quinta-feira, 10 de abril de 2008

História: 15 anos do Grande Prêmio da Europa de 1993


Após duas corridas, a F1 iniciava a temporada européia em um novo autódromo. Mas nem tão novo assim. Donington Park é um dos circuitos mais velhos do mundo e recebeu várias corridas do pré-guerra, mas nunca foi palco de um Grande Prêmio de F1, algo que já vinha acontecendo com Silvestone, Brans Hatch e até mesmo Aintree. O empresário local Tom Wheatcroft lutou muito para que Donigton, e seu famoso museu ao lado de um aeroporto, recebesse a F1 e finalmente conseguiu o seu sonho em 1993, com o chamado Grande Prêmio da Europa.

Era a famosa temporada do "carro do outro planeta", mas parecia que o outro planeta não tinha muita água, pois só funcionava em piso seco. A Criptonita de Alain Prost e seu Williams FW14 era Ayrton Senna e o brasileiro já tinha feito um belo estrago no seu Grande Prêmio caseiro, ao derrotar o francês mesmo com Prost tendo em mãos o praticamente insuperável Williams. Porém, a chuva foi a causa desse pequeno sobressalto da caminhada rumo ao tetracampeonato de Prost. A exibição de Senna em Interlagos já tinha esgotado o seu estoque de genialidade, pensavam alguns. Ledo engano. Logo na sexta-feira, muita chuva caiu na Inglaterra e o box da McLaren começou a ser animar. Até mesmo Michael Andretti, já uma grande decepção, tinha andado bem na chuva, mas o sol veio forte no sábado e o poderio da Williams pôs seus carros na primeira fila, com o atrevido Michael Schumacher ocupando a terceira posição em seu novo Benetton. Senna teve que se conformar com a quarta posição e rezava por algo que mexesse na relação de forças no domingo para ter alguma chance.

Grid:
1) Prost(Williams) - 1:10.458
2) Hill(Williams) - 1:10.762
3) Schumacher(Benetton) - 1:12.008
4) Senna(McLaren) - 1:12.107
5) Wendlinger(Sauber) - 1:12.738
6) Andretti(McLaren) - 1:12.739
7) Lehto(Sauber) - 1:12.763
8) Berger(Ferrari) - 1:12.862
9) Alesi(Ferrari) - 1:12.980
10) Patrese(Benetton) - 1:12.982

Para alegria de Senna e de todo o Brasil, o domingo dia 11 de abril de 1993 estava tão chuvoso como na sexta-feira. Era a chance que o piloto da McLaren precisava. Porém, a chuva poderia ser boa para Senna, mas ele teria que ter cuidado pois a pista estava escorregadia, e normalmente mais perigosa, e o brasileiro teria que enfrentar rivais perigosos à sua frente. Na largada, Senna tentou ir para cima de Schumacher, mas foi o alemão que veio para cima da McLaren e Senna teve que ir para à direita, tamanha a fechada que levou do piloto da Benetton. O que Schumacher não sabia era o quanto Senna estava inspirado naquele dia. Senna foi para o outro lado e ainda teve tempo para colocar por dentro em cima do alemão. Os dois gênios fizeram a primeira curva lado a lado, mas Senna levou a melhor. Era a primeira vítima do brasileiro em uma corrida histórica.

Com a briga entre Senna e Schumacher, Karl Wendlinger, que tinha largada em quinto, pulou para terceiro, enquanto as Williams lideravam à frente. Senna não se intima com a famosa descida de Donington Park e realiza uma espetacular ultrapassagem sobre o austríaco, colocando pela lado de fora da Sauber de Wendlinger na curva Craner e completando a manobra na freada da curva Old Hairpin. Agora era a vez das temíveis Williams, mas nem tão temíveis embaixo de chuva. A primeira adversária azul era o inofensivo Damon Hill. Só bastaram duas curvas para que Senna realizasse uma ultrapassagem tranqüila sobre o inglês. Hill, apenas em sua primeira temporada completa como piloto titular, simplesmente não quis briga com alguém tão forte como Senna, mesmo com Damon tendo em mãos um poderoso Williams. Senna parecia ter uma turbina em seu McLaren e de forma inacreditável se aproximou da Williams de Prost. Ninguém, seja nas molhadas arquibancadas de Donington, seja na frente da TV, conseguia crer no quem viam. A pobre McLaren, com seu pequeno motor Ford V8, estava alcançando a poderosa Williams do grande Alain Prost. Apesar do francês não ser um ótimo piloto da chuva, ninguém poderia crer numa ultrapassagem na primeira volta. "Senna vai tentar na volta seguinte," pensaram alguns. Porém, o diferencial daquela pequena McLaren era a peça de capacete amarelo entre o volante e o banco e Senna, ainda na primeira volta, mergulhou por dentro no hairpin Melbourne e assumiu a liderança da corrida.

Tudo isso já bastava para que essa prova fosse histórica. Uma apresentação como essa não se vê todos os dias e as várias coisas que aconteceram naquela primeira volta foram deixadas de lado, como o novo acidente de Michael Andretti, numa tentativa atrapalhada de ultrapassagem sobre Wendlingher, e o incrível pulo que o então novato Rubens Barrichello deu na Classificação, subindo de décimo segundo para quarto! Porém, todos estavam de olho em Senna. Ele agüentaria as Williams fuçando no seu cangote? E se parasse de chover? Senna já tinha aberto uma boa diferença quando a chuva parou e o brasileiro foi aos boxes colocar pneus de tempo seco. Prost ficou mais uma volta e foi aos boxes. Foi a sua desgraça! A chuva voltou no momento em que o francês voltava à pista e sua inaptidão no piso molhado ficou claro quando ele perdeu muito tempo. Muitos pilotos voltaram aos boxes, menos... Senna! Demonstrando que ele estava "naqueles" dias, o piloto da McLaren ficou mais um tempo na pista e, mesmo com pneus slicks, marcava os mesmos tempos da turma que já tinha colocado pneus biscoito.

