quinta-feira, 15 de julho de 2010

História: 20 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1990


Se havia uma torcida apaixonada por um piloto, era os ingleses com relação a Nigel Mansell. Desde 1986, quando o britânico começou a se destacar na F1, os súditos da rainha lotavam Silverstone e Brands Hatch para ver uma vitória de Mansell. E normalmente o inglês conseguia. "A torcida me deixava 1s mais rápido", dizia Mansell para explicar suas inacreditáveis vitórias em casa. Correndo na frente dos seus torcedores, Mansell utilizaria essa chance para triunfar em 1990, um ano particularmente difícil para o inglês, que tinha em Alain Prost um companheiro de equipe muito forte e que logo em seu primeiro ano, já dominava a Ferrari.

Contudo, Mansell mostrou sua força ao conseguir uma pole impressionante, mais de meio segundo na frente de Senna, o ás das Classificações. Prost decepcionava ao ficar apenas em quinto, atrás até mesmo da Williams de Boutsen. Porém, não demoraria para essa situação mudasse. Após conseguir um excepcional segundo lugar na França, Ivan Capelli era capaz apenas de colocar seu March em décimo.

Grid:
1) Mansell (Ferrari) - 1:07.429
2) Senna (McLaren) - 1:08.071
3) Berger (McLaren) - 1:08.246
4) Boutsen (Williams) - 1:08.291
5) Prost (Ferrari) - 1:08.336
6) Alesi (Tyrrell) - 1:08.370
7) Patrese (Williams) - 1:08.677
8) Bernard (Lola) - 1:09.003
9) Suzuki (Lola) - 1:09.243
10) Capelli (March) - 1:09.308

O dia 15 de julho de 1990 tinha um céu azul e sem nuvens. Um dia nada típico para os ingleses, mas serviu de pretexto para se vestir de vermelho e invadir Silverstone para torcer para Mansell. Porém, havia outra desculpa para ir a velha base área. Com velocidades médias cada ano mais altas, Silverstone sofreria uma grande reforma em seu traçado e o histórico circuito que era praticamente o mesmo desde 1950, quando recebeu a corrida inaugural da F1, sofreria uma remodelação profunda para poder receber a F1 com mais segurança. Apesar disso, os pilotos lamentaram muito o fim do rápido circuito de Silverstone. Mansell gostaria muito de vencer no último ato do traçado histórico de Silverstone e sua vontade ficou clara logo na largada, quando se preocupou mais em fechar Senna, do que fazer uma boa largada propriamente dita e o resultado foi horrível para o inglês, com Senna chegando a Copse em primeiro, com Mansell logo atrás.

Senna tentou fugir de Mansell, mas correndo com muita gana, Mansell não demorou a encostar na McLaren. Na entrada da chicane, na décima volta, o piloto da Ferrari retardou a freada, passou, alargou a curva e Senna deu o xis logo em seguida. Porém, ninguém poderia desafiar Mansell sem saber que poderia haver troco e logo Senna se viu acossado pelo inglês novamente. Duas voltas mais tarde, Mansell tentou a ultrapassagem no mesmo ponto, mas desta vez foi bem-sucedido e assumiu a ponta da corrida. A torcida urrou tão alto quanto os potentes motores de F1. Tão agressivo quanto Mansell, Senna tentou acompanhar o inglês, mas duas voltas mais tarde o brasileiro entrou muito forte na alta zebra de fora da Copse e rodou, fazendo com que Senna fosse aos boxes trocar seus pneus, caindo várias posições.

Por incrível que pareça, Mansell não repetia o desempenho dos anos anteriores, quando assumia a primeira posição do Grande Prêmio da Inglaterra e disparava. Berger e Prost, que havia ultrapassado Boutsen, estavam próximos da Ferrari. Na volta 22, em plena reta Hangar, Mansell parece ter perdido uma marcha e Berger passa o inglês, mas Mansell permanece à frente de Prost. Para tristeza da torcida, seu grande representante estava tendo sérios problemas de câmbio, mas que atacava a caixa de marcha semi-automática da Ferrari de forma intermitente, tanto que Mansell após ser ultrapassado por Berger, permaneceu num bom ritmo e cinco voltas depois reassumiu a ponta. Prost observava a briga pela ponta atentamente, até que resolveu atacar!

Três voltas depois de ser ultrapassado por Mansell, Berger foi deixado para trás por Prost e a Ferrari fazia uma bonita dobradinha. Na verdade, a equipe italiana até planejava que assim permanecessem, até para uma ação de marketing junto aos ingleses, mas o câmbio de Mansell continuava falhando e na volta 43 Prost ultrapassou o inglês em plena reta Hangar. Treze voltas depois, Mansell deixaria a corrida quando sua caixa de marchas finalmente pifou. Ivan Capelli fazia outra corrida formidável e atacou Berger na volta 44, assumindo a 3º posição, mas abandonaria com problema minúsculo para um moderno carro de F1: um tubo de combustível havia se partido.

