segunda-feira, 25 de abril de 2022

Figura(EMI): Red Bull

 Após a vitória enfática na Austrália, a Ferrari esperava repetir o sucesso correndo no quintal de sua casa, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari. A festa foi preparada e as arquibancadas estavam repletas de tifosi para comemorar mais uma vitória vermelha em Ímola. Porém, esses mesmos torcedores apaixonados tiveram que ver a rival Red Bull ter um final de semana praticamente perfeito, onde os austríacos só deixaram escapar um ponto, pelo terceiro lugar de Sérgio Pérez na Sprint Race. Foi uma exibição dominante da Red Bull, que conseguiu sua primeira dobradinha desde 2016. Max Verstappen já dera o recado no sábado quando mostrou um melhor trato com os pneus na Sprint Race e mesmo largando muito mal, o neerlandês conseguiu ultrapassar Leclerc no final da prova de cem quilômetros. Já no domingo ocorreu o inverso no apagar das luzes vermelhas e não apenas Verstappen manteve a ponta, como Sérgio Pérez ultrapassou Leclerc para ficar em segundo. O piloto da Ferrari fez o que pôde para ultrapassar o piloto mexicano, mudando tática inclusive, mas acabou rodando sozinho, consolidando o 1-2 da Red Bull, já que Verstappen esteve impecável na frente, marcando todos os pontos possíveis no final de semana. A Ferrari voltou a mostrar força em 2022 e vinha de duas vitórias, mas a Red Bull igualou o número de triunfos na casa dos italianos e se manter a confiabilidade, a Ferrari terá muito mais a lamentar num futuro breve.

Figurão(EMI): Lewis Hamilton

 Sabem aquelas dondocas que são convidadas para uma festa humilde, bem diferente de tudo que estava acostumadas? Ao invés de escargot e caviar, teve que engolir pastelzinho de carne e coxinha. Era assim com Lewis Hamilton no meio do pelotão intermediário nesse domingo em Ímola. Acostumado a lutar por vitórias ou, no mínimo, por um pódio, Hamilton estava completamente deslocado ficando atrás de Lance Stroll num primeiro momento e depois ficando empacado em Pierre Gasly. Para a alegria dos haters, Lewis teve uma corrida patética do início ao fim em Ímola, principalmente quando olhamos no outro lado do boxe da Mercedes e encontramos George Russell chegando num excelente quarto lugar, ocupando o mesmo posto no Mundial de Pilotos. O calvário de Hamilton começou com uma má largada, onde perdeu duas posições, enquanto Russell pulou cinco lugares. Com a pista úmida, ultrapassar não era algo fácil, mas longe de ser impossível, como mostrou o próprio Russell, que efetuou uma bela ultrapassagem sobre Magnussen. Um pit-stop ruim da Mercedes fez Hamilton perder mais uma posição e ao invés de enxergar a traseira da Aston Martin de Stroll, a paisagem de Lewis para o resto da corrida foi a traseira da Alpha Tauri de Gasly, mesmo o DRS estando disponível, Hamilton foi incapaz de ultrapassar o francês pela gloriosa 13º posição (todos ganhariam uma posição com a punição de Ocon). Depois da corrida Hamilton jogou a toalha pelo título, mas se quiser mostrar grandeza mais uma vez, Lewis pode imitar seu ídolo Senna e referência Schumacher. Quando tiveram carros ruins logo após seus títulos, as duas lendas não baixaram os braços e fizeram corridas acima do potencial dos seus carros. No momento, é esse o desafio de Hamilton para 2022 e exibições pífias como a de ontem não o ajuda em nada.

domingo, 24 de abril de 2022

Dia dos touros


Com a Ferrari em ótima fase e correndo em Ímola, reduto ferrarista, era esperado uma bela festa dos tifosi no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, porém, os austríacos da Red Bull acabaram com a festa dos italianos com uma marcante dobradinha e num final de semana praticamente perfeito, a turma de Christian Horner colheu quase 100% dos pontos ofertados nesse final de semana com Sprint Race e vários momentos de pista molhada. Max Verstappen se recuperou do seu infeliz abandono na etapa passada para uma vitória categórica, conquistando um Grand-Chelem, onde largou da pole, liderou todas as voltas rumo à vitória, só faltando a melhor volta, roubada no fim por Charles Leclerc, que cometeu um erro incaracterístico e sequer foi ao pódio após uma briga intensa e que durou a prova toda com Sérgio Pérez, que sem Leclerc para lhe perturbar, completou a dobradinha da Red Bull, com Lando Norris confirmando a rápida recuperação da McLaren com um belo pódio.


