domingo, 22 de dezembro de 2024

Feliz 2025!


 E encerramos mais uma temporada do blog. A décima oitava, o que significa que em fevereiro o blog atingirá sua maioridade, sem dúvida, uma marca importante falando de F1 e outras corridas em geral. Muitos desistiram no meio do caminho, mas seguimos fortes. Meu trabalho no GPTotal e a criação do canal do YouTube no site não me faz esquecer do blog, mesmo que com menos posts do que nos anos anteriores, nenhuma corrida de F1 passa em branco. Esse 2024 foi cheio de altos e baixos, como sempre, mas realizei o sonho de assistir uma corrida de F1 in loco, algo que pretendo repetir em algum momento de minha vida. Que tenhamos um 2025 cheio de alegrias, paz e muita saúde. Que venha 2025!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Troca-troca na Red Bull

 


Conforme esperado, a Red Bull realizou um verdadeiro troca-troca entre seus pilotos. Após um longo martírio, Sergio Pérez acertou sua saída da equipe principal, majoritariamente pelo 2024 abaixo da crítica do mexicano, resultando na Red Bull terminando num decepcionante terceiro lugar no Mundial de Construtores. A vaga de Pérez foi anunciada poucos dias depois, numa disputa interna dentro da Racing Bulls. Mesmo com Yuki Tsunoda forçando muito a barra, o escolhido foi mesmo Liam Lawson, para tristeza do japonês, que continuará na equipe júnior da Red Bull pelo quinto ano seguido, tendo ao seu lado o novato Isack Hadjar. Correr ao lado de Max Verstappen já se mostrou uma tarefa duríssima e a escolha em Lawson foi muito pela incógnita que o jovem neozelandês. Liam tem dez corridas de F1, onde mostrou muita velocidade e personalidade. Sem vícios de outras equipes, é esperado que Lawson aprenda no carro da Red Bull e consiga pelo menos andar próximo de Max, algo que o experiente Pérez não conseguiu na maior parte do tempo. A decisão de não graduar Tsunoda para o time principal pode significar o fim da linha do nipônico dentro do programa Red Bull, fazendo Yuki se mudar para a Aston Martin, junto com a Honda, que protege o japonês. Hadjar mostrou muito talento na F2, assim como uma irritação que faria o próprio Tsunoda corar. Se o francês conseguir conter essa raiva, ele poderá ter futuro. Por fim, Pérez sair de onde estava, passando vexame a cada corrida, deverá fazer muito bem ao mexicano, mas com tanta bagagem, ter Pérez na equipe pode ser bom uma equipe, mesmo que fora da F1.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Figura(2024): Max Verstappen

 Vindo de dois campeonatos dominantes, principalmente 2023, o início de 2024 para Max Verstappen parecia que seria de continuação da soberania na F1 e a consequente quebra de recordes. O neerlandês fazia suas vitórias se parecessem fáceis, mas nos bastidores, a Red Bull entrava em parafuso e não demorou para que respingasse nas pistas. O novo RB20 foi sendo alcançado e ultrapassado por McLaren e em certos momentos, por Ferrari e Mercedes. Max Verstappen precisou reinventar-se. O piloto da Red Bull ainda conseguiu duas vitórias em Ímola e Barcelona muito na base do seu talento, mas a queda da Red Bull fez com que Max passasse onze corridas sem vitória. Verstappen passou a focar em Lando Norris, principal rival no ano e aposta da McLaren. Experiente em lutas pelo título, Max não teve pena do seu amigo e em algumas ocasiões, jogou bastante pesado com Lando, sofrendo algumas punições. Quando o campeonato corria risco, veio Interlagos e Max Verstappen efetuou uma das grandes exibições individuais da história da F1, praticamente garantindo o título com o golpe que dera em Lando Norris. O tetracampeonato foi faturado na prova seguinte em Las Vegas, mostrando que Max Verstappen se tornou um piloto ainda mais completo. Se quando tinha o melhor carro Max capitalizou num massacre sobre os demais pilotos, em 2024 o neerlandês soube jogar com as cartas que tinha e algumas vezes, levando seu carro a posições acima do potencial do bólido, administrando o campeonato com um carro que ficou em terceiro lugar no Mundial de Construtores, se igualando ao sogro Nelson Piquet. Não faltaram polêmicas e algumas atitudes infantis, mas não se pode negar que Max Verstappen é hoje o melhor piloto da F1. E ele ainda se tornará papai.  

Figurão(2024): Sérgio Pérez

 Foram cinco nomeações nessa parte da coluna. Mas poderia ser muito, muito mais! Se a temporada de 2023 já havia sido sofrida para Sérgio Pérez, 2024 foi ainda pior. A diferença entre os dois pilotos da Red Bull chega a ser constrangedora, mas o mexicano ainda conseguiu um vice-campeonato ano passado, completando a primeira dobradinha no Mundial de Pilotos da Red Bull, contudo, basta dar uma olhada para perceber que, mesmo tendo um dos carros mais dominantes da história da F1, Pérez sofreu muito mais do que o esperado para garantir o vice-campeonato. Imaginem então não tendo o melhor carro? A resposta foi dada nesse ano, mas assim como acontecera em 2023, a situação foi ainda mais escancarada do que o esperado. Quando o novo RB20 começou a temporada 2024 como o melhor carro da F1, Pérez fazia um campeonato até decente, superior ao que mostrara em 23. O mexicano conseguiu alguns pódios de forma consistente, mas bastou que os problemas da Red Bull florescessem para que o campeonato de Pérez degringolasse, por coincidência, logo depois de Checo acertar uma renovação de dois anos com a Red Bull. Pérez simplesmente desapareceu dos pódios, não subindo mais ao lugar dos três primeiros colocados até o final do ano. Pior do que, Pérez mal conseguia passar ao Q3, fazendo com que toda corrida se tornasse uma prova de recuperação e não tendo mais o melhor carro do grid, muitas vezes Pérez não conseguia. Não se pode culpar a Red Bull de não tentar ajudar seu piloto. Conhecida por moer carreiras, a Red Bull fez de tudo para ajudar Pérez, mas os resultados não vinham e o cômputo foi a Red Bull ter feito o campeão mundial de pilotos, porém, terminando apenas em terceiro no Mundial de Construtores, perdendo bastante dinheiro para o próximo ano. O cartel de Sergio Pérez em 2024 foi desapontador. Das quatro equipes grandes, Pérez foi o único a não vencer, terminando apenas em oitavo no campeonato e tomando incríveis 285 pontos de Verstappen. Mesmo com contrato na mão, a situação de Pérez se tornou insustentável, mesmo o mexicano levando um importante montante de patrocínios para a Red Bull. Sua saída da Red Bull e até mesmo da F1 é iminente. Todos sabem que Pérez não é o piloto que se arrastou em 2024, mas o mexicano corre o risco de sair da F1 pelas portas dos fundos.

domingo, 15 de dezembro de 2024

Melhor do que a encomenda


 As primeiras corridas de 2024 foram desestimulantes. O novo Red Bull RB20 parecia tão dominador quanto o antecessor RB19 e Max Verstappen nadou de braçada, vencendo de forma acachapante quatro das primeiras cinco corridas do ano. O vacilo da Austrália acabava com algo que se apostava na época: a Red Bull superar 2023 e ser perfeita, vencendo todas as corridas da temporada. Então veio Miami e a história da temporada mudou completamente e de um ano que parecia chocho se transformar numa das grandes temporadas dos últimos anos.

Tudo começou com uma denúncia de uma funcionária da Red Bull contra Christian Horner, onde segundo ela, teria sido assediada pelo chefe de equipe do time austríaco. Em tempos de inclusão, corretamente o caso foi investigado à fundo, mas de forma surpreendente Horner foi inocentado. Dias depois vazou as conversas entre Horner e a funcionária, inclusive com nudes inclusos, além de uma proposta financeira para a mulher se calar. Coincidência ou não, o primeiros veículo que divulgou o caso era dos Países Baixos, local de origem do clã Verstappen, cujo pai Jos era o mais vocal em dizer que os bastidores da Red Bull fervilhavam. Horner não se dava com Helmut Marko, causando até mesmo um racha entre os sócios austríacos e tailandeses. No fundo, Jos havia recebido uma proposta tentadora da Mercedes, desesperada com a saída inesperada de Lewis Hamilton para a Ferrari. Verstappen pai queria que o filho fosse para a Mercedes o mais rápido possível, enquanto Horner não estava focado em negociar com os neerlandeses. Pior, a vocalidade de Jos causou um atrito entre o pai da estrela e o chefe de equipe. Toda essa confusão fez com que o veterano James Wheatley anunciasse a saída da equipe, mas a principal perda foi mesmo de Adrian Newey. Um dos maiores projetistas da história da F1 e com quase vinte anos de Red Bull se cansou da confusão reinante na equipe e anunciou sua saída. Para onde vai Newey? Ferrari? Mercedes? Newey acabou indo para a Aston Martin.

Essa confusão nos bastidores certamente respingou dentro das pistas. Após a vitória em Barcelona, Max Verstappen demoraria onze corridas para vencer novamente. Sendo que as vitórias em Ímola e Barcelona claramente foram conseguidas mais no talento absurdo do neerlandês do que pelo carro. Com a cúpula da equipe mais preocupada em apagar os incêndios internos e Newey saindo do time, o RB20 não foi desenvolvido normalmente e Verstappen se reinventou. Ao invés de ser a caçador, como fora em 2021, ele seria a caça. E Max não se comportou como deveria, se tornando agressivo demais em várias situações, recebendo inúmeras punições. Enquanto isso, a McLaren ia crescendo. No início de 2023 o time papaia era a última colocada no Mundial de Construtores, mas foi se recuperando e terminou o ano em alta. Para 2024, o time sofreria o abalo com a morte do inesquecível Gil de Ferran, uma das peças chaves para a evolução do time. Pela honra do brasileiro, a McLaren fez o que Gil faria: continuou trabalhando. Após um início de ano titubeante, a McLaren conseguiu sua primeira vitória em 2024 em Miami, significando também a primeira vitória de Lando Norris. O simpático inglês parecia acima da lua quando venceu e esse foi o grande problema de Lando e da própria McLaren. A vitória em Miami parecia ocasional e os envolvidos demoraram a perceber que os problemas internos da Red Bull vieram para ficar e a McLaren seria a grande rival da Red Bull, com Norris como principal piloto. Mesmo tradicional, a McLaren não tinha experiência em brigar pelo título e isso se mostrou decisivo. O time de Zak Brown errou em várias decisões, principalmente na administração dos seus pilotos, pois Oscar Piastri foi um dos destaques do ano, amadurecendo cada vez mais, venceu duas corridas. As duas, derrotando Norris na pista, incluindo uma troca de posição na Hungria e o surgimento do 'Papaya Rules' em Monza, o que significou menos pontos para Norris e uma derrota amarga para a McLaren.