Prost receberia a bandeirada em primeiro, conseguindo sua terceira vitória consecutiva na F1, algo inédito em sua vitoriosa carreira. Berger abandonaria nas últimas voltas, permitindo a Senna chegar ao pódio, mas isso não era suficiente ao brasileiro, que perdia a liderança do campeonato para um ascendente Prost. Porém, esse não era o principal assunto do dia. Após abandonar a corrida, Mansell reuniu alguns jornalistas e numa coletiva improvisada, o inglês anunciou que se aposentaria no final da temporada. Na verdade, o inglês já havia ameaçado abandonar a carreira em outras decepções ao longo da carreira, como no polêmico evento em Portugal, em 1989. Na verdade, Mansell estava extramente irritado por a Ferrari ter entregado seu acertado carro a Prost após os treinos e na verdade estava louco para sair da equipe italiana. O futuro mostraria que isso não era nada menos que um blefe de Mansell para conseguir um lugar como primeiro piloto em 1991.

Chegada:
1) Prost
2) Boutsen
3) Senna
4) Bernard
5) Piquet
6) Suzuki

quarta-feira, 14 de julho de 2010

História: 30 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1980


Após um ano maravilhoso, onde conquistou seu único título mundial, Jody Scheckter sofria com o mal rendimento da Ferrari e, mesmo com apenas 30 anos, anunciou antes do Grande Prêmio da Inglaterra que estaria se aposentando no final da temporada. Com a saída do sul-africano, a expectativa era quem o substituiria na Ferrari em 1981. A F1 voltaria a Brands Hatch após dois anos e a evolução dos carros, principalmente por causa do efeito-solo, foi espantosa, com os carros chegando a baixar em 5s os tempos marcados em 1978. A equipe Fittipaldi recebeu um ultimato da Skol, sua única patrocinadora, de que se os resultados não melhorassem, a cervejaria romperia contrato. Alarmados, os irmãos Fittipaldi resolveram antecipar a estréia do novo F8, em substituição ao F7, projetado por Harvey Postlewaith com a ajuda do estagiário Adrian Newey.

Mesmo após a decepção na França, a Ligier mostrou sua força nos testes antes em Brands Hatch e confirmou isso com uma folgada primeira fila, desta vez com Pironi superando Laffite. A Williams, vinha logo a seguir, enquanto Nelson Piquet levou seu Brabham nas costas para ficar logo atrás dos seus rivais. Os pilotos equipados com pneus Michelin sofreram em Brands Hatch e o maior prejudicado foi Arnoux, que ainda brigava pelo título, mas teve que se contentar com a 16º posição. Desesperado em conseguir melhorar seu tempo, o piloto da Renault sofreu um forte acidente na Druids e, mesmo sem sérios ferimentos, ficou preso no carro alguns minutos. Mostrando a falta de motivação de Scheckter, combinado com os pneus Michelin não se entendendo com a pista de Brands Hatch, o sul-africano ficou em 23º, logo atrás de Emerson Fittipaldi, que ainda tateava com seu carro novo.

Grid:
1) Pironi (Ligier) - 1:11.004
2) Laffite (Ligier) - 1:11.395
3) Jones (Williams) - 1:11.609
4) Reutemann (Williams) - 1:11.629
5) Piquet (Brabham) - 1:11.634
6) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:12.128
7) Prost (McLaren) - 1:12.634
8) Depailler (Alfa Romeo) - 1:13.189
9) Andretti (Lotus) - 1:13.400
10) Daly (Tyrrell) - 1:13.469

O dia 13 de julho de 1980 estava com o clima tipicamente inglês em Brands Hatch, com um tempo nublado e com a chuva espreitando a cada momento. Brands Hatch tinha uma das largadas mais complicadas do calendário da F1, com sua reta estreita e cheia de descidas e subidas. Isso sem contar com a capciosa Paddock Bend, a primeira curva de Brands Hatch. Acidentes eram comuns! Para evitar qualquer incidente, Pironi tratou de largar forte e não deu chances aos seus adversários, chegando a Paddock na ponta. Laffite não larga tão bem e Jones tentou a manobra sobre o francês, mas Laffite freou forte na Paddock e se manteve em 2º, enquanto mais atrás Piquet deixava Reutemann para trás e subia para 4º.

Pironi imprimi um ritmo alucinante nas primeiras voltas e na segunda volta já tinha 3s de vantagem sobre Laffite e a diferença aumentava a essa taxa nas voltas seguintes. Laffite, não andando tão forte quanto seu companheiro de equipe, também se distanciava de Alan Jones, que mantinha Piquet e Reutemann sobre controle. Naquele momento, ninguém parecia capaz de segurar as duas Ligier, mas na volta 17, Pironi diminui seu ritmo. Ele havia baixado o recorde de Brands Hatch em praticamente todas as voltas! O francês se encaminhou aos boxes com um pneu apresentando um furo lento. Em tempos em que não havia paradas programadas, isso era um problema e foi maximizado com um péssimo trabalho da Ligier, que devolveu Pironi à pista em último. Sem saber, Didier Pironi começaria a contar seu futuro a partir de então.

