segunda-feira, 29 de maio de 2023

Figura(MON): Max Verstappen

 Mais do que a vitória no domingo, o que largando na pole e tendo o melhor carro do grid é uma mera formalidade em Mônaco, Max Verstappen entra nessa parte da coluna pela volta assombrosa conseguida no sábado, que lhe garantiu a vantagem de não ter ninguém à sua frente na largada. Isso mostra que, mesmo tendo o grande carro de 2023 nas mãos, Verstappen tem a reserva técnica para superar seus adversários se sofrer algum tipo de ameaça.


Figurão(MON): Sérgio Pérez

 O que passa Checo? Mesmo em sua especialidade, os circuitos de rua, e vindo de uma vitória nas ruelas de Monte Carlo no ano passado, Sérgio Pérez teve um final de semana capaz de envergonhar Gregor Foitek de tão desastrado quanto foi. E o suíço ainda pode argumentar que nunca teve em suas mãos o melhor carro do pelotão, como é o caso de Pérez. O mexicano viu seu final de semana desmoronar com um erro ainda no Q1, quando bateu na St Devote e com isso, Pérez largou em último. E largar em último em Mônaco já complica todo o meio campo para a corrida, mesmo a Red Bull tendo uma vantagem tão grande frente à oposição. Porém, Pérez não ajudou em nada os táticos da equipe austríaca, se metendo em várias confusões, batendo no também nada inspirado Stroll, saindo da pista e visitando os pits nada mais, nada menos, do que cinco vezes. Pérez usou os três tipos de pneus (Slicks, Intermediários e de chuva forte) e nem assim esteve perto, sequer, da zona de pontuação. Ter tomado uma volta na pista de Max é um indicador do tamanho da diferença entre Verstappen e Pérez no momento. Para complicar, Checo já enxerga Alonso de perto no retrovisor no Mundial de Pilotos. Tendo o melhor carro disparado da competição, pegaria muito mal para Pérez não garantir, no mínimo, o vice-campeonato. Ricciardo sorri no lado de fora.

domingo, 28 de maio de 2023

A vez de Josef

 


Bicampeão da Indy e considerado o 'Golden Boy' da categoria, ainda faltava algo muito importante para Josef Newgarden. Sim, o piloto da Penske, uma das estrelas da Indy nos últimos anos, ainda não tinha vencido as 500 Milhas de Indianápolis e isso poderia fazer uma enorme diferença entre ser um imortal da Indy ou apenas um grande piloto. As expectativas nem eram tão grandes para Josef nessa edição. Em todo o mês de maio a Penske teve dificuldades em Indianápolis e Newgarden largou apenas em 17º, após ter tido a coragem de ter deletado sua primeira tentativa na classificação e ido para um tudo ou nada. E perdido duas posições. No Carb Day de sexta-feira, a Penske até deu um sinal de vida com o bom treino de Will Power, mas a corrida parecia que seria decidida entre Ganassi e McLaren. Newgarden foi galgando posições durante a primeira metade de prova e já estava no pelotão da frente antes da volta cem, se metendo na briga dos times favoritos. No caótico final, cheio de bandeiras vermelhas desnecessárias, Newgarden entrou definitivamente na briga e na última volta derrotou o atual vencedor em Indiana Marcus Ericsson para entrar no rol dos gigantes da Indy.

