segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Figura(ABU): Max Verstappen

 - Foram 19 vitórias em 2023

- Dez vitórias consecutivas

- 575 pontos conquistados, mais do que os dois pilotos da Mercedes somados

- Maior distância para o vice-campeão, 290 pontos

- Maior número de pódios em uma temporada, 21 em 22 corridas

- Maior número de voltas como líder numa temporada, 1003

Esses são apenas alguns números de Max Verstappen nessa avassaladora temporada 2023.

Figurão(ABU): Carlos Sainz

 A Ferrari tinha como principal objetivo nesse final de campeonato conseguir tirar da Mercedes o vice-campeonato do Mundial de Construtores e para isso era bastante importante que os dois pilotos pontuassem bem, de preferência mais do que os representantes da Mercedes. Charles Leclerc fez sua parte, fazendo uma boa corrida e fazendo o que era possível em 2023, chegar em segundo lugar, atrás do dominante Max Verstappen. Porém a Ferrari não contava com o final de semana medonho de Carlos Sainz, que em nenhum momento andou próximo de Leclerc, começando pela classificação, quando o espanhol ficou no Q1, muito por erro da Ferrari ao deixar Sainz no tráfego. Porém, era esperado uma corrida de recuperação de Carlos, mas isso simplesmente não aconteceu. Totalmente sem ritmo, Sainz empacou na 12º posição no primeiro stint, ganhou terreno com a parada dos líderes, mas foi engolido enquanto era alcançado. Numa estratégia bizarra da Ferrari, esperando por um Safety-Car que nunca veio, Sainz foi um zumbi dentro da corrida, terminando por não ajudar em nada a causa da Ferrari, que acabou derrotada pela Mercedes por meros três pontos. Algo que Sainz poderia ter conseguido, se tivesse feito um final de semana, no mínimo, decente.

domingo, 26 de novembro de 2023

Vitória completa


Pecco Bagnaia não tem um estilo vistoso de pilotar e nem é um personagem carismático. Muito pelo contrário. O piloto nascido em Turim tem um perfil discreto fora das pistas e de certa forma isso se reflete dentro das pistas. Bagnaia é o que se pode chamar de 'falso lento'. Principal piloto da Ducati desde 2021, Bagnaia conseguiu sua primeiras vitórias quando se tornou piloto oficial da marca italiana, que após ser reconhecida por ter a moto mais potente da MotoGP, ficou conhecida também como a melhor moto e a dominadora atual da categoria. Bagnaia quebrou o jejum da Ducati ano passado derrotando Fabio Quartararo, um piloto mais talentoso que o italiano, mas Bagnaia soube usar a força de sua Ducati e outras características suas, como a paciência e a consistência. Em 2023 Bagnaia teria um piloto ainda mais perigoso. Não que Jorge Martin seja melhor do que Quartararo, mas o talentoso espanhol usava a mesma moto de Pecco. Martin tem uma pilotagem mais agressiva e não se pode negar que ele é mais rápido do que Bagnaia, mas como foi provado em outras situações, não é apenas de velocidade que se precisa para ser campeão. Mesmo pressionado com a subida de rendimento de Martin, Bagnaia se manteve sob controle e na corrida final em Valencia, se valeu da ânsia de Martin para conquistar o bicampeonato da MotoGP, se tornando o primeiro piloto desde Marc Márquez a conseguir defender o título.

E foi Márquez quem ajudou a definir o título a favor de Bagnaia. Jorge Martin saiu do Catar cuspindo maribondo em cima da Michelin, acusando a marca francesa de ter fornecido um material ruim para o espanhol, inclusive insinuando que tinha sido roubado. A semana foi de desmentidos por parte da Michelin, além de mostrar o descontrole de Martin nesse final de semana decisivo. Na corrida Sprint, Martin venceu e diminuiu a diferença de 21 para 14 pontos. Uma vantagem ainda confortável a favor de Bagnaia, mas perigosa. Logo pelo domingo de manhã, a situação de Bagnaia melhorou com Maverick Viñales sendo punido por desobediência aos comissários de pista e perdendo a pole, elevando Pecco ao primeiro posto no grid. Martin era apenas sexto, mas numa largada relâmpago, subiu para segundo, numa disputa direta com Bagnaia. O espanhol da Pramac estava numa situação clara de 'all in' e tentou uma manobra audaciosa em cima de Pecco, mas Martin foi o único prejudicado, saindo da pista e caindo para oitavo. Desesperado, Martin partiu para uma corrida de recuperação agressiva, mas que se mostraria curta.