Com o problema de Pironi, Jacques Laffite assumia a ponta com confortáveis 10s de vantagem sobre Jones e mesmo não tendo o ritmo de Pironi, Laffite tinha a corrida nas mãos, mesmo com apenas um terço da corrida completada. Porém, Laffite também sente um furo lento em seu pneu na 27º volta e tendo uma boa vantagem de 16s sobre Alan Jones, o francês tinha chances de voltar na liderança da corrida, se a Ligier não repetisse o pit-stop desastroso de Pironi. Quando passou na reta dos boxes, Laffite acenou para sua equipe que pararia na volta seguinte. A Ligier se preparou toda, mas... Laffite passou reto da entrada dos boxes. Quando estava no meio da volta, o pneu do piloto da Ligier estava claramente baixo e o Laffite acabaria se acidentando fortemente na curva Hawthorn, praticamente destruindo os sonhos de vitória da Ligier.

Agora quem assumia a ponta da corrida era Jones, com uma boa vantagem sobre Piquet e o brasileiro não sendo incomodado por Reutemann. Os três acabariam nessas posições na bandeirada. Porém, o grande destaque da corrida vinha sendo Pironi. Disposto a repetir o bom desempenho de antes do pit-stop, o francês novamente imprimia um ritmo alucinante e praticamente ganhava uma posição por volta, chegando rapidamente ao pelotão dianteiro. Na volta 54 ele ultrapassou Jarier e assumia a 5º posição, mas treze voltas depois o pneu do seu Ligier voltou a se esvaziar e o francês teve que abandonar. Após a corrida a Ligier chegou a conclusão de que um defeito na roda furou o pneu dos seus dois carros, acabando com a promissora corrida de ambos. Porém, milhares de quilomêtros ao sul, Enzo Ferrari assistia a corrida em seu escritório em Maranello e ficara impressionado com a atuação de Pironi, exigindo sua contratação. Didier Pironi faria uma polêmica dupla com Gilles Villeneuve a partir de 1981. Jones, com mais essa vitória, se consolidava na liderança do Mundial, mas Nelson Piquet ainda era uma ameaça constante.

Chegada:
1) Jones
2) Piquet
3) Reutemann
4) Daly
5) Jarier
6) Prost

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Copa que vi toda!


Posso dizer que um dos principais motivos de tirar férias nesse meio do ano foi para assistir a Copa do Mundo no sossego da minha casa (as outras se referiam a um merecido descanço, tentar curar o meu incurável problema no tornozelo direito e também sentimentais). Assisti a praticamente todos os jogos desta Copa e vi uma primeira rodada preocupantemente ruim, mas a Copa foi melhorando aos poucos, na medida em que os jogos foram ficando decisivos e a vitória era imperativa.

Houve várias reviravoltas, com times evoluindo e outros decepcionando. Inglaterra foi um fiasco impressionante, com seus jogadores importantes fazendo jogos incrivelmente ruins. Mereceu sair de quatro frente a Alemanha, ainda com as penas de Robert Green. Já vi muitas equipes se despedaçarem por causa de jogadores desagregadores, mas a França foi o primeiro caso de um técnico desagregador acabar com um time, onde o resultado foi uma atuação vergonhosa e uma crise anunciada. O vice-campeonato em 2006 apenas mascarou os problemas entre técnico e jogadores. A campeã Itália era um time sem imaginação, cuja lendária defesa caiu justamente por causa do seu grande pilar, Fabio Cannavaro, que fez uma péssima Copa. Sem nenhum meia criativo e atacantes bem mais ou menos, a eliminação na primeira fase foi merecida, entrando na história junto com a França como a primeira dupla de finalista da Copa anterior a cair ainda na primeira fase.

Fomos à segunda fase com algumas surpresas, mas também torci contra times que mostraram um futebol amplamente medroso. Vibrei quando o Chile fez o gol da vitória em cima da Suíça, praticamente tirando o péssimo time europeu da parada. Quando os hélveticos precisavam fazer gol, foram desclassificados contra Honduras. Quando a Grécia ganhou, num belo jogo, da Nigéria temi a repetição da Euro2004, quando os gregos tinham um time fraco, mas foi campeão aos trancos e barrancos. Ainda bem que os reservas da Argentina trataram de derrotar os gregos, que nem precisando fazer gols, saíram da defesa. A Eslovênia até tinha um time organizado, mas feio de se ver. Ganhou na sorte no 'clássico' da primeira fase, contra a Argélia, e protagonizou um belo jogo contra os Estados Unidos. Prevendo sua classificação, os eslovenos não se importaram muito em perder para a Inglaterra, mas os americanos, no outro jogo do grupo, fizeram o gol que tiraram a Eslovênia das oitavas-de-final no finalzinho. E haja chorôrô!

No primeiro grande clássico da Copa, talvez o jogo mais marcante de 2010. Alemanha e Inglaterra fizeram um bom jogo, onde os alemães mostraram um futebol vistoso e os ingleses tentaram se recuperar da péssima primeira fase, mas o gol legítimo não considerado por Jorge Larrionda praticamente sepultou os ingleses, que viram Tomas Müller e Özil os golearem nos temíveis contra-ataques alemães. Mais tarde, outra arbitragem ruim ajudou a agressiva Argentina se classificar para as quartas. O time era envolvente, com Messi jogando bem, mesmo sem marcar gols. Porém, estava claro que, na hora que os portenhos pegasse um time organizado, a defesa entregaria a rapadura. Contra os organizados alemães, a Argentina tomou de quatro e Maradona chorou suas mágoas, enquanto nos lembraremos do seu comportamento espalhafatoso na beira de campo. A parte de cima das oitavas era muito mais forte que a parte inferior. Além de Alemanha e Argentina, ainda havia a Espanha.