Porém, aquela corrida não seria normal e a chuva parava novamente. Nova dúvida em parar ou não. Desta vez o box da McLaren não faz um bom pit-stop e Senna perde a dianteira para Prost. Mas eis que... chove novamente! A Williams entra em pane e chama seus dois pilotos para o box, enquanto Senna continuava dando show e permanecia na pista com pneus slicks. A pista agora secava novamente e a escolha de Senna parecia óbvia demais para as "cabeças pensantes" da Williams, enquanto Hill e Prost voltavam aos boxes. Porém, o francês tem problemas em seu pit e perde muito tempo, ficando atrás da Jordan de Rubens Barrichello, que surpreendia em seu terceiro Grande Prêmio da carreira. A corrida caminhava para o seu fim quando Senna resolve entrar nos boxes na volta 57. Todos ficam perguntando o motivo, pois o clima já tinha parado de mudar. O mais estranho foi ver Senna passando direto na frente dos seus assustados mecânicos. A resposta viria na volta seguinte. Como não havia limite de velocidade nos boxes, Senna tinha calculado que poderia fazer a melhor volta da prova passando por dentro dos boxes, sem ter que fazer a freada da Redgate. Foi a única vez na F1 que a melhor volta foi completada pelos boxes. Quando tudo levava a crer que a festa brasileira seria completa com um pódio de Barrichello, o piloto da Jordan aparece parado faltando seis voltas para o fim. A sua bomba de combustível tinha quebrado, mas há quem afirme que o real problema foi um erro de cálculo da Jordan, que não tinha colocado combustível suficiente. Se ainda restavam dúvidas da capacidade de Ayrton Senna da Silva, elas se dissiparam naquele chuvoso domingo de abril. O brasileiro fez sua obra-prima e tinha entrado de vez na história da F1!

Chegada:
1) Senna
2) Hill
3) Prost
4) Herbert
5) Patrese
6) Barbazza

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Figura(BAH): Robert Kubica

O polônes não venceu a corrida no domingo, mas já tinha entrado para a história no sábado, ao conquistar a primeira pole do seu país e para sua ascendente equipe. Kubica teve duas ótimas corridas na Austrália e na Malásia e culminou com o excelente fim de semana no Oriente Médio, onde tirou o pirulito da boca de Felipe Massa no sábado com uma volta voadora sensacional. Mesmo claramente com o carro mais leve, não restavam dúvidas da velocidade do piloto da BMW. Se Robert falhou na largada, ele compensou durante o transcorrer da prova, sendo o único a andar no mesmo nível de um impecável Felipe Massa e de um dorminhoco Kimi Raikkonen em suas fortíssimas Ferraris. Kubica conseguiu o terceiro posto num final de semana que só uma quebra derrotaria alguma Ferrari e com o segundo trófeu seguido em seu cartel, parte para o resto do campeonato com a expectativa de se firmar como principal piloto da BMW e, quem sabe, brigar pelo título num futuro próximo. Ou alguém duvida do talento desse polonês?

Figurão(BAH): Renault

Dá pena ver um bicampeão como Fernando Alonso e um piloto extremamente promissor como Nelsinho Piquet terem em mãos um equipamente tão ruim fornecido pela equipe francesa. Se nas duas primeiras etapas Alonso ainda conseguiu marcar pontos, no Bahrein o espanhol teve que se conformar em disputar posições do meio do pelotão e teve que se defender, com unhas e dentes, da Honda de Rubens Barrichello na pela... décima posição! Já Nelsinho Piquet vem se recuperando de sua péssima estréia e, aos poucos, vem se aproximando do ritmo de Alonso, mas pela segunda vez na temporada o brasileiro abandonou com problemas mecânicos, desta vez com o câmbio, problema também sentido na sexta-feira de Melbourne. Se no começo do ano Alonso tinha esperanças de brigar pela vitória na segunda metade do campeonato, agora o espanhol descartou até mesmo chegar ao pódio, pois o carro é simplesmente muito ruim. Do jeito que vai, Flavio Briatore continuará com cara amarrada o resto do ano!

domingo, 6 de abril de 2008

O Escocês Voador


Há poucas unanimidades na Fórmula 1, como é o caso do nosso personagem de hoje. Qualquer lista dos cinco maiores pilotos de todos os tempos contém, em sua enorme maioria, o nome de Jim Clark. Dono de uma velocidade inerente e de um controle de corrida impressionante, Clark deu início, juntamente com Graham Hill, a linhagem dos grandes pilotos britânicos na F1, culminando em Lewis Hamilton. Em companhia com o gênio Colin Chapman, formou uma das parcerias mais vitoriosas na F1, mas Clark não venceu apenas na categoria máxima do automobilismo e uma de suas principais características é justamente como ele se adaptava (e ganhava) em qualquer tipo de carro. Completando hoje quarenta anos de sua morte, vamos dar uma olhada numa das biografias mais ricas e impressionantes de um piloto de corridas.

James Clark Jr. nasceu no dia 4 de março de 1936 em Kilmany, na Escócia, na fazenda dos seus pais. Jimmy era a quinta criança na família e o primeiro menino. Em 1942 a família se mudou para outra fazenda, próximo a Berwickshire e começou a estudar na escola preparatória de Chifton Hall, perto da capital escocesa, Edimburgo. Como único filho homem, a família Clark esperava que Jim tomasse frente nos negócios da família, mas o jovem escocês já tinha se interessado por outro tipo de negócio. Desde os 15 anos de idade, Jim Clark começou a se interessar por corridas e dois anos depois ele passou a disputar eventos amadores de rally, com um Sunbream-Talbot. E com sucesso! No dia 16 de Junho de 1956, quando ele completou vinte anos, idade mínima para se correr na Grã-Bretanha na época, e contra a vontade dos seus pais, Clark participou de sua primeira corrida em Crimond, na Escócia, ao volante de um DKW.

Em 1958, Jim passou a correr por uma pequena equipe de sua cidade, a Border Reivers Team, e Clark passou a ter contato com carros como o Jaguar Tipo D e Porsches. Jimmy venceu 18 corridas nesse ano e pela primeira vez saiu da Grã-Bretanha para fazer uma corrida internacional, em Spa, pista em que não lhe agradou nenhum pouco desde o primeiro encontro até o final de sua vida. No final de 1958, Clark conhece um jovem construtor cheio de idéias novas e com muita ambição: Colin Chapman. Não restam dúvidas que esse encontro entrou para a história do automobilismo e, já impressionado com o incrível cartel como piloto amador, Chapman convocou Clark para fazer uma corrida pela equipe, a Lotus. Com um modelo Elite, Clark participa da primeira corrida com a equipe Lotus no dia 26 de dezembro e Jim termina a prova em segundo lugar.

