quarta-feira, 13 de maio de 2015

Começo de tudo

E tudo começou há 65 anos atrás no aeródromo de Silverstone, com presença real e tudo. Filme colorido mostra algumas imagens da corrida inaugural vencida por Giuseppe 'Nino' Farina.

Panca dessa semana

Durante os treinos para as 500 Milhas de Indianápolis de hoje, que dura praticamente todo o mês de maio, Helio Castroneves teve o susto da sua vida no palco de seus maiores triunfos. Apesar da imagem, ficou claro que o impacto não tinha sido muito forte e Helio já está preparando o carro reserva para o prosseguimento dos treinos...


História: 25 anos do Grande Prêmio de San Marino de 1990

A temporada de 1990 chegava ao seu berço, na Europa, e com isso várias equipes, que participaram com carros da temporada anterior nas duas primeiras corridas do ano na América, traziam seus novos carros para Ímola, local onde a Ferrari trazia um carro modificado para o início da temporada europeia de 1990, assim como a Benetton trazia seu novo carro. Quase vinte anos após se aposentar da F1, a lenda Jack Brabham entrava na equipe que levava seu nome com a ascensão do seu filho David na equipe Brabham. Já o outro filho de Brabham, Gary, abandonou a barca furada chamada Life, que trouxe o experiente Bruno Giacomelli para correr em Ímola. Durante os treinos, o italiano pagou o mico de fazer a volta mais lenta da história da F1. Com o carro preso na terceira marcha, Giacomelli completou os 5.040m do circuito Enzo e Dino Ferrari em sete minutos (!), com uma média de 22 km/h...

Lá na frente, Ayrton Senna dava o seu tradicional show na classificação ao conseguir sua 44º pole na carreira, com Gerhard Berger completando a primeira fila, mostrando o ótima fase da McLaren, Na segunda fila, domínio completo da Williams, com a Ferrari sofrendo em encontrar um bom acerto para o novo pacote lançando em Ímola. Mesmo Mansell cometendo vários erros na classificação, o Leão superou Prost, que esperava fazer outra corrida de espera, como em Interlagos, onde surpreendeu e derrotou as McLarens. A nova Benetton mostrava bom potencial, mas Nannini acabou destruindo um dos carros ao bater forte na curva Gilles Villeneuve, mas o pior acidente foi de Pierluigi Martini, que quebrou o tornozelo após bater forte seu Minardi e obviamente ficou de fora do resto do final de semana.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:23.220
2) Berger (McLaren) - 1:23.781
3) Patrese (Williams) - 1:24.444
4) Boutsen (Williams) - 1:25.039
5) Mansell (Ferrari) - 1:25.095
6) Prost (Ferrari) - 1:25.179
7) Alesi (Tyrrell) - 1:25.230
8) Piquet (Benetton) - 1:25.761
9) Nannini (Benetton) - 1:26.042
10) Warwick (Lotus) - 1:26.682

O dia 13 de maio de 1990 estava ensolarado em Ímola, num clima primaveril na Itália, onde deixava o ambiente bastante agradável para pilotos e torcida, que como sempre, lotava as velhas instalações de Ímola para torcer para a Ferrari. Na transmissão da Globo, apenas Reginaldo Leme estava na Itália, enquanto Galvão ficava no Brasil, pois ambos já não se falavam e essa falta de entrosamento ficou clara na largada. Ainda revoltado com a FISA, Galvão 'enxergou' uma queima geral na largada, onde todos foram induzidos por Berger na primeira fila. Quando Reginaldo entrou diretamente da Itália, o comentarista negou enfaticamente a desconfiança de Galvão. O clima não era muito bom... mas voltando à corrida, a verdade foi que Berger largou bem, mas não tomou a ponta de Senna. Quando o bolo de carros passava pela Tamburello, que um ano antes viu Berger arder em chamas, Mansell saiu um pouco da pista e a poeira levantada fez com que boa parte do grid ficasse cega por um momento.  Capelli roda e sem ver nada, Nakajima atinge o italiano em cheio, mas felizmente ambos estavam bem. Alguns metros mais à frente, Martin Donnelly roda na curva Tosa e milagrosamente ninguém bate no inglês. 

