domingo, 4 de outubro de 2026

Dia de Max

 


O ensaio havia sido em Baku. As atualizações da Red Bull colocaram Max Verstappen mais próximo das Mercedes e mesmo George Russell tendo vencido no Azerbaijão, Max cruzou a linha de chegada menos de dois décimos atrás do inglês. Uma semana depois e mesmo sendo a vez da Mercedes trazer atualizações para seus carros, Max Verstappen executou um final de semana como nos melhores tempos da Red Bull, onde foi impecável em todos os dias do final de semana do Grande Prêmio do Bahrein... em Sepang na Malásia. Quem não esteve impecável nesse domingo foi a FIA, protagonizando outra presepada daquelas por causa do famigerado regulamento técnico da F1 de 2026. Que a própria FIA quer se livrar o mais rápido possível!


Correr na Malásia é esperar muito calor e uma pancada de chuva a qualquer momento. Sexta e sábado foi livre de tormentas, mas quarenta minutos antes da largada a chuva veio com força em Kuala Lumpur, exatos 6.000 quilômetros do Reino do Bahrein, que promovia a corrida. E por sinal, o clima estava ameno e seco em Manama na hora da largada para a corrida bareinita. Era a primeira vez em 2026 que uma corrida aconteceria com pista molhada e os próprios pilotos não tinham experimentado o circuito de Sepang com o asfalto molhado. No entanto, como normalmente acontece nas precipitações no fim da tarde ao redor da Linha do Equador, a chuva veio muito forte e o atraso da largada foi inevitável. Apenas quarenta minutos depois foi que a largada foi dada, com os pilotos alinhando com os pneus intermediários. Foi então que começou a vergonha da FIA.

Com receio de picos de energia do motor elétrico pudesse ocasionar problemas aos pilotos com asfalto molhado, a FIA fez com que todas as equipes baixassem um software para que isso não ocorresse. Como mencionado anteriormente, a F1 ainda não havia corrido com piso molhado e a combinação de carros muito lentos com um software ainda não devidamente testado fez com que alguns carros ficassem totalmente sem potência durante a volta de apresentação, com destaque para Lewis Hamilton. A confusão reinante fez com que a FIA colocasse uma bandeira vermelha para que as equipes voltassem ao software anterior. Um escárnio! O tempo parado fez com que a pista secasse e alguns pilotos foram para a largada com pneus slicks, com destaque para a dupla da Ferrari e da McLaren. Ainda na volta de apresentação era claro que a pista ainda estava molhada demais para slicks, fazendo com que Piastri fosse aos pits bem no momento em que os carros alinharam para a largada. Mais de uma hora e meia depois do programado originalmente, a largada foi dada com Max Verstappen, que optara pelos intermediários, mais parecendo ter saído com slicks, seando completamente batido por Antonelli ainda antes da primeira curva. Melhor fez Russell, que saiu da quarta fila para ser segundo, desviando rapidamente de Norris, que saíra de slicks. Lawson tentou um ataque em cima de Verstappen na primeira volta, mas rapidamente o neerlandês neutralizou o neozelandês e passou a se concentrar na dupla da Mercedes, que fazia dobradinha em Sepang nos primeiros giros.


Quem escolhera largar com pneus intermediários conseguiu uma vantagem enorme nas primeiras voltas, fazendo que algumas surpresas acontecessem. Punido por trocar componentes de sua unidade de potência, Lindblad saíra da última posição para nono, enquanto a dupla da Williams e Ocon estavam na zona de pontuação, posições não muito usuais dessa turma. Mais atrás Leclerc, com pneus slicks, batia em Hulkenberg e precisando trocar a asa dianteira, caía para último, enquanto Hamilton era ultrapassado até mesmo pela Aston Martin de Alonso, que também estava com pneus slicks. Lá na frente, Verstappen ia para cima da dupla da Mercedes e na volta cinco ultrapassou sem maiores problemas Russell e já atacava Antonelli pela primeira posição. Nesse momento, os pilotos que tinham largado com pneus slicks começaram a marcar os mesmos tempos da turma que estava com os intermediários, fazendo alguns pilotos irem aos pits trocar os intermediários pelos slicks. Uma desses pilotos era Bottas, que logo em sua volta de saída rodou e ficou atolado com seu Cadillac na caixa de brita. O Safety Car não tardou a aparecer e para sorte dos pilotos da frente, eles estavam na reta oposta quando foi dado o aviso da bandeira amarela em todo circuito. Kimi, Max e George rapidamente foram aos pits colocar slicks, com Verstappen escolhendo os macios e a dupla da Mercedes preferindo os médios. Isso ajudou a turma que vinha mais atrás e Hamilton manteve-se com os pneus macios que largara, pulando para 12º.