Ao contrário do que se dizia antes de iniciar o final de semana, o domingo amanheceu chuvoso e a largada aconteceria com pista molhada, mas longe de estar encharcada, como ocorrera em 2021. A chuva havia parado e mesmo as equipes alertando os pilotos de uma chuva que viria a qualquer momento, ela não deu as caras nas 63 voltas seguintes. Com todos os pilotos largando com pneus intermediários, aconteceu inverso do visto ontem no apagar das luzes vermelhas, quando Max Verstappen perdeu a ponta na largada da Sprint Race para Charles Leclerc, que largara perfeitamente. No domingo, com os tifosi fazendo uma festa maravilhosa nas arquibancadas, Max largou de forma perfeita, trazendo consigo Sérgio Pérez, que não tomou conhecimento da Ferrari patinando em seus lugares no grid tanto com Leclerc, quanto para Sainz. O dia da Ferrari não começava bem e pioraria apenas alguns metros depois. Com Leclerc sendo ultrapassado também por Norris, Sainz se viu brigando com a outra McLaren de Ricciardo na Variante Tamburello, quando houve o toque entre os dois. Numa pista 'old school', Sainz ficou atolado na brita e foi game over para o espanhol, que mesmo com a renovação de contrato anunciado essa semana, continua tendo um 2022 bem abaixo das expectativas. O Safety-Car não mudou muito a situação da corrida, com Verstappen na ponta, seguido à distância por Pérez. Leclerc parecia que teria uma missão bem parecida que Verstappen teve no ano passado, quando teria que enfrentar sozinho uma equipe com um carro tão bom quanto o dele, mas com dois pilotos adversários no páreo. O monegasco ultrapassou Norris rapidamente, encostou em Checo bem no momento em que os pilotos foram aos pits colocar pneus slicks médios, talvez esperando uma chuva que nunca apareceu, mas que em sua grande maioria resistiu bem aos dois terços de prova restantes.


Leclerc chegou a sair na frente de Pérez, mas com pneus frios, foi presa fácil para o mexicano. Enquanto isso, Verstappen se destacava cada vez mais na ponta, não vendo nenhum adversário pela frente. Quer dizer, houve apenas um encontro com um velho rival, mas disso falaremos mais tarde. Verstappen dominou a prova como quis e venceu pela 22º vez na carreira com uma facilidade não esperada por estar correndo 'fora de casa'. Para melhorar o dia da Red Bull e acabar de vez com a giornata da Ferrari, Leclerc tentava novamente se aproximar de Pérez após uma segunda parada dos três primeiros quando atacou demais a zebra na Variante Alta e acabou rodando sozinho. Charles deu um ligeiro toque no muro, mas retornou à pista com a asa dianteira avariada e ao troca-la, saía da zona de pódio. Com pneus macios que havia acabado de trocar, Leclerc ainda ganhou duas posições e tirou o ponto da melhor volta de Verstappen, mas o monegasco não poderá mais cometer erros tão estúpidos como o de hoje, enquanto a Ferrari sai da pista que leva o nome do seu fundador lambendo as feridas de um final de semana que tinha tudo para ser seu e acabou sendo do seu maior adversário desse ano.


