feio, em que Bearman saiu do carro mancando, mas felizmente sem maiores problemas. Além dos problemas de bateria que fez a F1 passar mais um vexame com os motores 'brochando' entre a 130R e a Chicane, a diferença excessiva de velocidade entre um carro com bateria e outro sem fez com que um forte acidente acontecesse. Depois da corrida o paddock ficou em pânico e pilotos como Carlos Sainz foram bem vocais em afirmar que isso estava prestes a acontecer. Vozes cada vez mais eloquentes se levantaram e a FIA anunciou após a prova que reuniões serão feitas para que ajustes sejam feitos. Basta imaginar isso acontecendo em Monza ou Baku. Talvez por linhas tortas, não ter a corrida na Arábia Saudita foi bom, pois o rápido e perigoso circuito de Jedá, com suas curvas cegas, seria um convite a tragédia numa F1 claramente em crise com suas baterias. Talvez os dirigentes da F1 tenham o maior abacaxi nas mãos em mais de 75 anos de história. Afinal, montadoras foram atraídas para a F1 por causa regulamentação do motor a combustão inter e elétrico a 50/50, mas estamos vendo na prática que a F1 deu um passo maior do que a perna, criando uma crise enorme. 


Em Suzuka, quem entrava em crise era George Russell. Tendo a primazia de entrar nos boxes primeiro, o inglês teve uma falta de sorte gigantesca ao ver Antonelli fazer sua parada com o SC na pista, ganhando bastante terreno frente à Russell, que caiu para terceiro na manobra. Era esperado que o inglês da Mercedes relargasse de forma agressiva e fosse para cima de Piastri, mas o que se viu foi Russell novamente atacado por uma Ferrari nesse momento, ultrapassado pelo compatriota Hamilton, outro favorecido pela entrada do SC. Assim como aconteceu na China, Russell pareceu ter problemas de aquecimento de pneus duros e para completar, oito voltas depois ele teve problemas na bateria na entrada da Spoon e foi 'ultrapassado' por Leclerc. O monegasco rapidamente encostou no companheiro de equipe e foi logo soltando que 'estava perdendo tempo'. Antes que a Ferrari pensasse em algo, Leclerc atacou Hamilton e assumiu a terceira posição, enquanto Russell finalmente ultrapassou o ex-companheiro de equipe logo depois. Duas semanas depois do primeiro pódio com a Ferrari, Hamilton voltou aos tempos nada bons e foi ultrapassado por Norris na penúltima volta, ficando em 'último' entre as três equipes dominantes.


Leclerc tentou uma aproximação em cima de Piastri, mas logo o representante da Ferrari teve que segurar os ataques de Russell, contudo, assim como seu compatriota Hamilton, George Russell não estava num bom dia e pela primeira vez em 2026 ficou fora do pódio. Enquanto isso Antonelli aproveitou-se muito bem do SC a seu favor e dominou a corrida após a relargada, não sendo sequer fustigado por Piastri, que fez uma ótima corrida de 'estreia' em 2026, após seus dissabores nas duas primeiras provas. Kimi assumiu a liderança do campeonato e fez história, sendo o mais jovem a conseguir o feito, mas mais importante do que isso, começa a colocar pulgas atrás da orelha de Russell, que não esteve numa boa jornada. Na luta pelo campeonato, a confiança pender para um lado ou para outro pode ser decisivo e com a Mercedes tendo o melhor carro do pelotão, está claro que Antonelli estava em viés de alta. A McLaren deu sinal de vida e conseguiu seu primeiro pódio do ano, mesmo com todos os problemas de Norris ao longo do final de semana, fazendo o atual campeão ficar longe de Piastri o tempo inteiro. A Ferrari viu a McLaren se aproximar e ter um ritmo parecido com o seu em Suzuka. Mais uma vez Leclerc e Hamilton se encontraram na pista e a luta entre os dois foi no limite. Por enquanto estão todos sorrindo, mas o toque entre os dois está próximo...


E a Red Bull? Antes considerada a quarta força do campeonato, o time austríaco teve um final de semana complicado em Suzuka. Max Verstappen finalmente teve uma largada decente e ainda nas primeiras voltas entrou na zona de pontuação, ultrapassando seu companheiro de equipe, Hadjar. Contudo, o neerlandês ficou a corrida inteira tendo a traseira da Alpine de Pierre Gasly à sua frente. Max chegou a ultrapassar o francês, mas logo levava o troco, por causa da bateria do motor Ford/Red Bull descarregar, aumentando a frustração de Verstappen, que após a corrida mencionou a palavra aposentadoria. Isso não diminui a ótima corrida de Gasly, que segurou Max a corrida inteira e marcou bons pontos para a Alpine, que se vê com apenas um piloto pontuando, pois Colapinto esteve o tempo todo longe dos pontos. Hadjar perdeu terreno com a entrada do SC e não pontuou, chegando a ser ultrapassado por Hulkenberg nas voltas finais. Quem se aproveitou bem da entrada do SC foram Liam Lawson e Esteban Ocon, que fecharam a zona de pontos, mesmo que bem longe de Verstappen.