Com o sangue na água, Max Verstappen farejou que era hora do ataque e na relargada na volta 13, rapidamente deixou Antonelli para trás. Pensando no campeonato, Antonelli foi cauteloso na manobra e Russell foi no embalo de Max e assumiu a segunda posição, enquanto Hadjar dava o bote em Lawson e subiu para quarto. Durante os treinos livres poucos poderiam imaginar que os pneus macios pudessem durar tanto, mas com a pista muito mais fria do que foi visto durante os ensaios, os pneus com banda vermelha não apenas duravam muito, como ainda se mantinham rápidos. Verstappen simplesmente não deu chances à dupla da Mercedes, com Antonelli esperando a vigésima volta para ultrapassar Russell e ficar em segundo. Mais atrás, com os mesmos pneus da largada, Hamilton efetuava uma bela corrida de recuperação com praticamente metade da prova, andando no mesmo ritmo dos líderes e quando se aproximava do quarto colocado Hadjar, os pilotos foram para os pits fazer suas paradas finais. Lewis ainda voltou atrás de Hadjar, mas com pneus médios ele não estava tão à vontade, mas pressionava o francês quando o Safety Car virtual deu as caras quando Alexander Albon ficou parado com seu Williams na saída da curva 2. 


Max Verstappen aproveitou para fazer uma segunda parada para se manter forte nas voltas finais. A Mercedes esboçou ficar na pista com seus dois pilotos, mas na volta seguinte trouxeram-nos aos pits para fazerem as voltas finais com pneus macios, mas George Russell fez ainda menos volta. Com a dificuldade de retirar o carro de Albon o Safety-Car real foi à pista e nesse momento a unidade de potência de Russell parou de funcionar quando faltavam menos de seis voltas para o fim. Os pilotos tiraram tanto o pé que surpreenderam Lando Norris, que para não encher a traseira do seu companheiro de equipe, foi para a brita, caindo de oitavo para décimo primeiro. A relargada quando faltavam quatro voltas viu Hadjar sendo ultrapassado pela dupla da Ferrari, fazendo com que Hamilton subisse ao pódio após chegar a andar em 18º. Max Verstappen não teve trabalho com Kimi, que já começa a fazer a contas do campeonato.


Finalmente a primeira vitória do ano veio para Max Verstappen, que venceu pelo menos uma corrida nas últimas onze temporadas. Mais importante foi que a vitória de Max não foi algo fortuito ou algo que caiu no colo do neerlandês. Desde os primeiros treinos Verstappen se mostrou o mais rápido do pelotão e mesmo com alguns sustos no caótico início de corrida, Max soube se recuperar rumo a mais uma vitória na carreira. Claro que Verstappen não é mais um fator no campeonato, mas o crescimento da Red Bull nesse terço final de campeonato pode indicar um bom caminho para 2027. Hadjar fez uma corrida decente e estava no pódio quando se deu a última relargada, porém, o francês da Red Bull não foi capaz de segurar a dupla da Ferrari, terminando a prova em quinto, conquistando mais alguns pontos importantes no Mundial de Construtores. Falando em pontos, Andrea Kimi Antonelli já começa a fazer as contas de quando poderá comemorar seu título. Novamente George Russell foi alvo de falta de sorte e se após a vitória em Baku o inglês falava em reviravolta no campeonato, esse abandono foi mais um balde de água fria nas poucas pretensões de George. O que chamou atenção foi que, pelo menos em Sepang, as atualizações da Mercedes não surtiram os efeitos esperados, porém, ainda temos muitas corridas para ver se foi algo específico em Sepang que não funcionou para a Mercedes, mas Antonelli saiu da Malásia como um dos vencedores no final de semana.