Isso chama a atenção de Chapman e a partir de então, os nomes Clark e Lotus praticamente se tornam sinônimos. Em 1959, Clark estréia nas 24 Horas de Le Mans e com o mesmo Lotus Elite, Jim chega em segundo lugar na sua categoria e no final ano participa de sua primeira corrida em monopostos, em um Gemini de Fórmula Junior. Nesse momento o principal foco de Colin Chapman era a F1 e convence Clark a participar de categorias de base na Inglaterra como preparação para a F1. Em 1960, Clark disputou dois campeonatos de Fórmula Junior na Inglaterra e faturou ambos. Em seu primeiro teste com um F1 em Brands Hatch, Clark tinha tanta confiança em seu taco que ele resolveu usar uma tática interessante para impressionar quem não o conhecia. Jim dava tudo de si nas curvas que não podiam ser vistas dos boxes e pilotar mais lentamente nos locais visíveis. Quando encostou no box da Lotus, um mecânico disse que os tempos estavam muito bons, mas que ele poderia ser mais rápido. “Então vá ver as curvas atrás dos boxes”, retrucou Clark.

Com mais de cinqüenta vitórias nos mais variados tipos de carros e corrida, Chapman fica convencido que Jim estava mais do que preparado para estrear na F1 e Clark viaja para a Holanda, com o intuito de participar do seu primeiro Grande Prêmio em Zandvoort. O Lotus 18 ainda era um carro a ser desenvolvido, mas já conquistava os primeiros triunfos para Colin Chapman. Innes Ireland, companheiro de equipe de Clark, venceu o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1960 e teve a honra de ser o primeiro piloto a vencer pela equipe Lotus. Anos depois, Ireland insinuou que Chapman apostava tanto em Clark que o boicotou na equipe. Porém, o talento de Clark era evidente e logo na sua primeira temporada, o escocês conseguiu seu primeiro pódio, com um terceiro lugar no Grande Prêmio de Portugal. Mais adaptado em seu segundo ano de F1, Clark começa a impressionar o circo da F1, mesmo não tendo carro para enfrentar as Ferraris, que dominaram em 1961. Jimmy não corria apenas de F1 e conseguia várias vitórias em corridas de F2 e Esporte-Protótipos, mas era na F1 que o seu talento ficava mais aparente. Durante o Grande Prêmio da Holanda, Clark brigou de igual para igual com a Ferrari de Phil Hill e durante o Grande Prêmio da Itália, em Monza, Clark consegue uma boa largada e brigava com a Ferrari do alemão Wolfgang von Trips, que disputava com Hill pelo título daquele ano. No final da segunda volta, Clark e von Trips se enroscam na temida curva Parabólica e o piloto da Ferrari acaba voando em direção a um barranco cheio de espectadores. Wolfgang von Trips, grande piloto alemão da época, líder do campeonato e favorito ao título faleceu na hora, juntamente com quatorze espectadores. A imprensa italiana apontou o dedo para Clark, que assumiu toda a culpa. Mesmo achando que von Trips tinha sido muito otimista naquela manobra.

Para enfrentar o poderio da Ferrari, Colin Chapman constrói o Lotus 25 para 1962. Claramente inspirado na aviação, o modelo 25 tinha soluções totalmente inéditas até então, como o primeiro carro com monocoque e estrutura tubular e pensando no equilíbrio do veículo, Chapman praticamente fez com que Clark pilotasse o carro deitado, reduzindo a seção transversal e a resistência aerodinâmica. Foi a primeira obra-prima de Chapman e Clark seria o primeiro a usufruí-lo. Após fazer as primeiras corridas extra-campeonato daquele ano com um Lotus 24, um modelo híbrido, Clark estreou o modelo 25 na primeira etapa daquele mundial, em Zandvoort. O potencial do carro ficou claro com a terceira posição de Clark no grid e o terceiro lugar de Trevor Taylor na corrida. Clark liderou o Grande Prêmio seguinte, em Mônaco, mas problemas na embreagem impediram o sonho da primeira vitória. Por ironia do destino, o primeiro triunfo de Clark na F1 viria na pista que mais odiava, em Spa. Durante o Grande Prêmio da Alemanha, Clark larga mal e perde várias posições, mas numa recuperação surpreendente, consegue ultrapassar 17(!) concorrentes na primeira volta em Nürburgring, debaixo de muita chuva. O interessante foi que Clark não venceu essa prova, terminando-a em quarto lugar. O Lotus 25, como todo novo carro, quebrava muito e isso acabou atrapalhando Clark na luta pelo título, mas quando o carro agüentava até o fim, Jimmy na maioria das vezes vencia. A decisão do campeonato seria no Grande Prêmio da África do Sul, em East London, com Graham Hill, da BRM, ainda na liderança, mas o favoritismo era todo de Clark, que marcou uma pole sensacional e liderou a maior parte da prova, até abandonar com um vazamento de óleo. Depois se descobriu que um dos mecânicos da Lotus se esqueceu de apertar um parafuso e todo o óleo do motor Clímax se esvaiu no asfalto sul-africano, juntamente com o sonho do primeiro título de Clark.

Porém, Jim não se abate e parte para 1963 mais motivado do que nunca, sabendo que o Lotus 25 era o carro que podia lhe dar o título mundial. Mesmo com o abandono no primeiro Grande Prêmio do ano, em Monte Carlo, quando liderou a maior parte da prova e teve o câmbio quebrado no fim, Jimmy usou seu talento para vencer os quatro Grandes Prêmios seguintes com o mesmo jogo de pneus e só não venceu o quinto, na Alemanha, por que teve problemas no motor e só se contentou com a segunda posição. Em Monza, ainda hostilizado pelo público pelo acidente de von Trips, Clark vence a corrida após uma enorme briga com a Ferrari de John Surtees, a BRM de Graham Hill e o Brabham de Gurney. A oitava vitória de Clark significava que o piloto da Lotus se tornava, até então, o piloto mais novo a vencer um Campeonato de Pilotos, com 27 anos, e ainda deu primeiro título de Construtores para a Lotus. O total de pontos conquistados por Clark em 1963, 73 pontos (sendo que 54 válidos) foi um recorde que só foi superado em 1985 por Alain Prost. Nos Estados Unidos, Clark faz uma corrida sensacional e após ter problemas na largada e perder uma volta para todos os seus adversários, Clark termina a prova em terceiro e reclamando, pois não ganharia o beijo da Miss da corrida. Fora a corrida em Watkins Glen pela F1 naquele ano, Clark iniciava uma belíssima história com o país norte-americano.