Desde o aumento da pressão aerodinâmica nos carros em Indianápolis, não existe mais aquela corrida espaçada entre os carros, mas uma rabo de pipa com praticamente todo o pelotão, numa fila indiana (sem trocadilhos) a maior parte da corrida, ainda mais nas primeiras cento e cinquenta voltas, onde os pilotos não querem abrir caminho no vento, liderando o pelotão. Foi nítido o quanto os pilotos tiravam o pé até mesmo antes da metade da reta dos boxes para não ultrapassar o piloto da frente e liderar o pelotão. Por longas voltas, a corrida se manteve num rali de regularidade, liderados ora por Alex Palou, Felix Rosenqvist e Pato O'Ward. Até a primeira bandeira amarela, nada demais aconteceu, mas bastou vir a primeira... O pole Palou saía dos boxes, quando foi atingido em cheio por Rinus Veekay, jogando o espanhol para o fundo do pelotão, além de ter rendido uma punição ao neerlandês. Na medida em que a corrida foi chegando às famosas 'cinquenta voltas finais', os pilotos que lutariam pelo título da edição de número 107 da Indy 500 foram ficando claros. Com Palou ainda se recuperando, Rosenqvist, O'Ward, Alexander Rossi, Santino Ferrucci, a grata surpresa com a equipe Foyt, e Josef Newgarden foram se garantindo como os pilotos que brigariam pela vitória ao final das duzentas voltas.

Uma bandeira amarela dividiu a estratégia dos pilotos no final da prova, quando houve o grande susto do domingo. Rosenqvist brigava com seu compatriota Ericsson e perdeu o rumo na curva um, batendo no muro. O carro da McLaren se arrastou pela curva 2 foi colhido por Kyle Kirkwood, que capotou seu carro da Andretti, mas estava tudo bem, apesar de pirotecnia. O problema foi um pneu que saiu voando e quase atingiu as arquibancadas. Felizmente, apenas um motorista terá que pagar um prejuízo ao ver seu carro atingido pela roda voadora, mas o incidente teve um grande risco. A primeira bandeira vermelha apareceu, mas infelizmente não seria a primeira.

Para quem está lendo essa resenha, esteja muito à vontade de discordar do meu ponto, mas se você reclama da artificialidade do DRS na F1, por exemplo, também não gostou do que ocorreu nas últimas voltas das 500 Milhas, pois foi tão artificial quanto. Assim como houve em Melbourne na F1, trazer a bandeira vermelha de forma artificial apenas para ter um final em bandeira verde é um passo além da linha entre esporte e entretenimento. Pato partiu para cima de Ericsson e acabou tendo um acesso de açodamento, batendo no muro e destruindo sua prova. Para completar, ainda foi atingido de forma bisonha por Agustin Canapino, que tinha batido ainda no rescaldo do acidente. Tudo muito simples de resolver, mas a bandeira vermelha apareceu. Relargada, todo mundo nervoso e no final do pelotão, um pequeno Big One faz com que a Indy tornasse o final das 500 Milhas um evento ao mesmo tempo emocionante, quanto circense. A última relargada aconteceu faltando duas voltas e estava claro que quem estivesse em segundo, teria uma enorme vantagem. Por um momento o felizardo foi Ferrucci, mas no 'photochart', Newgarden assumiu a posição vantajosa, onde iria atacar o líder Marcus Ericsson.

No ano passado, Ericsson usou manobras defensivas super-agressivas para se manter na frente de O'Ward, fazendo um perigoso zigue-zague na frente do mexicano. Na relargada, o sueco da Ganassi, que poderia se tornar bicampeão, usou a mesma tática na reta dos boxes, mas Newgarden não tem a inexperiência de O'Ward. O americano da Penske esperou a reta oposta. Ericsson tentou ziguezaguear, mas Newgarden foi por fora e na força do vácuo tomou a ponta e quando chegou na reta final, foi Josef que passou a ziguezaguear na frente de Ericsson para garantir seu primeiro anel das 500 Milhas.

Após a corrida Newgarden parou seu carro em frente a arquibancada e numa cena insólita, invadiu as arquibancadas e vibrou como nunca com a torcida. Conhecido pelo carisma e por ter sido modelo nas horas vagas, havia uma torcida da Indy para que Newgarden obtivesse sucesso e aumentasse ainda mais a popularidade da categoria. Com pilotos americanos tão carismáticos como uma porta, como o último ianque a vencer as 500 Milhas sete anos atrás (Rossi), a Indy via em Newgarden um rosto capaz de alavancar ainda mais a categoria, que está em crescimento. Para completar, Josef faz parte da Penske, a principal equipe do automobilismo americano, cujo dono Roger Penske comprou a Indy e aos 86 anos de idade, vibrou como nunca com a vitória de Newgarden.

