quinta-feira, 20 de outubro de 2011

História: 20 anos do Grande Prêmio do Japão de 1991

O circuito de Suzuka era relativamente novo no calendário da F1, mas já tinha alguma tradição na categoria por momentos marcantes e uma característica interessante. Mesmo colocado como penúltima etapa do campeonato, Suzuka foi palco das quatro últimas da F1, cada uma com um toque de dramaticidade. O acidente de Mansell, a má largada de Senna, a polêmica de 1989 e o revide no ano seguinte garantiram os títulos de Piquet, Prost e Senna. Outro fato foi que todos esses pilotos usavam motores Honda, dona do circuito, e em três oportunidades o Brasil saiu do Japão com a taça na mão. E parecia que isso se repetiria em 1991, com Senna praticamente tricampeão numa de suas pistas favoritas. Nigel Mansell tinha salvo o primeiro match point em Barcelona, mas o inglês tinha um incomum azar em Suzuka.

O final de semana também marcava o retorno de Bertrand Gachot após seu tempo na prisão, mas o belga estava desempregado e dificilmente acharia um lugar na F1 naquele momento. O piloto que o substituiu na Jordan, agora na Benetton, Michael Schumacher mostrava uma enorme velocidade, mas o alemão acabou batendo forte na saída da curva 130R, mostrando que o local poderia ser um local bastante perigoso. Corroborado em seguida pelo forte acidente de Eric Bernard, que bateu no mesmo local de Schumacher, mas com conseqüências. O francês ainda conseguiu sair do seu Lola, mas Bernard não conseguia dar mais nenhum um passo. O socorro foi rápido e Eric Bernard tinha quebrado o tornozelo, ficando de fora da corrida e do resto da temporada. E Gachot acabaria achando um lugar ao substituir Bernard na corrida seguinte na Austrália...

O clima inconstante no Japão trouxe chuva nos treinos, atrapalhando os preparativos para o momento decisivo, que seria a largada. Nigel Mansell já tinha avisado que não deixaria Senna o colocar para fora da corrida como em 1990, mas o inglês estava correndo sozinho contra a dupla da McLaren. Com Berger longe de fazer uma boa temporada, o austríaco não tinha nada a perder e a McLaren começou a usá-lo como escudeiro de Senna. Como havia acontecido nas duas últimas corridas, Berger superou Senna na classificação e o brasileiro conseguia seu grande objetivo, que era ficar à frente de Mansell. Provando o quanto Mansell andava praticamente sozinho, Patrese largava apenas em quinto, quase 2s mais lento que os líderes. Apesar do seu acidente, Schumacher superava mais uma vez Piquet, que havia anunciado que se aposentaria no final da temporada.

Grid:
1) Berger(McLaren) – 1:34.700
2) Senna(McLaren) – 1:34.898
3) Mansell(Williams) – 1:34.922
4) Prost(Ferrari) – 1:36.670
5) Patrese(Williams) – 1:36.882
6) Alesi(Ferrari) – 1:37.140
7) Martini(Minardi) – 1:38.154
8) Morbidelli(Minardi) – 1:38.248
9) Schumacher(Benetton) – 1:38.363
10) Piquet(Benetton) – 1:38.614

O dia 20 de outubro de 1991 estava ensolarado em Suzuka e o tempo estava perfeito para uma decisão de campeonato. Mansell precisava vencer, enquanto para Senna um terceiro lugar bastava para garantir o tri. Todos temiam por uma decisão marcada por acidentes como já havia acontecido nos dois anos anteriores, mas mesmo não sendo os melhores amigos, Senna e Mansell não tinham tantos motivos assim para se meterem numa confusão e a largada foi absolutamente normal, com os três primeiros disparando na frente, com Patrese ultrapassando Prost para ficar em quarto.

Porém, o italiano estava tão fora de ritmo que ele não conseguia se aproximar do companheiro de equipe e o ajudar a atacar Senna. A tática da McLaren era clara desde as primeiras voltas. Berger seria o ‘coelho’, correndo sozinho e disparando, enervando ainda mais Mansell, que com o terceiro lugar perdia o campeonato. Senna fazia as vezes de escudo, segurando Mansell e o deixando ainda mais ansioso. Correndo em casa, a Honda produziu um ótimo motor para a McLaren e o pacote Williams-Renault, o melhor nas últimas corridas, não mostrava a mesma potência. Berger disparava, Senna parecia andar num ritmo aquém do esperado e Mansell parecia cada vez mais desesperado. No pelotão de trás, um múltiplo acidente fez com que De Cesaris, J.J. Lehto, Emanuelle Pirro e Karl Wendlinger abandonassem seus carros na entrada da reta dos boxes.

Mansell não era conhecido por ser dos pilotos mais pacientes e com as parcas chances de título se diluindo pelas mãos, o inglês começava a tentar um jeito de ultrapassar Senna. E logo na primeira tentativa, o campeonato foi decidido. Na abertura da décima volta, Mansell tentou uma manobra na capciosa curva um, mas Senna manteve seu traçado, cortando o ar na frente da Williams de Mansell. Sem pressão aerodinâmica o suficiente para fazer a rápida curva à direita, Mansell colocou as rodas da esquerda na areia e perdeu o controle do seu carro. A Williams entrou definitivamente na caixa de areia e mesmo com Mansell acelerando seu carro, ninguém poderia o tirar dali. Senna era tricampeão mundial de F1!

A partir de então, a corrida perdeu a graça e Senna partiu em busca de uma vitória consagradora para adocicar ainda mais seu título. Sabendo que Berger estava com os pneus em frangalhos após forçar no início da corrida para lhe ajudar, Senna aumentou seu ritmo e ultrapassou Berger com facilidade em menos de dez voltas. As duas McLarens dominavam a corrida e então Ron Dennis entrou no rádio para que Senna desistisse da vitória e a cedesse para Berger, que ainda não tinha vencido em 1991 e havia ajudado bastante a McLaren. Era uma espécie de homenagem a Berger, mas Senna não queria deixar Berger passar de jeito nenhum e Dennis teve que passar um bom tempo tentando convencer Senna a fazer a manobra. Mesmo querendo vencer o título com uma vitória, Senna deixou a vitória para Berger na última curva, fazendo com que Galvão Bueno soltasse o famoso ‘Eu sabia, eu sabia!’. Berger vencia pela primeira vez no ano e Senna se consagrava como um dos grandes da história do automobilismo. Porém, ao invés de curtir o momento, Senna preferiu atacar Balestre na coletiva de imprensa. Seria hora para tanto rancor? O que ninguém sabia naquele momento era que a incrível fase de Senna estava terminando naquele momento, com a Williams cada vez melhor derrotando o brasileiro nos anos seguintes. Outra fase que terminava era o período dourado do automobilismo brasileiro. Dois dias após comemorar os dez anos do primeiro título de Piquet, Senna dava ao Brasil seu sexto título em um curto período de tempo, mas também o último até o momento. E pelo jeito, será assim ainda por muito tempo!

Chegada:
1) Berger
2) Senna
3) Patrese
4) Prost
5) Brundle
6) Modena

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