Quando Verstappen se deu conta que seu principal rival seria Norris, o neerlandês começou a focar em Lando e jogar duro com o inglês, que por sua vez, se mostrou um piloto sem maiores respostas para os ataques de Max, incluindo uma derrota decisiva no México, quando Verstappen fechou de forma agressiva Lando Norris, foi devidamente punido, mas com receio de ser jogado para fora, Norris ficou um stint inteiro atrás de Max sem atacar, esperando a punição, mas perdendo tempo para atacar as Ferraris. A falta de desenvolvimento necessário da Red Bull acabou se refletindo mais em Sergio Pérez, que de um início de ano promissor, que lhe rendeu uma renovação de contrato, acabou se transformando num pesadelo para o piloto mexicano, que passou a ter vexames em praticamente todas as corridas, a ponto da Red Bull despencar para o terceiro lugar no Mundial de Construtores. Pérez foi o único piloto das quatro equipes top a não vencer e terminou num longínquo oitavo lugar no campeonato, tornando a posição de Checo insustentável dentro da Red Bull e da própria F1. Mesmo com todos os erros, a McLaren venceu o Mundial de Construtores em 2024, o primeiro no século 21, após 26 anos. A McLaren começará 2025 com a moral de ser atual campeã, mas terá que administrar melhor seus pilotos e Lando Norris terá que deixar de lado seu lado de 'nice guy' se quiser brigar pelo título de verdade.

Se perdeu o Mundial de Construtores, pelo menos a Red Bull viu Max Verstappen vencer o Mundial de Pilotos, com destaque para a incrível vitória em Interlagos, onde estive presente. O neerlandês teve azar na classificação com chuva e somado a uma punição, largou apenas em 17º. Com a pista molhada, Max efetuou uma das grandes exibições individuais da história e conseguiu uma vitória decisiva, dando um golpe definitivo em Lando Norris, que largou na pole, mas naufragou na corrida. O título foi confirmado na prova seguinte em Las Vegas. Na última corrida, a Ferrari ainda tinha chances de conquistar o Mundial de Construtores e mesmo lutando bastante, acabou derrotada. Porém, a grande notícia da Ferrari foi antes mesmo de começar o campeonato, com a espetacular contratação de Lewis Hmailton para 2025, numa das trocas de equipes mais rumorosas da história da F1. A Ferrari teve seus altos e baixos, com vitórias convincentes junto com corridas medíocres. Fred Vasseur terá que melhorar essa irregularidade para receber bem Hamilton. Leclerc venceu pela primeira vez em casa e estava na luta pelo vice-campeonato com Norris até a última corrida, mas teve um ano bastante irregular, como a equipe. O demitido Sainz venceu na Austrália e parecia muito forte num primeiro momento, mas seus altos e baixos, muito provavelmente causadas pelas difíceis negociações por um lugar na F1, refletiram no desempenho do espanhol, que só conseguiu um lugar na Williams. A Mercedes esteve longe de impressionar, mas pelo menos conseguiu quatro vitórias e fez uma despedida digna a um depressivo Hamilton. De saída da equipe, Hamilton teve corridas muito abaixo no ano, mas venceu em Silverstone, num momento onde a Mercedes andou melhor: em pistas lisas e com temperatura baixa. Para o lugar de Lewis, virá o novato Andrea Kimi Antonelli, sensação das categorias de baixo, mas que decepcionou na F2. O primeiro teste do italiano em Monza viu-o fazer a melhor volta antes de bater na Parabólica. Será interessante ver como George Russell se comportará como líder da equipe e com um jovem novato sem experiência alguma ao lado. Sempre com Max Verstappen como possível sombra nos próximos anos.

Com quatro equipes disputando a vitória, algo raro na história da F1, as demais equipes ficaram com as migalhas. Após um ótimo ano em 2023, a Aston Martin naufragou em 2024, mas com esperanças em alta com a chegada de Newey na equipe. Alonso fez uma temporada onde aproveitou todas as chances de apareceram, terminando o campeonato logo atrás dos pilotos das equipes grandes, marcando boa parte dos pontos da Aston Martin, enquanto Lance Stroll continuou mostrando que é apenas um Nepo Baby, com 'destaque' para o atolamento ridículo que protagonizou em Interlagos. A Racing Bulls começou o ano com Daniel Ricciardo, mas após derrotas do australiano para Tsunoda, foi sacado em favor de Liam Lawson, que se mostrou um piloto bastante agressivo e irascível. Tsunoda e Lawson brigam pela vaga que surgirá com a saída de Pérez, com o jovem Isack Hadjar entrando na Racing Bulls em 2025. A Haas começou o ano demitindo o midiático Günther Steiner e o movimento polêmico para os seguidores de Drive to Suvirve foi benéfico, com a equipe deixando de ver seus carros derreterem nas corridas após ótimas classificações. Hulkenberg fez um ótimo ano, com Magnussen ainda batendo demais, chegando a ser suspenso por uma corrida. Os dois não ficarão na equipe para 2025. Com a apendicite de Sainz em Jedá, o jovem Oliver Bearman estreou na F1 de forma tão impressionante, que ele ficará com a Haas em 2025. Bearman fez algumas corridas na Haas, mostrando ter condições de estar na F1. O outro piloto será Esteban Ocon, que veio da Alpine, outro time em ebulição. Os franceses começaram com o pior carro do ano e isso causou uma série de demissões da cúpula gaulesa, além de trazer de volta Flavio Briatore. Um dos primeiros atos do italiano foi acabar com o tradicional programa de motores da Renault, causando revolta dos engenheiros franceses. Porém, Flavio ainda tem sorte, pois uma corrida mágica colocou Ocon e Gasly no pódio em Interlagos, garantindo um sexto lugar no Construtores, mas com seus dois pilotos não se dando bem, Ocon foi para a Haas e Jack Doohan pelo menos começará em 2025, pois o australiano começará o ano sob observação do sempre draconiano Briatore. A Williams terá Sainz em 2025 com a esperança de ter menos carros destruídos, algo que atrapalhou bastante a equipe, além do péssimo Logan Sargeant, dispensando após mais uma pancada. Para o lugar do americano, veio o argentino Franco Colapinto. Ninguém esperava nem que ele estreasse, mas Franco fez corridas convincentes a ponto da Red Bull se interessar nele, além de causa verdadeiras invasões de torcedores argentinos nos autódromos, mas os acidentes de Franco diminuíram o ímpeto do portenho e ele acabou de fora da F1 em 2025. Por enquanto. A Sauber foi a pior equipe do ano, só marcando pontos já nas provas finais. Seus dois pilotos saíram da equipe (e da F1) pelas portas dos fundos, mas com a chegada iminente da Audi, há esperanças para o time, que terá a experiência de Hulkenberg e o talento emergente de Gabriel Bortoleto, atual campeão da F2 e colocando o Brasil no grid depois de muito tempo.

A temporada 2024 foi bem melhor do que a encomenda, com quatro equipes brigando por vitórias e trazendo algo que a F1 não via faz tempo: quem iria vencer uma corrida? Que 2025 continue assim!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

MotoGP entre nós

 


Após vinte e dois anos, teremos a MotoGP de volta! E o palco não poderia ser melhor. Depois de 35 anos, Goiânia voltará a receber o Mundial de Motovelocidade a partir de 2026, significando o retorno dos melhores pilotos de moto ao Brasil, além das charmosas corridas no Centro-Oeste brasileiro. Deu até vontade de conhecer Goiânia...

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Figura(ABU): McLaren

 Quando Mika Hakkinen venceu em Suzuka em 1998, o finlandês não apenas garantia seu primeiro título mundial de F1, como também a McLaren vencia o Mundial de Construtores pela oitava vez. Mika repetiria a dose no ano seguinte, mas a McLaren esperou mais de vinte e seis anos para conquistar seu nono troféu, consolidado nesse domingo com uma vitória dominante de Lando Norris. A forma como Lando venceu no asséptico circuito de Yas Marina só demonstra a força atual da McLaren e como o time comandado por Zak Brown sofreu mais do que devia para conquistar o Mundial de Construtores de 2024. Mesmo bastante tradicional, a atual equipe McLaren nada tem a ver com os tempos de Hakkinen e essa falta de experiência esticou a agonia, mas numa corrida sem maiores emoções, Norris exerceu a força do McLaren MCL38 e definir o último título que faltava nessa surpreendente temporada 2024. A McLaren cometeu inúmeros erros quando se viu com o melhor carro do grid, mas pôde comemorar uma grande reviravolta esportiva. Alguns anos atrás, a McLaren sofria com um motor Honda que quebrava loucamente e no desespero, partiu para o motor Renault. Tudo parecia dar errado ao time fundado por Bruce McLaren em 1963, mas a chegada de Zak Brown significou uma melhoria drástica no time, que foi melhorando com contratações não apenas de novos pilotos, mas de pessoal de staff, em especial Andrea Stella, engenheiro por muito tempo da Ferrari. Com as bençãos do inesquecível Gil de Ferran, a McLaren entrou 2024 ainda tateando, mas a partir da vitória de Norris em Miami, a McLaren se viu com o melhor carro. A falta de experiência do atual time nessa situação fez com que a McLaren perdesse pontos preciosos na tentativa de Lando Norris (que também vacilou em inúmeros momentos) de tentar enfrentar Max Verstappen. Se perdeu o título de pilotos, pelo menos garantiu o Mundial de Construtores. Mesmo Piastri tendo feito um quarto final de campeonato abaixo, incluindo a prova de hoje, onde foi décimo depois de levar uma punição por acertar a traseira de Colapinto na relargada, o australiano deverá crescer ainda mais em 2025, enquanto esperamos ver um Lando Norris mais cascudo e menos infantil.