Quem se aproveitou dos infortúnios ferraristas foi Lando Norris. O inglês da McLaren fez uma prova bem solitária, mas sólida o suficiente para subir ao pódio e consolidar a recuperação do seu time, que na primeira etapa do ano ficou nas últimas posições. Porém, temos que falar de Daniel Ricciardo. Todos gostam do australiano por sua simpatia e seu alto astral, porém, é inegável que Ricciardo vem fracassando em sua passagem na McLaren, tirando sua vitória em Monza ano passado. Ricciardo bateu em Sainz na primeira curva e caiu para último. Sem ter nada a perder, Daniel passou a ser o termômetro das demais equipes ao ser sempre o primeiro a tentar alguma coisa. Inicialmente Ricciardo inaugurou as visitas aos pits para colocar pneus slicks. Deu certo. Subiu várias posições e quase ultrapassou um sorumbático Hamilton. Depois tentou um diferente ao colocar pneus slicks duros, talvez esperando que os pneus médios dos demais pilotos não durassem até o final e com pista livre, ele conseguisse uma vantagem. Deu com o burro n'água. Tirando os três primeiros, ninguém fez uma segunda parada e Ricciardo ficou isolado na última posição, enquanto seu companheiro de equipe subiu ao pódio. Prestes a completar 33 anos, o bonde da história para Daniel Ricciardo já passou e o australiano não parece ter a motivação suficiente para correr atrás do bonde e vai ficando mais e mais para trás frente aos jovens que vão surgindo na F1, começando pelo próprio colega de boxe, Lando Norris.  


No pelotão intermediário, claro destaque para George Russell. O inglês da Mercedes conseguiu uma largada espetacular, se aproveitando dos toques na sua frente para sair de 11º para 6º e ultrapassou com maestria a Haas de Kevin Magnussen sem ajuda do DRS. Com o erro de Leclerc no fim, Russell terminou num excelente quarto lugar, sendo bastante pressionado por Valtteri Bottas. O detalhe foi que Bottas, que usa o melhor motor da F1 atualmente, tinha à disposição o DRS e mesmo vendo a facilidade que os carros ultrapassavam usando o aparato, o finlandês da Alfa Romeo simplesmente foi incapaz de ultrapassar seu substituto na Mercedes. Mais uma vez Bottas vacilou quando precisou ultrapassar. Pior que Bottas, somente Hamilton. Nas redes sociais os haters se deleitaram com a atuação patética de Lewis Hamilton nesse domingo. O heptacampeão foi incapaz de realizar uma ultrapassagem no dia de hoje, com ou sem DRS, e ao perder duas posições na largada, Hamilton viu seu final de semana virar pó. Foi uma corrida para esquecer, onde não conseguiu ultrapassar o limitado Lance Stroll com pista molhada e quando a Mercedes fez um pit-stop capenga, Lewis perdeu posição para Gasly e ficou empacado atrás do francês na briga pela gloriosa 13º posição. E nem isso Hamilton conseguiu. Está claro que a Mercedes não terá condições de briga contra Red Bull e Ferrari no curto prazo, mas será interessante ver a reação de Hamilton a uma situação nova nessa altura da carreira. Como o próprio inglês já disse, não será a primeira vez que não terá um bom carro nas mãos, mas Hamilton terá que rebolar para repetir 2009 e conseguir pelo menos uma vitória e sair do fundo do poço onde se encontra, quando a única vez que viu Verstappen na corrida foi quando tomou uma humilhante bandeira azul.

Tsunoda fez uma corrida surpreendente na prova de casa da Alpha Tauri e conseguiu um bom sétimo lugar, bem à frente do citado Gasly. A Aston Martin se recuperou dos finais de semanas decepcionantes desse início da campeonato e pontuou com seus dois pilotos, além de ter visto Vettel finalmente fazer uma corrida digna em 2022. A Haas sofreu em ritmo de prova, mas pelo menos Kevin Magnussen garantiu mais alguns pontinhos para o time, enquanto Mick Schumacher vem sendo uma das decepções até aqui. O alemão acabou se assustando com o entrevero entre Sainz e Ricciardo, terminando por sair da pista e ao tocar na lateral de Alonso, destruiu a corrida do espanhol. Schumacher ainda saiu da pista uma vez numa corrida onde esteve longe da zona de pontuação, local em que seu companheiro de equipe já se acostuma a ficar. Mick já tomou uma pancada com a renovação de Sainz, indicando que a Ferrari não conta com ele à médio prazo e o alemão precisa entender que Magnussen é muito melhor do que o atraso de vida chamado Mazepin. A Alpine teve um final de semana horrível, com Ocon ficando bem longe dos pontos e o francês ainda foi punido por quase bater em Hamilton nos boxes, enquanto Alonso abandonou no início da prova. Albon fez outra corrida acima do potencial do carro, onde o anglo-tailandês usou, mais uma vez, muito bem os pneus para subir para 11º, ficando na frente da briga entre Gasly e Hamilton. Já Zhou e Latifi tiveram a felicidade de suas famílias não atrasarem as faturas com suas equipes...