Com tantos problemas, ninguém percebeu Boutsen ultrapassando Berger pelo segundo lugar e a ótima largada de Alesi, que ficou à frente das duas Ferraris. Para piorar as coisas, Piquet ultrapassa Prost na segunda volta, deixando o francês apenas em oitavo. O carro da Benetton mostrava-se muito equilibrado, principalmente nas curvas, diminuindo a desvantagem do motor Ford V8. Lá na frente, Senna liderava soberano, aumentando a vantagem para Boutsen, mas ainda na terceira volta, o brasileiro tem uma roda traseira quebrada e sai da pista na Rivazza, abandonando prematuramente em Ímola, local onde Senna sempre andou bem. Boutsen assumia a ponta, com Berger logo atrás. Mansell não perde muito tempo atrás de Alesi e ultrapassa o francês da Tyrrell ainda na volta quatro e para delírio dos tifosi, Piquet vai aos boxes por causa de um pneu furado. Da mesma forma de Senna, Piquet colheu destroços do carro de Nakajima na Tamburello. Sem Senna, a corrida fica emocionante, com os seis primeiros colocados andando juntos. Na ordem: Boutsen, Berger, Patrese, Mansell, Prost e Nannini. Em tempos que o pit-stop já eram realizados rapidamente e não havia limite de velocidade nos boxes, Piquet retornou à pista em 12º e logo fazia uma boa corrida de recuperação, subindo para 8º em apenas cinco voltas!

Porém, Piquet logo subiria para sétimo devido a um abandono surpreendente. Boutsen liderava de forma tranquila, quando na volta 18 uma fumaça branca saía atrás do seu Williams e o belga teve que ir aos boxes, apenas para constatar que o seu motor Renault havia explodido e era fim de prova para o belga, enquanto Piquet já entrava na zona de pontuação ao ultrapassar Alesi. Agora quem liderava a prova era Berger, mas o austríaco não forçava sua McLaren, tentando levar a corrida inteira sem trocar pneus, fazendo com que a corrida fosse muito equilibrada. Mansell, ao seu estilo, pressionava Patrese e na volta 22, na freada da curva Tosa, o inglês assumia o segundo lugar, para deleite dos torcedores italianos. Os pilotos da frente já chegavam nos retardatários e Mansell levou um susto quando tocou na Dallara de Andrea de Cesaris, após ser fechado pelo italiano. Era o velho 'De Crasheris' em estado puro! Para sorte de Mansell, quem acabou ficando de fora da corrida foi o italiano, enquanto o inglês começava a se aproximar de Berger para brigar pela ponta. Fazendo uma corrida discreta até então, Prost tenta mudar sua estratégia ao colocar pneus novos, mas o francês ainda retorna na frente de Piquet, em quinto.

Berger e Mansell eram considerados dois dos pilotos mais agressivos da F1 no começo da década de 90 e havia um expectativa de como seria uma briga pela ponta entre os dois. A resposta veio na volta 33. Mansell tirava tudo da sua Ferrari, mesmo uma luz de alerta do seu motor estar piscando no cockpit do seu carro e uma insistente fumacinha branca sair da traseira da Ferrari do inglês. Mansell saiu colado em Berger da Tamburello e tenta colocar de lado, mas o austríaco da McLaren não tem pudores em fechar a porta e Mansell vai para a grama, rodando espetacularmente, mas de forma ainda mais espetacular, Nigel consegue controlar seu carro e permanece em segundo. Porém, esse entrevero entre Mansell e Berger faria com que os dois trocassem farpas após a corrida e teria outros desdobramentos durante o campeonato. Para tristeza de quem gosta de corrida e dos torcedores da Ferrari, o motor de Mansell finalmente se entrega na volta 38, fazendo com que Patrese assumisse a segunda posição, logo atrás de Berger. Riccardo Patrese sempre andava bem em Ímola e já esteve próximo de vencer no circuito onde conhece tão bem.