Num clássico ibérico, os espanhois derrotaram Portugal, que preferiu sacrificar Cristiano Ronaldo para se defender melhor. A Espanha não começou bem, mas após a surpreendente derrota ante a Suiça, ganhou seu grupo mostrando um futebol vistoso, mas de poucos gols. O resultado de 1x0 sobre os lusos era o exemplo disso. Ao invés da Itália, a Espanha enfrentraria o Paraguai, que de bonito só tinha Larissa Riquelme e sua bela comissão de frente. Após derrotar o Japão num dos piores jogos da Copa nos penaltis, os paraguaios deram muito trabalho a Espanha, perdendo por 1x0 (novamente!) após perder um penalti e um gol cara a cara com Casillas no final da partida.

Na parte de baixo da tabela, ninguém duvidava que o Brasil caminharia serelepe rumo a final. Sem possíveis confrontos com França e Inglaterra, o maior adversário do Brasil seria a Holanda até a final. Porém, o principal inimigo da Seleção era o próprio clima formentado por Dunga, que brigou com meio mundo para dizer que estava certo, mesmo quando olhava para o banco e dava de cara com Julio Baptista, Kléberson e Grafite, ao invés de Ganso e Ronaldinho. Foi uma primeira fase em que o Brasil apenas jogou bem contra Costa do Marfim, mas ainda assim perdeu Elano, um dos poucos destaques do time, para o resto da Copa pela violência marfinense. Com Kaká convalescente e Robinho se escondendo nos momentos mais agudos, o Brasil seguiu para enfrentar a Holanda. Ao contrário do que pregariam os adoradores do futebol-arte, Brasil e Holanda não praticariam um futebol bonito. Os dois times estavam mais preocupados em se defender e mesmo com três atacantes, os holandeses eram criticados dentro de casa por causa do seu pragmatismo. Ao invés de um futebol vistoso, era esperado um futebol duro. O Brasil começou bem, vencendo no primeiro tempo, mas uma falha de Júlio César e a esperada presepada de Felipe Melo destruíram os nervos do Brasil, que permitiram a virada da Holanda e o hexa ficou para 2014, onde o Brasil terá a obrigação de superar em organização a África do Sul, que fez uma Copa muito bonita, com certeza, mas com algumas improvisações.

Passando pelo Brasil, o caminho parecia fácil para a Holanda, mas os europeus teriam que encarar a maior surpresa da Copa. O tradicional Uruguai chegou à África com um bom ataque, formado por Luisito Suarez e Diego Fórlan, e uma defesa forte, comandada por Lugano, um xerifão uruguaio genuíno. Porém, todos apostaram que o Uruguai se despediria na primeira fase, perdendo para os anfitriões da África do Sul, da decadente França ou do emergente México. Porém, os uruguaios meteram 3x0 na África do Sul e após uma outra vitória sobre os mexicanos, garantiram o primeiro lugar do grupo para enfrentar a Coréia do Sul, pela primeira vez passando de fase sem a ajuda da arbitragem. Uma vitória sobre os coreanos garantiram o Uruguai a enfrentar Gana e protagonizar um dos momentos célebres da história da Copa. O empate de 1x1 levou o jogo das quartas para a prorrogação. Sem Lugano, machucado, e Fórlan muito cansado, o Uruguai foi pressionado por Gana e no último minuto, Suárez meteu a mão na bola para evitar o gol certo ganês. Penalti e Suárez expulso. Enquanto chorava rumo ao vestiário, Suárez ouviu o chute de Asamoah Gyan se chocar contra o travessão. O mesmo pênalti que mataria os uruguaios, fez a Celeste Olímpica passar para as semis, após 40 anos, com uma cavadinha de El Loco Abreu. Porém, cansados e sem Suárez, o Uruguai não superou a Holanda, mas a velha garra uruguaia deu trabalho aos laranjas, com um 3x2 emocionante. A boa forma de Fórlan acabou fazendo que o uruguaio fosse escolhido o Melhor Jogador desta Copa, numa decisão inacreditável antes do primeiro jogo deste Mundial.

Novamente na final, a Holanda esperava por um novo confronto com a rival Alemanha na finalíssima. Porém, a Alemanha teria que derrotar a Espanha, que havia os batido na final da Eurocopa 2008, e o polvo Paul. Sim, um polvo profeta roubou a cena prevendo os resultados da Seleção alemã e Paul previu que os tedescos perderiam para os ibéricos. E não é que, com mais um 1x0, a Espanha acabou com o sonho do tetracampeonato dos alemães. Porém, a Alemanha acabaria a Copa em terceiro com um belo futebol e as grandes revelações Müller e Özil prevendo um belo futuro para os alemães, mesmo não contando mais com Miroslav Klose, que com seus quatro gols ficou na vice-liderança no ranking de artilheiros da história da Copa do Mundo.