A Audi largou com seus dois carros e viu seus dois piloto receberem a bandeirada, mas dessa vez sem pontos para Bortoleto e Hulkenberg, mas precisando melhorar as largadas, assim como a Mercedes, o calcanhar-de-Aquiles da Audi. Lindblad chegou a andar na zona de pontuação, mas acabou fora dos pontos. Williams e Cadillac fizeram corridas anônimas, enquanto Fernando Alonso chegou ao fim da corrida, mesmo ainda sofrendo com vibrações. E sem gritar 'F2 engine' na casa da Honda...


Num final de semana em que a crise se instalou na F1 de vez, Andrea Kimi Antonelli vai encantando a F1 ao sobrepujar George Russell nesse momento, que precisa de respostas caso queira brigar pelo título. E até mesmo ficar na Mercedes, já que o inglês vive com o fantasma de Max Verstappen, que mesmo frustrado pelo novo regulamento, estaria mais feliz se estivesse vestindo preto nesse momento. Pelos piores motivos (uma guerra sem sentido no Oriente Médio), a F1 terá uma parada de um mês que poderá ser bem proveitosa. As cenas dos carros perdendo potência e o grave acidente de Bearman mostraram que o novo regulamento, mesmo com a propulsão de ultrapassagens, está se mostrando um passo muito maior do que a perna e a F1 terá pouco tempo para se ajustar, até mesmo para evitar problemas potencialmente graves. 

sábado, 28 de março de 2026

Sem Tadalafila


 Suzuka é um dos palcos icônicos da F1, com suas curvas rápidas e fluídas, mas estava nítido que com o novo regulamento, o circuito japonês seria palco de mais um vexame para a F1 nesse 2026. A longa reta oposta, seguida pela curva 130R é um dos pontos de mais longa aceleração do calendário. Para completar o cenário negativo, a Spoon não é exatamente uma curva de baixa, fazendo com que os pilotos chegassem nessa parte da pista sem estar com a bateria totalmente cheia. 

Assim como as equipes, a Liberty está usando os treinos livres para indicar onde haverá câmeras on-board ou não no resto do final de semana. E como esperado, o que se viu no primeiro dia de treinos foi um motor 'brocha' no aproche da Chicane. Pilotos perdendo até 50 km/h, mesmo com o acelerador a pleno, pois o motor elétrico simplesmente não chegava até o final dessa parte 'cheio' o suficiente. Mais um vexame que a F1 está com sérias dificuldades de esconder e os fãs mais hardcore fazem questão de apontar e lamentar. A F1 está com um dos maiores abacaxis nas mãos em sua história. Regras que não deram certo já aconteceram e muitas vezes foram mudadas rapidamente. Alguém lembra da classificação por tempo, onde os pilotos eram eliminados depois de um determinado tempo? Foi um tiro n'água tão grande, que rapidamente a invencionice caiu na lata de lixo da história. Mas como mudar um motor que falta, a grosso modo, de Tadalafila? 

Enquanto isso, os pilotos não estão tendo pena em sentar a pua no novo regulamento, claro, com mais acidez dependendo de sua posição no grid. O recém papai Alonso repetiu que qualquer um dentro da Aston Martin pode fazer as famosas curvas rápidas de Suzuka. Albon, na decadente Williams, falou que hoje em dia todas as curvas de Suzuka são de média velocidade, pois não se consegue chegar ao limite do carro por causa do motor. No sábado os vídeos on-board antes da curva 130R desapareceram como com um milagre. E amigos, não foi coincidência. Porém, vídeos do rápido primeiro setor de Suzuka, com os carros com o motor em baixa rotação ainda estão por aí nas redes. Por mais que a F1 não esteja acabando, como alguns arautos da tragédia estão bradando por aí, não se pode negar uma crise que só aumenta com a continuidade das corridas. Por mais que Stefano Domenicali, CEO da Liberty, rebata as críticas cada vez mais presentes, muito provavelmente o italiano esteja perdendo os seus parcos cabelos com as estrelas do espetáculo que ele gere destruindo o novo regulamento. Não queria estar na pele dos diretores de monopostos da FIA nesse momento...

