domingo, 16 de maio de 2010

Realidade na ponta


Após seis corridas, a Red Bull finalmente mostra no campeonato de pilotos e construtores toda a sua superioridade que vem mostrando em 2010. Mark Webber confirmou sua ótima fase com uma vitória esmagadora nas ruas de Mônaco, onde não largou a primeira posição em nenhum momento da prova de hoje e assumiu a liderança do campeonato pela primeira vez na carreira, trazendo consigo Sebastian Vettel, que largou bem e também não saiu do segundo posto, garantindo assim a dobradinha da Red Bull, a primeira em 2010 e já sem tempo. Quanto as outras, sobraram apenas as migalhas, sendo que Robert Kubica mostrou que é o melhor piloto do ano ao colocar sua média Renault no pódio mais uma vez.

Como de costume, Monte Carlo não trouxe uma corrida emocionante, mas para o padrão do principado, a corrida foi até animada. Quatro intervenções do safety-car, acidentes e ultrapassagens marcaram a prova de hoje, mas a realidade foi que dos cinco primeiros colocados, apenas Vettel trocou de lugar com Kubica na largada e as demais posições permaneceram as mesmas. Era isso que precisava Mark Webber. O australiano foi impecável na corrida de hoje e não foi ameaçado em nenhum momento da corrida, seja na largada, seja nas paradas ou até mesmo nas oportunidades em que Bernd Maylander entrou com seu belo Mercedes na pista para segurar os carros em bandeira amarela. Webber dominou a corrida monegasca como poucas vezes vista na casa dos Rainier e o australiano, numa fase iluminada, entrou no embalo que pode lhe dar um título que talvez nem Webber, prestes a completar 34 anos e com nove anos de experiência na F1, esperasse. Sebastian Vettel, queridinho da Red Bull, pareceu ter sentido o baque e não parece não ter condições no momento de derrubar seu companheiro de equipe. O alemão ainda largou bem e tomou o lugar de Robert Kubica na largada, mas via Webber se distanciar volta após volta. Mesmo empatado em pontos com Webber, Vettel precisa de uma reação urgente, caso queira entrar em vantagem na briga com Mark Webber na briga pelo título, que se encaminha para uma disputa interna dentro do seio da Red Bull.

Qualquer que fosse o resultado de Robert Kubica na corrida, o polonês já tinha feito muito em Mônaco. Kubica está levando, literalmente, seu Renault a resultados em que o potencial do carro nem de longe poderia sonhar. Nem Alonso, que se vestia de amarelo nas duas últimas temporadas, fez o mesmo que Kubica pela Renault. E olha que o espanhol fez muito! Apesar de ter perdido sua posição na largada, mesmo com o bico do seu carro apontado para dentro, Kubica não se desesperou em nenhum momento e acompanhou de perto Vettel, nunca deixando que Massa o pressionasse em demasia. É por essas e outras que Kubica vê seu nome ventilado nas grandes equipes e a cada dia que passa, fica impossível quem um time de ponta não enxergue o enorme talento de Robert Kubica. A comparação com Kubica chega a ser cruel com Vitaly Petrov, pois o russo prova que não é um mal piloto, mas que apenas acompanha o real potencial da Renault. Petrov abandonou no finalzinho da corrida, sendo que ele teve sua prova comprometida com um pneu furado, mas a Renault não tem do que reclamar deste domingo, pois o pódio foi todo ocupado com seus motores.

Felipe Massa fez o feijão-com-arroz neste domingo e apenas fez o necessário para levar sua Ferrari ao lugar em que largou. Mesmo ganhando tres posições no campeonato, Massa fez uma corrida burocrática, onde andou rápido, mas se corrida tivesse mais quatro horas de duração, dificilmente sairia da posição que estava. Felipe ainda não fez uma corrida em que foi destaque, enquanto que seus teóricos adversários pelo cockpit da Ferrari em 2011 fazem ótimas corridas. Fernando Alonso diminuiu bastante o prejuízo de ter largado nos boxes com uma estratégia ousada, mas ao mesmo tempo inteligente da Ferrari. Com o safety-car logo na primeira volta, Alonso calçou os pneus mais duros e com eles foi até o fim da prova, pois sabia que o resto do pelotão teria que parar obrigatoriamente pelo menos uma vez. Enquanto os demais não faziam sua obrigação, Alonso ultrapassava os pilotos das equipes menores, inclusive uma antológica sobre Heikki Kovalainen na chicane do porto, por fora. Ok, o finlandês tinha uma Lotus, mas alguém lembra de uma manobra parecida. Graças a estratégia em sexto, Alonso caminhava calmamente rumo aos importante pontos, quando foi ultrapassado de forma sensacional por Michael Schumacher na última curva, com a luz verde claramente estampada na sua cara. O espanhol ultrapassou, se aprovetou da estratégia, não viu os líderes dispararem, Felipe Massa não se aproximou dele no campeonato, mas essa ultrapassagem levada de Schumacher deve ter doído para Alonso!

