domingo, 25 de setembro de 2016

Voltando ao normal

Apesar de histórico, o que aconteceu nas oito últimas corridas na MotoGP foi atípico, apesar de muito bom para a categoria. Oito pilotos diferentes vencendo de forma consecutiva, sendo que quatro triunfaram pela primeira vez na categoria, numa situação onde várias provas aconteceram debaixo de chuva. Em Aragão (ou Aragón), havia a expectativa de um nono vencedor diferente, que poderia ser Andrea Doviziozo. Porém, a pista mais próxima da casa de Marc Márquez viu um show completo do piloto da Honda, que deu um passo importantíssimo para o tricampeonato em quatro temporadas da MotoGP do fenomenal espanhol.

Após conseguir uma pole dominante, assustando a concorrência, Márquez era favorito destacado na corrida. Para tentar deter o compatriota, Lorenzo relembrou seus tempos de 2014, onde arriscava tudo na largada para tentar ficar na frente de Márquez. E o piloto da Yamaha conseguiu, mas Lorenzo esqueceu de combinar com Maverick Viñales, que pulou para primeiro em sua surpreendente Suzuki. Quando tentava se recuperar da má largada, Márquez teve um momento estranho, onde perdeu várias posições, caindo para quinto. Após a corrida passada, Rossi e Lorenzo tiveram uma discussão na entrevista coletiva sobre a agressividade do italiano e os dois novamente se encontraram na pista, com Rossi levando vantagem inicialmente.

Mesmo fazendo um excelente trabalho em sua Suzuki, que não tem a potência de Yamaha e Honda, Viñalez não durou muito na frente e foi ultrapassado por Rossi, enquanto Márquez já ultrapassava Lorenzo, partindo impávido para a vitória. O piloto da Honda ultrapassou Viñalez e partiu para cima de Rossi, ultrapassando o veterano com alguma facilidade. A garra de Rossi fez com que ele perseguisse Márquez por algumas voltas, mas o espanhol da Honda marcou a volta mais rápida e a perseguição de Rossi lhe custaria caro, com o desgaste de pneus fazendo com que ele perdesse terreno não apenas para Márquez, mas também para o seu desafeto Lorenzo. A dupla da Yamaha teria um novo encontro nas voltas finais. Lorenzo deu o bote e ficou em segundo, mas Rossi precisava dos pontos do segundo lugar para não ter um prejuízo tão grande no campeonato. Mesmo com os pneus desgastados, Rossi tentou um ataque final na penúltima volta, mas Vale foi otimista demais e acabou perdendo a tomada da curva 12, saindo reto, tendo que se conformar com um terceiro lugar que lhe foi péssimo no campeonato.

Enquanto os dois companheiros (?) da Yamaha se pegavam, Márquez dominava a prova lá na frente e recebia a bandeirada com tranquilidade, acabando com a espetacular sequência de vitórias divididas na MotoGP. Agora com 52 pontos de vantagem sobre Rossi no campeonato faltando quatro corridas, Márquez tem uma grande chance de conquistar o tricampeonato com duas provas de antecedência. Como as ordens de equipe na Yamaha são inimagináveis, Lorenzo vai se despedindo da Yamaha tendo o prazer de atrapalhar Rossi em conseguir seu décimo título, mas Lorenzo deve se preocupar com o desempenho da Ducati, que hoje ficou fora do top-10, atrás até mesmo da claudicante Aprilia. Após a vitória na quinzena passada, Pedrosa viveu mais um dia de múmia e foi superado por Cal Cruthlow, com uma Honda satélite, terminando num obscuro sexto lugar. Como o personagem dos Thundercats, Pedrosa viu sua própria imagem e voltou para a tumba. Numa prova onde andou claramente mais do que sua moto, Viñales ainda foi quarto, mas o talentoso espanhol tem um belo futuro pela frente quando estiver melhor montado na Yamaha em 2017.

Provavelmente Viñales será o grande rival de Márquez num futuro a médio prazo. Se não ocorrer uma hecatombe nuclear, o espanhol da Honda será o campeão de 2016, garantindo três títulos em quatro temporadas da MotoGP, uma marca impressionante para alguém de apenas 23 anos e com todo um futuro glorioso pela frente.

Um comentário:

  1. Viñales realmente tem um tremendo futuro pela frente,mas creio que no primeiro ano de Yamaha,ele possa ter algumas problemas até pegar o jeito.

    E não será nada fácil pra ele bater Rossi,mesmo com o Doutor já beirando os 40 anos.

    E quero só ver Lorenzo fazendo seus sorrisos sarcásticos e gestos de deboche e arrogância no ano que vem... Não dou mais que três corridas por espanholzinho começar a abrir o berreiroe lavar a roupa suja da Ducati em publico...

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