terça-feira, 26 de março de 2013

Pós-bandeirada

Para quem está começando a assistir a Nascar, fica a dica. Nunca mude de canal após a bandeirada! Você pode perder cenas como essa...

O dedo de Mark

Isso demonstra o quanto Webber ficou feliz com a manobra de Vettel...

Hamilton's Fail

Não comentei essa presepada enquanto fazia a crônica da corrida, mas provando que não esqueci, eis Lewis Hamilton visitando sua antiga equipe.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Figura(MAL): Ferrari

Ué? Como uma equipe que teve apenas um piloto pontuando e ainda assim em quinto, pode ser considerado o grande vencedor do Grande Prêmio da Malásia. Tendo uma visão sistêmica para o resto da temporada, mesmo cometendo um erro ao deixar Alonso com a asa quebrada até entrar em colapso e destruir a corrida do espanhol, a Ferrari volta do oriente de bem com consigo mesmo e com seus pilotos, ao contrário das suas rivais. Red Bull e Mercedes tem sérios problemas internos para resolver e no caso da principal rival dos últimos tempos, a Red Bull, dificilmente haverá uma harmonia entre os pilotos, que deverão lutar asperamente no resto do ano, mesmo que com um carro que parece ser tão bom quanto os dos últimos anos. Isso não acontece na Ferrari, que tem Alonso claramente como primeiro piloto e Massa tendo ajudar o time a marcar muitos pontos no Mundial de Construtores. Ter dois pilotos brigando entre si já fez com que favoritos perdessem títulos, como ocorreu com a Williams na época de Piquet e Mansell. É o que a Ferrari e Alonso esperam que aconteça com a Red Bull! 

Figurão(MAL): Sebastian Vettel

Não irei entrar no mérito se o alemão fez algo certo ou errado em desobedecer sua equipe ontem em Sepang e partir para a vitória. Porém, o vencedor da prova malaia pecou num item ainda maior do que ser o mais veloz na pista: na ética. A ideia de manter as posições após a última rodada de parada estava tão clara para os pilotos da Red Bull que até o código era conhecido por eles: multi 21. E os engenheiros dos respectivos pilotos falaram 'multi 21' tanto para Webber como para Vettel nas voltas finais do Grande Prêmio da Malásia. O australiano estava na frente neste momento e teoricamente partiria para a vitória, mas Vettel jogou às favas o multi 21, 22 ou 23 e ultrapassou Webber, criando uma tremenda saia justa dentro da Red Bull, que amargou sua vitória mais constrangedora. Se algo está combinado antes da corrida, tem que ser homem para cumprir. Mesmo que não esteja de acordo. Se fosse o caso, Vettel poderia gritar ao rádio 'fuck multi 21'. E partir para cima! Webber seria avisado e a corrida seria disputada de forma mais justa pelos dois pilotos da Red Bull, pois Mark, que não é nenhum santo, fez o que a equipe pediu e entrou em fase de 'cruzeiro' nas voltas finais, bem ao contrário de Vettel. A atitude do alemão poderá ter grandes reflexos no resto da temporada da Red Bull, pois a partir de agora, será cada um por si e Deus por todos dentro do time chefiado por Christian Horner, que ficou desmoralizado na frente de milhões que acompanhavam a prova quando Sebastian não obedeceu sua ordem superior. Pela primeira vez um vencedor de corrida entrou neste lado da coluna, mas não por alguma atitude anti-esportiva dentro da pista, mas fora da pista. 

Vitória do outsider

Entre os favoritos à vitória em Saint Peterburg, com certeza o nome de James Hinchcliffe aparecia entre os menos cotados. O canadense da Andretti, que substituiu muito bem a ruinzinha Danica Patrick, tinha mostrado velocidade ano passado, mas pilotos como Will Power, Helio Castroneves e Ryan Hunter-Reay andaram muito bem no final de semana da Flórida e eram mais cotados para vencer a primeira prova do ano na Indy.

Porém, Hinchcliffe sempre andou entre os primeiros e na prova, se fez de morto o tempo todo, ganhando posições na medida em que os favoritos iam cometendo erros. O primeiro a fazê-lo foi Power que, após disparar na ponta, perdeu a liderança na relargada da primeira bandeira amarela e a partir daí se perdeu em erros (próprios e dos outros) até abandonar no final da prova. Power tem uma grande desvantagem com relação aos outros pilotos que é a sua notória deficiência em circuitos ovais e por isso, quanto mais pontos o australiano da Penske marcar em circuitos mistos, mais ele tem chances de brigar, de novo, pelo título. Os pontos perdidos ontem poderão fazer falta. Enquanto isso, Hinchcliffe já tinha deixado as surpresas Takuma Sato e Simona de Silvestro para trás e estava em segundo, atrás de Helio Castroneves, vencedor no circuito urbano por três vezes.