Ericsson ficou incomodado com a última bandeira vermelha, que tirou uma vitória que parecia certa para ser do sueco. Tentando uma renovação de contrato mais vantajosa com a Ganassi, Ericsson sofreu um belo golpe com a derrota desse domingo. Ferrucci conseguiu um ótimo terceiro lugar, para alegria do velho AJ Foyt. Após ser atingido nos pits por Veekay, Alex Palou mostrou a força da Ganassi ao escalar o pelotão, num ano em que não era fácil ultrapassar em Indianápolis, e terminou em quarto, enquanto Dixon foi sexto, após o neozelandês também ter feito uma corrida de recuperação, após ter problemas de pneus ainda no início, um desafio para os pilotos. Uma das favoritas nesse domingo, a McLaren decepcionou com dois pilotos no muro e Rossi salvando um pouco a lavoura, terminando em quinto. Em sua última corrida na Indy, Tony Kanaan infelizmente ficou com o pior carro da McLaren e em nenhum momento esteve perto de brigar pela vitória ou até mesmo andar no mesmo ritmo dos seus companheiros de equipe. Isso não importa, pois Kanaan saiu da Indy pela porta da frente, após uma carreira gloriosa. Hélio Castroneves sempre é um piloto a ser observado em Indianápolis, ainda mais que após a segunda rodada de paradas ele pulou, do nada, de 19º para 12º. Porém o brasileiro teve que fazer uma parada não-programada e chegou a transitar na 30º posição. Com um péssimo carro em todo o mês de maio, Hélio só garantiu a 15º posição mais pelos abandonos alheios do que pela velocidade do seu carro. Cada vez mais um 'ex-piloto em atividade', Hélio não ficará na decadente Meyer Shank full time em 2024, mas muito provavelmente retornará à Indianápolis. Provavelmente para se despedir, como aconteceu com seu contemporâneo Kanaan, mesmo que Tony parece ter desfrutado melhor o que conquistou do que Hélio.

Foi uma edição de 500 Milhas bem usual, com uma primeira parte onde quase nada acontece, mesmo com praticamente todo os pilotos andando numa fila única, para tudo se decidir nas voltas finais. Pelo menos a mim, incomodou a quantidade de bandeiras vermelhas artificiais, mas Josef Newgarden não tem do que reclamar e o americano finalmente coloca seu nome entre os imortais da Indy. 

Só a chuva salva

 


O Grande Prêmio de Mônaco tinha tudo para repetir a grande maioria das corridas dessa temporada 2023, onde o marasmo foi a regra. Tenho a teoria de quando é mostrado brigas da décima posição para trás ou as câmeras miram as nuvens, a corrida não está nada emocionante. Pois foram as nuvens que estavam acima do principado que salvaram a corrida de Mônaco desse domingo. A esperada chuva finalmente chegou no principado no último terço de prova, mas nem isso conseguiu impedir mais uma vitória dominante de Max Verstappen. Na verdade, os três primeiros colocados do grid terminaram, sem nenhuma modificação, nas mesmas posições na bandeirada, significando a melhor posição de Alonso nessa temporada fantástica do espanhol e o primeiro pódio da Alpine em 2023, com Ocon.