Por ironia da situação presente, um jovem de 19 anos, onde em teoria não precisa usar Tadafila, que foi a estrela desse sábado. Andrea Kimi Antonelli continua sua boa fase e marcou a segunda pole consecutiva, mostrando que o jovem italiano poderá tornar o trabalho de George Russell nesse primeiro momento de domínio da Mercedes em 2026. O inglês reclamou bastante durante a classificação, mas ainda conseguiu completar a primeira fila da Mercedes. A McLaren finalmente deu o ar da graça em 2026 e Piastri conseguiu se colocar à frente da Ferrari na luta pelo melhor do resto, enquanto Norris sofreu com problemas na sua unidade de potência o final de semana inteiro e quase ficou de fora da classificação. Pior foi Verstappen. Para aumentar seu mau humor, que o fez expulsar um jornalista num evento da Red Bull, o neerlandês ficou de fora do Q3, superado inclusive por Hadjar, algo que Max não estava acostumado. Para colocar sal na ferida, Verstappen foi 'bumpado' por Lindblad, jovem talento da Red Bull, ainda com a Racing Bulls.

domingo, 22 de março de 2026

Apesar dos pesares

 


O Brasil finalmente retornou ao calendário da MotoGP e temos que comemorar isso. Sucesso? Longe disso! A etapa em Goiânia foi bastante problemática, com o episódio do buraco no asfalto no sábado e a diminuição do número de voltas no domingo, devido a problemas no asfalto. Apesar dos pesares, Marco Bezzecchi conseguiu passar por cima de todos os problemas no final de semana goiano e venceu pela quarta vez consecutiva na MotoGP, assumindo pela primeira vez a liderança do campeonato e vendo o rendimento da Aprilia, será difícil uma reviravolta da Ducati.

Se antes havia receio pela chuva, que tantos transtornos causou antes do final de semana, o forte calor no Planalto Central fez com que o asfalto não resistisse e como Fabio Di Giannantonio falou no pré-pódio, estava esfarelando. Situação esse que fez a organização reduzir oito voltas em comparação às trinta e uma originais, para alegria da Michelin e aumentando a sensação que os organizadores pecaram em alguns aspectos na preparação do circuito. A festa estava bonita e o Autódromo Internacional Ayrton Senna estava lotado para ver o domínio de Marco Bezzecchi. O italiano não parecia muito confortável durante o final de semana, sendo uma das vítimas da curva 4 durante os treinos, mas ainda conquistara uma segunda posição no grid, ficando atrás do compatriota Di Giannantonio.

No domingo Bezzecchi largou bem, deixou Di Giannantonio para trás e dominou a prova com bastante tranquilidade. A animada briga pela segunda posição logo na primeira volta tornou a vida de Bezzecchi ainda mais fácil, abrindo quase 2s quando Jorge Martín se assentou na segunda posição. Pedro Acosta se segurou o quanto pôde, mas foi sendo ultrapassado até terminar na sétima posição, cedendo a liderança do campeonato para Bezzecchi. A KTM vive de lampejos de Acosta, com as outras motos longe do top-10 e Maverick Viñales em último. Pior foi ainda foi a Yamaha. Após conseguir colocar três pilotos no Q2 pelas condições traiçoeiras de sexta-feira, os representantes da Yamaha caíram pelotão abaixo e apenas Rins marcou pontos. Quartararo não vê a hora de assinar com a Honda. Isso, se já não tiver assinado...

A briga pela terceira posição entre Di Giannantonio e Marc Márquez foi a diversão do final da corrida, com o italiano tomando uma ultrapassagem agressiva de Márquez, mas retomando a posição quando o espanhol errou. Se na Sprint Marc Márquez conseguiu se sobressair frente à Di Giannantonio, o piloto da VR46 deu o troco no domingo. Apesar da vitória no sábado, Márquez não subiu ao pódio ainda em corridas principais e vê a Aprilia crescendo à olhos vistos. Ogura ainda tirou uma casquinha de Acosta e Alex Márquez para ser quinto, ou seja, assim como ocorreu na Tailândia, a Aprilia dominou e colocou três motos entre os cinco primeiros. Marc Márquez ainda sofre com a última cirurgia e nem foi a melhor Ducati do dia, mas se quiser o oitavo título, precisará escalar uma montanha já grande.

Diogo Moreira fez outra corrida decente. O brasileiro da LCR Honda largou mal, caindo para 19º e foi recuperando posições na medida em que seu equipamento era superior à KTM's e Yamaha's, bisando o 13º lugar conquistado três semanas atrás em Buriram.

Entre mortos e feridos, o Grande Prêmio Brasil de 2026 da MotoGP sirva de muita lição para os organizadores. A festa foi bonita e é importante ter eventos assim no nosso país, mas a edição desse ano não foi um sucesso.