segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Figura(MEX): Carlos Sainz

 Nas últimas semanas Carlos Sainz declarou que ainda queria uma vitória pela Ferrari nessas últimas provas com o time italiano. Além de querer sair por cima, Sainz sabe muito bem que dificilmente terá chances de vitória em condições normais nos próximos dois anos, com a Williams. E o espanhol cumpriu o prometido com categoria! Sainz esteve sempre entre os mais rápidos nos treinos e conseguiu uma pole enfática no sábado. Uma má largada, somada a agressividade desmedida de Max Verstappen deixou Sainz em segundo, mas numa manobra audaciosa, o espanhol ultrapassou Max e rumou para uma vitória enfática. Pela primeira vez na carreira Carlos Sainz venceu mais de uma corrida de F1 numa mesma temporada, indicando que merecia algo melhor do que um lugar na Williams em 2025.

Figurão(MEX): Sergio Pérez

 Está difícil tirar Checo dessa parte da coluna... Correndo em casa, Sérgio Pérez teria sua enésima chance de convencer a cúpula da Red Bull e cumprir o contrato com ele para o próximo ano, no mínimo, mas Checo teve outro final de semana calamitoso e nem mesmo o apoio da torcida e do seu principal mecenas, Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo, adiantou. Logo de cara Pérez caiu no Q1 na classificação, fazendo-o largar das últimas filas, aumentando de antemão seu trabalho no domingo, só que Pérez piorou sua situação ainda mais ao estacionar seu carro fora do colchete no grid de largada, lhe rendendo de cara uma punição de 5s. Para completar, Pérez se envolveu num incidente polêmico com Liam Lawson, seu pretenso sucessor no cockpit da Red Bull, demonstrando até mesmo um certo desespero quando se viu em disputa com o neozelandês. Pérez forçou uma ultrapassagem para lá de otimista e tudo que conseguiu foi toques com Lawson e danificar seu carro, fazendo com que Pérez terminasse sua prova caseira em último. Depois da corrida, Christian Horner admitiu o óbvio, de que a 'F1 é baseado em desempenho e que medidas duras teriam que ser tomadas'. Recado mais claro que esse, impossível.

domingo, 27 de outubro de 2024

Cumprindo promessas

 


Com o final do ano se aproximando e da mesma forma alguns contratos na F1, os pilotos começam a se preparar para despedidas. Nas últimas semanas, Carlos Sainz falou algumas vezes que queria uma vitória nessas últimas provas que está fazendo com a Ferrari. O espanhol sabe que sua ida à Williams em 2025 significará o fim do seu período como piloto de uma equipe de ponta e Sainz quer sair por cima da Ferrari. No Circuito Hermanos Rodríguez, Carlos Sainz cumpriu sua promessa. O espanhol venceu com autoridade o Grande Prêmio da Cidade do México, ajudando a Ferrari no Mundial de Construtores, numa corrida marcada por outra briga polêmica entre Verstappen e Norris.


Havia alguma perspectiva de chuva para a hora da corrida e em alguns momentos o céu ficou bem escuro, mas não caiu nenhum pingo no bairro de Granjas México. Mesmo com a pouca aderência por causa do baixo downforce devido a altitude, todos falavam em parar apenas uma vez e afora um ou outro piloto, praticamente todo o grid partiu para a tática de uma única parada. Com a primeira curva bem distante do lugar da largada, combinado com uma reta bem larga, a largada no México sempre foi dos momentos mais tensos da corrida chicana. O pole Carlos Sainz não saiu muito bem e mesmo Verstappen saindo do lado sujo da pista, o neerlandês se colocou ao lado do espanhol no aproche da primeira curva. Norris também largou bem, mas se posicionou mal para a freada, ficando logo atrás de Verstappen, bem por dentro da primeira curva. Sainz já havia demonstrado sua força em todo o final de semana mexicano e queria manter seu bom posicionamento e mesmo por fora, freou forte, mas Verstappen alargou a primeira curva e jogou Sainz para fora da pista, que foi pela grama para evitar o toque. O espanhol da Ferrari passou reto na primeira chicane e teve que devolver a posição para Verstappen. Era mais um episódio do que foi bastante falado na semana entre Austin e Cidade do México: a pilotagem de Max Verstappen.