Figurão(ABU): Valtteri Bottas

 Na quinta-feira, os pilotos da F1 se reuniram para um jantar de confraternização, algo que já está se tornando tradicional no circo. Mesmo que alguns não tenham comparecido, havia um bom número de pessoas e sobrou para Valtteri Bottas pagar a salgada conta num restaurante em Abu Dhabi. Talvez preocupado com a fatura do cartão de crédito, Bottas esteve irreconhecível no domingo, se envolvendo em dois incidentes separados e totalmente sem sentido. Na primeira volta o nórdico vinha no meio do pelotão, local onde passou boa parte do tempo nos últimos anos, e por isso Valtteri estava bem acostumado com a situação. Porém, Bottas acertou em Pérez de forma boba, causando o abandono do pobre do mexicano, praticamente na fila do desemprego. Devidamente punido, Bottas aprontou já no final da prova, quando era ultrapassado por Magnussen, que acabara de trocar pneus. Um toque infantil para um piloto tão inexperiente, resultando no abandono do piloto da Sauber e com isso Bottas muito provavelmente encerrou sua carreira na F1. Mesmo não sendo virtuoso, Bottas merecia uma despedida, ainda não anunciada, mais digna. 

domingo, 8 de dezembro de 2024

Último capítulo de 2024

 


Após nove longos meses, a F1 finalizou sua incrível temporada 2024 no indigno palco de Yas Marina. Com Charles Leclerc largando da última fila, a briga pelo vice-campeonato ficou meio que definida, com Lando Norris largando da pole e dominando a corrida sem maiores problemas, vencendo pela quarta vez no ano e se consolidando tanto como vice-campeão, como se tornando o segundo maior vencedor do ano. Já o Mundial de Construtores teve um ligeiro drama com o toque sofrido por Oscar Piastri na primeira curva, atingido por um Max Verstappen pouco inspirado nesse domingo. Com a super primeira volta de Charles Leclerc somada a ótima corrida de recuperação do monegasco e o tranquilo segundo lugar de Carlos Sainz, qualquer vacilo de Norris poderia entregar o título para a Ferrari. Apesar dos melhores esforços dos italianos, Lando Norris esteve impecável e garantiu o primeiro título do Mundial de Construtores do século 21 da McLaren.


Mesmo com as mudanças no circuito de Yas Marina, eliminando chicanes sem serventia alguma, o autódromo suntuoso em Abu Dhabi ainda está muito longe de agradar aos fãs da F1. Um circuito sem graça e asséptico, que normalmente nos traz corridas sem muita emoção, como foi o caso desse domingo. Com grande parte dos pilotos relaxados, com suas vidas encaminhadas para 2025, provavelmente muita gente foi para a primeira volta da corrida com um pensamento nada conservador, partindo para cima como normalmente não acontece e por isso, a primeira volta foi o grande momento da prova. Lando Norris fez uma ótima largada vindo da pole, com Oscar Piastri o acompanhando. Beneficiado pela punição de Hulkenberg, Max Verstappen saiu da segunda fila e numa tentativa banzai, se jogou na primeira curva em cima de Piastri como se ainda houvesse disputa pelo título. Foi um mergulho tão insano, que Piastri não esperava a manobra e foi acertado pelo piloto da Red Bull, merecendo o irônico comentário de 'bela manobra de um campeão mundial'. Com os dois carros rodados, Lando abriu uma bela diferença para o pelotão, mas ainda havia mais. Correndo o risco de se juntar à Bottas, Zhou e Magnussen rumo às suas últimas corridas na F1, Pérez estava no meio do pelotão quando foi atingido por um insano Valtteri Bottas. Um toque aparentemente sem maiores consequências, mas resultou no triste abandono de Pérez, além do único momento de Safety Car, mesmo que virtual. Pérez abandonando o seu Red Bull melancolicamente representa muito bem o fim da parceria entre os austríacos e o mexicano, mesmo com Checo negando, lembrando do contrato de dois anos assinado no meio do ano. Algo que Horner já admitiu ter se arrependido...


Com toda a confusão, Charles Leclerc executou uma primeira volta daquelas inesquecíveis, pulando de 19º para oitavo, principalmente capitalizando o melê entre Bottas e Pérez, ganhando cinco posições no ocorrido. Com Piastri em último, agora era a Ferrari que tinha dois carros na zona de pontuação e a McLaren somente um, porém, Lando Norris fez uma corrida dominante na noite árabe, não sendo incomodado em momento algum, mantendo uma diferença de no mínimo 2s sobre Carlos Sainz, outro que fez uma corrida solitária, mas que ajudou a Ferrari se manter sonhando com o título. A cara que Sainz fez ao sair do carro mostrava uma certa melancolia, pois muito provavelmente ele demorará a ter um carro em condições de ir ao pódio normalmente. Por fim, Leclerc continuou sua subida através do pelotão. No primeiro stint, rapidamente subiu ao quarto lugar, ficando bastante próximo de Russell, que simplesmente não conseguiu ultrapassar Gasly, só se vendo livre do francês quando este fez sua parada. Quando George fez sua parada, Leclerc continuou na pista por mais tempo e rapidamente se estabeleceu na terceira posição, longe de Sainz, mas secando Norris, pois em caso de dobradinha, a Ferrari venceria o Mundial de Construtores, mas como isso não aconteceu, Leclerc saiu bem chateado da corrida, mesmo tendo sido o melhor piloto do dia. A McLaren cometeu inúmeros erros quando se viu com o melhor carro do grid, mas pôde comemorar uma grande reviravolta esportiva. Alguns anos atrás, a McLaren sofria com um motor Honda que quebrava loucamente e no desespero, partiu para o motor Renault. Tudo parecia dar errado ao time fundado por Bruce McLaren em 1963, mas a chegada de Zak Brown significou uma melhoria drástica no time, que foi melhorando com contratações não apenas de pilotos, mas de pessoal de staff, em especial Andrea Stella, engenheiro por muito tempo da Ferrari. Com as bençãos do inesquecível Gil de Ferran, a McLaren entrou 2024 ainda tateando, mas a partir da vitória de Norris em Miami, a McLaren se viu com o melhor carro. A falta de experiência do atual time nessa situação fez com que a McLaren perdesse pontos preciosos na tentativa de Lando Norris (que também vacilou em inúmeros momentos) de tentar enfrentar Max Verstappen. Se perdeu o título de pilotos, pelo menos garantiu o Mundial de Construtores depois de 26 anos, quando nem Norris, nem Piastri, eram nascidos. Mesmo o australiano tendo feito um quarto final de campeonato abaixo, incluindo a prova de hoje, onde foi décimo depois de levar uma punição por acertar a traseira de Colapinto na relargada, Piastri deverá crescer ainda mais em 2025, enquanto esperamos ver um Lando Norris mais maduro e menos infantil.


A Mercedes preparou vários belo vídeos para a despedida de Lewis Hamilton, mesmo o inglês largando apenas na penúltima fila em mais uma classificação infeliz do inglês. Lewis saiu com pneus duros, numa decisão acertada, pois ao esticar o seu primeiro stint, foi o único com pneus médios nas voltas finais. Melhor 'calçado', Hamilton partiu para cima dos rivais e ainda teve tempo para alcançar Russell na volta final, chegando ao quarto lugar, numa disputa bem sossegada com o companheiro de equipe, que um dia lhe pediu autógrafo. As cenas de Hamilton após a corrida demonstram que mesmo estando de vermelho em 2025, sua alma tem a cara da Mercedes.


A Red Bull teve um domingo bem miserável, com Verstappen tendo que pagar uma punição pelo toque com Piastri na primeira curva e Pérez abandonando alguns quilômetros depois. Max fez o que pode para ser sexto. Marcando o mesmo número de pontos que Pérez amealhou nas últimas nove corridas. Isso demonstra que Max levou a Red Bull nas costas, mas como será em 2025, sem Newey e Wheatley? A equipe filial Racing Bulls não foi muito diferente, com Tsunoda ficando sem pneus nas voltas finais e saindo da zona de pontuação e Lawson ficando, literalmente, sem pneu, quando saiu dos pits com uma roda solta, tendo que fazer um pit-stop tardio que estragou de vez a corrida do neozelandês. Com a iminente saída de Pérez, será que a Red Bull confiará em um dos dois? Provavelmente não será Colapinto. Após toda a comoção das primeiras corridas do argentino, as batidas sofridas pareceram mexer na confiança de Franco, que não mais performou e a despedida via rádio antes da largada também foi um indicador que Colapinto dificilmente estará como titular em 2025.


Na briga pelo sexto lugar no Mundial de Construtores, a Alpine se saiu melhor com a ótima exibição de Pierre Gasly, um dos principais pilotos das últimas provas. O francês ficou boa parte do primeiro stint em terceiro, segurando os ataques de Russell e quando fez sua parada, Gasly começou a pensar mais no campeonato, deixando-se ultrapassar por Russell e Leclerc, mas garantindo um sétimo lugar que o pôs em décimo lugar no Mundial de Pilotos, além de garantir a Alpine num excelente sexto lugar, algo inimaginável no começo do ano. Porém, a Alpine tem com o que se preocupar, pois Jack Doohan teve uma estreia muito longe de impressionar, terminando em último. Hulkenberg foi outro destaque do dia, levando sua Haas aos pontos, mesmo que perdendo o décimo lugar para Gasly. Magnussen se despediu da F1 com a melhor volta da corrida, depois de ter sido acertado por Bottas, que abandonou após dois toques e a 'inteligente' punição de 10s para a próxima corrida, que muito provavelmente nunca virá. Alonso fez o que pôde com a Aston Martin, chegando em nono e esperando ansiosamente por 2025 e algum toque de midas de Adrian Newey no novo carro. Zhou e Albon chegaram a andar na zona de pontos, mas sucumbiram a ruindade dos seus carros.


E a temporada surpreendente de 2024 termina com uma nova equipe vencendo o Mundial de Construtores. A McLaren se tornou a primeira equipe cliente a vencer o campeonato desde a Brawn em 2009. Mais do que isso, a McLaren iniciará 2025 com bastante força e com a moral de atual campeã, mas enfrentará uma Ferrari que terminou o ano forte, além da motivação de receber Hamilton, uma Mercedes ainda tentando se recuperar das doloridas derrotas desde a entrada do novo carro, além de uma Red Bull que perdeu muita gente importante de staff, mas permanece com seu maior trunfo: o novo papai Max Verstappen. Um campeonato de 2025 que promete uma briga com quatro cavalos por cada vitória. Se 2024 já foi bom, 2025 poderá ser ainda melhor.   

Voa, Bortoleto!