Holanda e Espanha fizeram uma final às avessas. O futebol vistoso era esperado pela Espanha, enquanto o pragmatismo ficaria para os holandeses. Para alegria dos catedráticos do futebol, o polvo Paul previu uma vitória espanhola. E os espanhois foram para frente, fazendo que a Holanda apenas se defendesse no primeiro tempo. Algumas vezes com violência, fazendo com que essa final fosse a que tivesse mais cartões amarelos na história das finais. Porém, a Holanda quase marcou duas vezes com a combinação Sneijder-Robben, com o segundo perdendo dois gols cara a cara com Casillas, o melhor goleiro deste mundial. Chegou a prorrogação e com ela, o cansaço da defesa holandesa, que apelava e viu Heitinga expulso. A Espanha perdia chances, mas um lançamento de Fabregas achou Iniesta, que tinha ido mal no tempo normal, mas desabrochado na prorrogação, na grande área, desmarcado e o meia do Barcelona marcou o gol do título quando faltavam quatro minutos para o fim.

Espanha Campeã Mundial! Casillas levantou o trófeu emocionado e depois beijou outro 'trófeu', sua bela namorada. Apesar de ter Xavi, Villa, um dos artilheiros deste mundial, além do próprio Iniesta, a Espanha ficará marcada por um volume de jogo coletivo impressionante, onde seus jogadores de meio-campo fizeram a diferença, retendo a posse de bola e fazendo a bola rodar. Seu ataque, desfalcado de um Fernando Torres totalmente fora de forma, não foi um campeão de bolas nas redes, mas o time funcionou na hora certa e mereceu este título pelos ótimos jogadores que tem e pelo seu estilo de jogo.

Pois bem, esta Copa assisti quase que na íntegra. Me decepcionei nos primeiros jogos, mas valeu a pena ver ter ficado em casa vendo ótimos jogos, como os que envolveu a Alemanha, a Argentina, os emocionantes Uruguai x Gana, Espanha x Paraguai, EUA x Eslovênia, Grécia x Nigéria, Uruguai x Holanda e por aí vai. As férias acabaram, mas se tornaram férias eternas quando voltei a empresa, mas estou mais do que preparado e confiante para essa nova fase em minha vida. Apesar das 15 sessões de fisioterapia, meu tornozelo ainda incomoda, mas ei de melhorar. Quanto ao problema sentimental... bem, esse está complicado, pois agora estou longe, mas ficarei bem, tenho certeza! De qualquer forma, 2014 está logo ali e será aqui. Se Deus quiser, estarei presente, até mesmo nas arquibancadas do Castelão. Até lá, teremos quatro anos em que nossas vidas mudarão e tenho fé que para melhor!

Figura(ING); Mark Webber

Todo vitória é saborosa, mas com certeza Mark Webber lembrará do triunfo em Silverstone com um sorriso maroto no canto da boca. A Red Bull tem o melhor carro do ano e o alemão Sebastian Vettel como protegido, até por ser mais talentoso que o australiano. Porém, o que nem a equipe e muito menos Vettel esperava era a boa forma de Mark Webber, andando cada vez melhor. Após o entrevero da Turquia, onde ambos se tocaram e a Red Bull perdeu a vitória, todos esperavam por medidas menos polêmicas por parte do time austríaco, mas uma nova asa dianteira jogou tudo por terra. Para não criar polêmicas, foi dada uma asa para cada pilotos, mas Vettel teve problemas com o bico do seu carro no terceiro treino livre e, ao invés de correr com a asa antiga, o alemão recebeu de presente a asa nova de Webber, deixando o australiano transtornado. Com a ajuda da asa nova ou não, o certo é que Vettel ficou com a pole, com Webber, fumando numa quenga, em segundo. Nada político, Webber fez questão de reclamar do problema em público e o resultado foi uma largada tensa, onde o australiano tirou aderência ninguém sabe de onde para sair do lado sujo e tomar a ponta de Vettel ainda antes da primeira curva. O alemão acabou por ser tocado por Hamilton, que vinha em 3º, e ter um pneu furado. Isso deixou o caminho livre para Mark Webber se tornar o primeiro piloto a vencer três vezes nessa temporada e ultrapassar Vettel no campeonato, desculpa dada pela equipe por tirar a já famosa asa dianteira do carro de Webber. Porém, Mark não parecia ainda contente. Vencer foi ótimo, mas era preciso deixar claro que ele não venceu apenas os adversários das outras equipes, como também a sua. "Nada mau para um segundo piloto," foi a frase do vencedor do Grande Prêmio da Inglaterra após receber a bandeirada, com milhões de telespectadores ouvindo sua reclamação contra a própria equipe. Com essa sua revolta contra a Red Bull, Webber sabe que terá uma única chance (até mesmo pela idade) para conseguir ser campeão mundial. E é nesse ano!