Lewis Hamilton vive o drama de ter sempre que economizar seu carro para chegar ao final. Notório pela sua agressividade, Hamilton recebeu a 'chamada' do seu engenheiro ainda na metade da prova para diminuir seu ritmo e resguardar seus freios, pois a essa altura os breques da McLaren já pediam água. O resultado foi um 5º lugar opaco do inglês, onde Hamilton esteve longe de mostrar algo de bom no final de semana monegasco, algo parecido com Button, que largou mal e quebrou o motor na segunda volta. Motivo? A ultra-profissional McLaren se esqueceu de tirar uma peça que ajudava na refrigeração do motor com o carro parado. Com o carro andando, essa mesma peça só serviu para efeito contrário e o motor Mercedes do atual campeão literalmente cozinhou. E adeus liderança do campeonato. A equipe oficial da fábrica vive a situação de, após ter conquistado o campeonato do ano passado se chamando Brawn, fica cada vez mais para atrás e agora dá para dizer que é a quarta força do campeonato, apesar da linda manobra de Schumacher no final. O alemão superou Rosberg na largada e passou a corrida inteira atrás da Ferrari de Alonso. Vide o que aconteceu em 2005, quando ultrapassou Barrichello na última volta, todos sabiam que Schumacher poderia fazer algo. E o fez quando ninguém esperava. Alonso relaxou e Schumacher pôs por dentro. Estará o heptacampeão de volta?

Rosberg caiu ainda mais no campeonato onde chegou a ser vice e ainda enxerga o crescimento do seu companheiro de equipe, onde superava com certa facilidade no início do campeonato. Nico ainda tentou algo quando retardou sua parada, mas o alemão não teve dicernimento para ir logo aos boxes quando teve Mark Webber, que havia acabado de sair dos boxes, na sua frente. A Force India colocou seus dois carros pela primeira vez nos pontos, com Sutil acabando por superar Liuzzi durante as paradas, mas essa é a mais pura realidade, pois o alemão vem sendo a alma da equipe em 2010. Logo atrás, vieram a Toro Rosso, com Buemi e Alguersuari esperando que alguém a sua frente abandonasse e eles pudessem capitalizar o problema e ganhar algum ponto. Isso nunca aconteceu e quando a Red Bull constrói o melhor carro do ano, a Toro Rosso resolve fazer um carro pra si... Sauber e Williams não viram a bandeirada, sendo que a segunda ainda teve o prejuízo de ver seus dois carros destruídos em acidentes e protagonistas de duas entradas de safety-car. Se Rubens Barrichello não teve culpa pelo aparente problema de suspensão que o fez perder o controle do carro, após uma ótima largada que o fez andar na frente das duas Mercedes no início da prova, Nico Hulkenberg terá que explicar o motivo de ter batido sozinho no túnel. As novatas, pela primeira vez no ano, não conseguiu ver nenhum dos seus carros ir até o final por variados motivos. A Virgin de Lucas de Grassi, a Lotus de Heikki Kovalainen e a Hispania de Bruno Senna saíram com problemas mecânicos, enquanto Timo Glock bateu no guard-rail e Karun Chandhok e Jarno Trulli protagonizaram o acidente mais espetacular do ano, quando, faltando quatro voltas, se enrroscaram na Rascasse e o Lotus de Trulli voou em cima da Hispania de Chandhok, com o capacete do indiano sendo atingido pelo carro do italiano. Foi um acidente perigoso e que ocorre bem na frente dos líderes, causando o fim da corrida atrás do safety-car.

A comemoração da Red Bull tem muito a ver que Mônaco não seria, em teoria, a pista favorita para um carro que funciona muito bem em curvas de alta. A dobradinha em Mônaco serve para mostrar que Adryan Newey construiu um carro excelente e que ainda conta com dois pilotos que fazem mesmo a diferença quando algo precisa ser feito para se conseguir a vitória. Enquanto as adversárias quebram a cabeça tentando tirar a diferença para a Red Bull, agora a equipe austríaca aparece na liderança dos dois campeonato e com a perspectiva de que não sairá mais de lá. Foram corridas tumultuadas na Ásia, mas quando a F1 chegou à Europa, a realidade veio a tona.

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