Num final de semana que a Ferrari queria que fosse sua em casa, quem sorriu foi a Red Bull, com uma dobradinha dominante. Mesmo com o decepcionante sexto lugar, Leclerc ainda tem uma folga na liderança do campeonato, mas se a Red Bull manter a pegada (e melhorar a confiabilidade), a Ferrari brevemente terá algo a mais para lamentar do que uma corrida ruim em casa.

Competitividade a toda prova

 


A MotoGP está vivendo um momento único em sua história e que até mesmo em outras categorias top é bastante raro de acontecer. Nas cinco primeiras corridas de 2022, são quatro vencedores diferentes de quatro motos diferentes, mas com uma alternância de desempenhos assombrosa, mostrando uma competitividade impressionante para um campeonato mundial de altíssimo nível. No belo circuito de Portimão, o atual campeão Fabio Quartararo deixou a má fase para trás e venceu de forma categórica em Portugal, com Johan Zarco completando a dobradinha francesa. 

O clima atlântico em Portimão foi decisivo no final de semana lusitano da MotoGP, com a chuva indo e vindo para colocar dúvidas nas equipes e pilotos, porém, a corrida foi inteiramente no seco e isso ajudou Fabio Quartararo a colocar em prática sua tática tantas vezes vistas em 2021. Fabio ainda sofre com a falta de potência da Yamaha nas retas e por isso o talentoso francês precisa garantir vantagem nas partes travadas da pista para não ser alcançado nas retas. E foi assim que Quartararo fez nesse domingo para vencer pela primeira vez como campeão reinante. Logo de cara Fabio largou bem, não tomando conhecimento do pole Zarco e ao ultrapassar Mir, que mesmo numa Suzuki tem praticamente os mesmos problemas (e virtudes) da Yamaha, Quartararo disparou na frente, cortando um dobrado nas partes lenta da pista para não ser engolido por uma moto mais veloz do que a sua Yamaha, que desenvolvia até 12 km/h a menos do que as Ducatis no final da reta dos boxes. Quartararo venceu com categoria e como falado mais cedo, se aproveitou dos infortúnios alheios para assumir a ponta do campeonato, empatado com Alex Rins.

Vencedor da prova passada, Enea Bastianini foi uma vítima do clima e largou mais atrás, porém, o italiano da Gresini não escalava o pelotão como esperado e estava apenas em 11º quando caiu sozinho. Algo parecido que já tinha afligido Aleix Espargaró, vencedor na Argentina para ser apenas 10º na prova seguinte em Austin, onde Bastianini triunfou. Más notícias para Quartararo? O que chama atenção é que a Yamaha atualmente depende única e exclusivamente do francês. Seus demais pilotos decepcionam de forma incrível. Franco Morbidelli, vice-campeão em 2020, faz uma temporada tenebrosa, onde mal consegue marcar pontos, ficando atrás até mesmo de Andrea Doviziozo, tantas vezes vice-campeão, mas apanhando em sua volta à Yamaha e mais uma vez fora do top-10 hoje. Se na Honda há a 'Marquez-dependência', na Yamaha existe hoje uma 'Quartararo-dependência'.

