Correndo em casa, Oscar Piastri obteve um resultado decepcionante ao sair da pista no momento em que a pista molhou em Melbourne e jogar fora uma dobradinha certa da McLaren, corroborando com a falta de sorte do australianos em seu próprio solo. Uma semana depois, Piastri se recuperou magistralmente nesse enfadonho Grande Prêmio da China, com uma vitória dominante vindo da pole, não dando chances a ninguém, nem mesmo seu companheiro de equipe Lando Norris, que levou um susto no final da prova, quando enfrentou problemas nos freios. Seguindo sua toada, George Russell subiu mais uma vez ao pódio, à frente de Verstappen e das desclassificadas Ferraris.
O alta desgaste de pneus na Sprint Race ligou o sinal amarelo das equipes, fazendo com que todos esperassem uma corrida mais tática do que emocionante, sendo que ao final das cinquenta e seis voltas, outro adjetivo pôde ser usado para a prova chinesa: chata. Claro que Oscar Piatri não tem nada a ver com isso. O australiano usou o exemplo de Hamilton no dia anterior e convergiu seu carro para dentro no apagar das cinco luzes vermelhas, acabando com qualquer chance de Russell efetuar algum ataque na primeira curva. Para melhorar a situação da equipe comandada por Zak Brown, Lando Norris fez algo não muito usual para o inglês, que é ganhar alguma posição na largada, ultrapassando seu conterrâneo ainda no complexo primeiro setor da pista. Um pouco mais atrás, era Max Verstappen que fazia algo não muito comum nos últimos tempos, que foi uma má largada, quando se posicionou mal por fora e acabou superado pela dupla da Ferrari, mas com Lewis e Charles se tocando, resultando num dano na asa dianteira de Leclerc. Fora a rodada de Bortoleto, a primeira volta foi bem tranquila, iniciando uma corrida que foi morna o tempo todo, com os pilotos com receio de forçar os pneus e que no fim, se mostrou infundado quando foram calçados os pneus duros na primeira rodada de paradas, o que se provou ser a única para boa parte do pelotão.
Piastri e Norris não desapareceram no horizonte, claramente controlando o ritmo, enquanto Russell segurava bem um inicialmente motivado Hamilton. Mesmo com a asa dianteira sem o direcionador esquerdo, Leclerc mantinha um bom ritmo, para desespero de Verstappen, que era um conformado sexto colocado. Com os pilotos quase todos utilizando os pneus médios, ninguém atacava, todos presos no famoso 'trem do DRS'. Quando as paradas começaram, ainda antes do primeiro terço de prova, havia uma clara sensação de que as equipes usariam a tática de duas paradas, mas ao calçar os pneus duros, George Russell foi o primeiro a vocalizar que seria bastante possível ir até o final da prova com aquele set de pneus. E assim foi com praticamente todo o grid. Mesmo com alguns undercuts ocorrendo, como Tsunoda ultrapassando um apagado Antonelli e Russell surgindo ligeiramente à frente de Norris, que logo deu o troco, a corrida se manteve estática e sem emoções. Leclerc fazia uma corrida surpreendente e logo encostou em Hamilton, pedindo passagem via rádio. Relutantemente Lewis cedeu passagem ao companheiro de equipe, que inicialmente foi para cima de Russell, mas logo perdeu rendimento, enquanto Hamilton ficou ainda mais para trás, porém, ainda com vantagem sobre um solitário Verstappen. À essa altura Piastri já estava com o braço para o lado de fora e ouvindo FM de forma sossegada lá na frente. Quando percebeu-se que uma segunda parada não seria necessária, Piastri controlou totalmente a corrida rumo a uma tranquila bandeirada, vencendo pela terceira vez na carreira e iniciando de verdade o campeonato. Já Norris não teve uma corrida tão serena. Sem condições de atacar Piastri, teve que ultrapassar Russell após sua única parada e praticamente mandou Oscar aumentar o ritmo para não ficar no 'ar sujo' do australiano e prejudicar seus pneus. Algo que Piastri fez sem maiores problemas. Contudo, o pior para Lando estava reservado para o final.
Nas últimas voltas Norris relatou problemas nos freios, uma complicação que só piorou na medida em que as voltas foram passando, causando um verdadeiro drama para o inglês, que claramente freava bem antes das curvas, deixando o carro rolar para usar menos os freios. Na última volta, Norris cruzou a bandeirada apenas 1,3s à frente de Russell, indicando que mais uma volta significaria uma posição (ou mais) a menos. Aliviado, Lando Norris completou a dobradinha da McLaren, mas viu que Oscar Piastri está de volta e pode ser um fator importante na briga pelo título, no que pode ser um assunto interno da McLaren. Russell fez uma prova sólida, que é sua principal característica, vencendo a dupla da Ferrari e quase capitalizando o problema de Norris. Liderando a Mercedes agora, George vem reagindo bem a responsabilidade, enquanto Antonelli fez uma corrida medíocre nessa sua primeira prova em pista seca. Após impressionar no piso úmido de Melbourne, Andrea foi muito mal e chegou a ser ultrapassado pela Haas de Ocon, algo não esperado por alguém que tem em mãos uma Mercedes, porém, Kimi acabou marcando bons pontos depois da corrida.