Em 1962 Chapman foi convidado por Dan Gurney para assistir a edição daquele ano das 500 Milhas de Indianápolis. O dono da Lotus fica impressionado com duas coisas envolvendo a corrida. Primeiro era o atraso dos carros americanos com relação aos europeus e o segundo era o enorme prêmio dado ao vencedor da corrida. Chapman ficou altamente animado e resolve participar das 500 Milhas de 1963 com um Lotus de motor traseiro para Jim Clark e Dan Gurney. Os americanos fizeram pouco de um carro tão compacto, mas Clark fez uma belíssima corrida e liderou a maior parte da prova, mas numa corrida que ficou conhecida como a “Marmelada Americana”, Parnelli Jones venceu a prova mesmo com seu carro soltando muito óleo na pista. Isto era claramente irregular, mas como Parnelli era tão americano quanto a Casa Branca, nada foi feito e Clark chegou em segundo, conquistando o prêmio de Novato do Ano. Clark e Chapman ficaram furiosos e só para mostrar que a Lotus tinha o melhor carro, eles foram a Milwakee em agosto e Clark venceu com enorme facilidade, com apenas A.J. Foyt e Dan Gurney não levando uma volta. O recado tinha sido dado.

Clark já tinha se transformado na maior estrela da F1 e era o grande favorito para vencer em 1964, mas o Lotus 25 começava a mostrar sinais de cansaço. Mesmo com duas vitórias na Holanda e na Bélgica com o confiável modelo 25, Chapman resolveu lançar o novíssimo Lotus 33 no Grande Prêmio da Alemanha. Como tinha acontecido com o Lotus 25, Clark teria muito trabalho para acertar o carro e deixa-lo confiável. Jimmy consegue duas poles nas últimas provas de 1964, mostrando a evolução do Lotus 33 e mesmo com os problemas durante o ano, ainda tinha chances de vencer o campeonato. Clark disparou na frente no Grande Prêmio do México e com esse resultado conseguia o bicampeonato, mas num golpe de azar parecido com East London/62, um vazamento de óleo, faltando menos de duas voltas para o fim, fez com que Clark abandonasse a prova e visse John Surtees vencer o campeonato de forma polêmica, após seu companheiro de equipe na Ferrari, Lorenzo Bandini, acertar de propósito a BRM de Graham Hill. Se não deu para conquistar o título na F1, Clark continuava mostrando seu talento em outras categorias, conseguindo a pole para as 500 Milhas de Indianápolis e vencendo o Campeonato Britânico de Turismo com um Lotus Cortina.

Se 1964 foi apenas regular para o elevado padrão de qualidade de Jim Clark, 1965 foi quase perfeito. No início daquele ano, Clark viajou para a Oceania para participar da Tasman Series, um campeonato de pré-temporada com todas as estrelas da época com seus carros do ano anterior. Com o Lotus 33 cada vez mais acertado, foi campeão. Era o recado para os adversários. Foram seis vitórias seguidas em nove etapas do Mundial de F1 e em todas as corridas no ano largou na primeira fila. Naquela época, somente os seis melhores resultados das dez provas que constituíam o Campeonato Mundial de F1 eram válidos e o máximo de pontos possível que se poderia conseguir eram 54. Exatamente o número de pontos conquistados por Clark! Algumas dessas vitórias foram históricas, como no Grande Prêmio da Inglaterra. Clark tinha uma enorme vantagem sobre seus adversários, quando observou que estava perdendo óleo do motor. Com enorme maestria, Clark passou a desligar seu carro nas curvas, para economizar óleo e religar o carro novamente nas retas, recebendo a bandeirada ainda com tranqüilidade. Para quem observou com atenção, percebeu que Clark não participou de todas as dez etapas do Mundial de 1965. É que no dia do Grande Prêmio de Mônaco (corrida que Clark nunca venceu, mesmo tendo liderado várias vezes essa prova) estavam marcadas as 500 Milhas de Indianápolis e a vingança de Clark e Chapman. O Lotus 38, bastante parecido com o Lotus 33, foi especialmente preparado para Clark vencer e o escocês não desperdiçou a oportunidade, liderando 190 das 200 voltas, vencendo com quase uma volta sobre o segundo colocado e se tornou o primeiro europeu a derrotar os norte-americanos nas 500 Milhas de Indianápolis desde 1913. Mesmo a F1 não sendo tão popular nos Estados Unidos, Clark se tornou um mito no lado de cá do Atlântico, chegando a ser capa da revista Time. Para coroar este ano extremamente especial para Clark, ele venceu também o Campeonato Francês de F2, único campeonato regular da categoria e com a presença de todas as estrelas da época.

Após um ano tão espetacular, a F1 ficou com medo de se transformar numa F-Clark ou F-Lotus. Com enorme pressão da Ferrari, os motores de 1.5l seriam substituídos pelos propulsores de três litros em 1966. A equipe italiana atingiu a Lotus em cheio, pois a equipe de Colin Chapman não tinha motores desta capacidade e teve que usar na metade inicial do campeonato um motor Clímax adaptado e na metade final, um motor BRM totalmente antiquado. Porém, Clark não passou o ano em branco e venceu, de forma surpreendente, o Grande Prêmio dos Estados Unidos. Voltando a Indianápolis para defender a sua vitória, Clark termina a prova em segundo após salvar o seu Lotus de um acidente certo, numa manobra até hoje lembrada por quem viu. Ainda em 1966, Clark participou pela primeira de um Rally após dez anos e não fez feio, liderando o famoso Rally do RAC até o seu Lotus Cortina quebrar. Jim Clark era uma super-estrela na Inglaterra, mas os impostos pagos a rainha tinham que ser cobrados de qualquer um, até mesmo de Clark. Podendo ser preso pelos problemas que tinha com o fisco, Jimmy se mudou para Paris no final de 1966 e deixou de participar de alguns testes com a Lotus. Inclusive com a nova obra-prima de Colin Chapman.