Figurão(ING): Comissários de pista

Após os eventos em Valencia, tudo o que pilotos e equipe clamavam era rapidez por parte dos comissários de pista. Tudo isso para evitar problemas como as nove punições depois da corrida e o episódio com Lewis Hamilton que, mesmo punido, não perdeu nenhuma posição pela demora dos comissários. Fernando Alonso, um dos prejudicados pelas lambanças valencianas, reclamou bastante, mas duas semanas mais tarde o espanhol teria muito mais do que reclamar. Em Silverstone, os comissários pecaram novamente pela lerdeza e acabaram com a corrida de Alonso. Primeiro, demorou demais em punir Alonso, que ultrapassou claramente Kubica cortando caminho. Com uma infração tão clara, bastava o controle da corrida passar um rádio para a Ferrari mandar seu piloto ceder novamente a posição para Kubica, mas os comissários demoraram tanto, que o piloto da Renault acabou por abandonar a corrida. Sem poder aplicar a punição correta, mas também podendo deixar Alonso impune, resolveram punir o bicampeão mundial com um drive-though, num ato desproporcional ao crime. Para piorar, algumas voltas antes de Alonso receber a péssima notícia de que iria perder várias posições, Sutil e De la Rosa haviam se tocado no meio da reta dos boxes, quebrando a asa traseiro do espanhol. Após algumas voltas fazendo ninguém sabe o que, a direção da prova resolveu despachar o Safety-Car para que fosse efetuada a limpeza da pista. O problema foi que a compactação do pelotão fez Alonso perder ainda mais posições, destruindo qualquer chance do espanhol pontuar e o deixando longe do sonho de tricampeonato. Após duas corridas desastrosas, a FIA, na figura de Charlie Whiting, precisa cobrar mais rapidez por parte dos seus comissários, pois em duas corridas seguidas houveram problemas e o campeonato de Alonso pôde ter ido para o brejo por causa dessas duas presepadas.

domingo, 11 de julho de 2010

Avalie se fosse primeiro piloto...


Logo no início da Copa do Mundo, falei que a Red Bull não tem muita 'camisa' e que essa falta de experiência em disputar títulos poderia ser fatal. Pois bem, mesmo com a estupenda vitória de Mark Webber na corrida de hoje, a Red Bull terá vários abacaxis para descascar após o final de semana inglês. O maior será apaziguar os ânimos entre os dois pilotos, com Mark Webber fazendo beicinho por causa do episódio da nova asa dianteira, entregue a Vettel por o alemão estar à frente do campeonato no sábado e que o australiano deixou clara sua insatisfação em todas as entrevistas, principalmente na sua volta de desaceleração, quando ao invés de vibrar, lembrou do problema. O outro, esse mais subjetivo, será a cabeça de Vettel. A velocidade do alemão é clara, mas seus erros e pequenos azares o tiram, aos poucos, da briga pelo campeonato. E como o Mundial de Construtores é feito com dois carros, a Red Bull vê a McLaren, com um carro nitidamente inferior, indo embora com seus dois pilotos.

A corrida de hoje foi animada, mas de formas de pequenos incidentes. Primeiro, a largada. Uma das reclamações de Webber antes da corrida era sua posição de largada, que estaria muito sujo e poderia o fazer perder posições, mas eis que o australiano conseguiu aderência não sei daonde e pulou para primeira ainda antes da primeira curva, ficando lado a lado com o companheiro de equipe. E foi aí que aconteceu o primeiro incidente. Sem espaço, Vettel ficou por fora e aparentemente recebeu um leve toque de Hamilton, que tentava mergulhar na primeira curva. Vettel permaneceu ao lado de Webber, mas algumas voltas depois ele saiu da pista com o pneu tarseira furado. Como ainda estava no começo da volta, a corrida de Vettel estava destruída, pelo menos aparentemente. Mark Webber passou a liderar a corrida de forma soberana, mas com um surpreendente Lewis Hamilton muito rápido atrás, mas não chegou a haver uma briga mais forte pela ponta. O australiano foi muito rápido a corrida toda, não dando chances aos rivais e passando a frente de Vettel no campeonato, o que pode indicar se a Red Bull tem ou não favorecimento entre seus pilotos. Uma das desculpas de Christian Horner era que deu a já famosa asa dianteira a Vettel por que o alemão estava melhor posicionado no campeonato, mas agora quem está na frente é Webber. Horner usará essa idéia numa próxima situação?

Porém, Vettel se recuperou durante a corrida, muito ajudado pelo esquisito safety-car que apareceu devido aos detritos deixados pela asa traseira de Pedro de la Rosa. Não que a corrida não deveria ter sido paralisada, mas os comissários demoraram demais a despachar o Mercedão à pista. Lerdeza que causou outra confusão. Sem ter nada com isso, Vettel se aproveitou do agrupamento dos carros e seguiu ultrapassando quem via pela frente, não importando se era a Toro Rosso de Alguersuari ou a Ferrari de Massa. O alemão deu um show, principalmente em sua disputa com Adrian Sutil na última volta. Porém, os seis pontos não o ajudarão muito no campeonato, já que ele largou na pole. A McLaren vem utilizando a inteligência e o bom ritmo de corrida para se sobressair frente a emergente rival e lidera os dois campeonatos de forma sólida, algo que era considerado até mesmo impossível pelo péssimo final de semana até então. Porém, a corrida mostrou outra perspectiva e Hamilton foi muito rápido, a ponto de trocar melhores voltas com Webber em determinados momentos e não deixando o australiano descançar na ponta. Hamilton mostra a cada dia que passa que é um piloto diferenciado e sua maturidade faz transformar sua enorme velocidade em boas atuações como hoje. Por sinal, outra atuação excelente foi de Jenson Button. O inglês foi discreto como sempre, mas ganhou dez posições durante a corrida usando apenas uma boa largada e um ótimo ritmo quando teve caminho livre à sua frente. O atual campeão não tem a exuberância de Hamilton, mas Button está fazendo corridas incríveis com seu McLaren e contra tudo e contra todos, ainda está mais vivo do que nunca na batalha pelo campeonato.