 


Foi com menos emoção do que o esperado. O principal rival Isack Hadjar não largou para a Feature Race com problemas no carro da Campos e com 4,5 pontos de vantagem no campeonato, Gabriel Bortoleto apenas administrou a última corrida em Abu Dhabi para se consagrar campeão da F2. O segundo lugar mais do que assegurou um título conquistado que já caracteriza o brasileiro: com inteligência e consistência, sendo agressivo quando precisava ser. Bortoleto consolida um ano em que saiu de último para a vitória em Monza e chega à F1 com o status de bicampeão, afinal, venceu F2 e F3 de forma consecutiva como estreante. Oscar Piastri, dito e havido como o próximo talento geracional da F1, fez o mesmo que Bortoleto, fazendo com que o brasileiro seja um dos pilotos a serem observados com muita atenção não apenas por nós, brasileiros, que terão novamente um piloto no grid da F1, como por todos que querem que os melhores pilotos do mundo estejam na F1. E Bortoleto provou ser um deles.

sábado, 7 de dezembro de 2024

Tudo certo para a McLaren

 


O insucesso no Catar acendeu a luz vermelha na McLaren e o Mundial de Construtores, que parecia encaminhado, ficou em suspenso com a aproximação da Ferrari. No entanto, o time comandado por Zak Brown dominou a sexta-feira em Abu Dhabi e com um pouco mais de dificuldade que o esperado, ficou com a primeira fila no domingo, com Norris superando por muito Piastri.

A classificação desse sábado foi marcada pela até agora triste despedida de Lewis Hamilton da Mercedes. O inglês até que tinha ido bem nos treinos livres, mas na sua última volta no Q1, Lewis pegou um cone embaixo do seu carro e com a McLaren tendo-o liberado muito tarde, Hamilton terá que amargar uma péssima 18º posição no grid. O novato Jack Doohan, nesse final de semana substituindo Esteban Ocon na Alpine, foi último e ficou bem longe de impressionar, o mesmo acontecendo com Franco Colapinto. Após um início bem interessante do argentino, Colapinto começou a fraquejar, muito pela quase certeza que ficará a pé em 2025. Quem surpreendeu em sua despedida foi Bottas. De malas prontas para o simulador da Mercedes, o nórdico pagou a conta do jantar dos pilotos e colocou seu problemático Sauber no Q3.

Por sinal, Pérez por muito pouco esteve fora do Q3. O mexicano contou com os famigerados track limits, que tirou a melhor volta de Leclerc, que com a punição recebida por trocar as baterias, deixará o monegasco na última posição no domingo. Lá na frente Max Verstappen demonstrou todo o seu talento, aliado a felicidade de descobrir que será pai, marcando um ótimo tempo no Q3, com direito a uma quase rodada na última curva. Max faria milagre novamente? Infelizmente, não. A sua segunda volta no Q3 foi longe de impressionar e ele acabou apenas em quinto, entre os surpreendentes Hulkenberg e Gasly. Sainz tentará se manter na frente com a Ferrari, mas o sábado deu tudo certo para a McLaren, que assegurou a primeira fila, mas será que Norris manterá a escrita de entregar a rapadura quando larga na pole?

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Figura(CAT): Guanyu Zhou

 Antes que Max Verstappen se torne cadeira cativa dessa parte da coluna, vamos variar um pouco e colocar nomes diferentes. A Sauber vive um claro momento de transição, com a chegada iminente da Audi, mas isso significou um ano de 2024 simplesmente tenebroso para a já tradicional equipe helvética e o time corria sérios riscos de terminar o campeonato zerado. Porém, no circuito de Lusail, a Sauber conseguiu evitar o vexame de ficar no zero e marcou seus primeiros pontos e o responsável foi o chinês Guanyu Zhou. Dispensado da Sauber e tentando uma vaga de piloto reserva em 2025, Zhou fez mais uma corrida correta e com tantos abandonos, o chinês marcou os primeiros pontos da Sauber, além de derrotar com folga seu badalado e igualmente dispensado companheiro de equipe Bottas.

Figurão(CAT): Lewis Hamilton

 Antes que Sergio Pérez se torne cadeira cativa dessa parte da coluna, vamos variar um pouco e colocar nomes diferentes. Que Lewis Hamilton está entre os grandes da história da F1, não restam muitas dúvidas, mas suas últimas corridas pela Mercedes começam a preocupar... a Ferrari! Lewis sempre foi um piloto suscetível a ter problemas quando tudo não está tudo certo com ele e sua saída da Mercedes, algo que todos sabiam desde fevereiro, pode estar fazendo com que a equipe foque mais em George Russell. Algo extremamente normal e até esperado. Porém, isso pode estar afetando a confiança de Hamilton, que não apenas fica tomando tempo do seu companheiro de equipe, como mostra uma apatia fora das pistas assustadora. Totalmente sem sintonia, Lewis conseguiu tomar duas punições na corrida por culpa única e exclusivamente dele, além de incaracterísticos para alguém tão experiente quanto ele. Hamilton queimou a largada e depois ultrapassou o limite de velocidade dentro dos pits, enquanto seguia o safety-car por dentro dos pits. Erros totalmente de novato! As entrevistas de Hamilton são melancólicas, onde apenas reclama do carro e usa a palavra 'lento' o tempo inteiro. Que a fase depressiva de Lewis Hamilton passe o mais rápido possível, para o bem dele, da Ferrari e da própria F1.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Superioridade no deserto

 


Três horas depois da classificação foi anunciado que Max Verstappen perdeu sua pole position, por ter bloqueado George Russell, que acabou sendo o beneficiado, no Q3, mesmo que ambos estivessem numa volta de aquecimento. Logicamente Max não gostou muito da situação, mas publicamente ele não reclamou. Afinal, como bom tetracampeão que é, Verstappen gosta de dar respostas na pista e o neerlandês o fez com uma corrida dominante no Catar, após uma largada incrível, superando tanto Russell como também Lando Norris, que efetuou a melhor largada do dia, ultrapassando Russell. Daí em diante, Max controlou a vantagem sobre Lando, andando no limite do seu Red Bull e quando Norris foi punido, Verstappen levou seu carro para casa e conquistar sua nona vitória em 2024.


A corrida em Lusail teve largos momentos de chateação, numa pista de difícil ultrapassagem, cujo desenho foi feito originalmente para a MotoGP. Contudo, houve também momentos interessantes na prova catari, que dessa vez não teve problemas de pneus e os pilotos não sucumbiram ao calor, duas marcas registradas da corrida do ano passado. Sabendo da dificuldade de se ultrapassar, os pilotos forçaram bastante na largada, ainda mais Max, mordido pela punição discutível que recebera no dia anterior. Observando como fora ruim o ritmo da Red Bull em na Sprint, era esperado que a McLaren fosse para cima de Max, com Lando subido para o segundo lugar logo na largada, mas Verstappen mostrou sua magia novamente ao imprimir um ritmo fortíssimo, igualando ao ritmo superior da McLaren no braço. Max e Lando faziam uma corrida particular, enquanto Russell segurava Piastri, com as duas Ferraris mais atrás e Pérez segurando Hamilton numa corrida melancólica à parte dos dois. Então o espelho retrovisor de Albon se soltou na reta dos boxes, mudando todo o ritmo da corrida. A bandeira amarela apareceu no final da reta e Norris tirou seis décimos no processo, algo que Max percebeu na hora e entrou no rádio reclamando da manobra. O novo diretor de prova Rui Marques preferiu deixar a corrida solta, mas não contava que Valtteri Bottas atropelasse o retrovisor ao ser gentil e deixar os líderes lhe colocarem uma volta. Os cacos de vidro cortaram os pneus de Sainz e Hamilton, trazendo o Safety Car para a pista, bem no momento em que os pilotos se preparavam para entrar e trocar pneus. Russell já havia feito sua parada e mostrava aos demais que retardar a parada seria mais negócio. Com pneus duros e no trânsito, George simplesmente não conseguia evoluir e então os demais pilotos do pelotão da frente, mesmo com pneus médios bem gastos, foram postergando suas paradas até o SC entrar em cena.


Os líderes pararam e na relargada, Norris tentou uma manobra sobre Max, mas por fora, Verstappen nunca levaria uma ultrapassagem por fora, mas o neerlandês foi justo. O terceiro e último SC veio logo em seguida e o motivo foi Pérez. Ah, Pérez... O mexicano até fazia uma corrida nos pontos no Catar, mas ele rodou sozinho durante o período de SC, ficando com seu carro parado. O zero ponto de Pérez praticamente garantiu que a Red Bull, carro do campeão Max Verstappen, ficará em terceiro no Mundial de Construtores e por mais que o carro austríaco tenha involuído ao longo da temporada, isso cairá nas costas de Pérez e somente um milagre o manterá no cargo em 2025. Na relargada, Verstappen brincou de acelerar-frear-acelerar com Norris e conseguiu uma ótima vantagem, que ficaria ainda maior quando Norris foi punido por não ter diminuído o bastante no período em que o espelho de Albon caiu. E Rui Marques não teve muita pena de Lando, lhe aplicando a pena mais severa antes da desclassificação, deixando Norris em último faltando doze voltas. Com Verstappen num ritmo já fortíssimo e com Leclerc superando Piastri nas paradas, o neerlandês controlou o resto da corrida rumo a uma vitória que mostrou a superioridade de Max frente aos demais. E nem vamos comparar com o companheiro de equipe na Red Bull, pois já seria humilhação demais...


O segundo lugar de Leclerc, que lutou forte com Piastri foi duplamente importante. Primeiro que mantém o monegasco com chances, mesmo matemáticas, de tirar o vice-campeonato de Norris. Mais importante foi que a Ferrari se aproximou da McLaren no Mundial de Construtores, com apenas 21 pontos separando as duas tradicionais equipes e essa disputa será o maior atrativo para a última corrida do ano, em Abu Dhabi. Piastri foi apático novamente e Norris ainda conseguiu assegurar alguns pontos, com a décima posição e o ponto da melhor volta. Zak Brown fora ao Catar especialmente para comemorar o título, irá passar a semana coçando a cabeça com a chance real de perder um campeonato onde teve por boa parte o melhor carro. Sainz foi outro que fez uma corrida bem chinfrim, mesmo antes de ter seu pneu cortado pelo espelho de Albon. Essa irregularidade de Sainz que impressiona. Russell reclamou bastante de ter ido aos pits uma segunda vez e ter colocado pneus duros ao invés dos médios, mas ao menos garantiu um quarto lugar, mesmo punido em 5s por infringir os regulamentos do SC. Porém, a atuação de Lewis Hamilton é para deixar preocupado... a Ferrari! O inglês tomou tempo de Russell o final de semana inteiro, queimou a largada e ainda perdeu posições, ficando o primeiro stint atrás de um não menos melancólico Pérez e demonstrou uma apatia nas entrevistas de fazer qualquer um chorar de pena. O que passa com Lewis Hamilton?