Numa corrida emocional, Marc Márquez se despedia da Honda. No dia anterior, o espanhol se emocionou ao subir ao pódio da Sprint e queria um bom resultado nessa despedida pela Honda. O que Márquez não contava era com um Martin afoito em escalar o pelotão rapidamente e o choque entre os dois acabou com o campeonato. Com Martin zerado, Pecco Bagnaia era o campeão da temporada 2023 da MotoGP!

Não foi uma temporada linear de Pecco. No início do ano, não faltaram comparações com o domínio que Verstappen exercia na F1, pois Bagnaia vencia com facilidade as provas, não raro obtendo 100% dos pontos, vencendo também a Sprint. Porém, uma queda em Barcelona quase pôs tudo a perder. Bagnaia caiu na primeira volta e foi atingido nas pernas por Brad Binder. Milagrosamente Pecco não sofreu fraturas, mas ainda com dores, Bagnaia viu sua vantagem no campeonato derreter. Quem se aproveitou disso foi Jorge Martin. Campeão da Moto3 em 2018 e mais um espanhol talentoso que surgiu nos últimos dez anos, Martin já tinha feito um bom ano em 2022 e perdera o lugar que ele achava que era seu na equipe de fábrica da Ducati para Bastianini. Martin não escondeu seu descontentamento e com o infortúnio de Bagnaia, foi para uma tática de mostrar à Ducati que ele merecia o lugar que lhe foi negado e mesmo correndo com uma moto satélite, ele poderia vencer o campeonato, derrotando o principal piloto da fábrica.

Martin começou uma sequência incrível de vitórias, principalmente nas corridas Sprint, quando os pneus não fazem tanta diferença, no entanto, Jorge sofria nas corridas longas e deixou algumas vitórias certas pelo caminho, muito por causa dos pneus, como na Tailândia e principalmente na Austrália. Ficava claro que Martin estava numa fase melhor e era mais rápido, porém, Bagnaia era mais completo, principalmente nas corridas de domingo, com o italiano não se preocupando muito em fazer corridas pobres na Sprint. Algumas declarações de Martin também deixavam claras um quê de arrogância no espanhol, fazendo que, mesmo Martin estivesse em inferioridade em termos de equipe, houvesse uma maior simpatia por Bagnaia. A velocidade de Martin ficou clara em Valencia, mas no final Bagnaia foi mais completo. Pecco soube dosar suas energias quando mais importava, acertando sua moto para as corridas do domingo, além de mostrar mais serenidade, garantindo o título com uma vitória na etapa derradeira em Valencia, a sétima em 2023. 

Havia uma promessa de que Martin subiria para a Ducati oficial em caso de título, mas como Bastianini deixou muito a desejar, sofrendo muitos acidentes, como hoje, essa troca ainda pode ocorrer. A KTM poderia ter vencido hoje com Binder e Miller pressionando Bagnaia, mas ambos erraram, facilitando a vida de Pecco. Próximo ano a KTM promoverá a estreia de Pedro Acosta, atual campeão da Moto2 e incensado como a próxima estrela da MotoGP. A Aprilia tem um piloto desenvolvedor (Espargaró) e outro talentoso (Viñales), mas o que sobra em um item para um, falto no outro. Se houvesse um misto dos dois espanhóis e a Aprilia estaria melhor servida de pilotos. As montadoras japonesas tiveram um ano horroroso. A Yamaha simplesmente não deu equipamento para Quartararo brilhar e nem de longe o talentoso francês pôde brigar mais à frente. Já a Honda construiu uma moto tão difícil, que simplesmente todos os seus pilotos sofreram alguma contusão ao longo do ano. Perdendo Márquez, a equipe tentará fazer com que Luca Marini, irmão de Rossi, seja uma espécie de ressurreição para a marca. E se a Yamaha não tomar tenência, poderá ver Quartararo fazer a mesma coisa de Márquez e procurar uma Ducati em 2025. A ideia da Sprint Race em todas as corridas foi polêmica e serviu para um recorde negativo para a MotoGP. Em nenhuma das corridas que compôs o calendário 2023, todos os 22 titulares estavam no grid, pois sempre havia alguém machucado. A Dorna não admite o fracasso da ideia da Sprint e ainda tenta uma virada de mesa para ajudar as montadoras japonesas, para desespero das europeias. Se a gestão da Liberty Media não é lá essas coisas, a Dorna não fica para trás...