Porém, o piloto da Penske, com vários anos correndo na Indy, perdeu o controle do seu carro na freada da primeira curva numa relargada nas voltas finais e entregou de bandeja a liderança para Hinchcliffe. É por essas e outras que Castroneves não sabe o que é ganhar um campeonato em sua já longa carreira...

Porém, Hinchcliffe teria o desafio de segurar um sedento Castroneves nas voltas finais, com a desvantagem de estar correndo com os pneus duros, ao contrário do brasileiro. Helio tentou colocar de lado algumas vezes, mas Jamie não se intimidou e acabou conseguindo sua primeira vitória na Indy, além de assumir a liderança do campeonato pela primeira vez, mesmo que seja na corrida inaugural. Substituto de Danica, Hinchcliffe pode não ter o marketing da pilota americana, mas com certeza contribuiu muito mais tecnicamente com sua equipe do que Patrick. E a Andretti começou o ano forte ao colocar Marco Andretti em terceiro, após o neto de Mario ter ultrapassado Simona de Silvestro das últimas voltas. O teórico primeiro piloto da equipe, o atual campeão Hunter-Reay teve problemas eletrônicos quando fazia uma corrida discreta e abandonou.

A Ganassi também foi bem discreta ontem, com Dario Franchitti provocando a primeira bandeira amarela do dia ao bater sozinho com os pneus frios, enquanto Dixon compensou sua péssima posição de grid com um top-10. Tony Kanaan fez uma corrida de espera, mas não há como negar que ele andou atrás de sua rápida companheira de equipe a prova inteira e só a ultrapassou no final por Simona ter tido alguma problema. A suíça é uma ótima piloto e é a melhor piloto mulher a correr na Indy. Bia Figueiredo se arrastou lamentavelmente a corrida inteira, andando sempre em último, enquanto seu companheiro de equipe, Justin Wilson, brigava constantemente pelo top-10. O fato de ser mulher, como Simona está provando, não significa uma desvantagem nas corridas, mas o problema é que Figueiredo definitivamente não está no mesmo nível da turma.

E a Indy começa forte, com bons nomes se alternando na liderança das corridas e equipes como a Andretti já no mesmo nível das consolidadas Penske e Ganassi, essa, com motor Honda, tendo dificuldades. O jovem James Hinchcliffe pode ser um novo nome em uma categoria que vê os mesmos nomes dominando há no mínimo cinco anos.

domingo, 24 de março de 2013

Tenso!

Normalmente o pódio é o local onde os três primeiros colocados e o representante da equipe vencedora confraternizam-se com muitos sorrisos e um banho de champanhe após os hinos. Isso não aconteceu no 15º Grande Prêmio da Malásia da F1. Não foi uma corrida tão emocionante quanto em Melbourne na semana passada ou da prova malaia do ano anterior, mas houve momentos decisivos que podem até mesmo influenciar toda a temporada de 2013. A Red Bull conseguiu uma dobradinha enfática, mas seus dois pilotos não comemoraram e a celebração da equipe ficou restrita a sorrisos amarelos, o mesmo acontecendo com a Mercedes, segunda força em Sepang. A Formula 1 não vive seus tempos de brigas encarniçadas dentro das equipes como ocorreram nos anos 80. Agora, o que se vê é a frase 'tragam as crianças para a casa', pronunciada pela equipe após o último pit-stop aos seus dois pilotos que poderiam estar brigando por posição. Em Sepang, vimos essa situação ocorrer duas vezes com dois resultados distintos, podendo ocorrer cismas dentro de Red Bull e Mercedes, além de criar rivalidades desnecessárias num campeonato que mal começou.

