segunda-feira, 29 de maio de 2017

Figura(MON): Ferrari

Foram necessários longos dezesseis anos, mas finalmente a Ferrari venceu no charmoso Grande Prêmio de Mônaco. Mais. Além de vencer com Sebastian Vettel, ainda completou a dobradinha com um chateado Kimi Raikkonen, que largou na pole, mas ao ficar menos tempos na pista do que Vettel no primeiro stint, acabou ultrapassado pelo companheiro de equipe, ficando com a segunda posição, garantindo a primeira dobradinha da Ferrari em nove anos. Após um longo tempo como coadjuvante na F1, finalmente a Ferrari voltou a ter o melhor carro e a dominação em Mônaco, com dobradinha no grid e na corrida confirma que a Ferrari é a favorito nesse ano.

Figurão(MON): Lewis Hamilton

Lewis Hamilton somente se destacou nas apertadas ruas de Monte Carlo quando teve um excelente carro nas mãos e o próprio inglês já admitiu que não é um dos maiores fãs da pista monegasca. As duas vitórias do inglês vieram quando tinha o melhor carro, algo que não aconteceu esse ano. A Mercedes não foi capaz de dar à Hamilton o melhor carro do pelotão e Lewis acabou se perdendo durante todo o final de semana, apesar de ter liderado o primeiro treino livre, mas daí em diante, Hamilton apenas caiu, culminando com a péssima classificação. Hamilton reclamava constantemente da aderência do seu carro na classificação e no final do Q2 ainda não tinha um tempo competitivo e quando se preparava para uma tentativa final, o inglês foi atrapalhado por um acidente de Stoffel Vandoorne, logo à sua frente, e teve que se conformar com o 14º tempo do dia, apesar de Lewis ainda ganhar um posto por causa da punição de Button. Porém, em Mônaco, por melhor que seja seu carro, a classificação é praticamente tudo e a corrida de Hamilton estava arruinada antes mesmo de se completar um metro da prova. Graças a superioridade do seu conjunto aos demais que estava próximo nas primeiras voltas, Hamilton foi capaz de ganhar cinco posições quando retardou sua parada e teve um mínimo de pista livre, aproveitando para andar mais rápido do que os pilotos a sua volta. O sétimo lugar é muito pouco para um piloto do calibre de Lewis Hamilton, que luta pelo título contra um piloto forte como Vettel, que está no melhor carro da temporada.

domingo, 28 de maio de 2017

Nasceu de novo

Há quem não acredita em Deus, mas só Deus para salvar Scott Dixon desse gravíssimo acidente. Bastava que seu carro batesse um pouquinho mais à frente no muro e agora estaríamos lamentando uma tragédia...

Omedetou Sato-san

Numa 500 Milhas cheia de estrelas, um piloto que já foi criticado por ser desastrado acabou faturando uma prova que poderia ser trágica, pelo terrível acidente de Scott Dixon. Ninguém jamais poderá duvidar da velocidade de Takuma Sato e em 2012 ele quase venceu as 500 Milhas, após um ataque banzai em cima de Dario Franchitti na última volta, mas em 2017 Sato se aproveitou da ótima forma da Andretti e do motor Honda (pelo menos os que chegaram ao fim...) para escrever seu nome na história da famosa prova de Indiana.

Como não poderia deixar de ser, a grande estrela da corrida foi Fernando Alonso e o espanhol não decepcionou. Na primeira parte da corrida, onde os pilotos ainda estão se acomodando na preparação para a parte mais importante da prova, as famosas 50 últimas voltas, Alonso deu um show e liderou por várias voltas as 500 Milhas, mostrando o quanto é diferenciado. Não devemos esquecer que essa não era apenas sua estreia em Indianápolis, mas também a primeira vez de Alonso um oval! Quando a corrida entrou em sua fase derradeira e ninguém alivia para ninguém, Alonso foi perdendo rendimento, mas o espanhol nunca saiu do top-10 e estava em sétimo quando o motor Honda quebrou, seguindo o que já havia acontecido com Ryan Hunter-Reay e Charlie Kimball. Não deixa de ser irônico que do outro lado do Atlântico, Alonso tenha sua corrida estragada por um motor Honda, mas a exibição de Alonso em Indianápolis marcou essa edição das 500 Milhas.