Quando tirou da cartola a volta rápida que lhe deu a pole no sábado, Max Verstappen indicou que faria de tudo para vencer em Monte Carlo, principalmente após a polêmica ocorrida dentro dos boxes da Red Bull no ano passado. O neerlandês também sabia que não adiantaria nada conseguir a pole e não largar bem, principalmente com as declarações de Alonso dizendo que partiria para o ataque. Querendo fechar todas as brechas possíveis, Max colocou pneus médios, enquanto Alonso saiu com os duros. A aderência extra dos pneus médios era mais um diferencial para Verstappen se manter na ponta e apontando seu carro para dentro no grid, Max confirmou a pole ao passar pela St Devote impávido na frente, seguido por todo um comportado pelotão. A surpresa Ocon, terceiro colocado no grid após uma punição à Leclerc por o piloto da casa ter fechado Norris durante a classificação, claramente não tinha ritmo para acompanhar os dois líderes, que rapidamente se distanciaram, enquanto Esteban segurava um animado Sainz. Animado até demais. Na saída do túnel, Sainz tentou uma ultrapassagem atabalhoada e acabou se chocando na traseira de Ocon, quase destruindo a corrida dos dois, mas felizmente a única coisa destruída na manobra foi parte da asa dianteira do espanhol. Verstappen fazia uma corrida estilo Sunday Drive, onde não tinha trabalho em administrar a vantagem para Alonso, que chegou a assustar a sua equipe relatando um furo de pneu, mas Fernando continuou sua toada, ficando entre seis e onze segundos atrás de Max e em troca, o piloto da Aston Martin tinha 7s de frente para Ocon e toda uma turma que vinha atrás dele, tendo Sainz, Hamilton, Leclerc, Gasly e Russell, andando próximos.


À essa altura, a corrida entrou num período de prostração, com apenas pilotos do pelotão intermediário brigando mais seriamente. Como ultrapassar em Monte Carlo é difícil desde os tempos de Jackie Stewart e companhia, quem estava nos pontos não arriscava muito, mas quem estava fora dos pontos, era a famosa briga de foice no escuro. Hulkenberg colocou por dentro em cima de Sargeant que deixou o americano grogue na primeira volta. Não satisfeito, o piloto da Williams segurava um pelotão de carros, quando seus pneus médios começaram a dar adeus a essa vida terrena. Sargeant tinha o sempre empolgado Kevin Magnussen lhe pressionando, quando K-Mag emulou seu companheiro de equipe na Miranbeau e tomou a posição de Logan, que mais tarde seria ultrapassado por Stroll na Rascasse e por Pérez no embalo. Esse foi basicamente o único bom momento dos dois. Enquanto seus companheiros de equipes ponteavam a prova, Stroll e Pérez faziam uma corrida ridícula, principalmente Pérez, vencedor do ano passado e estando num final de semana totalmente bizarro para quem tem o melhor carro disparado do grid. Já Stroll estava sendo... Stroll! Porém, os céus monegascos ficavam cada mais negros no horizonte e isso mexeu na estratégia da maioria dos pilotos. Com chuva sendo iminente, muitos pilotos esperaram o máximo possível para fazer apenas uma parada. Tendo largado com pneus médios, Max Verstappen dava outro show de administração de pneus, mantendo um ritmo forte com pneus mais moles do que Alonso, não dando chances ao espanhol. Quem parou antes, ficava a tentativa de dar o famoso undercut, algo que a Ferrari falhou miseravelmente ao dar a dica para a Alpine. 'Carlos, pare agora para ultrapassar Ocon', era o recado no rádio na esperança de deixar a Alpine ouriçada e trazer Ocon para os pits. Os franceses não morderam a isca e quando Sainz parou, ele ficou ainda mais longe de Esteban, deixando o espanhol possesso. Mais uma presepada dos táticos ferraristas. Mas não seria o último.


