terça-feira, 20 de abril de 2010

História: 40 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1970


Como era comum naquele tempo, após a passagem africana na primeira etapa do campeonato, a F1 tinha um hiato para a o início da temporada européia, normalmente começando na Espanha, com revezamento entre Jarama e Mointjuich. Em 70, a corrida seria em Jarama, próximo a Madri. Para não ficarem tanto tempo inativos, grande parte das equipes participaram da Corrida dos Campeões em Brands Hatch com vitória de Jackie Stewart, que mostrava o quanto o novíssimo chassi March evoluía. Como ocorria no ano anterior com a Matra, mesmo correndo com o chassi cliente, a Tyrrell se sobressaía graças ao talento de Stewart. Chegando em Jarama, as equipes brigaram por uma maior fatia do bolo dos prêmios e apenas 17 carros largariam.

A grande novidade era o lançamento do novo Lotus 72, uma verdadeira revolução sobre quatro rodas. A nova cria de Colin Chapman tinha várias novidades que parecia que o novo modelo deixava os demais cinco anos mais velhos. Porém, o novo carro carecia justamente da falta de testes e quando Jochen Rindt perdeu os freios apenas 300 metros após sair dos boxes, ficou provado que o carro ainda precisava de alguns quilometros para mostrar seu verdadeiro potencial. Com isso, os carros mais convencionais dominram o grid com novamente Jack Brabham surpreendendo ao ficar com a pole, deixando para trás a McLaren de Denny Hulme e o March de Stewart, completando a primeira fila. Ainda com o Lotus 49, Rindt conseguiu o oitavo tempo.

Grid:
1) Brabham (Brabham) - 1:23.90
2) Hulme (McLaren) - 1:24.10
3) Stewart (March) - 1:24.20
4) Beltoise (Matra) - 1:24.46
5) Rodriguez (BRM) - 1:24.50
6) Amon (March) - 1:24.65
7) Ickx (Ferrari) - 1:24.70
8) Rindt (Lotus) - 1:24.80
9) Pescarolo (Matra) - 1:24.90
10) Oliver (BRM) - 1:25.00

O dia 19 de abril de 1970 estava quente e com um tempo perfeito para uma corrida de F1. O circuito de Jarama era conhecido por ser travado e provocar vários abandonos ao longo de uma corrida com 90 voltas. A largada provava ser essencial e os grandes campeões sabiam bem disso, com Stewart pulando na frente, seguido por Hulme e um atrasado Barbham. Mais atrás, Ickx não larga muito bem e ainda na primeira volta ocorre a quase tragédia.

Jackie Oliver calcula mal uma freada e acaba saindo da pista para evitar a traseira do carro à sua frente, mas seu BRM descontrolado acaba atingindo em cheio a Ferrari de Jacky Ickx. Provando a fragilidade dos carros daquele início da década de 70 e facilidade com que pegavam fogo, ambos os carros explodiram em chamas, com os tanques ainda completamente cheios. Apesar da pancada, não havia sido um impacto muito forte, pois os carros vinham a baixa velocidade, mas isso não impediu que o fogo se alastrasse rapidamente. Oliver saiu rapidamente, enquanto Ickx ficou angustiantes segundos presos na sua Ferrari. O belga sofreu sérias queimaduras enquanto sua Ferrari ardia, mas Ickx acabou saindo do seu carro e mesmo passando vários dias no hospital, o ferrarista voltaria às pistas na prova seguinte. Os dois carros queimaram por várias voltas, provavelmente deixando os demais pilotos angustiados, pois não haviam como saber se Oliver e Ickx estavam realmente bem, enquanto passavam, volta após volta, pelos carros em chamas.

Os três primeiros lideravam com tranquilidade, mas a BRM de Pedro Rodríguez tem problemas na suspensão, ainda pelo acidente entre Oliver e Ickx, fazendo com que o mexicano abandonasse ainda na quarta volta quando estava em 4º, fazendo com que as duas Matras, de Pescarolo e Beltoise, ocupassem as posições seguintes. Com 10% de prova, Hulme abandona a prova com problemas na ignição de sua McLaren. Brabham estava num tranquilo segundo lugar, quando perde rendimento e começa a ser acossado pela Matra de Beltoise, com o francês ganhando a posição algumas voltas depois. Porém, o motor Matra, apesar de potente e emitir um belo som, não era dos mais confiáveis e Beltoise abandonou na volta 32 e para desespero da equipe francesa, mal assumiu a 3º posição, Pescarolo abandonou a prova com o mesmo problema. Ken Tyrrell, que foi campeão em 1969 usando chassis Matra e motores Ford-Cosworth, deveria estar dando um sorriso sarcástico, mostrando que a sua escolha em não ter que usar os motores franceses estava correta.

Seu piloto, Stewart, dominava a corrida de maneira parecida na qual dominava as provas na temporada passada e o escocês passava a impressão que imporia uma supremacia parecida com a de 1969. Enquanto isso, seus adversários iam caindo um a um. Com o abandono das duas Matras, quem assumiu o 3º lugar foi John Surtees, em uma McLaren, mas o inglês abandonaria com o câmbio quebrado no terço final da prova, um pouco antes de Brabham encostar seu próprio carro com o motor quebrado. Bruce McLaren, usando sua vasta experiência, chegou em 2º lugar, mesmo uma volta atrás do vencedor Stewart. Mario Andretti, na equipe March oficial, completou o pódio, mas quem teve o privilégio de dar a primeira vitória do chassi March foi mesmo Stewart e o escocês dava sinais de que poderia revalidar seu título antes do esperado. Enquanto isso, Ickx e Oliver davam a falsa impressão de que a temporada de 1970 poderia ser de sorte aos pilotos, mas os meses seguintes mostrariam um dos anos mais tenebrosos da história da F1.

Chegada:
1) Stewart
2) McLaren
3) Andretti
4) Hill
5) Servoz-Gavin

Nenhum comentário:

Postar um comentário