Assim como marcou o gravíssimo acidente do pole Scott Dixon. Jay Howard estava dando espaço para Hunter-Reay lhe colocar uma volta e acabou saindo da linha ideal e batendo. O inglês foi para o meio da pista e Dixon o acertou em cheio. O neozelandês alçou voo e por muito pouco ele não começou a conversar com Pedro quando seu carro bateu no muro de cabeça para baixo, apenas alguns centímetros atrás do capacete de Dixon. Por incrível que pareça, Scott saiu andando do carro, mas ele comemorará o dia 28 de maio como o seu segundo nascimento, pois hoje ele escapou milagrosamente!

Como sempre ocorre em Indianápolis, a prova se definiu nas últimas voltas e com nomes, digamos, que apostadores nunca jogariam suas fichas. Max Chilton tinha boas chances de vitória e liderou algumas voltas no final, seguido por Ed Jones e Helio Castroneves. O brasileiro da Penske já tinha escapado do forte acidente de Dixon quando passou, literalmente, debaixo do carro do escocês. Resumindo, sua cota de sorte já tinha acabado, além de um carro que se comportava muito bem no trânsito, mas sofria com ar limpo. A Penske não andou bem em nenhum momento dos treinos da Indy, mas na corrida, todos os seus carros estavam no top-10, liderados por Helio. Um pequeno big-one fez com que Power e Newgarden, entre outros, saíssem da prova já nas voltas finais. A Andretti liderou com Alonso e Hunter-Reay, vítimas do motor Honda, mas ainda havia um terceiro piloto muito forte. Takuma Sato só entrou na Andretti por causa da sua relação quase umbilical com a Honda, mas o japonês sempre andou forte nos treinos e estava na briga pela vitória.

Quando a corrida ficou num mano a mano entre Castroneves e Sato, era esperado que Takuma fizesse alguma besteira, como em 2012 e o experiente Helio vencesse, mas Sato assumiu a ponta, se aproveitando do ponto fraco do carro da Penske e partiu para uma comemorada e inesperada vitória. Castroneves teve que se conformar com a segunda posição. Para quem acompanha o blog, sabe que não sou dos maiores fãs do paulista, mas é inegável o quanto Castroneves cresce em Indianápolis, porém, ele se igualar à AJ Foyt, Al Unser Sr e Rick Mears seria uma heresia para a história das 500 Milhas. Helio é grande em Indiana, mas não limpa as sapatilhas desses gigantes da história do automobilismo.

Já contando com 40 anos de idade, Takuma Sato voltou a baila dos grandes. O japonês saiu da F1 pelas portas dos fundos e parecia superado por Kamui Kobayashi, chamado de mito por muitos, mas com as mesmas características de Sato: muita velocidade e acidentes. Se na década de 1990 havia a dúvida se quem era o melhor japonês (Satoru Nakajima ou Aguri Suzuki), essa vitória nas 500 Milhas de Indianápolis coloca Sato não apenas na frente de Kobayashi como o grande piloto japonês da atualidade, como também o maior piloto nipônica da história. Traduzindo o título, Parabéns Sato!  

Master Vettel

Após sua vitória hoje em Mônaco, Vettel foi chamado de 'Master Vettel' pela Ferrari, indicando claramente quem é piloto mais querido pela scuderia em 2017, para grande desgosto de Kimi Raikkonen, que demonstrou claramente não ter ficado muito feliz com a estratégia da Ferrari em deixar Vettel na pista por mais tempo do que ele, garantindo ao alemão tempo com pista livre para marcar ótimos tempos e garantir a primeira posição quando saiu dos boxes, estratégia parecida com a de Daniel Ricciardo, que retardou sua única parada para pular de quinto para terceiro, se recuperando um pouco da pataquada que a Red Bull fez com ele ano passado.