Chapman sabia que teria que arranjar um motor 3l se quisesse vencer novamente. Quando venceu as 500 Milhas em 1965, Chapman entrou em contato com a Ford e convenceu a montadora americana em investir em um motor a ser construído pela Cosworth, de dois ex-funcionários da Lotus nos anos 50, Mike Costin e Keith Duckworth. Enquanto isso, Chapman construía o Lotus 49, em total interação com o novo motor Ford-Cosworth. Quando o carro ficou pronto no início de 1967, Clark não pôde participar dos treinos por causa dos seus problemas com o fisco inglês. Graham Hill, que tinha se juntado à Lotus, ficou encarregado dos testes e novo o carro foi mandado para Zandvoort, segunda etapa do Mundial de F1. Clark tomou contato com o carro pela primeira vez na pista holandesa e não consegue uma boa posição no grid, mas numa prova bem calculada, Clark vence a corrida e inaugura uma era na F1. O Lotus 49-Cosworth DFV era tão superior aos demais, que Hill e Clark combinavam antes das corridas quem iria vencer. Porém, o carro sofreu alguns problemas de noviciado e os pilotos da Lotus não brigaram mais seriamente pelo título. Porém, ainda houve tempo para a maior exibição da carreira de Jim Clark e possivelmente uma das maiores atuações individuais da história da F1.

Durante o Grande Prêmio da Itália, Jim Clark liderava a corrida no seu início quando sofreu um furo no pneu na volta 14. Para azar de Clark, o pneu furou logo depois da saída dos boxes e Jimmy teve que fazer uma volta completa com o pneu dechapado. Quando chegou nos boxes, Clark já tinha perdido uma volta para os líderes e tinha poucas chances de vitória. Tanto que Chapman mandou tirar um pouco de gasolina, para deixar o carro um pouco mais leve e veloz. Mesmo conhecendo seu pupilo a quase dez anos, parecia que Chapman ainda subestimava seu piloto. Como um gênio da velocidade, Clark partiu feroz para a pista italiana e Monza viu seu recorde ser quebrado volta após volta. Clark recuperou a volta que tinha de desvantagem, igualou o tempo da pole (1:28.5) e se aproximava dos líderes. Para surpresa de todos no circuito, Clark assumiu a liderança da corrida na volta 58, dez para o final. Jimmy estava à frente de Jack Brabham e John Surtees, mas quando Clark completou a penúltima volta, o motor Ford-Cosworth DFV engasgou. Pane seca. Nem mesmo o poderio do Lotus 49 foi o suficiente para tanta genialidade e uma exibição de gala com aquela. Clark ainda terminou em terceiro e venceu as duas últimas provas de 1967, se credenciando como favorito absoluto para conquistar o tricampeonato em 1968.

Mesmo sendo ainda jovem, Clark já pensava em parar de correr para cuidar de suas fazendas na Escócia e casar. Porém, Clark partiu para o início da temporada de 1968 confiante e logo de cara venceu o primeiro Grande Prêmio daquela temporada, em Kyalami e colocava definitivamente seu nome na história, ao superar o número de vitórias de Fangio, se tornando o maior vencedor de Grandes Prêmios até aquele momento. Depois da África do Sul, Clark foi para a Oceania participar da Tasman Series e venceu novamente o torneio. Ao vencer a corrida em Wigram, Nova Zelândia, Clark se tornava o primeiro piloto a vencer uma corrida de F1 com um carro patrocinado, com a lendária marca de cigarros Gold Leaf. Sempre correndo pela Lotus, Jimmy vencia o terceiro título no Novíssimo Mundo e com as quatorze vitórias no total, também se tornava o maior vencedor da série.

Jim Clark estava no auge da carreira e detinha praticamente todos os recordes da F1 até então. Como a segunda etapa do Mundial só seria em maio, Clark participava de outros eventos e na sua agenda estava marcado no dia 7 de abril de 1968 uma corrida de Esporte-Protótipo em Brands Hatch, mas graças a obrigações contratuais com a Firestone, Clark é forçado a ir para Hockenheim disputar uma etapa do Europeu de F2. O circuito alemão era ainda mais veloz que circuito pré-reforma de 2002 e não tinha guard-rails, fazendo que uma simples escapada de pista fosse extremamente perigosa. Clark não gosta do que vê e para piorar, estava chovendo na hora da largada. Como tinha treinado pouco no Lotus 48, o carro estava totalmente sem acerto e Jimmy completou a primeira volta em sexto. Na sétima volta ele perdeu uma posição na reta dos boxes e partiu para cima do seu adversário. De forma abrupta, o Lotus saiu da pista e o que todos temiam aconteceu. O Lotus foi à alta velocidade para cima das árvores e atingiu uma em cheio. O carro ficou totalmente destruído e Clark morreu na hora.

Foi um verdadeiro terremoto para a comunidade do automobilismo mundial, somente comparável com a morte de Senna, 26 anos depois. Chris Amon ficou tão chocado que disse “Se isso pôde acontecer a ele, qual a chance para nós?” Colin Chapman ficou tão arrasado que pensou seriamente em abandonas as corridas e como sinal de respeito, andou de luto por um mês. Graham Hill, grande amigo de Clark, juntou forças e venceu o Mundial de F1 daquele ano com a Lotus. O cartel de Jim Clark na F1 era impressionante e tinha 72 Grandes Prêmios, 25 vitórias, 33 pole positions, 28 melhores voltas, 32 pódios, 274 pontos e dois títulos mundiais. Fora isso, tinha uma vitória nas 500 Milhas de Indianápolis e várias outras em diferentes carros. Algumas vezes, Clark não entendia o motivo dos outros pilotos não serem tão rápidos como ele e após sua morte, o seu pai confidenciou que o único piloto que Jimmy realmente temia era o americano Dan Gurney. Vários recordes estabelecidos por Jimmy na F1 foram quebrados vários anos depois, como o número de vitórias (Stewart em 1973), poles (Senna em 1989) e melhores voltas (Prost em 1988). Jim Clark foi enterrado na cidade de Chirnsire, em Berwickshire e um monumento foi erguido em Hockenheim, bem no local do acidente dele há quarenta anos atrás. Na sua cidade-natal, Kilmany, foi erguida uma estátua em tamanho natural em homenagem à Jimmy e um museu foi feito em sua honra em Duns.