Quando as últimas voltas já se aproximavam, a aguardada chuva, que ameaçou em todos os dias do final de semana, finalmente apareceu em Monte Carlo, deixando a corrida caótica e com várias decisões importantes a serem tomadas. A Aston Martin resolveu trazer Alonso para os pits. Seria o pulo do gato. Isso, se o time verde colocasse os pneus certos no carro do espanhol, montando slicks quando a pista estava tão encharcada na parte baixo do circuito, que Verstappen chegou a beijar o muro na Portier. Sainz acabou rodando na Mirabeau, perdendo a posição para Leclerc, que poucas voltas antes tinha feito o pit-stop. Isso acabou com qualquer chance de pódio para a Ferrari, pois os dois tiveram que voltar aos pits lentamente para colocar os intermediários, a escolha lógica de todo mundo. Stroll e Sargeant bateram, continuando suas corridas abaixo da crítica e o canadense foi o primeiro abandono do dia. Mesmo com o susto do toque no muro e a chuva repentina, Max Verstappen se valeu do erro tático da Aston Martin para aumentar ainda mais a diferença para Alonso e garantir mais uma vitória, a sua 39º carreira, se tornando o piloto com mais vitórias da Red Bull. Alonso sabe que perdeu uma chance dourada de vencer em 2023, em um ano que a Aston Martin simplesmente não está dando chances a ninguém, mas olhando para o copo meio cheio, o segundo lugar foi a melhor posição nesse ano.


Já Ocon era o mais alegre do pódio e também foi quem mais teve trabalho. Com a Ferrari se atrapalhando toda (oh novidade...), o francês passou a ser atacado pela dupla da Mercedes, mesmo com Russell tendo que cumprir uma punição de 5s por ter saído da pista e ter atingido Pérez (ele de novo!) na sua volta à pista na Mirabeau. O ritmo de Hamilton após as paradas indicavam que o inglês tinha uma chance boa de lutar pelo pódio, mas a chuva foi tão passageira quanto alegria de pobre e com um trilho aparecendo rapidamente, ultrapassar se tornou basicamente impossível, mesmo que em nenhum momento ninguém tentou montar os slicks nas voltas finais. Hamilton se conformou com o quarto lugar e com Russell não perdendo posição pela punição, a Mercedes está encostada na Aston Martin no Mundial de Construtores, já que o time de Lawrence é levado nas costas por Alonso, com Stroll tendo pouco mais de um terço dos pontos de Alonso. Uma lástima. Se tem o que lamentar no certame de construtores, a Aston Martin viu Alonso encostar em Checo, graças a atuação medonha do mexicano. Gasly chegou em sétimo e separou as duas Ferraris, com a dupla da McLaren garantindo as duas últimas posições pontuáveis com Lando Norris e Oscar Piastri tendo que ultrapassar Yuki Tsunoda nas últimas voltas, com o nipônico dando mais patadas via rádio por causa de problemas de freios que o deixaram sem pontos no final do dia.


Foi uma corrida mais animada do que o normal, mas apenas por causa da precipitação, que acabou nem sendo tão forte e duradoura. Tanto que o trio que saiu na frente às 15h de Monte Carlo recebeu a bandeirada nas mesmas posições uma hora e cinquenta minutos depois. No entanto, Verstappen, Alonso e Ocon tiveram desafios a enfrentar durante a chuva e se mantiveram na corrida para garantir o pódio. Verstappen já dispara no campeonato e não corre mais atrás do tricampeonato, mas agora corre atrás dos recordes.

sábado, 27 de maio de 2023

Para emoldurar num quadro


 Ok, Max Verstappen tem em suas habilidosas mãos um dos melhores carros da história e se bobear, a Red Bull consegue o fato histórico de vencer todas as corridas do longo calendário da F1 em 2023. No entanto isso não tira a beleza da volta conquistada pelo neerlandês nesse sábado, tirando o doce da boca de Fernando Alonso, enquanto a Aston Martin já comemorava a pole nos boxes.