Numa prova cheia de incidentes, Pierre Gasly se aproveitou dos infortúnios alheios para conseguir um ótimo quinto lugar, segurando os ataques de Carlos Sainz nas voltas finais para conseguir ótimos pontos para a Alpine na luta pelo sexto lugar no Mundial de Construtores, além do francês ficar apenas um ponto atrás de Nico Hulkenberg, o décimo colocado no campeonato. Por muito pouco Alonso não soltou um 'GP2 Engine', reclamando da falta de velocidade de reta do seu Aston Martin, mas o espanhol ainda salvou um sétimo lugar, pontuando depois de muito tempo, enquanto Lance Stroll bateu em Albon na primeira volta, lhe rendendo uma punição (discutível, em defesa do canadense) e o consequente abandono. Destaque positivo para os primeiros pontos da Sauber no ano e corroborando para a dispensa de Bottas, quem conseguiu a proeza foi Zhou, com um ótimo oitavo lugar. Com Hulkenberg abandonando ao rodar logo após o segundo SC, Magnussen salvou a lavoura da Haas com um nono lugar, além de ter xingado Albon quando devolveu uma ultrapassagem sobre o anglo-tailandês. E falando em Williams, novamente os ingleses terão trabalho de funilaria a fazer, com Colapinto batendo seu carro na primeira curva, mesmo que o argentino não tenha tido culpa, pois acabou atingido por Ocon. Outro novato a decepcionar no final de semana em Lusail foi Lawson, que além de ter ficado atrás o tempo todo de Tsunoda, rodou sozinho quando tentava ultrapassar Bottas e foi punido por isso.

Na penúltima corrida do ano, Max Verstappen ainda estava faminto para provar que o seu tetracampeonato não fora conquistado por acaso. O neerlandês surpreendeu ao ficar com a pole e mesmo perdendo-a, não baixou a cabeça, respondendo na pista, superando no braço o ritmo forte da McLaren de Norris, mostrando toda a superioridade que tem sobre o grid atual. Com o Mundial de pilotos mais do que consolidado, resta o Mundial de Construtores, que ainda está aberto.  

sábado, 30 de novembro de 2024

Carregando nas costas

 


A Sprint Race desse sábado deu alguns recados para a etapa em Lusail. Aparentemente a McLaren tinha o carro mais rápido, vindo de uma dobradinha na corrida mais curta e com Lando Norris se dando o luxo de devolver o favor que Piastri fizera em Interlagos, entregando a vitória na última curva da última volta para o companheiro de equipe, pegando a todos de surpresa, inclusive a própria McLaren. Enquanto isso, Max Verstappen que só conseguira um sexto lugar no grid, largou mal e só conseguiu salvar um oitavo lugar, reclamando muito do comportamento do seu carro. Duas horas depois, Max tirava leite de pedra e conseguia sua nona pole em 2024, desbancando McLaren e a Mercedes de Russell, numa demonstração clara que o tetra não veio por acaso.

A classificação em Lusail foi bem tranquila, mas a saída de Hulkenberg no Q1, após o alemão ter feito uma ótima Sprint, mostrava que as equipes ainda tinham muito espaço de melhorar após apenas um treino livre. Outro ocupante costumaz do Q3 nos últimos tempos, Gasly, perdeu a posição no Q3 por meros doze milésimos, enquanto Alonso retornava ao Q3 depois de muito tempo. Piastri e Norris nem de longe repetiam o controle que tiveram na Sprint. A Mercedes aparecia forte, mas somente com Russell, com um desmotivado Hamilton andando mais para trás. Lutando pelo título de Construtores, a Ferrari fez uma classificação opaca e depois de perder pontos para a McLaren com a dobradinha dos laranjas na Sprint, largará atrás dos dois no domingo.

Verstappen mostrava uma melhorava significativa em comparação à sexta e na Sprint, brigando pelos melhores tempos no Q1 e no Q2. Com a McLaren não aparecendo, quem veio forte foi Russell, com o inglês ficando com o melhor tempo, mas Max tirou o doce da boca de George e ficou com a pole, superando o piloto da Mercedes por meros cinco centésimos, com a dupla da McLaren na segunda fila. A diferença entre Max e Checo, que sempre foi grande, chegou a 1s em Lusail. A Red Bull não tem o melhor carro, mas Verstappen fez toda a diferença. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Na conta da torcida

 


Em 2009 a revista Placar, em seu tradicional Guia do Campeonato Brasileiro, cravou que o Ceará iria brigar para não cair para a série C na Segundona. Resultado? Subimos para a série A! Oito anos depois, o Ceará retornava à série A com uma outra roupagem. Se antes o clube sofria com administrações sofríveis, o Ceará era um clube organizado e se demorou esse tempo todo para subir, pelo menos sempre era respeitado, sempre ficando próximo de subir, com exceção de 2015. Fora um acesso esperado!

Foram cinco anos na série A, onde se pode dizer que apenas dois anos foram considerados bons. A administração exemplar sofria arranhões com Robinson de Castro administrando o clube pensando mais em planilhas do que acontecia no campo. Jogadores de qualidade e índole duvidosa eram contratados e em 2022 fomos rebaixados, enquanto o rival brilhava. Cair fazia parte de um plano de contingência de um clube organizado, mas Robinson não pensou nisso. Deixou o Ceará endividado e algumas situações que pareciam ter ficado num passado distante voltaram com força em 2024, após um 2023 onde o título da Copa do Nordeste foi a única coisa a se comemorar. Jogadores entrando na justiça, dívidas aparecendo a todo momento, Transfer Ban...

Porém, o Ceará tinha a sua torcida ao seu lado. O lema é 'Nunca abandonar'. Mesmo com confusões nos bastidores, uma base forte foi montada para 2024. O criticado presidente João Paulo Silva deixou o futebol com verdadeiros profissionais e competentes. Primeiro veio o inesquecível título cearense desse ano. O Ceará era um dos favoritos a subir nesse ano, mas em 2023 também o era e decepcionou amargamente. O campeonato do Vozão não parecia promissor. Derrotas fora de casa e tropeços eventuais dentro do Castelão deixava o acesso distante. Vagner Mancini saiu, entrando em seu lugar Leo Condé, que levara o Vitória ao título da Série B em 2023. O elenco tinha bons jogadores na frente, com Aylon, Saulo Mineiro e principalmente Erick Pulga transformando o Ceará no melhor ataque do campeonato. Em compensação éramos uma das piores defesas. Condé foi consertando a retaguarda, enquanto a diretoria de futebol blindava o time das notícias ruins nos bastidores. 

Se em 2009 e 2017 o Ceará ficou boa parte do campeonato no G4, nesse ano o Vozão ficou sempre por perto, mas teimava em vacilar quando estava para entrar entre os quatro primeiros. Os vacilos transformavam o acesso em algo difícil, mas não impossível. Era preciso de sete vitórias em dez jogos. Lembram que a torcida prometeu nunca abandonar? Ela não abandonou. Foi ao Castelão mesmo depois de derrotas fora de casa. Recordes eram quebrados. O Ceará foi subindo no momento decisivo, iniciando uma arrancada inesquecível. O último jogo em casa, contra o América, significou o recorde de público da Arena Castelão numa mobilização que parou a cidade. E quem lá esteve diz que tinha muito mais do que os divulgados 63.908 torcedores.

Foi uma última rodada cardíaca, onde o Ceará não fez sua parte, mas Mancini fez. Sim, o antigo técnico do Ceará treinava o Goiás que derrotou o Novorizontino e transformou o empate do Ceará com o lanterna Guarani o suficiente para um inesquecível acesso. O terceiro em quinze anos. Tomara que não precisemos de outro tão cedo. O Ceará é gigante. E sua torcida levou o time para o sonhado acesso!

terça-feira, 26 de novembro de 2024

E teremos GM!

 


O que aconteceu dentro dos luxuosos escritórios da Liberty não será conhecido tão cedo, mas os bastidores para a entrada da GM/Cadillac na F1 merecerá imensos comentários num futuro próximo. Michael Andretti não escondia seu desejo de retornar à F1, agora como chefe de equipe e depois de quase comprar a Sauber, arrumou investidores para se tornar a décima primeira equipe da F1. Porém, Michael não contava com a resistência dos dez atuais donos de equipe da F1. O receio era conhecido. Com a chegada de uma nova equipe, o bolo de premiações terá fatias menores mais na frente e com as equipes solidificadas economicamente, muitos temiam que os times pudessem ter problemas financeiros lá na frente com essa diluição.

Tentando provar que sua equipe agregaria à F1, Andretti conseguiu o importante apoio da GM, com a marca Cadillac, mas nem isso convenceu a Liberty e as equipes permitirem a entrada da equipe. Disse a Liberty que a nova equipe 'não agregaria valor à F1'. O sobrenome Andretti, junto à GM, não agrega valor a uma categoria? A Liberty queria enganar quem?

No entanto, a Andretti continuou trabalhando. Não apenas Michael seguiu contratando pessoas e construindo uma subsede em Silverstone, como Mario foi ter uma conversinha com a Procuradoria do Congresso Americano. Mesmo com a recusa da entrada, com a promessa de uma nova tentativa somente em 2028, seguir trabalhando numa nova equipe parecia estranho. Porém, o mais estranho veio depois, numa sequência de acontecimentos. Primeiro, surgiu a notícia que a investigação do Congresso chegou à conclusão de que os donos de equipe de F1 realizaram um conluio para deter a entrada da Andretti, algo que estouraria em breve. Logo depois, Michael Andretti saiu do lugar de dono da própria equipe e então Greg Maffei, CEO da Liberty, saiu do seu lugar.

Essa sequência toda fez com que a F1 anunciasse que a GM entrará na F1 em 2026 de forma repentina. No anúncio, nada foi falado em Andretti, mas a GM foi logo colocando Mario Andretti como um dos diretores da nova equipe, que se chamará Cadillac.

Uma situação estranha, para dizer o mínimo, mas voltar a ter onze equipes é bastante importante para a F1, além de contar com uma marca gigantesca fazendo parte da categoria.