Como sempre Mônaco nos trouxe uma corrida longa, sem ultrapassagens e que somente com problemas fora da pista trazendo alguma emoção à prova, o que não deixou de acontecer, como no assustador acidente de Pascal Wehrlein, que capotou na Portier e apesar da cena não muito bonita, o alemão estava bem. Ao contrário do que aconteceu em Barcelona, os seis pilotos das três principais equipes chegaram ao fim da corrida, mas num fato histórico, pela primeira vez desde que o regulamento mudou em 2014, nenhum piloto da Mercedes subiu ao pódio, mesmo com ambos terminando a prova. Bottas foi quarto, com Hamilton fazendo o arroz com feijão para terminar em sétimo. Até o momento da parada, os seis primeiros do grid de largada eram exatamente os mesmos. Raikkonen liderava Vettel, que trazia Bottas, Verstappen e Ricciardo, com um ótimo Carlos Sainz já mais para trás. A Ferrari já indicava que dominaria a prova, mas quando a parada decisiva se aproximou, ficava também claro que Vettel tinha um ritmo melhor e que Kimi segurava o alemão, a ponto de Bottas, trazendo consigo as duas Red Bulls, se aproximaram, fazendo com que os cinco primeiros andassem próximos. Com a baixa degradação dos pneus em Mônaco, quem parasse mais tarde poderia ganhar posições com pista livre. A Ferrari percebeu isso e quinze anos depois da tristemente histórica ordem de equipe à Barrichello em Zeltweg, os italianos preferiram usar da estratégia e trazer Raikkonen primeiro, deixando Vettel com pista livre para marcar duas voltas voadoras e assumir a ponta da corrida, praticamente garantindo a vitória naquele momento. Apesar da dobradinha e garantir a primeira vitória em Mônaco desde 2001, a Ferrari agora terá que lidar com um piloto de temperamento difícil e que quando desmotivado, caí assustadoramente de desempenho. Quando Raikkonen perdeu a ponta da corrida, seus tempos de voltas desabaram a ponto de ser pressionado por Ricciardo antes do acidente de Wehrlein. A cara do finlandês no pódio dizia muito mais do que qualquer das poucas palavras do que ele poderia dizer no pós-corrida. Vendo o exemplo da Williams, que perde pontos com um piloto muito abaixo do nível, a Ferrari poderá perder um importante aliado na briga pelo título com Hamilton, mas Vettel conseguiu uma pequena disparada no campeonato, mesmo que num futuro próximo perderá posições no grid pela troca de um componente do seu motor.

Um ano depois de perder uma corrida ganha por um erro da Red Bull, Ricciardo conseguiu ter uma pequena compensação com uma estratégia certeira hoje. Chateado por ter largado em quinto, o australiano fez seu dever de casa ao perseguir de perto Verstappen e quando seu companheiro de equipe foi para a sua parada, Daniel apertou o ritmo e fez o undercut não apenas em cima de Verstappen, mas também de Bottas. Apesar do susto na relargada, quando bateu levemente na Saint Devote, Ricciardo segurou sua terceira posição e ainda encostou novamente em Raikkonen, o qual começava a pressionar quando apareceu o safety-car. Verstappen mostrou sua face de menino mimado quando xingou bastante ao saber que não apenas ficou atrás de Bottas, como fora ultrapassado por Ricciardo, perdendo qualquer chance de pódio. A Mercedes viveu hoje um momento em que foi a terceira força em Monte Carlo. Bottas fez o possível, perseguiu de perto Vettel quando este encostou em Raikkonen  no começo da prova e a Mercedes foi rápida em trazer Valtteri para os boxes quando Verstappen parou, impedindo que o holandês surgisse na frente, mas os carros prateados não tiveram ritmo hoje para bater a Ferrari e nas condições especiais de Mônaco, ficou sempre pressionada pela Red Bull. Para quem diz que Hamilton fez uma grande corrida, o que ele fez hoje não foi muito mais do que sua mera obrigação. Sem ter como ultrapassar, o inglês simplesmente retardou sua parada ao máximo e com as demais equipes fora as três grandes muito atrás em termos de desempenho, Lewis ganhou as seis posições na corrida nesse momento onde andou sozinho na pista. Sem ultrapassagens e ainda não foi o suficiente para ficar à frente de um ótimo Carlos Sainz, que fez uma corrida solitária na maior parte do tempo, mas conseguiu um sólido sexto lugar.