Particularmente, sempre respeitei muito que acham de Jim Clark e um documentário me marcou bastante anos atrás. Era o ano de 1999 e várias enquetes eram feitas para saber “O melhor do século” em várias modalidade, esportivas ou não. Nesse documentário, um veterano jornalista inglês disse que se Clark não tivesse morrido tão novo, com 32 anos de idade, essas enquetes seriam inúteis. A resposta estariam nos impressionantes resultados do “Escocês Voador”.

Oh! Saudades


Após doze anos de separação, uma corrida como a de hoje mostra que a cisão entra a CART (hoje Champ Car) e a IRL foi uma besteira monumental. Ao contrário da semana passada, as equipes da Champ Car passaram por cima do desconhecimento do chassi e andaram igual para igual com as equipes da IRL e Graham Rahal, da Newman-Hass-Lanigan, venceu sua primeira prova na F-Indy unificada, já que não participou da primeira etapa, por causa de um acidente nos testes.

A etapa em St. Petersburg foi agitada pela chuva no início, pelo secamento da pista no meio e pela estratégia no final. Foi a típica corrida maluca que tudo mundo gosta de ver e prega os olhos na tela. Tony Kanaan liderou o ínicio da prova, mas estratégia errada de sua equipe o deixou para trás, juntamente com Hélio Castroneves, que o seguia de perto. Com a pista secando, apesar das nuvens negras prontas para despejar mais chuva, vários pilotos arriscaram colocar pneus slicks e foi assim que Enrique Bernoldi e, principalmente, Ernesto Viso foram para frente, com destaque para o venezuelano, que estréia nos Estados Unidos.

No final, com o abandono do desastrado Ryan Briscoe, Graham Rahal se aproveitou de uma estratégia diferente para liderar no final e agüentar bem os ataques de Castroneves, que fez várias ultrapassagens no final. Tony Kanaan foi na balada do piloto da Penske e garantiu o lugar no pódio, enquanto Vitor Meira se envolvia num acidente com o novato Franck Perera, para revolta do brasiliense. Bernoldi andou na frente e chegou num ótimo sexto lugar para sua pequena equipe, enquanto Bruno Junqueira abandonou discretamente e Mário Moraes só foi visto colocando a ruinzinha da Danica Patrick para fora da pista.

Porém, o que me deu saudades foi ver equipes como Newman-Hass e Penske brigando pela ponta novamente, uma corrida bem disputada e com alto nível técnico. Para completar, o filho de um dos pilotos mais carismáticos do auge da F-Indy, Bobby Rahal, venceu a prova, se tornando o mais jovem piloto a vencer na história da Indy. Por que será que demoraram tanto para reunificar hein?

Até quando?


Frases como "Felipe calou a boca dos críticos", "Massa dá a volta por cima rumo ao título" e até mesmo o Galvão dizendo que "essa foi para as pessoas que quiseram tirar o Felipe da Ferrari" povoarão sites, jornais e revistas nos dias subseqüentes ao Grande Prêmio do Bahrein, mas a vitória do Massa confirma algo que venho observando desde que o brasileiro chegou na Ferrari: a sua incrível inconstância. Seu triunfo de hoje foi incontestável, sem ter o que pôr, nem o que colocar. Vitórias como a de hoje motivam a torcida e dá muita moral para Massa, mas essas "voltas por cima" não produzem um campeão e se quiser ser conquistar um campeonato, Massa terá que evitar "calar a boca dos críticos" e realizar provas como a de hoje em, pelo menos, 90% da temporada. E os 10% de corridas ruins já foram gastos por Felipe!

A corrida de hoje foi muito parecida com a da Malásia, com as parcas emoções acontecendo no início da prova e grande parte da corrida sendo uma grande procissão de alta velocidade, com raríssimas ultrapassagens ocorrendo na pista. Porém, se houve um diferencial com relação as duas primeiras corridas de 2008, foram os primeiros erros claros de largada. E foram decisivos para a grande moleza vista por Massa hoje. Kubica e, principalmente, Hamilton erraram redondamente na partida e praticamente entregaram a corrida fácil para Massa, que ainda deve estar com cheiro do seu desodorante em seu macacão vermelho. O único momento, e ainda assim muito de leve, de perigo à vitória de Felipe foi a ultrapassagem de Raikkonen em cima de Kubica na segunda volta. Com o finlandês na segunda posição, ficou a promessa de uma disputa entre os pilotos ferraristas, contudo Massa tinha a corridas nas mãos e apenas administrou da primeiro a última volta. Raikkonen, ao contrário de todos os testes em Sakhir neste final de semana, andou no mesmo ritmo de Felipe, mas Kimi foi atrapalhado duas vezes por retardatários, em especial Kazuki Nakajima e teve que se conformar com a segunda posição.

Massa venceu a prova e seus primeiros pontos o colocaram na sexta posição na Classificação, nove pontos de desvantagem para o seu companheiro de equipe Raikkonen, que já pinta como favorito ao título. Hoje não deu para vencer? Chego em segundo então! É assim que um campeão faz em situações como a de Kimi hoje, não precisando de corridas salvadoras. A BMW mostrou que é, sem sombra de dúvidas, a terceira equipe de ponta deste Mundial e a primeira vitória se aproxima a passos largos. Kubica foi o único capaz de andar minimamente próximo das Ferraris durante a prova, mas sua aproximação em cima de Kimi no final da prova foi por pura precaução dos vermelhos, que reduziram a rotação dos motores para chegarem até o fim. Porém, não há como negar a evolução da marca bávara, que assumiu hoje a liderança do Mundial de Construtores pela primeira vez na curta vida da equipe e vê em Robert Kubica um campeão em potencial. Já pensou esse polonês numa Ferrari?