Figura(LAS): Max Verstappen

 27 anos, tetracampeão mundial. Dizer o que mais de Maximilian Verstappen? Um título conquistado sem ter o melhor equipamento a maior parte do ano e numa corrida controlada. Max já está entre os grandes da F1.

Figurão(LAS): Alpine

 O duplo pódio em Interlagos e a consequente subida no Mundial de Construtores parecia significar um marco importante para a Alpine, mesmo já estando no final da temporada. Os franceses sabiam que o atípico resultado em São Paulo foi muito mais pelo clima instável do que um significativo avanço da Alpine, mas um ótimo resultado como aquele poderia significar o boost necessário para iniciar 2025 de uma maneira totalmente diferente do que foi o errático 2024 da Alpine. E logo na classificação em Las Vegas, um terceiro lugar de Pierre Gasly parecia corroborar com isso. No entanto, a carruagem gaulesa se transformou em abóbora na noite de sábado na fria Las Vegas. Gasly perder rendimento e ser ultrapassado por Mercedes, Ferrari e Verstappen era até esperado, mas ter o motor Renault estourado quando perseguia a Racing Bulls de Yuki Tsunoda foi um pouquinho demais e a possibilidade de pontos voou literalmente pelos ares. Enquanto isso, a corrida de Ocon era estragada por um pit-stop ou a falta dele, quando Esteban entrou nos pits e deu cara com o pit da Alpine vazio, num ruído inacreditável de comunicação. O zero ponto em Nevada complicou a situação da Alpine na luta pelo sexto lugar no Mundial de Construtores, além de reafirmar que o ocorrido em Interlagos foi algo totalmente fora da curva. Flavio Briatore terá bastante trabalho...

domingo, 24 de novembro de 2024

M4x

 


Foi até mais fácil do que o imaginado. Numa F1 cheia de surpresas em 2024, Las Vegas viu o domínio da Mercedes, algo que os próprios pilotos da equipe se surpreenderam e não souberam explicar, mas Max Verstappen fez sua própria corrida rumo ao merecido tetracampeonato, fato praticamente consolidado em Interlagos, quando o neerlandês venceu uma prova onde apenas seu talento explicou o triunfo. E foi assim em boa parte do ano, quando a Red Bull perdeu a primazia de ter o melhor carro do plantel da F1 e a McLaren passou a ocupar esse posto. Talvez desacostumada com a equipe atual a estar nessa posição, a McLaren cansou de pisar no tomate, enquanto Max Verstappen foi amealhando pontos, mesmo que em certas ocasiões, tenha se comportado de uma forma agressiva demais, principalmente frente à Lando Norris, seu rival, mas que parecia uma criança na frente do animal competitivo chamado Max Verstappen. Bastou apenas um quinto lugar em Las Vegas para Max Verstappen conquistar o merecido tetracampeonato. Mesma posição que seu sogro Nelson Piquet precisou para garantir o primeiro título quarenta e três anos atrás. Ambos merecidos.


A corrida em Las Vegas esteve longe de empolgar, como aconteceu no ano passado. No frio que faz em Nevada nessa época do ano no momento da corrida fez com que a Mercedes, que vinha em péssima fase a ponto de Lewis Hamilton ter pensado em abandonar a equipe antes do final da temporada, dominasse o final de semana como nos áureos tempos do início da Era híbrida. George Russell ficou com a pole e Lewis Hamilton só largou em décimo por causa de um erro do veterano inglês no Q3. Era esperado um desempenho superior da Ferrari em ritmo de corrida, enquanto a McLaren, talvez ainda traumatizada pela derrota acachapante em Interlagos, era claramente a quarta força do grid. Leclerc soube capitalizar a fechada que Sainz aplicou no surpreendente terceiro colocado no grid Gasly e subiu de quarto para segundo na largada. O monegasco parecia querer provar a teoria que a Ferrari teria mais ritmo em corrida e começou a atacar Russell pela primeira posição, mas George sabia também que estar bem posicionado faria toda a diferença, se defendendo bem dos ataques de Leclerc. Enquanto isso, Gasly era escalado, mas se Verstappen rapidamente se livrou do francês, Lando Norris demorou um pouco mais para efetuar a ultrapassagem, já tendo Tsunoda, Piastri e Hamilton em seu cangote. Com o clima frio em Vegas, achar a famosa janela de desempenho se tornou um desafio para os pilotos e após o ataque inicial de Leclerc, os pneus de Charles foram embora de tal forma, que ele foi ultrapassado por Sainz e Verstappen com certa facilidade. Alguns pilotos do pelotão intermediário mal esperaram completar a décima volta para visitar os pits e então Leclerc abriu o round para os pilotos da frente. Com uma parada tão antecipada, era nítido que a estratégia padrão seria de duas paradas.


Quando todos pararam, a corrida ficou estática e as emoções diminuíram bastante, favorecendo que Max Verstappen concretizasse seu primeiro match point. Mesmo com o neerlandês sofrendo com uma Red Bull que levou uma asa traseira errada para Nevada e teve que fazer uma gambiarra para salvar um desempenho em reta que debitava até seis décimos de desvantagem aos demais, Verstappen via uma McLaren irreconhecível em Las Vegas. Norris esteve longe de estar na briga até mesmo pelo pódio, enquanto Piastri era punido por colocar seu carro no local errada no colchete do grid. Se bastava marcar Norris para ser campeão, Verstappen o fez com imensa facilidade nesse domingo. Hamilton fazia sua melhor corrida do ano e após a primeira parada, o inglês engoliu a diferença que tinha para as Ferraris, executando as ultrapassagens decisivas ainda antes da segunda parada, onde a Ferrari deu outro show de erro operacional, quando Sainz rogava para ir aos pits via rádio, mas quando o espanhol mergulhou para os pits, a Ferrari estava despreparada e Sainz teve que voltar à pista rapidamente, perdendo ainda mais tempo. Hamilton ultrapassou um cuidadoso Verstappen após a segunda parada e iniciou uma bela sequência de voltas mais rápidas, recortando a desvantagem de Russell de 12s para 5s, mas George tinha a corrida sob controle e ao ser avisado pelo rádio da aproximação do companheiro de equipe, Russell aumentou o ritmo e controlou o resto da corrida até a bandeirada para conquistar sua terceira vitória na carreira, com Hamilton completando a dobradinha da Mercedes. Toto Wolff pedirá mais corridas no inverno...


Enquanto isso, Verstappen fazia uma corrida calculada e quando a dupla da Ferrari se aproximou, Max nem forçou muito nas defesas, já que Lando Norris vinha 13s atrás, o que ficou ainda melhor quando o inglês foi aos pits colocar pneus macios e garantir a volta mais rápida. A McLaren nem olhava mais para o Mundial de Pilotos, mas para o Mundial de Construtores, pois mesmo com Piastri se recuperando de sua punição e terminando logo atrás de Lando, a McLaren perdeu bastante pontos para a Ferrari, com Sainz terminando na frente de Leclerc. De forma sossegada, Max cruzou a linha de chegada em quinto e garantiu matematicamente o quarto título seguido. No começo da temporada, todos esperavam que Max Verstappen conquistasse o título com antecedência, algo que foi confirmado nesse domingo, mas quando formos analisar a fundo o ano de 2024 da F1, perceberemos que Verstappen colocou o seu carro nas costas para garantir o título com duas provas de antecipação. Claro que os pontos conquistados no início de ano esmagador da Red Bull fizeram toda a diferença, mas Max usou seu talento absurdo para conquistar resultados acima do potencial do carro, com a magnífica vitória em São Paulo como o principal desses momentos. Se ano passado Max dominou a F1 de forma poucas vezes vistas, mesmo numa era de domínios, nesse ano Verstappen teve que se reinventar num momento de declínio da Red Bull, mais refletido em Sérgio Pérez, em outro final de semana medonho do mexicano.


Nico Hulkenberg foi novamente o melhor do resto, fazendo com que a Haas ganhasse um pontinho da Racing Bulls, com Tsunoda em nono, enquanto Lawson fez uma corrida errática dessa vez. A Alpine chegou a sonhar com Gasly conseguindo um terceiro lugar no grid, mas um motor quebrado transformou a carruagem francesa em abóbora e os gauleses saíram sem pontos. Alonso foi o único que largou com pneus macios, já pensando numa estratégia de duas paradas e o espanhol ganhou bastante terreno com isso, mas com uma Aston Martin à deriva, Alonso acabou sem pontos, enquanto Stroll entrou nos pits com a sua equipe totalmente despreparada. A coitada da Williams, que mais faz serviço de funilaria do que de mecânica, viu Albon se tornar o segundo abandono do dia quando estava na zona de pontos, enquanto Colapinto, após destruir seu carro pela terceira vez em dois finais de semana, fez uma prova opaca. A Sauber chegou a sonhar com o primeiro ponto do ano com Zhou, mas uma parada deixou o chinês para trás, enquanto o já demitido Bottas foi sempre o último, confirmando o motivo de sua dispensa.


Quando Nelson Piquet foi quinto colocado em Las Vegas em 1981, o brasileiro iniciou um projeto de desenvolvimento do motor BMW turbo e não teve como defender seu campeonato em 1982. Mesmo se mostrando um piloto superior nesse momento, Max Verstappen corre o mesmo risco do sogro. A queda abrupta da Red Bull em 2024 tem várias explicações, como a fratura dentro da cúpula da equipe e a saída de Adrian Newey da equipe. As confusões de bastidores da Red Bull respingaram no desempenho dentro da pista e somente Max Verstappen minimizou o declínio da Red Bull. O gap que Max conquistou no começo do campeonato fez toda a diferença para o título, além de algumas atitudes discutíveis de Lando Norris e da McLaren ao longo do campeonato. Porém, 2025 tudo começará do zero e Max Verstappen não terá o handcap dos pontos. No entanto, ainda estamos em 2024 e Max Verstappen pensará no grande campeonato que fez. A consolidação da McLaren, o crescimento da Ferrari, as estocadas eventuais da Mercedes e a queda da Red Bull ficarão para depois. Max irá comemorar seu merecido tetracampeonato!

domingo, 17 de novembro de 2024

Super Jorge

 


Ano passado Jorge Martin perdeu o título para Pecco Bagnaia, mesmo dando a impressão de ter sido o piloto mais rápido da MotoGP, porém, já contando com um título, Bagnaia se mostrou mais completo. Contando com a experiência de ter disputado um título, Martin evoluiu claramente. É muito mais fácil frear um piloto do que acelera-lo. Martin tem a velocidade e bastou a ele domestica-la. O espanhol da Pramac não teve uma temporada livre de erros e ainda teve o grande dissabor de ser novamente escanteado pela Ducati oficial, levando Jorge assinar com a Aprilia para 2025. Martin usou a consistência que tanto lhe faltou em 2023 para derrotar Bagnaia nessa temporada e quebrar vários recordes. Quinto espanhol a vencer na MotoGP, Jorge Martin foi o primeiro piloto desde Valentino Rossi a vencer com uma equipe independente e o primeiro na Era do MotoGP.

