quinta-feira, 13 de março de 2008

História: 25 anos do Grande Prêmio do Brasil de 1983

O ano de 1982 foi tão terrível como 1994. Ou talvez pior. O efeito-solo pode ter trazido mais aderência aos carros, mas os tornou incrivelmente perigosos, principalmente quando o fundo dos carros perdiam ar e a tendência era que os veículos saíssem voando. Gilles Villeneuve tinha morrido por acidente assim e Didier Pironi ainda fazendo fisioterapia por causa de um acidente similar. Para evitar isso, a FISA resolveu acabar com os carros-asa, instituindo que os carros deviam ter o fundo plano. Outra mudança importante era a chegada cada vez maior dos motores turbo entre as equipes. Se em 1982 apenas Ferrari, Renault e Brabham-BMW usavam os motores sobrealimentados, 1983 teria a chegada dos motores Alfa Romeo e Hart turbos de imediato e posteriormente o motor Honda e o TAG-Porsche. Porém, a chegada cada vez maior da eletrônica compensaria a restrição aerodinâmica. A Renault construiu um computador que controlava, dos boxes, as informações do carro na pista. A Brabham e a Ferrari davam os primeiros passos na mesma direção.

Entre os pilotos, René Arnoux saía da Renault após um ano turbulento ao lado de Alain Prost e se debandava para a Ferrari, formando um dupla toda gaulesa na equipe italiana. A Renault quebrava sua tradição e pela primeira vez teria um piloto não-francês em sua equipe: o americano Eddie Cheever. O mundo da F1 ficou chocada com a morte de Colin Chapman e a Lotus sofreria bastante sem o seu criador. A Brabham era a equipe que menos mudou e Gordon Murray construíra um carro totalmente diferente dos demais: o BT52. Nelson Piquet ficou muito entusiasmado com o carro e disse que o prazer que sentiu ao dirigir o novo carro o convenceu a renovar o contrato, mesmo após um ano tão ruim. Quando à F1 chegou ao Rio de Janeiro, pouco se falava do campeão Keke Rosberg, mas comprovando a boa fase, o piloto da Williams carimbou a pole position. O companheiro de Rosberg era Jacques Laffite, mas o francês, ainda tentando pegar a mão do carro, ficou com um modesto 18o lugar. A Brabham, com Nelson Piquet, conseguiu a quarta posição e um surpreendente Derek Warwick, com um não menos surpreendente Toleman, conquistou o quinto lugar no grid.

Grid:
1) Rosberg(Williams) - 1:34.526
2) Prost(Renault) - 1:34.672
3) Tambay(Ferrari) - 1:34.758
4) Piquet(Brabham) - 1:35.114
5) Warwick(Toleman) - 1:35.206
6) Arnoux(Ferrari) - 1:35.547
7) Patrese(Brabham) - 1:35.958
8) Cheever(Renault) - 1:36.051
9) Lauda(McLaren) - 1:36.054
10) Baldi(Alfa Romeo) - 1:36.126

O forte calor carioca se fez presente no dia 13 de março de 1983 e mais de 80.000 pessoas compareceram ao finado autódromo de Jacarepaguá. Rosberg faz uma boa largada e manteve a primeira posição na primeira curva, seguido por Prost e Tambay, mas durante a primeira volta Piquet ultrapassou a Ferrari e assumia a terceira posição. O reabastecimento tinha sido ressuscitado pela Brabham em 1982 e era esperado que a equipe usasse o truque novamente. Porém, para espanto de todos, a Williams também se aprontava na porta do seu box, indicando que também faria uma parada. Piquet dá uma mostra que estava leve e ultrapassa Prost na segunda volta e Patrese repetiu a manobra na volta seguinte.

Piquet estava inspirado nesse dia e fazia uma corrida impecável, fazendo a melhor volta da corrida a cada passagem e se aproximava do Williams de Rosberg a todo momento. Na sexta volta, usando a potência do seu motor BMW turbo, Piquet completou a ultrapassagem sobre o finlandês na reta oposta, bem na frente das arquibancadas. Demonstrando que não estava para bricandeira, Piquet disparou na frente, enquanto Rosberg começava a ser pressionado por Patrese, mas o italiano teria problemas na volta 12 e abandonaria mais tarde. John Watson, que largara em décimo sexto, fazia uma excelente corrida de recuperação, repetindo suas atuações de 1982, quando sempre largava no meio do pelotão e vinha recuperando terreno durante a corrida. Na décima volta o irlandês já aparecia na quinta posição e se aproximava rapidamente de Prost. O piloto da McLaren deixou a Renault para trás na volta 17, enquanto Prost começava a ter problemas em seu carro.