O piloto da Red Bull nunca foi 'dócil' nas disputas de posição, mas inferiorizado tecnicamente no momento, Verstappen passou a jogar duro, principalmente nas disputas com Lando Norris, seu mais próximo perseguidor pelo título de 2024. O incidente entre Tsunoda e Albon na primeira curva trouxe o único safety-car do dia, mas na relargada ficou claro que Sainz tinha bem mais ritmo do que Max. E querendo dar o troco na disputa na primeira curva, Sainz efetuou uma manobra audaciosa na mesma curva em que foi trancado por Verstappen. Com o DRS liberado e ainda longe de Max, Sainz jogou seu carro por dentro, não dando maiores chances de defesa à Max, que pareceu surpreso. Ou ardiloso. O terceiro colocado era Lando Norris e Max teria outra oportunidade em se impor sobre seu rival. Rapidamente Lando encostou em Verstappen e na curva 3, espremeu de forma descarada Norris a ponto do piloto da McLaren sair da pista e voltar na frente de Sainz. Devolvida à posição ao ferrarista, Norris pretendia fazer o mesmo com Max, mas o piloto da Red Bull jogou seu carro num local de dificílima ultrapassagem, resultando nos dois saindo da pista e Leclerc completando a dobradinha da Ferrari. Norris ficou uma arara com a defesa de posição tresloucada de Verstappen, mas a FIA precisava de respostas depois das críticas pela não-punição de Verstappen na primeira curva de Austin. E não se pode acusar a FIA de ter aliviado para Max no México. Pelas duas situações onde Lando foi parar fora da pista pelas manobras de Verstappen, o piloto da Red Bull tomou 20s de punição, terminando qualquer chance para Max de almejar algo a mais na corrida, em condições normais. Verstappen terminou num longínquo sexto lugar, um minuto atrás do vencedor Sainz e, mais preocupante ainda, apenas 4s na frente da Haas de Magnussen. As manobras fortes de Verstappen serão mais uma motivo de discussão na F1, mas será que Max já está indo longe demais em suas disputas com Lando?


Com toda esse melê entre Max e Lando, Carlos Sainz e Charles Leclerc se isolaram ainda mais na ponta. Norris ficou todo o primeiro stint atrás de Verstappen, provavelmente não querendo arriscar outra situação perigosa contra Max, mas isso finalizou qualquer chance de Norris vencer. Quando os pilotos pararam e Max ficou parado quase eternamente para cumprir sua penalização, Norris se tornou o piloto mais rápido do grid e paulatinamente foi recortando sua desvantagem para Leclerc. Sainz estava tão tranquilo na frente que chegou a estranhar o ritmo forte imposto por Charles, em sua tentativa de escapar de Norris. Nas últimas voltas, Lando encostou de vez em Charles, mas nem precisou brigar pela posição, pois Leclerc fez o serviço sozinho ao quase bater na última curva e ceder de graça a segunda posição, fazendo com que Norris ganhasse mais alguns pontos para Verstappen no campeonato, diminuindo a desvantagem para menos de cinquenta pontos. Leclerc ainda salvou a lavoura com a melhor volta da corrida ao fazer um pit-stop para colocar pneus macios, mas nada poderia eclipsar a vitória de Sainz. O espanhol dominou a corrida com autoridade, mesmo que levantando a hipótese do motivo de Sainz não ter mais corridas como a de domingo. Apesar de perder a dobradinha no final da corrida, a Ferrari não tem do que reclamar desse final de semana, pois os italianos não apenas tiraram a Red Bull do segundo lugar do Mundial de Construtores, como encostaram na McLaren. E como o ritmo que a Ferrari está impondo nas últimas corridas, não seria surpresa os tifosi comemorando pelo menos um título no final do ano.


Lando tirou alguns pontos no campeonato, mas ver a Ferrari tão forte nesse momento pode lhe atrapalhar em sua caçada em cima de um cada vez mais agressivo Max Verstappen. Com a queda de Piastri no Q1 na classificação, Lando não pôde contar com os préstimos do australiano, que finalizou a corrida apenas em oitavo, depois de uma discreta corrida de recuperação, também não ajudando muito a McLaren em sua luta, agora, com a Ferrari. Pelo menos Andrea Stella pode olhar para Christian Horner e dizer nesse final de semana que eles estavam junto, pois Sergio Pérez teve uma corrida pífia, onde largou fora do colchete, lhe garantindo logo de cara 5s de punição, se envolveu num incidente de corrida com Lawson que se fosse em outros países lhe garantiria mais uma punição, além de outro toque com Stroll em situação parecidíssima com Liam. Mesmo com todas essas passadas de mão na cabeça, Checo não teve ritmo para sequer pontuar e sendo o único a fazer três paradas, terminou na última posição em sua corrida caseira. Um claro revés em sua tentativa de se manter na Red Bull, algo que mesmo com contrato renovado, não deve se materializar para Pérez. A Mercedes teve uma corrida solitária entre seus dois pilotos, onde Hamilton largou melhor do que Russell, mas foi ultrapassado pelo compatriota. Depois da parada dos dois, a asa dianteira de George sofreu um dano, permitindo a aproximação de Lewis, que demorou várias voltas para efetuar a ultrapassagem que lhe garantiu o quarto lugar, bem longe do pódio.


