quinta-feira, 29 de outubro de 2015

História: 20 anos do Grande Prêmio do Japão de 1995

Quando a F1 desembarcou em Suzuka para a penúltima etapa de 1995, o título já estava definido à favor de Michael Schumacher, mas o Mundial de Construtores ainda estava pendente, mesmo que a Benetton fosse a grande favorita. O título de Schumacher acendeu as críticas em cima de Damon Hill, grande rival do alemão na época. Dizia-se que a Williams tinha disparado o melhor carro, mas Schumacher também era disparado o melhor piloto e por isso, o alemão acabava levando vantagem sobre Hill, que tinha feito corridas bisonhas antes de Suzuka, fazendo com que seu lugar como primeiro piloto da Williams fosse especulado para 1996. A eterna especulação era de que Hill fosse substituído por Heinz-Harald Frentzen, rival de Schumacher na F3 e possível antídoto para o alemão, mas Frank Williams garantiu que Hill seria o seu piloto principal na temporada seguinte, que teria Schumacher tentando ressuscitar a Ferrari.

Os treinos em Suzuka foram marcados pelo forte acidente de Aguri Suzuki na classificação de sábado. O japonês da Ligier perdeu o controle do seu carro e foi levado ao hospital com uma fratura numa costela. Cinco anos depois de sua glória com o pódio em Suzuka, o quase homônimo Suzuki deixava a F1 após esse acidente. Disputado sob pista seca, a classificação mostrou mais uma vez a dominação de Michael Schumacher, que conseguiu mais uma pole em suas últimas corridas pela Benetton. Em má fase, Hill era apenas quarto, enquanto Coulthard amargava um sexto lugar. Alesi completou a segunda fila, mas o francês, que trocaria de lugar com Schumacher em 1996, acusava a Ferrari de estar negligenciando informações do carro. Voltando à F1 após uma cirurgia de apendicite, Hakkinen conseguia um bom terceiro lugar.

Grid:
1)  Schumacher (Benetton) - 1:38.023
2) Alesi (Ferrari) - 1:38.888
3) Hakkinen (McLaren) - 1:38.954
4) Hill (Williams) - 1:39.032
5) Berger (Ferrari) - 1:39.040
6) Coulthard (Williams) - 1:39.155
7) Irvine (Jordan) - 1:39.621
8) Frentzen (Sauber) - 1:40.010
9) Herbert (Benetton) - 1:40.349
10) Barrichello (Jordan) - 1:40.381

O dia 29 de outubro de 1995 amanheceu chuvoso em Suzuka, fazendo com que o saudoso warm-up fosse umas das sessões mais importantes do final de semana. E na pista molhada, a Williams dava sinais de recuperação com Hill sendo o mais rápido, com Coulthard em terceiro, com os dois carros da Williams separados por Schumacher. Quando a largada se aproximava, outra pancada de chuva molhou ainda mais a pista de Suzuka, mas quando os pilotos se preparavam para a volta de apresentação, a chuva tinha cessado por completo, contudo, todos os pilotos estavam com pneus de chuva. Na luz verde, Schumacher consegue uma ótima largada, seguido por Alesi, que queimou a partida e seria punido mais tarde, seguido por Hakkinen e Hill. No pelotão intermediário, Wendlinger e Morbidelli se tocam, com o italiano ficando preso na caixa de brita da primeira curva.