A Mercedes teve uma boa recuperação do fiasco em Valencia e conseguiu um pódio após longo e tenebroso inverno. Se as mudanças no carro favoreceriam Schumacher, Rosberg provou que é capaz de liderar a equipe e fez uma boa prova hoje, suportando a pressão de Alonso enquanto pressionava Kubica. Nico ultrapassou Kubica nos boxes e se manteve em terceiro sem muitos problemas, mesmo que seu ritmo estivesse a léguas de distância dos líderes. Com esse resultado, Rosberg pode finalmente convencer a Mercedes em apostar mais nele, principalmente com Schumacher ainda sofrendo nesse seu retorno à F1. De cabeça, não lembro de nenhuma ultrapassagem efetuado pelo heptacampeão, mas ser ultrapassado... Schumacher luta muito, parece até mesmo querer levar o carro nas costas, mas em praticamente toda corrida ele leva uma ultrapassagem.

Após Kubica ser ultrapassado por Rosberg, o polonês ficou na alça de mira de Alonso, que não perdeu tempo em atacar o piloto da Renault. O espanhol largou muito mal e queria tirar o atraso, não medindo esforços para atacar quem via pela frente. Kubica, que abandonaria mais tarde após outra excelente corrida, se defendia bem, mas Alonso ficou lado a lado com ele e, de forma lógica, Kubica deixou o lado de fora para o seu amigo Alonso. Sem espaço, o piloto da Ferrari cortou a chicane e ultrapassou Kubica. Nessa hora, Alonso cometeu um erro fatal. Tão preocupado em punir ou ser punido, Alonso deveria ter a exata noção da irregularidade cometida e ter deixado Kubica o ultrapassar imediatamente e depois tentar outra manobra. Mas o espanhol permaneceu na mesma posição, até tentou atacar Rosberg, enquanto Kubica abandonava. Quando ninguém mais esperava a punição, ela veio com muito atraso e aqui vale a crítica aos comissários. Com uma irregularidade tão clara, precisavam os comissários esperarem várias voltas para se pronunciar? Se fossem rápidos, bastava mandar Alonso devolver a posição a Kubica e estava punido o espanhol de forma justa. Ao invés disso, esperaram várias voltas, nesse interím Kubica abandonou e Alonso não podia mais ser punida da forma devida, mas de uma forma exagerada, tendo que cumprir um drive-through bem no momento que o safety-car entrava na pista, em outra atuação demorada dos comissários. Isso significou a ruína da corrida de Alonso, que fez uma corrida agressiva que lhe rendeu um toque com Vitantonio Liuzzi no final da prova e outra visita aos boxes. Alonso irá reclamar bastante e com razão. É a segunda corrida consecutiva que o espanhol tinha um bom carro nas mãos, mas saiu prejudicado de uma corrida e poucos pontos marcados, praticamente saindo da briga pelo campeonato. Assim como a Ferrari, que ainda poderá ter outro pequeno problema para resolver. Num toque nitidamente de corrida, Alonso e Massa se tocaram no decorrer da primeira volta. O espanhol não deu mole e houve um toque entre eles. Coisa de corrida. O problema foi que Massa teve um pneu furado e outra corrida no buraco. O brasileiro fez uma péssima corrida, mas pela segunda vez este ano, foi prejudicado por causa de manobras, legais, de Alonso. Porém, a coisa anda tão feia na Ferrari, que nem valha a pena uma confusão entre seus pilotos.

Rubens Barrichello se aproxima de sua corrida de número 300, mas ainda assim mostra que a sua experiência acumulada ainda serve muito numa F1 sem testes. O brasileiro ajudou a Williams evoluir ao longo da temporada e mais uma vez fez com que conseguissem outro ótimo resultado. O quinto lugar, olhando as demais atuações da Williams ao longo do ano, é muito bom e isso pode ser creditado a Barrichello, que vem dando um banho em Hulkenberg, que ainda marcou um pontinho e participou da animada briga dos alemães no final da corrida. Outro que estava nessa briga tedesca era Adrian Sutil. O piloto da Force India não tinha uma boa posição no grid, mas largou bem, atacou (e arrancou a asa traseira) de Pedro de la Rosa e fez uma bela ultrapassagem sobre Michael Schumacher. Sutil deu muito trabalho a Vettel, mas não conseguiu deter a forçada de barra do piloto da Red Bull na última volta, mas o alemão fez um ótimo trabalho e conseguiu mais pontos preciosas para sua equipe. Liuzzi foi punido por ter atrapalhado a volta de Hulkenberg e largou mais atrás, mas foi combativo quando foi atacado por Alonso e ainda chegou próximo de Hulkenberg, o último a pontuar. No entanto, o italiano ainda está ficando bem atrás de Sutil tanto em treinos, como em corrida.