Nos primórdios dos pit-stops modernos, mesmo sem o limite de velocidade nos boxes, o tempo perdido numa parada chegava a quase 50s (!) e por isso Piquet e Rosberg tinham que voar, se quisessem permanecer na ponta da prova. Pela primeira vez em sua história, a Williams iria realizar um pit-stop e Rosberg entrou nos boxes na volta 29. Enquanto o reabastecimento era realizado, Rosberg começou a sinalizar de algo que estava lhe incomodando e então... fogo! Rosberg saiu correndo do carro, mas os bombeiro foram rápido no gatilho (do extintor) e o pequeno incêndio foi extinto. Como o carro não fora danificado, a Williams mandou Rosberg entrar no carro e continuar na corrida. Isso era claramente irregular.

Por outro lado, já mais acostumado com os pit-stops, Nelson Piquet voava pela pista de Jacarepaguá e a diferença sobre os demais só crescia. Quando Piquet ia fechar a volta 39, entrou nos boxes com 1 minutos e 10 segundos de vantagem sobre o segundo colocado John Watson. A parada foi sem problemas e Piquet retornava à pista ainda em primeiro e com vantagem para o piloto da McLaren. Porém, Watson abandonaria na volta 34 com problemas de motor. Prost assumia a segunda posição, mas era pressionado por Lauda. Claramente com seu carro perdendo rendimento, Prost faz sinais para o austríaco realizar a ultrapassagem na reta dos boxes. Mais atrás, Rosberg fazia uma grande corrida de recuperação e ultrapassava quem vinha pela frente. Primeiro o finlandês ultrapassou Warwick na volta 35, Tambay na 43, Prost na 46 e finalmente Lauda na 52. Tudo isso para ser desclassificado após a corrida, por ter sido empurrado pelos mecânicos durante sua desastrada parada nos boxes. Mais à frente, Piquet liderava tranqüilamente e se deu ao luxo de colocar uma volta no problemático Prost na última volta. Após 63 voltas, Piquet recebeu a bandeirada e conquistou seu primeiro Grande Prêmio do Brasil, já que haviam tomada sua vitória em 1982. Também ao contrário do ano anterior, Piquet não desmaiou e recebeu seu trófeu com mais tranqüilidade. Era um começo excelente para uma temporada que seria inesquecível!

Chegada
1) Piquet
3) Lauda
4) Laffite
5) Tambay
6) Surer

4 comentários:

  1. Olá JC!
    Por que a corrida ficou sem segundo colocado? Não era pro Lauda ser o segundo com Laffite em terceiro?

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  2. Pois é Arthur, não foi esquecimento não...

    Os regulamentos daquele início de anos 80 eram bem voláteis e quando Rosberg foi desclassificado, a FISA simplesmente disse que não haveria segundo colocado no GP Brasil. Simples assim!

    Abraço!

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  3. Não,eu sei que não foi!
    Já tinha visto em outros sites que a corrida ficou sem segundo colocado!
    Era uma duvida antiga.
    Valeu pela resposta!!!

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  4. Grande corrida de Nelson Piquet em Jacarepaguá. Começava tudo certo para o piloto da Brabham. O desenvolvimento do motor BMW Turbo foi o correto e óbvio em 1982.
    A cada ultrapassagem de Piquet, o público presente no autódromo vibrava.
    Lembrando que a Globo colocou pela primeira vez o "Tema da Vitória"; E ela foi para Nelson Piquet. As outras duas vitórias não foi usada naquele ano.
    Grande corrida do finlandês Keke Rosberg. O problema é que quando Rosberg foi fazer seu pit, o carro começou a pegar fogo. Imediatamente, o piloto saiu rapidamente do cockpit, e esperou que os seus mecânicos apagasse o incêndio. Sanado o problema, o piloto voltou para a cabine. O motivo da desclassificação, é que o carro do piloto foi empurrado pelos seus próprios mecânicos para voltar ao circuito. A pontuação não foi repassada para os pilotos que terminaram atrás dele.


    Fábio Kawagoe

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