O título de Jorge Martin foi conquistado de forma tranquila numa corrida que pode ser adjetivada como monótona em Barcelona, que substituiu o circuito Ricardo Tormo, por causa da tragédia climática que atingiu Valencia poucas semanas atrás. Com o terceiro lugar na Sprint de sábado, Martin precisava apenas de um nono lugar para se sagrar campeão em 2024. Largando em quarto, Jorge saiu muito bem e rapidamente pulou para segundo, logo atrás do seu rival Bagnaia. Atacado por Marc Márquez ainda na primeira volta, Martin não se animou a brigar com o piloto que lhe tirou a vaga na equipe oficial da Ducati de fábrica e deixou Marc se entender lá na frente com seu futuro companheiro de equipe na Ducati. Sem ter muito o que fazer, Bagnaia atacou desde o início e sempre teve a incômoda presença de Márquez lhe fustigando, mas o espanhol talvez não quisesse uma briga mais forte com Bagnaia, onde somente a vitória lhe interessava, além de ajudar seu compatriota Martin, que ficou confortavelmente em terceiro a corrida inteira. Logicamente que há a tensão de uma decisão de título, onde um erro pode ser fatal, mas nada demais ocorreu na prova barcelonesa.

E Martin pôde comemorar seu título sem maiores arroubos nesse domingo. Foi uma conquista baseado, como dito acima, na consistência, mas principalmente, pelos pontos conquistados por Jorge nas Sprints. Invenção da Dorna, as Sprints se tornaram decisivas na medida em que, mesmo os pilotos marcando a metade dos pontos, Martin soube como ninguém aproveitar os constantes erros de Bagnaia nas mini-corridas durante o ano e foi amealhando pontos, enquanto venceu apenas três vezes no domingo. Bagnaia e Martin fizeram um campeonato à parte, onde estiveram sempre na briga pelas vitórias durante toda a temporada, mas os constantes erros e a falta de carisma de ambos deu a sensação de que o campeonato foi marcado pelo nível baixo, o que não é verdade. Martin foi metódico o campeonato inteiro, mostrando sua velocidade quando necessário, principalmente nos sábados, seja na classificação, seja nas Sprints. E Jorge ainda teve a decepção de ter sido dispensado pela Ducati de fábrica pela terceira vez, fazendo o espanhol se mudar para a Aprilia, no lugar do seu amigo e protetor Aleix Espargaró. Para desespero da Ducati, Martin levará o #1 para a Aprilia em 2025, num ano novamente amplamente dominado pela equipe de Borgo Panigale, que só perdeu uma única corrida e dominou tanto o Mundial de Construtores, como as quatro primeiras posições.

O título de Martin passa também pelos erros de Bagnaia. O italiano da Ducati era o grande favorito ao tricampeonato, mas pecou justamente no seu ponto forte: a consistência. No ano passado Bagnaia derrotou Martin com sua força mental e por estar sempre marcando pontos. Nesse ano, Bagnaia venceu onze vezes, se igualando à lendas como Rossi, Agostini, Doohan e Stoner, mas suas quedas e erros, principalmente nas Sprints, machucou demais o campeonato de Pecco, o deixando com o título fora de suas mãos ainda na perna asiática, quando Martin mais administrou o campeonato. Bagnaia terá que melhorar bastante e tratar de errar menos, para não ficar com a pecha de um multi-campeão menor na MotoGP, além de que em 2025, receberá Marc Márquez na equipe. O espanhol lhe deu uma chance arriscada ao deixar a Honda e ir para a menor equipe das satélites da Ducati. Logo Márquez mostrou seu incrível talento na melhor moto do pelotão, lhe rendendo três vitórias no campeonato e o terceiro lugar no campeonato. Tudo indicava que Marc iria para a Pramac e Martin subiria à equipe oficial, mas a recusa de Márquez em mudar-se para outra equipe satélite pegou a Ducati de surpresa e como resultado, causou todo um rebuliço no mercado de pilotos, fazendo com que Márquez ultrapassasse Martin na luta por uma vaga na Ducati Lenovo, numa manobra bem discutível.

Márquez mostrou que já entrará na Ducati como um dos favoritos. Seu talento ainda está lá, mesmo que após tantos machucados, não esteja como nos velhos tempos. Marc lutará com Bagnaia, com quem já bateu no começo do campeonato, o que pode envenenar o ambiente da Ducati de fábrica. Enea Bastianini não teve a desculpa das contusões para mais um campeonato irregular na equipe oficial da Ducati e sem espaço com os italianos, se mudou para a KTM, juntamente com Maverick Viñales, outro piloto que se mostrou on-off. O espanhol foi o único piloto não-Ducati a vencer em 2024, mas foi capaz também de atuações horrorosas, como a de hoje. Por esse motivo, a Aprilia não o quis como segundo piloto, preferindo trazer Marco Bezzecchi, ao lado de Martin em 2025. A KTM teve um ano decepcionante, mas pelo menos revelou Pedro Acosta, mais um piloto espanhol brilhante, que muitas vezes liderou a KTM, mas perdeu o posto de melhor piloto da equipe austríaca para Brad Binder na última corrida. A KTM se livrou de Jack Miller e terá uma equipe forte para o próximo ano, mas necessita melhorar a moto. O australiano conseguiu abrigo na Pramac, onde já correu. Porém, a Pramac não correrá mais com a Ducati, também decepcionada pela escolha por Márquez e assinou com a Yamaha, que assim como a Honda, tentará uma ressurreição após uma temporada tenebrosa das montadoras japonesas.

A MotoGP finalizou seu campeonato com um campeão digno das belas corridas que nos mostrou ao longo de 2024, porém, ficam algumas dúvidas para o futuro da categoria. A entrada da Liberty Media, que comprou a Dorna, pode dar uma guinada na categoria. A F1 viu sua popularidade crescer bastante com a Liberty, mesmo que desagradando muitos puristas. A MotoGP teve boas corridas, como sempre, mas seus dois protagonistas nem de longe tem o carisma de outros campeões que a categoria já teve. Mesmo em disputa renhida, Bagnaia e Martin trocavam elogios, frustrando quem esperava uma briga franca dentro e fora das pistas. A Liberty já deu o recado que não quererá a 'espanholização' trazida pela Dorna e por Carmelo Ezpeleta, que pode estar de saída. Faltou uma maior exploração das belas corridas e do campeonato apertado que tivemos. Isso é fato. Talvez a Liberty corrija isso, mas tomara também que não mexa em certos valores que a MotoGP tem e terão que ser mantidos. Para o bem de todos.

domingo, 10 de novembro de 2024

Logano é tri!


 Num dia de luto para a Nascar, a categoria principal realizou sua etapa decisiva em Phoenix, tradicional oval no Arizona. Desde a chegada dos famigerados play-offs, quatro pilotos chegam à última corrida com chances de ser campeão. Joey Logano, o atual campeão Ryan Blaney, William Byron e Tyler Reddick disputariam entre si quem seria o campeão de 2024. Reddick fez uma corrida opaca, onde em nenhum momento brigou pela vitória, numa prova marcada por uma mancada histórica, quando o piloto do safety-car bateu na entrada dos pits, num dos acidentes mais bizarros dos últimos tempos.

Byron contou com a ajuda do seu companheiro de Hendrick Kyle Larson, mas a dupla da Penske se mostrou fortíssima no final. Com a queda de rendimento de Christopher Bell, que mesmo não estando entre os quatro contendores liderou boa parte da prova, Logano emergiu na frente na última relargada e de lá não saiu mais. Blaney teve que superar Larson e Byron para uma tentativa desesperada de manter o título, mas Logano sua experiência para conter o companheiro de equipe nas voltas finais e conquistar seu terceiro título na Nascar Cup, se colocando entre os grandes da categoria. Considerado um prodígio nas categorias de baixo, Logano só desabrochou quando mudou da Gibbs para a Penske em 2013, quando muitos imaginavam que Joey seria uma eterna promessa.

Logano era perseguido por alguns pilotos mais durões por ser protegido, mas o americano não baixava sua guarda e aos poucos, conquistou o respeito dos demais sendo bastante agressivo nas pistas, tornando Logano um dos pilotos mais odiados da Nascar. Porém, após conquistar o título em 2018 e 2022, Logano bateu Blaney e com apenas 35 anos de idade, um menino para os padrões da Nascar, Joey poderá aumentar ainda mais sua estatística, mesmo que isso não lhe traga mais popularidade.

Que pena...


 A NASCAR está de luto com o falecimento de Bobby Allison, aos 86 anos de idade. Piloto histórico da categoria, Allison fez parte da chamada Alabama Gang, além de participado da mítica 'The Fight', após a Daytona 500 de 1979, onde cenas de pugilato colocaram a Nascar em evidência. Campeão da Cup em 1983 e vencedor da Daytona 500 três vezes, Bobby Allison foi um dos gigantes da Nascar. 


Você tem um sonho?

 


Sonhar faz parte da vida do homem, independentemente da idade ou do momento da vida. Sempre estamos sonhando. Muitas vezes temos sonhos que não são tangíveis, como ser feliz ou ser independente. Outras vezes temos sonhos materiais: comprar uma casa ou obter aquele carro de luxo. Vivemos, trabalhamos e lutamos para realizar alguns desses sonhos. Eu mesmo já realizei alguns desses sonhos, mas havia um, bem particular, que eu tinha: assistir uma corrida de F1 in loco.