A Ducati de Gigi Dall'Igna se mostrou uma moto dominadora, mas ao contrário da F1, onde Verstappen reinou sozinho, praticamente todos os pilotos da Ducati venceram uma corrida em 2023, seja de domingo ou Sprint. Bagnaia liderou o desenvolvimento da moto e também boa parte do campeonato, enquanto Martin usou muito bem do trabalho de Pecco e com sua velocidade, quase obteve o feito de ser campeão com uma equipe satélite, mas isso acabou não acontecendo muito pelo açodamento de Martin e por o espanhol enfrentar um piloto mais completo. E Bagnaia, mesmo não sendo um personagem vistoso, é merecedor do seu bicampeonato.

Resumo de 2023

 


Se uma corrida pudesse resumir o que foi a temporada 2023 da F1, basta olhar o que aconteceu em Yas Marina. Max Verstappen exerce um domínio tão grande sobre a F1 atual, que até mesmo antigos rivais sentem receio de ataca-lo, pois sabem que o troco virá rapidamente e será definitivo. Max foi magnânimo mais uma vez em Abu Dhabi e com mais um desfile no chatíssimo circuito no Oriente Médio, venceu pela décimo nona vez nesse ano. Dezenove corridas consistia o calendário de muitas temporadas da segunda década desse século, quando a F1 começou sua expansão desenfreada. Leclerc tentou um ataque sobre Max na primeira volta, mas o monegasco estava mais preocupado em dar à Ferrari o segundo lugar no Mundial de Construtores e quase conseguiu, mas não obteve ajuda de Sainz e a Mercedes ficou com a posição, num dos poucos pontos ainda pendentes dessa longuíssima temporada.


A expectativa de uma corrida em Abu Dhabi sempre é baixa, mesmo com as reformas recentes terem deixado a pista no Emirado menos horrorosa. Mesmo com todos os efeitos, iates bonitos e a hospitalidade que há em Abu Dhabi, a sensação que se passa é de artificialismo no circuito que recebe sempre a última etapa do campeonato pagando uma grana altíssima para a F1. Com praticamente tudo definido com relação ao campeonato, a edição de 2023, a décima quinta em Abu Dhabi, foi um porre de dar sono. Max Verstappen pode não ter se sentido confortável com seu Red Bull nos treinos livres, mas ficou com a pole e dominou a corrida de uma forma atordoante. A única leve ameaça que Max teve na corrida foi exatamente na primeira volta. Seu antigo rival do kart Charles Leclerc largou claramente melhor e chegou a emparelhar na primeira curva, mas Verstappen contornou por fora muito bem, mas não demorou muito para Leclerc colocar por dentro outras duas vezes, mas em ambas, Max se sobressaiu. Depois da corrida Leclerc confessou que não teria como se sustentar na frente de Verstappen se executasse a ultrapassagem e muito provavelmente pensou mais no Mundial de Construtores do que no ganho pessoal. Por saber disso, para que se arriscar em demasia, se sabemos o resultado? A partir de então, Verstappen administrou a corrida a seu bel-prazer, controlando no primeiro stint com pneus médios para depois aumentar o ritmo com os pneus duros, chegando praticamente 18s na frente de Leclerc. Saindo de nono, Pérez fez mais uma corrida de recuperação no ano, recebendo a bandeirada em segundo, mas por ter alargado demais na ultrapassagem sobre Norris, Checo foi punido e teve que se conformar com a quarta posição. Mesmo tendo em mãos o já lendário Red Bull RB19, Pérez sempre passa a sensação que ficou devendo alguma coisa e mesmo completando a dobradinha para a Red Bull no campeonato, algo inédito para a equipe, o mexicano deixou a desejar.