O pelotão intermediário sofreu várias percas durante a corrida, com Hulkenberg abandonando no início com o câmbio quebrado e vários incidentes, que fez a Force India perder sua invencibilidade na temporada 2017, onde vinha pontuando com seus dois pilotos, mas acabou fora dos pontos, mesmo com eles terminando a corrida. Pérez bateu duas vezes com Kvyat e foi o último a receber a bandeirada, mas ainda teve tempo de colocar seu nome em Monte Carlo ao bater o recorde da pista. Ocon, que já havia batido nos treinos livres, ainda sofreu com um pneu furado, que o colocou em penúltimo na pista. Grosjean sempre andou na zona de pontuação e mesmo superado por Hamilton, terminou em oitavo com Haas, enquanto Magnussen fechou a zona de pontuação, mesmo tendo feito uma parada a mais do o companheiro de equipe. Felipe Massa fez uma corrida dentro das possibilidades, onde não errou e com os problemas alheios, terminou na zona de pontuação. A McLaren perdeu a melhor chance de pontuar esse ano quando Stoffel Vandoorne, correndo em décimo, errou na Saint Devote, enquanto brigava com Pérez. Button foi ainda pior, ao bater em Pascal Wehrlein numa manobra para lá de otimista e capotando o alemão, que ficou numa situação perigosa, mas sem problemas para Pascal. Antes da corrida, Button falou para Alonso que mijaria no carro do espanhol. Acabou fazendo merda... O dia da Sauber terminou quando Marcus Ericsson conseguiu a proeza de bater durante o período de safety-car, só lembrando que foi para um piloto desse nível que Felipe Nasr ficou para trás ano passado. Porém, não seria surpresa se o brasileiro fizesse um retorno ainda em 2017. Palmer está bastante ameaçado na Renault e sua corrida medíocre de hoje não deve ter ajudado muito, o mesmo acontecendo com Stroll, que fez outra corrida abaixo do aceitável com a Williams.

A F1 mais rápida desse ano já mostrou suas contraindicações quando o asfalto na Saint Devote começou a se soltar, fazendo com que os pilotos tivessem que andar com cuidado no local. Foi uma corrida típica de Mônaco e se não fosse pelos incidentes, seria uma corrida extremamente sem graça, mas como houve problemas, acabou sendo um pouco divertida. Quem mais se divertiu foi Vettel, que começa a escapar na liderança do campeonato, mas fica a dúvida de como será o comportamento de Raikkonen daqui para frente e se a má atuação da Mercedes hoje foi apenas pontual ou o começo de uma tendência.

sábado, 27 de maio de 2017

Cheia de manias

Normalmente Mônaco não é melhor corrida para se assistir, mas não restam dúvidas que a pista monegasca tem suas particularidades e isso nos traz surpresas, como a de hoje. A pole de Kimi Raikkonen após 128 corridas faz com que a temporada 2017 conheça seu quarto poleman diferente antes mesmo da metade do ano. Mas quem poderia prever Lewis Hamilton largando apenas em 14º, que virará 13º com a punição de Button, amanhã, em condições absolutamente normais? O inglês foi definitivamente atrapalhado pela outra surpresa do dia, quando Stoffel Vandoorne estampou o guard-rail no setor das piscinas, quando o belga se preparava para colocar a claudicante McLaren entre os seis primeiros.

A classificação em Mônaco foi incrivelmente próxima no Q1, onde os dezesseis primeiros ficaram separados por menos de 1s, ficando de fora dessa turma a dupla da Sauber e os horríveis Jolyon Palmer e Lance Stroll. Se o canadense não corre perigo pela grana injetada na Williams, conta-se que Palmer pode estar fazendo sua última corrida com a Renault por motivos óbvios, pois a performance do inglês em 2017 é muito abaixo do medíocre, o mesmo acontecendo com Stroll, que tomou mais de 1s de Massa e comparado com o outro novato Ocon, que bateu no terceiro treino livre, mas voltou à pista para ir ao Q2, a situação de Lance fica ainda mais feia. Hamilton já havia dado sinais que não estava com o melhor dos acertos quando foi apenas nono no Q1, mas Lewis parecia ter um carro ainda pior no Q2 e todas as atenções se voltaram ao que o piloto da Mercedes poderia fazer com um carro problemático. Bem na sua última volta, Hamilton viu Vandoorne bater logo à sua frente, o deixando numa incômoda 14º posição.