Hamilton foi dos poucos a fazer duas paradas, quando se viu pressionado por Verstappen, mas isso não lhe rendeu muitos frutos, pois Lewis acabou por não alcançar o neerlandês. O dano da asa dianteira de Leclerc deve ter feito efeito quando os pneus duros desgastados diminuíram o ritmo da Ferrari e ao invés de atacar Russell, Charles acabou sendo atacado por Verstappen, que efetuou a mais bela manobra do dia para ganhar a quarta posição do monegasco nas últimas voltas. Depois de vencer a Sprint pela primeira vez, quinto e sexto lugares não era algo que a Ferrari esperava na corrida, principalmente com o ritmo do primeiro stint, mas tudo pioraria horas mais tarde, quando pela primeira vez em 75 anos de F1, a dupla da Ferrari seria desclassificada. E por motivos diferentes. Enquanto Leclerc foi eliminado por estar com o carro abaixo do peso, Hamilton acabou desclassificado por causa da prancha debaixo do carro estar com desgaste acima do limite tolerado. Zero ponto para a Ferrari após o GP da China e um início nada promissor para os italianos, mesmo com a primeira vitória na Sprint. Já na Red Bull a saga do segundo carro segue. Se Max Verstappen continua levando o carro nas costas e ainda se mantém na vice-liderança do campeonato, Liam Lawson teve uma corrida abaixo da crítica. Depois de conseguir o último tempo na classificação e largar dos boxes, o neozelandês em nenhum momento sequer esboçou uma corrida de recuperação, ficando sempre entre os últimos colocados. Pelo menos Sérgio Pérez evoluía... Já se fala abertamente em trocar Lawson e que isso poderia ocorrer já na próxima corrida, em Suzuka. Porém, fica a pergunta: Tsunoda conseguirá acabar com a maldição que parece pairar sobre o segundo carro da Red Bull?
Após ter sido o carro mais lento em Melbourne, o Haas deu a volta por cima em Xangai. Depois de uma classificação positiva, o time comandado por Ayao Komatsu viu seus dois pilotos efetuarem boas largadas e rapidamente se colocarem entre os dez primeiros. Com uma estratégia diferente, onde esticaram o primeiro stint, Ocon e Bearman foram destaques nas voltas após suas paradas, efetuando boas ultrapassagens, com destaque pela agressividade de Esteban ao ultrapassar a Mercedes de Antonelli e as tiradas que Bearman fez ao ultrapassar vários carros no Hairpin no final da reta oposta. Ciao, era o que dizia o inglês. Com as desclassificações das Ferraris, Ocon subiu para um impressionante quinto lugar e Bearman ficou em oitavo, garantindo bons pontos à Haas. Continuando a boa forma mostrada na Austrália, Albon novamente colocou Sainz no bolso e liderou a Williams numa prova sem sustos, enquanto Sainz se aproveitou das desclassificações à sua frente para marcar seu primeiro ponto em 2025, mas o espanhol vem sendo uma das decepções da atual temporada.
Stroll foi outro que esticou seu primeiro stint e chegou a andar no top5 antes de parar, mas quando o canadense fez sua única parada, o piloto da Aston Martin não evoluiu mais e só marcou pontos pelas desclassificações. Alonso foi o único abandono do dia logo nas primeiras voltas, ficando zerado no campeonato e surpreendentemente não levando a Aston Martin nas costas. A Racing Bulls andou praticamente a corrida inteira na zona de pontuação, inclusive com Tsunoda ficando na frente de Antonelli e Ocon, enquanto Hadjar fazia uma prova segura rumo aos pontos, mas o time B da Red Bull escolheu fazer uma segunda parada em seus carros. Foi o fim das chances de pontos para ambos, no que ficou ainda pior quando a asa dianteira de Tsunoda colapsou na reta dos boxes, jogando o nipônico para a última posição. A Racing Bulls é a única equipe sem pontos no momento, mas o ritmo certamente está lá. A Sauber foi o carro mais lento do pelotão, com Hulkenberg largando muito mal e Bortoleto rodando na primeira volta, no primeiro erro do novato, mas Gabriel fez uma boa corrida de recuperação e ainda teve chance de ultrapassar Hulk. Além da Ferrari, Pierre Gasly também foi desclassificado, pelo mesmo motivo de Leclerc, mas o gaulês não estava nos pontos no momento, o que não fez tanta diferença. Jack Doohan parece inquieto com a sombra permanente de Colapinto e por isso faz corridas bem agressivas. Punido na Sprint, o australiano voltou a ser punido na corrida, ao jogar Hadjar para fora da pista numa disputa de posição. Pressionado, Doohan começa a espanar, para alegria de Franco.
Depois de um resultado ruim na estreia do campeonato, Oscar Piastri demorou apenas uma semana para dar a resposta, com uma vitória categórica, só não garantindo o 100% de pontos no final de semana por não ter sido capaz de alcançar Hamilton na Sprint Race. A McLaren segue muito forte, mas a diferença não parece ser tão grande assim, principalmente em volta única. George Russell e Max Verstappen seguem capitalizando qualquer vacilo dos pilotos da McLaren, enquanto a Ferrari se perde com toques entre seus pilotos e problemas técnicos. Lando Norris teve sorte em manter a segunda posição, mas sabe que Piastri pode ter despertado para a temporada 2025. E não terá Papaya Rules que segure o australiano.
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