quarta-feira, 19 de agosto de 2009

História: 25 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1984


A F1 chegou a Österreichring para o Grande Prêmio da Áustria de 1984 já pensando em 1985. As belas atuações de Ayrton Senna tinha impressionados a todos e ninguém estava surpreso em ver várias equipes atrás dos serviços do piloto brasileiro, mesmo que Senna ainda tinha um contrato com a Toleman até o final de 1985. Enquanto isso, um jovem austríaco, com a ajuda da BMW, levou patrocínio a ATS para que a equipe germânica pudesse se expandir a um segundo carro. Gerhard Berger faria sua estréia na F1 em casa, competindo num circuito que conhecia bem, apesar do péssimo carro que tinha em mãos.

A essa altura do campeonato todos sabiam que um dos pilotos da McLaren venceria o campeonato de pilotos e o 1º dia de treinos confirmou o domínio dos carros vermelhos e branco, com Prost e Lauda dominando a primeira fila. No sábado, o tempo de 1:26.715 de Lauda parecia imbatível, mas Nelson Piquet saiu cedo a pista e marcou o incrível tempo de 1:26.490. Para piorar as coisas para os pupilos de Ron Dennis, Prost teve o motor quebrado no início da segunda Classificação, Lauda passou a ter problemas com a traseira do seu carro, De Cesaris havia encharcado a pista de óleo com seu motor quebrado e Piquet melhorou seu tempo mais ainda. Conta a lenda que o brasileiro havia pedido a Gordon Murray para tirar as três primeiras marchas do seu carro, já que o circuito localizado em Zeltweg era de altíssima velocidade e pouco se usava as marchas mais baixas. Com a perda de peso, Piquet acabou conquistando a pole, mas Gordon Murray, intrigado, perguntou a Nelson como conseguiria arrancar no Brabham de quarta marcha. “Eu testei no meu carro hoje de manhã”, respondeu o irreverente brasileiro.

Grid:
1) Piquet (Brabham) – 1:26.173
2) Prost (McLaren) – 1:26.203
3) De Angelis (Lótus) – 1:26.318
4) Lauda (McLaren) – 1:26.715
5) Tambay (Renault) – 1:26.748
6) Warwick (Renault) – 1:27.123
7) Fabi (Brabham) – 1:27.201
8) Mansell (Lótus) – 1:27.558
9) Rosberg (Williams) – 1:28.760
10) Senna (Toleman) – 1:29.200

Durante toda a sua carreira, Niki Lauda nunca havia conquistado uma vitória em casa, apesar de sempre ter andado bem em Zeltweg. Como estava em ótima fase, 90.000 torcedores se deslocaram para a pista austríaca, onde veriam um fato histórico. Com a não-classificação dos carros da Tyrrell, pela primeira vez desde 1967 uma corrida de F1 não teria a presença de um motor Ford Cosworth, além de todos os carros teriam um motor turbo. Desde a primeira corrida na Áustria, a largada sempre foi um problema, com os carros percorrendo em alta velocidade uma reta estreita para chegar à primeira curva. Em 1984 não foi diferente. De Angelis teve o seu motor apagado e o sistema de largada falhou, causando uma grande confusão, com o sinal acendendo várias luzes ao mesmo tempo. Por sorte não houve acidente, mas a corrida foi interrompida. “As luzes ficaram vermelhas, verdes, amarelas e vermelhas”, explicou Lauda sobre a confusão.

Depois de meia hora a largada foi dada e não houve problemas desta vez, com Prost saindo mais forte, mas Piquet usou a potência do motor BMW e contornou a curva 1 em primeiro. Tambay subia para terceiro, enquanto Lauda caía para sexto. Não demorou a o austríaco subiu rapidamente de posições, subindo para quarto em três voltas. Logo ficou claro que Prost não descansaria até chegar a liderança, começando a pressionar Piquet, mas na sexta volta um problema de câmbio o fez diminuir o seu ritmo. Prost passou a dar um show de pilotagem, pois o seletor de marchas estava com problemas e o francês não tinha as marchas entrando corretamente. Para manter seu carro na marcha que ele queria, Prost foi forçado a usar uma mão para manter a marcha engatada, enquanto negociava as curvas apenas com a mão esquerda!

Lauda ultrapassa Tambay na nona volta e partia para cima de um problemático Prost e um cauteloso Piquet. Na volta 20, os líderes tinha estabilizando as diferenças entre si, com Prost não dando sinais dos problemas que estava enfrentando, ficando bem próximo de Piquet, com Lauda 3s atrás. Elio de Angelis estava fazendo uma boa corrida após uma má largada e estava em quarto, mas na volta 28 o motor do seu Lotus quebrou, encharcando de óleo a rápida curva Rindt. Quando os três primeiros se aproximaram da Rindt-Kurve, Piquet escorregou forte, mas com os problemas de câmbio que tinha, Prost acabou rodando e batendo de leve no guard-rail. A multidão gostou do abandono de Prost, já que Lauda assumia a segunda posição e se aproximava de Piquet, com os dois campeões mundiais começando a brigar pela liderança.

Os dois faziam uma corrida a parte e quando Piquet se aproximou para colocar uma volta na Ferrari de Alboreto na freada da Curva 1, o brasileiro não negociou muito bem com o ferrarista e isso foi a chance que Lauda precisava. O austríaco colocou por dentro e passou Piquet, que passou a ter problemas para se manter perto da McLaren, já que seus pneus Michelin passaram a ter bolhas. A vida parecia bela para Lauda, mas a corrida seria um drama até o final.

Duas voltas após ultrapassar Piquet, Lauda sente um estalo vindo da caixa de câmbio e pensando que a transmissão tinha quebrado, Lauda chegou a levantar seu braço, sinalizando que iria abandonar, mas o austríaco acha uma marcha, a quarta, e consegue correr mesmo assim. A sorte de Lauda era que Zeltweg, como Piquet mostrou no dia anterior, era bem amigável com a quarta marcha e mesmo perdendo muito ritmo, Lauda recebeu a bandeirada 22s à frente de Piquet, que sofria com seus pneus. Foi uma corrida de sobreviventes, tanto que Alboreto, que decidiu a corrida ao levar uma volta, chegou em terceiro. Lauda assumia a liderança do campeonato com sua comemorada 1º vitória em casa e mesmo com a boa corrida de Piquet na Áustria, o principal adversário de Lauda estava ao seu lado nos boxes da McLaren.

Chegada:
1) Lauda
2) Piquet
3) Alboreto
4) Fabi
5) Boutsen
6) Surer

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