A grande decepção deste final de semana foi, com certeza, Lewis Hamilton. E se o queridinho não vai bem, toda a McLaren afunda junto. Mesmo com a melhor volta da corrida ficando para Heikki Kovalainen no final, o finlandês não conseguia acompanhar o ritmo de Nick Heidfeld após levar uma ultrapassagem até mesmo desmoralizante do alemão da BMW no início da prova. Kova chegou a ser levemente pressionado pela Toyota de Jarno Trulli, mas com uma estratégia diferente acabou disparando no final e chegando, mais uma vez, à frente de Hamilton, empatando com o primeiro piloto da equipe no Campeonato de Pilotos. Após o seu problema na largada, Hamilton se alojou atrás da Renault. "De quem será?" pensou Hamilton. Quando viu que era seu "amado" ex-companheiro de equipe, Hamilton viu tudo vermelho e cometeu a grande barbeiragem do dia, ao acertar a traseira da Renault do espanhol e jogar sua corrida fora. Hamilton fez sua obrigação ao ultrapassar carros como Super Aguri e Force India, mas demorou algumas vezes em efetuar a manobra sobre carros tão lentos e teve que se contentar com uma obscura décima terceira posição, levando voltas de Ferrari e BMW. Essa é a segunda péssima corrida consecutiva do inglês, que não apenas perdeu a liderança do campeonato, como vê a superioridade da Ferrari e chegada forte da BMW. Sem contar Kovalainen mordendo seus tornozelos!

O "resto" da F1 não foi dos mais animados e Jarno Trulli, mais uma vez, liderou a "segunda divisão" com uma boa sexta posição, logo atrás das três equipes grandes (menos Hamilton). A Toyota mostrou grande evolução em comparação ao ano passado e Timo Glock completou sua primeira prova nessa sua reestréia na F1, mas fora dos pontos. Mark Webber fez uma boa largada e se aproveitando de ter largado com a estratégia que lhe desse na telha, fez o seu dever de casa e marcou pontos pela segunda corrida consecutiva, na sétima posição. Bem ao contrário do seu companheiro de equipe. Após uma primeira volta muito confusa por causa do forte vento que trouxe areia para dentro da pista, Coulthard foi uma das vítimas dos vários toques e parou nos boxes. Em ante-penúltimo, Coulthard passou a ser pressionado pela Honda de Jenson Button e numa disputa bem britânica, o escocês se esqueceu de olhar nos retrovisores mais uma vez e acertou o seu quase compatriota, tirando-o da corrida e depois David se arrastou na pista, chegando na penúltima posição. Foi o segundo acidente polêmico de David em apenas três corridas. Passou da hora de Coulthard se aposentar.

E falando em aposentadoria, Barrichello fez uma prova bem discreta hoje e mostrou que a chance que lhe foi dada em Melbourne de marcar pontos pode ter sido única. Prestes a bater o recorde de Riccardo Patrese, Barrichello segue sua sina de não marcar pontos e corre o sério risco de não se aposentar, mas, isso sim, ser aposentado! Após levar a pancada de Hamilton ainda na segunda volta, Alonso parecia ter seu Renault ainda mais desequilibrado e sofreu a prova toda, tendo que brigar com a Toyota de Timo Glock, com alguns lances de emoção, mas após perder a posição para o alemão nos boxes, não conseguiu mais ultrapassar o tedesco e teve que se conformar com a décima posição, sofrendo muita pressão de Barrichello no final, pela primeira vez não marcando pontos em 2008. Algo que deve se repetir bastante vezes, se a Renault continuar assim. Nelsinho Piquet sinalizou problemas de câmbio ainda na volta de apresentação e não dá para identificar se a sua rodada não foi por esse motivo, mas o abandono foi, com certeza, pelo câmbio. Porém, Nelsinho vem andando no ritmo de Alonso nas últimas provas e mostrou evolução, mas o carro que tem não lhe permite muitos sonhos.

Ao contrário dos tempos conseguidos nos treinos livres, a Williams mostra que está longe de ser a terceira e até mesmo a quarta força do campeonato. Rosberg marcou o último pontinho deste Grande Prêmio, mas foi um dos primeiros a parar e teve sorte que a briga entre Glock e Alonso ter entretido os dois, pois ficou longe do Williams. Kuzuki Nakajima vem mostrando que puxou ao pai no pior sentido, pois não mostrou velocidade e atrapalhou Raikkonen e Kubica em oportunidades chaves da corrida e ainda levou uma bela ultrapassagem de Hamilton no final da prova, quando levava uma volta de Heidfeld. Pouca velocidade e pouco jeito. Bourdais fez uma corrida discretíssima e só foi visto quando foi ultrapassado por Piquet no início da prova, enquanto Vettel acabou sendo a única vítima terminal da primeira volta, mas a Toro Rosso terá que estrear logo o seu carro novo, se quiser andar mais à frente. Fisichella fez uma grande largada e andou boa parte da prova à frente de Barrichello, mas foi ultrapassado no primeiro pit-stop e por lá ficou, ficando à frente de Hamilton, Nakajima e cia. Boa corrida de Fisico! Ao contrário de Sutil, único que levou duas voltas na corrida e vem fazendo uma temporada pavorosa! Como parâmetro, o alemão chegou atrás das duas Super Aguri!

Com relação a transmissão da corrida de hoje, claro que não vi a cara do trio Galvão-Reginaldo-Burti, mas deu para sentir um sorrisinho de revanche na cara dos três, principalmente em Galvão e Burti, que em várias oportunidades deram a entender que a belíssima corrida de Felipe era para mim e para todas as pessoas que criticaram Felipe após Sepang. Agora fica a pergunta: Quando Massa errar, terei que passar a mão na cabeça dele? No way! Falando em Massa, bem que ele poderia ter se casado com alguém mais simpática, concordam? Reginaldo Leme lembrou durante o pódio que a sexta vitória de Massa o igualava a Jacky Ickx e Gilles Villeneuve, mas comparar Felipe Massa com essas duas lendas, mesmo com o mesmo número de triunfos, é o mesmo que comparar Jesus Cristo com Genésio!

Com a F1 se aproximando da temporada européia, o campeonato vai ficando tão emocionante como no ano passado, mas se a McLaren não se recuperar nas próximas provas, o campeonato poderá se tornar um show solo da Ferrari, pois ainda não vejo a BMW em condições de enfrentar a scuderia de Maranello por um campeonato. E se o campeonato se tornar um match-race entre Raikkonen e Massa, pela constância de um e o pisca-pisca de outro, sou mais Kimi!

sábado, 5 de abril de 2008

Por um nariz!