Berger se aproxima de leva grande de retardatários e acaba se atrapalhando, fazendo com que Patrese colasse em sua traseira. Na volta 50, o italiano da Williams se aproveita de um vacilo de Berger e toma a liderança, faltando menos de dez voltas para o fim. Com pneus mais novos que boa parte do pelotão, Prost se aproxima rapidamente de Nannini, que solidamente e comendo pelas beiradas, já estava em terceiro. O francês tentou a ultrapassagem nas últimas voltas, mas teve que se conformar mesmo com o quarto lugar. Nas voltas finais, mostrando que tinha conservado bem seu carro e os pneus, Patrese abriu uma vantagem confortável para Berger e vencia pela terceira vez na F1, a primeira depois de sete anos. Berger chegava em segundo, mas a opinião geral era que o austríaco tinha desperdiçado uma chance de ouro para vencer, com o abandono de Senna no começo da corrida. Piquet fica mesmo em quinto e Alesi completava a zona de pontuação. Aquela vitória era bastante especial para Patrese, não apenas por ter colocado fim a um jejum de sete anos, mas pelo o que tinha acontecido em Ímola, também em 1983. Patrese brigava com a Ferrari de Patrick Tambay pela ponta da prova e nas voltas finais, após ultrapassar o francês, Patrese batia seu Brabham na curva Acqua Minerale. E via a sua torcida vibrar com o seu infortúnio, já que o vencedor seria uma Ferrari. Aquilo machucou bastante o coração do gente boa Patrese, mas em 1990 ele viu a mesma torcida que vibrou com o seu triste abandono sete anos antes, vibrar com sua vitória.

Chegada:
1) Patrese
2) Berger
3) Nannini
4) Prost
5) Piquet
6) Alesi

terça-feira, 12 de maio de 2015

Panca da semana

Essa semana assisti, pela primeira vez na íntegra, uma corrida da F-E. Antes de falar do acidente de Bruno Senna, vou dizer algumas palavras sobre a categoria. A F-E tem uma proposta de categoria limpa e sem maiores custos, tanto que corre apenas em circuitos de ruas muito curtos e a programação se resume a um dia, apenas. Porém, algumas coisas da F-E me incomodaram bastante, como um DJ ao lado da pista usando uma roupa ridícula ou o 'Power Boost', onde o público define por votação quem são os três pilotos que utilizarão uma potência a mais para ultrapassar. Isso, para mim, tira muito da credibilidade da categoria, pois no lugar de uma corrida, estamos vendo um circo. Porém, o grid é recheado de bons nomes, tanto entre pilotos, como em equipes. A Dams, tradicional equipe francesa de base está lá. A Abt, que tem uma longa parceria com a Audi, também. Vários pilotos de reconhecido talento em outras categorias estão lá, mas me chamou a atenção a quantidade de pilotos renegados da Red Bull. O tão famoso programa de jovens pilotos dos energéticos, que já revelou Vettel, Ricciardo e a atual dupla da Toro Rosso, também pode ser bem cruel, e só em Monte Carlo, haviam cinco pilotos que passaram nas canteras de Helmut Marko: o vencedor da corrida Sebastien Buemi, Scott Speed, Jaime Alguersuari, Jean-Eric Vergne e Antonio Felix da Costa. Apenas Buemi e Felix da Costa ainda tem contrato com a Red Bull, mas suas carreiras na F1 estão completamente descartadas. Vi muita comparação entre as provas de F1 e F-E nas redes sociais, mas a verdade é que a F-E não tem nada de tão emocionante assim, mesmo com uma característica totalmente distinta da F1, onde todo mundo corre com os mesmos carros. Buemi largou na pole, por lá se manteve e só foi pressionado na saída do pit-stop. Detalhe, troca-se de carro, não de pneus ou reabastecimento. Di Grassi largou em segundo, pressionou Buemi depois das paradas e no final foi pressionado fortemente por Piquet Jr durante três voltas, mas manteve o segundo lugar. Nelsinho fez uma notável ultrapassagem sobre Jerome D'Ambrosio (uma de três...) ainda no começo da prova, assumiu o terceiro lugar, pressionou Di Grassi, com quem teve um entrevero durante os treinos, e permaneceu em terceiro. Ou seja, os três primeiros ficaram nas mesmas posições a prova praticamente inteira, resultando numa corridinha sem vergonha. Porém, a F-E tem as costas largas, o presidente da FIA Jean Todt está sempre por lá, sendo que o francês deu uma pequena cornetada na categoria, ao chama-la de bem silenciosa. O barulho me pareceu mais parecido com o de carrinhos de brinquedo e me fez falta o 'ronco' dos motores da F1. Contudo, o momento mais empolgante em Mônaco foi a quase capotagem de Bruno Senna ainda na primeira volta. Utilizando parte do tradicional circuito de rua monegasco, a primeira curva da improvisada pista era ainda mais apertada e os pilotos da F-E produziram a seguinte carambola:


