sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Simbolismos

No primeiro final de semana da F1 após o anúncio de Fernando Alonso de que ele não estará na categoria em 2019, o espanhol viu sua McLaren em dificuldades no rápido circuito de Spa. Pista preferida dos pilotos, Spa simplesmente não casa bem com a McLaren de Alonso, que amargou as últimas posições nos treinos livres do Grande Prêmio da Bélgica. 

Quinze anos atrás, numa pista completamente antagônica, Alonso vivia seu primeiro grande momento na F1. Sua pole em Sepang, ainda no começo de 2003, tinha sido conseguida mais pela tática da Renault em tempos em que o piloto se classificava com a mesma quantidade de combustível em que largava. A Renault deixou Alonso leve para se tornar o pole mais jovem da história na Malásia, mas no travado circuito de Hungaroring o cenário era diferente. A Renault tinha um ótimo chassi e os pneus Michelin funcionavam muito bem no escaldante calor trazido pelo forte verão daquele ano. Alonso conseguiu sua segunda pole na temporada e na carreira, mas a dúvida era se ele teria a mesma tática de Sepang. As voltas foram passando e a resposta era um sonoro 'não'. Alonso dominou a corrida na Hungria como se fosse um veterano e venceu praticamente de ponta a ponta, se tornando o piloto mais jovem a vencer uma corrida na história da F1, batendo o recorde de Bruce McLaren e Troy Ruttman, na década de 1950.

O pódio foi completado por Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya, ambos na luta pelo título a ponto do colombiano ter rodado e a Williams ter mandado Ralf Schumacher praticamente parar para não ultrapassar Montoya. Dois anos e meio antes Alonso, Raikkonen e Montoya estreavam na F1 ao lado de Enrique Bernoldi e o quarteto de novatos era um dos mais promissores de todos os tempos. Para infelicidade nossa, o único que não mostrou a que veio fora Bernoldi, apesar do talentosíssimo Montoya não tenha entregado o que dele se esperava. Após uma tímida foto antes do Grande Prêmio da Austrália de 2001, o trio subia ao pódio no Grande Prêmio da Hungria de 2003 como o top-3 mais jovem da história da F1 na média de idade dos três.


Mais atrás, a Ferrari do líder do campeonato Michael Schumacher teve um dia para esquecer. Com os pneus Bridgestone com problemas, Schumacher foi apenas oitavo, com direito a tomar uma volta de Alonso. Pior sorte teve Barrichello, que sofreu uma estranha quebra de suspensão no final da reta dos boxes na foto do ano de 2003. A explicação da Ferrari foi que Rubens teria usado de forma incorreta as zebras. Foi um pandemônio! Aqui no Brasil as críticas à Ferrari foram estrondosas e a gritaria mostrava que os dias de Barrichello na Ferrari estavam mesmo contados, além de mostrar que o brasileiro não seria o primeiro campeão brasileiro pela Ferrari.

Num dia em a Hungria via um nativo correr pela primeira vez (Zsolt Baumgartner), Fernando Alonso começava a mostrar a que veio. Foi uma vitória de veterano e ao ser perguntado se choraria, o espanhol simplesmente respondeu: Não. Eu quero mais. Alonso conseguiu mais, mas ainda ficou devendo pelo tamanho do seu talento.

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