Falando no espanhol, Márquez fez uma prova até de certa forma discreta após sua belíssima corrida em Austin, finalizando em sexto após uma ultrapassagem na volta final sobre seu irmão Alex para se tornar a melhor Honda do dia. E finalizar um dia onde os seis primeiros colocados usavam seis motos diferentes. Após uma largada ruim, Zarco teve paciência para ultrapassar a Suzuki de Mir para completar a dobradinha francesa em Portugal. Paciência que não teve Jack Miller, que mesmo já tendo ultrapassado Mir, escorregou na primeira curva e ainda levou o piloto da Suzuki junto. A batata de Miller dentro da equipe oficial da Ducati está em fogo alto. Isso fez com que Aleix Espargaró se recuperasse da exibição pífia em Austin e retornasse ao pódio com a Aprilia. Largando da última fila após errar a escolha dos pneus na classificação, Alex Rins escalou o pelotão rumo ao quarto lugar e na base da consistência, Rins lidera o campeonato junto de Quartararo, mesmo sem nenhuma vitória. Correndo em casa, Miguel Oliveira carregou sua KTM nas costas e finalizou num bom quinto lugar.

Com tanta alternância entre os pilotos, quem quiser ser campeão da MotoGP em 2022 terá que marcar todos os pontos possíveis num dia bom, além de mitigar o prejuízo em dias ruins. Por sinal, todos os vitoriosos estão tendo dias ruins na corrida seguinte, mas a pista de Jerez, palco da próxima etapa já na semana que vem, é um território da Yamaha e Quartararo sempre anda bem na pista andaluz. Poderia ser esse o momento de Fabio quebrar essa insana competitividade da MotoGP 2022?  

sábado, 23 de abril de 2022

Emoção fake

 


Com cinquenta anos de experiência na F1, logo no começo da Sprint Race desse sábado Reginaldo Leme deu a dica do que seria visto nos cem quilômetros de mini-prova: desse jeito, o DRS está deixando as ultrapassagens com artificialismo demais. A prova que definiu o grid para a prova de amanhã em Ímola foi cheia de ultrapassagens e para os gritos de Sergio Maurício, bastante emocionante. Será mesmo?

Para quem acompanha o blog sabe da minha opinião sobre o DRS. Os cultuados anos 1980 da F1 foram marcados pela Era Turbo e, sim, havia ajuda para realizar ultrapassagens já naquela época. Bastava aumentar a pressão do turbo para ultrapassar o adversário. Porém, isso estava nas mãos do piloto e numa época em que a confiabilidade não chegava a 20% da atual, os pilotos de então sabiam o resultado de ficar muito tempo com a pressão do turbo lá no alto. Em breve, ele enxergaria uma densa fumaça branca nos seus retrovisores. Portanto Piquet, Prost, Mansell, Senna e todos os grandes daquela época sabiam das consequências se apertasse demais o botãozinho mágico, mas nem por isso deixavam de usá-lo. O grande problema atual é a regra do uso DRS. Permitir o piloto usar o DRS apenas numa determinada posição da pista e se estiver a menos de 1s do rival causa a impressão deixada por Reginaldo Leme e ficou excessivamente clara numa pista que é notoriamente de difícil ultrapassagem. Com os carros feitos para andarem próximos uns dos outros, ultrapassar deixou de ser algo desafiante, mas uma mera questão estratégica, onde o atacado fica sem ter o que fazer. O piloto da frente fica, literalmente, de mãos atadas.

A regra existe faz mais de dez anos e sempre foi muito criticada pelos fãs mais puristas, mas com os novos carros a F1 precisa de uma reflexão sobre o DRS e da forma como é utilizada. Sempre defendi que a forma como a Indy usa o Push-to-pass, o seu 'DRS', é a mais inteligente. No começo da corrida os pilotos tem à disposição uma certa quantidade de 'Pushs' para usar quando, onde e como quiser durante a corrida. Como na F1 dos anos 1980, tudo fica na mão dos pilotos Uma regra mais justa, na visão desse humilde escriba. A F1 deveria imitar a Indy? Aumentar o range de um para dois segundos para usar o DRS? Eliminar de vez o aparato? O certo é que a F1 precisa rever provas como a Sprint de hoje, vencida por Max Verstappen ao cuidar melhor dos pneus após ser ultrapassado por Leclerc na largada, perseguir a Ferrari a uma distância segura para não superaquecer pneus e quando ficou menos de um segundo de Leclerc...  