Como era esperado, a chuva deu às caras em Sepang, como normalmente ocorre todos os dias na cidade colada em Kuala Lumpur, porém a chuva não veio com a força esperada e ainda assim, minutos antes da largada. Como resultado, todos largaram com pneus intermediários e Vettel disparou na frente, além de ver seu maior adversário alijado da disputa ainda na segunda curva. O alemão da Red Bull surpreendeu ao ser o primeiro a parar nos boxes para colocar pneus médios, seguido pelas Mercedes. Mark Webber, que havia pulado para segundo na largada, esperou duas voltas e se deu muito bem, assumindo a ponta da corrida. Vettel chegou a ser ultrapassado por Hamilton nas inúmeras paradas que houve em Sepang, mesmo a pista não estando tão quente como nos outros dias. Porém, o alemão da Red Bull se livrou do inglês da Mercedes e partiu para cima de Webber. No stint final, o tricampeão estava com pneus médios, ao contrário de Webber. Vettel se aproximou e no melhor momento da corrida iniciou uma disputa de tirar o fôlego com o companheiro de equipe. Faces tensas foram mostradas no pit-wall da Red Bull, até Vettel deixar o australiano para trás e ir embora. Dada a bandeirada, Vettel não comemorou de forma efusiva como sempre faz, o mesmo ocorrendo com Webber, 4s mais tarde. Na ante-sala do pódio, Webber estava claramente contrariado, enquanto Adryan Newey parecia prever a tempestade (e essa não vinha do céu...) que se aproximava e Vettel parecia preocupado. Webber chegou a abrir os braços para Vettel. O pódio foi tenso, sem sorrisos. A Red Bull havia pedido a Vettel que não atacasse Webber no stint final, mas o alemão não acatou a ordem da equipe e ultrapassou o australiano. Contrariado ainda dentro da pista, Webber quase que repetiu a manobra de Schumacher em Barrichello em Hungaroring/2010, espremendo ao máximo Vettel no muro dos boxes. A ultrapassagem valeu não apenas a vitória, como também a liderança do campeonato de pilotos. E é Vettel, atual tricampeão e acusado constantemente por Webber de ser protegido da Red Bull, particularmente do consultor Helmut Marko, o novo líder do Mundial de Pilotos de 2013. Vettel e Webber nunca foram amigos e fazem questão que todos saibam disso. Na Turquia em 2010, eles chegaram a bater e o alemão chamou o companheiro de equipe de louco com gestos para as câmeras e para a torcida. O clima parecia ter amainado um pouco, mas a verdade é que nas entrelinhas Webber nunca ficou muito satisfeito com sua situação na equipe, mostrada ao mundo com a famosa frase após a vitória em Silverstone/2010 ("Nada mal para um segundo piloto, hein?"). Sua amizade com Christian Horner, chefe da equipe Red Bull, ainda o mantém na equipe por tantos anos, além de ser inegavelmente rápido, mas não tão constante quanto Vettel. A atitude de Sebastian pode trazer todo o clima de 2010 de volta a equipe, quando, mesmo com o melhor carro, só conseguiu o título na última corrida e de forma sofrida, devido a um erro estratégico da Ferrari. Não devemos esquecer que Vettel, em determinado momento da corrida, pediu que a Red Bull mandasse Webber deixa-lo passar. E a equipe disse não. Com a briga entre seus pilotos mais uma vez escancarada, a Red Bull poderá ter problemas para segurar o ímpeto de Vettel e, principalmente, Webber, este sedento por uma vendetta.

Na Mercedes, algo parecido ocorreu, mas desta vez seus pilotos foram mais obedientes. Lewis Hamilton nunca foi um piloto de fino trato com os pneus e a comparação com Button nos tempos da McLaren deixava isso muito claro. Na Mercedes isso não foi diferente e o inglês enfrentou problemas com sua borracha nas voltas finais da corrida malaia. De tentar o segundo lugar de Vettel, Hamilton viu sua posição ameaçado por Nico Rosberg, companheiro de equipe e amigo de longa data. Mais rápido do que o inglês, Rosberg solicitou à Ross Brawn que ultrapassasse o companheiro e ficasse com o lugar mais baixo do pódio. Brawn disse não. Rosberg quase implorou e Ross falou para trazerem as crianças para casa. Nico estava tão mais rápido do que Hamilton, que parou de usar o DRS nas retas mesmo estando menos de 1s atrás. Foi uma situação complicada, onde Rosberg reclamou ainda pelo rádio que não esqueceria dessa corrida. Nico vive um dilema em sua carreira. Desde que entrou na Mercedes em 2010, chegou na frente do companheiro de equipe, mas o time trazia uma estrela e Rosberg ficava na situação incômoda de segundo piloto. Foi assim com Michael Schumacher, mas o alemão acabou superando o heptacampeão. Quando Michael se aposentou, Rosberg talvez pensou que seria o primeiro piloto, mas Lewis Hamilton chegou à equipe como estrela principal e maior salário da F1. Nico deve estar se sentindo inferiorizado e mordido, querendo a partir de agora partir para cima de Hamilton, um piloto também atirado. Outra situação complicada para que a Mercedes e sua frágil gerência terá que lhe dar a partir de agora.