A grande briga que aconteceu na corrida foi na verdade a luta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores, com a Mercedes apenas quatro pontos na frente da Ferrari quando ambas aportaram em Yas Marina. Leclerc fez sua parte e fez o que lhe era possível: terminar em segundo, atrás do dominante Verstappen. No entanto o monegasco passou a prova perguntando o que poderia fazer e até mesmo abriu caminho para Pérez para que ele abrisse os suficientes 5s de frente para Russell e a Ferrari terminasse em segundo, mas faltaram apenas 1,1s para que Leclerc conseguisse o objetivo. Porém, não se pode negar a corrida horrorosa de Carlos Sainz, que mal apareceu e ainda foi atrapalhado por uma estratégia bizarra da Ferrari, que sonhou por um Safety-Car que estava na cara que não iria aparecer, vide a forma conservadora de que a maioria do grid se comportou nessa corrida final. Com Sainz zerado, a Ferrari perdeu a segunda posição para a Mercedes por apenas três pontos. Russell superou a dupla da McLaren ao final do primeiro stint, ultrapassando Piastri e se valendo de um erro no pit-stop de Norris para ser terceiro. Leclerc ficou ao alcance de George no retorno do ferrarista dos dois pit-stops, mas Leclerc teve um grande final de semana e Russell, adoentado e tudo, conseguiu mais um pódio. Hamilton teve uma corrida errática num final de semana medíocre e após um toque com Gasly, teve que se conformar com uma opaca nona posição, sendo que Lewis teve que ser motivado por Toto Wolff em pessoa. Mesmo completando dois anos sem vitórias, Hamilton ainda garantiu um ótimo terceiro lugar no Mundial de Pilotos, mas as últimas corridas do heptacampeão deixaram bem a desejar.


Outra briga interessante foi pelo quarto lugar no Mundial de Pilotos. Após um início de ano promissor, Fernando Alonso caiu junto com a Aston Martin, mas nem por isso o espanhol deixou de mostrar sua magia e com um sétimo lugar, garantiu a quarta posição, empatado com Leclerc, mas com vantagem de ter mais pódios, principalmente na primeira metade do ano. Contudo, não se pode negar que se Alonso sonhou com vitórias e até mesmo um vice-campeonato, um quarto lugar nada mais é que um prêmio de consolação. Sainz terminou o ano tão ruim que acabou superado por Leclerc e caiu três posições em apenas uma corrida. Lando Norris fez uma segunda metade de temporada muito forte, colecionou pódios e foi sexto colocado, apenas um ponto atrás de Alonso e Leclerc. A McLaren obteve uma das maiores evoluções dentro de uma temporada, saindo das profundezas do pelotão para ser a segunda força em muitas corridas, mas que não foi o caso em Abu Dhabi, com Norris não tendo ritmo para chegar em Leclerc e Russell. Piastri conseguiu um ótimo ano de estreia, superou Norris na classificação, mas em ritmo de corrida o australiano ainda deve um pouco, mas sua curva de aprendizagem ainda é íngreme a ponto de vermos em Oscar Piastri num piloto de ponta em potencial. Nem que isso bagunce um pouco o coreto dentro da McLaren, com Norris tendo finalmente um piloto muito forte ao seu lado. A Aston Martin deu uma encostada na McLaren no Mundial de Construtores com os resultados de Las Vegas, mas em Abu Dhabi os 'verdes' nem de longe chegaram perto dos 'laranjas', com o time do feudo de Stroll se conformando mesmo com a quinta posição. Pouco para quem foi a segunda força no começo do ano e sonhou com vitórias. Destaque para a terceira corrida consecutiva decente de Lance Stroll. Muito se especulou que o canadense teria percebido que não tem talento e estofo para ser campeão mundial e por isso Lance estaria para sair da F1, mas os recentes bons resultados, como a décima posição desse domingo após um último stint bem forte, aplacou essas especulações, mas não se pode negar que há um verdadeiro abismo entre os pilotos da Aston Martin.