Desde que me entendo por gente acompanho a F1 e me via em algum momento sentindo a emoção de ver tantos os carros como os pilotos de perto. Haviam alguns empecilhos, pois vivo no Ceará e o Grande Prêmio do Brasil se realiza bastante longe de onde moro. Outro era o preço, proibitivo enquanto você ainda somente estuda. Como falei, nós batalhamos para realizar alguns dos nossos sonhos. Nos últimos anos comecei a me programar para ver a F1 na pista, só não contava com a dificuldade que era conseguir um ingresso, mesmo tão caro. Quando ouvia falar do início da venda de ingressos para o GP Brasil do ano seguinte, rapidamente se esgotavam. Em certo momento já me conformava em ver, como sempre faço desde o final da década de 1980, as corridas em Interlagos da mesma forma como as demais etapas do calendário da F1: pela TV. No entanto, uma combinação de situações me pôs em contato com uma excursão de Pernambuco e em 2024 finalmente pude colocar meus pés no templo sagrado de Interlagos.

Já havia assistido corridas de forma presencial no surrado e resiliente circuito do Eusébio (outro autódromo correndo risco de desaparecer), tendo visto corridas de F3 e da Truck. Como me falou Márcio Madeira, para quem curte automobilismo, vale a pena ver uma corrida no autódromo pelo menos uma vez na vida para sentir toda a emoção do automobilismo. Porém, a F1 é muito diferente de tudo que já havia presenciado. O ronco do motor de um F1 está longe de arrebatar corações, mas quando me aproximava do portão do setor A de Interlagos e a primeira sessão de treinos livres já havia iniciado, escutei um carro passar. Senti o primeiro arrepio do final de semana. Quando finalmente entrei, quase quebrei uma regra, pois como criança, queria correr para ver a pista, não me importando muito se havia um procedimento para uma pessoa iria ingerir bebidas alcoólicas ou não. Então, vi uma Mercedes passando na minha frente. A sensação de velocidade era absurda, saindo do Café em direção a reta dos boxes. Parei e apenas curti. Como já havia experimentado em outros tipos de corridas, há uma mistura de sentidos quando um carro de competição passa na sua frente. Há a sensação de velocidade, há o som do carro e também o cheiro de gasolina de competição no ar. Mas com todo respeito aos F3 que havia assistido muitos anos atrás, não dá para comparar com um F1. Fiquei esperando passar cada carro de cada equipe, identificando um a um. Sim, tudo que havia visto pela TV estava passando na minha frente. O colorido dos carros e os capacetes, mesmo escondidos pelo Halo, eu também pude identificar. Para a minha sorte, as equipes não mudaram muito as cores dos carros, então vi o vermelho Ferrari, o preto/prata da Mercedes e por aí vai.

Fiz um cálculo de cabeça e provavelmente os carros passavam a mais de 300 km/h por ali. Fui explorar outros setores. Aproveitei minha altura e enxerguei outras partes da pista. A velocidade em que os carros fazem o Laranjinha é impressionante, com os bólidos no limite da aderência. Um fato que me chamou atenção foi a entrada dos boxes. Algo que pela TV é banal, ao vivo é algo que você respeita o que esses caras fazem. Os carros entram muito rápido e então freiam forte e vocês escuta as marchas baixando. Os estalos do motor. Então os carros fazem o Esse de alta antes de adentrar os pits. Acabou o treino. Adrenalina ainda a mil. Tirei algumas fotos, peguei algumas dicas de quem já havia vindo à Interlagos outras vezes. Uma delas falava do clima maluco que faz ali. Para quem vem do Ceará, frio não é algo comum, ainda mais com o sol forte que fazia no momento em que chegamos, mas já sabia que havia previsão de chuva para os três dias. Estava despreparado para o que viria. Na sexta à tarde, o tempo mudou radicalmente. Se não choveu, começou a ventar e esfriou repentinamente a ponto do cearense da gema aqui ficar com os braços cruzados. Fiquei mais próximo da pista, a velocidade dos carros é incrível.


No sábado pela manhã, o céu em São Paulo era tão limpo que até brinquei: Se o dia amanhece assim no Ceará, não chove de jeito nenhum. Mas estava a mais de 2.000 km da minha terrinha e a previsão de chuva era forte para mais tarde. Para a minha sorte, o hotel havia dado de brinde aos participantes da excursão uma capa de chuva. Levei por precaução. Não me arrependeria, pois a fama das quatro estações do ano aparecerem num mesmo dia em Interlagos é bastante real. Na largada da Sprint Race, com o sol ainda forte, fiz o que me disseram: fica perto do grid. Foram as melhores cenas que presenciei em muito tempo. Colado ao alambrado, nas últimas filas, vi as equipes esperarem os carros chegarem antes do grid e serem colocados em skates rumo ao seu respectivo colchete. Estava a pouco mais de dez metros de um carro de F1. Nesse momento também vi alguns personagens. Bottas e seus mullets chegando de patinete em alta velocidade. Ocon ficou bem próximo de mim, acenou para nós e me impressionei com a sua altura. O mesmo, só que inversamente, Tsunoda. Como é pequeno o japonês! Vi passar Ju Cerasoli e James Hinchcliffe através do grid, além de Jonathan Wheatley conversando animadamente com a turma da Racing Bulls, com Laurent Meckies ao lado. Quando os carros estavam para sair, Helmut Marko foi falar com Pérez e Tsunoda, nas últimas filas. Os carros saem para a volta de apresentação, mas o som está longe de ser ensurdecedor. Para quem ouviu os V10s, se dizia que o mundo parecia que iria acabar no momento da largada. E antes da largada da Sprint, outro momento especial. Os carros saem da curva do Café bem lentos e de repente, arrancam. O cheiro de gasolina de competição se misturava à borracha queimada.


Com dois telões, dá para ver a corrida muito bem, apesar de preferir ver o que se passava na pista. A torcida vaiava Verstappen, vibrava com Hamilton, mas a torcida argentina foi um capítulo à parte. Os vendedores ambulantes falavam em castelhano enquanto uma turba de argentinos passavam. A brincadeira que se fazia era que se Franco Colapinto for mesmo para a Red Bull em 2025, Interlagos teria mais argentino do que brasileiro. E como sabem torcer os argentinos! Vibravam quando Franco passava, mesmo o portenho tendo tido seu pior final de semana em sua curta carreira na F1. Será que os brasileiros farão o mesmo com Bortoleto ano que vem?

Depois da Sprint, o sol foi se escondendo aos poucos, mas nada dizia que uma tempestade de avizinhava. Na corrida da Porsche, que por sinal tem um ronco mais bonito que o da F1, o céu escureceu de uma vez e uma tromba d'água se abateu sobre Interlagos. Só depois soube que São Paulo havia parado. De longe dava para ver que a Curva do Lago fazia jus ao seu nome. Vai ter treino? Não vai? O chefe da excursão preferiu não arriscar e chamou todo mundo de volta. Sábia escolha. 


Com o tênis encharcado, meias idem e com o preço da capa de chuva pulado de dez para setenta reais, me preparei para a corrida. Mas será que vai ter corrida? O domingo amanheceu chuvoso, mas bem longe do toró de sábado. Por sinal, não parou mais de chover em São Paulo até a minha viagem de volta. E então tive a sorte de ver uma das melhores exibições individuais da história da F1. A classificação, no domingo muito cedo, foi tão atribulada que ainda assisti o final, com Norris na pole e Verstappen, ainda punido, saindo em 17º. Parecia que o campeonato iria ficar ainda mais aberto. Como escreveu muito bem Lucas Giavoni, vimos que mesmo a F1 sendo uma competição onde muitas vezes o resultado ainda depende do equipamento, o piloto ainda faz muita diferença e Max Verstappen fez um recital. Para quem estava no autódromo, era impressionante a facilidade com que o piloto da Red Bull deslizava nas condições traiçoeiras de Interlagos, enquanto Norris literalmente naufragava. A dupla da Alpine se destacou demais, mesmo que no momento de maior chuva, Ocon deu uma destracionada na minha frente que pensei que ele iria aquaplanar ali mesmo! Verstappen parecia de outra categoria, com ultrapassagens incríveis na freada para o Esse do Senna. E falando nele, outro arrepio que tive no final de semana foi quando Hamilton deu uma acelerada no miolo com o McLaren MP/5B depois da classificação. Muita gente chorando enquanto Lewis passava e passava rápido com a McLaren de Senna, muito presente em Interlagos. Pena, que nada se falou sobre os 50 anos do bicampeonato de Emerson Fittipaldi...

Quando Max tomou a liderança, ele começou a marcar volta mais rápida em cima de volta mais rápida. No começo, ninguém se impressionou muito, mas na medida em que ele passava e o telão mostrava outra volta mais rápida, começaram a surgir os 'oh'. Eu mesmo exclamei: ele agora tá só brincando! Os apupos se transformaram em aplausos de respeito quando Max Verstappen cruzou na nossa frente pela última vez. Fora uma exibição de gala. E eu estava lá!


Ao falar para o pessoal da excursão que era a minha primeira vez na F1, muita gente falou que eu iria me viciar que voltaria sempre. A organização da excursão foi espetacular e a turma de Caruaru foi muito receptiva, porém, a organização do Grande Prêmio... Por estar no autódromo, tive pouco acesso às redes sociais e por isso não vi as reclamações, mas era flagrante as falhas. Uma fila quilométrica fez que muita gente no sábado não visse nenhum carro de F1. Apenas um portão no Setor A funcionava, mas o que mais me preocupava era a saída. Um efeito funil e um portão estreito me causava calafrios caso precisasse uma evacuação de emergência. Dentro de Interlagos, o desconforto era totalmente desproporcional ao preço que você paga para estar lá. As arquibancadas não tem assento e por isso, você fica a maior parte do tempo em pé. Tudo extremamente caro. Uma camisa oficial de uma equipe custava 'módicos' 800 reais. Um boné? 500 pilas. Para comer e beber, além de caro, faltava opção e por isso, fiquei sem almoçar os três dias de evento. Não sei se foi algo específico desse ano, mas soube depois que as reclamações foram gigantescas e no domingo, pelo menos abriram um portão a mais e a fila foi menos traumática...

No entanto, o último arrepio que senti e esse foi o mais forte, foi quando saía de Interlagos depois da corrida (Não arrisquei invadir a pista...). Eu tinha conseguido realizar meu sonho. Aqueles carros e pilotos que via apenas pela TV, tinha visto com meus próprios olhos. Senti o que era a velocidade de um carro de F1 e até senti seu cheiro. Pelo investimento feito, talvez o perrengue era grande demais, mas isso não importava muito. Indico demais para todo fã de F1 que, se puder, vá pelo menos uma vez à Interlagos. 

Vale a pena!