O desempenho da McLaren foi outro capítulo interessante de hoje. Os carros laranjas andaram sempre bem, com o retornado Button andando no ritmo de Vandoorne, mas com o belga sempre à frente, mas o jovem piloto da McLaren experimentou o mesmo veneno dos outros novatos e bateu no final do Q2, quando tinha um tempo que confortavelmente o colocava no Q3, junto de Button, numa cena inédita em 2017. Porém, Button já terá que trocar de motor e uma batida como essa é imprevisível para o carro e a moral de Stoffel, que vinha tendo um ótimo final de semana. Outro que vinha andando forte era Raikkonen. O finlandês era sempre o mais rápido nas sessões da classificação, mas era esperado que Vettel pudesse roubar a posição de Kimi, mas nem o alemão, muito menos Bottas, foram capazes de superar Raikkonen, que garantiu a pole após longo inverno.

A briga pela pole foi apertada, com menos de cinco centésimos separando os três primeiros, enquanto a Red Bull acabou de fora da briga, mas com Verstappen apenas dois décimos atrás, em quarto. Carlos Sainz comemorou o sexto lugar, próximo de Ricciardo. Massa vacilou no Q2 e acabou sem tempo pela bandeira amarela causada por Vandoorne. Enquanto isso, na transmissão do Sportv, o trio dava um verdadeiro show de horrores, com erros de avaliação e históricos. Max Wilson esteve particularmente 'inspirado', com comparações históricas esdrúxulas. Comparar a Lotus/1987 com a atual Toro Rosso foi de uma ridiculosidade absurda. Senna foi gigante e não precisa que venham aumentar seus belos feitos na história da F1. Mesmo criticado, Galvão/Reginaldo fez muita falta hoje!

A corrida amanhã pode ser a procissão de sempre, mas poderá contar histórias interessantes. Com a má performance de Hamilton, Vettel poderá se preocupar apenas em marcar bons pontos, enquanto Raikkonen poderá voltar a vencer, trazendo a imprevisibilidade necessária numa boa temporada e numa pista cheia de manias. Dididiê.    

sexta-feira, 26 de maio de 2017

História: 15 anos do Grande Prêmio da Mônaco de 2002

As duas semanas entre a corrida austríaca e o glamoroso Grande Prêmio de Mônaco foi dominado por um único assunto: a inacreditável ordem de equipe da Ferrari na Áustria. Rubens Barrichello dominou a corrida em Zeltweg para na última volta ceder sua vitória para Schumacher, que constrangido pelas vaias da torcida, venceu a prova. Não se falou sobre outra coisa e a Ferrari ficou numa situação indefensável, apesar das tentativas infrutíferas de Jean Todt. Foi uma as duas semanas mais ácidas da F1 nos últimos quinze anos. Mônaco era um circuito único e que alguns pilotos andavam bem, como Schumacher (vencedor cinco vezes), Irvine, Fisichella e Salo. Mesmo com as polêmicas, a Ferrari demonstrava não estar nem aí para as críticas e para mostrar sua superioridade, testou em três lugares diferentes (Jerez, Mugello e Fiorano) nos últimos dias na tentativa de melhorar ainda mais o F2002 e humilhar suas rivais, como estava fazendo até então.

Juan Pablo Montoya ficou com a sua segunda pole da temporada à frente de David Coulthard e Michael Schumacher. Foi uma classificação emocionante, onde Montoya conseguiu a pole em sua última tentativa, colocando quatro décimos em cima de Coulthard, enquanto os cinco primeiros colocados melhoraram o tempo da pole de 2001. Vários pilotos foram atrapalhados pelo tráfego, incluindo Barrichello, Ralf Schumacher e Trulli. A Toyota surpreendia ao colocar seus dois carros no top-10, enquanto Felipe Massa estreava em Monte Carlo colocando meio segundo em cima do seu experiente companheiro de equipe, Nick Heidfeld.