Após conseguir sua melhor posição de grid na F1, Yuki Tsunoda fez uma bela corrida, liderou uma prova pela primeira vez na carreira e a primeira de um nipônico desde Takuma Sato, e com um oitavo lugar garantiu bons pontos para a Alpha Tauri, que deverá mudar de nome no final desse ano. A equipe filial da Red Bull conseguiu uma bela evolução durante o ano e a chegada de Daniel Ricciardo no lugar do decepcionante Nyck de Vries ajudou bastante. No fim, a Alpha Tauri ficou apenas um ponto atrás da Williams, que terminou em sétimo lugar no Mundial de Construtores e não brilhou em Abu Dhabi. Gasly passou o primeiro stint na zona de pontuação, mas o toque levado na traseira por Hamilton estragou o difusor do carro de Pierre e a corrida do gaulês foi por água abaixo. Com Ocon também de fora dos pontos, a Alpine se despede da F1 em 2023 com muita gente esperando bem mais de uma equipe de fábrica tradicional. A Alfa Romeo se despede mais uma vez da F1 com outra corrida medíocre, o mesmo acontecendo com a Haas, que tem uma diferença entre ritmo de classificação e de corrida assustadora.


A corrida em Abu Dhabi foi um belo resumo do que foi a temporada 2023 da F1. Max Verstappen dominou a corrida e a temporada de uma forma nunca antes vista e com o triunfo desse domingo, o neerlandês se isolou como o terceiro maior vencedor da história da F1. Max se tornou inevitável e o que ele fez em 2023 entrou para a história da F1, mesmo que a categoria não lembrará com muita saudade dessa temporada, que em boa parte foi modorrenta, como a corrida de hoje.  

sábado, 25 de novembro de 2023

Jogo de esconde


 Os treinos livres em Abu Dhabi viram constantes e reiteradas reclamações de Max Verstappen sobre o comportamento do já mítico Red Bull RB19, tanto que o neerlandês não liderou nenhuma sessão em que esteve presente, lembrando que a Red Bull entregou seus carros a dois novatos no TL1. Será que Verstappen teria problemas como em Singapura? Max respondeu de forma ainda mais enfática na classificação. Na hora que valeu, Verstappen massacrou a concorrência como foi de hábito durante as corridas, valendo ao piloto da Red Bull sua décima segunda pole em 2023.

Nas luzes boêmias ao redor do circuito asséptico de Abu Dhabi, a F1 realizou sua derradeira classificação com muita gente reclamando da falta de tempo em pista, pois o TL1 viu metade do grid no pit-wall, vendo os novatos ganharem alguma experiência com um carro de F1, enquanto no TL2 duas bandeiras vermelhas fizeram com que os pilotos contassem, em média, com cinco voltas rápidas apenas. O TL3 foi mais normal, mas num clima bem distinto da classificação e da corrida. Os famigerados 'track limits' deram as caras e estragaram o treino de Logan Sargeant, que ficou sem tempo e terminou 2023 invicto: ele foi derrotado em todas as corridas por Alexander Albon em classificação. Porém, a maior surpresa foi ver Carlos Sainz ficando no Q1. Uma das vítimas da sexta-feira emiradense, Sainz tinha um carro claramente desequilibrado e soltado na pista no meio do trânsito, Sainz ficou pelo caminho complicando um pouco a situação da Ferrari na luta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores. Porém, Hamilton ficaria no Q2 por muito pouco, num final de semana de pouco brilho do inglês, equilibrando um pouco essa disputa.