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Figura (ESP): Nico Rosberg

E finalmente Nico Rosberg fez sua estreia na F1 em 2015. Após quatro corridas onde foi massacrado por Lewis Hamilton, Nico chegou à temporada europeia pressionado, pois mesmo tendo o mesmo carro de Hamilton, o piloto que parecia ser o rival de Lewis no campeonato era Sebastian Vettel, com a ascendente Ferrari. Forte psicologicamente, Nico Rosberg sabia mais do que ninguém que uma reviravolta era essencial em Barcelona e o alemão foi impecável em todo o final de semana. Na classificação, Rosberg fez as duas voltas mais rápidas do Q3, acabando com a sequencia de poles de Hamilton, e no domingo, o alemão se recuperou das más largadas em que foi caracterizado no ano passado e ficou com a ponta da corrida na primeira curva. Para melhorar as coisas, Rosberg ainda viu Hamilton largar mal e com Vettel em segundo, com um carro nitidamente mais lento, Nico pôde disparar na ponta, chegando rapidamente a condição de administrar a vantagem que tinha para o segundo colocado, seja ele quem fosse. Com ótima vantagem para Hamilton, Nico Rosberg se tornou o terceiro vencedor diferente em cinco provas nesse campeonato de 2015 e mesmo ainda longe do seu companheiro de equipe no campeonato, Rosberg demonstrou que pode enfrentar Hamilton como ele mesmo fez ano passado e pode impedir que Hamilton possa reinar sem contestação a equipe Mercedes. Habemus campeonato!

Figurão(ESP): McLaren

Após uma corrida promissora de Fernando Alonso no Bahrein, a expectativa da McLaren em Barcelona, casa de Alonso, era que os primeiros pontos poderiam vir na primeira corrida europeia, após três semanas de pesquisas e desenvolvimento do carro, que ganhou uma bela pintura. Porém, o que se viu em Barcelona foi, na verdade, uma involução. Se pelos menos não houve problemas nos motores Honda e seus apetrechos, os carros estiveram longe de mostrar uma velocidade minimamente decente para levar os carros pela primeira vez ao Q3 em 2015. Compartilhando a sétima fila, Alonso e Button tiveram corridas com destino diferentes, mas mesmo assim, bastante problemáticas. Alonso chegou a correr em sétimo, quando foi o último a fazer sua parada, mas quando fez seu pit-stop, um problema nos freios de sua McLaren o fez voltar aos boxes no giro seguinte e quase atropelou os mecânicos, tamanho o problema que Alonso sofria, devido... a uma sobreviseira que entrou em um dos dutos de freio e deixou o espanhol sem freio algum. Um triste abandono na frente da torcida, mas Button, que sequer largou no Oriente Médio devido aos problemas que enfrentou, teve uma corrida, nas palavras do próprio britânico, 'assustadora', com um carro sem aderência, com um comportamento errático nas curvas e bastante lento nas retas. Como resultado, Button terminou a prova na frente apenas dos dois carros da Manor, que mal podem ser chamados de F1. Era esperado que o casamento McLaren-Honda demorasse a dar frutos, mas desempenhos tão ruins assim ainda na quinta etapa já está passando dos limites. Para quem esperava pontuar em casa, Alonso saiu com outra declaração reveladora de Button: dificilmente a McLaren marcará pontos em 2015. 

História: 40 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1975

Duas semanas após o trágico Grande Prêmio da Espanha de 1975 em Montjuich, a F1 se mudava para outro circuito de rua, mas desta vez na sua mais tradicional sede, em Monte Carlo. Temendo pela segurança, o presidente do ACM (Automóvel Clube de Mônaco) Michel Boeri manda reforçar ainda mais os guard-rails ao redor do circuito e limitava o grid para apenas 18 carros, sendo que haviam 26 carros inscritos. Com Rolf Stommelen gravemente ferido no acidente em Montjuich, o veteraníssimo Graham Hill assume o carro da própria equipe, mas o 'Mister Mônaco' fica menos de quatro décimos do 18º colocado durante a classificação do sábado e fica de fora da corrida no domingo. Rodando após forçar demais numa última tentativa no seu antigo quintal de casa, Hill volta aos boxes muito aplaudido pelo público. Aos 46 anos, essa seria a última corrida do inglês bicampeão mundial.