A Ferrari errou na escolha de pneus e acabou vendo seus dois pilotos nas profundezas do pelotão no que parecia ser mais um erro estratégico da equipe de Maranello, mas o Safety Car trazido por Bottas salvou a lavoura ferrarista e Hamilton fez funcionar muito bem os pneus macios, a ponto de quando colocou os médios, rapidamente voltou voltou aos macios no último SC e somente assim pôde ultrapassar Hadjar e conseguir o último lugar do pódio. Leclerc não foi tão brilhante quanto Hamilton, se envolveu num toque com Hulkenberg nas primeiras voltas, mas no fim Charles chegou logo atrás do seu companheiro de equipe. Olhando do ponto de vista de que Lewis e Charles conseguiram sair das últimas posições para ficarem em 3º e 4º, não se pode reclamar do dia ferrarista, no entanto, se não cometesse mais um vacilo estratégico e observando o ótimo ritmo de Hamilton com os pneus macios, a Ferrari poderia ter visto Hamilton alguns degraus acima no pódio. A McLaren dividiu a estratégia dos seus dois pilotos e ainda assim Piastri perdeu bastante tempo e não evoluiu como esperado quando tinha clara vantagem de pneus. O australiano se viu acossado por Norris nas voltas finais, mas Lando quase destruiu o dia da McLaren ao ser surpreendido pela baixa velocidade dos carros na frente dele durante o regime de SC. Norris ainda diminuiu o prejuízo e terminou em nono, enquanto Piastri foi sexto, colado em Hadjar. Um dia abaixo da McLaren, que também errou em seus pit-stops e claramente não tinha ritmo em Sepang.


Liam Lawson foi o melhor do resto, chegando a travar batalhas contra Verstappen e Piastri rumo a um ótimo sétimo lugar, mas sem sombra de dúvidas o grande destaque vai para Fernando Alonso. O espanhol continua mostrando seu valor em condições variáveis e num final de semana onde a Aston Martin andou surpreendentemente bem em Sepang, o espanhol soube capitalizar um bom dia da equipe, mesmo Fernando tendo largado com pneus slicks e ter sofrido nas primeiras voltas, porém, o SC no começo da corrida colocou Alonso no jogo e o espanhol fez magia para ser oitavo e marcar bons pontos para a Aston Martin. Bortoleto tinha ótimas chances de marcar pontos, mas na relargada ele bateu com Sainz, quebrou sua asa dianteira e ainda foi considerado culpado pelo incidente, perdendo 10s em sua parada, fazendo com que o brasileiro ficasse nas últimas posições. Hulkenberg estava fechando a zona de pontuação na penúltima volta, mas acabou ultrapassado por Lindblad na última volta, fazendo a Audi sair de Sepang zerada. A corrida ruim da Alpine prova que os pontos desperdiçados pelo erro de Colapinto podem fazer falta, enquanto a dupla da Williams andou na zona de pontuação por muito tempo, mas Sainz rodou após toque com Gabriel e Albon abandonou quando já estava fora dos pontos. Ocon escolheu os pneus intermediários e ficou no top10 por um tempo, até ser escalado e no final, chegou atrás de Bearman. Sergio Pérez foi último, como esperado da Cadillac, mas o que chama atenção foi o mexicano ter ido aos pits sete (!) vezes durante a corrida. Os táticos da Cadillac pareciam meio perdidos...


Esse breve retorno de Sepang ao calendário da F1 trouxe todos os ingredientes de uma bela corrida malaia (by Bahrein), adicionado da incompetência da FIA. Max Verstappen passou por cima de tudo isso e venceu com classe, com direito e pole e melhor volta, só perdendo a liderança nas primeiras voltas após sua péssima largada e a hesitação da Mercedes em arriscar no final da corrida durante o Safety-Car. Foi a primeira vitória da Red Bull usando o motor próprio e o primeiro triunfo da Ford em 23 anos. Mais importante foi que Max não precisou de ajuda alheia para conseguir sua primeira vitória em 2026, enquanto Andrea Kimi Antonelli deu mais um passo decisivo rumo ao seu primeiro título.

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