sexta-feira, 11 de maio de 2012

História: 15 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1997


A F1 chegava ao Grande Prêmio de Mônaco em 1997 com várias equipes fazendo alterações em seus carros, particularmente Williams, Tyrrell e Stewart. Na Arrows, os problemas eram outros. A aposta em trazer o então campeão Damon Hill estava se mostrando um retumbante fracasso, com o inglês não terminando nenhuma prova e o carro se mostrando muito ruim. Havia boatos de que Damon estava a ponto de abandonar o time por falta de resultados. Fora isso, a Williams comemorava a primeira vitória de Frentzen na F1 em Ímola e via nisso a possibilidade do alemão ganhar confiança e finalmente mostrar o porquê de sua contratação, quando tinha a fama de poder andar no nível de Schumacher com um carro competitivo.

Na quinta-feira, primeiro dia de treinos livres, Johnny Herbert surpreendeu ao ficar com o melhor tempo, mas o inglês da Sauber teve que se conformar com a sétima posição no sábado. Michael Schumacher fez uma grande volta quando faltavam vinte minutos para o fim do treino, mas seria superado pelo motivado Frentzen. O ferrarista ainda tentou uma última volta voadora, mas atrapalhado pelo tráfego em sua volta de aquecimento, Schumacher não iniciou sua volta antes da bandeirada e se conformou com o segundo lugar. Era a primeira pole da carreira de Frentzen e também a primeira dobradinha germânica na primeira fila na F1. Villeneuve não andou bem Mônaco novamente e chegou a sofrer um pequeno acidente no final da classificação. A Jordan surpreendia ao colocar seus dois carros entre os seis primeiros, enquanto o então atual vencedor Panis ficava numa decepcionante 12º posição, mas não poderia acusar a Bridgestone, que tinha em Barrichello como melhor representante entre os dez primeiros. Berger chegava ao fundo do poço com a 17º colocação e a Benetton enfrentava uma crise enorme para Flavio Briatore descascar.

Grid:
1) Frentzen(Williams) - 1:18.216
2) M.Schumacher(Ferrari) - 1:18.235
3) Villeneuve(Williams) - 1:18.583
4) Fisichella(Jordan) - 1:18.665
5) Coulthard(McLaren) - 1:18.779
6) R.Schumacher(Jordan) - 1:18.943
7) Herbert(Sauber) - 1:19.105
8) Hakkinen(McLaren) - 1:19.119
9) Alesi(Benetton) - 1:19.263
10) Barrichello(Stewart) - 1:19.295

Ao contrário do que normalmente ocorre, os céus em Monte Carlo não estavam ensolarados e no lugar do sol para fazer desta corrida ao lado do Mediterrâneo um dos mais belos locais de corrida no calendário, as nuvens estavam carregadas em todo o final de semana e no dia 11 de maio de 1997, mas até então todas as sessões foram realizadas com pista seca. No warm-up a Williams pôs seus dois carros na ponta, mas faltando meia hora para a largada, a chuva se fez presente. Todas as equipes resolveram utilizar pneus intermediários. Menos duas: Williams e McLaren. Utilizando pneus slicks, a Williams queria repetir a vitória de 14 anos antes, quando Keke Rosberg venceu em Mônaco ao ser mais esperto na hora de escolher os pneus numa corrida realizada sob clima incerto. De última hora, David Coulthard ainda resolveu utilizar pneus intermediários e o apagar das cinco luzes vermelhas provaria que o escocês estava certo. Largando na pole, Frentzen foi facilmente ultrapassado por Schumacher e Fisichella, da Jordan. Além de largar com os pneus errados, Villeneuve ainda teve problemas de embreagem, caindo ainda mais pelo pelotão. Mas ainda havia mais.