Com Red Bull e Mercedes mandando na prova, o resto foi exatamente isso. O resto. Felipe Massa ficou com o quinto lugar, bem abaixo da expectativa de quem largava na primeira fila, mas ao contrário de quando larga no meio do pelotão, o brasileiro largou mal e estava em sétimo quando a primeiras paradas começaram. Porém, a Ferrari acertou na estratégia do brasileiro quando o chamou para uma quarta (!) parada e Felipe passou quem viesse pela frente com os pneus médios e voltou ao quinto lugar onde estava. Se a Ferrari acertou com Felipe, errou feio com Alonso. Largando melhor do que o companheiro de equipe, Alonso brigava com Vettel ainda na primeira chicane quando tocou na traseira da Red Bull do alemão. Com a asa dianteira avariada, era lógico fazer a parada rapidamente. Porém, Alonso, mesmo com a asa dianteira raspando no asfalto, não parecia tão lento, além de que as paradas para trocar os pneus intermediários pelos slicks era iminente. Seria melhor trocar o bico quando fosse trocado os pneus, pensaram Alonso e a Ferrari. Porém, na reta dos boxes, a asa entrou em colapso e foi para baixo da Ferrari do espanhol, fazendo Fernando perder o controle e ir reto, acabando com sua corrida. Ano passado, com um carro inferior, Alonso marcou pontos em toda oportunidade dada a ele. Ele praticamente não errou, junto com a Ferrari. Na primeira oportunidade de uma decisão importante, a Ferrari e Alonso erraram feio e perderam pontos importantes, principalmente agora com a Red Bull dividida e Alonso completando 200 Grandes Prêmios.

De vitoriosa em Melbourne, a Lotus se tornou um simples coadjuvante com Raikkonen superado, inclusive, por Grosjean. O francês andou muito forte e, vejam só, não se envolveu em nenhum acidente até agora. Raikkonen parecia desconfortável na pista, saindo dela algumas vezes. A Lotus terá que mostrar que se o que vimos em Melbourne foi ocasional ou apenas um erro no longo caminho que é esse campeonato. A McLaren continua sua temporada de horrores e se não bastasse o carro ruim, azares acometeram o time hoje. Levando-se em conta que o carro é ruim, Button vinha fazendo uma boa corrida e estava levando-se seu sofrível MP4/28 a um bom quinto lugar até a equipe errar num pit-stop e não apertar corretamente o pneu dianteira direito. Jenson teve sua corrida atrasada definitivamente, enquanto Sérgio Pérez fazia uma corrida interessante após largar numa posição intermediária. Porém, o mexicano teve algum problema nas voltas finais e teve que fazer uma parada não-programada, fazendo que caísse para o nono lugar. No momento, a McLaren é a última equipe que marcou pontos no Mundial de Construtores. 

Depois de um final de semana de sonhos, a Force India fez uma prova de pesadelo em Sepang, onde um problema na rosca do pneu dos seus pilotos fez com que o time hindu parasse seus dois carros por segurança. A Sauber finalmente mostrou seu verdadeiro ritmo com Nico Hulkenberg. Como ótimo piloto de chuva, Hulk esteve entre os mais rápidos quando a pista ainda estava úmida, mas a Sauber, que não fez um carro tão bom como no ano passado, perdeu rendimento na parte 'seca' da corrida e foi perdendo rendimento, porém, o alemão foi capaz de marcar pontos facilmente, andando no mesmo ritmo de Lotus e Ferrari. Já Estebán Gutierrez parece não ser do mesmo nível do seu compatriota Sérgio Pérez. Mesmo em sua segunda corrida, Gutierrez já está devendo em comparação a estreia de Pérez, três anos atrás. A Williams continua em seu calvário com um carro ruim e seus pilotos mal podem aparecer. Só quando saem da pista, como fez Maldonado. A Toro Rosso viu seus dois pilotos tendo corridas bem diferente, com Jean-Eric Vergne tendo problemas nas primeiras voltas e conseguindo se recuperar e marcar um pontinho, enquanto Daniel Ricciardo abandonou, mas estava atrás de Vergne. Que Daniel preste atenção, pois a Toro Rosso é conhecida por não ser muito paciente com seus jovens pilotos... E falando em jovens pilotos, Bianchi já impressiona ao conseguir o melhor resultado da Marussia em três anos. Isso, em duas corridas! Para chamar a atenção em equipes como Marussia e Caterham, é necessário fazer diferente do que simplesmente ser o melhor entre as equipes. E Bianchi está fazendo isso!

Teoricamente, a Red Bull seria a grande vitoriosa após a bandeirada em Sepang, porém, com seus dois pilotos em beligerância, isso pode definir o campeonato a favor de um terceiro piloto que venha por fora. No caso, seria Alonso, mesmo ele tendo ficado de fora da prova de hoje. Na Mercedes, o clima também não está muito aprazível. Hoje, o que faltou em emoção, sobrou em tensão!