A nova Ferrari 312T tinha impressionado bastante em sua estreia na Espanha, mas como Lauda e Regazzoni bateram na primeira curva, o verdadeiro potencial do carro não tinha sido mostrado ainda. Porém, num circuito de características parecidas, a Ferrari corroborou com a expectativa criada em Montjuich e Lauda marcou sua segunda pole consecutiva, mas surpreendentemente os maiores rivais do austríaco foram os dois carros da Shadow, com Pryce e Jarier sendo os únicos a conseguirem andar a menos de um segundo de Lauda. Bastante confortável com seu Lotus nas ruas do principado, onde havia vencido em 1974, Peterson passava por cima do seu carro antiquado (um projeto de 1970!) e fechava a segunda fila. Regazzoni ficava muito longe do seu companheiro de equipe, enquanto o líder do campeonato Emerson Fittipaldi tinha muitos problemas com a suspensão do seu McLaren durante os treinos.

Grid:
1) Lauda (Ferrari) - 1:26.40
2) Pryce (Shadow) - 1:27.09
3) Jarier (Shadow) - 1:27.25
4) Peterson (Lotus) - 1:27.40
5) Brambilla (March) - 1:27.50
6) Regazzoni (Ferrari) - 1:27.55
7) Scheckter (Tyrrell) - 1:27.58
8) Pace (Brabham) - 1:27.67
9) E.Fittipaldi (McLaren) - 1:27.77
10) Reutemann (Brabham) - 1:27.93

O dia 11 de maio de 1975 amanheceu chuvoso no belo cenário do principado de Mônaco, à margem do Mediterrâneo, e isso seria um desafio extra para os pilotos, que ainda não correram com piso molhado em Monte Carlo até então. Para alívio dos pilotos, ainda traumatizados com todos os acontecimentos na Espanha, a chuva cessou momentos antes da largada, mas estava claro que os pneus utilizados para a ocasião eram os de chuva. Na luz verde, com pista livre e, principalmente, com visão clara à sua frente, Lauda chega tranquilamente na frente na curva St Devote, liderando o pelotão coberto pelo spray dos carros. Jarier permanece em segundo, seguido por Peterson e Brambilla, que passam Pryce por fora. 

A primeira volta é bastante agitada, com Jarier batendo na entrada da curva da Tabacaria e abandonando no local. Alguns metros antes, Pryce tentava se recuperar de sua péssima largada e tenta tomar a posição de Brambilla. Mas quem disse que o 'Gorila de Monza' cederia a posição sem antes uma boa briga? Nas apertadas ruas de Monte Carlo, Pryce e Brambilla tocam rodas e o galês fica na frente. Com seu March danificado, Brambilla vai aos boxes e abandonaria mais tarde pelos toques da primeira volta, que afetaram o a direção do seu March. Regazzoni e Scheckter também se tocam durante a primeira volta e o suíço da Ferrari acaba caindo para 11º. No final do conturbado giro um, Lauda liderava à frente de Peterson, Pryce, Scheckter, Fittipaldi, Pace e Hunt. Com a pista muito escorregadia, os carros andavam na casa 1:48, com Lauda liderando um pelotão de cinco carros, mas na medida em que a pista ia secando, o quarto colocado Scheckter perdia contato com os três primeiros, com Pryce surpreendendo ao andar no mesmo ritmo de Lauda e Peterson com um Shadow danificado pelos toques com Brambilla. O sueco também surpreendia, pois a nova Ferrari 312T era claramente mais equilibrada que o antiquado Lotus 72, mas Peterson tirava a diferença no braço, andando pouco mais de 1s atrás do líder Lauda. Na volta 15, um trilho seco já estava claro no traçado de Mônaco e três voltas depois, o sétimo colocado James Hunt é o primeiro a ir aos boxes colocar pneus slicks. Iniciando uma romaria aos boxes para que todos colocassem os pneus corretos.