Schumacher disparou na frente, enquanto seu compatriota Frentzen o ajudava ao segurar vários carros por praticamente uma volta. Barrichello largou muito bem e já estava na sexta posição quando atacou Herbert na Loews ainda na primeira volta e efetuou a ultrapassagem. Ralf Schumacher só ultrapassou o lento Frentzen no final da primeira volta, mas o estrago estava feito. Muitos falam que as primeiras voltas do GP de Mônaco de 1997 foi uma das mais sensacionais da carreira de Michael Schumacher e não sei bem por que isso nunca foi muito divulgado. Talvez por Fisichella, num Jordan, estar em segundo, mas com um carro que não era melhor do pelotão e numa pista molhada, condição inédita naquele final de semana, Schumacher imprimiu um ritmo alucinante a ponto de ter absurdos 22.1s de vantagem sobre o italiano na quinta volta! Na frente, a corrida já estava decida a favor do ferrarista.

Quem vinha muito rápido era Rubens Barrichello e havia um fator a ajudá-lo. Anos antes, a Bridgestone perdeu uma corrida no Japão debaixo de muita chuva e desde então os japoneses haviam se dedicado a sempre construir bons pneus para este tipo de condição. Mesmo tendo nas mãos um carro da estreante Stewart, Barrichello rapidamente ultrapassou Frentzen e partiu para cima de Ralf, mas como o alemão errou na Loews, o brasileiro corria em terceiro, mas 1s mais rápido do que Fisichella. Na sexta volta, de forma tranqüila, Barrichello assumiu o segundo lugar e se não era mais rápido do que o líder Schumacher, ninguém estava mais rápido do que o piloto da Stewart atrás dele, que se consolidava num ótimo segundo lugar. Mais atrás, McLaren e Williams se arrependiam amargamente de suas escolhas de pneus. Ainda na primeira volta Coulthard, mesmo com pneus intermediários, não modificou o setup do seu carro e sem aderência, perdeu o controle do seu carro no final da reta do túnel e abandonou. Imediatamente, vários pilotos que vinham atrás da McLaren tiraram o pé, mas com pneus slicks, Hakkinen não pôde frear e acabou batendo na traseira da Benetton de Alesi, mas se o francês teve condições de continuar, o finlandês abandonou ali mesmo, voltando aos pits ao lado de Coulthard. Rapidamente caindo, Frentzen e Villeneuve foram aos pits colocar pneus intermediários ainda nas primeiras voltas, balançando negativamente a cabeça enquanto a Williams corrigia a besteira que fizera, porém, os dois pilotos acabariam se envolvendo em acidentes e abandonariam uma prova em que tinha tudo para vencer.

A corrida se estabelece com Schumacher mais de um minuto na frente de Barrichello e este mais de 20s de vantagem sobre Fisichella, que vinha sobre pressão forte de Panis e Irvine. Essa disputa seria decidida nas paradas de Box, com vantagem para Irvine, fazendo-o subir ao terceiro lugar depois de largar em 15º. Fisichella perdeu muito tempo e fez com que Mika Salo subisse ao quinto lugar. O finlandês estava fazendo um ótimo final de semana, mas sua surpreendente posição tinha no fato de que ele e sua equipe, a Tyrrell, resolveram não fazer nenhuma parada, graças ao baixo consumo do motor Ford ED. Com os pneus em frangalhos, economizando combustível ao máximo e ainda enfrentando o incremento da chuva no final, Salo conseguiu um resultado espetacular. O aumento da chuva fez com que Schumacher desse um susto na Ferrari e em seus torcedores quando errou na St. Devote e passasse reto. Com uma enorme vantagem na frente, Schummy parou o carro, deu um cavalo de pau e retornou a corrida para vencer com quase 30s de vantagem sobre Barrichello, que conseguia o seu melhor resultado do ano e da Stewart. Jackie ficou bastante emocionado com o segundo lugar e Barrichello mostrava novamente que na chuva, ele podia se sobressair. Só não precisava da infame sambadinha na frente do príncipe Rainier. Porém, nem mesmo Barrichello e seu talento na chuva poderiam impedir Schumacher vencer de forma atordoante em Monte Carlo, mostrando que na chuva e em condições traiçoeiras, o alemão era o melhor piloto do pelotão quinze anos atrás.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Barrichello
3) Irvine
4) Panis
5) Salo
6) Fisichella

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