Desde a chegada da Toyota a Haas vai se consolidando como a melhor do resto, com seus dois pilotos não perdendo tanto rendimento em ritmo de corrida. No primeiro stint, Magnussen e Hulkenberg acompanharam de perto a dupla da Mercedes e o danês chegou relativamente próximo de Verstappen na bandeirada e não permitindo qualquer ataque de Piastri nas voltas finais. Um ótimo avanço para a Haas para ser sexta colocada no Mundial de Construtores, ainda mais com a Racing Bulls não marcando pontos. Tsunoda tocou duas vezes com Albon antes de dar uma pancada com mais força na Williams e bater forte na primeira curva. Lawson tentou emular a tática de Austin, mas não contou com o toque recebido pela Williams de Colapinto nas voltas finais, que lhe rendeu uma troca de asa dianteira. O argentino foi um dos últimos a fazer o pit-stop, mas não teve fôlego para buscar pontos. Dessa vez Gasly se manteve entre os dez primeiros depois de largar no top-10, marcando o último ponto do dia e terminando um longo jejum da Alpine, que não marcava ponto a mais de três meses. Fernando Alonso comemorou seu 400º GP de forma nada gloriosa, abandonando ainda no começo da corrida com problemas em seu Aston Martin.


Sainz venceu pela segunda vez em 2024 e pela primeira vez consegue mais de uma vitória num ano. Carlos sabe que dificilmente, em condições normais, vencerá nos próximos dois anos e por isso o espanhol queria tanto a vitória. A Ferrari tem a faca e o queijo na mão para conquistar o Mundial de Construtores, mesmo com seus dois pilotos oscilando tanto. Novamente Verstappen mostrou-se um piloto acuado e para se manter por cima no campeonato, se vale de manobras agressivas em cima dos rivais, principalmente Norris, que chega num momento crucial da carreira, onde precisa de impor em algum momento sobre Max, sem arriscar um abandono que pode ser crucial em sua luta pelo título. Esse final de campeonato será bem interessante. 

Algumas verdades

 


O Grande Prêmio da Tailândia da MotoGP mostrou algumas verdades para a categoria já para 2025. Afinal, para perder o título de 2024, Jorge Martin terá que vacilar de forma inacreditável. E olhando o histórico de vacilos do espanhol, isso não é algo a ser descartado...

Na molhada pista de Buriram, Francesco Bagnaia mostrou toda a força da Ducati, talvez uma das melhores motos da história da categoria rainha do Mundial de Motovelocidade. Bagnaia venceu pela nona vez em 2024, mais do que em seus dois títulos na MotoGP, mas ainda mantém uma desvantagem de dezessete pontos no campeonato. A verdade foi que Pecco se escorou na potência da Ducati e a força da equipe oficial para se manter na briga pelo título. O italiano cometeu erros demais para um bicampeão da MotoGP e piloto oficial da montadora dona da melhor moto do pelotão. Bagnaia poderá entrar para a história como um dos multi-campeões menos respeitados do Mundial de Motovelocidade.

Jorge Martin se aproveitou dessa situação otimizando sua pilotagem bem mais exuberante que Bagnaia. O espanhol foi bem mais cerebral do que ano passado, quando perdeu o foco quando era claramente o piloto mais rápido do pelotão. Martin chegou em segundo lugar após perder a ponta por causa de um erro e teve paciência em ficar pressionando Márquez até o compatriota cair. Martin poderá ser campeão com uma equipe satélite pela primeira vez desde 2001 com Valentino Rossi. No entanto o não-passo para a Ducati oficial ocasionou uma série de fatos que poderá atrapalhar todo esse feito. Ao ser preterido por Márquez, Martin assinou com a Aprilia, que não vem em boa fase e a Pramac saiu da Ducati para a Yamaha, que ainda tenta lembrar dos bons tempos. O ano seguinte dos campeões, caso Martin não pise no tomate nas provas finais, tende a ser muito complicado.