Em tempos de pit-stops só ocorrendo em casos emergenciais na F1, o trabalho bom ou ruim nos boxes causava maiores estragos do que atualmente. Dez voltas depois de Hunt inaugurar os pit-stops e a pista ficar definitivamente seca, muita coisa havia mudado lá na frente. Lauda fez sua parada na volta 25 e retornou à pista com a Ferrari realizando um ótimo trabalho, o mesmo não acontecendo com a Lotus na volta seguinte e Peterson perdeu 15s com relação à Lauda. Na volta 19, ainda antes de fazer sua parada, Pryce sai da pista ligeiramente a ponto de danificar mais um pouco seu Shadow, mas o galês retornou à pista, porém ultrapassado por Scheckter e Emerson Fittipaldi, que fazia uma boa corrida de recuperação e 'ultrapassa' Jody nos pits, num péssimo pit-stop da Tyrrell. Na trigésima volta, Lauda liderava com 15s à frente de Emerson, que tinha uma vantagem de 20s sobre Pace, que era seguido por Scheckter, Peterson, Mass, Hunt e Depailler. Por incrível que pareça, Pryce sofre um terceira acidente quando o retardatário John Watson bateu no guard-rail e voltou em cima do galês, que novamente retornava à corrida com seu Shadow ainda mais danificado. Porém, na volta 42 Tom Pryce abandona com seu carro já cansado de tanta pancada! Três voltas antes, Scheckter vai aos boxes pela segunda vez com um pneu furado, entregando o quarto lugar para Peterson. Lauda tinha a corrida nas mãos e aumentava a diferença para Emerson em mais de 20s, enquanto mais atrás, na briga pela quinta posição, Mass, Hunt e Depailler garantiam o entretenimento da corrida, onde os líderes corriam isolados. E mostrava toda a rebeldia de James Hunt!

Na volta 64, Depailler tenta ultrapassar Hunt na apertada curva Mirabeau, mas o inglês resiste a ultrapassagem e acaba indo reto, batendo nas barreiras de pneus. Hunt sai do seu Hesketh furioso, acusando Depailler de tê-lo jogado para fora da pista de forma proposital. Hunt fica na beira da pista, esperando a próxima passagem de Depailler, enquanto seu carro é removido e por isso, um fiscal solicita a Hunt que saísse da pista. No que é respondido com um soco no rosto. Hunt só sossega quando mostra seu punho, demonstrando sua raiva, para Depailler e depois atravessa a pista perigosamente para retornar aos boxes. Hunt e Depailler deixaram de se falar depois desse incidente, mas isso mostrava James Hunt em sua forma pura!

Faltando aproximadamente quinze voltas para o fim e com 25s de vantagem, Lauda tira o pé perigosamente. Avisado pela McLaren, Emerson aumenta o seu ritmo e passa a andar 2s mais rápido do que Lauda. Com a corrida tendo começado com pista molhada, dificilmente as 78 voltas seriam completadas antes das duas horas regulamentares e por isso, era difícil precisar quantas voltas ainda faltavam para o fim. Sem se preocupar com as ameaças de Hunt, Patrick Depailler aumenta o seu ritmo, marca a volta mais rápida da corrida, começa a pressionar Jochen Mass e com isso a dupla se aproxima do quarto colocado Peterson, que já não tinha o mesmo ritmo do começo da prova. Lá na frente, Emerson Fittipaldi tirava tudo de sua McLaren na sua tentativa de chegar na Ferrari de Lauda, mas na volta 72, apenas 7s atrás de Niki, Emerson e todos os demais pilotos são avisados que a corrida terminaria na volta 75. Mesmo sabendo que era praticamente impossível alcançar a Ferrari, Emerson não diminuiu e cruzou a linha de chegada apenas 2.7s atrás do vencedor Niki Lauda. José Carlos Pace terminava em terceiro numa pista que não casava com seu Brabham e após um início de corrida muito bom, Peterson ficou feliz pelos primeiros pontos do ano com o quarto lugar, ainda tendo que tendo que segurar Depailler no final, que ultrapassou Mass nas últimas voltas. Lauda é recebido no pódio pelo gerente da Ferrari, Luca di Montezemolo, e com o potencial do novo carro, o austríaco sabia que o seu campeonato tinha começado ali, em Mônaco.

Chegada:
1) Lauda
2) E.Fittipaldi
3) Pace
4) Peterson
5) Depailler
6) Mass