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Figura(AUS): Charles Leclerc

 O próprio monegasco já tinha admitido que não gostava muito da pista de Melbourne, contudo, com o melhor carro do pelotão, como Leclerc poderia deixar escapar a chance de dominar? A Ferrari dominou o final de semana australiano de forma tão enfática como nos gloriosos tempos de Michael Schumacher e mesmo estando bem longe dos louros do alemão, Leclerc teve um final de semana em que Michael assinaria. Mesmo não gostando da pista, Leclerc nunca saiu do rol dos favoritos e mesmo com a Red Bull pressionando e até mesmo Carlos Sainz andando bem nos treinos livres, Charles conseguiu uma pole enfática no último momento. Enquanto Sainz teve seus problemas no Q3 e pisou na bola no pouco tempo em que esteve na pista no domingo, Leclerc administrou a vantagem sobre Max Verstappen andando em média meio segundo mais rápido e tudo ficou ainda mais fácil quando o neerlandês viu seu motor Red Bull falhar. Sem muito com o que se preocupar, Leclerc levou o carro para a vitória, a segunda em três corridas e uma liderança mais do que confortável no campeonato. Leclerc olha de lado e vê a Mercedes sofrendo com um carro de dificilíssimo acerto, um companheiro de equipe titubeante nesse início e uma Red Bull com sérios problemas de confiabilidade. O resultado é que Leclerc já é grande favorito ao título mesmo com o campeonato ainda em seu início. 

Figurão(AUS): Aston Martin

 A mistura é tão capciosa, que chega a impressionar como uma equipe tão promissora chegou à uma situação como essa. Dentro desse caldeirão chamado Aston Martin em 2022, há um dono de equipe que obteve muito sucesso fora das pistas e está impaciente para repetir o mesmo padrão na F1, um piloto fraquíssimo, que por ser filho do dono dessa equipe é intocável e por último, um piloto em franca decadência e em má fase fazem quase quatro anos. Lawrence Stroll é apaixonado por corridas e extremamente bem sucedido em praticamente tudo em que se envolveu, porém, o canadense crê que seu rebento seja um piloto de sucesso e por isso, investe tubos de dinheiro numa equipe que até pouco tempo atrás de chamava Force India e com uma gestão melhor, tinha tudo para crescer. Quando Lawrence entrou no time, havia a esperança de que o time conseguiria seu norte, mas Stroll faz questão que Lance esteja no time. E isso é um handicap enorme. Lance Stroll já conseguiu bons resultados esporádicos, mas está mais cristalino que as águas de Maragogi que o jovem canadense não merece estar na F1. Mas como mexer no filho do homem? Enquanto jovens talentosos saem da F1 por falta de espaço, Lance fica numa equipe média atrasando-a por ele próprio ser um estorvo. Porém, Lawrence não poderia focar somente no seu filhote e para mostrar que está na F1 para ficar, contratou Sebastian Vettel para liderar a equipe. O problema é que Vettel nunca se recuperou totalmente de sua saída de pista em Hockenheim em 2018 e o alemão, prestes a completar 35 anos, está numa vibe diferente de quando dominou a F1 no começo da década passada. Procurando se envolver em assuntos extra-pista Vettel é uma sombra de si mesmo e em Melbourne teve um final de semana abaixo da crítica, com seguidos erros que envergonhariam até mesmo um piloto estreante. Para não ficar atrás do seu companheiro de equipe, Lance se envolveu em vários incidentes completamente evitáveis e onde o talento do piloto é exigido e, sem surpresas, Stroll falhou. Enquanto isso, Lawrence cobra resultados imediatos e tudo que pode ver é um zero ponto ao lado do nome de sua equipe, por sinal, o único entre todas as equipes. Lawrence sabe como administrar negócios, mas querer que Lance seja a ponta de lança da equipe junto a um decadente Vettel é querer demais. O resultado está com a Aston Martin zerada e completamente sem rumo.