E por último, Marc Márquez, mesmo caindo pela enésima vez na temporada, mostra que é o favorito ao título de 2025. Quando estiver de vermelho da equipe oficial, Márquez terá todo o apoio da Ducati e pelo que vem mostrando com a Gresini e a moto do ano anterior, Marc terá todas as condições de bater Bagnaia na outra Ducati oficial, além de sobrepujar um fragilizado Jorge Martin. Marc é diferenciado, o mesmo valendo para Pedro Acosta, terceiro colocado hoje e melhor piloto da KTM, derrotando os dois pilotos oficial da montadora nas voltas finais. Essas verdades já podem ser confirmadas na próxima etapa, quando Martin poderá se sagrar campeão antecipado em Sepang.   

sábado, 26 de outubro de 2024

Ferrari cresce com o piloto errado

 


O ano de 2024 mal havia começado e Carlos Sainz sabia que estava fora da Ferrari para 2025, precisando procurar um lugar e para isso, mostrou muito serviço, principalmente no primeiro terço da temporada, contudo, rendendo apenas um lugar na Williams para a próxima temporada. Nas últimas semanas o espanhol externou sua vontade de sair da Ferrari com mais uma vitória antes da despedida e na Cidade do México, Sainz mostrou todo o crescimento da Ferrari com uma bela classificação e uma demonstração de força frente à Leclerc, piloto que ficará com os italianos no próximo ano.

A classificação no Circuito Hermanos Rodríguez teve início com muita festa para Sergio Pérez, mas dezoito minutos depois o mexicano já estava fora do carro, lamentando outro resultado horroroso. Mesmo com seus mecenas anunciando que Checo estará com a Red Bull em 2025, a situação do mexicano se complica mais e mais. Esse revés na frente de sua torcida é apenas mais um capítulo da carreira de Sergio Pérez se desmilinguindo na frente de todos. Menos mal para Checo é que ele teve companhia ilustre, com a desclassificação de Oscar Piastri, depois do australiano ter liderado o TL3, mas um erro de Oscar o fez amargar outra eliminação no Q1. Max Verstappen teve uma sexta-feira para esquecer, com problemas no motor e no freio do seu Red Bull, mas o neerlandês ia se mantendo na luta pela volta mais rápida, que tinha a Ferrari muito bem, mas com Sainz mais rápido do que Leclerc. 

O Q3 viu uma briga equilibrada entre Ferrari, Verstappen e Norris, com Max tendo o dissabor de ter sua primeira volta no Q3 deletada pelos track limits. Leclerc não conseguia acompanhar Sainz, que melhorou ainda mais seu tempo para uma pole forte, enquanto Max tirava tempo não se sabe de onde para ficar com a primeira fila, superando mais uma vez Lando, apenas terceiro. A longa reta antes da freada da primeira curva pode deixar a luta pelo melhor posicionamento no primeiro stint bem imprevisível, mesmo com a Ferrari crescendo nesse último terço de campeonato.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Figura(EUA): Liam Lawson

 O neozelandês já havia mandado seu recado quando substituiu Daniel Ricciardo por algumas corridas no ano passado, mas de forma inacreditável, a cúpula da Red Bull decidiu manter Liam Lawson na reserva de Ricciardo na nova Racing Bulls. A esperança de Horner era que o australiano performasse a ponto de convencer o resto da cúpula da Red Bull a trazer Ricciardo para o lugar de Pérez na equipe principal da Red Bull, mas a realidade é que se Checo não está fazendo por onde estar na Red Bull, Ricciardo foi ainda pior e apenas perambulava no meio do pelotão, dando a pinta de ser um 'ex-piloto em atividade'. A demissão de Ricciardo até demorou, principalmente com o que Lawson fez em Austin. O jovem oceânico marcou o terceiro melhor tempo do Q1 e tendo que largar em último por troca de motor, Lawson fez uma corrida de recuperação de manual, escalando o pelotão com pneus duros e fazendo um enorme undercut que surpreendeu até mesmo seu companheiro de equipe Tsunoda, fazendo com que Liam retornasse à F1 na zona de pontuação e mostrando que a Racing Bulls perdeu bastante tempo fazendo aposta no café requentado que foi Ricciardo. 

Figurão(EUA): FIA

 Novamente a dona FIA aparece nessa parte da coluna por aqui. E novamente pela falta de critério em distribuir penalizações aos pilotos, além de modificar o resultado da pista e como consequência, mudar o panorama do campeonato. O pior dessas situações é que na maioria das vezes as situações são semelhantes, mas os resultados são tão díspares, que fazem todos os envolvidos na F1 clamar por algum critério nas punições (ou não-punições) aos pilotos ao longo das corridas, mas se há um critério entre os comissários de pista da FIA é... não ter critério!