Muito se falou que o clima em Monte Carlo não estaria bom, mas até o momento o sol se fez presente em todos os dias no principado. Correr em Mônaco nunca foi algo trivial, ainda mais com os carros atuais, tão longos quanto um Landau 1973. E é justamente nessas horas em que a magia do principado regido pela família Grimaldi aparece, mesmo que o beneficiário tenha sido praticamente o mesmo o ano inteiro. Max Verstappen chegou a figurar numa sexta posição durante o Q3 e Alonso tinha acabado de marcar um tempo próximo do imbatível. O próprio espanhol tinha declarado ter forçado como um animal para ficar com a pole, já que Fernando sabe que Mônaco é um das poucas chances que tem para vencer em 2023 e a pole é fundamental em Monte Carlo. O que Alonso não contava era com a magia de Verstappen, que tirou da cartola uma volta excepcional, principalmente no terceiro setor, já que Max não tinha feito o melhor tempo em nenhum dos dois primeiros setores. 

Isso apenas prova que por mais que tenha a vantagem de ter o melhor carro do grid, o piloto ainda faz muita diferença, ainda mais com Sérgio Pérez tendo que largar em último após dar uma senhora pancada na St Devote. O mexicano, expert em circuitos de rua, não foi o único a decepcionar nesse sábado. Enquanto Alonso brilhava e quase conseguia uma pole incrível, Lance Stroll amargava uma 14º posição. Será difícil a Honda engolir o canadense. A Mercedes finalmente se livrou do 'zeropod', mas o ganho foi mínimo, com Hamilton quase ficando pelo Q2, mas o inglês ainda foi capaz de conseguir o sexto tempo. Leclerc estava com a faca nos dentes em casa e arrancou um terceiro lugar levando sua Ferrari sempre no limite extremo. Após algumas semanas de broncas públicas, a Alpine deu um sinal de vida e Ocon garantiu um ótimo quarto lugar, com o francês chegando a figurar na primeira posição por um longo momento no Q3.

Verstappen foi brilhante em sua volta final, apenas provando que seu tricampeonato reflete muito bem o tamanho do talento do neerlandês. Amanhã a previsão novamente é de chuva, dessa vez chegando aos 80%. Se ela virá, como muitos torcem para dar uma virada no campeonato e nas corridas, não se duvida nada que Max Verstappen dará um jeito e contornará mais esse problema com a maestria demonstrada hoje.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Que pena...

 


O automobilismo brasileiro sofreu um duro golpe nessa quarta-feira. Alexandre 'Xandy' Negrão militou por vinte anos na Stock Car, se tornando um piloto de ponta durante a década de 1990, onde conquistou quatro vice-campeonatos quase que consecutivamente. Não se pode dizer que Xandy era um piloto profissional. Dono de uma importante marca farmacêutica, Xandy Negrão era um dos homens mais ricos do Brasil. A Medley, marca de Xandy, também patrocinou vários pilotos e atletas de outros esportes. Desde 2003 de fora da Stock, Xandy passou a focar na carreira do filho, Alexandre como ele e conhecido como Xandinho no meio. O jovem chegou à GP2, mas o sonho da F1 se mostrou alto demais e Xandinho voltou ao Brasil, onde correu na Stock e nos últimos anos se dedica à Endurance. Xandinho também ficou conhecido por ter casado com a atriz Marina Ruy Barbosa. Mesmo ainda acompanhando o filho nas corridas, Xandy sofria com um câncer e nessa quarta-feira o vitimou aos 70 anos de idade. Uma pena... 

Mandando recado

 


Lawrence Stroll realmente ama seu filho e o automobilismo. O canadense colocou na cabeça que seu filho Lance seria um piloto de F1 e não mediu esforços para alcançar o seu objetivo. Deu os melhores equipamentos à Lance na época do kart, que tendo vários coaches, conseguiu vitórias e títulos. Quando Lance chegou às categorias de base, Lawrence foi mais longe. Ele identificava as melhores equipes e as comprava, além de contratar pilotos experientes para rondear o jovem Lance, que venceu na F4 e na F3. Todos percebiam que a ascensão meteórica do canadense tinha alguns pormenores desabonadores, mas Lawrence não ligou para as críticas. Por que não comprar uma equipe de F1? Se pode comprar um, pode-se comprar duas, certo? E uma montadora?