Sem chuva, a pista secava rapidamente e Schumacher fazia uma corrida sublime, aumentando sua vantagem sob Alesi, que na sexta volta cumpre sua punição por queimar a largada, seguido na volta seguinte pelo seu companheiro de equipe Berger. Por essas e outras que a Ferrari precisava de um salvador e Schumacher, líder absoluto da corrida, era uma candidato a tal. Porém, não demorou muito e os pilotos começaram a procurar os boxes para colocar pneus slicks, causando profundas mudanças na colocação dos pilotos. Uma volta depois de cumprir sua penalização, Alesi foi um dos primeiros a colocar pneus scliks e por isso, chegou a ganhar mais de 3s sobre os demais pilotos, pulando novamente para segundo quando todos os pilotos estavam equipados com pneus slicks, com Schumacher liderando a corrida. Após efetuar uma bela ultrapassagem sobre Hill na chicane, Alesi era o piloto mais rápido da pista e se aproximava de Schumacher para um emocionante pega pela primeira posição, com o francês querendo dar uma resposta à Ferrari por ter o trocado pelo alemão, além de Alesi querer vingança pela incrível ultrapassagem de Schumacher sofrida nas voltas finais de Nürburgring. Na briga pela quinta posição, Coulthard ultrapassa Irvine na reta dos boxes e vendo a cena, Barrichello tenta seguir no embalo do seu antigo rival da F3 e parte para cima do companheiro de equipe da Jordan, mas Rubens acaba errando e sai da pista, abandonando tristemente. Muito se falou na época que Schumacher teria vetado Barrichello na Ferrari por estar com 'medo' do brasileiro e por isso pediu o 'limitado' Irvine. O irlandês podia até não ter ser um esplendor técnico, mas Schumacher ter medo de Barrichello...

A diferença entre Schumacher e Alesi nunca passava dos 2s, com os dois imprimindo um ritmo fortíssimo de prova, trocando várias vezes a melhor volta da corrida, mas o motor Ferrari acabou traindo Alesi na volta 25, fazendo com que o francês abandonasse tristemente e que Schumacher tivesse uma grande diferença sobre o agora segundo colocado Hill, que tinha uma boa vantagem sobre um surpreendente Hakkinen, que se preocupava com Coulthard, um dos pilotos mais rápidos na pista na tentativa de conquistar mais um pódio. Nas voltas seguintes acontece a segunda rodada de paradas e única modificação importante era a troca de posição entre Coulthard e Hakkinen, que seriam companheiros de equipe na McLaren em 1996, iniciando uma das duplas mais duradouras da F1. Se na pista houve poucas mudanças, não se podia dizer o mesmo do clima. As nuvens negras voltavam à Suzuka e começou a chover em alguns pontos do seletivo traçado nipônico. Particularmente na traiçoeira curva Spoon. Hill vinha mais de 13s atrás de Schumacher quando ele rodou sozinho nessa curva. O inglês retorna à pista após uma parada nos pits, caindo para quinto. Três voltas depois, é a vez de Coulthard rodar na mesma curva de Hill, mas o escocês acabaria abandonando quando, com os pneus sujos, saiu da pista na curva 130R. Na passagem seguinte, Hill roda pela segunda vez na mesma curva, desta vez, sem retorno para o piloto da Williams. Com três rodadas em menos de cinco voltas, a Williams perdia o Mundial de Construtores e aumentava a sensação que o problema nos carros da equipe de Frank Williams ficava naquela peça entre o volante e o banco...

Certamente, esse não era o caso da Benetton. Schumacher fazia uma corrida soberba, sem ser ameaçado e com 26s de vantagem sobre Hakkinen, vencia pela nona vez na temporada de 1995, se igualando a Nigel Mansell como o recordista, até então, de vitórias numa mesma temporada. Hakkinen voltava à F1 em grande estilo, enquanto Johnny Herbert, em outra corrida discreta e decente, completava o pódio e fazia a alegria da Benetton, que comemorou muito o título de Construtores, o primeiro da história da equipe. O que ninguém sabia era que essa vitória era o fim de um ciclo da Benetton. Schumacher estava de saída da equipe e essa seria a última vitória do alemão na Benetton, que iniciava naquele momento, vinte anos atrás, um declínio que faria a empresa italiana sair da F1 no final de 2001.

Chegada:
1) Schumacher
2) Hakkinen
3) Herbert
4) Irvine
5) Panis
6) Salo

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