Russell liderou o TL1 e o TL3, mas na Classificação Verstappen matou à tapa, fazendo até mesmo que os demais pilotos resolvessem guardar pneus novos para a corrida. Leclerc não brilhou no TL3 e também reclamou do comportamento de sua Ferrari, mas acertou na última volta do Q3 e ficou com a primeira fila. Norris vinha muito rápido, mas errou em sua tentativa final (e dando uma bela salvada por sinal) e acabou superado por Piastri, no entanto, o jovem australiano foi notificado de uma irregularidade durante a classificação. Pérez fazia outra classificação opaca e como desgraça pouca é bobagem, o mexicano teve sua volta cancelada. Dois anos depois de seu título ali mesmo em Abu Dhabi na famosa e polêmica decisão de 21, Verstappen tem tudo para se despedir da sua laureada temporada 2023 da forma como o neerlandês se acostumou: vencendo. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Figura(LAS): Charles Leclerc

 Charles Leclerc conseguir uma pole na F1 já deixou de ser uma novidade. Com o melhor tempo em Las Vegas, Leclerc conseguiu a sua 23º pole na F1, se igualando à Niki Lauda como o segundo piloto com mais poles correndo pela Ferrari. Porém, Charles tem apenas cinco vitórias na carreira, muito pelo problema da Ferrari em consumir em demasia seus pneus e como consequência, o ritmo de corrida ferrarista é bem abaixo do potencial mostrado nas classificações. No entanto, Leclerc conseguiu se manter um ritmo decente com pneus médios a ponto de atacar e ultrapassar a Red Bull de Max Verstappen no primeiro terço de prova, algo inédito em 2023. Mesmo com a Ferrari perdendo rendimento com pneus duros, Leclerc conseguiu andar junto dos dois carros da Red Bull e se não conseguiu segurar o onipresente Max Verstappen, Leclerc conseguiu uma baita ultrapassagem sobre um sorumbático Sergio Pérez na última volta da corrida em Vegas, quebrando a dobradinha da Red Bull. Mesmo mais atrás na classificação de pilotos e vendo seu companheiro de equipe Carlos Sainz à frente e com uma vitória em 2023, Leclerc tem mais potencial para brigar com Verstappen em determinadas oportunidades, só lhe faltando que a Ferrari lhe ajude a construir um carro com menos desgaste de pneus, cujo o frio feito em Las Vegas encobriu um pouco esse problema.

Figurão(LAS): Liberty Media

 O final de semana em Las Vegas era o mais esperado do ano. Pelo menos, para a turma da Liberty Media era. Após mais de quarenta anos de uma passagem nada feliz no estado de Nevada, Las Vegas retornava à F1 numa situação bastante distinta do início da década de 1980. Se Bernie Ecclestone procurava obter popularidade para a F1 nos Estados Unidos de qualquer jeito sem sucesso, o velho dirigente não pôde usufruir em seu tempo do Netflix e de Drive to Suviver, que fez com que o público americano finalmente olhasse para a F1 com menos desdém. A corrida em Las Vegas nada mais era que o ponto culminante da enorme popularidade que a F1 conseguira no lado de cá do Atlântico e por isso essa corrida, a terceira etapa nos Estados Unidos, seria mais do que uma simples prova do calendário da F1: seria O evento. Inclusive, a promotora da corrida era simplesmente a própria Liberty Media. Foi gasto milhões em marketing e purpurina, mas os fãs mais puritanos temiam que o lado esportivo ficasse de lado e logo no primeiro dia do evento os temores vieram à tona. Com menos de dez minutos do primeiro treino livre uma tampa de bueiro saiu do lugar e Carlos Sainz atingiu a pesada peça de ferro, destruindo sua Ferrari num acidente potencialmente perigoso. Com isso, o primeiro treino livre foi cancelado e o segundo só ocorreu com duas horas e meia de atrasado sem público, já que a pista deveria ser entregue às quatro da manhã e simplesmente não haveria tempo para escoar o público a tempo, sem contar que as pessoas que lá trabalhavam viram sua jornada estourar. Numa cena dantesca, as pessoas que pagaram caro e congelaram nas arquibancadas foram retiradas pela polícia em plena madrugada de sexta-feira, com a Liberty tendo um belo processo a ser pago a essas pessoas. O resto do final de semana ocorreu de forma relativamente normal, mas o ocorrido na sexta foi um claro testemunho que antes de promover uma corrida, a Liberty precisa cuidar de algo mais básico, como cuidar da pista para que os carros possam correr com segurança aos pilotos e ao público.