Pois Lawrence Stroll fez tudo isso para ver Lance na F1. Até as zebras dos circuitos da F1 sabem que o canadense, no melhor das hipóteses, é um piloto mediano e que só está na categoria por um único motivo: o bolso fundo do papai bilionário. No entanto, Lawrence é daqueles que pensa alto. Após comprar a Aston Martin e os restos da Force India (dispensando a Williams, que fora a porta de entrada na F1), Stroll pai olha o futuro da sua equipe imaginando ser campeão. Uma equipe cliente dificilmente vence um campeonato na F1. Talvez o único caso seja mesmo a Brawn, que corria com motores Mercedes, sendo que a montadora alemã tinha como grande parceira a McLaren. No ano seguinte a Brawn foi absorvida... pela Mercedes, tornando-se uma equipe de fábrica. Com a Mercedes a quase trinta anos na F1 e com sua equipe consolidada, é claro que os melhores equipamentos ficam para o time de Toto Wolff, mesmo com várias clientes no grid. Lawrence é conhecido no mundo da moda por comprar marcas com problemas para transforma-las em artigos de luxo. Além de ter a satisfação de ter o filhão correndo, Lawrence Stroll enxerga a F1 como um negócio e como acontece no mundo fashion, Stroll não quer ser apenas um coadjuvante. Ele quer vencer. Tendo a Mercedes como parceira, inclusive com ações vendidas à Toto Wolff, Stroll sabia desde então que se quiser ser campeão um dia, ele precisava de uma montadora e transformar a Aston Martin uma equipe de fábrica, mesmo a montadora verde ser uma marca importante na Inglaterra.

Com a Honda procurando um parceiro para mais uma volta em 2026, a Aston Martin se tornou um alvo interessante aos japoneses, ainda mais com competitividade mostrada pela equipe em 2023, onde vários engenheiros de equipes de ponta foram contratados, além de Fernando Alonso. As notícias de que um acordo era iminente surgiram nessa semana e na quarta, foi anunciado o acordo entre Aston Martin e Honda, surgindo um nome tão esquisito quanto a Sauber BMW-Ferrari, de 2010. 

Mesmo com dificuldades em seu início com os motores híbridos, a Honda se consolidou como um dos melhores motores da F1, estando prestes a conquistar seu terceiro título consecutivo, mesmo não apoiando de forma oficial a Red Bull desde o final de 2021. Com todo seu know-how, a Honda voltará como uma força a ser observada a partir de 2026, enquanto Stroll verá sua equipe, sua marca, se tornar uma equipe oficial de fábrica. Porém, existe algumas perguntas a serem respondidas. A equipe Aston Martin ainda é vista como um projeto pessoal de Lawrence para o seu filho estar na F1, porém, a chegada da Honda poderá elevar ainda mais o patamar da equipe Aston Martin, deixando o limitado Lance Stroll no meio do caminho. Lawrence saberá observar a hora de dispensar o próprio filho? Logo no primeiro dia a Honda já mostrou-se interessada nos pilotos, praticamente indicando Yuki Tsunoda para a equipe. Não demorará para a Honda perceber que Lance Stroll não é um piloto de ponta.

Até lá, muito provavelmente Fernando Alonso já terá saído da equipe, evitando o constrangimento da Honda ter novamente o espanhol como piloto, ainda lembrando da turbulenta parceria na McLaren entre 2015 e 2018 e o épico 'GP2 Engine' bradado por Alonso em Suzuka, pista da Honda. A F1 vai atraindo mais e mais montadoras. A chegada da Honda na Aston Martin é um belo recado dado por Stroll sobre o futuro de sua equipe, mas será que Lance estará nela?