Estava tudo dando certo para Felipe Massa. O piloto da Ferrari não apenas comprovava a superioridade da equipe, como também estava léguas à frente dos demais pilotos, até mesmo Kimi Raikkonen. Na Q2, onde os carros podem andar com pouco combustível, Massa não precisou de pneus moles para ser meio segundo mais rápido do que qualquer piloto, de qualquer equipe. Somente um erro ou uma estratégia diferente poderiam tirar a pole de Felipe. Mas quando a fase não é boa, as coisas parecem não conspirar muito a favor e Felipe conseguiu errar em sua volta mais rápida e ainda viu Kubica marcar a primeira pole da BMW, graças, provalmente, a um carro mais leve. Juntando tudo isso, Kubica superou Massa por menos de três centésimos de segundo. Ou seja, por um nariz!

A cara feia de Massa nas fotos após o Classificação de sábado não é maior do que a própria cara feia de Kubica! Quando meu pai viu Kubica pela primeira vez a primeira impressão que teve foi exclamar: Oh, ventão! Mas da mesma maneira que tem um narizinho para lá de avantajado, Kubica vem mostrando que seu talento, decantado por muitos, é mais do que genuíno e tem o pé pesado. O polônes vem sendo o melhor Qualificador deste ano, colocando seu BMW na primeira fila pela segunda vez em três corridas e mesmo não sendo tão veloz em ritmo de prova, Kubica vem mostrando que pode dar muito trabalho daqui para frente. Na minha opinião, o verdadeiro ritmo da BMW é o de Heidfeld, que ficou logo atrás de McLaren e Ferrari, mas o alemão teve problemas nas duas últimas partes da Classificação e chegou a recolher o seu carro na Q3. Porém, o mais embaraçoso é ter levado seis décimos do seu companheiro de equipe, mesmo, teoricamente, ter um carro mais pesado.

Felipe Massa e a Ferrari pareceram aquele personagem da "Escolinha do Professor Raimundo", que sempre acertava as duas primeiras perguntas, mas quando era para "tirar o dez", dizia algo totalmente sem nexo e acabava com o famoso zero do famoso personagem de Chico Anysio. Massa dominou os treinos em Sakhir de uma forma até mesmo assombrosa, deixando Raikkonen e os demais pilotos no chinelo, mas um erro lhe custou a segunda pole da temporada e uma vitória parecia estar mais do que certa. Mesmo sabendo que seu carro, teoricamente, está bastante pesado, a cara feia de Massa se deve ao pequeno erro que o tirou a posição de honra amanhã. Porém, se Massa usar a cabeça avantajada dele, ele deverá vencer sem muitos dramas amanhã, pois a outra Ferrari, do opaco Kimi Raikkonen, pelo menos neste final de semana, saíra apenas na quarta posição.

A McLaren pode não ter dominado como fez em Melbourne, mas ao menos não fez um papel tão feio como previsto. Mesmo após ter sofrido um acidente muito forte ontem, Hamilton conseguiu um lugar na segunda fila e ficou a menos de dois décimos da briga pela pole. O inglês também vem mostrando ser muito forte nas Classificações, mas suas travadas podem prejudicar bastante seus pneus e, principalmente, os freios, muito exigidos no desértico circuito do Bahrein. Kovalainen andou na frente de Hamilton em todo o final de semana, mas foi outro que na hora do "vamos ver", foi superado pelo companheiro de equipe, mas vale ressaltar que o finlandês normalmente está largando com mais combustível do que Hamilton e hoje pode ter acontecido o mesmo.

Na briga pelo resto, Williams e Toyota brigaram pela sétima posição e o italiano, na melhor temporada dele em anos, superou Nico Rosberg, que tinha andado muito forte no dia de ontem. Jenson Button e Fernando Alonso, que conseguiram seus passaportes para a Q3 com muito sacríficio, não foram um fator determinante na última parte da Classificação e dividirão a quinta fila. Os companheiros de equipe de ambos, Nelsinho e Rubinho, ficaram próximos dos seus colegas de teto, mas não conseguiram supera-los na Q2. Porém, Nelsinho vem mostrando que está se acostumando cada vez mais com a F1 e em boa parte desse final de semana andou na frente de Alonso. Talvez a maior experiência de Alonso lhe valeu o melhor tempo na Q2, já que o espanhol sabe extrair mais do carro em uma situação crítica.

A Red Bull vem sendo a grande decepção até agora, com Mark Webber ficando de fora pela segunda vez em três provas da Q3, algo bastante incomum, e David Coulthard contando com a vexame de ter ficado ainda na Q1. Porém, Sebastien Bourdais finalmente andou na frente do seu xará Vettel e colocou o carro da Toro Rosso na Q2, ao contrário do seu jovem companheiro de equipe. Se Timo Glock ao menos ficou próximo de passar para a Q3, Nakajima ficou longe de acompanhar Nico Rosberg e largará bem atrás do seu companheiro de equipe, apesar do japonês ter andado próximo do alemão dos treinos livres. A Force India continua seu destino de ficar próximo de passar para a Q2 e não conseguir. Fisichella já coloca um 3 a 0 na cabeça de Sutil, que nem de longe vem repetindo suas boas atuações do ano passado. A Super Aguri só apareceu na bandeira vermelha provocada por Takuma Sato e fez o japonês ser superado pela primeira vez no ano por Anthony Davidson, que em compensação andou até mesmo próximo de Sutil.

Mesmo com a histórica pole de Kubica ter sido, muito provavelmente, conseguida através de um carro bastante leve, não dá para negar toda a velocidade e talento do polonês. Porém, sigo com a impressão que a vitória é de Massa. Não me perguntem o porquê, mas tô com isso na cabeça e também no que o Galvão vai dizer, já começando por hoje, quando comparou a situação vivida por Massa esse ano e Hamilton ano passado. A minha resposta para isso é muito simples: Hamilton ao menos chegou brigando pelo título no final, enquanto um piloto que erra duas vezes no começo dificilmente chegará no final do campeonato almejando algo.