Grid:
1) Montoya (Williams) - 1:16.676
2) Coulthard (McLaren) - 1:17.068
3) M.Schumacher (Ferrari) - 1:17.118
4) R.Schumacher (Williams) - 1:17.274
5) Barrichello (Ferrari) - 1:17.357
6) Raikkonen (McLaren) - 1:17.660
7) Trulli (Renault) - 1:17.710
8) Button (Renault) - 1:18.132
9) Salo (Toyota) - 1:18.234
10) McNish (Toyota) - 1:18.292

O dia 26 de maio de 2002 tinha um sol radiante nas margens do Mediterrâneo, num dia perfeito para uma corrida de F1. Por mais que a posição de grid fosse importante em Mônaco, nas sete corridas anteriores o pole não havia vencido no principado e no apagar das luzes vermelhas, Montoya parecia corroborar essa tese ao largar mal e ser ultrapassado por Coulthard na primeira curva, enquanto Trulli pulava para um brilhante quinto lugar.

Coulthard parecia não ter o melhor carro daquele dia quinze anos atrás e por isso, logo uma fila de carros se formou atrás do escocês, com Montoya e os irmãos Schumacher andando juntos nas primeiras voltas da corrida. Foi uma prova tática, onde não faltaram acidentes, principalmente com os novatos. McNich bateu na volta 16, logo após foi a vez de Sato na 22 e depois foi a vez do horrível Alex Yoong estampar sua Minardi no guard-rail na volta 30. Todos eles novatos. No meio da corrida, a McLaren de Coulthard começou a soltar uma estranha fumaça, podendo indicar que a corrida de David seria curta, o que poderia ser cruel para ele, já que ele liderava. Porém, a fumaça acabou e depois da corrida a McLaren, contando muita vantagem com o arrogante Ron Dennis, dizia que o problema fora solucionado remotamente dos boxes. Como diria a propaganda, quanta tecnologia! Porém, a FIA não gostou muito dessa história e a partir de 2003 proibiu qualquer interação box-carro, que não passasse pelo piloto.

Com os quatro primeiros andando tão próximos, a corrida seria decida nos boxes. Schumacher foi o primeiro a parar, tentando dar o pulo do gato, mas o alemão só conseguiu ganhar a posição de Montoya, que logo cederia sua posição para Ralf. Ordem de equipe da Williams? Para azar do colombiano, seu motor BMW estava entregando a alma até estourar na volta 47. Após a parada, Ralf Schumacher perdeu rendimento dos pneus e ficou longe do seu irmão, que estava sempre a 1s de Coulthard. Após todo o problema em Zeltweg, Rubens Barrichello fazia uma corrida apática e na volta 42 ele tentou ultrapassagem para lá de otimista em cima de Kimi Raikkonen na freada da chicane do túnel, que fez o finlandês abandonar. Rubens foi punido pela batida e quando foi cumprir a punição, excedeu o limite de velocidade, terminando a corrida em sétimo, o que na época significava estar fora da zona de pontuação.

Ralf Schumacher tem problemas com seus pneus e faz uma segunda parada não programada, mas o alemão estava tão longe do quarto colocado Trulli, que ele manteve sua posição. Fisichella corria sozinho em quinto lugar com seu Jordan, enquanto Massa brigava fortemente com seu compatriota Enrique Bernoldi por posições intermediárias. Massa consegue uma manobra ousada na reta, mas acaba perdendo o ponto de freada e bateu na Saint-Devote. Ele se tornava o quarto novato a abandonar a corrida no guard-rail. Correndo em sexto, o veterano Frentzen se viu pressionado por um recuperado Barrichello nas voltas finais, mas o experiente alemão usou a estreiteza de Monte Carlo para se manter na zona de pontuação. Apesar de ter sempre um carro a menos de 1s do seu a corrida inteira, David Coulthard teve a frieza para controlar seus adversários e conseguir sua segunda vitória em Mônaco, quebrando um pouco o domínio da Ferrari, que viu Schumacher subir ao pódio mais uma vez. O alemão tinha subido ao pódio em todas as corridas até então, enquanto Ralf Schumacher completava o pódio mais de um minuto atrás de Coulthard e o último na mesma volta do líder. Após toda a polêmica em Zeltweg, a F1 teve uma típica corrida em Mônaco, onde apesar de um vencedor de certa forma surpreendente, não houve muitas emoções.

Chegada:
1) Coulthard
2) M.Schumacher
3) R.Schumacher
4) Trulli
5) Fisichella
6) Frentzen