Mesmo ficando bem atrás do companheiro de equipe, Kamui Kobayashi fez outra boa prova e após largar muito bem, andou sempre na zona de pontuação e ainda teve tempo para pressionar Barrichello. Após um início de temporada desapontador, Kobayashi vem evoluindo junto com a Sauber e começa a mostrar um pouco do piloto audacioso que vimos no final de 2009. Pedro de la Rosa é o piloto mais azarado do ano, pois mesmo largando entre o dez, o espanhol nunca ficou na zona de pontuação e foi alboroado por Sutil em plena reta dos boxes, quebrando sua asa traseira e ainda provocando o safety-car. A Toro Rosso arriscou uma estratégia diferente ao retardar as paradas, mas Alguersuari e Buemi não foram capazes de pontuar. Enquanto Buemi foi discreto, Alguersuari levou uma bela ultrapassagem de Rosberg e no final rodou na entrada da reta dos boxes, quase provocando um safety-car no final da prova. Vitaly Petrov estava no zona de pontuação quando sucumbiu a pressão de Vettel e saiu da pista, talvez provocando outro furo de pneu, pois o russo teve que fazer um pit-stop não programado já no final da corrida. Com sua cabeça a prêmio dentro da Renault, Petrov precisa urgentemente de bons resultados para continuar na F1. As pequenas tiveram o desempenho de sempre, mas apenas Lucas di Grassi abandonou, enquanto Sakon Yamamoto andou próximo a Karun Chandhok, provando que o japonês é mais do que outro piloto-pagante.

Há doze anos atrás, Silverstone viu uma corrida animada e polêmica bem no dia da final da Copa do Mundo. O resultado foi uma vitória retumbante vitória da França sobre um desanimado Brasil, após o piripaque de Ronaldo. Hoje, não faltou animação e polêmica, mas como até agora não houve nenhuma notícia de um piripaque de um espanhol ou um holandês, o jogão de hoje tende a ser equilibrado. Webber passou a semana dizendo que haveria uma briga interna na McLaren, mas o australiano provou do próprio veneno, pois agora a Red Bull tem um assunto interno grave a resolver, com seus pilotos se estranhando dentro e fora das pistas. Apesar da vitória de hoje, a Red Bull tem muito mais do que se preocupar, mesmo com o belo carro projetado por Adryan Newey, do que as adversárias.

sábado, 10 de julho de 2010

Estatisticamente provado


As estatísticas de 2010 mostram um claro domínio da Red Bull, com apenas uma derrota para a McLaren em nove oportunidades. Como a equipe comandada por Martin Whitmarsh não está na melhor de suas fases justamente em casa, a pole da Red Bull era favas contadas. Era apenas o caso de saber quem largaria na frente. Webber e Vettel foram os mais rápidos em todas as sessões, mas o alemão utilizou a sua reserva de talento para conseguir uma pole-position explêndida, a segunda consecutiva.

Num circuito rápido, apesar das reformas, não foi surpresa ver a Red Bull utilizar sua melhor eficiência aerodinâmica para arrasar suas adversárias. Alonso e Hamilton andaram mais do que seus carros, mas o indiscutível talento de ambos o colocaram a mais de oito décimos de diferença para os dois carros azuis. A questão era apenas entre Vettel e Webber e o alemão se sobressaiu novamente, mostrando uma volta por cima de Vettel, que ficou em baixa no momento em que Webber conseguiu uma impressionante passagem de três poles seguidas. A subida da Ferrari não foi capaz de fazer Alonso brigar levemente pela pole e sua cara após o treino exemplifica bem como um título que parecia seu no início do ano está escapando pelos seus dedos. Silverstone nunca foi uma pista muito boa para Massa e os sete décimos que levou de Alonso foi um exemplo claro de quanto o espanhol está bem mais rápido.

A incrível decadência da McLaren nesta corrida, em casa, chega a surpreender, pois o time prateado tinha várias atualizações em mente e pensava que poderia virar o jogo frente a Red Bull. Ocorreu exatamente o contrário. Somente o talento de Hamilton foi capaz de colocá-lo em 4º, mas Button dez posições atrás mostra bem o quanto a equipe caiu. Ver Kubica colocando muito tempo em Petrov não chega a ser novidade, mas os veteranos Barrichello e De la Rosa chegando com facilidade ao Q3 e botando muito tempo em seus jovens companheiros de equipe é que surpreende. Na Mercedes, ocorre exatamente o contrário, com o jovem (Rosberg) sendo bem mais rápido que o veterano (Schumacher). No pelotão de trás, nenhuma novidade e Sakon Yamamoto levando mais de 1s de Karun Chandhok não surpreendeu em nada. Mais um motivo de que a imtempestiva decisão de Colin Kolles em retirar Bruno Senna da Hispania em Silverstone (quiçá, o ano todo) foi bastante discutível.

Se na Classificação foi tudo bem para a Red Bull, resta ver como será a corrida. Com o entrevero na Turquia, a briga entre Vettel e Webber passa a ser imprevisível e a repetição da má largada do australiano em Valencia pode ser a redenção definitiva para Vettel, com o alemão passando a líder natural da Red Bull. Somente uma catástrofe semelhante a Turquia para tirar a vitória da Red Bull amanhã.